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Rollercoaster Boy

Summary:

Obrigado pelos amigos a conhecer o novo ringue de patinação de salão da cidade, Park Chanyeol se vê interessado no atendente de cabelos pretos e olhos marcados por uma sombra ainda mais vermelha que sua blusa de gola. Determinado a chamar atenção do rapaz, que mais tarde descobriu se chamar Byun Baekhyun, Chanyeol se vê em meio a uma pista de dança buscando o ritmo perfeito para conectar seus corações.

[CHANBAEK X 80’S X THE WAR AESTHETIC]

Notes:

Olá, olá! O melhor e maior fest da história de volta no spirit /palmas e dessa vez consegui terminar a fanfic, claro que com alguns (vários) problemas pelo caminho, mas no final tudo deu certo!

Antes de tudo quero agradecer a Lua @heairtsjoy, minha princesa tão amada, pela betagem, te amo demais 💕Um beijo enorme as meninas da administração que mesmo aos trancos e barrancos que passamos juntas, conseguimos sobreviver e chegar até aqui. E, claro, um abraço e beijo do tamanho do Cristo Redentor para as minhas queridas do chanbaekiocas, amo vocês de todo o meu coração 💕 Agradeço também ao lipo @fashionist que me ajudou lá no começo a escolher as músicas da playlist e a Cami @fairyixing que aos 45 do segundo tempo me ajudou com mais músicas 🫶🏻 (além de todo dia me mandar mensagem perguntando se estava escrevendo até mesmo as 2 da madrugada ami eu te amo)

Essa fanfic já estava planejada a alguns meses antes do fest, mas não estava com muito ânimo para continuar, então com a chegada do ciclo novo, usei como gás para voltar e terminar essa criança. Ela também é especial por ser minha última fanfic no ficdom do exo! Por razões pessoais, estarei deixando de escrever com eles por um tempo, ainda sou apaixonada pelo exo e sempre vou ser, mas sinto que preciso me afastar do ficdom por um tempo e achei justo que a última fanfic fosse pelo dear, afinal foi com o dear que voltei a escrever e vai ser com o dear que irei me despedir. Mas não irão se livrar totalmente de mim, ainda tenho umas fanfics para serem repostadas junto dos plots que adotei. De qualquer forma eu agradeço a todos que tiraram o tempo para ler e comentar em cada uma das minhas fanfics, cada coração me encheu e ainda me enche de alegria, muito obrigada 💕

Atenção, esse pode ser o >pior< smut que vocês vão ler na vida de vocês, nunca escrevi um em toda minha história de fanfiqueira, então estou muito insegura. Se estiver ruim, por favor, finjam que nunca leram! Basicamente escrevi essa coisa reassistindo Heated Rivarly, o que ajudou bastante, por incrível que pareça, mas não me impediu de morrer de vergonha enquanto revisava.

~ um obrigada do tamanho do mundo, a duda @exomegazord que foi uma fada me dando conselhos (e umas palavrinhas no docs) e uma ajuda maior que o mundo. EU TE AMO

 

Espero que gostem e boa leitura!

Playlist

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Talking away

I don't know what I'm to say

I'll say it anyway

Today is another day to find you

Shying away

I'll be coming for your love, okay?

 

PARTE I 

Take On Me

Suwon, Gyeonggi-do

Coreia do Sul

1989

 

O refrão de Take on Me  foi a primeira coisa que Chanyeol ouviu quando botou os pés naquele salão.  

Era sexta-feira à noite e para ele, poderia estar enfurnado em seu quarto estudando para um teste de físico química, por mais que fosse em duas semanas. Tinha um professor rígido, um velho amargurado que parecia ter prazer em ver uma turma inteira passar dificuldades para resolver suas questões, além de ler livros tão antigos que nem as capas aguentavam mais os anos de uso.

Contudo, tendo Kim Jongdae e Oh Sehun como melhores amigos, ficar em casa num final de semana à noite, com uma temperatura agradável, segundo os rapazes, estava fora de cogitação. Ambos diziam que aquela era a atmosfera perfeita para festejar, lembrando que Sehun era o organizador das maiores festas da faculdade, então para ele, todo tempo era bom para uma festa, ou como ele preferia chamar: reunião com excesso de convidados.

Jongdae também não ficava muito atrás, seu hobby era criar as bebidas mais populares do campus, não tinha uma pessoa que não houvesse colocado uma gota de suas criações na boca. Era um bartender de mão-cheia.

E no meio daquela dupla tinha Chanyeol, um rapaz de quase um e noventa, dono das orelhas mais fofas que poderiam existir. Os cabelos cacheados pintados num adorável tom de rosa eram um dos seus pontos fortes somados ao seu carisma e inteligência, sendo o primeiro da turma de nutrição a conseguir as melhores notas do semestre.

As pernas desengonçadas e sorriso de criança passavam a imagem de um rapaz bobo e inocente, contudo, Chanyeol não era tão inocente quanto parecia. Já havia bebido poucas e boas, transado com diversas pessoas, algumas que nem ao menos conhecia, e feito mais algumas besteiras que não precisam ser lembradas, mas nada que envolvesse uso de substâncias entorpecentes. Apenas tinha aparência de um nerd retraído na maior parte do tempo.

Diferente dos melhores amigos, Chanyeol apreciava seus momentos em casa, preferindo passar horas em seu quarto no dormitório da faculdade jogando Maniac Mansion ou revisando milhares de vezes suas anotações. Não era tão extrovertido como os outros dois, porém não era tão introvertido como Kim Minseok, seu colega de quarto. Era um meio-termo, alternando conforme seu humor mandava e naquela noite, seu humor pendia mais para o lado introverso.

Tinha planos de estudar até a madrugada e jogar até o sol raiar, aproveitaria as primeiras horas do final de semana descansando a mente da correria da universidade antes de pegar um ônibus para passar a tarde na casa da mãe e ele cumpriria tudo isso se não tivesse sido surpreendido pelo som alto da porta do quarto sendo aberta. 

Com toda certeza levaria uma chamada do síndico.

Por ela, a dupla dinâmica entrou, em meio a risos, enquanto Sehun girava em seus dedos a chave de seu Hyundai Stellar de 1985, o sorriso se desmanchando quase que instantaneamente ao encontrar Chanyeol sentado em sua escrivaninha rodeado de livros e cadernos.

Ao levantar o olhar, Chanyeol franziu as sobrancelhas ao notar as roupas dos amigos.

Sehun usava uma blusa branca, o peito tatuado quase todo amostra junto a uma calça vermelha e uma jaqueta preta de couro sintético e os cabelos agora pintados num laranja forte, tão forte que Chanyeol tinha certeza que foram pintados horas antes. Jongade, com seu cabelo loiro bagunçado para todos os cantos, vestia uma combinação estranha aos olhos do Park, uma calça jeans clara, blusa de gola alta e uma jaqueta aviador num marrom desbotado, um cordão enfeitando seu pescoço e as mãos repletas de anéis, sua marca registrada.

Puta que me pariu, Chanyeol, é sério que é essa visão que teremos sua numa sexta-feira? — O Park revirou os olhos com a fala de Sehun, que não demorou para se jogar na cama do rapaz, com sapato e tudo. O dono do quarto, se levantou, empurrando os pés calçados do garoto de seu colchão, recebendo um dedo do meio do mais novo — Se mata, porra.

Sem paciência para aguentar as piadinhas sem graça de Sehun, Chanyeol tirou os óculos redondos que utilizava para estudar e encarou o melhor amigo com os braços cruzados. 

— Não enche, Sehun, vocês quem entraram no meu quarto às oito horas da noite rindo como dois idiotas e acham ruim eu estar reclamando — rebateu. Jongdae deu de ombros, concordando com o rapaz, voltando a mexer nas coisas de Minseok. Chanyeol caminhou até ele, arrancando de sua mão um caderno que, com toda certeza, seu colega de quarto não iria querer que fosse visto por um desconhecido e o Kim apenas levantou as mãos em rendição — O que vocês querem?

— Viemos tirar você desse marasmo e, por favor, para de fazer essa cara, parece uma criança mimada — Jongdae tomou a frente, passando um dos braços pelo ombro de Chanyeol, que ainda estava com os braços cruzados rente ao peito e ainda direcionava um olhar nada amigável ao mais velho — Não sei se ficou sabendo, o que é bem provável já que nem saiu de casa, mas mês passado reabriram aquele salão de patinação, o Dancing King, sabe? E um passarinho verde me contou que hoje está rolando uma festa incrível por lá.

— Esse passarinho verde por acaso se chama Choi Minji? O broto que você é perdidamente apaixonado, mas não toma nenhuma atitude por ser um banana? — soltou sem dó nem piedade.

Em sua cama, Sehun riu alto. 

Ouch! Se você me odeia, fala de uma vez — bradou, uma das mãos no peito como se estivesse ofendido. Chanyeol revirou os olhos — Enfim, vou fingir que não ouvi esse ataque extremamente pessoal e continuar com o que estava falando. Sabemos que faz muito tempo que não se diverte e como seus melhores amigos, ficamos preocupados e decidimos vir aqui e te levar para uma noite de patinação regada a músicas do arraso e muitos comes e bebes.

— Dispenso.

Chanyeol retirou o braço do amigo de seus ombros, caminhando até sua escrivaninha para organizar o próximo tópico de sua noite de estudos. 

— Ah qual é, Chanyeol? Não vai me dizer que pretendia passar a noite toda estudando? — o silêncio do de cabelos pretos foi o bastante para Sehun entender que ele realmente pretendia fazer isso — Puta merda, Chanyeol, esse seu pau e bunda murcha devem estar com teias de aranha de tanto tempo sem uso.

— Meu pau e minha bunda estão muito bem, Sehun, agradeço a preocupação — respondeu seco, revirando os olhos, querendo esganar o melhor amigo com as próprias mãos. 

— Quando foi a última vez que você beijou alguém? Não me diga que foi com o Kyungsoo na festa do Junmyeon! Isso tem uns quatro meses! 

— Impossível! Ele estava de xaveco com a Sooyoung até semana passada, pelo menos uns beijos devem ter rolado — Jongdae falou.

Aos quatorze anos, Chanyeol notou que era diferente dos outros garotos de sua idade, porém, apenas teve certeza disso, anos depois, aos dezesseis anos.

Enquanto seus colegas de classe faltavam ficar malucos ao olharem as modelos nas capas de revistas e compartilharem seus pensamentos sobre garotas, o jovem Park também sentia o corpo aquecer ao lembrar dos galãs dos filmes que sua irmã amava assistir repetidas vezes quando estavam sozinhos. 

Seu desejo por garotas nunca mudou, nem mesmo quando se viu completamente alterado após um sonho quente que teve durante o inverno de 81. Lembrava de acordar ofegante e suado, o total oposto do esperado para uma noite com temperaturas baixíssimas.

E por dias, aquela noite permaneceu em sua mente.

Sentia as bochechas corarem e as orelhas queimarem sempre que a memória daquele sonho teimava em voltar, sentindo-se um completo idiota por não conseguir esconder sua vergonha. 

Precisou de longos quatro anos para entender o que estava acontecendo. Aos vinte anos, tinha plena noção que gostava tanto de garotos quanto de garotas e que era a coisa mais normal do mundo, mesmo que ao contar aos seus pais não tivesse recebido as melhores reações do mundo. Seu pai, um homem muito grosso e bronco, quase arrancou seu cabelo quando os boatos de que seu filho caçula andava beijando rapazes nos fundos de uma loja de discos velha chegaram aos seus ouvidos. 

Sua mãe, por outro lado, tomou a frente e protegeu seu filho, enfrentando o ex-marido com unhas e dentes. Por mais que a mulher não entendesse muito bem os gostos do caçula, não deixaria que sofresse, muito menos que fosse ameaçado por alguém da própria família. 

Depois daquele dia, seu pai, que já não era mais tão presente, desapareceu praticamente de sua vida. E sendo sincero, ele não poderia estar melhor.

Chanyeol já era um homem crescido e deveria arcar com as consequências de seus atos. Se essa era sua vida agora, que fosse, ele que tomasse cuidado com sua saúde, nunca desviando de seu principal objetivo e no começo de 85, ingressou na faculdade e mudou-se completamente para o dormitório da instituição, deixando para trás uma Park Eunchae chorosa e Park Yoora, sua irmã mais velha, com um sorriso orgulhoso nos lábios. 

A vida na universidade era bem diferente do que imaginava. 

Claro que não era inocente de acreditar que sua vida no campus seriam somente festas quase todos os dias, porém, não esperava que suas primeiras semanas seriam tão tumultuadas.

Eram papeladas para ter certeza de que estava matriculado nas turmas certas, se sua matrícula estava nos conformes, mais papéis de trabalhos, que ele não tinha ideia como acabaram se acumulando; muito menos entendia a razão da necessidade tantos seminários em apenas dois meses de aula.

Se queriam tanto o foder, pelo menos chamava para jantar antes.

Passava mais tempo na biblioteca e trancado no quarto do que outra coisa, saindo apenas para comprar café no mercadinho perto do campus. 

E foi numa dessas idas ao mercadinho que conheceu Sehun e Jongdae, calouros como ele, mas de cursos diferentes, eram alunos de engenharia química e fisioterapia, respectivamente. Os dois acabaram esbarrando em Chanyeol, que mais parecia um zumbi de tão cansado e com bolsas roxas embaixo dos olhos, quando deixavam o mercadinho e o garoto estava entrando.

Por ser muito bocudo, Sehun já estava preparado para perguntar se ele estava com os olhos na bunda para não olhar por onde andava, porém, quando deu de cara com aquele garoto cabisbaixo, com olheiras profundas e um semblante de quem não se importaria de ser atropelado por um caminhão, seu coração virou maria mole e arrastou o pobre Chanyeol para se sentar e comer alguma coisa, além do café que o Park disse estar tomando feito água nos últimos dias.

Oh Sehun era o que poderia ser descrito como o significado de rebeldia. Na época, seus cabelos estavam tingidos de vermelho sangue, as unhas pintadas de cores diferentes, suas roupas eram uma mistura da estética punk com hippie — o que claramente não fazia sentido algum, mas nele, por alguma razão, parecia ser o certo; além das tatuagens e piercings nas orelhas, os quais ele tinha certeza que não foram feitos por um profissional.

Era uma pessoa sem papas na língua e boca suja, não aguentando ficar mais de cinco minutos sem falar um palavrão ou fazer alguma piada ácida, destilando sarcasmos por aqueles lábios finos. 

Por outro lado, Kim Jongdae era o oposto do melhor amigo. Era um pouco mais calmo e se por alguma razão você escutasse ele falar um palavrão, poderia ter certeza que alguma coisa estava muito errada e que havia noventa por cento de chance de Jongdae estar certo.

E por mais que aparentasse ser mais tranquilo que Sehun, Jongdae era um festeiro de primeira e estava na lista de convidados de todos do campus e sua personalidade extrovertida, somada a sorrisos contagiantes, eram a sua chave para o sucesso. 

Chanyeol entrou naquela amizade quase que instantaneamente. Foi como se a presença de Chanyeol fosse o que estivesse faltando na vida daqueles dois e as coisas pareceram funcionar ainda melhor quando começaram a andar juntos; até mesmo suas notas melhoraram e ele acabou se tornando um dos melhores da sua turma.

O que ele não esperava era que com essa junção, viriam a tira colo milhares de convites para saídas e festas, não importando se estavam no meio da semana ou com tarefas para serem feitas. Não entendia como Sehun, o mais festeiro deles, conseguia ter força para estudar todo o dia, ir para uma festa à noite e no dia seguinte ser um dos primeiros a chegar na sala com um sorriso contagiante e rosto tão perfeito, que parecia ter dormido longas horas.

E por mais que gostasse uma diversão de vez em quando, Chanyeol apreciava muito mais seu tempo de paz e sossego na quentura de seu quarto, lendo revistinhas, estudando ou ouvindo seus cd’s num tocador tão velho que nem tinha ideia de como estava funcionando. Entretanto, sabia muito bem que quando aqueles dois apareciam juntos, com sorrisos no rosto, seria difícil convencê-los a ir embora e o deixarem em paz aproveitando o começo do final de semana. 

Com um suspiro longo, Chanyeol balançou a cabeça e ergueu os braços em desistência.

— Tudo bem, já ‘to vendo que vocês não vão largar do meu pé se eu não aceitar e vão ficar punhetando a minha cabeça a semana inteira — Sehun revirou os olhos, pronto para abri a boca e soltar mais um palavrão quando ergueu Chanyeol o dedo indicador — Eu vou, mas quero estar de volta antes das três da manhã e não vou ligar se ficarem reclamando depois. É pegar ou largar.

Jongdae deu de ombros e bateu no peitoral do amigo.

— Só de saber que você não vai ficar trancado nesse quarto nessa noite maravilhosa já é o suficiente — respondeu sarcástico e Chanyeol revirou os olhos, já arrependido da sua escolha. O Kim bateu as mãos, caminhando para o guarda-roupa do amigo, não fazendo desfeita ao começar a revirar as roupas para encontrar algo descente — Vai tomar um banho porque hoje vai ser a noite da sua vida, Park Chanyeol. 

Meses depois, Chanyeol teria certeza de que Jongdae era algum tipo de vidente, porque aquela, pode até não ter sido a noite da sua vida, mas foi a noite que mudou o rumo dela. 

 

🎶🕺🎶

 

As luzes estouradas em tons quentes de laranja e vermelho iluminavam o salão, o brilho dos discos prateados refletiam nos espelhos e nos rostos de todos os presentes. Funcionários corriam por todos os lados tentando atender as mesas abarrotadas de jovens que estavam ali para curtir a noite e jogar conversa fora. No centro do salão estava o famigerado ringue de patinação, o cargo chefe da Dancing King

Garotas de cabelos armados, outras com fios lisos, enfeitados com tiaras e laços coloridos, roupas fluorescente, saias plissadas e vestidos coloridos com as mais diversas estampas e rapazes com jaquetas de couro, blusas com aberturas no peito, calças um pouco acima do tornozelo, com cabelos até os ombros ou arrumados em topetes bagunçados circulavam pelo salão em direção à pista de dança, que na realidade era o espaço livre entre o ringue e as mesas, ou ao ringue.

No ringue, casais patinavam de mãos dadas, dançavam em círculos e algumas vezes acabavam caindo juntos, entrelaçados no chão polido, rindo alto antes de voltarem a deslizar no ritmo da música. Grupos maiores arriscavam coreografias, ignorando as reclamações de alguns funcionários, que praticamente  imploravam para os jovens tomarem cuidado para não se machucarem ou machucar outras pessoas. 

Baekhyun queria ser uma dessas pessoas, estar ali somente para curtir a noite, beber a vontade e talvez dar uns beijinhos descompromissados, contudo, como nada na vida é fácil, cá estava ele, correndo para todos os lados daquele bar minúsculo, preparando bebidas, atendendo clientes e ainda era o responsável por fazer anúncios no auto falante e encerrar o ringue em alguns minutos. 

Desvio de função? Talvez, mas Baekhyun, primeiro, precisava do dinheiro para conseguir ter pelo menos um auxílio além da bolsa de estudos e segundo, não estava com vontade de ficar com as orelhas vermelhas de ouvir reclamações de seu chefe, que ele dava graças a todos os deuses existentes, estava bem longe e voltaria no final da próxima semana. Qualquer pessoa com o mínimo de amor-próprio se aproveitaria da ausência e faria o trabalho de qualquer jeito, mas como sua amada mãe sempre o disse que ele não era todo mundo — sem contar que ele era um pintinho medroso quando o assunto envolvia dinheiro —, Baekhyun continuou fazendo seu trabalho da melhor forma possível.

A Dancing King estava excepcionalmente cheia aquela noite. O que era bom em diversos aspectos, por exemplo, sua jarrinha de gorjetas estava muito bem abastecida e o movimento do caixa no final da noite seria um dos melhores. 

Aquela danceteria era antiga na cidade, as fotos espalhadas pelas paredes do lugar mostravam que era badalada desde o começo da década de 50, porém, acabou sendo fechada com a crise que assolou o país por conta da guerra e ficou fechada até pouco antes da faculdade da cidade ser reaberta, como um salão de patinação bem meia boca, em 71. Porém, novamente, acabou fechando e sendo comprada anos depois por um empresário que, por alguma razão, viu que aquele lugar caindo aos pedaços, poderia ser uma fonte de dinheiro e ele até que estava certo.

