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Language:
Português brasileiro
Series:
Part 1 of The Sea That Does Not Return (English version)
Stats:
Published:
2025-12-21
Updated:
2026-03-16
Words:
175,740
Chapters:
22/35
Comments:
69
Kudos:
163
Bookmarks:
22
Hits:
6,223

O mar que não retorna

Summary:

Being Poseidon's daughter was never easy, but for Briely, Percy Jackson's younger twin sister, life has always been a whirlwind of gods, monsters, quests, and secrets.

However, nothing in the world could have prepared her for what happened the day she was thrown into a completely different and unknown universe.

Trapped in an ancient mansion, she is trapped with a mysterious prisoner who has been imprisoned there long before her, and they share somewhat the same fate.

Morpheus,( the Lord of Dreams), was captured by mortals and deprived of his powers.

During three long months of confinement, the demigoddess and the Lord of Dreams talk about their origins and abilities and forge a friendship, and he discovers that they can complement each other in unexpected ways.

When they are finally freed from confinement, Morpheus is undeniably in love with her and decides that she cannot simply return to her original world.

Percy Jackson x Sandman Crossover
(Percy's sister x Morpheus Yandere)

Chapter 1: 🅸🅽🅸🅲🅸🅾

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

 

 

                       

 

 

 

Ser um semideus nunca foi facil.

Ainda mais sendo filha de um dos três grandes, uma filha de poseidon, desastres seguem você em todo lugar.

Os deuses não se importam com o que você quer eu aprendi da maneira mais difícil.

Me disseram uma vez que o que está ruim sempre pôde piorar, eu afirmo isso e verdade.

Eu poderia dizer que minha vida depois do que passei estava ruim, mais nada poderia me preparar pra ser jogada em um novo universo.

Um bem diferente do meu.

 

 


 

 

 

M̴͈͈̰͒̀͒̎e̸͓͎̒͌̐u̴͖̟̥̗͖̾͐ ä̷̞͖̐͗̀ͅm҈͙̣̞͐͆͆͒̂ͅo̵̬͍͈̙̜͒͆̌̚r҈̗̲̪̟̙̑̀̋̇̏,̵͇̜̎̽͆̽̂ v̸̬̝̓̎͊o̵̯̘͚͚̽̾c̸͇̩̱̗͇̀͐̅ê̵̟̰͖͎̌̆̉̋ ȓ̷͙͙͔͙͔̐̄e̵͉̭͈̞͎͛͋͊͛a҉̰̗͓̔͗l̶̯͕͕͋̈́́m̸̘͚͙̞͌̅e҉̬͚̦̄̓͂n҉̘͚̘̖̀̌̑̒̈́t̸̝̗̞̯̉͊̐͂̚ͅe҉̱̖̐̊͌̈̂ a̵̝̩͛̀̌̾́c̵̪̜̜͊̈̏r҉͇̖̖͙̰͌̇̽̎ḗ̸͚̮̃̆̑d̷̞͓̀̄͆i̸̤͎̓̌̾t҈̬̩̯̽̀o҈̣̝̆̊ṳ̸̤͙̣̓̄́͋̅ͅ q҉̠͚͔̓̔͗̄u̵̘͓̝̠͗̊ẽ̸̬͈̖͐̏̀̀ e҈̫͉͈̒̉͐͆ṵ̶̗̘̮̅͗̽̚ ṉ̸̘̘̥̎̒ã̷͎͚͖̃̍͐̆̚ȏ̸͔̣̤̏͌̓ t̵͈̬̮̲̑̀̐̏̚e̴̫͎̱̍̔͛̀͐ e̸̜̜̲̦̩̎̂̄ń̶̰̥̰̦͍̏̇c̵̤̥͚̤̲̉̆͊̐̅o҈͕̿̌͑̇ͅň̴̙̟͙̪͋̅͛t҉̤̪̏͊̂r҈̝̝͖̭̗̏̓͆̀a҉͙͓̍̚r̴͔̳̣͓̒́̎i̶̪͓̮̍́̓̆̚ǻ̴̳̗̓͌̍"̸̮͙̊̓҈̵͇̭̭͇̞̭̎͂͐̓͆̓͊̉̚"̸͎͍̗̭͈̍͒̽̂O҈͎͍̊̆̚ń̸̲̬͎̊̌̿͑ḓ̶͇͇͑͋ë̸̦̬̞̗́͗ q̵͈͖̌̈͗u҈͍̲̮̙̎͐̎͌̂e̶̮̫͔̭̟͂̽͒ȑ̴͓̫̲̙̜̔͗̈̏ q̷͚̥̣͎̾͆͊̿̓ú̶̪̝͐̌̀e҈͈̥̞̆͂ v҉̗͕̣̋͗͆͐̔ͅó̴̱̜̫͉͂̀͋̄c̴̮͓̗̗̝̀̚ê҈̫̫̜͉̮́̄̀̋̅ e̷̜͇͂̑̚s̴̥̭̫͓͂͐̀t҈̯̦̬͌̉̇í̵͇͚͆͋͐ṽ̶̩̗͚̙̂̀ͅe̴͉̬̖̭͐͒́ś̴̰̮͆̓̊̄s҉͈̬͖̱̉̑̏̋̂é̸̥̗̠̭̤͊̈́̔̾?҈̜͙̋͌́̾͊”̷͉̝̜̿͛̒̇

 

 

 

AVISO 

(Esse texto está escrito em português, use o Google tradutor para traduzir para o seu idioma.)

 

 


 

 

"não importa a onde você vá ou quanto tempo demore... Eu a encontrarei"

 

"𝑨𝒕é 𝒎𝒆𝒔𝒎𝒐 𝒏𝒐𝒔 𝒔𝒆𝒖𝒔 𝒔𝒐𝒏𝒉𝒐𝒔.”

 

PARTE UM

 

 

 

 

 

Notes:

⚠️⚠️: Fanfic com temas dark explícitos, Por favor Leia todas as tags listadas acima completas antes de prosseguir.

Chapter 2: O Começo de tudo

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

 

             

 


 

 

 

 

O sol da tarde dourava as colinas do Acampamento Meio-Sangue, lançando sombras longas sobre os campos de morangos e o lago de canoagem.

 

Briely Jackson caminhou ao lado de Nico di Angelo, seu melhor amigo, enquanto os dois seguiram em direção ao pavilhão de jantar.

 

O ar cheirava a pinheiros e fumaça de fogueira, um lembrete constante de que, mesmo em tempos de paz após a derrota de Cronos, o perigo nunca esteve tão longe assim.

 

“Então, você vai mesmo fugir do treinamento de captura à bandeira outra vez?” Nico disse, um sorriso irônico brincando em seus lábios pálidos.

 

Ele ajustou a jaqueta preta, as mãos enfiadas nos bolsos enquanto chutava uma pedrinha no caminho.

“Porque, você sabe, o Percy vai te arrastar pro time azul de novo, você querendo ou não.”

 

Briely riu, um som leve. Seus olhos verdes, Eram idênticos ao do seu irmão gêmeo ( mais velho) eles brilhavam com uma mistura de diversão e algo mais profundo, algo que o  Nico sempre parecia perceber.

 

"Ele pode realmente tentar. Mas eu sou mais de ficar no Chalé, desenhando, relaxando, ou... sei lá, evitando ser cortada ao meio por um dos filhos de Ares."

"Missões e batalhas não são exatamente o meu forte, você sabe" Ela deu de ombros, tentando soar casualmente, mas Nico a conhecia bem o suficiente para notar o leve aperto em sua voz.

 

“Você  realmente não precisa ser boa em batalhas, Brie.” Nico parou de andar por um momento, olhando-a com uma seriedade que contrastava com sua atitude habitual reservada.

“Mais você sabe que isso não e verdade, E se até o Luke via algo em você, então talvez você deva parar de se esconder tanto.”

O nome de Luke cortou como uma lâmina afiada. Briely desviou o olhar, sentindo o peso da lembrança. “Ele estava errado”, murmurou.

“Não tava.” Nico baixou a voz. “E você sabe.”

A dor da perda ainda era fresca, mesmo depois de tudo.

Ela abriu a boca para responder, mas antes que pudesse, uma voz grave ecoou atrás deles.

“Briely Jackson!” Quíron trotou até eles, sua forma de centauro imponente mesmo sob a luz suave do entardecer.

Os dois se  viraram ao mesmo tempo.

O centauro vinha trotando até eles, com o rosto preocupado.

Seus olhos  eram sérios, e havia um vinco de preocupação em sua testa.

"O Senhor D deseja falar com você na Casa Grande. Agora."

 

Briely trocou um olhar rápido com Nico, que apenas levanta a sobrancelha, como quem diz “Boa sorte”.

Ela suspirou, acenando para o amigo antes de seguir Quíron pelas colinas até a Casa Grande.

 

Dentro da sala principal, Dionísio (ou Senhor D), como todos o chamavam, estava recostado em uma poltrona, com uma lata de Diet Coke na mão e uma expressão de tédio quase palpável.

 

Seus olhos se ergueram para Briely quando ela entrou, e ele deu um suspiro exagerado.

 

“Ah, Briana Jhonson, aí está você,” disse ele, errando seu nome de propósito, como sempre.

"Vamos direto ao ponto, porque eu tenho uma partida de pinochle me esperando.''

"O Seu pai, já deixou claro que essa missão é sua."

“E antes que você pergunte, não, eu não sei por que ele acha que você, de todas as outras pessoas, é uma escolha certa.”

 

Briely cruzou os braços, tentando ignorar a pontada de insegurança que as palavras dele provocaram.

 

“E Que missão e essa?” pergunta ela, com a voz firme, mesmo que seu estômago estivesse revirando.

 

Dionísio tomou um gole da lata, fez uma careta e a colocou na mesa com um pequeno estrondo.

 

"Quando os deuses derrotaram Cronos pela primeira vez, ele deixou para trás um objeto." "Algo que talvez possa ser bastante digamos ...perigoso."

“ Eese item foi Foi Feito por ele mesmo, imbuído de seu poder." "Depois da nossa vitória, os deuses o tomaram e esconderam dele.''

''Mas com a volta de Cronos, ele o recuperou de onde estava.E  agora, após a derrota dele...”

"Ninguém sabe onde exatamente possa estar. Só que foi recuperado e escondido Talvez em um de seus templos abandonados."

"E se alguém tem chance de o encontrar, os deuses acham que esse alguém é você."

Briely franziu o cenho, o coração acelerando. "E Por quê logo eu senhor D?" "E que tipo de  objeto é esse?"

Quíron, que estava ao lado, interveio.

"Luke Castellan."

"Todos sabemos que ele tinha... Digamos uma ligação mais especial com você, Briely."

"Se ele sabia algo sobre esse objeto ou sobre se pudesse estar em um dos  esconderijos de Cronos, talvez ele tenha compartilhado com você, mesmo que indiretamente."

"Você tem alguma lembrança?"

  "Ou Algo que ele possa ter mencionado?"

 

Briely engoliu em seco, sentindo o peso dos  olhares deles sobre ela.

A lembrança veio rapidamente como um flash, quase dolorosa em sua clareza.

Luke, com aquele sorriso torto dele, falando sobre Cronos pra ela em um momento de vulnerabilidade com ela.

 

"Brie, no Monte Othrys. Perto daquele cume, há um templo esquecido."

"Cronos guardava algumas coisas lá... Acho que Algumas eram perigosas, coisas que nem eu entendia."

 

Ela não tinha dado importância na época, achando que era só mais uma de suas histórias idiotas.

Mas agora...

“Eu... acho que sei de um lugar,” ela admitiu, hesitante.

"Luke me contou uma vez que Cronos tinha um templo abandonado perto do cume do Monte Othrys." " E que ele guardava algumas coisas lá"

"Pode ser lá onde esse objeto possa estar."

Dionísio levanta uma sobrancelha, parecendo quase surpreso, o que era raro.

"Bem, então é lá que você vai procurar exatamente."

"Essa é uma missão solo, Briana. Prepare-se rapidamente e vá."

"Antes que alguém menos... qualificado encontre essa coisa."

Quíron acrescentou, mais gentilmente: "É perigoso, Briely. Mas confiamos em você era que consegue encontrar, e o seu pai confia também."

"Volte com o objeto, mas não interfira com ele."

"Apenas traga-o de volta."

Briely assentiu brevemente, sentindo o peso da responsabilidade cair sobre seus ombros.

Ela saiu da Casa Grande com a cabeça girando.

Do lado de fora, Nico estava encostado em uma coluna, esperando por ela.

Seus olhos escuros a analisaram com preocupação.

"E aí Brie? O que o Senhor D queria com você?" Pergunta ele, direto.

Ela Respirou fundo brevemente antes de responder.

"Bem ... Ele me deu Uma missão Solo."

"Tenho que encontrar um objeto que Cronos escondeu."

''Algo que talvez seja  um pouco perigoso eu acho."

"Está em um templo perto do Monte Othrys,  bem e o que eu acho."

Nico franziu o cenho, cruzando os braços.

"Sozinha? Brie, isso e sério? você quase nunca sai em missões, muito menos sozinha, Não gosto disso."

"Há algo de errado?"

Ela forçou um sorriso, tentando parecer confiante.

"Vai ficar tudo bem, Nico." "É só eu  encontrar o objeto e trazer de volta pro acampamento."

"Não vou lutar contra monstros ou algo assim, Eu Espero"

"E Só... explorar um templo que está provavelmente em ruínas encontrar o objeto e trazer de volta.''

"E Moleza."

 

Ele não pareceu confiante com a resposta dela, mas apenas balançou a cabeça.

“Só... volta inteira, tá?”

“Prometo,” "Eu volto logo" respondeu ela, dando um leve soco no ombro dele antes de se afastar.

 

No Chalé 3, Briely arrumou sua mochila com suprimentos, comida, uma garrafa d'água, e alguns dracmas para emergências.

Enquanto dobrava uma jaqueta, seu irmão Percy e Annabeth entraram, ambos com expressões de curiosidade e preocupação.

Percy, com os cabelos negros bagunçados e os mesmos olhos verdes que ela, foi o primeiro a falar.

"Ei irmã, ouvi dizer que você tem uma missão. Solo?"

Annabeth, ao lado dele, acrescentou: "É verdade, Brie? O que está acontecendo?"

Ela Respirou fundo brevemente, tentando manter a calma.

" Sim e, e uma missão."

"Algo sobre encontrar um objeto que Cronos escondeu. Eles acham que eu tenho a maior chance e posso encontrá-lo por causa..."

"Bem, por causa da minha antiga ligação com o Luke."

"Eu Vou pro Monte Othrys onde eu acho que pode estar, mas é só pegar e voltar."

"Não Nada de mais."

Percy cruzou os braços, claramente não gostando da ideia. "Não e Nada de mais? Irmã, você não costuma sair em missões sozinha."

''Deixa eu ir com você. Ou pelo menos leva o Grover."

"Não dá, irmão. É uma missão solo." "E são Ordens do Senhor D e também do nosso pai", explicou ela, tentando soar firme, embora a preocupação dele a estivesse afetando.

Annabeth colocou uma mão no ombro de Percy, tentando acalmá-lo.

"Você sabe que Ela consegue, Percy."

"Mas... toma cuidado, tá?"

"E Brie, Se algo parecer errado, volte." "E Não se arrisque mais do que o necessário."

Briely assentiu, forçando outro sorriso.

“ Eu Vou ficar bem Annabeth. Eu Prometo.”

Percy suspirou, passando a mão pelos cabelos antes de puxá-la para um abraço apertado.

"Só... toma cuidado, tá? E Se você demorar, nós vamos atrás de você tá."

“Você não vai precisar ir atrás de mim irmão,” " Vou estar de volta em alguns dias" disse ela, retribuindo o abraço antes de se despedir de Annabeth com um aceno. 

Pegando sua mochila, ela saiu do chalé, o peso e  da missão crescendo a cada passo.

 

 

Ela pegou o táxi das irmãs cinzentas que a deixaram ao sopé do Monte Othrys, mais elas estavam estranhas dessa vez, a viagem toda foi estranha, elas disseram algo como "não conseguiram mais ver o futuro dela" e o que foi mais bizarro foi que antes dela sair do carro uma delas disse que "Esperavam a ver novamente em breve" segurando o braço dela o que honestamente a deixou com um pouquinho de medo na hora. Após algumas horas de caminhada do sopé até o cume ela finalmente chegou.

Ela seguiu as trilhas sinuosas até finalmente avistar o templo abandonado que Luke mencionou pra ela uma vez.

Era uma estrutura em ruínas, com colunas quebradas e musgo cobrindo as pedras como uma segunda pele.

O silêncio era quase palpável naquele lugar, quebrado apenas pelo som de insetos que estavam rastejando nas sombras.

Ela girou o anel em seu dedo, ( um presente de seu pai) , e ele se transformou em uma espada de bronze celestial.

O metal brilhou sob a luz fraca do crepúsculo enquanto ela entrava no templo, os passos silenciosos, o coração batendo forte no peito.

O interior era um labirinto de corredores desmoronados, cheirando a podridão e cheio de poeira.

Por alguns minutos, ela ficou explorando as salas, sempre atenta a qualquer som além do zumbido dos insetos.

Então, em um dos salões, ela finalmente encontrou algo.

Era Uma sala ampla, com uma mesa feita de pedra no centro.

E Sob a mesa, o piso parecia completamente diferente do resto, tinha um nível de relevância quase como se fosse um buraco falso.

Curiosa, Briely empurrou a mesa com esforço, logo revelando o contorno de uma abertura.

Usando a ponta da espada, ela conseguiu abrir a tampa do buraco, revelando dentro uma caixa pequena, que estava entalhada com runas desconhecidas.

E Com cuidado, ela abriu a tampa da caixa.

Dentro, havia um orbe pequeno, do tamanho de uma maçã, feito de um material que parecia pulsar com uma luz interna, era quase como se ele estivesse vivo.

"Seria esse o objeto perigoso? " " Não parece ser''

Briely franziu o cenho, notando que algo estava escrito  no fundo da caixa.

No fundo da caixa, palavras em grego antigo estavam escritas.

Ela não queria ler.

Mas leu.

E Antes que pudesse se conter, as palavras escaparam de seus lábios em uma sugestão quase hipnótica, como se o próprio objeto a compelisse a lê-las .

Chronou kai Polykosmou Kleis ,” murmurou ela, em voz baixa, em transe.

De repente, o orbe ganhou vida, brilhando com uma intensidade ofuscante.

Briely saiu rapidamente do transe, com o coração disparado, lembrando-se das palavras de Quíron: "Não interfira com o objeto. Apenas traga-o de volta."

Mas agora já era tarde demais.

O orbe se ativou, a luz explodindo em sua mão.

E Uma onda de energia a engolfou, e logo um frio cortante  estava percorrendo sua espinha como uma lâmina de gelo.

Antes que ela pudesse sequer recuar, uma força invisível a puxa para cima com violência implacável.

Ela caiu, ou subiu, ela não sabia mais.

As paredes do templo ao seu redor se desfizeram como névoa, desintegrando-se rapidamente em um borrão de sombras e cinzas.

O chão sob seus pés desapareceu, e sua voz se perdeu em um grito abafado, ela logo ao que parece, foi engolida engolido por um vazio sufocante.

Tudo ao seu redor se transformou em um caos, o céu estava preto e despedaçado e as estrelas distorcidas, girando em padrões impossíveis que desafiavam qualquer lógica possível.

Ela fechou os olhos, Seu corpo parecia leve e pesado ao mesmo tempo, como se estivesse sendo despedaçado e reconstruído em um único instante.

O orbe, ainda em sua mão, pulsava como um coração, cada batida ecoando em sua mente.

Ela estava Ouvindo vários Sussurros em uma línguas que ela nunca aprendeu ela.

