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Vem, meu cachorrinho, seus donos estão chamando!

Summary:

Dois anos após começarem o namoro à três, Aguiar, em segredo, toma uma decisão que mudaria para sempre o destino do trisal. Contudo, a decisão veio com um preço, e seus namorados não ficaram nada felizes ao perceberem a mudança no comportamento de Jonas.

Então, eles resolveram lhe ensinar uma lição, do jeito que só eles sabem.

Notes:

Assim como Lady Gaga lançou Judas na Páscoa, eu lanço um hot — modéstia parte — DE-LI-CI-O-SO dos jaspombiar. Feliz Páscoa gente!!!!

Um adendo: não precisa necessariamente ter lido a parte 1 dessa série, mas seria bom, pra você entender o que tá acontecendo aqui

Boa leitura 🫶🏻

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

"Para de roer as unhas, Aguiar! Já disse, você vai ficar com os dentes tortos, e vai ter que usar aparelho com trinta e três anos nas costas." Pomba deu a bronca no namorado, e Princesa – deitada em seus pés – latiu após sua fala, concordando com Pomba, do seu jeitinho.

Aguiar revira os olhos e deixa um ''argh'' escapar, o que acabou lhe rendendo uma cotovelada de Jasper, que estava sentado ao seu lado no sofá. "Ei, não revira os olhos pro seu namorado, ele não tem culpa de você estar uma pilha de nervos."

"Tem sim! Vocês dois têm! Foram vocês que me convenceram a parar de fumar, e olha como eu tô agora! Só um charuto iria me acalmar agora." Aguiar apoia a cabeça entre as mãos, os dedos puxando um pouco os fios castanhos. "Eu pensei que vocês achavam atraente, poxa…"

"É, até eu descobrir que um charuto tem muito mais nicotina que um maço inteiro de cigarro!" Pomba é quem responde, apontando o dedo na direção do rosto de Aguiar, que continua tapado por suas mãos.

"Então você prefere que eu comece a fumar cigarros?" A voz de Aguiar soa abafada atrás das mãos, e agora foi a vez de Jasper revirar os olhos para o comentário do namorado.

"Bom, eu, particularmente, prefiro que você se acalme! Pelo amor de Deus, Aguiar, olha o teu estado!" Jasper retira as mãos do rosto do delegado, revelando os olhos castanhos um pouco arregalados e o lábio inferior sendo mordido com certa força, além de alguns fios de cabelo rebeldes onde Aguiar os puxou.

"Então vai comprar cigarro pra mim."

"Eu vou é dar um tapa na sua cara!" Jasper pega Aguiar pelos ombros, sacudindo o homem. "Para de pensar nisso, pelo amor de Deus! A última vez que te vi tão nervoso assim foi quando você se declarou pra mim e pro Pomba."

"Na época, pelo menos, eu ainda tinha os charutos pra me acalmarem um pouco, mas agora eu namoro o casal PROERD, pelo visto."

"Chega!" Pomba grita de repente, assustando as duas rottweillers (e os homens) presentes no cômodo. Ele fala um rápido pedido de desculpas para as cachorras, e vira sua atenção para os homens à sua frente. "Pelo amor de Deus, ninguém vai sair pra comprar nada! Ninguém vai fumar nada! Chega, Aguiar! Para de pensar nisso, você 'tá até agora indo tão bem, por que sua abstinência 'tá batendo com tanta força hoje? É algum caso que 'tá te deixando assim?" Pomba se levanta da poltrona e vai até o sofá, sentando do outro lado de Aguiar. Ele puxa o braço forte do delegado até seu colo, entrelaçando seus dedos com os dele.

Aguiar suspira com o contato da pele morena e quente de Pomba, e, em contrapartida, a pele pálida e um pouco mais gelada de Jasper à sua esquerda lhe arrepia onde é tocado, os dedos de Jasper acariciando sua coxa, exposta pelo short.

Não é de hoje que Aguiar tem andado um pouco estranho. Faz cerca de três meses que o seu comportamento teve uma mudança impossível de ser ignorada: o delegado parecia estar mais ocupado que o normal, além de extremamente cansado. Jasper sempre lhe dava broncas, falando sobre a importância de dormir bem e ter uma boa rotina de sono, enquanto Pomba lhe passava receitas de chá que ajudavam a relaxar o corpo e a mente. As olheiras de Aguiar estavam cada vez mais profundas, e seu pavio cada vez mais curto. A privação do sono causou uma irritabilidade quase irracional; até mesmo um fio de cabelo caído no chão branco do banheiro era capaz de irritar seriamente Aguiar. Seus colegas de trabalho, em especial Cleo, tentavam ajudá-lo (alguns, de forma genuína; outros, por apenas estarem com medo de entrar na mira do delegado), mas nada adiantava, ninguém sabia qual era a origem misteriosa da súbita insônia e do mau humor do delegado. Mesmo em outro estado, seus namorados também notaram a mudança, na maneira como ele estava menos presente nas conversas, como seu semblante estava abalado, como ele parecia mais seco…

Por conta disso, Jasper e Pomba resolveram fazer uma surpresa para Aguiar: juntaram um pouco do dinheiro que ambos tinham guardado (e podem ou não ter tido uma pequena ajuda de Harpia, pai de Pomba) e compraram uma passagem de avião para o Paraná, na esperança de espantar o baixo astral de Jonas. O delegado de fato ficou feliz em, finalmente, ter seus dois namorados pertos de si, depois de tantos meses longe, contudo, a presença dos dois homens parece ter tido um efeito contrário: a cada dia que passa, Aguiar está cada vez mais ansioso.

Jasper dá um beliscão fraco na coxa bronzeada. "Ei, cachorrão, fala pra gente." Jasper deixa um beijo no ombro de Aguiar. "A gente não 'tá bravo contigo, né, amor? A gente quer o seu bem, mas você precisa conversar com a gente, Jonas. Não é porque você é o mais velho de nós que precisa guardar tudo pra si."

"É verdade, meu mel." Pomba aperta a mão de Aguiar. "A gente te ama, e quer te ajudar e te ver feliz, mas pra isso você tem que falar pra gente o que aflinge esse coraçãozinho." Pomba põe a mão livre no meio do peito de Aguiar, e percebe que, de fato, o coração de Jonas estava um pouco acelerado.

O delegado suspira alto e pesado, alternando o olhar entre os dois homens ali presentes, os olhares de preocupação acertando o coração de Aguiar em cheio, como uma faca com a lâmina recém afiada.

"É que… eu tenho uma surpresa pra vocês, mas eu não posso falar, porque não depende de mim. E eu tenho medo de contar, criar expectativas e, no fim, nada dar certo, magoar vocês e a surpresa não passar de uma promessa vazia." O olhar de Aguiar está fixo em seu celular, na mesa de centro. Os outros dois homens trocam um olhar de dúvida silencioso entre si.

"'Tá tudo bem, meu mel, a gente te ama de qualquer jeito. Seja lá o que estiver atazanando sua mente, tenho certeza que vai logo passar." Pomba beija a bochecha de Aguiar, e Jasper deita a cabeça no ombro do delegado, concordando com a cabeça.

"Estamos há dois anos juntos, não precisa ter medo da gente, Aguiar. Até agora superamos tudo o que a vida jogou na nossa direção, não?" Jasper dá um fraco soco na barriga de Aguiar. "Então não tem porque ficar desesperado, cachorrão."

"Vocês não entendem, isso é muito importante, pode mudar tudo! Tudo!" Aguiar iria continuar insistindo, porém uma notificação em seu celular acendeu a tela, e ele deu um pulo do sofá até o aparelho, deixando Jasper, que tinha a cabeça deitada em seu ombro, cair no móvel, quase acertando Pomba.

"Mas o que é isso, Aguiar!" Pomba grita no susto, ajudando um Jasper atordoado a se sentar no sofá.

O pulo repentino de Aguiar também assustou as duas cachorras, que latiram e saíram correndo do cômodo, indo até o quintal. Com as mãos tremendo em antecipação, Jonas desbloqueia o aparelho, apertando na notificação, que o levou até sua caixa de entrada do e-mail. Aguiar apertou no link, indo até o site onde o resultado estava disponível. Respirando fundo, e com os dedos tremendo, ele aperta para baixar o arquivo em PDF, o arquivo que pode mudar toda a sua vida. Fechando os olhos, ele aperta para abrir o PDF, criando coragem para encarar o resultado. Era agora ou nunca. Cada segundo se estendia de modo arrastado, e o mundo parecia se mover em câmera lenta, até mesmo a própria respiração de Jonas havia travado em seus pulmões. Quando o arquivo finalmente abre, Aguiar sente seu corpo inteiro gelar e quase desmaia, graças a visão à sua frente, na pequena tela de seu celular.

 

RESULTADO DEFINITIVO DA PROVA OBJETIVA

CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE VAGAS PARA O CARGO DE DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO — EDITAL N° 01/2026

INSCRIÇÃO

1893103

NOME

JONAS AGUIAR

NOTA

78

SITUAÇÃO

APROVADO E CLASSIFICADO

 

Aguiar estava completamente estático, nenhum mísero fio de cabelo sequer se movia naquele momento. Quem olhasse, poderia achar que se tratava de uma estátua hiperrealista, bem no meio da sala de estar. Nem mesmo seus olhos piscavam, por medo da visão ser alguma cruel alucinação de sua mente esperançosa. Ele conseguiu. Após meses de esforço, cansaço, insônia, síndrome do impostor, esconder o segredo de seus namorados e colegas, equilibrar trabalho, estudos, namoro, amizades e duas cachorras para cuidar… ele conseguiu. Ele foi aprovado. Ele passou. Ele vai embora do Paraná.

"Meu mel? O que foi?" Do ponto de vista de Pomba, Aguiar simplesmente deu um pulo do sofá e congelou em pé, de costas para si. Ele não tinha nenhuma visão do celular de seu namorado, ele não tinha ideia do que Aguiar estava lendo.

"Ô, cachorrão, o que foi? Alguém morreu?" Jasper levanta do sofá e vai até ao lado de Jonas, puxando um pouco seu braço para chamar sua atenção. Ao perceber que o homem nem se mexeu, Jasper começa a sentir um pouco de medo, e lança um olhar silencioso para Pomba, falando ''me ajuda'' com as írises azuis.

"Aguiar… você 'tá assustando a gente…" Pomba fala de modo receoso, se erguendo devagar do sofá e indo até Jasper, se escondendo atrás do corpo do namorado, tendo a mesma visão de um Aguiar imóvel.

Aguiar deixa uma lágrima escorrer, e logo outra segue o mesmo percurso. Fungando, ele ergue os olhos marejados na direção de seus dois namorados, que o olham numa mistura de medo, preocupação e confusão. Apesar de ter tal visão, Jonas sorri em meio às lágrimas, o gostinho salgado delas invadindo sua boca por acidente. Com a mão livre, ele toca primeiro o rosto de Jasper e, em seguida, o de Pomba. Os dois homens continuam parados o encarando, tentando decifrar o que poderia possivelmente estar passando pela cabeça do delegado.

"Acabou." A voz de Aguiar é sussurrada, saindo um pouco quebrada por conta do choro. Jasper e Pomba se entreolham confusos.

"O que acabou, meu mel?" Pomba fala de modo cauteloso, e Jasper dá um sutil passo para o lado, seu corpo ficando um pouco mais na frente do de Pomba.

"Tudo." Aguiar retira a mão do rosto de Pomba, secando suas lágrimas. "Os sacrifícios, a exaustão, a saudade… acabou."

"Para de falar em enigmas, Aguiar." Jasper é quem fala, sua voz firme. A mão esquerda vai até a parte de trás de seu corpo, segurando o quadril de Pomba com certa força. "Fala logo, desembucha."