Com a propaganda certa, o boca a boca entre os alunos da universidade, a reabertura foi um estrondo e em quase todos os finais de semana, a casa estava cheia e obviamente, precisando de funcionários. Baekhyun, que havia chegado na cidade no início do ano, trabalhando em dois empregos diferentes para não terminar o mês sem um tostão no bolso, agarrou aquela oportunidade e foi vender seu peixe para o empresário, torcendo para que fosse aceito e que faria de tudo. A danceteria era perto de seu apartamento, então ficaria menos cansado trabalhando próximo de casa.

Talvez, aquele tenha sido o seu erro, já que estava fazendo muito mais do que a sua função, mas, com dinheiro nas mãos todo final de mês, se faria de burro para sempre. 

Com um sorriso no rosto, acenou para os amigos que davam a vida na pista de dança improvisada. Eunbi sorria balançando a cabeça para todos os lados enquanto Junmyeon, com o braço enrolado em sua cintura, guiava os passos. 

Aish!

Encarou o relógio em seu pulso esquerdo, contando os minutos para seu turno acabar, porém, notando que mais e mais pessoas entravam na danceteria, percebeu que não iria para casa tão cedo. 

— Pense positivo, Baekhyun — sussurrou para si, passando um pano úmido no balcão, virando-se para limpar os copos atrás de si e conferir se as bebidas estavam geladas — Amanhã é seu dia de folga e você vai ter um dinheiro extra ‘pra começar a semana! Só mais algumas horas. 

Conforme os minutos passavam e as pessoas pareciam estar começando a se cansar, o bar começou a perder movimento e Baekhyun pode respirar mais aliviado. Suas costas doíam e seus joelhos pareciam que iam cair de seu corpo, isso sem contar seus dedos que estavam gelados de tanto apanhar bebidas. Pelo menos, ainda restava um pouco de tempo antes de fecharem e ele conseguiria aproveitar, nem que fosse por poucos minutos, a festividade que tomava conta do salão 

Levou uma das mãos ao bolso direito de sua calça, tirando de lá mais um de seus pirulitos de abacaxi favoritos, rindo feito uma criança travessa ao desembalar o doce e levá-lo a boca, soltando um suspiro em deleite.

Desde que havia parado de fumar, isso a quase três anos, sempre andava com alguns deles no bolso da calça ou em sua mochila; os doces foram muito utilizados como forma de enganar seu cérebro no início da limpeza do organismo, quando os sintomas da abstinência estavam fortes demais para suportar. 

Agora, poderia se considerar livre daquele mal, por mais que sua mente teimasse em traí-lo quando estava passando por momentos difíceis, dizendo a ele que apenas um trago não seria ruim e Baekhyun sabia muito bem que, uma vez que voltasse, seria difícil parar, então, passou a manter os doces por perto. Sempre que sentia que poderia acender um cigarro, corria para colocar o pirulito na boca, chupando e mastigando o doce até que restasse apenas o palito, o que passava longos minutos brincando em sua boca, sendo jogado para lá e para cá.

Por estar tão alheio em seus pensamentos, não percebeu que uma pessoa estava apoiado no balcão, tendo noção apenas quando escutou a voz, risonha e escandalosa, dizer:

— Me vê três da OB Lager, por favor. Bem geladas!

Baekhyun, sem se virar, respondeu:

 — No capricho!

Com destreza, abriu o freezer e pegou as 3 garrafas, retirando as tampinhas com rapidez, colocando-as na frente do rapaz, o encarando, finalmente. 

Quando o garoto do bar, com os cabelos mais pretos que a noite, se virou, Chanyeol acreditou estar vendo a criatura mais bela que seus olhos poderiam sonhar encontrar. 

O Park estava cansado e já queria voltar para seu quarto e dormir, porém, ainda estava meio longe da hora estabelecida por ele, mas, por ser muito maria mole e ter um coração de manteiga, estava cogitando ficar mais um pouco apenas porque não queria acabar com a diversão dos amigos que riam alto enquanto contavam piadas ou quando eram puxados para a pista de dança ou ringue de patinação, local que, aliás, haviam acabado de sair após patinarem por horas. 

Partes de seus cabelos grudavam na testa e gotículas de suor desciam por suas têmporas. O trio sentia que o local estava muito quente e para se refrescarem, Chanyeol foi pegar algumas bebidas para eles. Ao se dirigir ao bar, Chanyeol estranhou ter apenas um funcionário, que deslizava para todos os lados, ora atendendo clientes, ora limpando o balção, não conseguindo ver com clareza o rosto dele. 

Então, quando ele se virou com as bebidas e o encarou com um sorriso singelo, Chanyeol travou.

Ele era magnifico

A blusa vermelha ajustava-se ao corpo dele com naturalidade. O tecido marcava o contorno dos ombros de forma discreta, mas suficiente para prender o olhar, aquela cor parecia ter sido feita para ele. Os fios pretos caíam como a noite sobre ele e os olhos escuros, refletiam as luzes coloridas do salão. Tudo aprecia tão perfeito, quase irreal. A maneira como a luz realçava a curva do maxilar, o movimento sutil dos lábios quando ele respirava, o olhar travesso e curioso. 

Ah.

E a maldita boca que Chanyeol não conseguiu não prestar atenção. Os lábios finos entreabertos por conta de um palito de plástico preso entre eles, mas que se movimentava conforme o garoto movia a língua e Chanyeol sentiu seu corpo se aquecer e as bochechas corarem ao observar o movimento.

— As cervejas vão esquentar, brotinho, e não fazemos troca nesse caso.

Ao escutar a voz, Chanyeol se deu conta de que ainda não havia tocado nas garrafas à sua frente, sequer havia estendido as mãos. Sua mente tinha entrado em colapso e parado de funcionar por alguns segundos. 

Pigarreou, as mãos nervosas apalparam os bolsos de sua calça, buscando trêmulos sua carteira, estendendo para o rapaz a sua frente, as notas de dinheiro.

— 5.500 wons, certo? 

A voz trêmula e nervosa fez Baekhyun soltar um riso fraco, balançando uma das mãos em frente ao rosto. 

— Essas vão ser por conta da casa, brotinho, aproveite — Baekhyun sorriu, mordiscando o palito de plástico antes de movê-lo com a língua, sentindo um calor de orgulho atravessar seu corpo ao notar os olhos do homem em sua frente acompanhar o movimento. Ergueu a cabeça para olhar por cima do ombro do rapaz, rindo baixo — Acho melhor voltar para sua mesa, seus amigos estão te encarando e acho que não são o tipo de pessoa que gostam de cerveja quente.

Chanyeol piscou várias vezes, ainda em transe.

— O quê?

Dessa vez, Baekhyun não se controlou, soltou um riso alto e encarou o desconhecido. Baekhyun inclinou-se levemente para a frente, apoiando os braços no balcão antes de pegar as garrafas e colocá-las uma por uma nas mãos dele.

— Aproveite a noite. 

Dito isso, Baekhyun sorriu mais uma vez antes de dar as costas para o rapaz e ir atender um grupo animado que acabara de sentar nos banquinhos perto deles. 

Chanyeol, ainda meio aéreo, segurou com mais firmeza as garrafas, caminhando lentamente até a mesa que seus amigos estavam, nem escutando as piadas de Sehun dizendo que ele parecia uma lesma de tão lento, que não entendia como uma pessoa com pernas tão grandes como as dele conseguia demorar tanto para fazer uma coisa simples. 

Seus olhos ainda estavam vidrados na figura do rapaz, como se a imagem dele fosse a única coisa importante naquele salão, tudo parecia ter desaparecido, nem mesmo a gritaria do grupo ao seu redor foi capaz de tirá-lo daquela bolha. 

Não muito longe dali, Eunbi encarava a cena com um sorriso travesso nos lábios, apertando o braço de Junmyeon para pararem de dançar. O Kim a encarou sem entender, e sendo sincero, há tempos não perdia mais tempo tentando entender como a cabeça daquela garota funcionava. Eunbi segurou sua mão e o puxou em direção ao bar, chamando Baekhyun com um aceno frenético. 

— Byun Baekhyun, o que foi aquilo?

Baekhyun encarou a amiga com a sobrancelha arqueada e Eunbi revirou os olhos.

— Não se faça de sonso, senhor Byun — Eunbi, com um sorriso brincalhão na boca,  falou cutucando o braço de Baekhyun. —  Acha mesmo que não vimos a cara de apaixonado do Park? Ele estava quase babando esse bar inteiro. 

— Primeiro, não sei do que está falando — Baekhyun respondeu, afastando-se rapidamente dos amigos para atender duas garotas que se aproximaram do bar, sorrindo ao entregar os pedidos. — Segundo, não sei porque está tão alvoroçada, nem sei quem é esse tal de Park.

— Como assim você não o conhece? Porra, Baekhyun, ele é um dos caras mais populares da faculdade! — Junmyeon exclamou, seu dedo indicador batendo no vidro do balcão do bar. Baekhyun encarou o amigo ainda mais confuso, balançando a cabeça ainda em negação. — Todo mundo já ouviu pelo menos uma coisa sobre Park Chanyeol ou sobre os amigos deles, é quase impossível não os conhecer.

Baekhyun os encarou de braços cruzados, encostando o corpo numa bancada atrás de si. Tanto Eunbi, quanto Junmyeon o encaravam como se ele fosse algum tipo de alienígena, como se não falassem a mesma língua. Como se não saber quem era Park Chanyeol fosse um crime.

— Ainda não tenho ideia de quem estão falando.

Eunbi sorriu, se espalhando no balcão, apoiando-se nele.

— Park Chanyeol é um dos mais conhecidos do curso de farmácia, muito charmoso por sinal. — Balançou a cabeça. Chamou Baekhyun com a mão e o Byun inclinou o corpo, e a amiga chegou perto de seu ouvido. — Ele estava de rolo com a Sooyoung, sabe, da engenharia, e ela me contou que ele é maravilhoso.

— Em qual sentido? — perguntou Baekhyun 

— Em todos eles  — respondeu Eunbi, fazendo um gesto sugestivo com as mãos, alarmando o amigo que rapidamente tapou as mãos dela.

A garota riu alto, deixando um beijo na bochecha de Baekhyun antes de se afastar.

— Como você fica sabendo dessas coisas, garota? — Junmyeon perguntou aos risos.

Eunbi deu de ombros e uma piscadela.

— Segredos de mulheres, meus amados. Não pensem que só porque somos mulheres não temos esse tipo de assunto, somos seres humanos também, sabiam disso? — Virou-se novamente para Baekhyun que balançava a cabeça desacreditado. — De qualquer forma, Baekhyun, ele pareceu realmente interessado em você e sendo sincera, você deveria aproveitar essa oportunidade. Não é todo dia que se tem o conquistador da faculdade praticamente babando nos seus pés.

— Nem sabemos se ele gosta de rapazes, Eunbi.

— Fiquei sabendo que ele teve um rolo com o Do Kyungsoo da medicina e isso não tem muito tempo — falou Junmyeon. 

— E isso não significa nada, ele pode muito bem ser daqueles caras supostamente héteros que beijam homens para aparecer — rebateu Baekhyun. O Byun soltou um longo suspiro e encarou os amigos. — Olha, mesmo se esse boato que Junmyeon disse for verdade, não sei se estou pronto para entrar em algum tipo de relacionamento. Tenho muita coisa na cabeça, sem contar os projetos que iniciei no laboratório e não posso me dar o luxo de relaxar um pouco nos estudos por causa da bolsa.

Eunbi se deu por derrotada e sorriu fraco.

— Sabemos disso, meu amor, pedimos desculpas por encher sua cabecinha com isso.

— Sem pressão, Baek — completou Junmyeon.

— Relaxa, gente, de verdade — Baekhyun disse. — Não se preocupem com isso.

Um sorriso travesso brotou em seus lábios quando olhou por cima do ombro de Eunbi e pode ver a figura do tal Park Chanyeol ainda o encarando e ao notar que havia sido pego, virou o rosto no mesmo instante.

Ao ver aquilo, uma sensação estranha palpitou em seu peito, o enchendo com um sentimento que não sabia explicar o que era.

Satisfação, talvez?

Não sabia ao certo, mas notar que um simples olhar seu fez aquela figura tão cobiçada — segundo seus amigos e meio mar de alunos daquela faculdade —, ficar nervosa, seu ego ficou estufado.

Soltou um riso fraco que não saiu despercebido pelos amigos.

— Mas sabem, eu não ficaria incomodado se ele me chamasse pra dançar. 

 

🎶🕺🎶

 

Quando aceitou o convite de Sehun e Jongdae, Chanyeol não esperava que outras pessoas também estavam inclusas nele. Quando saiu do dormitório e entrou no carro de Sehun, teve a surpresa de saber que buscariam mais três conhecidos do Oh antes de irem até a Dancing King

E agora lá estava ele, sentado numa mesa com poltronas acolchoadas, rodeado de um grupo composto por pessoas que ele conhecia e outras que se juntaram a eles e que pareciam, de alguma forma, conhecer ou Jongdae, ou Sehun. O que não era tão estranho assim, afinal, aqueles dois poderiam muito bem saber os nomes de todas as pessoas daquela faculdade de cor e salteado. 

Não era que não gostasse de pessoas, muito pelo contrário, apreciava a companhia delas quando estava com energia necessária para tal e como naquele momento não estava nem com muita vontade de estar ali, a presença de estranhos certamente era desagradável. 

Contudo, por mais que aquela situação não fosse a desejada para sua noite de sexta-feira, sua cabeça estava em outro lugar —, mais especificamente a alguns metros de distância, no bar do lugar, e ainda mais específico, no garoto de blusa vermelha que o atendeu minutos atrás. 

Seus dedos batiam levemente na garrafa em sua mão, que com toda certeza já estava com o líquido quente, mas Chanyeol pouco estava se importando. Tudo parecia ser tão pequeno quando seus olhos estavam fissurados naquela figura. O rapaz ria enquanto conversava com um casal, que imaginou serem amigos dele, já que a garota o tocava com certa intimidade. Mesmo a certa distância, conseguia ver o sorriso do desconhecido; seu coração dando piruetas em seu peito e uma descarga de ansiedade atravessou seu corpo.

Não conseguia parar de olhá-lo, parecia enfeitiçado.

Seu fascínio foi quebrado quando notou que o rapaz retribuiu o olhar, e no mesmo instante Chanyeol sentiu o rosto queimar e virou o corpo em vergonha. Que droga, estava parecendo um adolescente que tremia com mínima interação com sua paixonite. 

— Ei, Jongdae. — Chanyeol cutucou o amigo que conversava animado com algumas pessoas do grupo. O Kim ergueu a mão, pedindo um momento e aproximou o rosto de Chanyeol para poder ouvir melhor por conta da música alta e das conversas paralelas. — Sabe quem ele é? — Indicou o bar com a boca da garrafa.

Jongdae seguiu com o olhar para onde Chanyeol apontava. 

— Ela? É Kwon Eunbi, cursa engenharia da computação, acho, e é uma conhecida da Minji, por quê?  — perguntou um pouco alto demais e antes que Chanyeol pudesse abrir a boca para falar, Jongdae abriu um sorriso travesso — Olha, Yeol, se quiser, consigo arrumar ela pra você conversando com a Minji. Vai ser melzinho na chupeta.

— O quê? Não, cara, você entendeu tudo errado!

Chanyeol o puxou para mais perto, praticamente colando a boca em seu ouvido. — Não estou falando dela, mas dele, o rapaz de blusa vermelha, ali no bar.

Jongdae estreitou o olhar, tentando focar naquele ponto vermelho em meio a multidão que, por alguma razão, decidiu se aglomerar perto do bar.

E, por mais inacreditável que possa parecer, pela primeira vez, Jongdae não tinha muito o que falar sobre uma pessoa, por isso, apenas deu de ombros e encostou as costas no estofado do sofá, uma das pernas descansando sobre seu joelho enquanto voltava a bebericar sua cerveja, que por sinal, já estava no final.

— Olha, a única coisa que sei é que ele se chama Baekhyun, não tenho ideia do sobrenome desse cara ou o que ele faz da vida, então, se está tão fascinado assim, é por sua conta descobrir.

Chanyeol suspirou derrotado, jogando a cabeça para trás, mordiscando o interior de suas bochechas. 

Jongdae chegou até a perguntar porque ele simplesmente não levantava e ia até o tal Baekhyun e perguntava o que queria perguntar e, para sua surpresa, recebeu um olhar arregalado de Chanyeol junto a bochechas e orelhas tão vermelhas que poderiam derreter pedras de gelo de tão quentes.

— Não me diga que você, o grande Park Chanyeol, está com vergonha de ir até lá e fazer uma simples pergunta? — gargalhou, limpando uma lágrima que desceu por sua bochecha. O Kim balançou a cabeça, passando o braço por cima do ombro do amigo — Se realmente ficou interessado nele, vai devagar. Primeiro tenha a certeza de que ele tem interesse em rapazes, vai poupar seu pobre e jovem coração de uma decepção catastrófica.

— E depois?

Jongdae ergueu a sobrancelha. 

— Depois só o destino vai te contar, Chanyeol. 

Chanyeol não tocou mais naquele assunto durante a noite, muito menos na volta pra casa, porém, deitado em seu quarto, escutando apenas alguns galhos baterem levemente na janela do quarto e o som de sua respiração nervosa, não conseguia parar de pensar em Baekhyun, se é que esse era realmente o nome dele. 

— Baekhyun.

Sorriu com sua própria estupidez ao pronunciar o nome dele baixinho, quase num tom de segredo. 

Seu coração batia acelerado, parecendo a bateria das suas músicas de rock preferidas. Uma batida que começou a trilha sonora do que seria a dança mais bonita de sua vida.

 

🎶🕺🎶

 

I tell myself that I can't hold out forever

I said there is no reason for my fear

'Cause I feel so secure when we're together

You give my life direction

You make everything so clear

 

PARTE II 

Can’t Fight This Feeling

Suwon, Gyeonggi-do

Coreia do Sul

1989

 

Um mês.

Trinta dias.

720 horas.

43.200 minutos.

2.592.000 segundos.

Chanyeol nunca fora o tipo de pessoa que ficasse obcecada por alguma coisa por tanto tempo. Obviamente tinha seus fascínios, igual a qualquer ser humano por aí, como algumas revistinhas nerds, filmes ou jogos, mas nunca em sua vida, sua cabeça havia sido tomada por uma pessoa. Muito menos por uma pessoa que viu por uma noite e a única coisa que sabia sobre essa pessoa, era o seu primeiro nome. Nem ao menos tinha ideia de como encontraria Baekhyun naquela faculdade. 

Poderiam existir dezenas de centenas de Baekhyuns naquele lugar e ele mal saberia como começar; era humanamente impossível juntar todos os Indivíduos com esse nome, colocá-los numa quadra para que Chanyeol pudesse observar um a um até encontrar o Baekhyun que pirou a cabeça e o coração dele como se fossem feitos por bolhas de sabão. Porém, ele precisava tentar ou acabaria se arrependendo pelo de sua vida por ter sido um besta por não ter tomado uma atitude naquela noite.

Com um papel e uma caneta, começou a rabiscar  que seria sua linha de investigação e a peça chave desse início, seria Kwon Eunbi.

Graças a Jongdae, sabia seu nome, sobrenome e curso. Engenharia. Para sua sorte, todas as vertentes de engenharia ficavam no mesmo prédio junto de alguns outros cursos de exatas e para aumentar sua sorte ao nível estratosférico, esse prédio ficava ao lado da parte reservada aos cursos da área de saúde. Junto da engenharia estavam os cursos de matemática, química, física e administração. Seu círculo de busca ainda era grande, contudo, menor quando comparado ao começo. Agora precisava descobrir quantos alunos chamados Baekhyun haviam em cada curso para que pudesse investigar um a um e encontrar o seu garoto. 

Chanyeol poderia pedir a algum de seus amigos que o ajudasse nessa tarefa, mas só de pensar em ter que escutar as piadas de Sehun — que, com toda certeza, encontraria esse tal Baekhyun em questão de horas —, e Jongdae buzinando em seu ouvido que ele deveria ter simplesmente perguntado para Eunbi durante todo esse tempo, a ideia foi descartada quase que instantaneamente. 

Com a ajuda de seus amigos fora de questão, precisava urgente descobrir como limitar sua lista de possíveis Baekhyun’s a, pelo menos, dois cursos. Mordiscou os lábios enquanto tentava bolar uma nova estratégia, não tendo ideia do que fazer, mas tinha certeza que em algum momento, pensaria em algo. 

Infelizmente, o pensamento não apareceu. Porém, as coisas começaram a funcionar ao seu favor.