 

.̴͇̪̥͇̾̎.҉͍̤̽̾͛̌.҉̳͈̂͑̑͐̔.̶̪̟̟̎̑.̴͎̥͋̑.̵̬̬̇̓͛͒.̷̘̗̞̐̀́̔̚.̸͉̝́̓͂.̴̭̗̍͊ͅ.̸̱̥̀̍͐̍.҉͎̱̬̘͌͗͛.҈͈̘̜͙͆͐̿̂̍.̵̮͈̓͒̓.̶̠̘̱͌͐.̴͔͈̫͎̤̀̂̅̍.̸̗̠͔̠̀̇ͅ.̸̬̞̎̽̚.̵̰̙̌͑.̷̘̪̰̝̊͆.̶̙͍͍̆̉̋̓.̵̲͉̫̗̿̊.҈͙̟͒͑̍͊.̴͎̾͛.҉̳͗͐.̶͉͑.̵̪̿.̷̙̚.̸̬̽.҉̱͋.̴̫̇.̶̰̐.̵͕̚.̷̥͛.̸͎͒.̴͇̪̾̎.҉̳̂͑.̶̪̎.̴͎͋.̵̬̇.̷̘̐.̸͉́.̴̭̍.̸̱̀̍.҉͎͌͗.҈͈͆͐.̵̮̓͒.̶̠͌.̴͔̀̂.̸̀ͅ.̸̬̎.̵̰̌.̷̘̊.̶̙̆.̵̲̿.҈͙͒͑

 

E então, o caos cessou e logo tudo ficou escuro quando ela desmaiou.

 

De repente quando ela acordou, o vazio e o caos do céu escuro, os sussurros e as estrelas distorcidas cessaram.

Briely sentiu o estômago revirar quando sentiu uma rajada de frio acertar o seu rosto.

Seus olhos se abriram, e depois que ela viu onde estava Isso a fez congelar de pavor: o  céu estava azul claro, enquanto seu corpo despencava em queda livre.

O vento uivava em seus ouvidos, bagunçando seus cabelos e arrancando um grito rouco de sua garganta.

 

“PELOS DEUSES, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?!” Berrou ela, os braços se agitavam desesperadamente enquanto tentava encontrar algum equilíbrio no ar.

O pânico apertou seu peito sufocando qualquer julgamento claro.

Ela olhou para suas mãos, tremendo, e notou que o orbe não estava mais ali. 

"Talvez eu tivesse o soltado  sem perceber e  ele se perdeu...  no meio de tudo o que fosse aquilo "

Sua mochila também havia sumido, engolida pelo vazio de onde quer que tivesse vindo.

“ Droga, Cadê as minhas coisas?!”

O chão se aproximava de uma velocidade assustadora, revelando um terreno estranho e inquietante abaixo dela.

Era um jardim abandonado, cercado por arbustos ressecados e árvores tortuosas, com gramíneas altas.

 

No centro, erguia-se uma mansão decadente, um relicário de pedra e tijolo que parecia ter sido esquecido pelo tempo.

 

Era uma construção vitoriana, com janelas estreitas cobertas por venezianas quebradas, e um telhado de ardósia preta.

 

Gárgulas desgastadas vigiavam as bordas, seus rostos de pedra corroídos pelo tempo, mas ainda carregando uma expressão de ameaça.

 

Fios elétricos mal instalados corriam pelas paredes externas, conectados a luzes de segurança que piscavam erraticamente, um contraste estranho com a arquitetura antiga.

Havia uma aura sufocante naquele lugar, uma energia que parecia vibrar, fazendo a pele de Briely se arrepiar.

 

Sem tempo para pensar, ela fechou os olhos por um instante, invocando seus poderes.

A umidade do ar respondeu ao seu chamado, condensando-se em uma barreira de água que envolvia um escudo líquido, desacelerando sua queda.

 

Com um impacto abafado, ela atingiu o solo, e a água se espalhou em poças irregulares ao seu redor.

Ofegante e com a mente zonza, Briely se levantou, com as pernas trêmulas.

Pequenos filetes de água ainda flutuavam perto dela, como guardiões invisíveis prontos para reagir.

Ela deu alguns passos hesitantes pelo jardim, os olhos examinando o ambiente estranho de onde acabou  caindo.

O cheiro de terra úmida misturava-se com um odor químico sutil, talvez de algum gerador ou maquinaria próxima à mansão.

Antes que ela tivesse algum tempo pra se orientar, um ruído metálico logo soou o que a fez girar a cabeça.

Um homem surgiu de uma trilha de ervas altas, vestido com um uniforme.

 

Ele usava um fone de ouvido rudimentar conectado a um walkie-talkie no cinto, uma peça de tecnologia que contrastava com sua aparência.

 

Seus olhos se arregalaram ao ver a água dançando ao redor de Briely, e sua expressão passou de choque para suspeita em um instante.

 

“ MAIS QUE DROGA É ESSA?!” exclamou ele, a voz ríspida enquanto dava um passo para trás, pegando o walkie-talkie com uma mão trêmula.

“Temos uma intrusa no jardim oeste! Algum tipo de... anomalia aqui, Talvez uma entidade possível!''

"Mandem reforços! agora!”

 

“Ei, peraí, eu não sou uma inimiga!” Briely acenou com as mãos rapidamente, tentando manter um tom tranquilo, embora seu coração estivesse na garganta por não ter ideia de onde ela possa ter parado.

“Olha cara, Eu só caí aqui, Eu não sei onde estou.”

O guarda não deu atenção às suas palavras, ainda gritando no walkie-talkie enquanto a encarava como se ela fosse uma ameaça iminente.

Em poucos segundos, o som de botas pesadas ecoou pelo jardim, misturado ao zumbido de um motor distante, talvez um gerador da mansão.

Mais figuras surgiram das sombras, seis delas, todas vestidas com uniformes semelhantes.

Cada um carregava uma arma, uma pistola.

Alguns tinham lanternas táticas presas aos ombros, enquanto formavam um círculo ao redor de Briely, as armas apontadas sem hesitação.

“Você Fique aí exatamente a onde está!” falou o que parecia ser o líder, um homem de meia-idade com linhas duras no rosto e um tom de comando na voz.

“E Explique sua presença aqui ou será detida à força.”

“Mais Eu já disse, eu não sei onde estou!” retrucou Briely, frustrada.

"Olha cara eu só quero ir embora. Ok ? Eu Não quero nenhum problemas com vocês!"

“Ninguém entra em Fawney Rig sem permissão do senhor Burgess!” disse outro guarda, mais jovem, mas com um olhar frio.

“E Abaixe... seja lá o que por essa água, ou vamos abrir fogo!”

 

Briely recuou, o instinto tomando conta.

A água ao seu redor respondeu à sua tensão, e com um gesto rápido, ela lançou uma onda contra o guarda, acertando-o no peito e jogando-o para trás contra uma cerca enferrujada.

Ele soltou um grunhido e caiu com um baque, mas o ato só agravou a situação.

 

"Ameaça confirmada! Tome posição!" berrou o líder, ajustando a arma com um clique metálico.

 

Briely atraiu outra barreira de água, as mãos tremiam ainda do pouso, enquanto tentava se concentrar, mas antes que ela conseguisse concluir o movimento, ou talvez sacar a sua espada um som estranho, como um tiro abafado, rasgou o ar.

E Uma dor aguda  logo explodiu em seu ombro.

Ela baixou os olhos e viu um dardo cravado em sua pele, com um líquido translúcido já se espalhando sob a superfície.

O efeito foi quase imediato suas pernas cederam, a água ao seu redor desmoronou em um splash inútil, e sua visão logo começou a embaçar.

“Vocês... não...” murmurou ela, fraca enquanto caía de joelhos.

As silhuetas dos guardas se aproximavam, as luzes de suas lanternas ofuscando-a enquanto suas vozes se misturavam em um eco distante.

A escuridão a engoliu mais uma vez.

Ela Sentiu o seu corpo mole, como se seus ossos fossem feitos de gelatina.

Uma dormência incômoda percorria seus membros, e sua cabeça girava, um eco da dor do tranquilizante ainda pulsando em suas veias.

Ela viu que não estava mais no chão do jardim onde havia desmaiado; mais agora estava sendo carregada .

Mãos ásperas seguravam seus braços e pernas, e o balançar irregular dos passos o que  fazia seu estômago revirar.

Ela ouviu Vozes abafadas ao seu redor.

"Eii Cuidado com ela, pelo amor de Deus. Ela não é humana."

"Você Viu o que ela  fez com a água?" disse um guarda, a voz baixa, quase um murmúrio, mas com um tom de nervosismo inconfundível.

“Se ela acordar agora, estamos ferrados.”

"Relaxa, Greg. O dardo vai manter-la fora de jogo por mais um tempo", respondeu outro, com uma confiança confiante.

"Só precisamos deixar-la no porão." "O chefe vai decidir o que fazer."

"Espero que o velho Burgess saiba lidar com isso. Se essa garota for o que eu acho..." O primeiro guarda parou de falar, como se temesse completar a frase.

Briely tentou mover os dedos, mas só consegui um tremor fraco.

Antes que você pudesse analisar mais, sentiu seu corpo sendo baixado.

O frio do mármore atingiu suas costas como uma lâmina gelada, arrancando um suspiro rouco de seus lábios.

 

Mais tarde Ela abriu os olhos lentamente, com dificuldade, e com  a visão um pouco embaçada.

Sua respiração era lenta, pesada, cada inspiração parecia um esforço monumental. Ela Tentou se sentar, com os músculos protestando, mas seu tronco mal se relaxou antes de desabar de novo contra o chão frio.

Seus olhos, ainda turvos, focalizaram algo à sua frente.

A poucos metros, dentro de um orbe de vidro imenso, preso por runas douradas gravadas na base de metal que sustentava a estrutura, havia alguém.

Uma figura pálida, esguia, de uma beleza quase sobrenatural.

Era um homem, que estava completamente nu, sentado em uma postura imóvel, como se fosse  uma estátua viva.

Seus cabelos negros caíram desgrenhados sobre os ombros, e seus olhos, profundos como abismos infinitos, encaravam-na agora  diretamente.

Havia algo naquela mirada que a fez estremecer, não era apenas curiosidade ou hostilidade, mas uma intensidade que parecia atravessar sua alma.

 

Briely abriu a boca para falar com ele, mas a queimação venceu.

Sua visão logo escureceu novamente, e ela desmaiou mais uma vez, caindo contra o chão frio do mármore esse sendo a última sensação que ela  registrou.

 

Quando ela acordou de novo, embora ainda grogue, sua cabeça latejava com mais força.

Ela se levanta devagar, apoiando-se nos cotovelos, o corpo protestando a cada movimento.

Piscou várias vezes, tentando clarear a visão, e notou o chão sob si.

"Isso não estava aqui antes"

Era um círculo de runas, idêntico ao que circundava a base do orbe de vidro à sua frente.

As marcas emitiam um brilho fraco, azul-esverdeado.

 

O ar ao seu redor era úmido. As paredes de pedra eram escuras, cobertas por musgo em alguns pontos, e o espaço parecia sufocante, carregado de uma energia que ela não conseguia descrever.

Seus olhos logo se voltaram para o estranho preso no orbe.

Ele ainda a encarava, nu e silencioso, sua presença quase sufocante.

Briely sentindo um desconforto crescer dentro dela, tanto pela situação quanto pelo peso daquele olhar.

Ela se levanta com dificuldade, os joelhos tremendo, em direção à saída da sala, uma porta de ferro pesado ao fundo, com barras reforçadas.

Mas ao se aproximar da borda do círculo de runas, uma força invisível a empurrou para trás, como um choque elétrico que fez seus dentes rangerem.

Ela retrocedeu, ofegante, com o coração acelerado.

Foi então que a porta rangeu, abrindo-se com um som metálico que ecoou pelo porão.

Uma guarda entrou, era uma mulher de meia-idade. Seu rosto era duro, marcado por linhas de cansaço, e ela carregava um bastão metálico.

Seus olhos passaram por Briely com desdém antes de se voltarem para as runas, como se verificasse se estavam intactos.

"EI, VOCÊ! ME TIRA DAQUI AGORA!" Gritou ela , a voz rouca, mas cheia de frustração.

"Quem é você? E o que é isso? por que eu não posso sair?"

A guarda nem olhou para ela, apenas continuando a inspeção do círculo.

Briely sentindo a raiva borbulhar em seu peito, apertando os punhos com força.

“Se não baixar  o que for essa barreira, juro que vou te afogar!” ameaçou ela, os olhos faiscando.

“Você não tem nenhuma ideia de quem eu sou!”

A guarda finalmente parou a inspeção, lançando um olhar frio pra ela  por cima do ombro, mas não disse nada.

Ela Ignorou-a completamente, voltando ao seu trabalho.

Briely rangeu os dentes, o desespero misturando-se à raiva.

Ela levantou  as mãos, tentando invocar seu poder, chamando a umidade do ar, sentindo as correntes de água que sempre respondiam ao seu chamado.

Ela iria inundar aquele lugar.

Mas nada aconteceu.

Nem uma gota, nem uma brisa.

Era como se algo naquele lugar tivesse desligado seus poderes. Ao perceber isso, o pânico subiu como uma onda que ela não podia controlar.

 

“O que ? Mais, Por que... por que não funciona?” murmurou para si mesma, tremendo enquanto olhava para as próprias mãos.

Seus dedos passaram instintivamente pelo anel em seu dedo, sua espada.

Mas ela hesitou, parando o movimento.

Revelar isso agora só traria mais problemas. Ela Precisava de um plano pra sair dali, não de mais inimigos.

A guarda, por fim, falou, com a voz seca e desprovida de emoção.

"Você está na Mansão Burgess. E vai ficar aqui por enquanto. Essas  São as Ordens do chefe."

Briely virou-se para ela, os olhos estreitos, a raiva explodindo.

"Me Solte Agora Mesmo! Você não sabe com quem está confundindo! Meu irmão vai vir atrás de mim, e ele vai fazer vocês se arrependerem por cada segundo disso!"

"Meu pai também não vai perdoar vocês! Ele vai inundar este lugar inteiro, e vocês terão mais problemas que nunca imaginaram!"

 

Por um instante, o guarda pareceu hesitar, uma sombra de dúvida cruzando seu rosto.Ela claramente ficou com medo.

Seus dedos apertaram o bastão com mais força, e ela lançou um olhar rápido para o estranho no orbe de vidro, como se temesse algo maior do que as ameaças de Briely.

Mas então, sua expressão voltou ao normal, e ela virou-se para sair da sala sem dizer mais uma palavra.

Briely soltou um grito de frustração, batendo as mãos no chão frio.

"Ughhh—" Ela Respirou rápido, tentando não chorar.

Exausta, ela se sentou, tirando os sapatos com movimentos bruscos, como se precisasse de algo para descarregar a raiva.

Seus olhos desviaram para o estranho preso no orbe ao seu lado.

Ele parecia em condições muito piores que ela, ele estava nu, e parecia vulnerável, e  preso em um espaço que não oferece nenhuma privacidade ou conforto.

Ainda assim, sua presença parecia imponente, quase esmagadora.

“Ei... quem é você?” disse ela, a voz baixa, quase um sussurro, como se temesse quebrar o silêncio opressivo do porão.

“Por que você está aqui?”

Ele não respondeu.

Apenas continue a encará-la, aqueles olhos insondáveis ​​fixos nela, como se vissem além de sua pele, além de suas palavras.

Briely desviou o olhar, o desconforto crescendo.

Ela não sabia quem ele era, mas uma coisa era certa: aquele lugar, aquelas runas, e até mesmo aquele estranho carregavam segredos que ela não estava preparada para enfrentar.

Pelo menos, ainda não.

 

 


 

₊˚.༄🌊₊˚.༄𓆝 ✮ ✮ 𓅨 ✮ ✮𓆝 ༄₊˚.🌊༄₊˚

 


 

As horas se arrastavam como dias no porão úmido da Mansão Burgess.

Briely permanência confinada no círculo de runas, o brilho azulado pulsando de forma quase hipnótica, como um lembrete constante de sua prisão.

 

Os guardas passavam de vez em quando, suas botas ecoando nas pedras do chão, mas nenhum deles lhe dirigia mais do que um olhar fugaz.

Suas perguntas, e suas ameaças, tudo caiu em ouvidos surdos.

 

E o estranho preso no orbe de vidro à sua frente, o homem pálido de olhos insondáveis, também a ignora, ou pelo menos não respondia.

"Talvez ele não pudesse falar? Eu duvido  disso."

Ele apenas continuava a observar, sua presença silenciosa tão sufocante quanto as paredes de pedra ao redor.

Sentada com as costas encostadas na borda invisível do círculo, Briely passou os dedos trêmulos pelo chão frio, tentando, mais uma vez, invocar seus poderes.

Ela Fechou os olhos, concentrando-se, buscando a conexão com a água que sempre fora parte dela, um eco de seu pai, Poseidon.

Mas nada realmente aconteceu.

Nem uma gota, nem uma brisa úmida. Era como se algo naquele lugar tivesse cortado sua essência. "Mas que droga! Por que isso não funciona?!"

A frustração queimava em seu peito, misturando-se ao desespero.

 

Ela bateu as mãos no chão,mas nem isso aliviou a raiva.

Foi então que notou algo estranho. Passaram-se horas, talvez um dia inteiro (era difícil acompanhar o tempo naquele lugar sem janelas), e ela não sentiu fome.

Nem sede.

Seu corpo estava exausto, sim, os músculos pesados ​​e a mente  um pouquinho enevoada, mas não havia aquele vazio no estômago, nem a secura na garganta que deveria acompanhar a privação.

Era um reconfortante, de certa forma, saber que não morreria de inanição ali.

Mas também era inquietante.

O que estava acontecendo com ela? Era o círculo de runas? A presença daquele lugar? Ou algo relacionado ao estranho que não tirava os olhos dela?

Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto a realidade de sua situação atingia com força renovada.

Ela se encolheu, virando-se de costas para o globo de vidro, como se pudesse bloquear o peso daquele olhar.

Tirou a jaqueta com movimentos lentos, dobrando-a e colocando-a sob a cabeça como um travesseiro improvisado.

O tecido ainda cheirava a terra, um lembrete de onde ela estava antes de tudo desmoronar.

As lágrimas escorreram silenciosamente no início, mas logo os soluços baixinhos escaparam, ecoando no silêncio opressivo do porão.

“Pai... por favor…” murmurou ela, a voz entrecortada, as mãos unidas em uma prece desesperada.

"Me ouça. Por favor Me tire daqui." "Eu não sei onde estou, não sei o que está acontecendo... por favor pai, me ajude."

Mas não houve resposta .

Nenhum rugido distante do mar, nenhum tremor nas paredes que pudesse indicar a presença de Poseidon.

Nada.

Apenas o silêncio, cortado pelo zumbido quase imperceptível das runas.

O vazio e a falta de resposta era mais doloroso do que qualquer golpe físico.

Briely enterrou o rosto na jaqueta, os soluços se intensificaram por um momento antes de se reduzirem a um choro baixo, quase um lamento.

“Percy…” você sussurrou, chamando o nome do irmão como se ele pudesse ouvi-la através da distância impossível que os separava.

Ela esperava que ele a ouvisse, ou pelo menos tivesse um aviso com isso um pressentimento...

" Eu Tô com medo. Muito medo. Onde eu vim parar?" "Esse orbe... ele me teletransportou pra algum lugar."

"Uma propriedade de alguém. Não sei o que é, que lugar e esse... Percy... Eu tô presa, não sei o que fazer."

A exaustão finalmente a venceu.

Seus olhos ficaram pesados, as lágrimas secando em seu rosto enquanto o sono a reivindicava.

Ela se encolheu ainda mais, o corpo tremendo de leve, não pelo frio, mas pelo medo que parecesse crescer a cada segundo naquele lugar.

O seu último pensamento consciente foi  perguntas sem resposta: "como ela havia ido parar ali, e o que aquela mansão, e aquele estranho, guardavam? Onde ela estava? Alguém a resgataria? "

Enquanto ela dormia, algo começou a se manifestar em seus sonhos.

