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Sangue.
A única coisa que Jae-yoon conseguia sentir, cheirar, ver, provar.
O sangue estava por todos os lados: sujando sua jaqueta vermelha, pingando pelo rosto pálido coberto pelo capuz, escorrendo na ponta da faca, ágil, fresco.
Abaixo delu tinha uma pessoa, um homem que aparentava ter entre 16 anos mais ou menos.
Morto.
Sangrando.
O coreano se levantou com as mãos trêmulas devido a adrenalina que intoxicava todo o cérebro, impedindo que existisse um pensamento minimamente racional na situação.
Não entendia a razão de uma morte ter aquele sentimento de prazer, de gosto, de atração pela tortura, o desespero alheio e os gritos do homem ainda ecoavam em sua cabeça, a fazendo ficar um pouco tonta, mas ainda assim dando-a uma sensação inexplicável de poder.
Realização.
Jae fez o caminho de volta para casa cambaleando após esconder o corpo do jovem que havia matado, a adrenalina nunca abandonando o cérebro e, cada vez mais, parecia que aumentava.
Finalmente chegou ao apartamento onde estava hospedada e foi direto ao banheiro retirar o sangue espalhado pelo corpo. Precisou usar as escadas de emergência para ninguém notar a situação deplorável que se encontrava.
Mas elu gostava. Estar melada de sangue era bom. Esse era o problema.
Quando tirou a jaqueta melada de sangue, passou os dedos pelo líquido e lambeu. Aquilo apenas atiçou ainda mais o próprio corpo, uma sensação de calor se expandindo pelo ventre, como se as pernas delu tivessem ficado bambas de repente.
Jae gemeu de frustração e optou por colocar uma toalha na cama antes de se deitar, quanto menos rastros do assassinato melhor.
Mas antes que pudesse realmente colocar a toalha na cama, percebeu uma figura um tanto familiar sentada na beirada.
— Aê gatinho, deveria aprender a trancar a porta. — o sotaque arrastado dela fez um arrepio percorrer a espinha de Jae
— O que diabos você tá fazendo aqui, Kemi? — perguntou, um tanto assustade por isso
— Deu vontade de te ver.
— Achei que você ainda estivesse saindo com o Eloy. — confessou o mais alto, uma pitada de ciúme na voz era perceptível
— E se eu estiver? Isso te incomoda? Pensei que tivesse me dito que sentimentos apenas atrapalham pessoas como nós.
— Não me importo com isso.
— Se você diz... — ela sorri, mordendo a unha do dedo indicador.
Jae passou os olhos pela mão dela, arqueando um pouco as sobrancelhas ao notar as unhas dos dois dedos do meio curtas.
Nada direta, hein?
— O que você quer? — elu sussurra
— Você, Jae. — ela responde na mesma intensidade
Não é preciso muito para elu pular no colo dela e devorar seus lábios macios com fome e sede. Kemi parecia completamente desinteressada se estava sendo melada com o sangue de uma das vítimas de Jae ou não.
Pelo contrário, isso fazia ela ficar ainda mais excitada.
As bocas de ambos se chocam desesperadamente como se estivessem saboreando a melhor refeição que poderiam ter em toda vida, apreciando cada mínimo detalhe.
Kemi suga o lábio inferior delu e morde com força o suficiente para sangrar. Jae arfa entre o beijo ao sentir aquele gostinho metálico tão familiar.
Adrenalina.
O mais alto rebola no colo da loira para fazer fricção de seus corpos enquanto se beijam. A outra apenas segura a bunda dele, as unhas que não estavam aparadas se fincando no tecido da calça preta, indo direto na pele pálida do coreano.
A sensação de ardência que as unhas afiadas de Kemi faziam na pele delu apenas contribuía para seu tesão aumentar a cada segundo. Era bom, mas com ela era ainda melhor. Não por já terem feito outras vezes, mas pela loira conhecer cada mínimo detalhe do corpo de Jae, lembrar de cada ponto fraco mesmo depois de tanto tempo.
Aquilo o enlouquecia.
O coreano forçou ela a se deitar na cama para ficar por cima. Era mentira, a ideia de Kemi com Eloy incomodava bastante.
Muito. Muito mais do que deveria.