Aguiar estende o celular com a tela acesa na direção de Jasper, que pega o aparelho sem desviar o olhar do de Aguiar. Ele traz o celular para ele e Pomba lerem, e, para Aguiar, é até engraçado perceber como as expressões faciais de seus namorados foram lentamente mudando conforme eles liam o documento. De medo, foi para confusão, que foi para dúvida, e que foi para espanto. Assim como o delegado, os dois também congelaram no lugar por alguns segundos, completamente imóveis, apenas suas írises se moviam pelas palavras na tela. Pomba foi o primeiro a desviar o olhar da tela, subindo lentamente na direção do delegado, que se mantinha parado no mesmo lugar, ainda sorrindo. Mais lágrimas silenciosas retornaram para molhar seu rosto inchado pelo choro.

Aguiar sorriu fraco, e abriu um pouco os braços. "Surpresa."

O silêncio se instaurou no cômodo, todos ali ainda processando a informação. Aguiar, a este ponto, permitia que as lágrimas caíssem como cascatas de seus olhos, e o sorriso em seus lábios era grande, transmitindo a tamanha felicidade que ele estava sentindo dentro do próprio peito. As cachorras haviam retornado para a sala, deitando perto do dono — ou melhor, de um dos donos — ao notarem a mudança de humor do delegado. Pomba sentia os próprios olhos marejados e o nariz ardendo, assimilando o peso silencioso que aquelas palavras carregam, além do que elas significam para o futuro de Aguiar, e para o futuro d'eles três juntos.

"Eu… pensei muito sobre o nosso futuro, e… eu decidi que eu quero vocês, por muito tempo." Aguiar interrompe a fala para fungar, coçando o nariz. Princesa acaba deixando um pequeno choramingo escapar, como uma forma de solidariedade ao dono choroso. "Esses últimos dois anos… foram incríveis, vocês são incríveis. Eu nunca pensei que, um dia, iria me sentir assim de novo. Vivo. Vocês me lembraram que a vida presta, e eu… eu não podia deixar isso de lado. Toda vez que conversávamos sobre o futuro, a incerteza me assombrava: eu não queria viver um relacionamento assim para sempre, onde teríamos que ficar a um voo de distância. Eu não queria ir dormir sozinho, minha cama se tornou grande demais para um só. Eu não queria colocar talheres e pratos só para um na mesa de jantar. Eu não queria voltar para uma casa onde o único barulho são os latidos delas." Por um momento, Jonas desvia o olhar para as rottweillers deitadas ao seu lado, encostadas em seus pés.

"Então, em segredo, eu comecei a estudar pra esse concurso aí, por isso que eu mudei do nada. Eu quase não dormia: se não estivesse num plantão, estava estudando até altas horas da madrugada; eu acho que passei a dormir só umas duas, três horas por dia, mas eu precisacava. Quando que outra chance dessas iria aparecer? Um concurso pro meu cargo, pra cidade que meus namorados moram? Qual a chance, sabe? Eu não podia deixar isso passar. Então eu me esforcei, e pra caralho, mais do que me esforcei pra passar no de Inquisidor do Vale. E eu consegui. Desbanquei mais de noventa mil pessoas, e passei na frente de todo mundo. Eu consegui, Pombinha." A voz de Aguiar ia falhando cada vez mais conforme a fala prosseguia, as emoções vindo à tona, sem nenhum filtro.

"Então… você… isso quer dizer que…"

"Você vai voltar pra São Paulo?" Jasper interrompe Pomba, falando pela primeira vez, após minutos em silêncio. Ele ainda estava com os olhos grudados na tela, talvez tentando crer no que via. Pomba, com a visão um pouco embaçada, se vira para Jasper, porém o albino levanta o olhar diretamente em Aguiar. Uma solitária lágrima escorre pelo rosto pálido. Com a voz fraca e embargada pela emoção, Jasper pergunta novamente. "Você vai voltar?"

Pomba ficou calado, observando a conversa silenciosa que os olhares entre os dois homens estavam tendo. Era impossível não perceber a emoção que ambos estavam transmitindo um para o outro, sem falar nada, apenas com seus olhares. Os olhos verdes e azuis — quase violeta — se encaravam com intensidade, as lágrimas de ambos fazendo os olhos brilharem e reluzirem como vitrais. Pomba sempre soube que a história daqueles dois era antiga, e que o período da faculdade, para ambos, só foi um pouco mais leve porque tinham a presença um do outro. Pomba sabe que a amizade, o carinho, o companheirismo, especialmente o amor, sempre estiveram ali presentes, mesmo que nenhum deles tivesse coragem de admitir em voz alta. E é justamente por isso que, agora, Pomba sabe o quanto o afastamento os feriu, ironicamente, pelo mesmo motivo que agora irá uni-los novamente.

Aguiar dá um sorriso emocionado para Jasper. "Vou, gatinho. Vou voltar pra São Paulo." Jonas olha para Pomba, percebendo seu silêncio, além da maneira curiosa com a qual ele os olhava. Ele estende uma mão para o garoto, que, timidamente, a pega, e Aguiar consegue perceber as pontas dos dedos morenos tremendo de leve. Com a mão livre, Aguiar pega na mão de Jasper, que também tremia. Jonas sorri, e deposita, com cautela, um beijo, salgado pelas lágrimas, em cada mão, apertando-as com força. "Quer dizer… se vocês me quiserem lá."

"É claro que queremos, bobo." Pomba responde, retribuindo o aperto forte, a voz ainda afetada pelo choro. "Isso é tudo que a gente sempre quis, né, meu bem?"

Jasper concorda com a cabeça, apertando o celular em sua palma. "Aguiar, se… se isso for uma piada de muito, muito mau gosto…"

"Jamais! Eu jamais brincaria com isso, Jasper. Você acha que esse também não era meu sonho?" Ele dá um aperto na mão de Jasper, a voz voltando a ficar baixa. "É verdade, gatinho. Eu vou poder ficar perto de vocês, finalmente."

"Mas… você tem certeza?" A voz de Pomba atrai a atenção de Aguiar. "Quer dizer, sua vida inteira 'tá aqui, meu mel. Tem certeza que quer deixar tudo pra trás? Não é uma decisão fácil…"

Aguiar sorri, trazendo a mão de Pomba até seu rosto e se aninhando contra a palma. O calor da pele morena também o aquecia por dentro. "Sabe, pombinha, ao longo da minha vida, eu passei por vários lugares, 'cê sabe. Nasci em Santa Catarina, passei a infância na Bahia, a adolescência no Rio, fiz faculdade em São Paulo, vim trabalhar no interior do Paraná, aí pedi transferência pra capital daqui… e, agora, vou voltar pra São Paulo." Ele beija a palma da mão de Pomba. "Acho que é mais seguro dizer que minha vida não 'tá em lugar nenhum, ou 'tá em todos os lugares."

"Mas e seus amigos? A Cleo, a Kemi, o Dalmo… eles não sentiriam sua falta? Você não sentiria saudade deles?"

"Amigos? Troco por outros!" Aguiar recebe uma leve cotovelada de Jasper, por mais que os três tenham dado risadas da referência humorística do delegado. "Mas, falando sério, é claro que eu vou sentir saudades deles, mas… a dor é sempre maior quando eu penso em vocês." Aguiar puxa os dois homens até si, os abraçando. Pomba e Jasper retribuem o abraço, apertando Aguiar com força, e deitando suas cabeças no peito grande do delegado, que escondia um coração com batimentos acelerados pela emoção.

Aguiar deixa um beijo em cima dos cabelos de cada um deles. "Ah, o que foi que vocês fizeram comigo? Se, há três anos, me dissessem que um twink moreninho e um pseudovampiro fossem os responsáveis por roubar meu coração e me fazer repensar toda a minha vida, eu iria rir da cara da pessoa."

"Ei!" Pomba fica envergonhado pelas palavras de Jonas, sentindo o calor subir por suas bochechas. Jasper ri quando percebe a ponta do nariz de Pomba um pouco vermelha, e dá um fraco peteleco na pontinha.

Aguiar dá mais um aperto nos dois. "Eu amo muito vocês, de verdade. Nem sei como seria minha vida sem vocês dois, vocês… são tudo pra mim, eu faria qualquer coisa por vocês."

"Ah, que isso, cachorrão." Jasper abaixa o rosto, olhando para o chão, na esperança de esconder o rosinha intenso de suas bochechas. "Falando assim, fico até sem graça."

"Você sempre foi assim, gatinho. E não mudou nada." Era inegável a mudança na voz de Aguiar toda vez que ele relembrava seu passado com Jasper, o tom suave e doce carregava sete anos de história, e, se ele tiver sorte, muito mais anos daqui para frente. "Ele fica fofo assim, não fica, pombinha?"

"Uhum." Pomba concorda com a cabeça, sorrindo e se deleitando com a visão de Jasper envergonhado. Contudo, seu rosto se fecha, e ele dá um fraco tapa no peito de Jonas. "'Tá, a gente realmente 'tá muito feliz por você, meu mel, de verdade, mas isso não significa que a gente vai perdoar esse teu comportamento estranho, não é, amor?"

Jasper endireita a postura, e, apesar de seu rosto pálido ainda estar um pouco rosado, sua voz havia mudado para um tom mais sério. "Isso. Durante esse tempo, você agiu estranho conosco, Aguiar, e isso machucou a gente. O Pomba especialmente. Você 'tava mais ríspido, mais seco, mais afastado… e a gente ficou muito triste com você, e isso não pode passar batido."

"Exato." Desta vez, foi Pomba quem endireitou a postura e mudou o tom de voz. "Você precisa pagar pelo o que você fez, Aguiar, e não vai sair barato. Machucar não só um, mas dois namorados? Tsc tsc, feio, muito feio." Pomba balançou a cabeça olhando para o chão, num gesto silencioso de decepção e reprovação.

Aguiar foi pego de surpesa pelas falas de seus dois amados. Ele tinha total noção da mudança em seu comportamento, e sabia que estava incomodando as pessoas à sua volta, contudo, Jonas não tinha consciência do quanto os seus namorados estavam se sentindo machucados por conta d'ele mesmo. Ele sabia que a sua ausência na rotina, no grupo de mensagens, nas chamadas de vídeo, e sua suposta e aparente falta de atenção dentro do namoro, eram falhas que ele cometeu durante esse período, e Jonas não se exume da culpa e da dor que deve ter causado — ou melhor, que, agora, ele tem certeza que causou — em seus namorados. Entretanto, ele imaginou que Pomba e Jasper seriam compreensivos com si, afinal, foi por uma boa causa! Foi um sacrifício necessário, foi por eles que Aguiar fez o que fez, e faria de novo, se significasse fazê-los feliz. Nicolau Maquiavel foi quem escreveu que ''os fins justificam os meios'', e, para Jonas, ele tinha razão: se fosse para o bem maior, era inevitável a ocorrência de alguns sacrifícios, mesmo que doessem. O que são três meses de dor, perto de todo o tempo do mundo que eles terão um com o outro, pessoalmente, ao vivo e a cores? O que são três meses afastado, perto de todo o tempo que ele passará abraçando e beijando seus namorados? Por que eles não entendiam isso? Era tão difícil assim enxergar seu lado?

"Mas… eu fiz isso por vocês. Tudo isso foi por vocês. Eu sei que agi estranho, mas não valeu a pena?" Aguiar alterna seu olhar esperançoso entre os dois homens, que se encaravam, tendo, aparentemente, uma conversa silenciosa com os olhos.