Chanyeol descobriu por acaso, enquanto tentava chegar a tempo de sua aula de análise instrumental, um Baekhyun que era aluno de física e que trabalhava durante a noite. Tudo por conta de um burburinho de alguns alunos que estavam saindo de um dos laboratórios de química e comentavam animados sobre os projetos que os alunos de física apresentariam na feira do curso no próximo mês. Uma garota de cabelos curtos disse que os artigos publicados por esse Baekhyun beiravam a genialidade, que estava ansiosa para conhecer mais das suas linhas de pesquisa.

Era da programação da universidade todo semestre os cursos da instituição apresentarem seus projetos, sendo o primeiro semestre reservado os cursos de ciências humanas e ciências biológicas, com os cursos de saúde nesse meio, e o segundo aos alunos de ciências matemáticas. Era uma forma de entrosar os alunos com os diversos cursos para abrir olhares para caminhos de profissão, conhecimento e para que vissem formas de combinarem os aprendizados de cada vertente estudada para o bem da sociedade. 

Era uma época divertida, tirando o estresse com leitura de livros enormes, artigos mais velhos que sua avó e o temido trabalho em grupo. Chanyeol gostava de conhecer coisas novas — sem contar as lembrancinhas que recebiam após as palestras, amava voltar para seu quarto com a mochila repleta de doces, canetas e bloquinhos.

Mas, enfim, retornando ao Baekhyun encontrado. 

Estava há quase duas semanas investigando cada Baekhyun encontrado nos cursos de engenharia, chegando até a encontrar uns três ou quatro, mas só de vista, apenas para descobrir que não eram o Baekhyun que procurava. Agradecia que aquele nome não era muito comum e sua lista de suspeitos caía até que significativamente, porém, sua busca não estava tendo muito avanço.

Do curso de física, haviam quatro alunos chamados Baekhyun:

Jeong Baekhyun

Hwang Baekhyun

Byun Baekhyun

Choi Baekhyun. 

E desses quatro, apenas dois que tinham artigos publicados pela revista da faculdade trabalhavam durante a noite: Jeong Baekhyun e Byun Baekhyun.

Para sua surpresa, a descoberta do sobrenome do Baekhyun que procurava, veio de uma pessoa inesperada, mas que estava, literalmente, dormindo ao seu lado: Foi Minseok quem contou a Chanyeol o sobrenome do Baekhyun que estava procurando. Bom, indiretamente, o ajudou a encontrar o Baekhyun que atormentava sua cabeça há quase dois meses.

Ao saber que o Baekhyun que procurava era aluno de física, Chanyeol achou que seria uma ótima idade, ler os trabalhos publicados pelos suspeitos para, caso, conseguisse conversar com o Baekhyun certo, poderia falar sobre um tema que ele gostasse. O problema é que ele não entendia absolutamente nada sobre física, muito menos nuclear ou experimental, mas isso não o impediu de procurar os nomes desses Baekhyun’s e encarar artigos acadêmicos que pareciam escritos em outra língua.

Nesse tempo, Chanyeol pensou que enlouqueceria, quem em sã consciência olhava para aquelas palavras e via sentido? Eram poucos os termos que entendia, pois em quase noventa porcento do tempo, encarava aqueles papéis como se eles estivessem com facas apontadas para o seu pescoço.

E foi numa dessas vezes, numa tarde ensolarada de sexta-feira, com um Chanyeol mergulhado naquelas palavras estranhas e fórmulas confusas de um trabalho de física nuclear, que Minseok tomou coragem para ler o que seu colega de quarto parecia estar tão fascinando nos últimos dias. 

— Não sabia que se interessava por física nuclear, Chanyeol.

A fala de Minseok tirou Chanyeol de sua bolha de fórmulas confusas, forçando-o a encarar o mais velho, que não demorou muito para começar a ler o que estava naquelas folhas. 

— Sabe como é, hyung, com a nova temporada de Star Trek para chegar, quero estar a frente da maioria e entender alguns termos relacionados a viagens espaciais — falou Chanyeol, tentando passar o máximo de confiança possível, um sorriso amarelo e envergonhado tomando conta de seu rosto. — Me recuso a perder uma discussão, então nada melhor do que procurar sobre para ter mais certeza do que estou falando.

Minseok franziu as sobrancelhas. Aquela era a mentira mais mal contada que ele ouvira em toda sua vida. Sabia que Chanyeol era um nerd de carteirinha, mas não ao ponto de passar dias lendo trabalhos que claramente não entendia uma palavra do que estava escrito apenas para poder ganhar uma discussão sobre naves fictícias.

— Claro — falou, sem acreditar muito nas palavras do outro. Seus olhos se voltaram para a folha, prendendo o riso ao ver algumas anotações confusas de Chanyeol pelo texto. — Olha, preciso admitir, mesmo tendo um pequeno conhecimento sobre o assunto, fico impressionado com como o Byun consegue escrever essas coisas. Aquele cara é um gênio.

— Você o conhece? — Chanyeol perguntou surpreso.

Minseok afirmou com a cabeça.

O Kim foi até seu armário, tirando de lá uma pasta. Minseok mexeu nela por alguns instantes até encontrar o que procurava. Voltou para perto da mesinha, entregando para Chanyeol um jornal antigo, que o Park reconheceu ser o jornal publicado por alguns alunos da universidade como forma de divulgar os feitos dos alunos. 

— Trabalhamos juntos no semestre passado. Lembra de quando fiquei um final de semana fora? — Chanyeol assentiu, folheando as páginas — Apresentamos um trabalho sobre condutividade em campos de elétrons. Devo dizer, ele é um gênio no corpo de um festeiro. Todos os professores ficarem impressionados com tudo o que ele falava, era como estivessem na frente da reencarnação de Newton.

Quando Chanyeol virou a página, seus olhos quase pularam para fora. Seu coração parou por breves segundos e seus dedos começaram a formigar.

Era ele.

De forma mais serena, sem o sorriso malicioso, mas era ele.

A voz de Minseok parecia distante, o mundo de Chanyeol estava naquela foto. Baekhyun estava tranquilo, com as mãos nos bolsos do jaleco, a postura orgulhosa era notável. Os lábios finos com um sorriso leve. 

— … se quiser posso te passar os dias que ele está no laboratório. 

Chanyeol piscou rapidamente, saindo da sua bolha.

— Como?

— Baekhyun passa a maior parte do tempo trancado naquele laboratório. Geralmente ele está por lá nas terças, quinta, principalmente, sexta e às vezes aos sábados. Inclusive — o Kim encarou o relógio em seu pulso —, deve estar saindo daqui a pouco, mais ou menos perto das quatro e meia. Então se quiser fazer alguma pergunta sobre os trabalhos dele que anda lendo feito doido, ele vai ficar mais do que honrado em responder. 

A reação de Chanyeol quase fez Minseok rir e em questão de segundos, Chanyeol já estava de pé, com uma bolsa atravessada de qualquer jeito no ombro esquerdo. O Park coçou a garganta, desviando o olhar do mais velho que tentava segurar o riso. 

— E-eu… — tossiu — Desculpa, hyung, o papo está ótimo, mas lembrei que preciso pegar alguns livros na biblioteca e meu Deus, olha a hora, melhor correr antes que feche, não é.

Minseok ergueu a sobrancelha.

O jeito apressado de Chanyeol, o olhar inquieto. O Kim entendeu tudo no mesmo instante e soltou um riso fraco pelo nariz. Aquele garoto era realmente uma piada.

— Livros, é? — ele repetiu, com um tom claramente descrente.

Chanyeol riu de forma nervosa, já dando passos em direção à porta.: — É, livros de físico-química e química analítica, coisas do tipo. Preciso deles para revisar, com as provas chegando não quero me arriscar a ficar de recuperação tão cedo.

E mesmo sem acreditar em uma única palavra da desculpa mais esfarrapada do mundo, até porque as provas seriam apenas no próximo mês, Minseok balançou a mão e em questão de segundos, estava sozinho no dormitório, podendo, finalmente, soltar a risada que estava presa em sua garganta.

— Ah, Baekhyun, você nem imagina o que lhe espera.

 

🎶🕺🎶

 

Com o coração quase saltando do peito, Chanyeol, enfim, chegou ao bloco de física. Alguns alunos o encaravam sem entender, afinal, era final de dia, todas as aulas haviam encerrado a quase meia hora.

Chanyeol sorriu fraco, tentando disfarçar seu nervosismo, sem muito sucesso. Respirou fundo, bom, se os laboratórios de física, supostamente, tinham o mesmo esquema de reserva e arquivamento de quem utilizava a estrutura, as folhas de uso do dia deveriam estar num mural perto da escada que levava os laboratórios.

A lista continha os números dos laboratórios em uso, organizadas por horários e nomes, um controle rígido de quem entrava e saía daquele espaço. Chanyeol se aproximou, os olhos correndo apressados pelas colunas até encontrar o que procurava. E quando leu “Byun Baekhyun” escrito em letras pequenas, numa caligrafia adorável, seu peito se encheu de alegria.

Sua incansável busca, finalmente, havia acabado. Byun Baekhyun estava a alguns lances de escada de distância. Porém, ao se virar para, enfim, ir atrás dele, Chanyeol o viu. 

E seu coração parecia não acreditar no que estava acontecendo.

Baekhyun descia as escadas com calma, uma pasta presa contra o peito, o jaleco meio torto preso na bolsa que caía de seu ombro esquerdo. Ele parecia cansado, mas tinha um sorriso brilhante nos lábios enquanto conversava com dois colegas, que pareciam tão imersos no assunto quanto ele. Chanyeol simplesmente entrou em pane, suas pernas ficaram bambas e ele quase perdeu o equilíbrio, quase se espatifando ali mesmo feito uma banana-mole. E quando Baekhyun passou por ele, nem tomando consciência da sua presença, já que estava mais focado nos papéis repletos de anotações em suas mãos, Chanyeol acreditou que o mundo iria desabar.

E quando o Byun virou o corredor, saindo do campo de visão de Chanyeol, o Park deixou o corpo cair, arrastando as costas pela parede do corredor. O coração no peito tomado por um sentimento de alegria inexplicável. Parecia que haviam estourado milhares de fogos de artifício em seu peito, seu estomago revirava junto daquele frio característico. 

Finalmente, havia o encontrado.

 

🎶🕺🎶

 

Baekhyun era uma pessoa um pouco paranoica, então qualquer coisa que parecesse destoar da sua rotina, já acendia um alerta em sua cabeça. Jurava até conseguir ouvir uma sirene gritar em seu ouvido e na última semana, aquela sirene estava cada vez mais estridente e irritante.  No início, acreditou que era apenas coincidência, o tipo de coisa que acontece quando se frequenta os mesmos lugares todos os dias, contudo, alguma coisa dentro dele dizia que alguma coisa estava errada.

Há alguns dias começou a perceber uma presença estranha ao seu redor, ficando ainda mais desacreditado que a pessoa era ninguém mais nada menos que Park Chanyeol. Chanyeol aparecia do refeitório do campus de física, o que para Baekhyun não pareceu tão estranho, já que, por conta da popularidade dele, acreditou que estava ali para conversar com algum conhecido ou coisa do tipo. Porém, essa crença foi por água abaixo quando começou a notar que a presença de Chanyeol não era por acaso. 

Baekhyun poderia até ignorar e seguir sua vida, e ele até que conseguiu fazer isso muito bem, fingindo que não via Chanyeol o observando por detrás das árvores feito um idiota ou quando o garoto tentava disfarçar lendo algum livro. Contudo, sua paciência tinha limites. 

Numa tarde exaustiva, após ter passado horas calculando dados que resolveram não fazer sentido, na tarde que quebrou mais tubos de ensaio que o normal, tudo o que Baekhyun queria era chegar em casa e poder dormir. Contudo, nem isso poderia fazer, pois teria menos de uma hora para se arrumar e ir trabalhar, e sabe-se lá quando voltaria. E quando estava deixando seu prédio, lá estava ele, acreditando ser o mestre dos disfarces.

Tomado pela raiva, somada ao estresse, Baekhyun caminhou em passos largos até Chanyeol, que quase teve uma síncope ao notar sua aproximação, tentando fingir costume para sair lá. Contudo, Baekhyun foi mais rápido e deixou a irritação vencer seu bom senso. Por não estar esperando a chegada tão rápida de Baekhyun, Chanyeol mal teve tempo de pensar e logo se viu sendo arrastado por ele.

— O que você quer, Park? — Baekhyun perguntou, a voz baixa, mas num tom raivoso — Escuta aqui, não sei o que está pensando, mas se está com tanta vontade de perturbar alguém, sugiro que vá encher o saco de outro. Tenho mais o que fazer do que ficar perseguindo pessoas por aí.

O corpo de Chanyeol gelou e suas pernas ficaram bambas. Ele engoliu em seco, os olhos arregalados, tentando se manter de pé, mas suas pernas pareceram virar gelatina.

— Baekhyun, olha… eu… 

Ah, merda!

Estava parecendo um idiota. Chanyeol tentou abrir a boca, mas nenhuma palavra saía por ela, e a expressão raivosa de Baekhyun não ajudava em nada a sua situação. 

— Você, o que, Park? 

Chanyeol engoliu a seco.

— Olha, eu juro que não estou fazendo por mal.

Baekhyun soltou uma risada sarcástica, afastando o corpo, cruzando os braços em seguida e encarando Chanyeol com a sobrancelha arqueada, esperando alguma explicação que fizesse sentido. Explicação essa que Chanyeol, obviamente, não tinha e por isso não conseguiu formular uma resposta decente. De sua boca saíam apenas resmungos e sua cabeça entrou em combustão com o olhar penetrante do outro.

— Ah, claro que não! Imagine se fosse errado ficar seguindo uma pessoa por aí? — o tom de sarcástico era notável na fala de Baekhyun, que o encarava com um olhar tão raivoso que Chanyeol jurou que morreria ali mesmo. — Anda logo, fala de um vez o que você quer.

Chanyeol engoliu a seco.

— Eu só… eu queria te conhecer melhor. — falou baixo e Baekhyun piscou os olhos várias vezes em descrença — Desde aquele dia na Dancing King não consegui te tirar da cabeça.

Baekhyun soltou uma risada curta, amarga.

—  Acha que não sei exatamente aonde quer ir com tudo isso? Você acha que eu sou idiota?

— O quê? Não, jamais! — Chanyeol rebateu alarmado. — Eu juro que não estou mentindo, Baekhyun, por favor acredite em mim. 

O Byun balançou a cabeça. Fechou os olhos, respirando profundamente; precisava se acalmar e não precisava de mais uma pedra no sapato para o perturbar pelo resto do dia.  Com um olhar frio, Baekhyun disse entredentes: — Fica bem longe de mim, Park, ou vai acabar se arrependendo.

Baekhyun virou as costas, saindo de perto de Chanyeol pisando forte, desaparecendo pelo corredor em segundos e Chanyeol nem se atreveu a se mexer. Suas pernas pareciam gelatinas, não demorando para que descesse e ele arrastasse o corpo na parede até o chão.

Ah, merda.

 

🎶🕺🎶

 

Para a maioria dos alunos, os dias haviam passado tão rápido, que mal notaram. Contudo, para Chanyeol, aqueles dias passaram se arrastando, pior que passos de tartaruga. Principalmente depois do papelão que passou, sendo encurralado por Baekhyun e não conseguindo formular uma frase completa ou ter uma atitude por conta de seu cérebro de minhoca.

Quando voltou ao dormitório, sem os supostos livros que falou a Minseok que buscaria, e com um semblante derrotado no rosto, acreditou que aquele era o fim. Baekhyun não queria olhar na sua cara, nem mesmo o deu chance de se explicar. Não que Chanyeol fosse conseguir tal feito, mas ele tinha aquela pitadinha fé, bem no fundo de seu coração, que conseguiria. Minseok notou que alguma coisa estava errada, mas por não ser tão próximo de Chanyeol, optou por manter-se calado, se resguardando ao dizer que se, caso o colega de quarto estivesse precisando de algumas coisas, que ele tinha total liberdade de pedir-lhe ajuda.

Sehun e Jongade também notaram uma mudança no comportamento do amigo. Os três tinham costume de comer no bloco de engenharia, junto a alguns amigos de Sehun, porém, desde  a semana posterior, Chanyeol parecia amedrontado de passar perto daquele bloco, recusando-se até a passar na calçada. E o que mais surpreendeu a dupla, foram as recusas de convites para saírem para festejar; com inúmeras desculpas de que estava muito ocupado.

“Ocupado é a cabeça do meu pau, Chanyeol.” disse Sehun quando o garoto recusou, de novo, uma ida a Dancing King. 

Com a semana de provas se aproximando, Chanyeol pode usar uma desculpa melhor, esquivando-se dos amigos dizendo que precisava estudar, que estava muitos matéria acumulada, mentira, mas eles não precisavam saber disso. A biblioteca, como esperado, estava lotada e foi quase impossível encontrar uma mesa vazia.

Após muita luta, Chanyeol encontrou uma aos fundos do local, alguns livros ocupavam o lado esquerdo da mesa e ele supôs que apenas uma pessoa estava a usando. Ele então sentou-se na cadeira à frente, tirando seus livros e cadernos da mochila, espalhando os materiais a sua frente.

Abrindo os cadernos, começou a revisar suas anotações, perdendo-se em meio a fórmulas de potenciais químicos, pH, equilíbrio e blá, blá, blá. Estava com a cabeça tão focada, que nem notou a chegada da outra pessoa que estava sentada naquela mesa, sendo tirado de seus pensamentos quando uma pilha de livros foi colocada à sua frente de forma raivosa.

— Eu pensei que havia dito para parar de me seguir, Park.

Chanyeol arregalou os olhos, levantando o rosto e dando de cara com um Baekhyun furioso, de braços cruzados e feição questionadora. O Byun puxou a cadeira que usava antes, sentando-se sem tirar os olhos de Chanyeol.

— E então? — perguntou Baekhyun, impaciente. 

Chanyeol suspirou

— Olha, Baekhyun, dessa vez, juro que não passou de uma coincidência. Precisava de um lugar mais calmo para estudar porque meu colega de quarto está surtando e meus amigos não conseguem ficar em silêncio nos dormitórios — respondeu encarando o Byun firmemente que relaxou o corpo, buscando sinais de mentira na fala de Chanyeol — Não tinha ideia de que era você quem estava sentado aqui, mas se a minha presença está te incomodando, posso sair sem problemas e te deixar em paz.

No instante que terminou de falar, começou a guardar seus materiais, jogando tudo dentro da mochila para sair de lá o mais rápido possível. Não tinha ideia para onde iria, talvez Kyungsoo pudesse o abriga, pelo menos por algumas horas até ter certeza de que Minseok não estaria subindo pelas paredes de tanta ansiedade. Chanyeol empurrou a cadeira, já com a mochila nas costas e com um sorriso envergonhado se levantou.

— Espera, Park — Baekhyun disse rápido, fazendo-o parar e olhar para trás. Baekhyun desviou o olhar, umedecendo os lábios antes de indicar o espaço vazio a sua frente —  Todas as salas de estudo estão lotadas e se sair daqui agora não vai conseguir encontrar outro lugar mais calmo.

Houve uma breve pausa: — E acho que você está falando a verdade, sobre tudo não passar de uma coincidência.

Chanyeol pressionou os lábios numa linha e voltou para o lugar, espalhando seus materiais sobre a mesa de novo. 

— Obrigado. Prometo que não vou incomodar. 

Baekhyun balançou a cabeça.

— Tudo bem.

A tensão não desapareceu por completo, obviamente, mas foi perdendo força conforme as horas passaram. O silêncio tomou conta da dupla, o som do passar de páginas, rabiscos em cadernos e teclas nas calculadoras preenchiam o espaço, ambos estavam tão focados em seus respectivos materiais que praticamente esqueceram a presença um do outro, o que, de certa forma, tirou um peso gigantesco dos ombros de Chanyeol. Aquele momento de silêncio o fez pensar, que realmente não foi uma boa ideia ficar observando Baekhyun de longe como um maluco e o Byun estava completamente certo em ficar com raiva e querer um afastamento. E Chanyeol esperava que ele pudesse o desculpar.

Em dado momento, Chanyeol começou a se agitar, sua perna esquerda balançava enquanto rabiscava números, apagava e os reescrevia frustrado com os resultados que continuavam a sair errados. Essa agitação chamou atenção de Baekhyun, que o encarou por cima dos óculos de leitura, notando como Chanyeol batia a caneta na mesa ou quando encarava a calculadora com o cenho franzido. Baekhyun esticou um pouco o pescoço, conseguindo ver um pouco do material de Chanyeol. Seu movimento, por mais que discreto, chamou atenção do mais novo que o encarou sem entender. Baekhyun apenas esticou a mão, indicando as anotações com a cabeça e mesmo confuso, Chanyeol as entregou. 