A temperatura corporal aumentou ao pensar nisso. Por outro lado, seria um bom momento para relembrar um pouco o passado. A quem a loira realmente pertence. Jae se afasta do beijo o suficiente para observar o rosto da outra, encontrando os lábios manchados com o batom vermelho e um pouco do sangue do maior no cantinho da boca. Ela tinha um sorriso travesso na cara enquanto ofegava.
— É mais fácil tirar uma foto para apreciar por mais tempo.
— Cale a boca, eu não permiti você falar. — elu dá um tapa na cara dela, aparentemente o gesto a fez ficar desnorteada, mas de uma forma boa.
Era difícil tentar punir um masoquista.
Mais difícil do que isso, só podia ser punir Kemi.
A mercenária deu uma risadinha baixa e ficou ainda mais as unhas na pele sensível do mais alto, que arqueou as costas com o ato. Jae voltou a beijá-lá desesperadamente, os dentes acabaram se chocando por conta da rapidez de suas bocas uma na outra, mas nada que os incomodasse de verdade.
Kemi colocou as mãos dentro da blusa do assassino, arranhando abdômen por baixo do tecido. Ela queria que sangrasse, que machucasse. E Jae gostava da dor, elu queria sentir.
O mais novo segurou forte o pescoço da outra, aplicando uma pressão que sabia que ela gostava. Um pequeno deja vu percorreu sua mente sobre a última vez que elu sufocou a loira enquanto faziam sexo, mas uma pitada de desconforto surgiu ao pensar que Eloy deve ter feito o mesmo com ela, apenas um gemido manhoso o fez voltar a realidade.
A loira estava revirando os olhos e arqueando os quadris para obter mais fricção com o corpo do outro. As mãos que antes estavam arranhando o abdômen de Jae agora se encontravam ao redor do pulso delu, segurando firme e forçando um pouco mais pra cima, como se gostasse da sensação de não poder respirar, como se gostasse da dor.
Ela realmente gostava. O coreano sabia disso. Kemi era apenas uma sadomasoquista que poderia viciar qualquer um. Não era fácil achar uma mulher tão irresistível assim.
— É assim que você gosta? Com força? — elu pergunta em um sussurro A loira apenas solta um “hmm”, recebendo outro tapa no rosto.
— Use suas palavras, estou mandando.
— S-sim, eu gosto de força, Jae.
— Boa menina.
Apenas aquelas duas palavras foram suficientes para fazê-la arquear novamente os quadris e gemer alto. Estava suando, mesmo com o ar condicionado ligado, sentia as roupas pregando a sua pele e queria se desfazer delas o mais rápido possível. Jae pegou uma faca em seu bolso e apontou na cara da outra, observando bem a lâmina.
— Me diga, Kemi…o quanto você gosta desse top branco?
— Nenhum pouco.
— Ótimo. O assassino começou a passar a ponta da lâmina pelo tecido da roupa de Kemi, logo cortando as alças do top e fazendo-o cair pela pele dela.
Maldita.
— Então, aparentemente, você planejava isso? — elu perguntou, ficando os dentes no lábios inferior
A garota não respondeu, apenas sorriu maliciosamente, o que fez Jae tremer. Ela estava sem sutiã e tinha feito um piercing no outro mamilo. Louca.
Estaria mentindo se falasse que não gosta do que vê, mas ainda era loucura, não tinha como se controlar com aquilo.
Jae atacou o seio direito dela, mordiscando o bico com seus caninos um tanto afiados. O gosto metálico da joia se misturou com o sabor semelhante do sangue em sua boca devido a mordida que Kemi deu nos lábios mais cedo.
O mais alto gemeu ao sentir dedos puxando seus cabelos curtos com força, mas ao mesmo tempo guiavam o ritmo que gostaria de ser estimulada. O poder que a mercenária tinha sob elu era visível, mesmo que o assassino estivesse por cima, não tinha total controle no ato.
Ela gemia alto e esperneava com a estimulação que recebia nos mamilos sensíveis, já que Jae sempre alternava entre um e outro com os dedos e a língua.