Imagens fragmentadas invadiram sua mente, mais vívidas do que qualquer sonho que ela já teve.

Era um castelo de vidro, erguendo-se em um céu impossível, com núcleos que não pertenciam ao mundo que ela conhecia.

Figuras indistintas caminhavam por paisagens que mudavam a cada instante, campos de areia dourados se transformavam em oceanos de escuridão, montanhas desmoronando em névoa.

 

Um calor suave a envolveu, era  quase reconfortante, mas também havia uma presença ali, algo ou alguém que ela não conseguiu identificar.

 

Não era hostil, mas também não era acolhedor.

Era... curioso.

 

Briely acordou ofegante, o coração disparado, o corpo ainda escolhido no chão frio.

Por um instante, não sabia onde estava, a linha entre o sonho e a realidade borrada. Seus olhos encontraram os do homem pálido no orbe de vidro.

 

Ele ainda a observava, como sempre, mas dessa vez havia algo diferente em seu olhar. Uma centelha, talvez de curiosidade, talvez de algo mais profundo.

Ela não sabia dizer o que era.

“O que foi isso?” disse ela, mais para si mesma do que para ele, a voz rouca do choro e do sono.

Ele não respondeu, é claro.

Mas, por um breve instante, Briely jurou que sentiu algo, uma presença em sua mente em seus sonhos, ela ouviu algo como um sussurro que não conseguiu decifrar.

Ela piscou, confusa, sacudindo a cabeça como se pudesse evitar a sensação.

Algo naquele homem, na forma como ele a encarava, fazia sentir que eu precisava manter a guarda alta.

 

Os dias no porão da Mansão Burgess continuavam a se arrastar, um ciclo interminável de pedra fria, sombras e o brilho opaco das runas que delimitavam a prisão de Briely.

Ela já havia perdido a noção do tempo, incapaz de distinguir se havia passado dois, três ou cinco dias desde que teve aquele primeiro sonho estranho.

A única medida de tempo que ela tinha eram as rondas dos guardas.

E o olhar dele.

Ele não disse uma palavra se quer a ela, mesmo se ela iniciasse a conversa ele nunca respondeu, mas ele não tirava seus olhos dela àqueles olhos profundos, insondáveis, e de alguma forma... Pareciam divertidos ? Tanto que  não os desviavam dela nem por um segundo.

Briely sentiu um calor irritante subindo pelo pescoço toda vez que percebia aquele olhar fixo dele.

Era como se ele soubesse algo que ela não sabia, ou como se ele estivesse se divertindo com sua impotência.

Ela tentou ignorá-lo no início, focando sua raiva nos guardas que ocasionalmente passavam pelo porão.

“EII, SEUS COVARDES!” gritou ela, socando a barreira até os pulsos arderem.

"Meu irmão e meu pai vão vir atrás de mim. E Quando eles chegarem, vocês vão implorar pra morrer rápido!"

Os dois guardas pararam no corredor.

Trocando um olhar rápido.

Um apertou o rifle. O outro engoliu em seco.

Mais Ninguém a respondeu.

Isso trouxe a Briely uma pequena satisfação, ao vê-los com medo um vislumbre de controle em um lugar onde ela não tinha ninguém.

Mas isso era uma vitória fugaz.

Os guardas seguiram seu caminho, os passos ecoando até desaparecerem, deixando-a novamente sozinha com o silêncio... e com aquele olhar dele irritante sobre ela.

Ela se virou para o orbe, punhos tão cerrados que as unhas cravavam nas palmas.

O homem pálido não tinha movido um músculo, mas a curva mínima nos lábios estava lá. Um sorriso que não chegava a ser sorriso.

“O que é tão engraçado?” cuspiu ela explodindo, dando um passo até a barreira faiscar contra sua pele.

" Você Para de me encarar como se eu fosse um bicho no zoológico! E Fala coisa alguma, ou pelo menos desvia esses seus olhos."

"Tá me deixando louca!"

Silêncio.

Apenas o brilho frio das estrelas dentro daqueles olhos.

Briely bufou, cruzou os braços com força e girou nos calcanhares.

Desabou no chão, costas contra a barreira invisível.

Mais ela Ainda sentia o olhar dele.

“Issi e Ridículo” ela sussurrou, rangendo os dentes.

" Nem sei por que eu ligo. Você nem sequer fala. Só fica aí… me Olhando me como se eu fosse um quebra-cabeça ou algo assim."

O silêncio respondeu por ele.

E, pela primeira vez, o quase-sorriso dele pareceu um pouco menos divertido.

E um pouco mais triste.

 

 

Os dias continuaram a passar dessa forma, uma monotonia quebrada apenas pelas breves passagens dos guardas e pela persistência daquele olhar.

 

Ela Passava  a maior parte do seu tempo sentada ou deitada, encarando o teto de pedras ou tentando arranhar as runas com as unhas — um esforço inútil que só acabava deixando suas mãos machucadas.

 

A única outra coisa que marcava o tempo eram os sonhos. Eles continuavam, noite após noite, e cada vez mais vívidos, mais também muito estranhos.

Em uma daquelas noites, o sonho foi especialmente intenso. Briely se viu em um deserto de areia negra, o céu acima dela fragmentado como um espelho estilhaçado, refletindo imagens impossíveis de lugares que ela nunca vira.

 

O ar era, carregado de uma energia estranha que a arrepiava ela parecia viva, e os murmúrios ao seu redor eram mais altos, mais insistentes, embora ainda indistintos.

Ela tentou correr, tentou gritar, mas seu corpo não obedeceu.

Então, de repente, ela acordou com um salto, o corpo coberto de suor frio.

Seus olhos encontraram os dele imediatamente.

Ele ainda a encarava, sem piscar, sem desviar.

O leve brilho de diversão parecia ter dado lugar a algo mais... intenso, quase exigente.

Era como se ele soubesse o que ela acabou de sonhar, como se estivesse esperando o acontecimento.

“CHEGA!” explodiu ela, levantando-se de um pulo e batendo as mãos contra a barreira invisível.

A dor levantada por seus braços, mas ela ignorou.

“ Você Para de me olhar assim!” “Eu sei que você está fazendo algo com meus sonhos.”

“E Não finja que não!”

“Tô cansada disso, entendeu?” “Fala logo o que você quer ou para de me encarar assim de uma vez!”

Ele não se moveu, não disse uma palavra. Apenas Continuou a observá-la, o rosto impassível, mas com aquele brilho nos olhos que parecia dizer que ele estava ouvindo cada palavra, e absorvendo cada gesto.

Briely bufou novamente, o rosto vermelho de raiva e frustração.

Ela virou as costas para ele mais uma vez, sentando-se com as pernas cruzadas e os braços firmemente cruzados sobre o peito.

Mas o peso daquele olhar não desaparecia.

Ela Sentia os cabelos da nuca se arrepiarem, como se ele pudesse ver através dela, mesmo de costas.

Ela se esforçou para se concentrar no som de sua própria respiração, no frio do chão, em qualquer coisa que não fosse ele.

Mas não adiantava.

 

“Você é um companheiro de cela insuportável” resmungou ela, baixinho, quase como se esperasse que ele ouvisse e respondesse. 

“Se você não vai falar comigo, pelo menos me deixa em paz.”

 

Exausta, ela se deitou no chão frio, usando a jaqueta como travesseiro.

Ela Fechou os olhos, tentando forçar o sono, mas sua mente estava agitada, cheia de perguntas sem respostas.

Ainda senti o olhar dele, mas o cansaço acabou vencendo. Quando o sono finalmente chegou, foi inquieto, carregado de ansiedade.  

E então, no meio da escuridão de sua mente, uma voz ecoou, clara e profunda, cortando o silêncio como uma lâmina.

"Não resista aos sonhos. Não desejo machucá-la."

 

Briely acordou abruptamente, o corpo tenso, os olhos arregalados enquanto ofegava.

O porão estava exatamente como antes, o brilho das runas iluminando o espaço de forma fantasmagórica.

E lá estava ele, ainda a encarando, sem desviar, sem mudar de expressão.

Mas algo em seu olhar parecia... confirme o que ela acabou de ouvir.

 

“Aquela voz, Era você, não era?”perguntou ela, a voz rouca.

"Aquela voz  que eu ouvi no meu sonho, ela era sua ?”

 

Ele não respondeu imediatamente, mas houve um leve movimento, quase imperceptível.

Um aceno de cabeça, tão sutil que ela poderia ter imaginado.

Mas ela viu.

E isso bastou para que a sua  raiva cessasse  brevemente e se misturasse a uma curiosidade inquietante.

 

“Tá bom” disse ela, depois de um longo silêncio,  mais calma dessa vez, mas ainda afiada.

"Eu vou te ouvir. Vou tentar. Mas não pense que confio em você. Só quero entender o que está acontecendo."

 

Ela se deitou novamente, fechando os olhos com relutância. As horas pareciam se arrastar, o silêncio do porão quebrado apenas pelo som de sua própria respiração.

O cansaço a vencia aos poucos, e finalmente o sono veio, mais profundo dessa vez.

E, com ele, veio o sonho.

 

Briely se viu em um espaço vazio, um vácuo onde não havia céu nem chão, apenas uma escuridão infinita.

A sensação era sufocante, E então, a voz retornava, alta e clara, como se viesse de todos os lados ao mesmo tempo.

"Está aqui ."

Era ele.

Briely olhou ao redor, e então o viu.

Uma figura, quase indistinta contra o fundo negro, mas inconfundivelmente ele.

Seus olhos brilhavam com a mesma intensidade que ela conhecia do orbe, mas havia algo mais vulnerável em sua presença ali.

“Sim, estou aqui” respondeu ela, a voz ecoando de forma estranha naquele vazio.

Ela deu um passo incerto na direção a ele, embora não saiba se havia um “chão” sob seus pés. 

"Quem e você? A quanto tempo você está preso aqui? Nesse orbe, nesse lugar... quanto tempo?"

 

Ele a olhou por um longo momento, como se pesasse suas palavras.

Seus lábios se moveram, mas antes que qualquer som saísse, o espaço ao redor começou a tremer.

As luzes pulsantes se apagaram uma a uma, e a escuridão pareceu se fechar como uma onda.

Briely sentiu um puxão, como se algo a arrancasse dali, e então acordou, o corpo tenso no chão frio do porão.

 

Seus olhos encontraram os dele imediatamente.

Sonho ainda a encarava, mas agora havia algo diferente em seu rosto uma sombra de frustração, talvez, ou de algo mais profundo.

Ele não falou, e ela também não disse nada por um longo momento.

Apenas o silêncio os conectava, carregado de perguntas que nenhum dos dois poderia responder... ainda.

Briely se sentou lentamente, o coração ainda acelerado.

Ela não sabia exatamente o que acabou de acontecer, mas uma coisa era certa: aquele estranho, quem quer que fosse, não era apenas um prisioneiro como ela.

Ele não era humano como ela.

Havia algo maior nele, algo divino

 

 

 

Elenco 👇

Deva cassel como Briely.

 

 

Notes:

Chronou kai Polykosmou Kleis
👇
"Chave do Tempo e do Multiverso” ou “Chave do Tempo e dos Muitos Mundos”.

Comentários e elogios são muito apreciados ♥️

Chapter 3: O Orbe Era Só o Começo do Meu Problema

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

 

   

 

Os dias e as horas se arrastavam lentamente no porão frio e úmido da Mansão Burgess.

 

Briely permaneceu confinada dentro do círculo de runas, o brilho azulado pulsando quase hipnoticamente, como uma lembrança constante de seu aprisionamento.

 

Os guardas ainda passavam de vez em quando, mas nenhum deles lhe dirigia mais do que um olhar fugaz.

 

E, como sempre, suas perguntas e ameaças continuaram sem surtir efeito; eles a ignoraram.

 

E o estranho na esfera de vidro à sua frente (o homem pálido de olhos insondáveis, como ela o apelidou, já que ela não sabia seu nome) também a ignorou, ou pelo menos não a respondeu.

 

Ele apenas continuava a observar, sua presença silenciosa.

 

O tédio era sufocante, mas algo havia mudado desde que os sonhos começaram a se tornar mais claros.

 

A cada noite, ela se via em cenários impossíveis, conversando com o estranho preso no orbe de vidro.

 

No começo as trocas de palavras entre os dois eram fragmentadas e  instáveis, como se a própria realidade dos sonhos tremesse ao redor deles.

 

Até que, em uma noite particularmente vívida, o sonho finalmente se estabilizou de forma quase tangível.

 

Briely se encontrou em um penhasco negro, cercado por um céu de tons violetas e dourados, onde estrelas se moviam como peixes em um lago.

 

O ar era carregado de uma energia que parecia vibrar em sua pele.

E lá estava ele, o estranho do orbe, sentado em uma rocha lisa, sua figura pálida contrastando com o ambiente surreal.

 

Ela hesitou se aproximar dele ao notar que, no sonho, ele também estava completamente nu como na realidade, a pele quase luminescente sob a luz estranha do céu.

Um calor subiu ao seu rosto, e ela desviou o olhar por um instante, sentindo uma pontada de vergonha.

 

“Tá de sacanagem comigo, né?” ela resmungou para si mesma, antes de reunir coragem e se aproximar dele.

 

Ela Sentou-se na rocha ao lado dele, mantendo uma distância segura, com os olhos fixos em um ponto distante no horizonte.

Isso é um sonho. E  Só... ignorar.”

Ele a observou com a cabeça inclinada, os olhos profundos e insondáveis, como sempre.

 

Mas havia algo mais relaxado em sua postura ali, como se sonhos fosse um lugar onde ele pudesse ser mais ele mesmo.

Quando ele falou, sua voz era grave, ressonante, ecoando no vazio ao redor.

“Eu sou Morpheus, Sonho dos Perpétuos. É assim que me chamam... ou chamavam, antes de estar aqui.”

Briely franziu o cenho, virando a cabeça para encará-lo.

O nome acendeu um alarme em sua mente, (mas não do jeito que ele provavelmente esperava).

Ela conhecia o Morpheus, ou pelo menos achava que conhecia.

No Acampamento Meio-Sangue, Morpheus era só mais um deus menor, ligado aos sonhos, mas longe de ser uma figura de destaque entre os Olimpianos.

Ele era só mais um deus Menor um que quase ninguém rezava. Um Que lutou do lado de Cronos na Segunda Guerra Titânica.

Mais ele definitivamente não tinha esse tipo de… presença

E certamente não era alguém que se apresentasse com tanto... peso.

Ela cruzou os braços, um sorriso debochado curvando seus lábios.

 

“Morfeu, hein?” ela disse, a voz pingando desconfiança.  “O deus menor dos sonhos? Aquele que ficou do lado do Cronos?”

“Tá tentando se passar pelo deus dos sonhos que eu conheço, é isso?”

“Olha, eu sei que está preso aí, mas inventar histórias não vai te ajudar a sair. Se quer brincar, tudo bem, eu brinco junto. Mas não me tome por idiota.”

Os olhos dele se estreitaram de repente.

A testa se franziu — uma ruga sutil, mas tão cheia de ofensa que parecia que ela tinha acabado de cuspir no trono dele.

Ela teve a audácia de chamá-lo de Deus menor.

Ele claramente não estava acostumado a ouvir isso.

“Não brinco. Sou Morpheus, um dos Perpétuos, guardião do Sonhar, o reino onde todas as histórias e sonhos convergem. Meu domínio é vasto, mas agora... estou preso, como você.

"E você, quem é para duvidar de mim com tal certeza?”

Briely bufou, rolando os olhos.

Ela Ainda achava que ele estava tentando irritá-la ou manipulá-la, mas decidiu entrar no jogo. Afinal, não tinha muito mais a fazer naquele porão maldito.

“Tá bom, ‘Morpheus’. Se você é mesmo quem diz ser, os deuses e semideuses já saberiam.”

“Um deus preso não passa despercebido, sabia?” “Especialmente alguém como você, supostamente tão importante.”

Ela fez uma pausa, o tom mais sério agora.

“Aliás, prazer,  meu nome é Briely Jackson. Sou uma semideusa, filha de Poseidon. E antes que você pergunte, sim, o Poseidon o grandão dos mares.”

 

“Eu também Passo um tempo no Acampamento Meio-Sangue, Sabe? Aquele lugar onde filhos de deuses treinam pra não virar comida de monstro e não morrer antes dos 18.”

"E um lugar onde semideuses como eu vivem, treinam e tentam sobreviver às loucuras que os deuses jogam na gente.”

“Bem e Eu Acabei aqui presa junto com você por causa de uma missão que deu errado.”

"Peguei um objeto estranho, li umas palavras em transe, e bum, aí eu caí do céu, literalmente, e acabei no jardim e depois disso fiquei presa nesse porão.”

“Sua vez, majestade, qual é a sua desculpa?”

 

Morpheus franziu a testa, o gesto sutil, mas evidente no rosto pálido. mas tão cheio de “como ela ousa”

Ele a encarou por um longo momento, como se estivesse tentando encaixar as peças de um quebra-cabeça impossível.

“Poseidon... conheço-o. OnSenhor dos mares, esposo de Anfitrite, e pai de Tritão.”

“Mas uma filha?”

“Uma semideusa, nascida de um mortal e de um deus?”

“E esse... Acampamento Meio-Sangue?”

“Isso não estava em meu conhecimento.”

Briely congelou por um segundo, depois soltou uma risada amarga.

Ela Não queria soar como se estivesse se gabando, mas a ignorância dele a pegou de surpresa, e, de certa forma, a ofendeu.

Ela e seu irmão gêmeo eram bastante conhecidos no mundo dos deuses, especialmente por serem filhos proibidos, nascidos após o pacto dos Três Grandes.

Como ele podia não saber?

 

“Sério?” retrucou ela, o tom afiado.

“Não quero me vangloriar, mas eu e meu irmão gêmeo não somos exatamente desconhecidos entre os deuses.”

“Os Filhos proibidos de Poseidon, já ouviu falar?” "E o Acampamento Meio-Sangue é tipo... o centro de tudo pra gente. Como você não sabe disso?”

“Ou você tá preso há tanto tempo aqui que perdeu o contato com o mundo?”

Morpheus não respondeu de imediato.

Seus olhos a dissecaram, buscando algo além das palavras.

Briely aproveitou o silêncio para fazer outra pergunta, a curiosidade mordendo sua mente.

“Aliás, há quanto tempo você tá preso aí nesse orbe?”

Ele hesitou, como se as palavras fossem pesadas demais para serem ditas.

Quando falou, sua voz era baixa, carregada de uma melancolia que a pegou desprevenida.

“Desde 1916. Décadas, Briely. Décadas neste confinamento, longe do Sonhar, longe de meu propósito.”

Os olhos dela se arregalaram, e sua boca formou um “o” silencioso.

Uma expressão de choque cruzou seu rosto. Décadas. Desde 1916? Era tempo demais. Ela engoliu em seco, tentando processar a enormidade disso.

“Caramba... tá falando sério? Isso é...”

Ela balançou a cabeça, tentando se recompor.

“Tá, mas me diz uma coisa.”

“Você é mesmo o Morpheus? Porque, se for, não tô entendendo como ninguém sabe que você tá aqui.”

Ele a encarou, e pela primeira vez, uma sombra de irritação passou por seus traços.

“Já disse quem sou. E Não minto. Sou Morpheus, Sonho dos Perpétuos. E minha prisão é um assunto que nem todos poderiam compreender plenamente.”

Briely ergueu as mãos, quase como se estivesse se rendendo, mas seu tom ainda carregava um fiapo de provocação.

“Tá, tá, calma cara. Só tô tentando te entender.

“Esse negócio de ‘Perpétuo’... não faz sentido pra mim. No lugar de onde venho, você seria só um deus menor, sabe? Filho de Hipnos, ou algo assim. Então, me explica direito.”