Com um olhar rápido, identificou o erro de Chanyeol, um erro simples, mas que acaba confundindo muitas pessoas, ele mesmo já havia errado muitas questões por um descuido como aquele.

— Aqui — Baekhyun pegou uma folha em branco, escrevendo os dados da questão antes de continuar — A fórmula está certa, e a execução também, seu erro foi na conversão de temperaturas e na energia de ativação.

“Lembra que as temperaturas sempre devem estar em Kelvin? Você esqueceu de converter a temperatura dois, que ainda está em Celsius. Mudando isso, temos esses valores.” Escreveu os números um pouco acima da fórmula antes de continuar. “ A energia de ativação​ está em quilojoules por mol, então passe para joules, o que vai facilitar a resolução. Agora, vai ter esse valor e resolvendo essa questão da temperatura, a equação do parenteses e o logaritmo, temos uma razão maior que um, a resposta sendo esse gráfico de variação. Alternativa c.”

— O que confirma a mudança de velocidade conforme aumento da temperatura — concluiu Chanyeol. 

Baekhyun sorriu, afastando-se um pouco: — Bazzinga. Arrhenius não é difícil, só precisa de mais um pouco de atenção, principalmente na conversão de temperatura. Assim como as unidades da equação.

— Uma coisa tão besta como essa me deixando maluco. Sinceramente. — Chanyeol sussurrou. Baekhyun soltou um riso baixo, compadecendo de sua reclamação — Obrigado  De verdade, eu estava quase surtando por não conseguir resolver essa porcaria. Às vezes acredito que esse professor quer me mandar direto para o hospital no final do semestre.

— O professor Hwang? — o outro afirmou e Baekhyun estalou a língua — Tive a mesma impressão quando peguei um semestre com ele. Esse cara parece que sente tesão em ser escroto com qualquer um. Mas você supera, bom, é só não comentar sobre a letra dele ou o seu estranho método de ensinamento que se baseia no “Devo ser temido para ser amado e respeitado.”

Chanyeol segurou o riso, mordendo o interior da bochecha.

— Vou manter isso em mente.

— Disponha.

Os dois então voltaram aos seus respectivos estudos, agora com uma atmosfera mais calma, sem toda aquela tensão e temor de antes. As horas passaram voando, notando que estava anoitecendo quando a biblioteca começou a ficar cada vez mais vazia. Então perceberam que estava na hora de ir embora. Chanyeol não queria chegar muito tarde no dormitório e Baekhyun precisava estar um pouco mais cedo que seu horário normal na Dancing King. 

Arrumaram os materiais em silêncio e saíram lado a lado, caminhando juntos até a entrada da universidade, onde Baekhyun se despediu com um sorriso pequeno e um aceno de cabeça. Chanyeol retribuiu a despedida, colocando as mãos no bolso antes de seguir seu caminho pelo lado oposto, porém, alguma coisa o fez parar e olhar para trás, acompanhando a silhueta de Baekhyun se distanciando.

— Baekhyun! Espera!

O grito de Chanyeol fez Baekhyun parar antes de virar a rua, seu corpo se agitando ao ver o rapaz correr até si. 

— Eu sei que começamos com o pé esquerdo, mas quero que saiba que nada do que falei era mentira. Realmente não consigo te tirar da cabeça desde aquela noite e acabei agindo da forma errada para tentar chamar sua atenção para, sei lá, conversarmos sobre alguma coisa. Cheguei a ler alguns de seus trabalhos sobre física nuclear.

Baekhyun riu fraco, cruzando os braços.

— E você entendeu? — ergueu uma sobrancelha.

— Nem uma palavra.

A risada alta de Baekhyun acalmou o coração ansioso de Chanyeol, que conseguiu relaxar o corpo e encarar o mais velho com mais confiança.

— Quero mostrar a você que estou sendo sincero, que pode confiar em mim. 

Baekhyun deu um passo a frente, ficando tão perto de Chanyeol que o outro conseguía sentir sua respiração quente bater em seu rosto. As orelhas de Chanyeol ganharam um tom avermelhado e Baekhyun sorriu, achando a coisa mais adorável.

— Então saí comigo. 

A fala deslizou feito água pela língua de Baekhyun.

— Sair? — Chanyeol repetiu, surpreso.

— Sim, mas não agora, na sexta da próxima semana, quando as provas acabarem — Baekhyun deu de ombros, tentando parecer indiferente. — Podemos tomar um sorvete ou comer alguma coisa, se for do seu agrado.

Chanyeol piscou algumas vezes, tentando assimilar o que estava acontecendo, mas seu cérebro parecia que havia sido batido numa máquina de milkshake. Ele abriu a boca várias vezes, mas nada saía, até que respirou fundo e respondeu:

— C-claro! — a voz saindo mais alta do que o esperado. —Quer dizer — tossiu nervoso, tentando não transparecer seu nervosismo —, sexta está ótimo, mas aonde te encontro?

Baekhyun sorriu de lado.

— Você vai saber — falou por fim, virando o corpo e acenou de costas, olhando para trás uma última vez — Até sexta, Park Chanyeol e dessa vez, sem esconderijos.

Chanyeol ficou parado por alguns segundos, observando Baekhyun desaparecer pela rua. Estático, sem entender o que tinha acabado de negócio. O sorriso veio de repente, largo demais para ser contido. Sua respiração começou a acelerar junto de seu coração, que batia tão forte que conseguia ouvir um zumbido em seu ouvido.

Ainda meio sem rumo, começou a caminhar em direção aos dormitórios da faculdade. Tropeçando várias vezes nos próprios pés durante o percurso, mas sem tirar o sorriso enorme dos lábios.

E quando finalmente entrou no prédio, subindo as escadas correndo até seu quarto, escorando-se na porta quando entrou, fechou os olhos por um segundo, só para ter certeza de que aquilo não era um delírio. Para ter certeza de que não acordaria em sua cama; de que tudo não passava de um sonho.

E mesmo se fosse, ele não queria mais acordar.

 

🎶🕺🎶

 

Quando Baekhyun disse que saberia onde ele estaria, Chanyeol não deu muita bola, eles nem haviam combinado um horário para se encontrarem, porém, como marcado, na sexta, logo após o final das provas, quando os alunos estavam desesperados para chegar em casa e comemorar as semanas de paz que teriam até as provas finais, Chanyeol o encontrou, ou melhor, foi encontrado por ele. Baekhyun o esperava sentado em uma das mesas de pedra da entrada do bloco de farmácia, a bolsa pendurada de forma desleixada em seu ombro esquerdo enquanto o encarava com um sorriso provocativo, meio bagunçado devido ao pirulito em sua boca.

O coração de Chanyeol disparou ao vê-lo, suas mãos começaram a soar enquanto seu peito começava a subir e descer rapidamente. De forma automática, Chanyeol levou as mãos ao cabelo, resmungando um palavrão ao sentir as pontas meio duras, se arrependendo amargamente de ter colocado tanto gel antes de sair de casa. Ao seu lado, Sehun e Jongdae estranharam a atitude de Chanyeol, porém, quando subiram o olhar e viram Baekhyun caminhando até eles, os dois se entreolharam e não conseguiram seguram o riso. Entendendo finalmente o motivo de Chanyeol estar todo emperiquitado e com a ansiedade de um hamster. 

Antes que o Byun chegasse até eles, a dupla, sorridente, bateu nos ombros de Chanyeol, dizendo-o para aproveitar o dia. E, claro, que Sehun não se controlou a soltar uma piada que deixou Chanyeol com as orelhas mais vermelhas que tomate. Desejaram boa sorte e saíram de perto do amigo, rindo ainda mais da cara de paspalho dele quando Baekhyun ficou frente a frente a ele. Chegava a ser patética a imagem de um homem de quase dois metros esfregando as mãos ansiosas na calça.

Com um sorriso confiante nos lábios, Baekhyun cumprimentou Chanyeol: — Espero que esteja com fome, porque vai comer o melhor samgyeopsal da sua vida.

O restaurante, que na realidade era uma tenda nos fundos de uma casa, era um pouco longe do centro da cidade, por isso decidiram pegar um ônibus até o lugar. O trajeto foi tranquilo, não conversaram muito, somente faziam breves comentários sobre as aulas, seus amigos e, claro, a Dancing King. Chanyeol perguntou o por que de estra trabalhando numa casa noturna até tão tarde, queria saber se aquela rotina não atrapalhava seus estudos.

Baekhyun, levantando-se para apertar o botão de parada antes de responder Chanyeol com um sorriso sincero: — Gosto de observar as pessoas vivendo, é como se conhecesse um pouco de cada um, a forma que dançam, que patinam, tudo me conta um pouco sobre. É divertido ver a vida passar diante de seus olhos.

E Chanyeol não poderia esperar uma resposta melhor.

O cheiro da carne junto a temperos trouxe a Chanyeol uma sensação familiar; como se estivesse de volta para casa, nos braços de sua mãe, comendo a sua comida deliciosa. As conversas preenchiam o ambiente de forma confortável. Baekhyun disse que Junmyeon foi quem o apresentou o lugar num dia que estava com saudades de casa; foi como encontrar ouro, lembrava-se de sentir o corpo relaxar no instante que pisou ali. Era um lugar especial e Baekhyun estava feliz em compartilhá-lo com Chanyeol.

Enquanto conversavam, não parecia que haviam se conhecido realmente a poucos dias, era como se fossem amigos de longa data redescobrindo os gostos alheios. Os assuntos pareciam não ter fim, um tópico engatava com o começo de outro. Conversaram sobre suas bandas e gêneros musicais preferidos, o que rendeu um Chanyeol indignado que Baekhyun não curtia tanto os Beatles como ele, assim como Baekhyun pensou que seria impossível um ser humano não gostar de ballads

O assunto música pulou para filmes e logo se viram em mais uma briga, com Baekhyun rindo do gosto nerd de Chanyeol com séries de ficcção cientifca e Chanyeol reclamando que muitas novelas eram superestimadas, brincando que Baekhyun parecia uma senhorinha que sabia os horários de todas as novelas possíveis.

O tempo passou despercebido, os pratos iam e vinham assim como as palavras de suas bocas. Compartilhavam desejos e inseguranças tranquilamente e quando deixaram o restaurante, com o vento gelado da noite batendo em seus rostos, estavam mais leves e animados para se conhecerem mais. Após aquelas horas, Baekhyun pode perceber que Chanyeol era de fato uma boa pessoa, não tinha culpa de ser um bobão que parecia agir sem pensar na maioria das vezes, rindo alto quando voltou ao assunto da “perseguição”. 

Após as aulas, caminhavam lado a lado, perambulando pelo campus, às vezes conversando, outras aproveitando o silêncio e a calmaria da companhia um do outro, compartilhando banalidades e alguns burburinhos que começavam a surgir pelos corredores. 

Alguns que diziam sobre o gênio da física e o queridinho da farmácia estarem passando tempo demais juntos, outros fofocavam que Chanyeol queria se aproveitar do status de aluno brilhante de Baekhyun para crescer na universidade, como se ele precisasse disso, outros diziam era o Byun que estava usando a popularidade do outro para deixar seu nome rodar por mais bocas e ouvidos. Sendo sinceros, não ligavam para o que aquelas pessoas estavam dizendo, apreciavam a companhia um do outro e isso era o bastante.

Chanyeol o levou à sua loja de CD’s e discos preferida, parecendo uma criança mostrando a Baekhyun suas capas de álbuns preferidas, curiosidades sobre as artes. Baekhyun achava adorável a forma que Chanyeol ficava quando falava de algo que gostava, o sorriso de canto a canto do rosto, os olhos arregalados como frutinhas e as mãos que não paravam quietas. Além de detalhes mais discretos, tão sutis que ele mesmo se surpreendeu ao notá-los: Quando nervoso, Chanyeol mexia na pele do dedo indicador da mão direita, quando muito animado batia as mãos nas pernas feito criança.

Chanyeol adaptou-se ao universo Byun Baekhyun mais rápido do que imaginava. Adorava passar horas ouvindo-o falar sobre seus trabalhos, relatórios e seu dia no laboratório. Passando a esperá-lo nas escadas que levavam aos laboratórios, sentindo uma alegria sem igual tomar conta de seu peito quando via Baekhyun caminhar até ele com um sorriso no rosto. Sem contar que a presença de Chanyeol na Dancing King tornou-se algo regular, fazendo companhia a Baekhyun sentado no bar ou o acompanhando no começo de seu turno.

Junto ao tempo, a proximidade ganhou novas formas e atos, geralmente por toques, que iniciaram sutis, como os abraços ao final de cada saída, os ombros encostando quando andavam lado a lado. Logo evoluíram para carinhos no cabelo, que Baekhyun descobriu amar passar horas enrolando os fios escuros de Chanyeol em seus dedos enquanto o mais novo descansava a cabeça em colo, completamente entregue ao carinho.

A aproximação não passou despercebido pelos amigos dos dois e como consequência, os grupos passaram a se esbarrar mais e mais vezes pela faculdade ou fora dela. As saídas entre eles começaram a ser mais frequentes, assim como os almoços no refeitório e as tardes caminhando pelo campus. Com Chanyeol e Baekhyun mais a frente conversando, presos eu seu mundinho cor de rosa. 

— Agora, contemple o invencível. São cinco contra três, Baekhyun, aceita de uma vez que sou o melhor jogador de Super Mario desse país. 

Baekhyun revirou os olhos com ironia, movendo a língua dentro da boca em frustração; deixando o controle de lado para bater palmas de forma sarcástica.

— Bravo, bravo, Park Chanyeol, pela sua estranha sequência de vitórias. 

Chanyeol riu alto, balançando a cabeça. 

— Não fique tão sentido assim, Baekhyun. — fingiu um bico, a fala carregada em deboche — Infelizmente, um mestre numa conta os seus segredos e por isso, vai ficar sem saber as minhas infalíveis técnicas.

Baekhyun estalou a língua, mostrando o dedo do meio para Chanyeol que começou a gargalhar.

Os dois estavam sentados no chão do quarto de Chanyeol, aproveitando que Minseok precisou ir para casa naquele dia para resolver um assunto de família e voltaria apenas no dia seguinte. Os garotos passaram o dia juntos, como de praxe, e quando estavam indo embora, Chanyeol perguntou se Baekhyun não queria fazer alguma coisa diferente naquele dia. O Byun pensou que visitariam algum lugar fora do restaurante e sorveteria que estavam acostumados a ir, então acabou aceitando, porém, quando Chanyeol o levou para seu dormitório e estendeu para ele um controle de videogame, não conseguiu se segurar e riu até saírem lágrimas de seus olhos.

E ali eles ficaram, jogando por toda a tarde e enchendo a barriga de porcarias, que com toda certeza daria algum tipo de problema mais tarde, mas pouco se importavam. 

Como um competidor orgulhoso, Chanyeol não perdeu tempo em se gabar de suas inúmeras vitórias e recordes batidos, desafiando Baekhyun a batê-los e Baekhyun, tão competitivo quanto ele, aceitou de muito bom grado, mas com uma condição, o perdedor teria que fazer o que vencedor quisesse.

— Vai preparar alguma coisa pra gente comer enquanto pensa no seu prêmio, ó, grande vencedor.

Chanyeol deu um leve soco em sue ombro antes de levantar, carregando as tigelas de doces vazias consigo para a pequena cozinha do quarto. Abriu a geladeira em busca de algo realmente comestível para eles, xingando baixo ao perceber que apenas tinha resto de suco, algumas bebidas e potes com restos de comida congelada. 

Bom. Vou ter que me virar com isso. Pensou ele ao pegar os potes de comida. Espero que Baekhyun não se importe em comer Doenjang Jjigae com o pior tempero do mundo. 

Chanyeol estava distraído demais para perceber qualquer coisa além do ensopado gelado, que não percebeu Baekhyun se aproximando em passos lentos. Apenas notou a presença dele, quando sentiu braços envolverem seu peito, a voz de Baekhyun abafada em suas costas. 

— O quê? — perguntou ao não entender o que ele havia dito e virou o corpo — Pode repetir, Baekhyun? Não enten-

Antes que Chanyeol pudesse terminar a frase, Baekhyun o puxou pela gola da blusa, acabando com a distância entre eles, suas mãos subindo até se fecharem no pescoço dele, beijando-o como desejava. Chanyeol levou alguns segundos para entender o que estava acontecendo, seus olhos arregalados igual bolinhas de gude, mas que logo se fecharam. Suas mãos agarraram a cintura de Baekhyun, puxando-o para mais perto, sentindo Baekhyun relaxar em seus braços. 

Suas bocas moviam-se com fome, desesperadas para saciar aquele sentimento que atravessava seus corpos. Quando a língua de Baekhyun tocou a sua, Chanyeol derreteu, soltando um gemido baixo entre os lábios do outro, que riu rente a eles com a reação. Em algum momento, Chanyeol acabou sentado na bancada, sem que ele ao menos notasse,  a comida gelada descongelando ao lado dele e ele nem ao menos ligava, principalmente por ter Baekhyun entre suas pernas, apertando sua cintura, o beijando com ainda mais fome, o que fez precisar apoiar as mãos no mármore gelado para poder se equilibrar. 

— Acho que… — Chanyeol começou nos breves segundos que descolou sua boca de Baekhyun. Estava sem folego, mal conseguindo sentir o ar entrar em seus pulmões —, o jantar vai ter que esperar um pouco.

Baekhyun riu alto, mordiscando o lábio inferior dele: — Vai ter que esperar bastante.

Os dois riram alto, voltando a se beijar, dessa vez com mais calma, aproveitando o calor um do outro, os toques curiosos e incertos, buscando saber onde tocar e o que fazer. Não sabiam há quanto tempo estavam naquilo, mas acabaram na cama de Chanyeol, lado a lado, beijando-se como se houvesse algum tipo de saudade ali

— Baekhyun… — Chanyeol sussurrou, esfregando o nariz no de Baekhyun.

O mais velho suspirou, abrindo os olhos, encarando Chanyeol com um sorriso singelo: —Hm?

— Acho que gosto de você.

O silêncio que veio depois pareceu longo demais. Baekhyun não respondeu de imediato, ficando em completo choque, afastando-se um pouco do toque de Chanyeol por conta da surpresa. Os olhos de Baekhyun brilhavam feito as luzes da pista de dança da Dancing King, passeando por todo o rosto de Chanyeol, como se buscasse alguma mentira naquelas palavras, sentindo o coração falhar ao encontrar apenas um semblante envergonhado e ansioso.

Chanyeol engoliu em seco, rindo sem graça

— Quer dizer… — começou, apressado, a voz falhando—, se você não sentir o mesmo, tá tudo bem. De verdade. Eu só queria que soubesse. Sabe que não gosto de esconder o que sinto, que sou péssimo para explicar meus sentimentos e que… — respirou fundo, percebendo que  estava falando mais do que pensando —, só queria que soubesse disso. Mas, se está desconfortável, a gente pode fingir que nada disso aconteceu e que…

Ele não conseguiu terminar a frase. Baekhyun jogou o corpo sob o dele, o abraçando com força. 

Chanyeol conseguia sentir o corpo dele tremer, então retribuiu o aperto, envolvendo sua cintura Baekhyun falou algo baixo, quase inaudível, mas ergueu a cabeça, com os olhos sorrindo mais do que os lábios.

— Eu… também gosto de você, Chanyeol. Gosto tanto que sinto que meu coração vai explodir a qualquer momento. E-eu só não sabia como te contar.

Os dois riram alto, não conseguindo conter a felicidade que explodia em seus peitos quando voltaram a se beijar. Baekhyun tremia, não conseguia deixar as mãos quietas, que apertavam o cabelo de Chanyeol, puxando os fios numa tentativa de disfarçar o nervosismo. Chanyeol não estava muito diferente, na realidade, queria chorar de alegria, ansiedade, um misto de emoções que não saberia descrever. 

Não sabia o que aconteceria dali pra frente, mas desde que tivesse o calor de Baekhyun ao seu redor, sabia que tudo ficaria bem.