Resolveu pegar a faca que usou anteriormente para rasgar o top da garota, a qual estava ao lado do travesseiro, e passou pela barriga dela, fazendo pequenos arranhões no abdômen, depois subindo para o local abaixo do seio e fazendo um “X”.
Precisava marcar território urgentemente, não conseguia lidar com a ideia de outra pessoa encostando em Kemi.
O objeto pontiagudo tocou o botão da calça dela, o cortando para fora rapidamente, já sentindo a boca salivando e o corpo mais quente a cada segundo que passava. A garota com tranças arqueou os quadris para ajudar no processo de retirada da peça de roupa, agora apenas um tecido estava em seu corpo além das faixas que cobriam a mão.
Jae passou a faca pelo tecido rendado e vermelho que a outra sentia, notando os pequenos arrepios na pele escura e brilhante. Sorriu com aquilo, um sorriso um tanto macabro, semelhante àquele que esboçava seu rosto antes de matar alguém.
Elu arrastou a lâmina pelas coxas grossas de Kemi, cortando a pele em alguns outros “X” para deixar óbvio que a menor era propriedade delu. A coreana levou um de seus dedos para o sangue carmesim escorrido no corpo da outra e chupou. O gosto se encontrava entre doce e amargo, o que viciava ainda mais.
Observando a situação da garota deitada praticamente choramingando, elu apenas segurou a faca pela lâmina e friccionou no clitóris dela, enquanto seus dedos roçaram a entrada de sua boceta completamente lubrificada.
— Você está excitada. Por minha causa. — sussurrou com os olhos vidrados na forma que ela se arqueava e tentava não gemer tão alto assim.
O assassino penetrou dois dedos nela, sem piedade, algo que raramente tinha. O cabo da faca continuava os movimentos circulares no ponto sensível entre as pernas de Kemi, fazendo-a abrir e se expor ainda para para o não binário. Elu apenas sorria com aquilo, a dor aguda da lâmina cortando sua mão mal importava naquele momento. Se estava dando prazer para a loira, seu dever estava sendo feito.
Ela já sentia que estava perto pelo calor se formando em seu ventre durante a estimulação. Era notório a forma que suas coxas começaram a tremer e os choramingos se tornaram mais necessitados. Jae parou o que fazia e estendeu a mão ferida em direção a barriga da garota, espalhando o sangue pelo abdômen dela e depois colocando na altura da boca.
— Chupa. — ordenou
Kemi segurou a mão delu e lambeu o sangue fresco que estava pingando. Mesmo que estivesse frustrada pela falta de estímulos agora, o sangue continuava sendo uma ótima recompensa. E porque Jae era imprevisível.
Sempre.
Elu torou a calcinha com a faca e puxou a mão sangrando para apertar as coxas dela enquanto se abaixava, tocando a língua onde ela mais precisava no momento. Investiu em movimentos rápidos e precisos, circulares e de vai e vem, do jeitinho que ela gostava.
Em poucos minutos ela gozou na boca dele, mordendo o próprio lábio com tanta força que chegou a sangrar. O sangue estava por todos os lugares. E ela estava louca.
— Alguém já te fez gozar assim, Kemi?
— Não…ninguém… — respondeu baixinho, recebendo uma tapa na coxa como consequência
— Fala mais alto, não te ouvi. — elu diz, um tom desafiador
— Ninguém nunca me fez gozar assim, Jae.
— Boa garota, você sabe o que falar.
Antes que pudesse sair da cama, Kemi inverteu as posições rapidamente, ficando por cima dessa vez. Jae gemeu frustrado, não tinha como vencer ela em quesitos de velocidade.
— Ainda não acabei com você.
Ela o beija com luxúria, mesmo que ainda trêmula devido ao orgasmo que teve a pouco tempo. Suas mãos estão em todos os lugares, nuca, pescoço, cabelo, ombros, tudo.
Jae estremece sob o beijo, arfando ao se separarem. Elu nota o olhar escuro de Kemi aumentar ainda mais.
— Quero te amarrar. Posso fazer isso? — a pergunta sai seca, pegando elu de surpresa, mas a resposta é completamente positiva.
A garota pega uma corda na mochila que tinha trazido consigo para o hotel. Era vermelha, grossa e um tanto áspera. Ela começou tirando a roupa do outro, deixando apenas a boxer que usava. Sorriu travessa ao amarrá-lo completamente, o deixando à sua mercê.