Pomba foi quem lhe respondeu, se desvencilhando do abraço e cruzando os braços, andando de um lado para o outro, como se estivesse pensando seriamente. "Você não só 'agiu estranho', Jonas, você mal conversava com a gente e, quando conversava, não durava mais do que quinze minutos, sempre alegando 'emergência na delegacia'."

"É verdade." Jasper também se soltou o abraço, cruzando os braços e indo para o lado de Pomba, que continuava andando de um lado para o outro. "A gente até chegou a pesquisar se, por acaso, a criminalidade em Curitiba tinha aumentado, só pra descobrir que não. Nós até chegamos a pensar que você 'tava nos traindo, dá pra imaginar nossa dor e angústia?"

Aguiar não precisava saber que a última parte da frase era mentira, mas, se Jasper entendeu as intenções silenciosas de Pomba, toda jogada é válida.

"O que?" Aguiar arregala os olhos e sente o ar faltando nos pulmões, pego desprevenido pela declaração de Jasper. "Nunca na minha vida! Jamais isso sequer passou pela minha cabeça! Não tenho vergonha, nem medo, do que as pessoas possam falar de mim ou vocês, eu tenho orgulho de namorar pessoas tão incríveis como vocês! Eu nunca tiro essa aliança!" Jonas estende a mão direita ao lado do rosto, onde uma aliança dourada — com as iniciais de Jasper e Pomba cravadas na parte interior — repousa em seu dedo anelar. Aguiar, com um pouco de dificuldade, consegue puxar a joia, deixando clara a diferença de tons de pele ali presente. De fato, a aliança nunca é retirada.

Pomba suspira. "Não sei… tem pessoas que tem tesão em gente comprometida, sabia? Que não se aguentam quando veem alguém com um anel no dedo…"

O delegado bufa, incrédulo com a fala de seu namorado, e com o silêncio do outro, que apenas assentia com a cabeça às palavras de Pomba. "É sério isso? Eu acabei de passar no concurso mais difícil que já fiz na vida, sacrifiquei meu sono por três meses, tive uma queda de nota fudida, diga-se de passagem, na avaliação de desempenho, quase bati a viatura mais de uma vez por dirigir com sono, quase perdi meu porte de arma temporariamente por não estar 'apto' para utilizá-la," Aguiar faz as aspas com as duas mãos, "e vocês acham mesmo que eu teria a coragem de trair vocês?"

Pomba deu de ombros, e Jasper idem. Aguiar, já um pouco impaciente, pega o celular da mão de Jasper, desbloqueando e esticando de volta para eles. "Podem olhar tudo, vasculhar de cima a baixo, o que tiver senha eu falo qual é, vejam se acham algo. Podem ir pessoalmente até a delegacia falar com a Cleo, podem ligar pra Kemi, fazer o que vocês quiserem. Não vão achar uma coisa suja sobre mim! Eu não sou nada além de um homem fiel e de palavra, o que quiserem que eu faça pra provar isso, eu faço, sem pensar duas vezes."

Jasper olha para o aparelho com a tela acesa — cujo plano de fundo é uma edição sutil que Pomba fez dos animais que representam cada um deles, e a data do início do namoro — e olha para Jonas, que possui o olhar ansioso e um pouco amedrontado. O albino suspira. "Sei não, vocês tem fama de serem corruptos." Ele diz de qualquer jeito, seus dedos ''acidentalmente'' esbarrando no bottom em seu cinto, com um grande ''ACAB'' escrito.

Jonas suspira, abaixando a cabeça, até que seu olhar esteja completamente focado no tapete abaixo de si. Jasper e Pomba nunca esconderam seus posicionamentos políticos, e Aguiar, ao contrário do que muitos imaginam, concorda com boa parte deles. Ele sabe que ambos nunca esconderam o repúdio pela força policial, em especial a Polícia Militar, e sabe que, mais cedo ou mais tarde, alguma ofensa ou repúdio iria respingar em si. Jonas não se ofende com tais opiniões; ora, quem não deve, não teme. Porém, ouvir tais palavras sendo dirigidas a si, naquele contexto, foi como se uma faca afiada tivesse atravessado seu coração. Jonas estava ali, com o peito aberto, a ponta do nariz começando a arder, o rosto ainda molhado pelas lágrimas derramadas, e é isso que Jasper tem a dizer?

Pomba percebeu a mudança drástica no clima entre os três, e parou de andar. O que era para ser apenas uma provocação acabou passando dos limites, e ele se sente responsável por fazer a reparação dos danos. Ele dá um passo à frente, abaixando a mão esticada com o celuar de Aguiar, e segura nas mãos dos dois homens. "Ei, vamos respirar um pouco, ok? Todo mundo aqui 'tá ficando nervoso. Hoje é um dia feliz! Jonas vai morar com a gente em São Paulo, e nós viemos aqui pra fazer uma surpresa, então vamos deixar esse papo pra depois, 'tá?"

O albino e o delegado permaneceram quietos, Jasper, carregando a culpa; Aguiar, carregando a tristeza.

Pomba dá um beijo na bochecha de cada um deles, apertando as mãos com mais força. Muitas vezes, mesmo sendo o mais jovem dentre os três, Pomba torna-se a voz da razão, tendo incríveis momentos de grande sabedoria, incomuns para alguém de apenas vinte e dois anos. Crescer com uma família tão diferente e incomum como os Pássaros lhe rendeu um conhecimento amplo, que ninguém jamais iria retirar de si.

Jasper aperta de volta a mão morena. "Você 'tá certo, amor. Me desculpa, Jonas. A gente confia em você, eu confio em você."

Deus que os perdoe, mas, para Jasper e Pomba, Aguiar estava parecendo um cachorrinho triste e cabisbaixo, e, se eles se esforçassem, talvez fosse possível enxergar duas orelhas caídas e um rabo virado para baixo em Jonas. Jasper e Pomba sorriram, cada um beijando uma mão de Aguiar.

O delegado acabou deixando um leve, e quase inaudível, choramingo escapar, puxando os dois para um abraço apertado. Aguiar beija o topo da cabeça de cada um. "Eu amo vocês. Com tudo o que sou, e tudo o que tenho. Vocês são a melhor coisa que já me aconteceu."

Jasper sorri ao ouvir as palavras doces, dando um beijo no ombro de Jonas. "Nós também te amamos, seu bobo. Mas, o Pomba 'tá certo, você ainda precisa pagar pelo o que fez com a gente."

O moreno apenas concorda com a cabeça, e Aguiar, agora, consegue deixar um pequeno sorriso se formar em seu rosto. "Tudo bem, eu pago o preço. Sem pestanejar, prometo."

"Falando em pagar…" Pomba ergue a cabeça, olhando para os dois namorados. "Vamos sair pra comemorar! Por nossa conta, meu mel! Quer ir onde? Tenho certeza que você deve conhecer algum lugar legal por aqui."

"Ah… não precisa…" Aguiar foi tomado por uma timidez surpreende, nada habitual para ele. "Ter vocês aqui comigo já é o suficiente."

"Deixa disso." Jasper puxa fraco a orelha de Jonas. "É o mínimo que a gente pode fazer por você, cachorrão. A gente vai morar junto! Claro que isso é motivo pra comemorar!" O albino fala alto e abre um grande sorriso, espantando o mau humor de todos ali.

Jonas se sente contagiado pela empolgação de seus namorados, e acaba rindo um pouco. "'Cês gostam de boliche? Tem um no shopping aqui perto."

"Eu adoro!" Os olhos de Pomba brilham. "Não é querendo me gabar, mas eu sou muito bom no boliche, viu? Nunca perdi pra ninguém."

"Isso é um desafio, pombinha?" Aguiar sorri, olhando para Pomba com um certo fogo no olhar. "Eu tenho mira boa."

"Aí que você se engana, meu mel. Boliche não é mira, é jeito." Pomba dá uma piscadela, olhando para Jasper. "Você 'tá de acordo, amor?"

Jasper concorda com a cabeça. "Eu gosto de boliche, mas já tem um tempão que não jogo, devo estar bem enferrujado."

"Melhor pra mim." Pomba brinca, dando um beijo em cada um dos homens. "Vamos?"

"Ok, ok, nós vamos." Aguiar responde, e Pomba e Jasper se dirigem até o quarto do delegado, onde haviam deixado suas malas e bolsas.

Jonas suspira, sentando no sofá, e logo sendo agraciado com as companhias de Belinha e Princesa, que subiram no móvel, uma em cada lado de seu corpo. Ambas deitam as cabeças nas pernas de Aguiar, que não tarda em começar um carinho atrás das orelhas das rottweillers.

Ele suspira, apoiando a cabeça no encosto do sofá, os olhos fixados no teto, perdido em pensamentos. "Ah, minhas meninas… o que será que eles vão aprontar comigo, hein? O pombinha é bem criativo quando quer, e o Jasper não fica muito atrás… será que vão me pregar uma peça?"

Belinha nada diz ou faz, apenas fecha os olhos e abana o rabo, feliz pela carícia. Princesa deixa um latido baixo escapar, quase um rosnado. O delegado sorri com a ''resposta'' da rottweiller. "É, talvez você esteja certa, Princesa. Talvez eu esteja pensando demais nisso, ou exagerando… Eles me entendem, né? Eles sabem que não fiz nada de propósito… eles não me machucariam, né?"

Dessa vez, Princesa nada respondeu, apenas espelhou a ação de sua irmã, e o único barulho presente na sala eram os sons abafados dos rabos das cachorras batendo contra o estofado.

De nada adianta sofrer por antecipação; agora, Jonas vai a um encontro com seus namorados.


Nenhuma menção à ''punição'' de Aguiar foi feita durante os quatro meses seguintes. Era como se toda aquela conversa não passasse de uma grande alucinação, criada pela quantidade extrema de dopamina que foi liberada pelo cérebro de Aguiar, ao ver a classificação.

Durante esse período, a vida do delegado virou de cabeça para baixo: pedido de exoneração do cargo, prova de títulos, exames médicos, arrumação de malas, encaixotar coisas e mais coisas, vender e dar alguns móveis — enquanto quebra a cabeça para saber como irá levar outros —, se despedir de todos os seus amigos, deixar a casa vazia para o proprietário, procurar um imóvel para alugar (mesmo ainda estando em outro estado), comprar a passagem de avião… E, quando chegou em São Paulo, tão cedo não teve tempo de relaxar. Aguiar precisou fazer todo o processo de adaptação das duas rottweillers, assinar o contrato de aluguel, desempacotar sua mudança, arrumar os móveis (que, felizmente, chegaram inteiros), e, por fim, tomar posse de seu tão sonhado cargo em São Paulo.

Pelo menos, durante todo esse período conturbado, sempre que possível, Jonas teve a ajuda e a companhia de seus namorados. Jasper e Pomba o ajudaram desde antes de ele chegar em São Paulo, e, desde o momento em que o delegado aterrissou, eles não desgrudaram dele. Jasper, querendo se provar mais forte do que é, ficava carregando pesadas caixas de livros e objetos frágeis, e quase deixou uma ou outra cair. Pomba, por outro lado, tem mais consciência dos limites de seu corpo, se propondo a fazer apenas aquilo que aguenta. Eles questionaram Aguiar, sobre o porquê de o delegado não ter ido morar com eles, mas Jonas crê que, se precisa ''recomeçar'' a vida, então ele precisa recomeçar do zero, e isso inclui morar sozinho por um tempo. Talvez seja a diferença de idade, mas, às vezes, Aguiar possui algumas ações ou pensamentos que seus namorados não conseguem compreender por completo, e que, aparentemente, só fazem sentido dentro da mente do delegado.

Bom, pelo menos a casa que Aguiar alugou é no mesmo bairro onde seus amados moram, então a distância não será, nunca mais, um problema.