🎶🕺🎶

 

Tonight

I wanna give it all to you

In the darkness

There's so much I wanna do

And tonight

I wanna lay it at your feet

'Cause, boy, I was made for you

And, boy, you were made for me

 

PARTE III

I  Was Made For Lovin’ You

Suwon, Gyeonggi-do

Coreia do Sul

1989/90

 

Chanyeol estava tão nervoso naquele começo de tarde, que tudo o que falavam com ele entrava por um ouvido e saia pelo outro, as tampas de suas canetas estavam todas mordidas, um acalento para suas unhas escaparam da ansiedade porque odiava a ideia de voltar a roê-las. Os pensamentos estavam tão embolados quanto os novelos de lã da cestinha de sua avó e todos eles envolviam a mesma pessoa: Byun Baekhyun. 

E qual era o problema?

Isso Chanyeol também estava querendo descobrir e teria mais sucesso em sua busca se o xis da questão não tivesse evaporado do universo.

Há quase duas semanas não tinha notícia dele, chegou até a ir ao bloco de física da universidade para ver se conseguiria encontrá-lo. Sua busca, no entanto, resultou em mais uma tentativa frustrada, nem mesmo seus colegas sabiam dizer onde ele estava; uns diziam que Baekhyun quase não estava aparecendo para a maioria das aulas enquanto outros diziam que ele estava passando tanto tempo preso no laboratório que com toda certeza havia se fundido com a bancada. 

E pelo laboratório de física nuclear ser restrito aos discentes de física, Chanyeol não tinha como ir até lá. Sem contar que até mesmo os professores não falavam muita coisa, diziam que assuntos pessoais de seus alunos não eram do interesse deles, então, pouco tinham a ajudar.

Chanyeol chegou até a passar na Dancing King, ficando surpreso ao descobrir que Baekhyun também não havia aparecido por lá naquelas duas semanas e pelo bufar do dono do lugar, se o Byun não desse as caras logo, as coisas ficariam muito ruins para o lado dele. E a contra gosto, Chanyeol teve de prometer ao chefe de Baekhyun que se tivesse notícias de seu paradeiro, deveria avisá-lo o quanto antes.

Frustrado, Chanyeol suspirou longamente, jogando a cabeça para trás, os pés batendo ansiosos no chão que pareciam estar fazendo um batuque na sua cabeça. 

Esfregou o rosto nervoso, sua cabeça estava a mil e não conseguiria mais prestar atenção em mais nada. As palavras nos livros a sua frente pareciam ter vida própria e pareciam sair das páginas e embaralhar sua cabeça. Largou a caneta na mesa e fechou o livro que, entre várias aspas, estava lendo enquanto tentava distrair a cabeça de qualquer pensamento que envolvesse Baekhyun e seu sumiço repentino. Já passavam das cinco da tarde, mas para ele, o dia se arrastou feito lesma.

Encarou o telefone pregado na parede ao lado da porta, torcendo para que ele tocasse e quando Chanyeol atendesse fosse Baekhyun, com sua voz agitada, o chamando para caminharem ou tomarem um sorvete como das outras vezes. Porém, como esperado, o silêncio prevaleceu no quarto e Chanyeol acreditou que se ficasse mais alguns minutos ali, surtaria. 

Batucou os dedos na mesa várias vezes, o som saindo cada vez mais alto e ele agradeceu por Minseok estar ocupado estudando na biblioteca do campus, pois tinha certeza que se o mais velho estivesse ali, Chanyeol já estaria com diversas marcas de beliscões por não ficar quieto. Mas, o que ele poderia fazer? Tudo parecia ficar ainda mais confuso enquanto pensava, ou melhor, tentava lembrar se acabou falando ou fazendo alguma coisa que por algum motivo chateou Baekhyun e o Byun resolveu aplicar o tratamento do silêncio.

Sua parte racional acreditava que nada havia feito, nada que fugisse de suas atitudes normais ou que fosse machucar Baekhyun. Apertou a boca numa linha fina, sua garganta secando em agonia e o coração começando a acelerar e para piorar, seu lado sentimental começou a perturbá-lo, dizendo que sim, ele havia feito alguma coisa e agora Baekhyun o odiava, e na melhor das hipóteses, queria fazer picadinho dele.

Estava quase quebrando as paredes quando a voz de Sehun veio em sua cabeça, dizendo: “Chanyeol você é um homem ou uma minhoca, porra? Vira gente e vá resolver os seus pepinos feito um homem de verdade”. E pela primeira vez, em anos de amizade, Chanyeol, finalmente, acreditou que Sehun estava certo. Não que aquela fala tenha alguma coisa a ver com a situação, mas acabou encaixando perfeitamente, por grande e pura coincidência do universo.

Iria pagar uma rodada de bebidas para o amigo depois caso tudo se resolvesse.

Precisava encontrar Baekhyun e Chanyeol tinha em mente um plano e esperava que a pessoa que estava prestes a procurar, colaborasse. 

 

🎶🕺🎶

 

Não. 

Chanyeol respirou fundo, controlando a vontade de bater a própria cabeça na mesa daquela lanchonete. A sua frente, Kwon Eunbi o encarava com os braços cruzados e cara fechada, o suco de abacaxi a sua frente praticamente intocado

Como melhor amiga de Baekhyun, Chanyeol acreditava que Eunbi, com toda certeza, saberia onde ele estava e se sentiu muito idiota por não ter a procurado assim que sentiu aquela preocupação inicial.

Antes de sair de casa, telefonou para Jongdae, mal deixando o amigo entender o que estava acontecendo, já que acabou se assustando com a voz afobada de Chanyeol no telefone perguntando se ele sabia se Eunbi teria alguma aula naquela tarde, ficando ainda mais confuso quando Chanyeol nem ao menos se despediu quando recebeu sua resposta. Porém, conhecendo a mente do melhor amigo, pouco ligou, ficaria sabendo o que estava acontecendo cedo ou tarde.

Chanyeol então correu para a faculdade, quase chorando de alívio ao ver a garota saindo de sua aula de cálculo. A reação de Eunbi foi outra. Quando seus olhos encontraram a figura desengonçada de Chanyeol correndo até si, sentiu o corpo travar no lugar e os olhos arregalaram-se, quase pulando de seu rosto. 

— Podemos conversar, Eunbi? É sobre o Baekhyun. 

Bom, e ali estavam eles, sentados frente a frente numa das mesas velhas de uma lanchonete perto da faculdade, com Eunbi com a cara mais fechada possível e Chanyeol tão nervoso que sentia que poderia explodir. 

— Eunbi, por favor, eu preciso saber onde ele está — respirou fundo, a voz trêmula — Vou acabar surtando por não ter notícias dele a quase duas semanas, por favor, apenas me diga se ele está bem.

A mulher soltou um longo suspiro, jogando o cabelo para longe de sua testa. Engoliu a seco, os olhos desviando da figura de Chanyeol por alguns instantes antes de encará-lo novamente. 

— Se acalma seu coração, sim, Baekhyun está bem. Ele me ligou hoje cedo — falou Eunbi, finalmente bebendo um pouco de seu suco (Chanyeol gostaria de verdade entender a fixação daquele trio com abacaxi, com toda certeza não era nada normal). Chanyeol continuou a encarando, esperando que ela falasse mais alguma coisa — O quê? Isso não quer dizer que eu vou dizer onde ele está, Park. 

Chanyeol apertou os olhos com os dedos.

— Eunbi, eu sei que você não me curte muito e que está apenas tentando proteger seu melhor amigo e eu entendo isso, mas eu posso te assegurar que apenas quero o bem dele — a voz de Chanyeol saiu baixa, nervosa, quase falhando — Eu gosto do Baekhyun, de verdade e não saber o que está acontecendo com ele, se ele precisar de alguma coisa está me matando! Então, por favor, me fala onde ele está. E-eu me ajoelho se quiser e imploro aos seus pés.

Eunbi acreditou que Chanyeol estava brincando, mas quando viu o Park sair de sua cadeira e praticamente se jogar em seus pés, com as mãos juntas em frente ao seu rosto, a garota se desesperou. 

— Tá maluco, Park? Levanta! — exclamou, o rosto ficando quase roxo de vergonha ao notar que as pessoas ao redor começavam a encarar a cena com curiosidade e tudo o que ela menos queria era ter que lidar com boatos de que agora estava maltratando outros alunos da instituição. — Levanta, levanta, anda, bora.

Eunbi soltou o ar que prendia pela boca.

— Tudo bem, vamos com calma, sim? Sem se jogar no chão, tudo bem?

Chanyeol assentiu envergonhado.

A garota mordeu o interior das bochechas, se sentindo um pouco mal por estar traindo a confiança do melhor amigo, mas ao ver a figura tão miserável de Park Chanyeol, literalmente, se ajoelhando aos seus pés para ter o mínimo de notícias sobre Baekhyun, Eunbi notou que ele realmente poderia estar falando a verdade e assim ela esperava. 

— Ele está no apartamento dele. Como bolsista do laboratório, recebe uma quantia significativa que ajuda a pagar o aluguel — a garota abriu a bolsa e de lá pegou seu estojo, tirando uma caneta e um pedaço de papel, anotando rapidamente algumas palavras antes de estender o papel para Chanyeol — Esse é o endereço com número do apartamento. A chave reserva fica debaixo do tapete do lado esquerdo. Eu sei, previsível demais, vivo dizendo isso a ele, mas você sabe como a cabecinha dele funciona.

Os dois soltaram risos envergonhados. Eunbi o encarou mais uma vez, o olhar transbordando de preocupação, seu coração estava pesado e por gostar muito de Baekhyun, não era capaz de esconder o que sentia relacionado a ele.

— Estou confiando a você uma das melhores pessoas que conheço, Park Chanyeol e se, por alguma razão, eu acabar sabendo que o magoou, juro irei até o inferno para acabar com você.

Chanyeol segurou a mão dela, a respiração já acelerada. 

— Eu prometo. Você não vai se arrepender de ter me contado, Eunbi e pode ficar relaxa que Baekhyun jamais, nem mesmo em outra vida, sentiria raiva de você.

 

🎶🕺🎶

 

Chanyeol correu como se o mundo estivesse acabando atrás de si. No instante que soltou as mãos de Eunbi saiu em disparada para fora do campus, gritando desculpas para todas as pessoas que acabou esbarrando pelo caminho. Suas pernas pareciam ter vida própria. Conforme atravessava as ruas e praticamente voava pelas calçadas, Chanyeol reconheceu o caminho, estava relativamente perto da Dancing King. “Por isso que Baekhyun disse que não se importava em trabalhar até tão tarde”, pensou ele. 

Encarou o papel um pouco amassado em suas mãos, notando que, supostamente, havia chegado. 

O complexo de apartamentos era pequeno, era certo que os apartamentos não eram muito espaçosos, muito menos luxuosos. Avistou algumas senhoras conversando em frente ao pequeno prédio, passou por elas com seu maior sorriso, tentando ao máximo disfarçar seu nervosismo.

Obviamente foi parado por uma delas, querendo saber quem era e o que fazia ali tão afobado e Chanyeol, tomado pela ansiedade e adrenalina a mil em suas veias, respondeu que estava atrás do amor da vida dele antes de sair em disparada até o sexto andar, não se importando em subir seis lances de escada, ignorando também a dor ao bater o corpo diversas vezes nas paredes ou nos canos expostos do lugar.

Quando se deu conta, estava de frente para a porta do apartamento de Baekhyun. O número 614 pregado na parede ao lado da porta pareceu assustá-lo por alguns instantes, era a certeza de que agora não havia mais volta, que estava a poucos passos de resolver aquela situação. 

Ainda com os dedos trêmulos, se agachou, movendo o tapete em busca da chave reserva, quase chorando ao sentir o objeto gelado nas mãos. Levou a chave até a fechadura, o coração disparando no peito quando escutou o típico som de destrave e empurrou a porta com cuidado, como se ela pudesse quebrar com aquele movimento tão comum. Com cuidado, entrou no apartamento, deixando seus sapatos perto da porta, fechando-a devagar. 

O espaço revelou-se num único cômodo, onde sala e cozinha dividiam o mesmo lugar. A cozinha, no outro lado do apartamento, se estendia em linha reta: um balcão estreito com uma pia de metal, um fogão compacto de duas bocas e, acima, armários baixos, e ao lado deles, uma geladeira de aparência antiga, com a porta coberta por cartões postais, fotografias e imãs diversos.

A sala, igualmente pequena, separada da cozinha por uma mesa quadrada com três cadeiras encostadas na parede pintada em tons claros de amarelo, encontrava um sofá pequeno, de apenas dois lugares, com uma manta e algumas almofadas coloridas decorando. Uma televisão velha em cima de um pequeno raque enfeitava a parede de frente do sofá, assim como as paredes lotadas de mais quadros, tanto de fotografias quanto de imagens aleatórias.

No meio da pequena sala, havia uma mesinha de centro, que, diferente da arrumação perfeita do local, estava lotada de livros e anotações de física, folhas de cadernos amassadas, lápis e canetas. Contudo, não foram os livros que chamaram a atenção de Chanyeol, mas sim os maços de cigarros jogados ao lado delas e o Park pode notar um cinzeiro jogado aos pés do sofá e pelas cores das cinzas ali jogadas, parecia ter sido usado recentemente.

A sua esquerda notou duas portas, que acreditou levarem uma para o banheiro e outra para o quarto de Baekhyun e pela luz que saía por debaixo da porta, teve certeza que Baekhyun estava em um deles.

— Eunbi? Jun? São vocês?

A voz abafada de Baekhyun pareceu tirar Chanyeol de órbita e ele quase desmaiou quando uma das portas se abriu e por ela saiu um Baekhyun secando os cabelos, vestindo uma blusa larga de moletom e um short verde-escuro.

— Chanyeol?

Por semanas a rodo, Chanyeol planejou o que perguntaria a Baekhyun quando, finalmente, o encontrasse, porém, todas as palavras desapareceram como se tivesse esquecido de como falar a própria língua.

Baekhyun também não estava muito diferente. Ao escutar o som da porta s abrindo, penou que fossem seus amigos, afinal, em sua concepção, apenas eles sabiam onde ele guardava a chave reserva, mas, o silêncio que sucedeu à entrada, causou certa desconfiança. Junmyeon e Eunbi não eram o tipo de pessoas muito discretas, e por muito menos entrariam em silêncio numa casa que já estavam mais do que acostumados a frequentar. 

 O Byun esperava de tudo, menos encontrar Park Chanyeol parado no meio da sua sala.

Não estava em seus pensamentos encontrar com Chanyeol tão cedo. Tinha plena noção de que devia a ele uma boa explicação sobre seu sumiço, precisava dizer a ele que não estava brincando com os seus sentimentos. Não era esse tipo de pessoa, não era um babaca que simplesmente sumia depois de uma sequência de encontros e beijos.

Baekhyun engoliu a seco, não conseguindo erguer a cabeça para encarar Chanyeol como deveria. Sua garganta queimava e sua respiração começou a acelerar.

Chanyeol então tomou a frente, caminhando em passos lentos até estar frente a frente a Baekhyun.

— Acho que precisamos conversar.

 

🎶🕺🎶

 

Baekhyun colocou os copos de água na mesinha de centro e Chanyeol sorriu brevemente em agradecimento. 

O silêncio entre eles era constrangedor, na verdade, pior do que isso. As mãos de Baekhyun repousava em seu colo, os dedos arrancando alguns fiapos da barra do short. Por mais que quisesse, não conseguia erguer a cabeça e encarar Chanyeol como ele merecia. A vergonha tomou conta de seu corpo e em sua garganta, um bolo começava a se formar e seus olhos já ardiam pelas lágrimas que já se acumulavam. 

— Chanyeol, eu…

— Me desculpa…

Acabaram falando ao mesmo tempo. 

— Pode falar primeiro — disse Chanyeol, mas Baekhyun balançou a cabeça.

— Por que está se desculpando, Chanyeol? — perguntou Baekhyun, engolindo a seco, fungando um pouco — Sou eu quem deveria me desculpar, te deixei sem respostas, a ver o bonde passar na rua da amargura.

Chanyeol balançou a cabeça.

— Você com toda certeza deve ter tido seus motivos e tudo bem, vou entender se não quiser me ver mais. Principalmente se pisei na bola e acabei te chateando.

Baekhyun o interrompeu: — Do que você está falando, Chanyeol?

— Como assim? Oras, se deixou de falar comigo, é porque fiz algo que o chateou.

— Do que você está falando, Chanyeol? Eu não estou bravo com você. 

— Não? — perguntou Chanyeol.

— Não! Nunca em mil anos. 

Chanyeol o encarou confuso, os olhos escuros movendo para todos os lados. Baekhyun tinha certeza que se forçasse mais um pouco, conseguiria ver as engrenagens na cabeça de Chanyeol mexendo-se o mais rápido possível para tentar entender a situação.

— Então, não está com raiva de mim? — Baekhyun negou, rindo fraco. 

— E eu tenho motivos para ficar, Chanyeol?

— Sim? Não? Não sei. — soltou um suspiro longo — A-acho que passei dos limites com você, te seguindo, te beijando fora de hora, vomitando meus sentimentos em você sem saber se estava no momento para ouvi-los ou, sei lá.

Baekhyun soltou uma risada alta. Toda a ansiedade foi soprada de seu corpo. O Byun moveu-se para sentar-se ao lado do outro e segurou o rosto de Chanyeol com as duas mãos, encarando o rosto do outro com os olhos brilhando e um sorriso maior que o mundo.

— Chanyeol, presta atenção, você não fez nada de errado e se eu te beijei foi porque eu quis, você não ultrapassou limite nenhum nesse quesito — Baekhyun acariciou as bochechas dele — Mas, aceito as desculpas pela pequena perseguição, você estava parecendo um maluco.

Dessa vez, foi Chanyeol quem riu alto, balançando a cabeça em concordância. Tinha que admitir que havia passado do limite nessa questão.

Chanyeol abraçou Baekhyun pela cintura, escondendo o rosto na dobra de seu pescoço, suspirando feito um cachorrinho quando sentiu o cheirinho do shampoo de morangos de Baekhyun junto do carinho que os dedos longos do rapaz faziam em seu cabelo. Ficaram abraçados por alguns minutos, sentindo o calor de seus corpos aquecendo seus corações.

As mãos acariciavam as peles expostas sem malícia, queriam apenas sentir e ter a certeza de que realmente estavam ali. Baekhyun agora estava em seu colo, as pernas entrelaçadas em sua cintura, sorrindo envergonhado enquanto sentia Chanyeol distribuir beijos por seu rosto, pescoço e lábios.

Contudo, Baekhyun ainda não havia contado a Chanyeol o que realmente havia acontecido, não queria continuar com aquele peso nas costas.

— Mas, ainda lhe devo uma explicação, Chanyeol. — Baekhyun falou sério, quebrando o silêncio. 

— Baekhyun, não precisa.

Baekhyun o interrompeu colocando um dedo em sua boca.

— Mas eu quero e você merece saber.

O Byun saiu do colo de Chanyeol, sentando ao lado dele.

— Meu pai tinha uma livraria antes da guerra. — Baekhyun esticou o braço e pegou um dos porta-retratos que estavam no rack, ao lado da televisão. Chanyeol pode ver na fotografia um homem na casa dos seus vinte anos, parecido com Baekhyun, mas com roupas mais fechadas, um suéter e calça de alfaiataria. Ao lado dele estavam um casal mais velho, que sorriam orgulhosos a frente de uma vitrine repleta de livros. — Era um negócio de família. Ele herdou do pai, que herdou do avô e por aí vai. Essa foto foi tirada no aniversário de vinte e poucos anos dele. 

“Não vou dizer que era o tipo de negócio mais lucrativo do mundo, mas era o que movia nossa família. Meu pai dizia que a livraria ajudou muitas pessoas a encontrarem um refúgio em tempos difíceis e que isso era mais valioso que dinheiro. Segundo ele, a livraria estava sempre cheia, com pessoas perambulando pelas prateleiras, folheando livros, conhecendo pessoas novas; era um lugar cheio de vida. Porém, depois da guerra, as pessoas precisavam gastar seu precioso dinheiro com coisas mais importantes do que livros e então, meu pai teve de fechar as portas. Não conseguíamos mais sustentar o lugar.

“Meu pai não suportou perder o fruto do trabalho árduo do avô, sentia que havia o decepcionado. Aquela livraria havia aguentado e sobrevivido a quase o fim do mundo, e acabou quando esteve em suas mãos”, Baekhyun fez uma pausa. “Ele tentou de tudo, para recuperar o negócio,  por quase onze anos, mas falhou, ficando sem rumo. Quando criança, lembro dele ainda tentar uma reabertura, mas não tínhamos dinheiro para comprar novos livros, imagina para fazer propagandas de algo que as pessoas pareciam estar perdendo o interesse. E quando percebemos, ele não voltava mais tarde para casa porque estava procurando um jeito de salvar a livraria, mas sim, porque havia passado a noite bebendo por aí, gastando todo o dinheiro que carregava nos bolsos.”