Morpheus permaneceu em silêncio por um instante, como se decidisse o quanto revelar. Enquanto isso, ele parecia notar algo estranho nas palavras dela, nos nomes e lugares que mencionava.

Ele inclinou a cabeça, a irritação dando lugar a uma análise fria.

“Antes de explicar mais, quero saber sobre esse objeto. O objeto que trouxe você até aqui. Era como?”

“E O que você fez exatamente?”

Briely suspirou, passando a mão pelo cabelo bagunçado.

Ela Não via mal em contara ele tudo , embora achasse que ele estava desviando do assunto.

“Era uma esfera pequena, preta, com uns símbolos estranhos gravados., eu li umas palavras que surgiram na minha cabeça, era  como se eu estivesse em transe.”

"Aí bum o mundo girou, eu  senti como se estivesse sendo puxada por um redemoinho, eu acabei desmaiando e acordei estava caindo do céu perto dessa mansão mal-assombrada.”

“Fui capturada logo depois pelos guardas. É isso.”

Os olhos de Morpheus brilharam com algo novo, compreensão, talvez, ou uma suspeita confirmada.

Ele se inclinou um pouco mais para frente, a voz grave e carregada de certeza.

“Então, me ouça. Há algo que você precisa considerar.”

“Talvez você tenha sido trazida de um lugar muito distante, de uma realidade que não se alinha com o que conheço.”

“Isso pode explicar por que não estou familiarizado com os nomes ou lugares de que fala.”

 

“O Acampamento Meio-Sangue, os filhos proibidos de Poseidon... nada disso me é conhecido.”

 

Briely o encarou, boquiaberta.

A ideia era absurda, e impossível. Ela achava com toda certeza que tinha sido teletransportada para um canto esquecido do mundo, uma mansão assombrada com  um reduto de cultistas bem loucos.

Mas uma realidade diferente?

Isso já era demais.

“Espera aí, o quê?” exclamou ela, rindo nervosamente.

 

“Uma realidade diferente? Você Tá falando sério? nossa Isso é loucura até pros meus padrões, e olha que eu lido com deuses e monstros quase todo dia.”

“Não, não, eu só fui teletransportada pra esse lugar esquisito.”

“Não tem isso de ‘outra realidade’. Você tá me zoando, né?”

Morpheus não sorriu. Não havia traço de brincadeira em sua expressão.

“Eu não ‘zombo’. Sou o guardião do Sonhar, e durante os bilhões de anos que vivi, já vi muitas possibilidades.”

“Você fala de coisas que não reconheço, de histórias que não se alinham com o que sei. Pense nisso.”

Você pode estar mais longe de casa do que imagina.”

O sonho começou a tremer então, as cores do céu se desfazendo como tinta em água. Briely sentiu um puxão familiar, o sinal de que estava sendo arrancada de volta ao mundo real.

Antes que desaparecesse, ela lançou um último olhar para Morpheus, sua mente girando com dúvidas.

"Será que ele e poderia estar certo? Ou será que era só mais um truque da mente de um prisioneiro desesperado?"

Quando ela acordou no porão, ofegante e com o coração disparado, os olhos dele ainda a encaravam através do vidro.

E, pela primeira vez, Briely não soube o que dizer.

Ela Apenas o encarou de volta, o peso de suas palavras ecoando em sua mente como um pesadelo do qual não podia escapar.

 

 

Os dias seguintes à conversa no sonho foram um tormento de pensamentos desencontrados para Briely.

 

Sentada no chão frio do porão, dentro do círculo mágico que a aprisionava ao lado do orbe de vidro de Morpheus, ela se abraçava com força, os joelhos contra o peito, tentando segurar a sanidade que parecia escapar dela a cada segundo.

 

O círculo, traçado com símbolos arcanos que pulsavam com uma energia opaca, não só a impedia de sair como também ainda sustentava seu corpo.

ela não sentia fome, e não precisava comer, mas isso só tornava a prisão ainda mais desumana.

Era como se sua própria existência no momento estivesse suspensa.

"Isso não pode ser real ” ela sussurrou para si mesma, a voz trêmula ecoando no porão vazio da Mansão Burgess.

“Não pode ser verdade. Eu não posso ter sido teletransportada pra um maldito universo. Isso é insano. Até Absurdo.”

Seus dedos remexiam nervosamente o anel em seu dedo, um objeto que parecia comum à primeira vista pra todos os outros, mas que carregava um peso muito maior.

 

Era um dos únicos presente que  Poseidon, seu pai a deu, era bem parecido com a caneta do seu irmão era uma espada de bronze celestial forjada para ela, capaz de se transformar de um  anel para a lâmina com um simples comando mental.

Ela nunca foi muito habilidosa com armas, mas ter aquele pedaço de casa, aquele vínculo, no momento era a única coisa que a mantinha ancorada.

Agora, porém, o gesto de mexer no anel só a  trazia angústia, uma expressão de dor se formando em seu rosto enquanto pensava novamente em Morpheus e no que ele disse, que ele estava preso no orbe de vidro há mais de  décadas, desde 1916.

E se ela acabasse ficando ali tanto tempo quanto ele? E se ela nunca escapasse daquele porão escuro e sufocante?

 

“Eu não posso ficar aqui presa por décadas ”ela murmurou, a voz se elevando em desespero. “Não vou aguentar isso. Não dá!”

 

Seus olhos se voltaram para a porta de ferro que levava às escadas do porão. Os guardas, agora em serviço.

Uma frustração queimante, misturada com um pânico crescente, explodiu dentro dela.

Levantando-se, ela se lançou contra a barreira invisível, socando o ar até os punhos arderem mesmo sabendo que era inútil, mesmo sabendo que e inútil talvez a pura raiva pudesse quebrar àquela magia estranha.

“EII ME SOLTEM, SEUS COVARDES! ”gritou ela, a voz rasgando.

“Vocês não podem me manter aqui pra sempre, seus covardes! Vocês aínda Vão se arrepender disso, eu juro pelos deuses!”

“Quem quer que esteja aí em cima, me solte! Eu vou encontrar um jeito de quebrar isso, e vocês todos vão se arrepender, eu juro!”

Do outro lado da porta, a pequena janela gradeada se abriu, revelando o rosto de um dos guardas, um homem de meia-idade com uma expressão de tédio absoluto.

Ele a encarou sem mover um músculo, imune aos gritos desesperados dela.

“Para de fazer barulho, garota. Ninguém Aqui vai te soltar. São Ordens do Sr. Burgess.”disse ele,  antes de fechar a janela com um estalo.

Briely recuou, ofegante, os punhos ainda cerrados, o peito subindo e descendo rapidamente.

O pânico ainda pulsava em suas veias, mas ela sabia que  não adiantava fazer escândalo.

 

Não ali, não contra magia que ela nem entendia.

Seus ombros caíram em derrota, e ela voltou ao centro do círculo, deslizando para o chão mais uma vez.

 

Seus olhos, porém, desviaram para o orbe de vidro ao seu lado, onde Morpheus a observava em silêncio, seus olhos profundos e insondáveis.

Ela se deitou no chão frio, usando o braço como travesseiro, e o encarou no orbe.

Morpheus estava lá,  ainda com os olhos fixos nela com uma intensidade que a deixava ao mesmo tempo desconfortável e estranhamente reconfortada por ele estar lá.

Então, ele fez algo inesperado ele levantou uma mão e a pressionou contra o interior do vidro, como se tentasse alcançar algo além da barreira.

O gesto era simples, mas carregado de uma intenção que ela não conseguia definir.

Um sorriso fraco, quase imperceptível, curvou os lábios de Briely.

Ela fechou os olhos, tentando ignorar o peso no peito, e deixou o cansaço tomar conta.

Talvez, só talvez, dormir a ajudasse a escapar, mesmo que apenas por algumas horas.

 

 

Quando o sono veio, ela se encontrou novamente com ele no seu Sonho, dessa vez era um lugar que parecia uma mistura de uma  floresta e caverna, com árvores de troncos translúcidos e luzes pulsantes dançando no ar como vaga-lumes.

Morpheus estava lá, sentado em uma pedra lisa, como se a esperasse.

Ela se aproximou, o peso do porão começando a se dissipar agora que estava fora daquela prisão, mesmo que só fosse em  um sonho, ela  sentou-se perto dele.

“Você parecia… inquieta” disse ele, a voz grave ressoando no ar estranho, cada palavra calma demais pro caos que rolava dentro dela. “Antes de adormecer.”

Briely suspirou, esfregando o rosto com as mãos. Os dedos roçaram o seu anel de prata, que ainda estava ali mesmo que isso fosse apenas um sonho.

“É que… eu não consigo parar de pensar no que você disse. Sobre eu estar longe de casa. Mais longe do que eu consigo imaginar.”

Ela engoliu em seco.

“Isso me destrói por dentro, sabe? E pensar que você tá preso aí desde antes de eu nascer… eu não quero acabar assim.”

“Não suporto a ideia de passar décadas presa naquele círculo.”

Morpheus a encarou por um longo instante, aqueles olhos fixos nela. Quando ele falou, a sua voz saiu mais suave do que nunca.

“Não conheço esse Acampamento Meio-Sangue de que fala, Briely. Nem filhos semideuses de Poseidon só o seu filho Tritão, seu herdeiro divino.”

“Eu também Não sei das histórias ou dos lugares que você  descreve.”  

Ele fez uma pausa mínima, quase imperceptível.

“Mas sua dor… isso eu compreendo. E isso eu posso compartilhar.”

 

Ela o encarou, surpresa com aquele tom tão… suave. Não era abraço de amigo, mas era o mais próximo de consolo que ele parecia capaz de dar a ela.

Os olhos dela arderam por um segundo antes que ela engolisse o nó na garganta.

 

“Então… você realmente acha que eu tô perdida de um jeito que nem dá pra explicar?” ela  perguntou, a voz quase um sussurro.

 

“Acho que você foi trazida de um lugar que não reconheço como parte do que sei” respondeu ele, escolhendo cada palavra.

“Mas também acredito que há caminhos, mesmo nos lugares mais distantes. Eu te ajudarei a voltar para casa, Briely."

"Mesmos que seja difícil De alguma forma, encontraremos um meio.”

Um calor pequeno, mas real, se espalhou no peito dela.  

Pela primeira vez em dias, ela sentiu algo além de desespero.

Sem pensar, num impulso puro, ela se inclinou e o abraçou.

Dois segundos.  

Foi o suficiente pra lembrar que ele ainda estava nu no sonho, como sempre.

O rosto dela explodiu em vermelho.

Ela se afastou num salto, cobrindo a cara com as duas mãos.

“Pelos Deuses, Me Desculpa!” ela gritou, a voz abafada.

“Eu esqueço toda vez que você tá… assim! Que vergonha, caramba!”

Morpheus inclinou a cabeça, um brilho quase imperceptível de diversão nos olhos.

“Não há problema. As formas são apenas reflexos. Não há vergonha nisso.”

Briely espiou por entre os dedos, ainda vermelha.

“Tá bom, mas pra mim ainda é super estranho e esquisito! Muda de assunto antes que eu cave um buraco aqui e me enterre aqui dentro, por favor!”

Ele assentiu, e o cenário ao redor pareceu entender o recado, a floresta-caverna começou a se desfazer, pronta pra virar qualquer outra coisa que não a lembrasse daquele abraço constrangedor.

 

 


 

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Os encontros entre eles tornaram-se mais frequentes Briely agora passava a maior parte do tempo dormindo, não apenas pelo cansaço mental, mas porque era a única forma de escapar da opressão do porão e do círculo mágico.

A floresta-caverna se dissolveu lentamente, dando lugar a novos cenários conforme os dias e semanas se passavam.

Morpheus a levava a diferentes paisagens nos sonhos, cada uma mais impressionante e vívida que a anterior, praias de areia prateada que refletiam estrelas mesmo de dia, jardins onde as flores trocavam de cor a cada toque.

E até mesmo um campo de morangos que cheirava exatamente como o que havia no Acampamento Meio-Sangue, um lugar que parecia saído diretamente de suas memórias mais queridas.

Foi nesse campo de morangos, sob um céu de tons rosados que lembravam o amanhecer, que eles tiveram uma das conversas mais  abertas  sobre a vida dela que eles tiveram até então.

Briely estava sentada no chão, colhendo um morango e brincando com ele entre os dedos enquanto falava, a mente perdida em lembranças agridoce.

“Esse lugar me lembra tanto o Acampamento” disse ela, um sorriso saudoso curvando seus lábios.

 

“Lá tinha um campo de morangos gigantesco, sabe? A gente colhia eles pras oferendas pros deuses, ou só por diversão mesmo.”

“Meus amigos... a gente passava horas lá, rindo, falando besteira.”

“Meu irmão gêmeo, principalmente. Ele vivia me tirando do sério, mas... eu daria qualquer coisa pra vê-lo agora.”

 

Morpheus estava sentado ao lado dela, os olhos fixos no horizonte, mas claramente ele estava a  ouvindo com atenção, cada palavra dela estava sendo absorvida por ele.

“E sua família? Além de seu irmão, como era?”

Briely deu de ombros, o sorriso diminuindo um pouco enquanto remexia o anel-espada no dedo.

“Minha mãe... ela e incrível, sabe, Criar dois filhos de Poseidon não é exatamente um passeio no parque.”

“E meu pai... bom, ele é um deus. Não dá pra esperar que ele esteja por perto fazendo panquecas no café da manhã.”

“Mas Poseidon me deu isso aqui.” Ela ergueu a mão, mostrando o anel.

“É uma espada de bronze celestial. Só preciso pensar, e ela se transforma. Não sou tão boa de lutar, mas... é como ter um pedaço dele comigo.

 

“E os amigos que fiz no Acampamento eram minha verdadeira família. Tem a  Annabeth, Grover, o Nico, o Tyson, ele e o  meu meio-irmão… a gente passou por tanta coisa juntos.”

 

“Até uma guerra, que começou a alguns anos atrás.” Ela  hesitou pensando se deveria contar mais a ele sobre isso, ela morde o lábio antes de continuar.

“Eu não sou muito boa com espada, sabia?”

“Sei me virar numa luta, consigo invocar água se precisar, mas sempre fui mais de resolver as coisas na conversa.”

“Ou correndo as vezes, se não tiver jeito.”

Ela soltou uma risada baixa, mas havia um tom de insegurança ali, como se estivesse confessando algo que a envergonhava.

Morpheus virou a cabeça para encará-la. Ele Vestia agora um manto negro simples.

Sua voz era calma, quase reconfortante, embora carregada de uma gravidade natural.

“Nem todos os caminhos exigem lâminas. Há força em palavras, em conexões. Você parece carregar isso, mesmo sem perceber.”

Ela corou levemente com o elogio indireto, mexendo no morango com mais intensidade, quase esmagando a fruta entre os dedos.

“Valeu... acho. E você? Como é a sua... família, ou sei lá como você chama isso?”

Ele fez uma pausa, como se as palavras fossem difíceis de encontrar, algo raro para alguém tão articulado quanto ele.

Quando falou, sua voz era mais baixa, carregada de algo que parecia uma nostalgia distante.

 

“Tenho irmãos e irmãs, os Perpétuos. Somos sete, cada um com um domínio próprio. Destino, Morte, Desejo, Desespero, Delírio, Destruição... e eu, Sonho.”

"Não somos uma família como a sua, mas há laços. Conflitos, também, inúmeros e antigos.

“O Sonhar, meu reino, é mais do que um lugar. É parte de mim, uma extensão do que sou. E lá, eu tinha aliados.”

 

“Lucienne, minha bibliotecária, guardiã das histórias inumeráveis que o Sonhar contém. A Jessamy, meu corvo...” Ele parou, os olhos escurecendo, a mandíbula se apertando por um instante.

“Ela foi morta, tentando me salvar, quando fui capturado.”

Briely franziu o cenho, sentindo um aperto no peito ao ouvir a dor velada na voz dele.

“Como você acabou aqui? Quero dizer, preso nesse orbe? Como alguém pega um cara como você?”

Morpheus olhou para o céu rosado, como se visse algo além dele, algo que não estava ali.

“Eu estava vulnerável, após um evento que me enfraqueceu. Roderick Burgess, o homem que originalmente controlava este lugar, tentou invocar um de nós, um dos Perpétuos, mas acabou me capturando por engano.

“Ele acreditava que eu lhe daria poder, imortalidade, riquezas além da imaginação. ele  Roubou meus objetos minha areia, meu rubi, meu elmo. Sem eles, sou... diminuído. Preso.”

Ele fez uma pausa, o tom se tornando mais sombrio.

“Ele não conseguiu nada do que queria.”

“Ele Morreu sem respostas, e  sem recompensas. Mas seu filho, Alex, agora nos mantém aqui preso, na esperança de que eu ceda, ou que consiga extrair algo de mim. Ou também agora de você.”

Briely o encarou, processando as palavras, a mente girando com a ideia de quem era Alex Burgess aquele velho que nunca aparecia.

Uma mistura de raiva e frustração cresceu dentro dela, não só por ela mesma, mas por Morpheus, que estava preso por tanto tempo, privado de tudo que era seu.

“ Isso é absurdo” disse ela, a voz baixa, mas firme.

“Suas ferramentas… a gente precisa recuperá-las, então quando sairmos daqui. Não dá pra você ficar preso pra sempre por causa de um velho.”

“E eu… eu também não quero passar o resto da minha vida nesse círculo maldito.”

Ele a olhou, e havia algo em seus olhos que não estava lá antes uma determinação quieta, quase como um juramento silencioso.

“Não ficaremos. Encontraremos um caminho, Briely. Para recuperar o que é meu… e para levá-la de volta ao seu lar, onde quer que ele esteja.”

Ela sorriu, um sorriso genuíno dessa vez, embora ainda carregado de incerteza e saudade.

“Então tá. Somos uma dupla partir de agora, hein? Vamos fazer tudo isso juntos, de algum jeito.”

Morpheus não sorriu de volta, mas a leveza em sua expressão era resposta suficiente  um brilho sutil nos olhos, um relaxar quase imperceptível de seus ombros.

O campo de morangos ao redor deles parecia brilhar um pouco mais, como se o Sonhar refletisse a pequena chama de esperança que começava a crescer entre os dois.

Eles continuaram ali, conversando sobre pequenos detalhes de suas vidas, ou existências, no caso dele  enquanto o sonho se estendia por horas, um refúgio temporário do porão frio e do círculo mágico que os aguardava na realidade.

 

 

 

Os dias se passavam, mas no Sonho tempo era um conceito maleável, moldado pelos desejos de quem habitava aquele reino.

Briely, ainda presa no porão da Mansão Burgess na realidade, buscava cada vez mais refúgio nos sonhos que Morpheus criava para ela.

Era como se ela vivesse mais ali, imersa em paisagens impossíveis, do que no mundo real, confinada sob o peso opressivo de sua prisão.

Morpheus, por outro lado, tornou-se uma presença constante e bem vinda, ele era  alguém que ela apreciava, Ele era bem gentil com ela de um jeito que ela não esperava que ele fosse, ele sempre estava com ela e a guiava pelos seus sonhos, também como os moldava, quando conversavam ele a ouvia e ele também sempre respondia todas as suas perguntas com uma paciência que a fazia sentir-se única.

Naquela noite, enquanto ela adormecia no porão,  ela apareceu em uma praia de areias brancas e um oceano de um azul tão profundo.

Briely riu alto, correndo descalça até a beira da água, as ondas lambendo seus pés enquanto gritava por cima do ombro:

“Isso tá virando rotina, hein, Morpheus? Sempre me trazendo pro mar! Você não tem outra ideia não?”

Ele caminhava atrás dela, a figura alta e imponente contrastando com a leveza do cenário.

“Não é rotina se é o que você gosta” ele respondeu, a voz grave, mas com um tom mais suave do que o habitual, quase brincalhão.

“O oceano ele combina com você. É... parte da sua essência.”