Já fazia quase um mês desde que Aguiar iniciou seu trabalho como delegado da Polícia Civil de São Paulo, e, ao contrário da pacata Inquisidor do Vale, a demanda e o ritmo de trabalho eram bem mais intensos e cansativos. Mesmo possuindo experiência trabalhando numa capital estadual, Jonas estava sentindo na pele o que era trabalhar na cidade mais populosa do Brasil. Aguiar já tem o cansaço acumulado da mudança, e, juntando com o trabalho, não é exagero dizer que ele está exausto, e tudo o que mais deseja no momento seria algum alívio e descanso, poder ''desligar o cérebro'' por alguns minutos.

Aguiar deu graças a Deus quando, finalmente, deu sua hora de ir para casa. Ele conseguia sentir o cansaço por todos os centímetros de seu corpo: na forma como sua postura estava um pouco curvada, no peso das pálpebras sobre seus olhos, no colete de chumbo invisível que ele parecia usar, no modo como arrastava seus pés pelo chão, e no tremendo esforço feito para carregar uma simples mochila. Nem iria se atrever a pegar no volante em tal estado, sua moto irá passar a noite no estacionamento da delegacia. Ele chamou um carro por aplicativo, e, quando ainda estava a caminho de sua casa, precisou se esforçar mais de uma vez para não adormecer com o balançar sutil e ritmado do carro. Agora, tudo o que Aguiar queria é tomar um banho morno, deitar na cama e adormecer abraçado com as rottweillers, sentindo os pêlos macios e bem cuidados fazendo leves cócegas em seu rosto.

Quando chegou em casa, porém, teve uma agradável surpresa: Pomba o aguardava na sala (pois é óbvio que Aguiar deu uma cópia da chave para ele e Jasper), sentado no sofá, lendo algum livro que Aguiar não consegue discernir a capa. Ao ouvir a porta da frente abrir, o rapaz moreno ergue seu olhar, sorrindo ao ter a visão do delegado em pé na porta, sendo bem-vindo pelas duas cachorras.

"Meu mel! Surpresa!" Pomba sorri, fechando o livro em seu colo e se levantando, seu rosto com um olhar doce, ao notar o carinho com o qual as duas rottweillers estavam tratando Aguiar.

"Oi, pombinha." Aguiar solta a mochila no chão, fazendo carinho nas cabeças de Belinha e Princesa. "O que 'cê 'tá fazendo aqui? Não devia 'tá na aula?"

"O professor cancelou e, honestamente, eu 'tô meio cansado de escrever o TCC o dia todo, todos os dias, então eu vim aqui te dar um 'oi'." Pomba anda até o delegado, deixando um breve beijo em seus lábios.

Aguiar passa um dos braços pela cintura de Pomba, o segurando perto e enterrando seu nariz nos cachinhos cor de café. "Quer ajuda pra escrever alguma coisa?"

"Não precisa, obrigado. Só cansaço mesmo." Pomba deita a cabeça no peito de Aguiar, sentindo o calor do homem por baixo daquela blusa branca que nada escondia.

Aguiar beija o topo dos cachinhos de Pomba. "E o Jas? Não vem?"

"Ah… ele ficou preso no trabalho. Que coisa, né? Mal começou e já 'tão prendendo ele lá…" Pomba sai do abraço, se abaixando para fazer carinho nas cachorras, que aceitam de bom grado. "Por que você não vai tomar um banho, meu mel? Você parece muito cansado."

"É… Acho que vou mesmo, tenho andado bem esgotado, preciso relaxar com urgência." Assim como Pomba acaricia a cabeça das cachorras, Aguiar acaricia a cabeça de Pomba. O garoto olha para ele com uma sobrancelha arqueada, mas o delegado apenas ri, apertando uma das bochechas de Pomba e indo até o banheiro.

Jonas quase adormeceu no chuveiro, sentindo que, finalmente, pôde relaxar pela primeira vez no dia. O contraste entre o azulejo gelado sob seus pés e a água morna caindo em seu corpo causava arrepios, mas ele pouco se importava. Por hora, o mais importante era se livrar da tensão alojada em seus ombros e do estresse alojado na mente. Quando se espreguiçou, ele ouviu seus dois ombros estalando alto, sua visão turva de tanto cansaço; ele precisou se apoiar na porta do chuveiro, se não teria caído.

Saindo do banho, Jonas vestiu apenas uma cueca e uma blusa preta, pouco se preocupando com o que vestir. Agora, queria mais do que nunca apenas ficar deitado na cama com Pomba, sentindo o calor do corpo menor contra o seu, sentindo o cheiro de cravo daqueles cabelos escuros e cacheados, sentindo a maciez daquela pele morena contra a sua, e sentindo o peso dele sobre seu corpo.

Chegando em seu quarto, viu Pomba sentado em sua cama, mexendo em algo no celular. Ao ouvi-lo, Pomba bloqueia a tela do aparelho e olha para o delegado, sorrindo e se levantando. Aguiar anda até o rapaz e o abraça com força, deixando um gemido arrastado ecoar pelo quarto vazio. Ele esfrega seu rosto contra o cabelo de Pomba, como se fosse um cachorro, arrancando uma pequena risada do rapaz. Pomba leva as mãos até as costas do delegado, sentindo como os músculos ainda estavam um pouco tensos por baixo da roupa.

"Ai, pombinha… 'tô cansado também." A voz era abafada contra os cachinhos castanhos.

"Entendo, meu mel." Pomba deita a cabeça no peito de Aguiar. "Ei, eu sei que pode parecer besteira, mas… o que foi aquilo que você disse mais cedo? De querer 'desligar o cérebro'?"

Aguiar ri contra o cabelo de Pomba, beijando-o. "Ah… modo de falar, sabe? Eu queria não pensar muito, queria poder abafar todo o estresse e as preocupações, mesmo que por uns minutos." Aguiar desenterra seu rosto dos cachinhos, olhando nos olhos de Pomba. Sua mão direita sobe até o rosto do rapaz, fazendo carinho em sua bochecha. "Por exemplo, pensar em nada a não ser você e o Jas, fazer o meu mundo inteiro e toda a minha realidade virar somente vocês dois, mesmo que só por uns minutos."

"É mesmo, meu mel?" Pomba sorri, beijando a palma calejada do delegado.

"É…" Aguiar suspira com o beijo de Pomba. "Queria que o Jasper estivesse aqui, queria deitar no meio de vocês dois e dormir até Deus permitir."

Pomba sorri, segurando a mão de Aguiar contra seu rosto. O delegado percebe o olhar de Pomba vacilando para trás dele mais de uma vez, e sua intuição começa a se fazer presente, alertando que Pomba, com certeza, estava vendo alguma coisa. Porém, quando ele ia se virar para ver o que ele tanto olha, Aguiar sente algo um pouco pesado sendo posto contra seu pescoço. Ele solta Pomba e, por reflexo, tenta chutar a pessoa atrás de si, porém sem sucesso. Ao mesmo tempo, ele leva as mãos até o objeto, sentindo… uma coleira?

Alguém colocou uma coleira nele?

Aguiar ouve uma risada rouca vindo detrás dele, e, ao se virar, o delegado tem a visão de Jasper o olhando de forma sacana, um pequeno sorriso exposto em seu rosto. Jonas se vira de volta para Pomba, vendo que, agora, ele possui a mesma expressão que o homem albino, mordendo a ponta do dedo indicador e segurando um risinho.

"O que significa isso, hein?" Aguiar tenta puxar a coleira para tirá-la, mas não tem sucesso. Jasper e Pomba nada dizem, apenas observam o modo patético com o qual o homem tenta retirar, em vão, a grossa coleira em seu pescoço. Aguiar começa a tatear o objeto, sentindo-o por baixo de suas digitais. A coleira é grossa, facilmente possui uns três dedos de altura, e o material parece ser uma imitação de couro. Ele consegue sentir um pingente grande e circular pendurado nela, mas não consegue ver se há algo encravado.

"Isso? Isso é vingança, cachorrão." Jasper sussurra próximo de si, e Aguiar levanta o olhar, um pouco assustado, na direção do namorado. Distraído pela declaração de Jasper, Aguiar mal processa Pomba mexendo na parte traseira da coleira, apenas percebe quando ouve um ''tsk'' vindo de sua nuca. Se virando na direção do rapaz moreno, ele consegue ver que Pomba segura uma guia vermelha em suas mãos. O que raios eles estão planejando?

"Vingança? Espera, como assim? Eu não…" Aguiar sequer teve a chance de terminar seu questionamento, pois logo sentiu uma ardência forte em sua bochehca. Ele leva a mão até o rosto, acariciando o local, agora, quente e um pouco rosado. Ele acabou de levar um tapa?

"E ainda pergunta?" A voz de Pomba era assustadoramente fria; Aguiar nunca ouviu tal tom de voz saindo da boca linda de seu namorado. Foi ele quem lhe bateu? Aguiar não tem tanta certeza do que está acontecendo.

"Lembra uns meses atrás, Aguiar? Quando você se afastou de nós por causa do estudo?" Jasper sussurrava perto do ouvido do delegado, que se arrepiava com a proximidade e com a sensação do ar quente da boca de Jasper contra seu pescoço. "Nós avisamos que você iria pagar o preço. Você não achou tínhamos esquecido, achou?"

Aguiar olha assustado para Jasper, que se deleita ao ver não somente o medo em seus olhos, mas a ansiedade, a expectativa, e — escondido sob tudo isso —, o desejo ali presentes.

Aguiar não é tão inteligente assim. Ora, ele nem sequer apaga seu histório no navegador de internet, ele realmente achou que seus namorados não encontrariam seus fetiches secretos? Seus segredinhos sujos?

Pomba dá uma risada — do ponto de vista de Aguiar — maquiavélica, e puxa de leve a guia da coleira, erguendo um pouco a cabeça de Jonas. "Ah, amor, eu acho que ele pensou sim… Poxa, logo ele que é tão inteligente assim? Eu esperava mais, sinceramente. Ele não sabe que o silêncio é ouro? Que ninguém sai explanando seus planos aos quatro cantos? Tsc, tsc, que burrinho." Pomba nega com a cabeça com um ar de decepção.

"Ô, Pomba, que isso… me respeita!" Outro tapa, dessa vez, de Jasper. Sua outra bochecha assume um tom rosado, para combinar com a outra metade de seu rosto. Jasper o agarra firme pela mandíbula, seus lábios formando um biquinho de tão forte que o albino o segurava.

"Você respeita ele, porra! E me respeita também! 'Tá achando que podia tratar a gente daquele jeito e sair ileso?" A voz de Jasper era firme e um pouco elevada. Não chegava a ser um grito, mas era alta o suficiente para intimidar. Pomba observa a cena calado, sentido sua intimidade já começar a contrair, apenas pelo tom de voz utilizado por Jasper. Ele morde o lábio inferior e continua assistindo de camarote a fúria de Jasper. "Mal falava com a gente, e, quando falava, era curto e grosso, não dava satisfação… 'tava pensando o que? Que nós íamos apenas aceitar suas desculpinhas de bom grado?"

Aguiar estava completamente hipnotizado. De todos os sentimentos que ele esperava sentir, nostslgia, com certeza, era um dos últimos. Ele se lembra desse Jasper: anos e anos atrás, quando eles ainda tinham a amizade colorida. Jasper, mais novo e mais ansioso em testar coisas novas, tentava crescer para cima de Aguiar, que achava adorável ver aquele jovem tentando domá-lo e intimidá-lo, fazendo de tudo para sair por cima. Naquela época, para Aguiar, Jasper era como um filhote de husky siberiano, tentando, timidamente, dar seu primeiro uivo.

Agora, sete anos depois, Aguiar consegue enxergar com clareza: o filhote, na verdade, não era de um husky. Era um filhote de lobo.

