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Companheiros improváveis: ecos do Domínio

Summary:

This work was written in Brazilian Portuguese.
The prose was kept relatively simple and machine-translation friendly for international readers using Google Translate or similar tools

A guerra terminou há anos. A jornada da USS Voyager também.

Mas certas pessoas nunca conseguem realmente voltar para casa.

Presos em celas vizinhas, dois homens desconhecidos compartilham lembranças fragmentadas enquanto aguardam um resgate que talvez nunca venha. Entre silêncios, traumas e confissões feitas no escuro, descobrem estar ligados à mesma mulher: uma oficial da Frota brilhante, marcada profundamente pelos anos de conflito e sobrevivência.

Enquanto o passado lentamente emerge entre as paredes da prisão, ambos precisarão enfrentar não apenas quem ela foi para cada um deles — mas também os homens que a guerra transformou.

Notes:

https://www.youtube.com/watch?v=ga4dWO_9Hus&list=RDga4dWO_9Hus&start_radio=1
Erasmo Carlos - Mesmo que seja eu [subtitulos español]

Chapter 1: O homem atrás da parede

Summary:

Presos em celas vizinhas enquanto aguardam um resgate incerto, dois homens desconhecidos começam a compartilhar fragmentos de suas vidas no escuro.

Chapter Text

Acordei paralisado e confuso, com o corpo dolorido, em um pequeno cômodo sufocante. O calor era insuportável. Eu não fazia ideia de onde estava.

Do outro lado da parede, alguém cantava. A voz vinha acompanhada de batidas ritmadas em alguma superfície metálica, enquanto correntes chacoalhavam no compasso da música, como uma percussão improvisada. A melodia parecia estar em alguma língua latina.

Aos poucos, meus movimentos começaram a voltar. Tentei me levantar para me aproximar da origem do som, mas logo descobri, dolorosamente, que estava acorrentado pelos pés. O comprimento da corrente permitia apenas alcançar o sanitário, a pequena pia ao lado da cama e a bandeja de comida deixada no chão.

Olhei ao redor.

Era uma cela sem janelas. A porta possuía apenas uma pequena abertura por onde a comida devia ser entregue. A cama estreita estava coberta por um lençol áspero e uma colcha fina.

Eu precisava de informações.

— Ei! Você que está cantando... onde estamos? — gritei em direção à parede.

Houve alguns segundos de silêncio antes de uma voz masculina, jovem e cansada, responder com um falso entusiasmo:

— Isso, meu querido... eu também não sei. A última coisa de que me lembro é estar em Busan...

Ele interrompeu a si mesmo. Pela respiração irregular, percebi que estava ficando ansioso. Ainda assim, tentou se controlar. Respirou fundo duas vezes antes de continuar:

— ...eu estava no meio de uma ligação com minha esposa quando tudo começou a apitar...

— Entramos em alerta vermelho. Eu estava na mesma nave — respondi quase sem perceber.

As memórias começaram a voltar. Eu estava retornando para a Terra depois de visitar parentes em Dorvan.

— Me desculpe... a pessoa da Frota na minha família é minha esposa. Eu não entendo muito dessas coisas...

De repente, ele gritou:

— Meu Deus!

O desespero finalmente rompeu sua tentativa de calma. O humor dele mudou abruptamente. Ouvi as correntes se tensionarem, como se tivesse tentado se levantar.

— Ela deve estar preocupada pra caramba. Ia me apresentar para a família dela neste fim de semana. Eu preciso sair daqui. Não posso decepcioná-la... ela já sofreu tanto...

Senti um aperto estranho no peito.

— Calma. Precisamos reunir o máximo possível de informações.

Do outro lado da parede, ele soltou uma gargalhada breve meio eufórica e maníaca que acabou em uma tosse seca.

— Minha esposa falaria exatamente isso numa situação dessas. Você é oficial da Frota?

Antes que eu pudesse responder, ele continuou, agora com a voz aflita:

— Vocês da Frota se fazem de fortes, mas são humanos como qualquer um. Eu preciso voltar para minha esposa rápido. Algo muito ruim pode acontecer.

Quis dizer que já não fazia parte da Frota havia cinco anos, mas temi deixá-lo ainda mais nervoso.

— Se ela é da Frota, então está preparada para situações assim. E pode ter certeza de que já devem estar fazendo de tudo para nos encontrar devemos esperar…

Então, de repente, ele me interrompeu.

—— Você não sabe como eu a conheci, não sei se devia te contar mas eu estou ficando louco. Está sentindo um cheiro doce e enjoativo? Você sente um cheiro doce? Estou sentindo um aperto no peito, tontura…

Escutei as correntes novamente, e um baque no colchão. Aquilo me deixou alerta imediatamente.

Drogas dispersas no ar.

Se ele tinha ligação com algum oficial importante da Frota, podiam estar tentando extrair informações sem que percebesse. Precisava desviá-lo de assuntos sensíveis.

— Pode confiar em mim. Estou fora da Frota há cinco anos. E, se isso ajudar, podemos omitir nomes. O que disser aqui fica em sigilo absoluto.

O silêncio voltou.

Dessa vez mais longo.

Então ele falou, numa voz baixa e quebrada:

— Ela acha que me salvou... mas eu sei a verdade. Nós dois somos sobreviventes de suicídio.