Ter controle era a coisa favorita de Kemi, ela gostava de se sentir poderosa, dominante, no comando. Àquilo a excitava mais do que deveria. Ver Jae, que tinha aproximadamente o triplo de sua condição física, totalmente amarrade com carinha de coitada? A visão era equivalente ao paraíso.
— Minha bonequinha está completamente amarrada agora. Que peninha, meu amor, posso fazer o que eu quiser….
A loira sorri, tomando posse da faca do assassino. Observou as cicatrizes em seu corpo musculoso, a marca da mastectomia que tinha feito há pouco mais de dois anos, agora sendo coberta pela corda.
A mercenária se aproximou da cicatriz e beijou suavemente, depois pegou a faca para traçar a lâmina nos ombros de Jae, fazendo cortes suits seguidos de um “K”.
Cantarolou ao escutar o ofego escapado dos lábios do coreano, dando a ela mais motivação para fazer o que tinha em mente. Os dedos da garota escorregaram para dentro da boxer delu, a faca agora pressionada no pescoço com pressão suficiente para não cortar. Jae gostava do perigo, aquilo o deixava mais louco ainda.
— Minha bonequinha linda, você gosta disso, não gosta? — sussurrou, estimulando elu com os dedos. — E se eu usar meu cintaralho, vai gostar também?
Ao ouvir a palavra “cintaralho”, Jae simplesmente engasgou e soltou um choramingo. Kemi sabia a resposta, claro que elu ia gostar. Seus gostos eram os mais impuros possíveis.
A menor levantou-se rapidamente para pegar o brinquedo e vesti-lo. Podia observar a reação do assassino amarrado, parecia brincadeira a forma que ela podia controlá-lo tão bem. Ao voltar para cama, a única coisa que a garota fez foi arrancar a boxer que Jae estava usando e mandar elu se ajoelhar na frente dele.
— Se você quer tanto isso dentro de você, vai precisar primeiro chupar, meu amor. — deu um sorrisinho quando falou com a voz baixa e carregada
Não demorou muito para a boca do não binário estar contornando todo o comprimento do brinquedo enquanto encarava ela com um olhar de coitadinho.
Maldito.
Depois de alguns longos minutos, Jae voltou a se sentar na cama, e Kemi encostou as costas na parede acolchoada do quarto. Apenas um gesto com os dedos foi necessário para que o coreano entendesse o recado e se sentasse no colo da loira, apreciando o cintaralho preencher seu interior completamente. Fazia um tempo que não sentia isso.
Mesmo com o desespero e a selvagens delas, a menor não podia deixar de ter uma pontada de preocupação com o outro. Jae não era de vidro, mas também podia se machucar.
Para sua surpresa, antes que pudesse perguntar se estava doendo e incomodando, o coreano começou a rebolar no colo dela, cavalgando no brinquedo em estocadas rápidas. A mercenária arregalou os olhos com a maneira que fazia aquilo, mesmo preso, ainda tinha as técnicas de movimento.
Ela mordeu o lábio inferior, ajudando-o a manter um ritmo constante, voltando a pressionar a faca no pescoço. O assassino se desfez ao redor do cintaralho em pouco tempo, talvez a vez mais rápida que gozou em toda vida.
— Foi ótimo, linde. — sorriu Kemi
Jae se manteve quiete enquanto a outra desfazia as amarrações em seu corpo, estavam tão apertadas que marcaram a pele pálida delu. Depois de livre, agarrou o pescoço dela com força e sussurrou no ouvido.
— Você é só minha, Kemi. Espero que isso fique claro. — e depois soltou.
Ela arfou e balançou a cabeça positivamente.
— E você é minha propriedade. — retrucou com um sorriso maroto.
Ambos foram tomar banho juntos, mas não repetiram nada além de beijos um tanto carinhosos, algo que parecia tão distante para um mundo tão violento que costumavam habitar.
A paranoia de Kemi nunca deixava ela dormir direito por causa dos pensamentos ruins que ocupavam sua mente.
Mas naquela noite, a única coisa que Kemi sonhou foi com o colega de equipe que dormiu ao seu lado.