"Eu 'tô falando contigo, porra!" Terceiro tapa desferido, e Aguiar precisou morder o lábio para não gemer. Era patético o quão fácil era, para ele, se excitar com qualquer mínima demonstração de dor e grosseria. A ardência deixada para trás com os atos violentos, e a ardência emocional que sentia com as ofensas eram uma vergonha; Aguiar tinha vergonha de gostar disso, de ser feito de capacho, ainda mais por dois jovens.

Com o lábio inferior tremendo, Aguiar vira o rosto na direção de Jasper para respondê-lo. Entretanto, antes mesmo que pudesse sequer abrir a boca, a risada de Pomba quebra o silêncio instaurado no ambiente. Os dois homens viram na direção do rapaz, que dá mais um puxão na guia de Aguiar, fazendo o delegado cambalear um pouco no lugar.

"Ei, amor, olha isso…" Pomba leva a mão livre até o meio das pernas de Aguiar, apertando — com força — o volume ali presente. Aguiar acaba deixando um gemido inconsciente escapar, surpreso por já estar completamente duro dentro da cueca. Tinha esperanças de que a blusa pudesse cobrir qualquer manifestação do tesão sentido, mas ele foi um tolo em achar que poderia escapar do olhar astuto de Pomba. "Eu acho que ele 'tá gostando de ser bem maltradado."

Jasper sorri ladino, juntando sua mão com a de Pomba no volume da cueca, e Aguiar permite que um choramingo escape de sua boca. Parecia até um cachorrinho chorando. Jasper começa a acariciá-lo por cima da roupa íntima escura, sentindo o quanto Aguiar já estava quente sob seus dedos, mesmo com o tecido os separando. Ele aperta com força, fincando as unhas, e Jonas revira os olhos, a dor passeando pelo seu corpo, sendo transmutada em prazer. Ele deixou outro gemido escapar, e Jasper revirou os olhos, impaciente. "'Cê não vai responder, não? Ou esqueceu como que fala?"

Aguiar engoliu em seco, se sentindo, ironicamente, pequeno entre eles dois. Sua cabeça estava baixa, os olhos grudados no chão. "Des… desculpa…"

"Ah, fácil assim?" Pomba fala, tirando a mão da cueca de Aguiar e limpando em sua blusa, como se tivesse tocado em algo sujo. "Não consigo acreditar. Falar é fácil, não é, amor? Qualquer um pode pedir desculpas e esperar que os outros aceitem. E não é isso que eu quero." Pomba tira a mão de Jasper da cueca de Aguiar, que suspira pela perda de contato. Eles trocam um olhar silencioso, e, antes que Jonas pudesse se questionar o que eles estavam pensando, Pomba pressionou com o pé a parte traseira de seus joelhos, derrubando Aguiar no chão. O delegado caiu de joelhos, sem tempo de reação, em choque com o ataque repentino de seu namorado.

Pomba o agarra pela mandíbula e levanta sua cabeça, os olhos amedrontados de Aguiar olhando fundo nos assustadores de Pomba. "É isso que você merece, seu cachorro. Acha que pode fazer o que bem entende?" Pomba aperta com mais força, aproximando o rosto de Aguiar do seu, sua voz sussurrada de modo venenoso, os lábios encostando nos de Aguiar conforme ele fala. "Acha que, só porque sou mais novo e mais fraco, eu não consigo te quebrar inteiro?"

Jasper se deleitava com a visão, aceitando de bom grado a miragem que é um homem tão grande e forte como Aguiar, pateticamente de joelhos para um garoto de vinte e dois anos, de apenas um e sessenta de altura. O delegado parecia nem entender direito o que estava acontecendo, seu olhar estava desfocado e um pouco marejado.

"Você não passa de um cachorro malcriado; isso é tudo que você é." Pomba solta a guia, e puxa Aguiar pelo pingente da coleira, machucando ainda mais o pescoço do delegado, graças à fricção do couro falso contra a pele. "Achando que pode fazer o que quiser. Se coloque no seu lugar."

Pomba olha para Jasper, e nada fala. O albino, contudo, parece entender exatamente as intenções do rapaz, e logo dá alguns passos à frente, até estar atrás de Aguiar. Jasper enfia dois dedos dentro da boca do delegado, que deixa um resmungo escapar pela ação intrusiva. Os outros dois homens ignoram a reclamação, e Jasper puxa com força a boca dele para baixo, até que esteja aberta, e Pomba aperta ainda mais sua mão no rosto de Aguiar, para evitar que ele feche a boca ou mova seu rosto. Pomba abre sua boca e coloca a língua para fora, e logo um grosso filete de saliva começa a escorrer pela extensão do músculo.

Aguiar arregala os olhos ao perceber o que Pomba queria fazer consigo, e tenta fechar a boca, apenas para receber um firme e dolorido puxão na guia, agora segurada por Jasper. Ele sente as unhas de Pomba se fincando com mais força em suas bochechas, e logo percebeu que sua cabeça estava presa na mão do namorado (que, diga-se de passagem, Aguiar não fazia ideia que escondia tanta força assim).

Parecia que o mundo estava em câmera lenta: o líquido viscoso e transparente chegou na ponta da língua de Pomba, e Aguiar conseguiu enxergar com clareza o momento em que ele começou a pingar, o filete saindo da boca de Pomba de modo pecaminoso, deliciosamente pecaminoso. Timidamente, Aguiar colocou a ponta da própria língua para fora, com medo de que a saliva fosse desperdiçada, caindo naquele chão (Aguiar, contudo, não iria se opor a lamber a saliva do chão, se assim eles desejassem). Quando sentiu o líquido viscoso caindo em sua própria língua, Aguiar também sentiu suas bochechas arderem novamente, mesmo sem ter levado um tapa — por enquanto. Uma vergonha física tomou conta de si, por gostar tanto daquela coisa nojenta. Sim, era nojento, e não adianta esconder: permitir que alguém simplesmente cuspa dentro da sua boca é algo nojento, é algo repugnante, é algo humilhante.

Por isso que ele não disfarçou o gemido manhoso que escapou de sua garganta, ao fechar a boca e engolir de bom grado a saliva de Pomba.

"É isso que você merece." A voz de Pomba era firme, quase intimidadora. Ele ergueu a cabeça de Jonas, até que ele estivesse encarando o teto — ou melhor, Jasper, acima de si. Por reflexo, ele abriu a boca novamente, e Jasper, além de deixar um sorriso sacana fazer morada em seu rosto, puxou a guia com força, para cortar o fluxo de ar de Aguiar por alguns segundos. Quando o delegado abriu ainda mais a boca pela surpresa, Jasper se aproveitou para também cuspir dentro de sua boca, e Aguiar sentiu seu pau latejar, negligenciado dentro da cueca.

"Olha só pra carinha desse puto, meu bem." Jasper ri, agarrando Aguiar pelo cabelo e o puxando com força, o couro cabeludo do delegado ardendo com os maus tratos. "Ele tá amando isso, nem tem como querer punir um desgraçado desse." Mais um tapa no rosto, e Aguiar sentiu seu pau latejar novamente, e seu corpo estremecer pela dor e pelas ofensas.

"Ah, tem sim, amor." Pomba pega a guia da mão de Jasper, puxando Aguiar para frente. Contudo, o delegado, confuso, não sai do lugar. Pomba bufa, e puxa novamente. "Sabe andar não, cachorro?" Por um segundo, os três homens ali arregalam os olhos, sendo tomados de surpresa com a fala fria de Pomba. A impessoalidade e a rispidez não eram nada comuns na doce e gentil voz do rapaz, e, por um segundo, o próprio Pomba se perguntou se passou dos limites.

Engolindo em seco, e, com as pontas dos dedos tremendo, Aguiar apoia as duas mãos no piso de madeira e assume uma posição quadrúpede, andando até mais perto de Pomba. Seu olhar estava voltado para seus próprios dedos, apenas aguardando outro puxão em seu pescoço. Jasper e Pomba trocam um silencioso olhar espantando, seja pela atitude de Pomba, seja pela facilidade com a qual Aguiar se submeteu às vontades dos namorados. Pomba dá um passo para trás e um puxão experimental na coleira, e Aguiar segue o rapaz, andando de quatro, igual um cachorro. Pomba e Jasper deixam risadas venenoas escaparem, e Aguiar precisou segurar as lágrimas para não chorar — de dor ou tesão? A este ponto, nem ele mesmo sabia —, e apenas se manteve focado em continuar andando de quatro. Ainda olhando para o chão, ele sente Pomba parando, e logo ele também para. Tomando coragem para levantar o olhar, ele vê Pomba andando com sua guia, amarrando a ponta no pé da pesada cadeira da escrivaninha de Aguiar. Fazendo força, ele percebe que consegue mover um pouco a cadeira, mas não se soltar.

"Agora sim." Jasper dá alguns passos até os outros dois homens, parando atrás de Pomba. Suas mãos pálidas o abraçam por trás, brincando com a borda de sua blusa verde, a erguendo um pouco e revelando a pele morena ali escondida. Aguiar engole em seco ao ver a barriga pouco exposta de Pomba, morrendo de vontade de beijá-la e mordê-la. Jasper aperta a pele quente do namorado, e Pomba morde o lábio pela ação do albino.

"Agora é hora da sua vingança, seu cachorro de merda." Jasper puxa Pomba para mais perto de si, até que a bunda do rapaz estivesse roçando em seu pênis já rígido, dentro da roupa. "Tu vai ficar quietinho aí, só olhando a gente, pra você ver como a gente se aliviava sem você por perto." Jasper dá um tapa na bunda de Pomba, que geme com o ato. Ele agarra a bunda do rapaz, apertando com um pouco de força. "Pra você ver como eu comia ele gostoso enquanto você ficava emburradinho com a gente."

"Mas eu…"

"Ei!" Assim que ele começa a falar, Pomba interrompe Aguiar. Sua voz já estava ofegante, e ele sentia sua intimidade começando a melar, apenas com as palavras sujas de Jasper. "Desde quando cachorro fala?"

Aguiar engoliu em seco, o rosto vermelho de vergonha. Ele nunca se sentiu tão pequeno em toda sua vida, nem mesmo quando era criança. De seu ponto de vista no chão, tanto Jasper quanto Pomba estavam altos e grandes, muito grandes. Aguiar acabou se acostumando a sempre ser a maior pessoa do ambiente, e, agora, que está pateticamente acorrentado e ajoelhado aos pés de seus namorados, ele não sente nada além de desejo e vergonha, quentes e borbulhantes sob sua epiderme. As palavras morreram em sua garganta, os olhares dos dois homens acima de si estavam em chamas, e não havia nada que Jonas pudesse fazer, a não ser… ser o cachorrinho obediente deles.

Abaixando a cabeça, Aguiar simula, baixinho, um latido. Pomba arqueia uma sobrancelha, surpreso com a atitude do delegado. Ele coloca a palma de sua mão atrás da orelha. "Acho que não ouvi direito. Você disse algo, cachorrinho?"

Aguiar resmunga e, a contragosto, emite outro latido, um pouco mais alto que o anterior. Pomba e Jasper sorriem com a ação, e o rapaz mais novo dá um passo a frente e simplesmente começa a fazer carinho atrás da orelha de Aguiar (que precisou fingir não estar afetado pelas carícias). "Ah, você é grandão, mas até que você é um cachorrinho obediente, não é? Acho que nem vou precisar prender suas patinhas." Pomba cessa com as carícias, voltando para o lado de Jasper. O rapaz puxa o albino e morde seu lábio inferior, puxando-o ao máximo, fazendo as bochechas de Jasper assumirem um tom rosado. "Vem, amor, nosso cachorrinho já 'tá preso, não tem porquê se preocupar."