Ela virou-se de repente, salpicando água na direção dele com um sorriso travesso.

“ Tá, eu admito que amo isso aqui. Mas vem cá, vem entra na água comigo! Para de ficar só parado me olhando você fica parecendo  parecendo uma estátua, daquelas bem  sombrias.”

Ela riu, aproximando-se e notando mais uma vez a diferença de altura entre eles.

“Sério, como você é tão gigante? Eu me sinto uma formiguinha perto de você, sabia? Sou minúscula!”

Morpheus inclinou a cabeça, e um sorriso genuíno, ainda que discreto, curvou seus lábios pálidos, algo raro que parecia iluminar seu rosto de um jeito inesperado.

Ele parecia achar graça na comparação dela, os seus olhos estavam brilhando com uma leve diversão enquanto a observava.

“Você pode ser pequena em estatura, Briely, mas sua presença é... impossível de ignorar”disse ele, enquanto se aproximava um passo, diminuindo ainda mais a distância entre eles.

Briely sentiu o rosto aquecer, mas tentou disfarçar com uma risada.  

“Uau, agora tá até me elogiando? Quem diria que o Senhor dos Sonhos sabia ser tão charmoso!”

 

Ela deu um passo para trás, ainda rindo, mas tropeçou e quase caiu.

 

Ele foi rápido, segurando-a pelo braço com uma firmeza gentil, impedindo que ela caísse.  

O toque dele era frio, mas reconfortante, e ele a segurou por um instante a mais do que o necessário, os olhos fixos nos dela com uma intensidade que a fez engolir em seco.  

“Cuidado” murmurou ele pra ela, e então ele  soltou-a com relutância, voltando a caminhar ao lado dela pela praia.

Ela respirou fundo, recuperando o ritmo, e decidiu mudar de assunto enquanto o acompanhava.  

“Tá bom, me diz uma coisa, se você pode criar qualquer lugar no seu reino o Sonhar, qual foi o mais doido que já fez? Tipo, algo que eu nem consigo imaginar.”

Morpheus pensou por um momento, o olhar perdido no horizonte onde o céu parecia pulsar com cores impossíveis.  

“Certa vez, criei um labirinto de memórias para um sonhador que queria reviver cada erro que cometeu. Ele se perdeu nelas. O Sonhar nem sempre é gentil, mesmo quando eu desejo que seja.”

Ela o encarou, surpresa, mas não intimidada.  

“Isso é meio assustador, mas também e bem  incrível. Você faz algo assim pra mim? Tipo, um lugar que mostre algo sobre mim mesma?”

Ele virou o rosto para ela, os olhos profundos como abismos estrelados.  

“Acredito que você já saiba quem é.”  

Havia uma suavidade em sua voz, quase como se ele quisesse que ela percebesse o quanto a admirava, sem dizer as palavras.

Briely sorriu, um pouco desconcertada, mas continuou tagarelando enquanto caminhavam.

Mais tarde, o cenário mudou para um campo de flores silvestres, onde ela correu entre as pétalas coloridas, rindo e tentando convencer Morpheus a se juntar a ela.

“Vem cá, não seja tão sério! Só corre comigo um pouco, vem!” gritou ela, girando entre as flores com uma leveza infantil.

Ele permaneceu de pé por um momento, observando-a com aquele quase-sorriso que parecia reservado só para ela.

Então, para surpresa de Briely, ele deu alguns passos na direção dela, não exatamente correndo, mas acompanhando-a de um jeito que parecia dizer que estava ali por ela, e só por ela.

Quando ela parou, ofegante e rindo, ele se aproximou e, com um gesto inesperado, pegou uma flor do campo e a colocou atrás da orelha dela, os dedos roçando levemente sua pele.

"Você traz... vida a este lugar", disse ele baixinho, quase como se confessasse algo para si mesmo.

Ela piscou, um  surpresa pela fala dele, mas logo riu.

"Tá virando poeta agora? Cuidado, Morpheus, vou  realmente começar a achar que você gosta mesmo de mim!", ela disse brincando.

 

Ele não a respondeu, mas o olhar dele, fixo nela com uma mistura de intensidade e ternura, falou mais do que palavras poderiam.

 

Ele já estava apaixonado por ela, mesmo que não admitisse em voz alta.

 

 

 

 

 

O porão da Mansão Burgess continuava sendo uma prisão sufocante, que estava impregnado de poeira e também de um silêncio que parecia vivo, que carregado de décadas de sofrimento.

Briely, naquele dia estava sentada dentro de seu círculo mágico totalmente entediada, sentindo o peso do confinamento como uma corrente invisível.

Morpheus,  em sua jaula de vidro próxima, mantinha a mesma postura imponente de sempre, os olhos fixos em algum ponto além do que ela podia ver.

 

Naquela tarde, algo finalmente mudou.

Alex Burgess, que agora era um homem velho e frágil, estava sendo empurrado por Paul em uma cadeira de rodas até o porão.

Seus olhos cansados encontraram os de Morpheus, e havia um peso em sua voz ao falar, quase um lamento.

"Eu... eu sempre disse que, se pudesse, te libertaria. Mas não posso. Não sem garantias."

Morpheus inclinou a cabeça de forma quase imperceptível, mas não respondeu, seu silêncio  e seu olhar era  mais cortante do que qualquer palavra.

"Meu pai... ele te temia. E eu entendo perfeitamente por quê. Você não é um homem, você é algo... muito além disso.

"Não sei o você que faria comigo, com Paul. Só quero... uma promessa.” "Prometa que não nos machucará e eu o libertarei" continuou Alex, com a voz tremendo.

 

Mais O Senhor dos Sonhos permaneceu impassível, os olhos como abismos insondáveis.

Alex esperou, mas nenhuma resposta veio. Derrotado, ele sussurrou.

"Eu nunca mais descerei aqui. Nunca."

 

Briely, que estava no  seu canto ouvindo tudo, se levantou e disse  com determinação, o que fez Alex se encolher. "Vocês deveriam ter medo. Soltem-nos agora.  Eu Juro que um dia a ira do mar virá para vocês."

 

Paul desviou o olhar, visivelmente desconfortável com a fala dela, enquanto Alex parecia ainda mais nervoso.

Sem mais palavras, Paul girou a cadeira de rodas, e, em um movimento descuidado, ele roçou a barreira que mantinha Morpheus preso, quebrando o selo mágico que o confinava.

Os dois subiram as escadas, deixando o porão em um silêncio pesado.

Os guardas, que observavam a interação de longe, começaram a cochichar entre si.

"Essa garota... Ela não é humana. E Você ouviu como ela falou? Ela Parece ser uma ninfa... ou pior,  talvez uma deusa caída."

"E aquele? Ele e Um dos Dráculas, só pode ser. Ficar preso tanto tempo e ainda ter esse olhar... eu não chegaria perto dele."

Naquele instante, a voz de Morpheus ecoou na mente de Briely, clara e firme: "O meu selo foi rompido."

Ela o fitou, com  o coração disparando, mas antes que ela pudesse o responder, um dos guardas piscou, ele tinha os olhos vidrados enquanto um sorriso sonhador se formava em seu rosto.

Morpheus dominou a  sua mente, preenchendo-a com visões de praias ensolaradas e férias perfeitas.

O guarda, como se estivesse em transe, pegou a sua  arma e atirou na barreira de vidro que prendia o Senhor dos Sonhos.

O som ecoou como um trovão no porão, e os cacos se espalharam pelo chão.

Morpheus estava finalmente livre.

Briely sentiu o ar mudar ao seu redor, como se a presença dele, agora desimpedida, preenchesse cada canto do espaço.

Ele se voltou para ela, os olhos intensos, e sua voz mental ressoou mais uma vez.

"Sua prisão termina agora."

Com um gesto quase imperceptível, ele estendeu a mão, e a barreira invisível que a prendia tremeu antes de se desfazer.

Briely caiu de joelhos, ofegante, o corpo protestando contra a súbita liberdade após tanto tempo.

Ela levantou o olhar para ele, e pela primeira vez no mundo real, ela ouviu sua voz física, “vamos, Briely, Não temos mais nada a fazer aqui.”

Ela congelou por um momento, seus olhos percorreram a figura dele, ele estava completamente nu, como estava na prisão por décadas.

 

O rosto dela ficou vermelho como fogo, ela conseguia ver tudo agora, tudo mesmo e ela rapidamente desviou o olhar, murmurando“P-pelos deuses, você... tá pelado! Não dá pra, sei lá, arrumar uma roupa ou algo assim antes de irmos? ”

Um traço de diversão, quase imperceptível, passou por seu rosto pálido.

"Minhas vestes, elas foram roubadas de mim. Mas haverá tempo para isso depois. ”

“Nao podemos perder tempo com isso Agora, nos precisamos ir.”

Os dois guardas restantes recuaram, armas em punho, o medo estampado em seus rostos trêmulos.

Mas eles não tiveram chance. Morpheus abriu a mão, e dela fluiu um pó de areia negra e cintilante, materializando-se como uma extensão de sua essência ele a assoprou.

O pó dançou pelo ar  envolvendo os homens.

E então eles caíram ao chão suavemente, adormecidos, com os rostos serenos como se sonhassem com algo muito melhor do que suas vidas poderiam oferecer.

Sem mais delongas, Morpheus se aproximou dela, ainda nu, mas com uma presença tão imponente que quase anulava qualquer constrangimento. “Vamos” disse ele, 

Antes que Briely pudesse responder ou se preparar, o mundo ao redor vibrou.

O porão sombrio parecia se dissolver em grãos dourados, como se as paredes de pedra desmoronassem.

O chão cedeu sob os pés dela, e ela teve tempo apenas de dar um passo hesitante antes de ser sugada para um redemoinho de escuridão e luz.

A sensação era bastante desorientadora, era como cair através de um vazio sem fim, o vento chicoteando seu rosto e cabelos.

 

A queda foi breve, mas intensa.

Eles caíram na  areia finalmente, eles aterrissaram juntos sobre uma praia iluminada por um céu que parecia em constante mutação, ora tingido de púrpura, ora de um azul profundo salpicado de estrelas.

 

Desta vez, Morpheus caiu sobre ela, mas, para alívio de Briely, ele estava agora vestido.

O peso de seu corpo a pressionou contra a areia por um instante, e ela ofegou, as mãos instintivamente empurrando seus ombros enquanto o calor subia ao seu rosto novamente.

 

"Pelo menos agora você veio de roupa. Já é um progresso" murmurou ela, tentando disfarçar o constrangimento com um tom brincalhão, enquanto ele se levantava de cima dela com uma calma inabalável, depois oferecendo a mão para ajudá-la a se erguer.

 

Ele segurou a mão dela com firmeza, puxando-a para cima, os olhos fixos nos dela por um momento antes de responder

"Bem-vinda ao meu reino."

Antes que Briely pudesse dizer mais ou processar a transição abrupta, uma figura surgiu à distância, caminhando com naturalidade por aquela praia onírica.

 

Era uma mulher de pele escura e expressão firme, carregando um livro fechado nos braços.

Seus passos eram elegantes, quase como se deslizasse sobre a areia, e seus olhos transmitiam uma mistura de surpresa e alívio ao se fixarem em Morpheus.

"Mestre?", disse ela, a voz carregada de reverência, mas também de uma preocupação contida.

"Finalmente voltou."

Seus olhos percorreram Briely de cima a baixo, analisando-a com curiosidade. Morpheus, agora completamente no controle, respondeu com a voz suave, mas carregada de autoridade inquestionável: 

"Lucienne, esta é uma aliada inesperada."

"Aliada?"

Briely cruzou os braços, lançando um olhar debochado para ele.

"Aliada inesperada? Isso é jeito de falar da sua colega de cela?”

“Não sei se 'aliada' é uma palavra certa."

Lucienne deu um pequeno sorriso, como quem sabe mais do que revela.

"Bem-vinda ao Sonhar, senhorita. Temos muito a conversar."

Morpheus inclinou a cabeça levemente, como se reconhecesse a verdade nas palavras de Lucienne, e então voltou-se para Briely. 

"Há muito a ser feito. O Sonhar sofreu na minha ausência. Mas você... estará segura aqui."

Briely o encarou, ainda processando tudo, mas sentindo um alívio profundo por estar longe daquele porão. 

"Da próxima vez avise antes de me jogar em  um  portal, sim?”

Ele não riu, mas o canto de sua boca se ergueu ligeiramente, um quase-sorriso que ela já conhecia tão bem.

Lucienne, observando a interação, pareceu anotar mentalmente algo sobre a dinâmica entre os dois, mas não comentou.

Ela Apenas indicou o caminho à frente, onde o horizonte do Sonhar se estendia.

 

 

 

Notes:

Eles finalmente estão livres!!

Não vou incluir a parte em que o Morpheus puniu Alex, mas ele o puniu sim.

(O castigo de Alex foi ficar preso em um pesadelo cíclico, acordando de um pesadelo apenas para entrar em outro, indefinidamente, permanecendo em coma sem nunca realmente despertar no mundo real.)

Chapter 4: Três Velhas, Três Perguntas, Nenhuma Boa Notícia

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

 

 

  

      

De volta ao castelo em ruínas, Morpheus observava os salões vazios e as sombras silenciosas do Sonhar.Cada detalhe denunciava o abandono: os vitrais partidos, os corredores rachados, a biblioteca quase deserta.

Além de que também muitos sonhos e pesadelos abandonaram seus postos. 

Lucienne estava ao seu lado, firme, mas com um olhar triste.

"Eles acreditaram que você os abandonou. Não seria a primeira vez que um Perpétuo faz isso," disse ela.

Morpheus apenas inclinou a cabeça, com a expressão fechada.

"Eu não os abandonei. Fui tomado. Mas agora... Estou de volta e vou restaurar tudo." "E para isso, preciso das minhas ferramentas a areia, o elmo e o rubi. Sem elas, não posso reconstruir o Sonhar."

 

Briely, que observava em silêncio, cruzou os braços, os seus olhos verde-mar vagando pelo salão com uma melancolia que não conseguia esconder.

O Sonhar que ela o ouviu falar com tanto orgulho, e as réplicas do próprio lugar nos sonhos que Morpheus criara para ela algumas  vezes era vibrante e cheio de vida, Mais agora, tudo era cinza, quebrado era um eco de algo que já fora grandioso.

Ela mordeu o lábio inferior, a voz saindo mais baixa do que pretendia.

"Eu não imaginava que aqui estaria assim... E tão diferente do que você moldou pra mim nos sonhos." Morpheus virou-se para ela, seus olhos profundos capturando os dela por um instante.

Havia algo ali, uma sombra de dor que ele raramente deixava transparecer, mas não disse nada sobre o estado do Sonhar.

Em vez disso, ele desviou o olhar e falou com Lucienne, a voz firme.

"Lucienne, ajude a Briely a encontrar algo adequado para vestir. Preciso de tempo para reunir os elementos necessários para invocar as Parcas."

Lucienne assentiu com um leve aceno de cabeça antes de se aproximar de Briely com um sorriso gentil, embora ainda carregado de tristeza pelo estado do reino.

"Venha comigo, minha senhora. Vamos encontrar algo para você."

Antes de seguir Lucienne, Briely hesitou e aproximou-se de Morpheus.

Seus olhos estavam cheios de preocupação, e ela não conseguiu esconder o leve tremor na voz. "Morpheus, Você tem certeza de que quer fazer isso? " "Invocar as Parcas... elas me assustam um pouco. Ainda mais agora no seu estado eu Não sei, não é perigoso?"

 

Ele a encarou, a expressão suavizando por um instante quase imperceptível.

Havia uma intensidade em seu olhar que ela não percebeu, um desejo de tranquilizá-la que ia além de suas palavras.

"Vai ficar tudo bem. Elas não me farão mal, e eu não permitirei que nada chegue até você. Confie em mim."

Ela assentiu, ainda um pouco insegura, mas reconfortada pelo tom dele, antes de seguir Lucienne pelos corredores esfarelados do castelo.

As paredes, agora rachadas pelo tempo e pela negligência, ela foi conduzida pela Lucienne até uma sala menor, tão desgastada quanto o resto do castelo, onde um grande armário de madeira escura incrívelmente ainda resistia ao colapso.

O ar ali cheirava completamente a poeira.

Lucienne abriu o armário com cuidado, revelando algumas peças de roupa que, embora antigas, ainda eram bem elegantes.

Ela pegou um Vestido verde  o tecido era fluido e delicado, com um tom que lembrava o mar em um dia de tempestade. Ela Entregou-o a Briely com um leve sorriso.

“Este aqui deve servir minha senhora, Experimente, enquanto Vou procurar algo para você comer enquanto se troca.”

Briely pegou o vestido, admirando o cor e a textura, antes de assentir.

Lucienne saiu da sala, e Briely se trocou rapidamente, sentindo o tecido acariciar sua pele.

O vestido era parecido com aqueles de festa, era bem elegante, caindo sobre ela de forma que parecia ter sido feito sob medida.

Ela se olhou em um espelho rachado na parede, quase irreconhecível.

Lucienne voltou momentos depois, trazendo uma bandeja de prata com um pouco de pão, frutas, Briely sentou-se em uma cadeira rangente e comeu um pouco, agradecendo a atenção com um sorriso tímido.

 

“Obrigada, Lucienne. Você não precisa se preocupar tanto.”

 

“É o mínimo que posso fazer por você minha senhora”  respondeu Lucienne, gentilmente, enquanto observava Briely terminar a refeição.

“Vamos voltar, o mestre Morpheus deve estar quase pronto.”

 

Quando elas retornaram ao salão principal, Morpheus já havia reunido quase tudo que ele  precisava.

Só faltava o sacrifício maior, Gregory, a gárgula que ele próprio criara eras atrás.

Mas, ao ver Briely entrando no salão, ele parou, os olhos fixos nela, uma rara pausa em sua postura habitual de frieza.

 

“Você está... Perfeita” disse ele, a voz  ecoando no salão vazio, carregada de algo que parecia mais do que um simples elogio. Não que ela notasse.

 

Briely riu, um som leve que cortou a tensão do ambiente, enquanto girava o tecido do vestido com os dedos, um pouco desconfortável pela atenção, mas achando graça.

 

“Parece um vestido de festa, não acha? É Lindo… mas meio exagerado.”

Morpheus inclinou a cabeça, um leve brilho nos olhos enquanto a observava, os lábios se curvando em algo que quase poderia ser um sorriso, não fosse ele tão contido.

“Combina com os seus olhos. Verdes como o mar.”

Ela corou, um calor subindo às bochechas, mas ela  não percebeu a intenção dele por trás das palavras.

Para Briely, era apenas um comentário gentil, algo que amigos diriam.

Ela desviou o olhar, rindo baixinho, alheia ao peso que aquelas palavras carregavam para ele.

“Obrigada, Morpheus. É muito gentil da sua parte.”

Lucienne, que observava a troca de longe, ergueu uma sobrancelha quase imperceptivelmente, e logo ela tinha um leve brilho de entendimento nos olhos.

Ela captou o tom de Morpheus, a forma como seus olhos se detinham na senhora Briely por um segundo a mais do que o necessário, mas não disse nada.

Ela Apenas cruzou os braços, mantendo-se em silêncio, um leve sorriso de canto  denunciando que ela sabia mais do que deixava transparecer.

Morpheus desviou o olhar, retomando sua compostura habitual, a voz voltando ao tom frio e determinado de sempre.

“Está quase pronto. Só falta uma coisa. Gregory.”

 

Briely assentiu, a leveza do momento anterior desaparecendo enquanto a gravidade do que estava por vir se instalava novamente.

Ela sabia exatamente o que significava sacrificar Gregory,  a tristeza na voz de Morpheus era um pouco palpável. Ela sentiu um aperto no seu peito com isso.

 

 

 

A viagem até a Casa dos Mistérios foi envolta em um silêncio pesado, o ar do Sonhar carregado de uma melancolia que parecia se infiltrar nos ossos.