Chanyeol virou a mão de Baekhyun, entrelaçando os dedos dele aos seus. Depois, encarou o Byun, tentando reconfortá-lo.

— Tentamos de tudo, mas as coisas estavam ficando cada vez mais difíceis e ainda tínhamos medo de meu pai, num momento de embriaguez, arrumar confusão na rua ou até mexer com gente perigosa. Meu irmão trabalhava feito porco para conseguir trazer um pouco de dinheiro para casa e para tentarmos custear um tratamento decente pro meu pai, mas nada funcionava. Ver meu pai daquele jeito e não poder fazer nada, acabou comigo. Eu desabei, parei de estudar ou de tentar ver a luz no fim do túnel. Eu não queria mais viver, Chanyeol; não mais aquela vida miserável, mergulhada em agonia e incerteza e acabei procurando refúgio na coisa errada.

Baekhyun umedeceu os lábios, sentindo a garganta arder. 

— Os cigarros? — supos Chanyeol.

— Eles acabavam com os meus problemas naqueles minutos. Como se a fumaça da queima estivesse os levando para longe — Baekhyun esfregou as têmporas — Mas, um vício é um vício, ele machuca as pessoas ao seu redor e no meu caso, foi a minha mãe.

“Ela chorou tanto, Chanyeol, parecia que haviam fincado uma faca em seu peito. Ela gritava, se perguntando o que havia feito para que, agora, o universo estivesse tentando acabar com seu filho mais novo. Vê-la naquele estado foi como a morte. Então percebi que continuar naquilo, seria a minha morte em poucos anos. Por ela, escolhi voltar a ser quem eu era, mesmo que tivesse que passar anos recolhendo os cacos do que fui um dia. 

“Não foi fácil, sabe, o começo, achei que iria morrer. Já não sei quantas vezes havia pensado em desistir, mas ver o semblante dela um pouco mais relaxado, sabendo que pelo menos eu estava tentando, já me motivava a continuar. Precisei encontrar outra forma de distrair a cabeça, ai que entram os pirulitos. Sempre que sentia vontade, colocava um na boca e tentava continuar a vida. Eu voltei a estudar, a trabalhar, fiz o vestibular e passei para a faculdade.”

— No começo, fiquei apreensivo em sair de casa e deixar minha família. Meu irmão já estava trabalhando e mandava dinheiro todo mês para ajudar minha mãe, que passou a fazer pequenos trabalhos de corte e costura para complementar a renda e ajudar no tratamento do meu pai. Mas, mamãe me assegurou que estava tudo bem, que ela daria um jeito — disse Baekhyun. — E ela deu. Me ajudou com a mudança e mais um pouco. Quando passei para o projeto no laboratório, acreditei que passaria mal. Aquele dinheiro seria mais uma ajuda e as coisas pareciam finalmente estar caminhando para o lugar certo. 

Baekhyun fez uma longa pausa.

— Mas, aquela paz acabou. No começo do mês passado, recebi uma ligação do meu irmão dizendo que nosso pai havia voltado a beber após meses sem tocar numa garrafa e eu acabei ficando sem rumo, de novo. E como as coisas pareciam que não poderiam piorar, meu orientador me chamou para conversar, dizendo que era possível que nosso projeto fosse encerrado e eu perderia a bolsa. E sem o dinheiro da bolsa, o aluguel dessa caixa de sardinha iria pro saco e a ajuda para casa também.

“Juntei algumas coisas e fui correndo para casa para ajudar meu irmão e acabei ficando mais tempo do que imaginava, sem cabeça para ligar ou mandar, sei lá, um fax. Falei com Eunbi e Junmyeon antes de ir embora e quando voltei, minha cabeça estava tão lotada que, acreditei que você não gostaria mais de falar comigo depois de eu passar semanas sem dar notícias. E quando voltei, estava roxo de vergonha de te encarar e ver seu olhar decepcionado. Me desculpe.”

Chanyeol balançou a cabeça em negação. Com o polegar acariciou o queixo de Baekhyun, beijando sua boca levemente.

— Você não tem que se desculpar, Baekhyun. Sua família sempre vai estar em primeiro lugar e você também estava com outros problemas para resolver.

Baekhyun resmungou.

— Eu deveria ter te ligado. Você provavelmente achou que eu era um babaca que queria apenas uns beijos seus e que se aproveitou do seu bom gosto para restaurantes e encontros.

— Baekhyun, está tudo bem, de verdade — afirmou, beijando as mãos do Byun com ternura — Não posso dizer muito sobre a situação de seu pai, mas torço para que ele saía logo dessa e tudo volte a ser como era antes, ou um pouco melhor. Agora, quanto ao seu projeto, fique calmo, as coisas vão dar certo e ele será continuado, você não vai perder a sua bolsa. Na verdade, vai ganhar mais um prêmio para ser pendurado na parede dessa sala.

Baekhyun abaixou a cabeça envergonhado.

— Ainda preciso me resolver com meu chefe. Se eu for mandado embora, juro que vou quebrar aquele globo prateado na cabeça dele.

Chanyeol balançou a cabeça, rindo alto.

Seus dedos encontraram o rosto do Byun, acariciando sua bochecha antes de puxá-lo para um beijo longo. O corpo de Baekhyun derreteu, gemendo baixo com o contato enquanto envolvia o pescoço de Chanyeol, o trazendo para mais perto, apertando seu corpo como se quisesse se fundir a ele. Não havia pressa, aproveitavam aquele toque com uma saudade que não cabia no peito. Baekhyun fechou os olhos com força, sentindo o alívio se espalhar pelo corpo, como se cada toque fosse a afirmação de que tudo estava bem, que as coisas, finalmente, foram conversadas. 

As mãos de Chanyeol tremiam levemente ao segurá-lo, e Baekhyun achou aquilo tão adorável. A forma com ele o segurava, como apertava sua cintura, os beijos que tomavam sua boca, bochechas, maxilar, pescoço, fazendo-o arfar e soltar alguns gemidos baixos rente do ouvido de Chanyeol. Aqueles toques queimavam sua pele, traçavam um caminho invisível por onde passavam.

Tudo em Chanyeol mexia com seu coração.

— Chanyeol, quer fazer uma coisa um pouco maluca?

Baekhyun perguntou assim que cortaram o contato, tentando acalmar sua respiração.

Os lábios avermelhados, cabelo bagunçado e respiração descompassada. Aquela imagem fez o coração de Chanyeol pulsar ainda mais rápido, não aguentando não deixar de beijar aqueles lábios novamente. Baekhyun ria durante o beijo bagunçado, mordeu levemente lábio inferior de Chanyeol antes de se separar. 

Chanyeol arqueou a sobrancelha, curioso, porém, antes mesmo de conseguir perguntar qualquer coisa, Baekhyun se levantou segurado Chanyeol pela mão, fazendo-o levantar também.

— Vou trocar de roupa e você comece a tirar as bicicletas dos cadeados. Desço em dez minutos. — falou, piscando um dos olhos. Chanyeol arqueou a sobrancelha, seguindo o caminhar de Baekhyun até ele estar frente a porta do quarto.

Tomado por uma animação e curiosidade sem igual, Chanyeol apenas concordou, caminhando até Baekhyun, agarrando-o pela cintura para beijá-lo novamente. Parecia um viciado naquela maldita boca.

— E o que está planejando?

Baekhyun sorriu malicioso, segurando o rosto dele antes de enfiar sua língua na boca alheia mais uma vez. 

— É uma surpresa. — sussurrou entre os lábios antes de empurrar Chanyeol e fechar a porta de seu quarto. 

Chanyeol soltou um riso alto, lambendo os lábios para continuar sentindo o gosto dos lábios de Baekhyun antes de ajeitar suas roupas e fazer o que lhe foi pedido. 

 

🎶🕺🎶

 

Era estranho ver a Dancing King daquela forma: em silêncio, sem o típico barulho de passos animados, os sons das risadas e conversas, um tanto escura sem o seu show de luzes coloridas, contudo, Chanyeol achou aquele silêncio acolhedor de certa forma. Atrás de si, Baekhyun trancava a porta com cuidado, sorrindo bobo para ele enquanto recostava o corpo na porta. 

Chanyeol sorriu, aproximando-se tão lentamente que Baekhyun acreditou que morreria. As mãos do Byun estavam atrás de seu corpo, o molho de chaves pendurado em um de seus dedos, quando Chanyeol parou a sua frente, as prendeu no cós da calça para que pudesse envolver o pescoço do Park com mais firmeza. 

As mãos ásperas de Chanyeol subiram por seu maxilar, descendo um pouco e passeando por seu pescoço até seu polegar tocar a boca de Baekhyun, acariciando o lábio inferior. Baekhyun, sorriu em provocação e envolveu o dedo de Chanyeol com a boca, não tirando os olhos do rosto do outro que quase foi ao céu com aquele ato tão simples. 

Baekhyun levou uma das mãos ao rosto de Chanyeol, o segurando pelo queixo para puxá-lo para perto, quebrando a distância entre eles que parecia sufocá-los. 

As mãos do Park logo correram para apertar a cintura de Baekhyun, que por sua vez grunhiu em resposta e puxou o cabelo de Chanyeol, o prendendo ainda mais naquele beijo. Os sons dos estalos e suspiros sôfregos eram as únicas coisas que ecoavam pela Dancing King.

O gelado dos anéis de Baekhyun causavam arrepios na pele quente de Chanyeol quando o Byun apertava suas bochechas ou acariciava sua nuca, e a sua única resposta era gemer em satisfação rente àquela boca maldita e apertar aquela cintura que cabia perfeitamente no aperto de suas mãos. 

Chanyeol desceu os beijos pelo rosto de Baekhyun, revirando os olhos ao sentir o perfume dele desprender de seu corpo, ficando ainda mais aéreo quando beijou o pescoço de Baekhyun, sendo agraciado pelo som mais lindo que poderia ouvir, um gemido manhoso e baixo do Byun, que atravessou sua cabeça e bagunçou todo seu cérebro. Desceu os beijos até o pomo de Adão do outro, sorrindo ao sentir Baekhyun apertar seus braços e puxar seu rosto para cima, o encarando com os olhos repletos de desejo.

E quando se deram conta estavam novamente aos beijos, dessa vez mais agitados; ansiosos por mais daqueles toques.

— Chanyeol — Baekhyun resmungou sôfrego, respirando fundo e revirando os olhos atrás das pálpebras quando o Park beijou sua orelha — Chanyeol…

— Hm…?

Chanyeol não estava bem da cabeça, tudo parecia ter se apagado ao redor dele e tudo que se passava dentro dela era Baekhyun. Apenas Baekhyun. O cheiro dele, os toques, os sons, o gosto. Estava tomado.

— Chanyeol, não viemos aqui pra isso — Baekhyun falou após tomar coragem de se separar do abraço do Park, rindo alto quando o outro escondeu o rosto na dobra de seu pescoço.

— E por que me chamou aqui, senhor Byun, se não foi para me encher de beijos? 

Baekhyun revirou os olhos e beijou Chanyeol mais uma vez, mordendo o lábio inferior do outro no final. O Byun se afastou, segurando a mão de Chanyeol até que ambos estivessem perto do ringue de patinação. O Byun sorriu antes de ir para perto do sistema de som da Dancing King, e logo uma melodia começou a ecoar por aquelas paredes.

 

Aah

Yeah

Woo

Hey yeah

Haa

Ooh yeah

Ah-ha

Yeah

I wanna dance

 

Chanyeol sorriu fraco, aproximando-se devagar de Baekhyun que fazia seu caminho para dentro do ringue. O rapaz também havia ligado as luzes coloridas, então o local estava repleto de cores arco-íris e a típica bola brilhante no centro do ringue, refletia seu brilho por todas as paredes. 

— Bom, você não me tirou pra dançar naquela noite e pode ter certeza que fiquei bem decepcionado com isso, Park Chanyeol.

Baekhyun encostou o corpo em uma das grades do ringue, os dedos passeando pelo metal gelado enquanto os olhos encaravam Chanyeol ardendo feito chamas. 

 

Clock strikes upon the hour

And the sun begins to fade

Still enough time to figure out

How to chase my blues away

I've done alright up 'till now

It's the light of day that shows me how

And when the night falls, loneliness calls

 

Chanyeol sorriu bobo, aproximando-se devagar de Baekhyun, pegando a mão livre do rapaz, brincando com os dedos finos. Segurou a mão e a levou até sua boca, beijando levemente a pele quente, ainda sob o olhar perfurante do outro. 

— Byun Baekhyun, você me concede a honra de dançar comigo?

Baekhyun sorriu e o peito de Chanyeol se aqueceu como se o coração estivesse em chamas.

O Byun soltou devagar a mão que Chanyeol segurava para apertar o rosto do rapaz antes de puxá-lo para um beijo.

— Achei que nunca pediria — soprou rente aos lábios quentes de Chanyeol.

 

Oh, I wanna dance with somebody

I wanna feel the heat with somebody

Yeah, I wanna dance with somebody

With somebody who loves me

Oh, I wanna dance with somebody

I wanna feel the heat with somebody

Yeah, I wanna dance with somebody

With somebody who loves me

 

Pela milésima vez naquele dia, desde que havia encontrado Baekhyun, Chanyeol sorriu feito idiota. Com uma das mãos, puxou Baekhyun para o meio do ringue. Os dois sorriram bobos enquanto sentiam a música tomar conta de seus corpos, uma corrente elétrica atravessando os nervosos conforme se moviam no ritmo da música. 

Ora dançavam juntos, com as costas de Baekhyun coladas ao peito de Chanyeol, que arrastava o nariz na pele um pouco suada do pescoço de Baekhyun, apreciando o cheiro que desprendida dela; seu coração quase explodindo tamanha alegria. Às vezes dançavam separados, frente a frente, como se estivessem numa batalha de dança, a qual Baekhyun tinha certeza que Chanyeol ganharia, afinal, seus passos desengonçados eram o ponto principal.

 

I've been in love and lost my senses

Spinning through the town

Sooner or later, the fever ends

And I wind up feeling down

 

Não sabiam ao certo quanto tempo ficaram dançando, percorrendo aquele ringue de ponta a ponta, mas, seus pés cansados juntos da playlist, que já havia acabado e só podia se ouvir o som de suas respirações agitadas. 

Os dois estavam deitados no ringue, as cabeças encostadas, os peitos subindo e descendo rapidamente devido ao cansaço, mas a euforia estampada em seus rostos, explodindo em seus corações, era suficiente para sobrepor a dormência que começava a surgir. 

Chanyeol levou a mão à testa, sentindo a palma molhar um pouco devido ao suor. E riu. Simplesmente não aguentou a enxurrada de emoções que tomou conta de seu peito.

Ao seu lado, Baekhyun o encarou confuso.

— O que foi? — perguntou baixo, a sobrancelha arqueada em curiosidade.

Chanyeol virou o rosto para encará-lo, os olhos brilhando mais que lantejoulas e sua mão acariciou o maxilar do outro.

— Apenas estou feliz — disse ele — Tão feliz que sinto que poderia dançar por uma semana seguida ou até meus pés caírem. 

Baekhyun sorriu, inclinando o rosto para beijar os lábios sorridentes de Chanyeol.

— Vou dispensar seu convite dessa vez, meus pés estão me matando e acredito que se tentar dançar por mais cinco minutos, sentirei vontade de arrancá-los — riu alto, já começando a sentir a dormência tomar conta de seus dedos. Mesmo com o cansaço tomando conta de seu corpo, Baekhyun levantou, caminhando até o sistema de som, o desligando, trazendo, enfim, o silêncio atípico para a badalada Dancing King. — Está ficando tarde e precisamos sair logo daqui, não quero nem imaginar se meu chefe descobrir que estávamos gastando a energia da mina de ouro dele.

Chanyeol encarou o relógio em seu pulso direito antes de levantar.

— Acho que nem mesmo se eu correr, vou conseguir pegar o último ônibus de volta para o campus e ainda precisamos levar as bicicletas de volta.

Baekhyun mordeu o lábio inferior, a proposta dançava em sua língua, ardente feito chama.

— Se quiser… pode dormir lá em casa hoje. O apartamento é pequeno, como sabe, mas garanto que é confortável. E  é melhor do que passar a madrugada esperando algum  ônibus no ponto vazio, além de ser mais seguro sair pela manhã.

— Não quero que pense que estou aceitando a proposta por outro motivo, Baekhyun — Chanyeol falou. Agora, suas mãos descansavam na cintura do outro, que sorriu para tranquilizá-lo.

— Jamais pensaria isso de você, Chanyeol, acredite. — afirmou Baekhyun. 

Um peso saiu das costas de Chanyeol, não queria causar mais um mal-entendido. 

Os dois não demoraram para começar a arrumar as coisas: guardaram os patins, passaram um pouco de cera no ringue, da forma mais preguiçosa possível, mas que Baekhyun assegurou que estava tudo bem antes de conferirem todos os sistemas de luz e som, afinal, não queria que aquela coisa pegasse fogo.

Quando deixaram a Dancing King, o relógio de Chanyeol marcava uma e quarenta da manhã, o que significava que as ruas estavam ainda mais desertas, contudo, não pareciam se importar, pedalar calmamente pelas ruas vazias, conversando futilidades e jogando palavras ao vento. 

Ao chegarem ao pequeno conjunto onde Baekhyun morava, tomaram cuidado ao prender as bicicletas e subirem as escadas, tudo o que Baekhyun menos queria era ter de escutar fofocas ao seu respeito vindas das senhorinhas do prédio. 

— Vou pegar toalhas limpas pra você e acho que ainda tenho algumas blusas velhas do irmão aqui, não acho que as minhas vão caber em você. 

Em questão de minutos, ambos estavam de banho tomado, sentados no chão em meio a almofadas enquanto comiam os sanduíches feitos por Baekhyun. Comeram em silêncio, a luz fraca de um dos abajures da sala alimentava a atmosfera calorosa. Chanyeol sentiu-se estranhamente confortável, como se aquele momento fosse algo rotineiro, como se já fosse parte de sua vida comer ao lado de Baekhyun.

Enquanto comiam, Baekhyun se abriu mais, contou a Chanyeol algumas histórias de sua infância em sua cidade natal e de suas pegadinhas nos tempos da escola, e da sua vida amorosa que parecia ter saído de um filme de comédia de baixo orçamento.  Por diversas vezes, Chanyeol quase se engasgou com a comida ou água de tanto rir.

Conversaram sobre como foi a reação de seus pais ao descobrirem sua sexualidade. Chanyeol contou que sua mãe reagiu como ele já imaginava, em choque e descrença, mas que mesmo sem entender muito bem, buscava compreender as razões de seu filho. Seu único desejo era que fosse feliz. Diferente de seu pai, que por pouco não o espancou, mas que agora já era uma página virada em sua vida. Era bem resolvido quanto a isso e já era um homem crescido e feito, então a opinião de seu já não importava mais.

Para Baekhyun as coisas foram diferentes, seus pais já desconfiavam de alguma coisa, mas preferiam não falar nada para deixar Baekhyun ter o seu tempo. Quem soube primeiro foi Baekbeom, seu irmão mais velho, que o encontrou chorando no quarto após sua primeira decepção amorosa com um garoto de sua turma — que mais tarde, Baekhyun descobriu que seu choro era resultado de perceber  que não se importaria em namorar aquele garoto ou a garota que sua paixonite havia se declarado —, Baekhyun desabou no colo do irmão que o escutou em silêncio até que o adolescente se acalmasse. Ao contrário do que imaginava, Baekbeom apenas sorriu, dizendo que não importava o que ou quem Baekhyun gostasse, ele ainda era o seu irmão caçula e Baekbeom estaria disposto a mover o mundo caso alguém o machucasse. 

Chanyeol se permitiu aproveitar mais daquele momento de ligação, percebendo que era mais parecido com Baekhyun do que imaginava. Pôde conhecer mais sobre o Byun, entender o que se passava na cabeça daquele rapaz, seus medos e sonhos. E, por Deus, não imaginava que pudesse ficar ainda mais apaixonado por ele.

Quando os ponteiros marcaram as duas e meia da madrugada, Chanyeol e Baekhyun perceberam que estava na hora deitarem. Por mais que sentissem os corpos cansados, ansiosos para um descanso merecido, suas mentes estavam a mil, como se não quisessem desligar, acreditando que tudo não passava de um sonho ou alucinação. Com medo de estar pulando etapas demais, Chanyeol insistiu que dormiria sem problemas no sofá, e que arrumaria a sala no instante que acordasse.