Pomba começa a puxar Jasper pela mão na direção da cama, e o albino rouba uma última troca de olhares com Aguiar, que os olha com os olhos um pouco arregalados, as pupilas já dilatadas. Pomba empurra Jasper para sentar na cama, e logo se senta em seu colo. De forma quase magnética, as mãos do albino vão de encontro à bunda de Pomba, agarrando com força e o segurando contra seu corpo. Pomba sorri com a ação do namorado, e leva suas próprias mãos até os bíceps tatuados de Jasper, sentindo a firmeza dos músculos ali. O rapaz moreno traça uma trilha de beijos pelo corpo de Jasper, iniciando em seu ombro, seguindo rumo ao pescoço e tendo por destino os lábios macios e rosinhas do homem. Pomba o beija com vontade, como se não o visse há meses. O beijo era lento, porém intenso e profundo: cada um tomava seu tempo para sentir a sensação inebriante das línguas se enroscando, e do eventual arranhão dos dentes nos lábios. As mãos apertavam um ao outro com força, o toque sutil das unhas arrepiando os pêlos das nucas de ambos. A temperatura do cômodo já começava a esquentar, e Pomba consegue sentir o volume entre as pernas de Jasper, já excitado, graças às suas ações.

Pomba parte o beijo, e retira a camisa de Jasper. O albino, desde que começou a trabalhar, acabou deixando a rotina de academia um pouco de lado, indo apenas quando estava disposto. Isso fez com que, inevitavelmente, acabasse perdendo a definição dos músculos do abdômen, dando lugar a uma barriga quase sem marcas de gominhos e um pequeno bucho. Pomba, contudo, é completamente louco pelo corpo de Jasper: cada centímetro daquela pele leitosa é um paraíso para o rapaz, que ama marcá-la de todos os modos, seja com beijos, unhas ou mordidas. Para Pomba, Jasper — musculoso ou não — continua sendo o homem mais gostoso que ele já viu em toda sua vida (juntamente com Aguiar).

Pomba deixa um gemido manhoso escapar ao ver seu namorado seminu, os dois braços fechados com a tinta preta das tatuagens criavam um lindo contraste com a palidez de todo o seu corpo. Ele rouba um selinho de Jasper, descendo suas mãos pela extensão do tronco do namorado (e fazendo questão de demorar um pouco nais que o normal no peitode Jasper). "Você é tão gostoso, amor… eu amo esse corpo." Pomba enterra o rosto no pescoço de Jasper, mordendo e beijando a pele sensível.

Jasper suspira com o toque dos lábios de seu namorado em sua pele, suas próprias mãos subindo até a barra da blusa de Pomba. "Deixa eu tirar, meu bem?" Jasper pede de maneira manhosa, e Pomba acata ao seu pedido, erguendo a cabeça para que Jasper retire a blusa verde de si, revelando a pele ainda mais morena que o normal de Pomba, graças ao sol do verão. Jasper sorri ao ver o corpo de seu namorado, suas mãos passando por toda a extensão daquela pele quente e macia, o contraste do bronzeado com a sua palidez o deixava louco. Ele deixa um beijo em cima da tatuagem escrito ''CORAGEM'', e deita a cabeça no peito de Pomba, inalando o cheiro de seu hidratante.

"Você me enlouquece, amor… tão lindo, tão gato." Jasper fecha os olhos e beija toda a extensão do peito esquerdo de Pomba, desde perto do pescoço até a cicatriz da mastectomia, conseguindo ouvir como o coração do rapaz estava acelerado contra a caixa torácica. Logo seus lábios se fecham ao redor do mamilo sensível, beijando e chupando com vontade, enquanto suas mãos apertavam a cintura fina de Pomba, que gemia manhoso com os lábios de Jasper numa área tão sensível.

De seu lugar no chão, Aguiar choramingava baixinho, a pontinha de seu pau escapando da cueca de tanto tesão. Aquilo era tortura, ele tinha certeza que estava sendo torturado: ter seus namorados ali, se beijando e se acariciando na sua frente, e não poder beijá-los, ou sequer tocá-los, era tenebroso. Aguiar sentia as pontas dos dedos formigarem, ansiando pelas sensações daquelas peles sob o seu toque. Ele mordia o lábio e segurava com força a perna da cadeira, para descontar toda a frustração que sentia em estar acorrentado. Ele tem força suficiente para derrubar a cadeira, os três ali sabem disso. Aguiar pode se libertar a qualquer momento, mas o delegado aceitou que aquele é o seu destino, deveria aceitar sua sina de bom grado, e agradecer por ainda ter o privilégio de estar no mesmo cômodo que eles, ao invés de apenas atrás da porta, sendo obrigado a ouvir seus dois homens gemendo de prazer, enquanto se contenta apenas com sua imaginação.

Gemidos estes que Pomba solta sem pudor, por conta dos lábios de Jasper ainda em seus peitos. Os mamilos marrons reluziam de tanta saliva, escorrendo pela pele quente do rapaz. Jasper apenas continuava estimulando o peito de Pomba, suas mãos apertando cada centímetro do tronco esguio e macio, a língua alternando entre os mamilos e a pele exposta. Pomba puxa de leve os fios brancos de Jasper.

"Meu… Meu bem… Ah…" Jasper morde fraco o bico do mamilo direito, e Pomba sente o ar prender em seus pulmões. "Deixa eu te mamar, vai. Você 'tá me deixando louco."

Jasper desgruda a boca de Pomba, olhando para o rapaz, que estava com a pontinha do nariz vermelha e os olhos um pouco desfocados. Ele concorda com a cabeça e o puxa para outro beijo, um pouco da saliva escorrendo pelo queixo e molhando o de Pomba, que não se importava nem um pouco. O albino, de modo desesperado, começa a puxar sua bermuda e cueca para baixo, retirando as peças com um pouco de dificuldade. Pomba não consegue evitar, e lambe os lábios ao ter a visão do pênis duro e melado, a cabeça rosinha, implorando para ser chupada. Pomba se ajoelha e abre um pouco mais as pernas de Jasper, para que Aguiar consiga ter a visão completa de seu namorando mamando outro homem, bem na sua frente.

Pomba leva uma das mãos até o pênis rígido de Jasper, apertando de leve, e Jasper geme manhoso por, finalmente, estar sendo tocado onde mais necessitava. Olhando em seus olhos, Pomba sorri e desce os lábios pela extensão do pênis, fazendo-o se arrastar contra sua bochecha, deixando para trás um resquício sutil de pré-gozo. Pomba sorri sacana para Jasper, abrindo a boca e batendo o pênis algumas vezes contra sua língua, antes de fechar a boca e envolvê-lo numa chupada forte, arrepiando todos os pêlos da nuca e costas de Jasper.

Aguiar se agarra ainda mais à perna da cadeira, mordendo o lábio para não deixar um gemido necessitado escapar. Ele queria — ah, e como queria — estar no lugar de Jasper, sentindo a boca úmida e apertada de Pomba ao redor de seu pau, chupando ele do jeito que só o rapaz sabe chupar. Ele queria enterrar seus dedos nos cachinhos castanhos e segurar a cabeça de Pomba, para fazê-lo engolir tudo, até que o nariz encostasse em seu baixo ventre e nos pêlos ali presentes. Ele queria que Pomba o deixasse todo babado, e que o chupasse como se estivesse tentando engolir sua alma. Ele queria que Jasper estivesse atrás de si, apertando seu peito farto e sussurrando as mais absurdas obscenidades em seu ouvido, com aquela voz rouca de desejo. Ele queria estar se aliviando entre os dois homens, e não choramingando pateticamente, acorrentado a uma cadeira, com o pau doendo de tanta negligência.

O lamento de Aguiar, aparentemente, não chamou a atenção dos outros dois homens ali, imersos na própria bolha de prazer. Jasper revirava os olhos e gemia arrastado, sua mão firme nos cabelos de Pomba, que o engolia quase por completo. A boca de Pomba é uma perdição: quentinha, úmida e apertada, do jeito que ele gosta, levando Jasper a loucura toda vez que é chupado pelo namorado. Pomba não vacila em nenhum momento: sua língua se arrasta de modo quase preguiçoso pelo pênis em sua boca, deixando-o brilhando de saliva. Quando Pomba quase o retira de sua boca, ele passa a língua de modo generoso pela glande, vez ou outra brincando com a pequena abertura ali, só para fazer Jasper gemer ainda mais alto e manhoso, para Pomba se deleitar com os sons de desespero do namorado. A mão do rapaz continuava firme no comprimento de Jasper, apertando e masturbando aquilo que não cabia em sua boca, e Jasper aperta os cachinhos de Pomba com força. Pomba olha para cima, e Jasper tem a visão deliciosa daqueles grandes olhos castanhos marejados, com uma ou outra lágrima rebelde escapando. Jasper nutre um desejo secreto de amar ver Pomba chorar: nada lhe dá mais tesão do que saber que ele causa tanto tesão em Pomba ao ponto de ele chorar de desespero.

Com um forte puxão nos cabelos, ele retira Pomba de si, que geme manhoso pela dor e pelas sensação vazia em sua boca. Tanto Jasper quanto Pomba estão completamente ofegantes, o prazer explodindo por todos os poros de seus corpos. Com o polegar, ele traça o lábio inferior inchado e carnudo de Pomba, reluzindo graças à saliva e ao pré-gozo de Jasper. "Agora você deixa eu te comer? Por favor, amor."

Pomba morde o polegar de Jasper e o leva até sua boca, fechando os lábios ao redor e chupando toda a extensão do dedo de seu namorado. Jasper lambe os lábios de desejo ao ter a visão de Pomba abaixo de si, ainda desesperado de vontade de tê-lo na boca. Jasper retira o dedo e segura a boca de Pomba aberta, o garoto lhe olhando de modo extremamente sacana, misturando falsa inocência com tesão. Jasper o agarra pelas bochechas, e Pomba consegue deixar um pequeno sorriso se formar em seu rosto. Jasper sabe que, hoje, a punição e a violência estão reservadas a Aguiar, mas, ah, ele estaria mentindo se dissesse que sua mão não está coçando para bater no rostinho lindo de Pomba, por ter ignorado seu pedido. Aguiar nunca deveria ter introduzido a dor durante o sexo para eles; agora, o que um mais deseja é ver o outro todo marcado pelas suas próprias mãos, e ser marcado, também.

Pomba, na medida do possível, concorda com a cabeça, e Jasper o puxa pela mandíbula, até que ele esteja sentado na cama. O rapaz retira sua cueca de modo devagar e provocante, puxando-a de volta algumas vezes, testando a paciência de Jasper, até que ele a retirou por completo. Contudo, antes que pudesse se livrar da peça, um gemido misturado com um choro chamou sua atenção, e a de Jasper também.

Ao olharem para a origem do barulho, eles foram agraciados com a visão depravada do delegado Jonas Aguiar com o rosto banhado em lágrimas, ajoelhado, encoleirado, amarrado numa cadeira e esfregando seu próprio pau contra a perna do móvel, como se ele não passasse de um cachorro no cio. Ele chorava de verdade, era possível ver o rosto vermelho e as pálpebras inchadas pelas lágrimas, e, de bônus, seu pau também chorava, melando a madeira do móvel e as vestes de Aguiar. O quadril do homem se movia de modo desleixado e sem ritmo, suas pernas tremendo, em busca de algum — qualquer — alívio, por menor que seja, para seu sofrimento.