Briely caminhava ao lado de Morpheus, seus passos hesitantes sobre o solo irregular de um reino em ruínas.

O vestido verde que Lucienne havia escolhido para ela parecia deslocado naquele cenário de decadência, um ponto de cor em meio a tons de cinza e sombra.

Ela lançava olhares desconfiados ao redor, como se esperasse que algo emergisse das brumas oníricas.

 

Morpheus quebrou o silêncio, sua voz profunda e medida ecoando no vazio.

"Estamos a caminho da Casa dos Mistérios, lar de Caim e Abel.”

"Eu já lhe contei brevemente sobre eles antes você se lembra ? " 

“São os primeiros irmãos da criação mortal, condenados a repetir um ciclo eterno de violência e remorso.”

“Caim e temperamental e amargo. Abel, por sua vez, é mais brando.”

Briely estreitou os olhos, o vento  bagunçando seus cabelos enquanto processava as palavras ela lembrava que ele mencionou, ela se lembrava que os dois moravam no sonhar, mais ele não tinha se aprofundado muito no assunto. Então ela decidiu tirar as suas dúvidas “Como na história que conheço? O primeiro assassinato?”

 

“Uma versão dela ” respondeu Morpheus,  “As histórias dos mortais raramente capturam a verdade inteira.” “E lá também encontraremos Gregory, uma gárgula que criei há eras. ”

 

Briely virou-se para ele, captando um tom de pesar em sua voz, embora o rosto dele permanecesse uma máscara de indiferença.

"Ele parece realmente importante para você.”

Morpheus não respondeu de imediato, apenas continuou andando, seus olhos distantes como se vislumbrassem algo além do horizonte do Sonhar. Ate  que Finalmente, murmurou: “Ele é. Mas o que preciso fazer... não será fácil.”

Ela queria perguntar mais sobre a gárgula, mas algo na postura rígida dele a fez se calar.

Quando eles chegaram à Casa dos Mistérios. A porta rangeu ao se abrir antes mesmo deles  serem anunciados, ala se abriu  revelando dois homens tão opostos. Caim  e Abel. “mestre Morpheus... quanto tempo ” disse Abel, com a voz gentil, enquanto se aproximava com um aceno hesitante.

Caim apenas bufou, seus olhos estreitos passando de Morpheus para Briely.

"E quem é essa ?”  perguntou Caim. Morpheus deu um passo à frente,  silenciando qualquer possível hostilidade, enquanto sua mão se erguia em um gesto calmo.

“Esta é a  Briely. Ela está sob a minha proteção Caim.” Abel assentiu, o sorriso se alargando um pouco enquanto se dirigia a ela. “Bem-vinda, senhorita. Entrem, por favor.”

Antes que pudessem cruzar o limiar pra entrar, Gregory, a gárgula, pousou com um impacto que fez o chão tremer, suas asas membranosas se dobrando contra o corpo  Seus olhos,  brilharam ao reconhecer Morpheus, e ele soltou um ronco baixo, afetuoso, abaixando a cabeça para o mestre.

Morpheus aproximou-se, sua mão pálida tocando a superfície áspera do rosto da criatura com uma ternura raramente vista nele. Seus dedos traçaram as fissuras na pedra, e sua voz saiu baixa, carregada de uma dor contida.

“ Sinto muito, meu velho amigo... Eu preciso de você uma última vez.”

 

Briely observou a cena, o coração apertado pela conexão palpável entre os dois.Morpheus se virou para Caim e Abel, erguendo a voz apenas o suficiente para ser ouvido, enquanto explicava o que ele precisava fazer.

Abel, com os olhos marejados, tentou protestar, mas as palavras morreram em sua garganta, substituídas por um soluço silencioso.

Caim, por outro lado, explodiu em fúria, avançando um passo com os punhos cerrados.

“Você desaparece por um século e retorna só para tirar de nós o companheiro mais fiel que temos?! ”

Sua voz  raivosa ecoou pela Casa dos Mistérios.

Mas Gregory, como se compreendesse cada palavra, tocou a mão de Morpheus com uma garra gentil, soltando um som baixo e resignado. Seus olhos  se fixaram no mestre, e ele inclinou a cabeça em aceitação, pronto para o que viria.

Em um movimento silencioso, realizado sob os olhares pesados de todos, Morpheus absorveu a essência da gárgula.

Um brilho opaco envolveu os dois, a forma de pedra de Gregory dissolvendo-se em luz antes de se fundir ao corpo de Morpheus.

Ele fechou os olhos por um momento, uma ruga de sofrimento cruzando sua testa, enquanto murmurava uma promessa quase inaudível.

“Seu sacrifício restaurará o Sonhar, meu amigo. Não será em vão.”

 

Abel chorava baixinho, o rosto enterrado nas mãos, enquanto Caim, por mais furioso que estivesse, não interveio, apenas encarou o Morpheus.

 

De volta ao castelo em ruínas, a força de Gregory agora pulsava dentro de Morpheus, o que parecia fortalecer sua presença, embora não apagasse as sombras de cansaço em seus olhos.

Ele reuniu os itens necessários,  e do lado de fora do castelo ele traçou  o círculo de invocação no chão.

Briely aproximou-se, seus olhos verdes mar cheios de  preocupação por ele algo que ela conseguia esconder.

 

“Você tem certeza de que quer mesmo fazer isso agora? Invocalas ?” “Você ainda está um pouco fraco, Morpheus. ” ela perguntou  inquieta.

Ele ergueu o olhar para ela,  seus olhos encontrando os dela por um longo instante.

Havia determinação ali e claro, mas também algo mais, uma suavidade que ele raramente se permitia mostrar.

“Não posso esperar, Briely. Cada momento que passa sem minhas ferramentas, o Sonhar definha. ” “Confie em mim.”  Sua voz, embora firme, carregava um tom de garantia, como se ele quisesse aplacar todos os medos dela.

 

Ela assentiu lentamente, embora a dúvida ainda nublasse seu rosto, ela  recuou alguns passos pra longe, o observando enquanto ele retomava os preparativos.

O círculo de invocação começava a pulsar com uma luz fria e etérea, anunciando a chegada iminente das Parcas.

Quando a vela foi acesa e o círculo completo, a sala se encheu de vento e sombras.

As Parcas apareceram 

três mulheres em uma só.

suas formas se fundindo e separando como fumaça, suas vozes sobrepostas ecoando como um coro de ecos antigos.

“Pergunte, Sonho dos Perpétuos. Tens apenas três perguntas.”

Morpheus, com sua postura rígida e olhar penetrante, escolheu as perguntas com cuidado.

Primeiro, quis saber onde estava sua areia.

Elas responderam que estava nas mãos de Johanna Constantine. uma exorcista que lidava com assuntos que poucos ousavam tocar.

 

Depois, ele perguntou pelo elmo. Elas revelaram que o objeto foi levado para o Inferno, que estava sendo guardado por um demônio.

Por fim, ele perguntou sobre o rubi. Este havia caído nas mãos de John Dee,

um homem perigoso e instável, que estava  trancado no mundo desperto.

Morpheus deixou escapar um leve suspiro, mais para si mesmo, enquanto as sombras do círculo começavam a se dissipar.

“Conheci uma Constantine há muito tempo. Parece que essa família ainda cruza meu caminho.”

Briely que o observava toda a conversa dele com as parcas de uma distância segura, estava bem nervosa seus dedos estavam entrelaçados enquanto ela girava o seu anel no dedo, sentindo o peso do momento.

Mas, antes que ela pudesse se aproximar ou falar alguma coisa, as Parcas desapareceram de perto dele após responderem todas as perguntas dele apenas para elas reaparecerem subitamente diante dela, envolvendo-a em uma névoa densa e gélida o que a isolou completamente da vista de Morpheus.

O ar ao seu redor ficou estranho, e ela deu um passo para trás, com o coração disparado enquanto a névoa cobria o lugar que ela estava, ela deu um grito assustado, o chamando isso não deveria acontecer não e ?.

Ao que parece as coisas nunca saem realmente como planejado.

“MORPHEUS!”O grito dela saiu rasgando a garganta.

Ele avançou em direção a ela na mesma fração de segundo que a ouviu o chamar, mas a barreira de névoa que foi criada pelas parcas o impediu de avançar e chagar até ela e também de ouvir qualquer coisa, seus olhos no momento estavam faiscando com uma mistura de preocupação e frustração.

 

A mais velha, com cabelos como teias de aranha, soltou uma risada baixa e áspera ao ouvila gritar pelo morpheus, ela aproxima-se de Briely até que seu rosto enrugado estivesse a alguns centímetros do dela.

“Saudações, filha de Poseidon. Embora não seja do nosso Poseidon, não é,  querida?

Sua voz era como um sussurro cortante, o que fez a pele de Briely arrepiar.

Antes que ela pudesse responder, a outra Parca a segunda, agora ela tinha olhos como poços sem fundo, ela também avançou de seu lugar, sua presença sufocante enquanto ela olhava diretamente nos olhos da briely.

A segunda parca começou a falar em enigmas, e as palavras  da própria também ressoavam como uma intrusão dentro dentro de sua cabeça.

 

Seu caminho é sombrio, criança do mar. Olhos fechados e  nunca retornarás ao seu  lar. 

o eterno, te prenderá em correntes invisíveis, tomará o que recusas  a dar, sua marca será gravada em tua essência , uma união  sera forjada.

Um “sim” que não disseste, O ventre florescerá sem permissão. Rejeita-o e te prenderás. Aceite e te perderás.

o caminho de volta se fechará se não enxergares a verdade, a rejeição será o fio que corta, mas também o que ata.

Cuidado, pois o que sonhas pode te devorar.

 

 

Após ela terminar Briely tremia tanto que mal conseguia respirar. franzindo  a testa, com o peito apertado, tentando decifrar o emaranhado de palavras que ouviu dentro de sua mente, era demais pra ela processar.

Mais as quanto mais ela pensava, mais confuso tudo se tornava.

"Oque ? Eu... não entendo.” ela murmurou, sua voz trêmula, com os olhos  marejados de incerteza.

A terceira Parca se aproximou e ergueu a sua  mão gelada, acariciando a  bochecha dela  como quem acaricia um animalzinho prestes a ser sacrificado.

“Pobre criança,” ela sussurrou com um sorriso que mudava a cada piscada.

“Lembre-se Sonhos nem sempre são confiáveis.”

Com isso, as Parcas desapareceram do Sonhar, a névoa se dissipando tão rapidamente quanto surgira, deixando Briely atordoada.

Seus joelhos cederam por um instante, e ela cambaleou, o mundo girando ao seu redor.

Morpheus, agora livre da barreira, correu até ela, sua expressão carregada de preocupação enquanto segurava seu rosto entre as mãos pálidas, os dedos firmes, mas gentis, buscando algum sinal de ferimento.

“O que elas disseram a você? Machucaram-na?”   perguntou Morpheus, com a  voz profunda, e  tensa, com os olhos vasculhando os dela.

 

Briely engoliu em seco, ainda tremendo, tentando organizar os seus pensamentos em meio ao caos que as palavras das Parcas haviam plantado na sua cabeça.

 

“Elas… disseram coisas estranhas na minha cabeça. Algo sobre um caminho sombrio, sobre não voltar para casa… 

Antes dela partir uma delas me disse pra mim se lembrar que sonhos que nem sempre são confiáveis. Não entendi muito bem, mas isso parece um aviso.”

 

Morpheus franziu a testa, uma sombra cruzando seu rosto, ele podia claramente entender com essa frase que elas estavam tentando a avisar  sobre ele.

Porém não e como se ele fosse dizer isso a ela, ele disse  calmamente a ela querendo a reconfortar  pra ela não ficar pensando muito nisso. “Elas sempre falam para confundir, e para semear dúvidas. Não se preocupe com nada disso, Briely.”

 

Ela balançou a cabeça, os olhos ainda nublados pela inquietação, e murmurou quase para si mesma.

“Elas queriam me avisar de alguma coisa. Não sei o quê, mas… deve ser importante"

"Ah elas sabem também que eu sou de outro universo. Isso me preocupa um pouco.”

Morpheus ficou em silêncio por um momento, os lábios pressionados numa linha fina, a tensão evidente em sua expressão.  

Sem dizer mais nada, ele a pegou no colo com um movimento fluido, ignorando o leve protesto dela.  

Suas bochechas coraram e ela tentou se soltar, envergonhada.

“Eu posso andar, Morpheus. Foi só uma tontura momentânea. Já estou bem.”

“Não,” respondeu ele, segurando-a com firmeza.

“Eu vou levá-la.”

Ele caminhou com ela até o castelo em ruínas, os passos firmes ecoando no silêncio do Sonhar, até chegar a uma sala como todas as outros cômodos a sala tinha as paredes desgastadas pelo tempo mais parecia em melhor estado comparado com as outras.  

Ela Sentou-se com cuidado numa cadeira de madeira escura, o tecido verde do vestido dela contrastando com o ambiente um tanto sombrio.

Lucienne, que os aguardava ali, aproximou-se rapidamente, enquanto olhava para Briely com preocupação genuína. “O que aconteceu?" O que exatamente as Parcas disseram a você, minha senhora?”  pergunta Lucienne, urgentemente, com as mãos cruzadas à frente do corpo.

Briely hesitou, os dedos tamborilando nervosamente no braço da cadeira, antes de a responder.

“Elas só  falaram de um caminho sombrio… algo sobre não voltar para casa e outras coisas."

"Não entendi muito bem o que significa.”

Lucienne ergueu uma sobrancelha, lançando um olhar rápido e inquisitivo para Morpheus, que permanecia em silêncio, com  a expressão indecifrável.  

Após um momento, ele falou, com a voz calma, mas com um peso subjacente.

“Descanse um pouco, Briely.”

Ele Fez um gesto quase imperceptível para Lucienne, e os dois saíram da sala, deixando Briely sozinha com seus pensamentos tumultuados.  

 

 

Depois de ficar sozinha por um tempo, Briely continuou a remoer as palavras das Parcas, em sua mente.

"Lembre-se Sonhos nem sempre são confiáveis", Àquela frase ecoava repetidamente em seus pensamentos. Ela franziu o cenho, tamborilando os dedos inconscientemente na cadeira.

"Será que  elas estão falando do Morpheus? Não, não pode ser eu confio nele. Talvez algum sonho de semideus que eu venha a ter?" "Isso é bem  provável."

Ela balançou a cabeça, tentando expulsar os pensamentos.

"Só vou ficar quebrando a cabeça se tentar entender isso agora", ela murmurou para si mesma, levantando-se da cadeira com determinação decidindo deixar esse assunto pra lá.

Ela Decidiu ir até o morpheus e começou a procurá-lo.

Após alguns minutos vagando pelos corredores do Sonhar, ela o encontrou em uma sala com os vitrais quebrados  com  paredes desgastadas.

Morpheus estava sentado no que parecia ser uma escada, ele estava imerso em seus pensamentos, mas os olhos se fixaram nela no instante em que ela entrou. Havia uma intensidade naquele olhar, uma admiração que ele não verbalizou.

“Morpheus, eu não preciso descansar mais. Estou bem,” disse ela, quebrando o silêncio.

Ele assentiu lentamente, os olhos ainda presos aos dela, como se estivesse avaliando algo mais profundo.

“você vai buscar suas ferramentas agora?” perguntou Briely. “Sim,” respondeu ele, a voz ecoando na sala vazia.

“Eu Quero ir junto com você,” afirmou ela, sem hesitar.

Morpheus inclinou ligeiramente a cabeça.

“Não, é mais seguro que você fique aqui com a  Lucienne no Sonhar. Aqui você  Estará protegida.”

“Não eu vou, se você está preocupado comigo então não se preocupe, eu sei me virar,” retrucou ela, cruzando os braços, o tom desafiador.

Ele ergueu uma sobrancelha, claramente duvidando dela, mas um leve traço de diversão surgiu em sua expressão. Após um momento de silêncio, ele suspirou. “Está bem. Mas com uma condição você não vai se afastar de mim. E vai Permanece ao meu lado o tempo todo.”

Briely assentiu vigorosamente, um sorriso iluminando seu rosto. “Combinado.”

“O mundo desperto daqui pode ser perigoso para você, comparado ao seu” acrescentou ele. “ Não saia do meu lado, Não quero que se machuque.”

“Entendo,” disse ela, ainda sorrindo. Então ela aproveitou o momento para perguntar o que a incomodava havia tempo.

“Depois que você conseguir reunir todas as suas ferramentas, você poderia me ajudar a encontrar um caminho de volta ao meu universo?”

Morpheus franziu a testa numa reação quase imperceptível que ela não notou. Ele Hesitou por um instante antes de responder.

“Veremos o que pode ser feito.”

Ele Estendeu a mão para ela, os dedos longos e pálidos pairando no ar entre os dois.

Briely aceitou o gesto; sua mão encaixou-se na dele. Ele a puxou gentilmente, mas com firmeza.

“Vamos agora para o mundo desperto,” ele declarou.

Ela sorriu, o coração batendo mais rápido.

“Somos realmente uma dupla, então?”

Internamente, Morpheus sentiu um leve sorriso surgir, embora o rosto permanecesse impassível.

“Claro,” respondeu ele, num tom quase suave.

Num instante, a sala ao redor deles dissolveu-se como fumaça, e os dois desapareceram do Sonhar.

 

 

 

 


 

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As ruas frias do mundo desperto cortavam  o ar gelado trazendo o cheiro de asfalto úmido e decadência. Eles caminharam pelas ruas de uma estranha cidade que pela arquitetura parecia ser Londres?  (Não que ela soubesse já que nunca tinha estado no lugar, era apenas uma suposição pelas suas antigas aulas de geografia, não que ela realmente prestasse atenção nelas.)

Morpheus, caminhava com passos firmes, sua presença imponente.

Ao seu lado, Briely acompanhava o ritmo, sua mão ainda segura firmemente na dele, um contato que parecia tão natural quanto necessário após a transição abrupta do Sonhar para o mundo desperto.

O toque dela  era uma âncora silenciosa, um lembrete pra ele  de que ela estava ali, ao seu alcance, e sob sua proteção.

Ele não a soltava, e ela não o  questionou sobre isso, embora  ela sentisse o peso daquele aperto, firme,  era como se ele temesse que ela pudesse desaparecer na noite.

De repente, um som de asas cortou o ar acima deles, um bater rítmico que fez Briely erguer os olhos.

Um corvo negro desceu em um voo baixo, pousando desajeitadamente no ombro de um poste de luz bem próximo.

Seus olhos pequenos  os encaravam do poste com uma mistura de curiosidade e insolência, ele tinha a cabeça inclinada como se estivesse avaliando os dois.

Briely soltou uma risada baixa, surpresa, enquanto Morpheus franziu a testa, claramente pouco satisfeito com a interrupção do corvo.

“Quem é você, espião de penas?”perguntou ela, com um tom leve, quase brincalhão, ainda com a mão presa na de Morpheus.

O corvo abriu o bico, e, para surpresa dela, uma voz rouca e carregada de personalidade saiu dali.

“O meu nome é Matthew. Sou o novo corvo do chefe. Pelo menos, tô tentando ser. " "Ele tá meio difícil de convencer, sabe?”

Morpheus lançou um olhar cortante para o pássaro, sua expressão endurecendo ainda mais.

“Eu não pedi a sua companhia. Volte ao Sonhar, Matthew. Não preciso de suas... observações.”

Briely virou-se para ele, os olhos arregalados, quase implorando. “Ah, vamos lá, Morpheus. Deixa ele ficar com a gente. Olha só pra ele, coitadinho.”

Ela apontou para o corvo, que inclinou a cabeça de um jeito que parecia intencionalmente patético, como se estivesse colaborando com o apelo dela.

“Ele só quer ajudar. Deixa ele vir junto, Por favor?”