Baekhyun balançou a cabeça, desacreditado e revirando os olhos, arrastou Chanyeol pela manga da blusa até seu quarto, ignorando os protestos e as orelhas vermelhas de vergonha de Chanyeol.

O quarto de Baekhyun era exatamente como Chanyeol imaginava que seria. Era pequeno, assim como o restante do apartamento, uma mesinha abarrotada de livros ficava a direita, ao lado de um guarda-roupa, prateleiras com alguns livros estavam pregadas na parede acima da mesinha e, praticamente colada à parede da janela, uma cama um pouco maior que de solteiro.

Porém, o que chamou a atenção de Chanyeol foram os diversos pôsteres colados na parede branca, pôsteres de bandas e cantores que Chanyeol mal conseguia identificar todos. Eram artistas de pop, rock, estrangeiros e coreanos, uma mistura tão bagunçada que era a cara de Baekhyun.

Em cima da mesinha ao lado da cama, estava um cd player. Curioso, Chanyeol apertou o botão de ligar, um clique seco, seguido de um breve silêncio antes da música começar a tocar. 

— Madonna? 

A melodia de Crazy For You chamou a atenção de Baekhyun, que arrumava os cobertores e travesseiros. Baekhyun riu fraco, dando de ombros com um sorriso no rosto.

— Um dos melhores álbuns dela, se me permite ser um pouco clubista. 

Chanyeol franziu o nariz, balançando a cabeça em negação. 

— Dessa vez, vou precisar discordar de você. Todos sabem que Like a Virgin é bem melhor.

Baekhyun revirou os olhos, rindo fraco: — Previsível demais, Chanyeol, pode ter certeza.

Em passos lentos, Chanyeol se aproximou, estendendo a mão com um sorriso leve nos lábios. Baekhyun balançou a cabeça, aceitando o toque, entrelaçando as mãos quando foi guiado para o meio do pequeno cômodo. Eles começaram a balançar levemente, deixando-se guiar pelo ritmo da música. 

As mãos de Chanyeol envolveram a cintura de Baekhyun ao mesmo tempo que o Byun passava os braços por seu pescoço, esticando o rosto para tomar sua boca,  abrindo mais a boca quando ele enfiou a língua na sua, gemendo em satisfação. Baekhyun o beijava como se quisesse se fundir a ele, as mãos ora seguravam cada canto de seu rosto, ora subiam até seu cabelo, puxando os fios, arrancando de Chanyeol um grunhido que reverberou por todo o corpo de Baekhyun, atiçando ainda mais. 

Não perceberam que a música havia parado, muito menos quando acabaram caindo na cama de Baekhyun, com Chanyeol por baixo enquanto o dono casa se ajeitava em seu colo enquanto beijava sua boca como se quisesse devorá-lo. Baekhyun parecia faminto. Baekhyun o beijava com intensidade, mal dando tempo para respirar. Contudo, o peito ardendo por falta de ar ou invés de deixá-lo nervoso, causou um efeito em Chanyeol que foi refletido diretamente em seu pau que começava a endurecer na calça de moletom. 

As mãos afoitas de Baekhyun logo se livraram da blusa de Chanyeol, as unhas finas arranhando a pele que conseguia alcançar, ao mesmo tempo que começava a se mover lentamente, rebolando sob ele. Os beijos de Baekhyun desceram por seu maxilar, chegando até seu pescoço, onde traçaram uma linha invisível de tremores antes de se fecharem, chupando a pele branca até que começasse a ganhar uma coloração avermelhada; repetindo o processo por onde conseguia chegar. 

O arfar arrastado que Baekhyun deixou em seu ouvido, foi o estalo para Chanyeol compreender o que estava acontecendo, quebrando o contato ao se afastar de Baekhyun. O Byun o encarava confuso, a respiração cortada, os fios escuros bagunçados para todos os lados, os lábios avermelhados pelos beijos. 

— Que porra, Chanyeol?

Chanyeol piscou várias vezes, tentando acalmar seu coração que batia feito louco enquanto tentava desviar o olhar da elevação aparente nos shorts de Baekhyun, junto da pressão que aquela maldita bunda fazia em sua pelve. Encostou a cabeça no ombro do outro, respirando fundo, de olhos fechados. 

Confuso, Baekhyun o afastou com delicadeza, encarando aqueles olhos escuros que pareciam assustados.

— O que foi? 

Baekhyun perguntou preocupado. Chanyeol subiu o olhar, passeando por sua boca vermelha até seus olhos. Engoliu a seco, respirando profundamente antes de responder: — De novo, não quero que pense que aceitei seu convite para dormir aqui apenas para transar com você, Baekhyun. Aceitei porque te quero perto, sinto que vou explodir só de sentir o seu toque e… e eu quero fazer isso direito.

Chanyeol abaixou a cabeça, sentindo os dedos começarem a tremer e os olhos se encherem de lágrimas, o medo tomando conta de seu corpo. Sua cabeça dizendo que ele havia estragado tudo.

— Acha mesmo que se eu não estivesse confortável, já não teria pedido para parar, Park Chanyeol. — Baekhyun segurou o rosto dele, forçando-o a o encarar — Então, para de tentar ser um cavalheiro numa armadura prateada e apenas me beija.  

“Não quero que pense que estou te beijando apenas pelo calor do momento. Eu quero. Quero sentir você por inteiro, incendiando cada parte minha, então, por favor, não para.”

Aquilo foi o suficiente para Chanyeol jogar tudo para o alto, tomando a boca de Baekhyun num beijo feroz, apertando o corpo magro contra o seu, como se ele fosse desaparecer caso o soltasse. Apertava a cintura sem delicadeza alguma, uma parte sua torcendo para que as marcas de seu toque ficassem pintadas na pele dele para sempre.

A língua de Baekhyun era quente, e se movia numa sincronia perfeita com a sua, as duas pareciam dançar, movendo-se em desespero assim como as mãos que apertavam com certa força braços, cintura; o corpo do Byun queimava por inteiro, um fogo que se alastrava por cada membro, cada ponta. Baekhyun levou uma das mãos ao pescoço de Chanyeol, apertando-o devagar enquanto se acomodava melhor no colo dele, mexendo-se levemente para frente e para trás, sorrindo entre o beijo ao escutar um gemido arrastado escapar da boca de Chanyeol, que tentava descontar o que sentia apertando sua cintura. 

Chanyeol estava em êxtase. Suas mãos não paravam quietas, subiam por dentro da blusa de Baekhyun, apertando a pele quente que conseguia tocar, os arfares altos que saíam de sua boca, que ele não sabia se eram de prazer ou pelo ar que começava a fazer falta por conta do aperto de Baekhyun, mas que ele estava pouco se fodendo. Queria sentir tudo e um pouco mais, queria conhecer cada canto de Baekhyun, descobrir o que ele gostava, onde deveria tocá-lo, descobrir como amá-lo como deveria. 

Suas mãos desceram pelo quadril dele, buscando o cós do short largo que Baekhyun usava, deslizando os dedos longos por dentro da roupa, não conseguindo conter o sorriso de satisfação ao perceber que Baekhyun não usava cueca. Apertou a bunda de Baekhyun com força, sentindo um pouco da carne escapar por entre seus dedos, sendo agraciado por um gemido baixo rente a sua boca, o aperto em seu pescoço diminuindo por alguns segundos. 

As marcas dos dedos de Baekhyun eram visíveis no pescoço de Chanyeol e o Byun não conseguía não sentir orgulho de seu feito. Abaixo de si, totalmente entregue aos seus toques, estava o que jurou ser a imagem mais bela do mundo: Park Chanyeol, com as bochechas vermelhas e olhos tomados pelo desejo, o encarava como se fosse devorá-lo, seu coração palpitou em satisfação. Mal conseguía acreditar na visão que estava tento, não acreditando que havia o deixado daquele jeito com poucos toques. 

Sem desviar o olhar, Baekhyun pegou dois dedos de Chanyeol, beijando a ponta antes de colocá-los em sua boca, chupando-os como um de seus malditos pirulitos de abacaxi. Chanyeol quase foi ao céu. Baekhyun chupava aqueles dedos com vontade, subindo e descendo a língua, e quando acreditou estarem molhados o suficiente, sem tirar os olhos de Chanyeol, levou as falanges para dentro de seu short, percorrendo o meio de suas bandas até que acertassem sua entrada, contornando o lugar antes de inseri-los devagar. Baekhyun resmungou sobre seu colo, se contorcendo enquanto jogava a cabeça para trás, a boca aberta num gemido mudo. 

Ao sentir o calor e o aperto de Baekhyun, Chanyeol grunhiu, sendo tomado por um desejo inexplicável, que rasgava sua alma, a corrompendo. Chanyeol moveu os dedos devagar, massageando as paredes quentes, agraciado com gemidos arrastados em seu ouvido e pedidos de que continuasse; que tudo estava tão gostoso. Seu corpo estremeceu, sua ereção doía por debaixo da calça de moletom. Estava enlouquecendo. 

Num movimento rápido, tirou os dedos de dentro de Baekhyun, que gemeu a contragosto, mas que mal teve tempo de pensar quando teve sua blusa sendo puxada para sua cabeça, o pano sendo arremessado para longe ao mesmo tempo que Chanyeol tomava sua boca num beijo ferroz. A língua dele invadindo sua boca com certa brutalidade. Baekhyun gemeu entre o beijo, suas mãos subiram pelo cabelo Chanyeol, onde puxou os fios com força quando sentiu os dedos de Chanyeol subirem por sua cintura, contornando suas curvas até chegarem seus mamilos, apertando-os com força. Um gemido alto foi engolido pela boca de Chanyeol, que tremeu levemente.

Baekhyun mordeu o lábio inferior de Chanyeol, antes de encará-lo novamente. Um sorriso lascivo nascia em lábios e sem muita dificuldade, empurrou o corpo de Chanyeol para trás. O Byun afastou um pouco o corpo, apenas para tirar o restante de suas roupas, jogando a cueca para Chanyeol, que tomado pelo prazer, agarrou o tecido e o cheirou. Baekhyun sentou-se sobre a elevação em sua pelve, gemendo arrastado ao sentir o tecido do moletom raspar em sua pele sensível. Seu pau pingava, a glande lambuzada brilhava aos olhos de Chanyeol que sentiu a boca seca, não conseguindo desviar os olhos. 

Notando para onde Chanyeol olhava, Baekhyun sorriu travesso. Suas mãos começaram a acariciar o próprio corpo, passando por seu pescoço, mamilos, descendo devagar até uma delas agarrar o próprio pau, começando a masturbá-lo com lentidão, a mão subindo e descendo, apertando a glande com certa força. Os gemidos de Baekhyun ecoavam pelo quarto, reverberavam nas orelhas de Chanyeol, que sentia o próprio pau doer em excitação, praticamente implorando para ser tocado. Enquanto se masturbava, Baekhyun movia o quadril levemente, fazendo Chanyeol jogar a cabeça para trás, gemendo contra o travesseiro, suas mãos apertando o quadril de Baekhyun com força.

Baekhyun parou os movimentos, sentindo a mão melecada e riu consigo mesmo, arrastando os dedos pelo peitoral desnudo de Chanyeol até que estivessem na boca do Park, forçando os lábios que foram abertos de bom grado. Chanyeol gemeu sofrego ao sentir o gosto do líquido seminal de Baekhyun em sua boca, os dedos finos dele forçando sua garganta. 

O Byun tirou os dedos de sua boca, um fio de saliva conectando os dedos a boca e com a mesma mão, apertou as bochechas de Chanyeol. Deitou o corpo, raspando sua boca na de Chanyeol, mordendo o lábio inferior dele no processo.

— Agora você vai ficar bem quietinho enquanto eu me divirto um pouco  — O tom era carregado de tesão. Baekhyun, não deixando de encarar Chanyeol desceu os dedos até raspar as pontas na ereção de Chanyeol, soltando um riso ao sentir o tecido úmido. Seus dedos entraram no moletom, apertando a quentura do membro de Chanyeol que soltou um gemido dolorido, apertando os braços de Baekhyun; estava prestes a explodir. — Quietinho e eu prometo que recompenso você, Park Chanyeol. 

Baekhyun lambeu o rosto de Chanyeol, antes de ajeitar a cabeça dele nos travesseiros e quando Chanyeol percebeu o que estava prestes a acontecer, teve que respirar fundo para não acabar gozando ali mesmo. Baekhyun se ergueu sobre os joelhos, enquanto Chanyeol arrastava o corpo para o meio da cama, dando o espaço necessário para que Baekhyun pudesse segurar seus cabelos com força ao soltar o peso de seu corpo sobre a boca ansiosa de Chanyeol. 

Uma onda de sensações tomou conta de Baekhyun e ele gemeu, um gemido tão fundo que arranhou sua garganta. A respiração quente de Chanyeol contra sua pele, causando arrepios enquanto procurava uma forma de se mover, a boca molhava o local e quando a língua de Chanyeol forçou sua entrada e Baekhyun gritou ao sentir o músculo molhado atravessar sua entrada, movendo-se em desespero. Com um sorriso satisfeito nos lábios, Baekhyun apertou ainda mais o cabelo de Chanyeol, encarando-o de cima, gemendo ao encarar o olhar de puro prazer do outro. 

Sem tirar os olhos dele, começou a se mover, arfando ao sentir a língua ir cada vez mais fundo dentro de si. Seus dedos finos usavam os cabelos de Chanyeol como apoio enquanto se movia em desespero, sentindo correntes elétricas atravessarem seu corpo com tanta força que acreditou que infartaria. As mãos de Chanyeol, desesperadas para se agarra em algo, encontraram lugar nas nádegas de Baekhyun, apertando-as com força antes de deixar tapas ardidos, que ecoaram por todo quarto, unindo-se a sinfonia molhada da língua de Chanyeol na entrada de Baekhyun.

O Byun jogou o corpo um pouco para trás, apertando a cabeça de Chanyeol as pernas, rebolando a bunda contra a língua que o fodia com maestria e desespero. Uma de suas mãos deixou o cabelo de Chanyeol e foi até o cós do moletom, descendo-o um pouco, libertando, finalmente, o pau de Chanyeol, que estava vermelho após tanta negligência. Os dedos longos de Baekhyun acariciaram a extensão, gemendo ao sentir a quentura contra eles antes de agarrar o pênis dele, apertando a carne. O ato fez Chanyeol soltar um gemido, preso pelas paredes molhadas do outro, a mão de Baekhyun subindo e descendo por sue pau, numa masturbação torturante, apertando a glande, que riu ao sentir mais liquido seminal melecar sua mão.

Baekhyun gemeu alto ao sentir a língua de Chanyeol, finalmente, acariciar sua próstata. Seus gemidos, já altos, tornaram-se gritos e ele estava pouco se fodendo caso seus vizinhos começassem a  fazer fofocas sobre os barulhos indecentes vindos de seu apartamento. Nada mais importava mais do que sentir aquela língua maldita dentro de si, praticamente o devorando. Chanyeol parecia faminto. Apertava a bunda de Baekhyun com tanta força que com toda certeza acabaria deixando marcas, seu corpo erguia-se em reflexo, buscando alguma forma de alívio para sua ereção dolorida. Foi quando Baekhyun largou seu pau e agarrou sua cabeça com mais força, movendo-se tão rápido que Chanyeol, que já estava sentindo o pulmão arder por falta de ar, acreditou que morreria sufocado. 

O corpo de Baekhyun deu uma guinada quando ele gozou, os jatos de porra manchando seu abdômen, uma parte caindo por seu membro e por consequência no rosto de Chanyeol, que gemeu em deleite. Baekhyun deixou o corpo cair para o lado, as pernas bambas e trêmulas, a boca seca junto da garganta ardendo pelos gritos que soltou.

Sua cabeça estava uma bagunça. 

Tudo nela girava em torno de Chanyeol. O toque de Chanyeol; os dedos; a boca; o toque dele.

Passou a mão no rosto, rindo consigo mesmo ao sentir o molhado de suor misturado a lágrimas que nem percebeu que haviam descido. Seu corpo estava tomado por um prazer tão intenso que mal conseguia pensar. Ao seu lado, Chanyeol ainda tentava processar o que havia acontecido, seu rosto molhado por saliva e pelo gozo de Baekhyun, e ele não poderia se importar menos com isso. Seu peito explodia em sensações tão fortes que não sabia como descrever.

Estava tão preso na sua bolha que não sentiu os dedos de Baekhyun acariciarem sua coxa, subindo devagar até chegarem a sua ereção, apenas quando o outro apertou seu membro, Chanyeol voltou a realidade como um estalo. Sem que ao menos notasse, Baekhyun havia descido sua calça totalmente, deixando-o igualmente nu. Baekhyun virou-se na cama, arrastando o corpo até estar entre as pernas de Chanyeol, encarando com intensidade o rosto corado do outro e sem desviar o olhar botou a língua para fora, arrastando o músculo pelo pênis de Chanyeol, que arqueou o corpo em resposta, soltando um gemido arrastado. O Byun fechou os olhos, arrastando o rosto pelo membro molhado, distribuindo beijos pela extensão enquanto apertava as coxas de Chanyeol, fincando as unhas na pele quente.

— Baekhyun, por favor. — A voz de Chanyeol saiu fraca, lágrimas começavam a descer por seu rosto. A barriga de Chanyeol subia e descia, a respiração bagunçada, os dedos apertando os lençóis com tanta força que as dobras de seus dedos estavam brancas.

Baekhyun riu travesso, segurando o pau de Chanyeol pela base, deixando um beijo demorando na glande vermelha que expeliu mais pré-gozo em seus lábios.

— O que, Chanyeol? — Perguntou fazendo bico, num falso tom de preocupação — Preciso que seja mais específico no que deseja, sei que sou um gênio, mas ainda não consigo ler os seus pensamentos.

Chanyeol choramingou. 

— Por favor… —  falou ainda mais baixo, segurando o próprio pau, raspando a extensão molhada pelo rosto de Baekhyun que o encarou com mais malícia. — Por favor, Baekhyun, eu não estou aguentando mais.

Sem desviar o olhar, Baekhyun abocanhou o pau de Chanyeol, sentindo o membro bater no fundo de sua garganta. Chanyeol gritou, suas mãos foram direto para os fios escuros de Baekhyun, tentando extravasar tudo o que sentia. Um gemido escapou dos lábios de Baekhyun quando subiu a boca, rindo ao sentir as mãos trêmulas de Chanyeol sem seu rosto. O Byun não demorou para voltar sua atenção ao pênis necessitado de Chanyeol, fechando os olhos enquanto deslizava a língua por ele antes de envolvê-lo com sua boca novamente, arrastando os dentes devagar, sentindo o gosto amargo da porra de Chanyeol tomar conta de sua boca, gemendo arrastado.

Caralho. Mil vezes, caralho. Pensou Chanyeol.

Seu corpo tremia, por sua boca não saíam mais do que gemidos sôfregos, alguns mais finos devido à estimulação excessiva. A imagem de seu pau sumindo e reaparecendo por entre os lábios de Baekhyun estava o levando a beira do precipício da loucura, o calor conhecido subia por seu corpo e quando Baekhyun apertou seus testículos, quase foi ao céu, O Byun largou o pau e desceu o beijo até suas bolas, chupando-as enquanto a mão continuava a trabalhar sem pau, subindo e descendo, apertando com força em alguns momentos. Voltando para o pau pulsante quando sentiu Chanyeol tremer.

Segurou a cabeça de Baekhyun no lugar, erguendo a pélvis para cima, começando a estocar a boca molhada, soltando suspiros longos pela boca e pelo nariz. O movimento súbito assustou Baekhyun por alguns segundos, que acabou se engasgando, mas não se afastou. Abriu mais a boca, respirando pelo nariz, enquanto sentia Chanyeol foder sua boca como desejava.

Ao sentir o formigamento em seus pés, Chanyeol apertou mais a cabeça de Baekhyun, praticamente gritando quando gozou na garganta apertada e Baekhyun suspirou em deleite, o aperto de Chanyeol sem rosto diminuiu, o libertando. 

Baekhyun cuspiu a porra de sua boca no pênis ainda vermelho de Chanyeol, lambendo os lábios enquanto subia e descia a mão, sorrindo ao ver Chanyeol gemer esganiçado. Largou o pau ainda meio duro, subindo o corpo até estar deitado sobre ele. Distribuiu beijos no rosto dele, mordiscando o lóbulo de sua orelha, soltando um gemido baixo antes de tomar aquela boca maldita para si. As mãos de Chanyeol subiram pelas costas de Baekhyun, acariciando a pele suada. Os dois gemendo baixo ao sentirem os membros sensíveis roçarem um no outro. As respirações quentes se misturando.