"Ei! Pode ir parando!" Pomba repreendeu Jonas, que choraminga novamente, incapaz de parar seus quadris, não agora que a fricção estava tão boa. "Jasper, segura ele!" O albino levanta de seu lugar e anda até Aguiar, que tenta se defender das mãos de Jasper, quase iniciando uma briga física. Os dois homens resistiram por um tempo — Aguiar bloqueando todos os ''ataques'' de Jasper —, mas o albino logo encontrou um ponto fraco, e conseguiu segurar um dos braços de Jonas, puxando-o para trás, e pegando o outro, juntando os dois braços atrás das costas do delegado.

Pomba levanta da cama, com a cueca ainda na mão, e anda devagar até Aguiar. Uma risada peçonhenta escapa de seus lábios. "Que ironia, o delegado na mesma posição que coloca as pessoas. 'Tá gostando?" Pomba para na frente de Aguiar, agarrando o rosto do delegado com força, obrigando-o a olhar em seus olhos. "Coitadinho, aposto que deve achar que está preso aí injustamente, não é? Será que agora você sabe como alguns de seus presos se sentem?"

"Eu… nunca prendi… ninguém… sem… provas." A voz de Aguiar era ofegante, rouca e fraca, afetada pelo choro. Pomba revira os olhos pela fala.

"Ah, sim, claro… até porque vocês são conhecidos por serem super confiáveis." Pomba fala, com o sarcasmo pingando em cada sílaba. Jasper dá uma risada debochada pelo resposta de Pomba, porém nada diz. O rapaz sorri ao notar, debaixo de tudo, o leve medo presente no olhar de Aguiar, que, provavelmente, está se vendo totalmente a mercê de alguém pela primeira vez na vida.

Pomba agarra a mandíbula com ainda mais força, e Jasper aperta os braços de Aguiar, agora, de fato, o imobilizando. "Escuta aqui, cachorro. Não quero saber de você se roçando na cadeira ou no chão, igual um animal no cio. Você só vai gozar se eu deixar, fui claro?" Aguiar concorda, mesmo deixando um choramingo escapar. Pomba dá mais um tapa em seu rosto, e uma ideia surge em sua mente; Jasper respira fundo ao reconhecer o brilho familiar demais nos olhos de seu namorado.

"Quer agir igual um animal? Uma besta? Então vou te tratar igual um." Pomba puxa Aguiar para si, e Jasper acaba afrouxando o aperto. Ao perceber o que queria fazer, o albino ajuda seu namorado, e logo Aguiar é empurrado até estar com o rosto colado no chão. Antes que pudesse raciocinar, ele sente algo pesado contra sua bochecha, bloqueando a visão de cima. Mais peso é posto sobre seu rosto, pressionado com cada vez mais força contra o chão, e, ao ouvir o quão longe estava a voz de Pomba, foi que ele entendeu o que estava acontecendo.

Pomba estava pisando na cara dele.

Antes que pudesse abrir a boca para deixar qualquer coisa escapar — mesmo que apenas mais um choramingo —, ele ouve alguém se movendo perto de si, provavelmente Jasper, e logo algo foi pressionado contra seu rosto, e enfiado em sua boca, à força. Aguiar reconhece a mão pálida de Jasper, e estremece ao notar que sabe exatamente o que é o tecido preto em seu rosto e boca. Revirando os olhos em delírio, Aguiar respira fundo, inalando o cheiro de Pomba, presente na cueca preta. A parte em sua boca tem um pouco do gosto da pele morena e resquícios do líquido afrodisíaco de Pomba, e ele logo começa a babar, mordendo e lambendo o tecido, desesperado.

Jasper o puxa pelo cabelo, erguendo um pouco o olhar de Aguiar, que conseguia ver o quanto o albino estava afetado, apesar de calado. "E se cuspir, vai ser pior. É pra se contentar com o cheiro, não é nisso que você é bom, cachorro?" Aguiar, por incrível que pareça, ainda tinha um resquício da raiva e fúria no olhar, mas elas logo foram embora quando Jasper puxou seu cabelo novamente, os olhos do delegado se enchendo de lágrimas pela ardência no couro cabeludo. Ele concordou com a cabeça, e sentiu Pomba retirando o peso de cima de seu rosto. Jasper soltou seu cabelo, se levantando e guiando Pomba pela mão até a cama, deixando Aguiar ali, no chão, de bruços, e amordaçado com a roupa íntima de seu namorado.

Jasper senta Pomba na cama, num ângulo que Jonas consiga enxergar sem dificuldades a intimidade do rapaz, pingando de desejo. O clitóris, inchado e vermeho, já doía de tanta excitação, seu interior se contraindo ao redor do vazio, ansiando por algo dentro. Jasper se ajoelha em frente à Pomba, abrindo bem suas pernas. O rapaz geme manhoso, ansioso pelo toque da boca quente de Jasper em si, aliviando seu tesão. O albino traça as coxas de Pomba com as unhas, arranhando a pele e arrepiando os pêlos de Pomba.

Jasper substitui as unhas pelo toque macio de sua boca, beijando toda a extensão das coxas de Pomba, criando uma trilha desde seu joelho, até a intimidade latejante do rapaz. Jasper beija toda a extensão da buceta de Pomba, arrancando suspiros necessitados dele, que agarra o albino pelos cabelos brancos e o traz para mais perto de si. Jasper sorri contra a pele de Pomba e começa a chupar os lábios do rapaz, que morde o lábio infeiror e solta gemidos manhosos pela atitude de Jasper. O homem chupa toda a extensão até chegar no clitóris, onde fecha os lábios e puxa de leve, fazendo Pomba revirar os olhos e gemer arrastado pela sensação inebriante. Jasper sempre o chupa com vontade, como se estivesse com fome, e Pomba fosse o único banquete capaz de saciar por completo seu apetite quase primitivo.

Pomba sempre foi extremamente sensível na região íntima, e tanto Jasper quanto Aguiar amam abusar deste fato, chupando lentamente, provocando a sanidade do rapaz e o levando até o limite do prazer. A sensação da boca quente e úmida de Jasper ao redor de si é uma das melhores coisas que ele já sentiu; a forma como o albino quase o engole, deixando sua buceta brilhosa de tanta saliva misturada com seu próprio desejo é hipnotizante, e Pomba delira toda vez que seus namorados o chupam com tamanha vontade, enterrado o rosto entre suas pernas e, às vezes, ficando até mesmo sem respirar por alguns segundos, mas eles pouco se importam: o cheiro, o gosto e a cosquinha dos pelinhos de Pomba são viciantes, algo tóxico para a sanidade e o juízo de ambos os homens. O meio das pernas de Pomba é o melhor ópio que o mundo jamais conhecerá.

Do chão, Aguiar continuava chorando, a roupa íntima pressionada contra seu rosto o deixava com gostinho de ''quero mais''; sentir o cheiro e o gosto de Pomba apenas por meio de um tecido, enquanto o homem está a dois metros de si, e, de quebra, não poder se tocar, é uma verdadeira tortura. O pau de Aguiar doía ao ponto do choro ser de dor ao invés de desejo e frustração, mas seus namorados pouco se importavam. Aqui se faz, aqui se paga.

Pomba puxa Jasper pelo cabelo, afastando o albino do meio de suas pernas. Jasper já está completamente arruinado, com o rosto vermelho e a excitação de Pomba escorrendo pelo queixo. Os olhos, ao invés de azuis, tornaram-se pretos de tanto que suas pupilas estavam dilatadas, e sua língua estava para fora, como se ele fosse o cachorrinho. Pomba morde o lábio com a visão. "Vem, amor, para de me provocar. Eu 'tô morrendo de vontade de te dar." Pomba leva a mão livre até sua buceta, abrindo os lábios e se exibindo para Jasper (e Aguiar), que geme com a visão. Ele se levanta e deita Pomba na cama, indo pegar o lubrificante.

Pomba, porém, o para colocando uma perna na sua frente, e sorrindo sacana para o namorado. "Ah não, amor. 'Cê sabe que eu gosto quando tem aquela dorzinha. Vem cá, vem." Ele enrosca a perna nas costas de Jasper, o puxando até que o albino quase caia em cima de seu corpo.

Sem que Aguiar ouça, Jasper sussurra contra o ouvido de Pomba, disfarçando sua fala com beijos estalados no rosto e pescoço do rapaz. "Posso te comer de quatro hoje, meu bem? Pro Aguiar poder ao menos ver seu rostinho lindo."

Pomba revira os olhos — dessa vez, pelas palavras de Jasper — e também sussurra sua resposta. "E você acha que ele 'tá merecendo? 'Tá com dó dele?"

"Ô, meu bem." Jasper beija a boca de Pomba. "É pra aumentar a tortura, bobo. Pra ele ver que sou eu que tô te comendo gostoso, e não ele."

Pomba sorri. "Bom, aí eu concordo. Ainda vou gemer igual uma putinha."

Rindo, os dois mudam de posição, com Pomba se apoiando em seus joelhos e mãos. De canto de olho, ele viu a expressão surpresa de Jonas no chão, e mordeu o lábio para esconder um sorriso. Logo as mãos de Jasper estão em seu quadril, o puxando para mais perto, e Pomba sente o pênis rígido do namorando entre suas pernas. A fricção era tóxica demais para sua mente, e Pomba geme apenas por sentir a intimidade de Jasper contra a sua. O albino se ajeita atrás de Pomba, arrastando o pênis por toda a extensão da buceta do rapaz, que geme em deleite pela sensação. Quando Jasper começa a penetrá-lo, os braços de Pomba fraquejam e ele se apoia nos cotovelos, com o rosto virado na direção de Aguiar. Ele estava tão fofinho com o rosto todo inchado de choro que Pomba quase sentiu pena dele.

Tanto Pomba quanto Jasper soltam um suspiro de alívio quando o albino se encaixa inteiro dentro da intimidade de Pomba. O pequeno incômodo por não ter sido preparado com lubrificante e os dedos, seus ou de Jasper, estava presente, mas, a essa altura, Pomba passou a gostar — e muito — dessa dor. Pomba mordia o lábio e franzia o cenho, claramente exagerando nas expressões faciais, apenas para provocar Aguiar, e Jasper ri ao perceber a ação de seu namorado. Dando um tapa em sua bunda, Jasper se retira quase por completo de dentro de Pomba, apenas para entrar de novo, tirando todo o ar dos pulmões de seu namorado. O ritmo era lento, porém Jasper vai fundo a cada estocada, fazendo questão que Pomba sentisse cada centímetro o preenchendo por completo, do jeito que só ele preenche.

O rapaz, que estava preocupado até demais em provocar Aguiar, é tirado de seu ''showzinho'' por Jasper, e as expressões exageradas tornam-se verdadeiras, e Pomba se vê precisando morder o lençol para não gemer tão alto. Entre os dois, Jasper sempre foi o melhor em ir lento e fundo, e Pomba nunca irá se acostumar com isso; Jasper o preenche até a alma, enquanto Aguiar o deixa sem pensar, graças à brutalidade de suas estocadas (que Pomba também ama). O comprimento quente de Jasper dentro de si o tirava do sério, deixando suas pernas fracas e sua mente nublada de prazer. O peso do corpo do homem sobre si também era algo que o enchia de tesão: nas poucas vezes em que Pomba fica de quatro, Jasper gosta de deitar por cima dele, para ver de perto as reações que ele causa no namorado (e inflar seu ego). A pressão dos corpos em cima de Pomba preenchia sua cabeça com cenários absurdos, de tanto Jasper quanto Aguiar usando essa força contra ele, o prendendo contra o colchão e não permitindo que ele se mova. Pomba, apesar de não ser nem um pouco, ama se sentir indefeso debaixo de seus namorados, fingindo ter sido ''capturado'' e ter medo do que eles possam fazer com ele.

Jasper o puxa pelos cachinhos, e sorri sacana vendo o estado de Pomba: baba escorrendo e olhos revirados de prazer. Ele lambe o canto da boca de Pomba. "'Tá gostando, meu bem?"