Ela fez uma cara que era impossível de resistir, os lábios formando um biquinho leve, os olhos brilhando com uma doçura que ela sem saber desarmava qualquer argumento dele.

O olhar dela perfurava as defesas do Morpheus, tocando algo profundo dentro dele, algo que ele tentava sufocar.

O amor dele que crescia por ela, era incontrolável, e  inegável.

Ele sustentou o olhar dela por um longo momento,a mandíbula tensa, os olhos  oscilando entre irritação e rendição.

Por fim, ele soltou um suspiro baixo, quase inaudível, e assentiu com um leve movimento de cabeça. “Que seja".

Matthew soltou um grasnido satisfeito, batendo as asas antes de voar para mais perto, pairando acima deles.

“Valeu, chefe! E você,  bela moça, tem meu respeito. Não é todo dia que alguém dobra o Rei dos Sonhos.”

Briely riu, apertando a mão de Morpheus de leve como um gesto de gratidão.

Sem perceber o quanto aquele pequeno toque acelerava algo dentro dele.

“Viu? Ele só precisava de uma chance,” disse ela, sorrindo para o  corvo que voava acima deles.

Morpheus não respondeu, mas seus olhos se demoraram nela por um instante a mais antes de voltarem para a rua à frente.

Ele não conseguia negá-la, e  não queria fazer isso.  Cada pedido dela, por menor que fosse.

Mesmo que ele disfarçasse isso sob uma fachada de indiferença.

O aperto em sua mão não afrouxou nem uma vez  enquanto Eles continuavam a caminhar, com Matthew agora os acompanhando, as asas batendo com um som quase rítmico contra o silêncio  da noite.

O primeiro destino deles era uma igreja antiga, suas paredes de pedra desgastadas pelo tempo, os vitrais quebrados lançando fragmentos de luz colorida no chão empoeirado.

O interior era iluminado por velas tremulantes, o cheiro de cera derretida misturando-se ao ar pesado de santidade e desespero.

E a Johanna Constantine estava lá.

no centro de um exorcismo, sua voz ecoando pelas paredes com uma mistura de autoridade e sarcasmo afiado.

“Saia agora, seu desgraçado, ou eu te mando de volta pro inferno com um chute no traseiro!” gritava ela, lá dentro segurando um crucifixo enquanto traçava sigilos no ar com a outra mão, com o rosto marcado por suor e determinação.

Ela e o Morpheus observava tudo de longe, escondidos nas sombras da entrada, ele tinha seus olhos analisando cada movimento da  Johanna.

Ele se voltou para Briely, que estava ao seu lado, e murmurou: “ Quero que Fique aqui  do lado de fora. E Se algo acontecer, chame-me.” 

Ela franziu a testa, claramente contrariada, por ele não a deixar ir junto mas ela assentiu com um suspiro.

“Tudo bem, mas não demore muito. Não gosto de ficar de babá do vazio.” 

Morpheus sentiu um canto de sua boca se curvar quase imperceptivelmente antes de se virar e entrar na igreja.

 

Dentro da igreja, o ar estava denso com o cheiro de incenso e algo mais sombrio, algo que pertencia aos reinos abaixo.

Johanna terminava o exorcismo, o demônio preso em um círculo de sal uivando em agonia antes de ser banido com um flash de luz amarelada e um grito final.

Mais Antes de desaparecer, a criatura fixou seus olhos em Morpheus e rosnou com desdém:

“O Rei dos Sonhos, hein? Que foi Preso por mortais e agora está mendigando por migalhas. Patético.”

Morpheus não se abalou, seu olhar profundo parecendo atravessar a essência da criatura, que foi sugada de volta para o abismo com um gemido distorcido.

Johanna, limpando o suor da testa com a manga de sua jaqueta de couro, virou-se para ele sem demonstrar surpresa, os olhos semicerrados com um misto de curiosidade e irritação.

“Se o Rei dos Sonhos veio até mim, não deve ser por devoção,” disse ela,com um  humor ácido que parecia ser sua marca registrada.

Morpheus inclinou a cabeça levemente. “Preciso de sua ajuda, Constantine. Minha areia dos Sonhos. Sei que não está mais com você agora, mas você pode descobrir onde está.”

Ela cruzou os braços, avaliando-o por um momento antes de soltar um suspiro dramático.

“Tudo bem, Majestade. Mas espero que tenha algo em troca. Não trabalho de graça.”

Ele apenas assentiu.

 

Enquanto isso, do lado de fora da igreja, Briely aguardava próximo à entrada, o ar frio da noite mordendo sua pele.

Matthew, pousou em uma pedra próxima, suas penas escuras quase se fundindo com as sombras ao redor.

Ele inclinou a cabeça, os olhos pequenos brilhando com curiosidade enquanto a encarava.

“Oi, meu nome e Briely. É um prazer conhecer o novo corvo do Morpheus,” disse ela, oferecendo um sorriso gentil enquanto se encostava na parede áspera da igreja.

 

Matthew grasnou baixinho antes de responder.

“Igualmente, senhorita. Eu sou Matthew como você sabe.”

“Pra ser honesto, a Lucienne que me mandou vir atrás dele.” “Ela Disse que o chefe precisava de um par de olhos extras, mesmo que ele não admita.”

Briely riu suavemente.

“Entendo. Ele é meio... teimoso, né?”

“Teimoso é pouco,” retrucou Matthew, batendo as asas de leve.

“Escuta, é verdade que você ficou presa junto com o chefe? Tipo, de verdade?”

Ela assentiu, o sorriso diminuindo enquanto uma sombra passava por seu rosto. “Sim, ficamos presos juntos naquele lugar por três meses. Não foi... fácil.”

Matthew inclinou a cabeça, claramente intrigado.

“Três meses? Caramba. E qual é a relação de vocês agora? São amigos ou o quê?”

 

Briely hesitou por um momento, encarando o corvo antes de responder.

“Somos amigos." "Bem eu acho" ela Murmura essa última parte.

"Ele é... bom, ele é o Morpheus. Não é exatamente o tipo de pessoa que se abre fácil, sabe?”

“Sei sim,” respondeu Matthew, com um tom que sugeria que ele já tinha lidado com a frieza do Rei dos Sonhos mais de uma vez.

“Mas ele parece completamente diferente com você. Não sei explicar. Só um palpite de corvo.”

 

Ela riu de novo, balançando a cabeça. “Talvez. Mas somos só amigos. E você, como tá sendo trabalhar pra ele até agora?”

 

“Ah, é um desafio. O cara não é exatamente caloroso. Mas tô pegando o jeito. Pelo menos, espero que sim,” disse Matthew, soltando um grasnido que parecia uma risada.

 

A conversa fluiu com leveza, com Briely e Matthew trocando comentários sobre as peculiaridades do morpheus.

O tempo passou quase despercebido até que a porta pesada da igreja rangeu, abrindo-se com um som grave.

Morpheus emergiu das sombras do interior, seguido por Johanna Constantine, que  caminhava com um ar confiante.

Johanna avistou Briely e Matthew do lado de fora e se aproximou com um sorriso torto, os olhos brilhando com um interesse evidente.

Ela parou a poucos passos de Briely, inclinando a cabeça enquanto a avaliava de cima a baixo.

“E quem temos aqui? Não sabia que o Rei dos Sonhos viajava com companhia tão... encantadora. Sou Johanna Constantine. Prazer em te conhecer.”

O tom tinha um leve flerte, o sorriso dela carregado de charme enquanto estendia a mão.

Briely sorriu de volta, apertando a mão dela com naturalidade.

“Oi, eu sou Briely. Prazer em te conhecer também.”

Morpheus, que observava a interação de perto, franziu a testa, ele tinha uma sombra de irritação cruzando seu rosto normalmente impassível.

Ele deu um passo à frente, interrompendo o momento com sua voz grave e cortante.

“Constantine, precisamos da areia. Não temos tempo a perder com apresentações desnecessárias.”

Johanna virou-se para ele, o seu sorriso se alargou ao notar o tom cortante e a postura tensa do Rei dos Sonhos.

Ela ergueu uma sobrancelha, claramente divertida com a possessividade dele. “Calma, Senhor dos Sonhos. Já vamos buscar sua areia mágica. Só estou me apresentando pra sua bela namorada antes. Educação básica, sabe?”

 

Briely riu, balançando a cabeça. “Ele não é meu namorado. Somos só amigos.”

Johanna inclinou a cabeça, os olhos brilhando com um misto de surpresa e malícia “É mesmo? Não sabia. Interessante.”

Seu mirada passou de Briely para Morpheus, como se estivesse avaliando algo invisível entre os dois, antes de soltar uma risada baixa.

“Bem, então, vamos andando. Não queremos deixar Sua Majestade ainda mais impaciente, né?” disse ela começando a andar.

Morpheus não respondeu, mas seus olhos se estreitaram ligeiramente, a tensão em sua expressão revelando mais do que ele gostaria.

Ele fez um gesto para ela e o Matthew a seguissem, e o grupo começou a se mover atraz dela pela noite.

 

 

 


 

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A busca os levou a uma casa decadente na periferia da cidade.

A areia estava com a Rachel, uma antiga conhecida de Johanna ( amante), que vivia ali, o morpheus sentia  a energia da areia dos Sonhos pulsando  de dentro da casa.

Johanna insistiu em entrar sozinha, empurrando a porta rangente com o ombro.

“Deixem comigo,” disse ela, confiante, lançando um olhar por cima do ombro para Morpheus e Briely, que concordaram em esperar  do lado de fora.

O Matthew, estava empoleirado em um poste de luz, suas penas brilhando na penumbra.

 

Enquanto Johanna desaparecia no interior  da casa, Briely cruzou os braços, o vento frio da noite fazendo-a estremecer ligeiramente.

Ela olhou para Morpheus, que permanecia imóvel, os olhos fixos na porta como se pudesse ver através dela.

“Acha que ela vai conseguir?” perguntou ela em voz baixa.

Morpheus virou-se para ela. “Constantine sabe o que faz. Mas a areia... é perigosa para qualquer mortal. " " Vamos esperar.” Sua voz era calma, mas carregava uma tensão subjacente que não passou despercebida por Briely.

 

Ela assentiu, mordendo o lábio inferior enquanto olhava para a casa. “Espero que ocorra tudo bem lá dentro.”

Os minutos se arrastavam, e a demora começou a inquietar. Briely batia o pé no chão de forma impaciente, com a testa franzida.

“Já faz tempo demais. Algo deve está errado,” murmurou ela, mais para si mesma do que para Morpheus.

Ele, porém, sentiu um aperto no peito, uma mistura de preocupação pela areia e por Briely, que se as coisas  dessem  erado estava  perto do perigo.

Antes que ele pudesse dizer algo, ela o encarou, com os olhos decididos. “Vamos entrar. Não dá pra ficar só esperando aqui do lado de fora.”

 

Sem aguardar uma resposta dele, ela avançou, e Morpheus logo a seguiu, a porta abrindo-se com um empurrão de sua mão pálida, a madeira rangendo em protesto.

Dentro, a cena era inquietante. O interior da casa era sufocante, o papel de parede descascando revelando paredes mofadas.

o chão coberto por poeira e tinha objetos quebrados.

Briely avistou Johanna caída perto de uma mesa, inconsciente. Ela tinha o rosto pálido e uma marca de queimadura leve em sua mão.

Perto dela, Rachel jazia em uma  cama, o corpo frágil e consumido, os olhos vidrados enquanto segurava uma bolsa de couro com força desesperada.

Era como se sua vida dependesse disso.

 

JOHANNA!” gritou Briely, o coração disparando enquanto dava um passo à frente, o instinto a impulsionando a ir na direção da mulher caída.

Mas antes que pudesse se aproximar, dela Morpheus estendeu um braço na frente dela, bloqueando seu caminho com uma firmeza inabalável a impedindo de ir.

Seus olhos encontraram os dela por um breve instante, uma ordem silenciosa brilhando neles. “Fique aqui,” disse ele, inegociável.

Briely hesitou, mas assentiu com relutância, os punhos cerrados enquanto o observava avançar.

Morpheus aproximou-se de Johanna, agachando-se ao seu lado e tocando sua testa com a ponta dos dedos.

Uma onda de energia sutil a despertou, e ela abriu os olhos, ofegante, o peito subindo e descendo rapidamente.

“Maldição… aquela coisa é veneno puro pra humanos,” murmurou ela, levantando-se com esforço, o rosto ainda pálido, mas os olhos recuperando o brilho de sempre.

 

Morpheus não respondeu, seus olhos agora fixos em Rachel.

Ele pegou a bolsa de areia com um movimento preciso, sentindo o poder familiar retornar a ele, uma parte de sua essência se reconectando como um pedaço perdido de um quebra-cabeça.

Ele se levantou, pronto para deixar o lugar, a bolsa segura em sua mão, mas Briely não conseguia tirar os olhos da mulher na cama, ela estava com o coração apertado com compaixão diante do sofrimento estampado em cada linha do rosto da mulher.

Ela deu um passo à frente, segurando o braço de Morpheus com gentileza, mas com uma urgência o que o fez parar.

“Espera. Por favor, não tem algo que você possa fazer por ela?” perguntou, ela com a voz suave, fazendo um pedido sincero a ele.

“Ela não tem culpa disso. Olha so o estado dela.”

Morpheus virou-se para Rachel, seus olhos frios analisando a figura frágil da mulher na cama.

Johanna, agora ao lado da mulher, também lançou um olhar para ele, uma mistura de curiosidade e expectativa em sua expressão.

Então, ele voltou seu olhar para Briely.

E a  intensidade daqueles olhos dela , cheios de empatia, o fez ceder.

Ele suspirou baixinho, quase imperceptivelmente.

“Posso fazer algo por ela,  Posso dar a ela um fim em paz.” disse ele. E O rosto de Briely se iluminou com um sorriso agradecido, um brilho de alívio cruzando suas feições.

Morpheus ergueu uma mão, fazendo um gesto para que ela se afastasse. “Espere lá fora com Matthew e a Constantine.”

 

Briely hesitou por um momento, mas assentiu, confiando nele. “Tudo bem. Obrigada, Morpheus.”

Ela lançou um último olhar para a Rachel antes de se virar e seguir para a saída.

Johanna a acompanhou, lançando um olhar por cima do ombro para Morpheus.

Do lado de fora, o ar frio da noite parecia menos sufocante comparado ao peso opressor da casa.

Matthew pousou no ombro de Briely, suas asas batendo suavemente.

“O chefe tá fazendo caridade agora? Isso é novo,” grasnou o corvo.

Briely riu baixinho, balançando a cabeça.

“Ele só tá sendo... humano, de um jeito estranho.”

Ela olhou para a porta, a preocupação ainda presente em seus olhos, enquanto esperava que Morpheus cumprisse sua promessa.

Johanna estava encostada em um poste de luz, os braços cruzados, ela tinha  o rosto marcado por uma tristeza contida enquanto olhava para o vazio.

Briely, ao seu lado, observava-a com empatia, sentindo o clima pesado que pairava entre elas.

Matthew, empoleirado no ombro de Briely, mantinha os olhos atentos.

 

“Sinto muito pela Rachel,”disse Briely suavemente, quebrando o silêncio entre as duas.

Ela colocou uma mão hesitantemente no braço de Johanna, um gesto de conforto.

 

Johanna assentiu, os lábios pressionados em uma linha fina, os olhos ainda distantes.

“Obrigada. Ela... não era uma má pessoa. Só pegou algo que nunca deveria ter tocado.” 

Depois de um momento, ela virou a cabeça para Briely, os olhos semicerrados com uma curiosidade quase investigativa.

“Diga-me uma coisa. O senhor dos sonhos sempre cede assim tão fácil pros seus pedidos? ”

 

Briely piscou, surpresa com a pergunta.

“O quê? Não, quer dizer...  Ele não ‘cede’ pra mim. Eu só pedi, e ele concordou. Não é nada demais.”

Matthew soltou um grasnido baixo, quase uma risada, inclinando a cabeça enquanto encarava Johanna. “Pelo que vi hoje, se ela pedir qualquer coisa, o chefe cede rapidinho. Pelo que vi hoje ele não diz não pra ela.”

Johanna ergueu uma sobrancelha, um sorriso torto brincando em seus lábios enquanto olhava de Briely para o corvo. “Interessante. O Sandman não é exatamente conhecido por ser misericordioso.”

“Não o bastante pra ajudar alguém que tá com algo dele, como a areia.” “Ele é mais do tipo pegue o que é meu e você vai sumir’'.

“O que você tem que faz ele agir tão diferente com você hein?”

Briely franziu a testa, desconfortável com a insinuação, mas respondeu com sinceridade.

“Não é nada disso que você pode estar pensando Johanna." "Eu só Estou ajudando ele agora, e ele vai me ajudar com algo em troca. É só... um acordo. Nada mais.”

 

Johanna assentiu lentamente, os olhos ainda avaliando Briely como se tentasse decifrar algo mais profundo.

“Entendo. Só se cuida, tá bem? Seres como ele não são exatamente... previsíveis. Ou exatamente seguros.”

Ela fez uma pausa, o tom suavizando um pouco. “Mas você parece saber lidar com ele agora no momento.”

 

Antes que Briely pudesse responder, Johanna avistou um movimento na entrada da casa.

Morpheus emergiu da escuridão, sua figura alta e imponente destacando-se contra o fundo sombrio da porta.

Ele caminhava, com a bolsa de areia agora  em sua mão, o rosto tão impassível quanto sempre, mas com um brilho sutil de algo indefinível nos olhos .

Ele se aproximou da Briely, ignorando Johanna e Matthew por um momento, a presença dela parecia puxá-lo até ela quase como  um ímã.

 

“Está feito,” disse ele. Seus olhos encontraram os dela, e por um instante.

havia algo mais ali no seu olhar, algo que não precisava de palavras.

“Rachel não sofrerá mais. Vamos.” “Já recuperamos o que vim buscar,” disse ele, cortando a conversa dela com a Johanna.

“E Não há motivo para nos demorarmos aqui.”

Johanna deu de ombros, acenando com um gesto casual, o rosto ainda marcado pelo esforço da noite.

“Sempre um prazer, Majestade.” “ Se precisar de mim pra achar mais das suas bugigangas mágicas, sabe onde me encontrar. ”

“Mas não espere que eu faça isso de graça da próxima vez.”

Ela virou-se para Briely, estendendo a mão com um sorriso cansado, mas genuíno.

“Foi bom te conhecer, Briely. E Se cuide, tá bem?" "O mundo dele não é exatamente um passeio no parque.” ela sussura pra briely essa última parte.

 

Briely apertou a mão dela, retribuindo o sorriso. “Obrigada, Johanna. Você também. Boa sorte por aí.” 

 

Johanna assentiu, lançando um último olhar intrigado para Morpheus antes de se virar e desaparecer na escuridão da noite, seus passos ecoando na rua ate ela  sumir de vista.

Matthew, que estava empoleirado no ombro de Briely, soltou um grasnido baixo, quase como se estivesse analizando a situação.

Ele bateu as asas e voou para um poste próximo, claramente percebendo que o chefe queria um momento a sós com Briely. Seus olhos pequenos brilharam na penumbra enquanto ele se acomodava, fingindo desinteresse.

 

Morpheus inclinou a cabeça em reconhecimento ao gesto de Johanna ao partir.

Ele esperou até que Johanna estivesse fora de vista antes de falar, em voz baixa.

Ela continha algo que não era apenas preocupação.

“Você não precisava vir. O mundo desperto não é tão seguro para você.”

 

Briely sorriu, o tom brincalhão de sempre, alheia à tempestade interna que suas palavras causavam nele. “Relaxa, Morpheus. Passei por coisas piores em casa. Isso aqui não foi nada. Tô bem, e sei me cuidar caso algo aconteça.”

Ela cruzou os braços, notando a sobrancelha erguida dele, um sinal claro de que ele não acreditava muito na bravata dela.

“Além disso, não sou tão frágil quanto você pensa. Posso ser assustadora se eu quiser.”