Ficaram naquele chamego por alguns minutos, apenas sentindo o calor dos corpos, os toques mais leves. O som dos estalos dos beijos ecoava pelo comodo, as mãos de Chanyeol ocupavam as laterais do rosto de Baekhyun, enquanto as dele apertavam seus braços e ombros.

— Acha que consegue continuar? — Baekhyun perguntou arrastando o rosto no pescoço de Chanyeol. O Park abriu os olhos, erguendo o rosto para beijar Baekhyun, de novo e de novo.

— Se eu não acabar essa noite dentro de você, acho que vou enlouquecer.

Baekhyun balançou a cabeça.

 — Você já é maluco, Chanyeol — respondeu rindo baixo., mordiscando o lábio inferior dele antes de sussurrar: — Segunda gaveta.

O Byun saiu rapidamente de cima de Chanyeol, tomando seu lugar, deitando no colchão, soltando um suspiro aliviado ao sentir a maciez do lençol em sua pele. Chanyeol esticou os braços para abrir a gaveta indicada por Baekhyun, revirando o conteúdo dela até encontrar o que procurava. Agarrou o tubinho de lubrificante junto do pacote de camisinhas e os jogou na cama com um sorriso travesso. Chanyeol voltou para perto de Baekhyun, ficando por cima dessa vez, encarando com intensidade os olhos brilhantes do outro. Aquele homem seria o seu fim, seu corpo entraria em combustão em poucos instantes. O olhar de Baekhyun por si só já estava sendo o suficiente para tirá-lo de órbita.

Desceu o rosto para o pescoço do Byun, beijando e chupando a pele vermelha, gemendo baixo ao sentir o gosto e cheiro do suor desprender dele. Baekhyun fechou os olhos, se deixando levar pelo calor que subia em seu corpo com os toques de Chanyeol; um zumbido em seu ouvido o impediu de escutar o tubinho de lubrificante sendo aberto e ele apenas sentiu o gelado do gel quando Chanyeol forçou dois dedos de uma vez em sua entrada. 

Quando Chanyeol os estocou, seu corpo arqueou, os olhos revirando por debaixo das pálpebras, a boca se abrindo num gemido mudo ao sentir os dedos de Chanyeol roçarem em sua próstata com mais facilidade do que antes. Baekhyun fechou os olhos aproveitando a descarga elétrica que percorria seu corpo. Os de Chanyeol começaram a se mover com mais liberdade quando Baekhyun assentiu a cabeça, um pedido silencioso de que estava tudo bem, que poderia continuar. Os dedos de Chanyeol entravam e saíam com facilidade, o som indecente do lubrificante batendo na pele molhada de Baekhyun junto dos gemidos sôfregos que saíam de sua boca eram a única coisa que ecoava pelo apartamento. 

A respiração de Baekhyun falava e por seus lábios saíam apenas súplicas, o nome de Chanyeol embalado em pedidos de mais, de que fosse mais forte, em pedidos que o fodesse de vez. 

— Ah! Chanyeol — gemeu alto, arranhando os braços de Chanyeol. 

O Park já metia, com facilidade, três dedos dentro de si. Baekhyun era uma confusão de gemidos e arfares. Suas mãos não paravam quietas, a todo instante buscavam formas de extravasar tudo o que sentia; apertavam o lençol bagunçado, puxavam o próprio cabelo ou apertavam as costas de Chanyeol, ou cabelo dele. Seus pés se contorciam e ele já consegua sentir aquela tensão na barriga. Iria gozar logo se Chanyeol continuasse, mas não iria terminar anoite sem senti-lo dentro de si.

Baekhyun segurou o pulso de Chanyeol, fazendo-o parar de mover os dedos. Com a respiração acelerada, apenas balançou a cabeça e tudo passou como um vulto diante de seus olhos. Em questão de segundos, estava por cima de Chanyeol novamente, com uma das mãos apoiada em sei peito,  enquanto a outra guiava o membro coberto pelo preservativo até sua entrada, não desviando o olhar ao sentir a extensão de Chanyeol dentro de si.

— Porra, porra… — resmungou Chanyeol, ofegante. Teve de segurar Baekhyun para que ele não se movesse. O aperto e a quentura dentro dele eram demais. Seus dedos apertavam a cintura do Byun, tentando descontar todo o prazer que sentia.

Baekhyun fechou os olhos, sentindo o quão cheio estava. Chanyeol parecia tocar cada parte de seu corpo. Suas pernas tremiam sem parar, suas mãos não sabiam o que fazer, era como se todo o seu corpo estivesse entrando em combustão.  Ficaram alguns minutos naquela posição, tentando regular as respirações e quando Baekhyun já não aguentava mais, ajeitou-se no colo de Chanyeol, ergueu o quadril e desceu devagar, rebolando lentamente antes de e subir de novo, deixando quase todo o pau de fora antes de descer o corpo novamente, repetindo os movimentos até que estivesse o cavalgando feito louco, gemendo ainda mais alto ao sentir as bolas de Chanyeol baterem em sua bunda.

Os dedos de Chanyeol deslizavam por suas costas suadas, apertando o quadril ou deixando tapas audíveis em sua bunda. Chanyeol abriu um pouco as pernas, segurando as de Baekhyun para tomar impulso, estocando o corpo acima de si com desejo e mais força.  

Baekhyun empurrou o tronco de Chanyeol, levando sua mão para o pescoço dele mias uma vez, sorrindo ao ver Chanyeol retribuir o ato com uma estocada mais forte. Mordeu o lábio inferior, voltando a se mover, seu pau, pingando de excitação, batia em seu abdômen, prestes a explodir. Seus dedos apertavam a garganta do outro, que passou a respirar pela boca conforme aumentava a velocidade de seus movimentos. 

Num movimento rápido, Chanyeol segurou a mão de Baekhyun, tirando-a de seu pescoço antes de empurrá-lo no colchão, saindo brevemente de dentro dele para abrir suas pernas, expondo a entrada vermelha que se contraía ao redor do nada. Sua boca salivou, querendo sentir o gosto de Baekhyun novamente e foi o que ele fez. Abocanhou a entrada do Byun como um homem faminto, não fazendo de regrado e já enfiando sua língua, babando toda a entrada enquanto ouvia os gemidos de Baekhyun aumentarem de volume. Quando cansou de torturar o mais velho, ergueu o tronco, abrindo ainda mais as pernas do grupo, guiando o pau inchado para a entrada maltratada, revirando os olhos os sentir novamente o aperto e calor do corpo dele.

Os fios escuros de Baekhyun estavam espalhados pelo lençol. Os olhos brilhando em luxúria enquanto de sua boca saiam gemidos em formato de súplicas enquanto gritava o quão fundo Chanyeol ia dentro dele. Os lábios inchados, o pescoço coberto por chupões que começavam a ganhar uma tonalidade arroxeada, os dedos apertando a roupa de cama. Chanyeol virou Baekhyun de lado, apoiando uma de suas pernas no ombro e aumentou a velocidade de seus movimentos, fazendo com que o corpo do Byun fosse praticamente jogado pela frente.

Seus mamilos sensíveis raspavam na roupa cama, e essa ação combinada aos movimentos frenéticos de Chanyeol estavam o levando ao céu e ao inferno ao mesmo tempo. Chanyeol beijou seu calcanhar, respirando o aroma que saía de sua pele vermelha.

Tudo virou uma bagunça de gemidos, tapas e beijos molhados. Baekhyun foi colocado de quatro e teve de segurar na cabeceira da cama para não perder o equilíbrio. Lágrimas de prazer desciam por seu rosto, chorava por não saber o que fazer para suportar tudo o que sentia. Seu corpo não aprecia mais seu, era como se agora obedecesse aos comandos de Chanyeol e apenas a eles. Quando teve o corpo puxado para trás, sentindo o peito de Chanyeol encostarem em suas costas, puxou o cabelo do outro com força, fazendo-o expor o pescoço repleto de roxos e marcas vermelhas de seus dedos, como uma coleira; soltou um sorriso perverso, sentindo vontade de mostrar a todos que era o responsável por aquelas marcas. 

Em certo momento, Baekhyun foi colocado de lado, sua perna direita erguida enquanto sentia o membro de Chanyeol ir cada vez mais rápido dentro de si. O aperto das mãos dele em seu corpo estavam o enlouquecendo, já não sabia mais o seu nome, muito menos quem era; tudo em sua mente voltava para Chanyeol e aquele maldito pau dentro de si, as bolas cheias de porra batendo em sua bunda com tanta força que ele poderia explodir. Seu pau doía, e Baekhyun sabia que não iria durar muito, sua mão desceu para o membro, movendo-se rapidamente, tentando mesclar os movimentos aos de Chanyeol que agora estavam cada vez mais rápidos e Baekhyun sentiu que ele também estava no limite. 

Quando finalmente gozou, sua mente ficou em branco, um gemido alto saiu de seus lábios enquanto liberava sua porra no lençol que uma vez estivera limpo. Seu corpo convulsionou, apertando Chanyeol dentro de si, que não conseguiu se controlar com o estímulo repetindo, se liberando dentro do preservativo, mas não deixando de se mover até que ambos precisassem se separar.

As respirações cortadas tornaram o único som no quarto. Ambos tremiam, mas não conseguiam se separar. Baekhyun virou o rosto, ansiando para encontrar a boca de Chanyeol novamente e o agarrando pelos feios encharcados de suor, o beijou novamente, gemendo rente aos lábios ao senti-lo se remexer dentro dele devido ao contato. 

O beijo evoluiu para outro, e para outro e para outro, e quando viram, estavam novamente envolvidos naquela bolha de prazer. Baekhyun provou Chanyeol mais uma vez aquela noite, delirando ao sentir o gosto da boca dele, o cheiro de Chanyeol impregnado em seu corpo de forma possessiva. 

Quando o cansaço já era demais para seus corpos e mentes, quando as primeiras luzes do dia atravessaram a cortina do quarto, os dois deixaram os corpos relaxarem. A dormência e formigamento em seus braços e pernas, junto dos cabelos grudados nas peles suadas, eram a marca viva do que havia acontecido. Chanyeol, deitado entre as pernas de Baekhyun, sentia o corpo tremer com o mínimo esforço, seus dedos acariciavam o rosto cansado, mas satisfeito do Byun, que beijava as falanges com devoção, fechando os olhos enquanto aproveitava aquele carinho.

Baekhyun suspirou, ajeitando-se melhor para poder acomodar Chanyeol de forma mais confortável. Passando os dedos pelos fios suados do outro, não conseguindo conter o sorriso que surgiu em seus lábios, junto da risada mais gostosa que Chanyeol poderia ouvir. Os olhos não conseguiam trocar de direção. As orbes escuras moviam-se em sintonia, desacreditadas com a visão, crentes de que tudo não passava de um sonho, quando, era a realidade nua e crua. A mão livre de Baekhyun acariciou o rosto de Chanyeol, contornando seus olhos, nariz, maxilar, passeando levemente pelos lábios inchados do outro, num pedido silencioso que Chanyeol atendeu no mesmo instante.

Chanyeol ergueu um pouco o corpo, apoiando os braços em cada lado do corpo de Baekhyun, beijando primeiro o abdômen de Baekhyun, sentindo uma pontada de orgulho ao ver as marcas vermelhas na pele antes branca, subindo os selares devagar até alcançarem um dos mamilos do outro, ainda muito sensíveis ao toque, e vermelhos com as bochechas do Byun. Baekhyun soltou um gemido baixo, mordendo o lábio inferior para contê-lo.

Cansado de não estar tendo seu pedido realizado, Baekhyun segurou o rosto de Chanyeol, apertando as bochechas dele antes de fechar os olhos para puxá-lo para um beijo quente e gostoso, suspirando em deleite ao sentir a língua de Chanyeol tocar a sua novamente, movendo-se com uma saudade sem sentido.

— E agora? O que a gente faz?  — Sussurrou Baekhyun, rente aos lábios de Chanyeol.

O Park afastou um pouco o rosto, deslizando o nariz pela lateral do rosto de Baekhyun, revirando os olhos por debaixo das pálpebras ao sentir o cheiro da pele suada e quente do mais velho.

— Por agora, acho que podemos começar descansando um pouco e curtindo o momento — Chanyeol entrelaçou os dedos aos de Baekhyun, brincando com a mão do outro — E depois, podemos patinar, sair para beber ou até mesmo passar horas na biblioteca comigo te ouvindo falar sobre, sei lá, coisas dificeis de física enquanto te olho sem entender, mas sabendo que você fica um completo gostoso quando fala coisas dificeis.

Baekhyun riu alto, virando o rosto de Chanyeol para si, encarando-o com o olhar mais brilhante que o Park acreditou estar vendo uma divindade. Conseguia sentir o coração dele bater cada vez mais rápido, o calor voltando a correr por suas veias. 

Naquele momento, presos numa bolha de carinho, excitação e anseios de um futuro mais calmo, os dois garotos se deixaram levar pelo desejo mais uma vez, contudo, com mais calma, sem a afobação da madrugada; deixando os toques serem mais longos, as mãos explorarem cada centímetro de pele exposta. Com gemidos contidos, arfares apenas para que seus ouvidos escutassem, as bocas unidas a todo momento.

 E quando, finalmente, se renderam ao sono, com os corpos entrelaçados, pela primeira vez, se sentiram completos.

 

🎶🕺🎶

 

Como todo final de semana, a Dancing King estava lotada, principalmente por ser final do semestre e os alunos estarem aliviados pelos seis meses de pura correria terem chegado ao fim. E conforme o tempo passava, mais e mais pessoas entravam na danceteria e não demorou muito para uma fila começar a ser formada do lado de fora quando o local já não aguentava tantas pessoas. 

Entretanto, diferente dos outros dias, Baekhyun não estava correndo feito doido de uma ponta a outra do bar, dessa vez, estava passeando de ponta a ponta do ringue de patinação, rindo alto enquanto abraçava o corpo de Chanyeol que tentava, da pior forma possível, deslizar sem tropeçar nos próprios pés. 

Chanyeol parecia uma criança, agarrando-se à cintura do namorado sempre que sentia que perderia o equilíbrio e Baekhyun ria cada vez mais alto daquela imagem, sentindo o peito aquecer com um sentimento que nunca imaginou que um dia chegaria para si.

Nos últimos meses que passaram, as coisas pareciam finalmente estar voltando à normalidade, principalmente para Baekhyun, que teve seu projeto sobre física nuclear aprovado e já estava estudando para o mestrado, recebendo elogios de todos seus professores e colegas.

Chanyeol não entendia uma palavra do que saía da boca do quase namorado quando ele começava a falar sobre seu projeto e planos do futuro e apenas concordava, admirado com o quão gostoso Baekhyun ficava quando falava de propriedades físicas de moléculas e coisas do gênero.

Os dedos de Baekhyun deslizaram pelos braços de Chanyeol, girando em seu abraço para encará-lo com os olhos brilhantes. Uns poucos fios grudados em seu rosto por conta do suor que começava a desprender de sua pele, as bochechas rosadas e doloridas de tanto sorrir fizeram o coração de Chanyeol parar por alguns segundos e quando Baekhyun esticou um pouco o corpo, ficando na ponta dos pés para beijá-lo, Chanyeol acreditou que morreria ali mesmo.

Conseguia sentir o sorriso do Byun entre o beijo, os anéis gelados em sua nuca enquanto uma das mãos de Baekhyun segurava seu rosto de forma possessiva. Beijavam-se como se o mundo fosse acabar, como se o teto da Ding King fosse cair sob suas cabeças e desejavam que a última lembrança fosse o sabor inebriante do beijo que trocavam, uma mistura do sabor cítrico do abacaxi dos pirulitos de Baekhyun junto do sabor forte da bebida que Chanyeol ingeriu antes de dançarem. 

Uma mistura confusa, mas que era, ao mesmo tempo, tão certa; tão eles.

— Minha mãe me ligou ontem a noite. 

Os dois agora estavam do lado de fora da Dancing King, sentindo o vento gelado bater em seus rostos. Apoiados em uma das muretas metálicas nos fundo da danceteria, aproveitaram para descansar seus corpos e trazer um pouco de paz para seus ouvidos, que já estavam um pouco entupidos devido ao tempo que passaram ouvindo músicas nas alturas.

Chanyeol encarou Baekhyun com ternura.

— E como ela está? E seu irmão e seu pai?

— Muito melhor agora que meu pai aceitou o tratamento e está sem beber há quase dois meses. Ela parecia tão leve, você tinha que ouvir, Chanyeol, era como se eu conseguisse ver o sorriso dela — Baekhyun respondeu com um sorriso maior que o rosto, os olhos com algumas lágrimas de alegria e alívio — E ela me perguntou se vou passar as férias com eles, querem refazer os programas em família que fazíamos quando eu era mais novo. 

— E o que você respondeu? — Chanyeol perguntou segurando uma das mãos de Baekhyun, brincando com os dedos finos.

— Que sim, vou passar o começo das férias com eles, mas vou precisar dormir num quarto maior ou com algum colchão extra.

Chanyeol o encarou confuso.

— Por quê? Junmyeon ou Eunbi vão com você? Pensei que os dois estariam em congressos ou participando de cursos de férias na faculdade.

Baekhyun riu alto, afastando o corpo da mureta para ficar frente a frente a Chanyeol, os braços envolvendo o pescoço do mais novo enquanto sorria travesso.

— Não vou querer meu namorado dormindo no chão, seria uma grande falta de respeito, não acha?  Que tipo de pessoa eu seria se permitisse tal coisa?

O peito de Chanyeol aqueceu com o quão bonita aquela palavra ficou ao sair dos lábios rosados de Baekhyun.

— Namorado?

Baekhyun assentiu.

— Namorado, sim, senhor. Não se o conhece, é um rapaz alto, de cabelos escuros que ficariam um charme se fossem presos num rabo de cavalo, e ele ainda usa óculos quando está estudando. E posso contar um segredo? Ele fica uma tentação com eles. — riu travesso, encarando a boca de Chanyeol com desejo. — Então…, você gostaria de passar duas semanas numa cidade minúscula onde provavelmente a sua única diversão será comer comida caseira e virar a noite com jogos de tabuleiro?

Chanyeol balançou a cabeça, apertando a cintura de Baekhyun do jeito que sabia que o outro gostava, não demorando para enfiar suas mãos por debaixo da blusa de Baekhyun, acariciando sua pele quente.

— Baekhyun, você poderia me convidar para o fim do mundo e eu, ainda assim, aceitaria na mesma hora. 

Os dois caíram na risada, sentindo o peito ser inundado por um calor tão gostoso que sentiam que poderiam explodir. A faísca em seus corpos crescia a cada segundo, tornando-se uma fogueira ardente, que espantava todos os medos e anseios que poderiam existir em suas mentes.

Com os olhos brilhando, Chanyeol encarou Baekhyun em seus braços.

Os cabelos bagunçados, o rosto corado, os olhos quase fechados por conta do sorriso que não deixava aqueles lábios malditos. Tudo em Baekhyun parecia irreal, como se a existência dele fosse contra todos os princípios físicos, químicos, matemáticos ou talvez até mesmo de todas as ciências do mundo.

E saber que aquele rapaz, aquele que acabou com suas noites de sono por dias, agora estava ali, grudado em seu corpo, com os dedos longos acariciando seu maxilar, enquanto subia a boca para beijá-lo, pela enésima vez naquela noite.

E acima de tudo, era seu. 

Apenas seu.

Para Chanyeol, amar Baekhyun era como escutar uma música que jamais envelheceria. Uma música que era capaz de atravessar o tempo, carregando o mundo por entre as batidas e passos de dança. A música de amar Baekhyun, era repleta de sensações que nem ele saberia descrever com clareza, mas tinha certeza que poderia passar o resto de sua vida apreciando o calor e alegria que aquela melodia emanava. 

Baekhyun fazia seu coração girar; girar como um disco de vinil e Chanyeol não poderia estar mais feliz. Agora sua vida, além de uma trilha sonora, tinha uma dança própria. A dança que fazia seu coração não parar quieto e que ele esperava que durasse para sempre. 

E mesmo se não fosse, já estaria satisfeito por ter se permitido se perder no calor e no brilho do rapaz de sorriso travesso, que ascendeu a chama que faltava em seu coração.

FIM

 

Notes:

Muito obrigada por terem chegado até aqui, um feliz ano novo e que tenhamos um ano recheado de fanfics chanbaek! Um beijo <3

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