Pomba tenta responder, mas, justamente nesse momento, Jasper o penetra bem fundo, e ele não consegue emitir nada além de um gemido manhoso, a cabeça já tonta de tanto tesão. Jasper enterra o rosto do namorado contra o colchão, e sente Pomba contraindo ao redor de si. Ele dá mais um tapa na bunda do rapaz, agarrando a carne. "Você é tão gostoso, meu bem. Te comer é sempre uma delícia."

Aguiar morde a cueca desesperado, e enterra o nariz com ainda mais força contra o tecido, se sentindo tonto pelo cheiro irresistível de Pomba preenchendo suas narinas. As pontas de seus dedos tornaram-se brancas devido à força com a qual ele agarra a cadeira. Jasper não está mentindo, e o pior é que Aguiar sabe disso: estar dentro de Pomba é algo indescritível. O rapaz é apertado num nível sufocante, e Aguiar ama sentir aquele interior úmido se contraindo ao redor de seu pau, dividido entre expulsá-lo e puxá-lo mais fundo ainda. Seu pau pulsa só de lembrar da última vez que ele fudeu Pomba, em como o rapaz sentava com vontade em si, jogando a cabeça para trás e gemendo igual uma puta, enquanto Jasper o abraçava por trás e estimulava seu peitoral forte, sussurrando as mais depravadas palavras para o delegado. Ele não sabe quanto tempo mais irá aguentar essa tortura.

Para sua sorte, Pomba avisa a Jasper que está próximo de gozar, e o albino o fode com ainda mais força, deixando Pomba alheio a tudo que não fosse o pênis dentro dele. O clímax veio com tanta força que, se Jasper não estivesse o segurando pelo quadril, o corpo de Pomba teria desabado na cama, de tanto que suas pernas tremeram ao gozar. O líquido transparente do rapaz sujou a si mesmo, Jasper e o lençol abaixo de si, mas Pomba pouco se importa, a cabeça ainda nas nuvens. Jasper aperta seu clitóris com força, e Pomba solta um gemido alto e arrastado, sensível pelo orgasmo que ainda ocorre.

Jasper sai de dentro de si e Pomba desaba na cama, a visão ainda turva pela intensidade do prazer sentido. Ele sente o pênis de Jasper contra sua bunda, ainda duro, e tenta mover um pouco seu quadril para roçar contra Jasper, que apenas o acaricia e aproveita a sensação deleitosa daquela pele quente e macia contra si. Ele abaixa o tronco e distribui beijos pelas costas e nuca de Pomba, arrastando o rosto contra sua pele. "Meu bem… e o cachorrão? A gente pode parar de torturar ele? Eu quero gozar também…" Agora, era a vez de Jasper deixar escapar um choramingo.

Pomba engole em seco, sua mente voltando devagar para o presente. Os lábios de Jasper o ajudavam a se firmar melhor no momento, e sua visão começa a focar novamente. Olhando para trás, Pomba consegue ver os olhinhos pidões de Jasper, e ele sorri fraco para o albino, sua mão, ainda tremendo, fazendo carinho nos cabelos brancos. "Deixa… ele… na sua perna…" A voz de Pomba era fraca e sua fala era quebrada, mas Jasper entendeu o que ele quis dizer imediatamente.

Com um beijo no ombro de Pomba, Jasper se levanta e caminha até Aguiar, que o olha com expectativa, os olhos brilhando de tantas lágrimas. Jasper solta a guia da cadeira, e Jonas deixa duas lágrimas grossas caírem de seus olhos. Em silêncio, Jasper começa a puxar Aguiar na direção da cama, e o delegado o segue de quatro, sem reclamar, apesar de sentir seu corpo inteiro tremer. Jasper se senta na cama, abrigando Aguiar ajoelhado entre suas pernas.

Com a mão ainda trêmula de desejo, Jasper inicia uma carícia no cabelo suado do delegado. "'Cê quer gozar, cachorrinho?"

Aguiar concorda freneticamente com a cabeça, a roupa íntima quase pulando para fora de sua boca. As unhas de Jonas arranhavam o chão em antecipação.

Jasper dá um puxão na guia, movendo sua perna, para que ela fique entre as pernas de Aguiar. A ponta de seu pé tocando no volume nada sutil da cueca do delegado. "Anda. Não é assim que você se alivia?"

Aguiar alterna o olhar entre a perna e o rosto de Jasper, assimilando o seu pedido — ou melhor, ordem. Assimilando sua ordem. Aquela seria, de todas, a maior humilhação que ele seria submetido naquela noite: como se já não bastasse ser encoleirado, amarrado, guiado, pisado e amordaçado com uma cueca, agora, se quisesse gozar, teria que roçar na perna de Jasper, como um verdadeiro animal irracional. Aguiar suspira, olhando com os olhos um pouco arregalados para Jasper, na esperança de que ele tenha um pouco de piedade de si, mas sem sucesso.

Jonas, timidamente, se ajeita no chão e começa a esfregar seu pau contra a perna de Jasper, quase desmontando por finalmente estar sendo estimulado onde mais precisava. Todo o seu corpo treme, e as lágrimas rolam livremente pelas bochechas; a cueca de Pomba o sufocava de modo delicioso, o cheiro do rapaz já impregnado em seu cérebro. Acima de si, Aguiar conseguia ver Jasper masturbando o próprio pênis, seus olhos desfocados, porém encarando a visão patética e humilhante que era Aguiar se esfregando contra sua perna. O delegado retoma com os choramingos, sua voz manhosa, um pouco abafada pela roupa íntima, preenchia o silêncio do quarto, e foi esse som que chamou a atenção de Pomba, se ajeitando na cama para sentar ao lado de Jasper.

O rapaz moreno leva uma mão até a testa suada de Aguiar, afastando alguns fios de cabelo ali grudados. O delegado se aninha brevemente contra o toque, seu quadril se movendo um pouco mais rápido.

Pomba sussurra contra a orelha de Jasper. "'Cê vai gozar na cara dele, não vai, amor? Quero ver o rosto dele bem sujo…"

Jasper apenas assente com a cabeça, e Pomba começa a tocá-lo também, a ponta dos dedos brincando com a glande sensível. Jasper morde os lábios, a visão dos olhos grandes e pidões de Pomba, em conjunto com Aguiar roçando sua perna, o levava à loucura. Era um milagre ele não ter gozado ainda.

Aguiar sente seu corpo tremer ainda mais, os olhos ficando vesgos de tanto prazer. Mal começou a ser estimulado e já está perto de gozar; patético demais até para ele. Ele morde a roupa íntima com força, sua visão ficando branca devido a intensidade com a qual o ápice lhe atingiu, e precisou se segurar na perna de Jasper para não cair para frente. Sua respiração trava, assim como a voz em sua garganta; após tanta tortura, ele ficou fraco demais até para gemer. O gozo branco suja e gruda na cueca que o delegado ainda veste, criando uma mancha escura na roupa íntima. A camisa está grudada no corpo de tanto suor, e a boca de Aguiar abre sozinha num grito silencioso, a cueca de Pomba caindo no chão como se não fosse nada, e um pequeno fio de saliva fica pendurado nos lábios de Jonas, que não consegue fechá-los. É nítido que ele está completamente atordoado, sequer deve saber onde está.

Jasper aperta ainda mais sua mão em seu pênis rígido, a visão de Aguiar gozando com aquela carinha de choro se provou demais para o albino, que sentia seu próprio orgasmo se aproximar, numa intensidade absurda. Pomba, percebendo a situação em que seu namorado se encontra, agarra o rosto de Aguiar e o ajeita, até ele estar encarando Jasper, com os olhos cheios de lágrimas e a boca ainda aberta. Mesmo em meio ao delírio temporário, Aguiar entende o que querem dele, então ele estica sua língua para fora, implorando de forma silenciosa para que Jasper se derramasse em sua boca.

E assim quase o fez: o clímax de Jasper foi tão forte que o fez perder a mira na boca de Aguiar, e o albino acabou sujando todo o rosto de Jonas, desde o queixo até um pouco do cabelo. Jasper sentiu seu corpo inteiro tremer e formigar, de tanto desejo que tinha acumulado dentro de si; sua respiração era pesada, e não sentia nenhum osso de seu corpo, mole como gelatina. Inúmeros pontinhos coloridos dominaram sua visão, e ele se sentiu caindo de um precipício, diretamente nos braços de Pomba, que o abracou após o choque do orgasmo.

O rapaz, contudo, não conseguiu resistir à visão tentadora e pecaminosa à sua frente, e abaixou o tronco, ficando cara a cara com Aguiar. Pomba agarra o rosto do delegado e começa a lamber todo o gozo de Jasper espalhado ali, desde o queixo até perto dos olhos. Aguiar tinha forças apenas para gemer arrastado ao sentir a língua de Pomba em seu rosto. Quando se julgou satisfeito, Pomba recuou, deitando a cabeça em uma das coxas de Jasper.

Os três homens ficaram ali, praticamente imóveis, por tempo indeterminado, e em silêncio, apenas esperando os corações desacelerarem e as respirações voltarem ao normal. Pomba foi o primeiro a voltar para o presente, se desvencilhando de Jasper e indo até Aguiar, soltando a coleira de seu pescoço. Era possível ver uma sutil marca vermelha onde ela estava.

"Meu mel?" A voz de Pomba era suave como seda, sussurrada na segurança das paredes do quarto. O rapaz faz uma carícia gostosa no cabelo de Jonas, que sorri com o carinho, abrindo de leve os olhos para o namorado. "Você 'tá bem? Fala alguma coisa."

A mão de Jasper se junta a de Pomba, e Aguiar se derrete todo com as carícias. Com a voz rouca e arruinada, Jonas responde. "Eu 'tô bem, só… não achei que… vocês tinham isso dentro de vocês." Aguiar se aninha mais contra a perna de Jasper.

"Vem cá, cachorrão, sai desse chão." Jasper e Pomba ajudam Aguiar a deitar na cama, retirando a blusa suada e a cueca melada, deixando o delegado nu. Jasper finalmente nota a marca vermelha no pescoço de Aguiar, e pensa em fazer uma carícia, porém hesita na metade do caminho, deixando sua mão cair no peito de Jonas. "A coleira machucou? Tentei não apertar muito."

Aguiar nega com a cabeça. "Machucou não, gatinho. Eu só… não sei se tenho mais idade pra algo tão intenso assim." A fala arranca baixas risadas dos três.

"Bobo." Pomba dá um tapinha de leve no ombro de Aguiar. "Espero que tenha aprendido a lição, meu mel. Nunca mais ignore a gente."

"Se a punição for essa… acho que vou ignorar de novo, sim." Dessa vez, os dois deram um tapa nos ombros de Jonas, e o delegado apenas ri, puxando seus dois namorados para deitarem em seu peito.

"Acho melhor a gente tomar outro banho, o Aguiar com certeza precisa de um." Jasper diz, olhando para a pele do delegado, brilhando de suor.

"Também acho, e é bom pra gente se acalmar também… mas será que cabe nós três no chuveiro daqui?" Pomba questiona.

Aguiar dá de ombros, puxando os dois para mais perto. "Só há um jeito de descobrir."

E, a partir de agora, eles teriam todo o tempo do mundo para descobrir quantas coisas podem ser feitas à três.

FIM DA PARTE UM DE JASPOMBIAR

🐈‍⬛🐈🕊

Notes:

Gente que vergonha kkkkk

Bom, com isso, encerro a parte 1 dessa história, retratando o presente deles. Tô pensando em fazer a parte 2 focada no passado, bem no início de tudo, com os bloodhound, mas veremos.

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