Chapter Text
.
..
...
- Isso vale seis horas trancado em um avião?
- Deveria valer para você.
- Ugh.
- Se comporte rapazinho, tenho coisas contra você.
- Ah, é mesmo? Me diga... Quantos anos eu tenho?
Você venceu. Estarei de bico fechado pelos próximos cinco minutos.
...
Para ele, há uma divisa tênue entre diversão e perda de tempo, e- por mais incrível que pareça- não acha que está gastando seu precioso tempo e sua doce (lê-se forçada) paciência comigo.
Portanto, quando sorri estaria, então, sendo honesto? Não é só charme?
Quer fugir, não quer? De quem, especificamente? De seus irmãos ou da pressão? E... O que tenho a ver com isso? Ainda está me usando? Pensei que eu servisse para algo além de te comprar cigarros. Se L***** fosse real estaria orgulhosa de sua fuga disfarçada de "viagem à dois". Apontando detalhes tortos na extensa parede de pedra moledo da sala ou ignorando qualquer suíte que não fosse a principal, porque sabe que é onde pertence: na mesma cama que eu.
Vamos ficar uma semana aqui em Telluride.
Five recebeu uma ligação de um de seus irmãos, Diego, parece que está possesso, já que o rapaz não estava onde ele esperava e Diego precisa resolver algum assunto così così importante. Mas, se dependesse de Five, ficaria mais tempo, já que encontrou paz em ver-se perdido em uma bela casa de campo no meio desta área montanhosa do Colorado.
Insisti para irmos até a cidade, mas eu mesmo desisti- no primeiro "Não, Ed, não"- ao vê-lo domado pela natureza, desfazendo suas malas pacientemente, observando o quintal verde e vasto pela janela do nosso quarto.
Se estar aqui o faz menos desgostoso... Farei as compras pelo telefone, a entrega não deve demorar.
...
Fui até o quarto outra vez, disfarçadamente. Ele já estava estirado na cama, encarando o teto, provavelmente se questionando o que estava fazendo de sua vida, ou se deveria ter ido tão longe, porque é o que eu me pergunto todo dia, ao despertar do seu lado.
O terno estava no canto da cama, os sapatos no chão e sua calma restabelecida.
Me ajoelhei à borda da cama para ver se não estava enganado, mas não, era isso mesmo, gostava dali e não sentia seu cérebro ser cozido à banho maria por uma abominável montanha russa de hormônios.
- Quer saber o que vou fazer para o jantar?
- Hm?- adolescentes e sua economia de palavras.
Posso dizer que acho adorável?
Porém isso nunca te daria uma resposta decente- O que eu quiser.
- Legal- tentou esconder, mas eu vi aquele sorrisinho, que dizia "está bem, me pegou".
Então... O fiz companhia na cama até que estivesse totalmente irritado com tantos toques, cócegas, abraços e sussurros.
Querido, se você é o meu maior sonho eu com certeza devo ser o seu maior pesadelo.
Embora sua ira contra mim sempre signifique ganhar um beijo depois de tudo, me questiono... Será que está apenas farto de tanto sentimento? Será que odeia tudo e todos e eu estou, na verdade, incluído nisso? Ou será que, para ele, a ira é o novo amor?
...
24 de junho.
- Me odeia? Ou está só estressado?- sabe o quanto almejo te desvendar.
Piscou algumas vezes e se levantou.
O jantar estava acabado, entretanto, o puxei enquanto passava por mim.
- Vou continuar aos seus pés mesmo se disser que sim.
Forçou-se até que eu o soltasse e se inclinou sob mim- Eu te acho o máximo- disse entre dentes, beijou minha testa- Menos quando sugere que eu estou estressado- segurando meu rosto, me olhando como um predador declarando vitória sob a presa que havia acabado de caçar.
Ele pôs um joelho dentre os meus, ficou mais perto e fechou os olhos... E acho que nunca divaguei tanto nos lábios de alguém.
E, simples assim -ali em suas mãos- percebi o quanto eu o amava, o quanto meus olhos brilhavam sobre ele como se fosse precioso e tudo o que eu poderia ter sonhado em ter.
Meu, seja meu.
Derrubei a taça de vinho tinto enquanto o beijava e a bebida escorreu pela mesa lentamente. Sei disso porque escutei o tilintar agudo do vidro na madeira e um gotejar incessante e moroso.
Depois de dizer, em um tom estranhamente calmo, que aquela bagunça toda era ridícula, Five sussurrou em meu ouvido algo que eu jamais esqueceria...
- Sabe... É legal agora, Ed, ponha uma aliança no meu dedo... Mas eu vou usar preto- uma risada quase inaudível acompanhou cada palavra.
Oh, eu vou pôr, em breve, muito breve- Se eu também puder usar preto...
- Assim não tem graça.
Ele se sentou no meu colo.
- Hm, e que tal azul?
- Não, Ed, não.
Conversamos e rimos por mais uma hora.
...
..
.
Fim
.
..
...