Ele apenas a observou.

Os olhos capturando cada detalhe dela como se quisesse guardá-la em um sonho que nunca se desfizesse.

“Tudo bem, mas ainda quero que fique perto de mim, como prometeu,” disse finalmente. A voz dele era firme, mas com um traço de algo mais profundo, algo que ela não captou.

“Tá bom,” respondeu ela, sorrindo,

Sem perceber a profundidade do que ele sentia.

O sorriso ainda brincando em seus lábios. “Agora, qual é o nosso próximo passo, parceiro? Vamos buscar  O  seu elmo ou o rubi?”

Matthew interveio, voando para perto de Morpheus, “Se quer minha opinião, o Inferno não parece um lugar de férias. Mas, ei, sou só um corvo. O que eu sei?”

“O elmo está no Inferno,”confirmou Morpheus, os olhos fixos no horizonte escuro, a linha de sua mandíbula tensa enquanto pensava no que os aguardava.

“Será desafiador. Mas não há escolha. O Sonhar não pode ser restaurado sem todas as minhas ferramentas.”

Briely apenas deu de ombros, o vento levantando uma mecha de seu cabelo enquanto sorria, um desafio nos olhos. “Então vamos ao Inferno. Não é como se eu tivesse algo melhor pra fazer.”

Ele sentiu um aperto no peito, uma mistura de admiração por sua coragem e temor pelo que estava por vir.

Ele Queria protegê-la de tudo, mantê-la longe de qualquer perigo, mas sabia que ela nunca aceitaria ser deixada para trás.

E, em segredo, ele não queria que ela ficasse.

Sua presença, mesmo sem o sentimento que ele desejava que ela tivesse por ele também. era a única coisa que parecia ancorar sua essência em meio ao caos.

“Vamos retornar ao Sonhar primeiro,” disse ele.“Preciso preparar o caminho para o que nos espera. E você… precisa estar pronta.”

Ela riu baixinho.

Um som que para ele era mais doce que qualquer melodia do Sonhar, mesmo que doesse saber que não era  ele como ele desejava.

“Vamos lá então.”

Enquanto caminhavam, a noite engolindo seus passos, Morpheus permitiu-se um pensamento que raramente deixava emergir.

Ele Sabia que o Inferno seria implacável, mesmo para ele. Mas o verdadeiro medo não era o que poderiam enfrentar lá, e sim o que poderia acontecer a ela.

Em silêncio, ele renovou um juramento na sua mente, enquanto ela estivesse ao seu lado, nada a tocaria.

Não enquanto ele existisse.

 

 

 

Notes:

Não sou muito boa em enigmas mais fiz o melhor que consegui.

A Johanna também apareceu, não a veremos por um longo tempo depois disso.

 

 

Chapter 5: Uma Viagem Nada Turística ao Inferno. Literalmente.

Notes:

Capítulo editado!!

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

 

    

 

Morpheus conduziu Briely e Matthew de volta ao Sonhar .

A transição do mundo desperto para o Sonhar sempre trazia uma sensação de deslocamento, como se o próprio tecido da realidade se dobrasse e se reformasse.

 

Lucienne os aguardava nos portões do castelo, sua figura elegante e composta contrastando com a preocupação evidente em seus olhos.

Ao ver Morpheus e Briely, um alívio visível tomou conta dela, seus ombros relaxando ligeiramente.

“Meu senhor, fico aliviada em vê-lo de volta. E a você também, senhorita Briely.”

 

Morpheus assentiu, sua expressão tão impassível como sempre, mas havia um brilho de determinação em seus olhos.

“Recuperamos a areia. Agora, partiremos para o Inferno. Meu elmo está lá, e não descansarei até que todas as minhas ferramentas estejam de volta ao Sonhar.”

 

Lucienne franziu o cenho, voltando sua atenção para Briely com uma preocupação.

“Minha senhora  você também vai  junto com mestre? Para o Inferno?  Senhorita Briely, isso é uma péssima ideia."

"Você é humana... mesmo com a proteção do mestre, as coisas podem acabar não se saindo bem."

"O Inferno não é um lugar para mortais, nem mesmo para os mais corajosos.”

 

Briely sorriu, um brilho desafiador nos olhos enquanto cruzava os braços.

“Não se preocupe, Comigo Lucienne. Eu não sou totalmente humana como você está pensando. Sou uma semideusa. Posso me proteger.”

 

Lucienne não pareceu convencida, suas mãos se apertando uma contra a outra enquanto sua preocupação se aprofundava.

Ela lançou um olhar rápido para Morpheus, percebendo a intensidade com que ele observava Briely, mesmo que sutil.

Ela já havia notado há muito tempo desde que os dois chegaram  os sinais do afeto que seu mestre nutria pela senhorita, era um sentimento tão vasto.

E ela também temia o que ele poderia fazer  se algo acontecesse a ela.

“Ainda assim... o Inferno é traiçoeiro. Por favor, reconsidere minha senhorita.”

 

Briely balançou a cabeça, o tom gentil, mas firme.

“Eu agradeço, de verdade. Mas vou junto com ele. Vai ficar tudo bem.”

 

Lucienne suspirou, sabendo que não havia como dissuadi-la.

Seus olhos voltaram para Morpheus, uma súplica silenciosa que ele não pareceu registrar.

Sem mais palavras, o grupo se preparou para a jornada ao Inferno, o peso da decisão pairando sobre eles como uma sombra.

 

 

 

 


 

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O ar gelado do Inferno cortava como lâminas invisíveis, carregado de um cheiro sulfúrico que parecia corroer até mesmo a esperança.

Um frio sobrenatural se infiltrava nos ossos, diferente de qualquer temperatura mortal; era um frio que parecia sugar a vida de dentro para fora.

 

“Tem muitos nomes. Averno, Tártaro, Hades… a região infernal que vocês chamam de Inferno,” explicou Morpheus, enquanto seus olhos escuros pareciam atravessar as profundezas do lugar.

“Então, o Inferno  realmente existe?”perguntou Matthew, surpreso, suas penas se eriçando enquanto girava a cabeça para absorver cada detalhe do ambiente hostil.

“Sim, para alguns,”respondeu Morpheus. “Isso significa que não existe se você não acredita nele?” insistiu Matthew, inclinando a cabeça com curiosidade.

“Você acreditava nisso? Quando era humano?” retrucou Morpheus, um leve suspiro escapando dele enquanto fixava o corvo com um olhar penetrante.

Suspirando, Matthew respondeu: “Sim. Eu simplesmente não esperava que o Inferno fosse frio. Então, para onde vamos?”

“Sugiro que sigamos os condenados,”disse Morpheus, apontando para um caminho tortuoso à frente, ladeado por saliências que pareciam se mover como seres vivos, retorcendo-se com uma vontade própria.

O grupo avançou, o ar gelado e pesado os envolvendo enquanto atravessavam.

Morpheus caminhava à frente, firme, mas segurava a mão de Briely com uma força protetora, guiando-a por escadas irregulares.Cada degrau parecia protestar contra sua presença.

Era também possível ouvir  sons que   ecoava como um lamento distante.

“O Hades…”

Briely começou, hesitante, sua voz quase engolida pelo silêncio opressivo do lugar.

“Quero dizer, o tio Hades, como ele é aqui nesse universo? Você o conhece?”

Morpheus desviou o olhar, ele sabia que uma hora a curiosidade dela acabaria vencendo e ela acabaria o fazendo perguntas assim, mais esse não era o momento pra eles terem essa conversa, não aqui, ele murmura pra ela baixinho uma resposta pro Matthew que estava atrás deles  não os ouvir. “Sim, Briely. Eu Conheço." "Posso lhe contar sobre as contrapartes deles e até sobre o seu pai quando voltarmos. Mais tarde"

"Por enquanto, concentre-se."

 

Eles continuaram caminhando até chegar a um imenso portão.

A paisagem era fria, desolada, diferente de qualquer descrição que Briely já ouvira em seu mundo. Ela observou o ambiente com um leve estremecimento antes de fazer uma comparação sobre o lugar. “ O inferno Parece um pouco com o Submundo de casa, sabe? Lá em casa... tem essa mesma vibe sombria, esse peso no ar. Só que aqui é... Bem mais frio.”

 

Matthew olhou para ela, curioso querendo saber  sobre o que ela estava falando, mas Morpheus ao ouvila apenas apertou sua mão um pouco mais firme.

Ele praticamente estava dizendo com o olhar pra ela, que ela não deveria falar e nem comentar sobre isso no momento. 

“Um rei não pode entrar no reino de outro monarca sem ser convidado,” explicou ele com firmeza.

“Há regras e protocolos que devem ser seguidos.”

 

Ao se aproximarem do portão, uma voz ecoante e rouca os saudou, carregada de desdém e provocação.

“Tem um na porta… À porta da condenação. Ladrão, bandido ou prostituta? Há espaço para mais um…”

 

“Saudações, Squatterbloat,” disse Morpheus com autoridade, sua presença dominando o espaço.

“Peço uma audiência com seu soberano.”

 

“Mm. Sim, meu palhaço. Então, onde está sua coroa?”zombou o demônio, seus olhos brilhando com malícia enquanto se inclinava para mais perto, o fedor de enxofre emanando de sua forma retorcida.

 

“Guarde sua língua, demônio. O Governante do Inferno não será gentil com quem insulta um convidado de honra.”

“E eu sou um convidado neste reino, pois sou meu próprio monarca. Abrirá os portões do Inferno e nos deixará passar?” Retrucou Morpheus, cada palavra afiada como uma lâmina.

 

Squatterbloat, com um grunhido relutante, conduziu-os pelo portão, e o grupo seguiu por um caminho tortuoso, subindo por escadas irregulares.

Morpheus segurava a mão de Briely com cuidado e firmeza, querendo transmitir  segurança ao sentir ela se aproximando cada vez mais para perto dele até chegar no ponto em que seus braços estavam se tocando.

Ela claramente estava um pouco assustada com o lugar (não que ela fosse admitir) e ele estava mais do que feliz com ela buscando segurança e conforto nele.

A paisagem ao redor parecia mudar ocasionalmente, moldada pelos caprichos de um poder superior. Também  Dava pra ver um castelo que estavam bem longe a frente.

“Então... Nos Vamos ver A Estrela da Manhã?”perguntou Briely, olhando ao redor com um misto de fascínio e temor. “Teremos  que passar a noite neste lugar literalmente esquecido por Deus?”

“Sim,” respondeu Morpheus, sério, seus olhos fixos no horizonte sombrio.

“Mas não se preocupe, estarei com você.”

“Como o Diabo?” sussurrou Matthew, assustado com a magnitude do local e o seu governante, suas asas tremendo levemente. “O Governante do Inferno não é um mero diabo?”

“Não é qualquer anjo,” explicou Morpheus a eles  calmamente. “Quando nos conhecemos, Lúcifer era o anjo Samael. O mais belo, mais sábio e mais poderoso de todos os anjos.” “ Com exceção apenas do Criador." "Lúcifer é talvez o ser mais poderoso que existe.”

 

“Mais poderoso que você?” perguntou Matthew, surpreso. “De longe,” respondeu Morpheus. “Principalmente agora.”

Finalmente, eles começaram a passam  a ao que parecia ser celas, passando por elas. Matthew comentou, desconfiado, enquanto olhava ao redor.

O demônio… sumiu.”

Eles pararam a caminhada olhando ao redor.

"Isso é ruim" pensa briely apertando ainda mais a mão do morpheus .

Dentro de uma  cela a frente, uma figura frágil que estava presa lá os encarou, seus olhos cheios de um reconhecimento doloroso.

Senhor dos Sonhos… Kai’ckul… e você?”falou ela, ofegante, a voz tremendo com uma mistura de alívio e desespero.

 

“Quem é ela?” perguntou Matthew, surpreso, enquanto suas asas batiam inquietas.

Senhor dos Sonhos?” continuou a mulher, respirando pesadamente.

Kai’ckul… eu sabia que você viria. Por favor, liberta-me. Somente o teu perdão pode me libertar.”

Briely tentou se aproximar da cela, movida por uma mistura de curiosidade e compaixão.

Mas Morpheus a puxou de volta para mais perto dele, apertando sua mão com firmeza, um gesto protetor que a manteve colada ao seu lado.

Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha, não apenas pelo ambiente gélido, mas pela presença angustiada da mulher, e do olhar que ela tinha  tão desesperado enquanto ela segurava as barras da cela, que pareciam ser espinhos ?.

Em sua mente, perguntas rodopiavam, Quem era essa mulher e principalmente o que essa mulher havia feito para estar ali, condenada ao inferno, e ela estava ali por quanto tempo?

Essa mulher, Ela claramente conhece o morpheus, porque ela disse que só o perdão dele poderia a libertar ? Será que ele a mandou até ali como punição por alguma coisa? Ele não faria isso ou faria ?

Ela nunca tinha conhecido esse lado dele bem... Pelo menos não ainda, ela queria pensar que ele não faria algo assim mais tinha que se lembrar que, por mais legal que ele seja com ela, ele e uma divindade um  perpetuo além de ser o rei dos sonhos e dos  pesadelos. 

 

"Quem é essa mulher? Ela te chamou de senhor dos sonhos, e de Kai’ckul eu acho? Você a conhece  morpheus?" ela decidiu finalmente  o perguntar.

"Sim" disse ele, "O nome dela e Nada"

“E Por quanto tempo ela está aqui?” perguntou Matthew, curioso, fazendo a  a pergunta que ela queria fazer ao morpheus logo  em seguida.

A Mais de 10.000 anos,” respondeu Morpheus com firmeza .

Briely arregalou os olhos, totalmente chocada ao ouvir aquilo, ela virou-se para ele, buscando confirmação. "10.000 anos isso e muito tempo"

“É verdade?” ela perguntou, seus olhos encontrando os dele,  sem acreditar nisso.

Morpheus não respondeu com palavras; apenas a encarou, seu olhar profundo e impenetrável ela conseguia ver em seu olhar que ele ainda parecia ter um pouco ressentimento pela mulher Nada, ele assente pra briely com a cabeça confirmando a pergunta dela.

Os dois ao que parece aqueles dois tinham uma história que ela não podia compreender no momento. 

10.000 anos? Como… como isso é possível?” perguntou a mulher, incrédula, seus olhos arregalados enquanto sua voz tremia.

 

"E porquê exatamente ela está presa aqui ? " Pergunta Briely hesitante.

 

Foi porquê ela  me desafiou,”respondeu Morpheus calmamente.

"Oque ? "Pensa ela incrédula "só por isso? "

 

“Você… você ainda me ama?” a mulher Nada os interrompe a voz tremendo com uma esperança frágil que ele ainda pudesse fazer isso.

 

Morpheus desviou o olhar da Nada, lançando um breve e intenso vislumbre olhar para Briely antes de  se virar para a Nada e a  responder com firmeza.

Não. Eu não a amo mais. Eu já Amo outra pessoa.”

 

Briely engoliu em seco, sentindo um arrepio inconscientemente percorrer seu corpo ao ouvir aquelas palavras dele.

Ela Não sabia de quem ele falava, já que ele nunca havia dito pra ela que amava alguém. mas a intensidade de sua voz e o olhar estranho que ele lhe lançou mexeram com algo dentro dela.

Seu coração apertou de uma forma que ela não conseguia explicar.  

Embora ela  permanecesse alheia ao fato de que era para ela que os olhos de Morpheus sempre retornavam, e o mais importante de tudo, que era ela mesma que ele disse amava.

“Não se preocupem com isso,”disse Morpheus suavemente, virando-se para Matthew e Briely.

“Venham. Vamos embora Temos assuntos mais importantes a tratar.”

Ele conduziu Briely para longe da cela, segurando sua mão com firmeza, enquanto Matthew os seguia, observando cada movimento.

A presença e o olhar da mulher ali os observando partir  era inquietante, mas Morpheus permanecia resoluto, sua determinação inabalável enquanto guiava seus companheiros para o próximo confronto.

 

Finalmente depois de um tempo eles se aproximaram de um imponente palácio infernal. Ao que parece o castelo não estava tão longe assim.

Lúcifer Morningstar e Mazikeen os aguardavam, os olhos do primeiro brilhando com curiosidade e um desafio velado.

 

Olá, Sonho."

"Saudações a você, Lúcifer Morningstar,” disse Morpheus, mantendo a postura firme.

“Saudações, Mazikeen dos Lillim.”

 

Lúcifer franziu o cenho, olhando para Briely ao lado de Morpheus.

“Vejo que também trouxe companhia,” disse lúcifer, a voz carregada de ironia.

Seus olhos percorreram a jovem ao lado do morpheus, mas então seu olhar se congelou, um espanto claro em sua expressão.

“Espere… o que é isso?” lúcifer murmurou, sentindo algo estranho na aura da jovem.

“Essa presença mesmo diluída parece um certo Deus, Morpheus… o que você está fazendo com um membro do panteão grego?” “Poseidon tem uma filha semideusa e eu não sabia?”

 

Morpheus apertou a mão de Briely ainda mais, puxando-a para trás de si, e bloqueando a visão de Lúcifer sobre ela.

“Ela não é da sua conta, Lucifer” disse ele, a voz cortante como gelo.

“Ela me acompanha. Você  Não precisa saber de Nada mais.”

 

“Hm…” Lúcifer arqueou uma sobrancelha, desconfiado, mas recuou um passo, estudando a situação. “Veremos como isso se desenrola.”

 

Lúcifer sorriu, mas não era um sorriso amigável.

“Sempre misterioso. Mas vamos ao que realmente importa.” “ Presumo que está não seja uma visita social.”

“Ou veio, você quem sabe, reconhecer a soberania do Inferno?”

 

“Você sabe que não é disso que se trata,” disse Morpheus.

“Vim recuperar algo que me pertence. Meu Elmo de Estado foi roubado e acredito que esteja com um de seus demônios.”

 

Ah, Morpheus… sempre tão direto,”murmurou Lúcifer.

Mas as coisas não são tão simples aqui. Existem regras, protocolos.” “ Diga o nome e o trarei a você.”

 

“Não sei o nome,” respondeu Morpheus.

 

Um sorriso se abriu lentamente no rosto de Lúcifer.

Então teremos que convocar todos eles.”

 

Mazikeen ergueu o queixo e estalou os dedos.

Das profundezas do palácio, um rugido se ergueu, seguido por um coro de vozes, até que o chão pareceu tremer.

 

“Muito bem, Sonho,” disse Lúcifer, com um brilho divertido nos olhos.

“Todos estão aqui. Faça sua pergunta.”

 

O salão do Inferno estava lotado. Demônios de todas as formas e tamanhos, desde sombras rastejantes até criaturas titânicas, se reuniam para ver o que estava por vir.

O ar vibrava com expectativa.

 

Lúcifer ergueu a mão, pedindo silêncio, e então, com um sorriso enigmático, disse:

Pronto, Sonho. Você pode perguntar. Qual demônio está com seu capacete? Vamos entrevistá-los um de cada vez ou…?”

 

Morpheus ergueu o queixo, a postura firme.

“Isso não será necessário.”

Lúcifer inclinou levemente a cabeça, intrigado.

“Nos surpreende a facilidade com que você desiste, sonho.” “ Sabemos o quanto você confia  em suas ferramentas.

“Mas as ferramentas são as armadilhas mais sutis. Tornamo-nos dependentes delas e, sem elas, ficamos vulneráveis, fracos e indefesos.”

“Não totalmente,”respondeu Morpheus,  “Recuperei minha areia. Ela me trouxe até aqui, e agora trará para mim o que é meu.” 

Ele usou a sua areia e dela surgiu um demônio

A  sua voz ecoou pelo salão. “Diga-me seu nome, demônio.”

Um murmúrio correu entre a multidão.

O demônio avançou, ele era esguio e parecia bem arrogante.

“Eu tenho que contar a ele?” perguntou o demônio, com um sorriso torto.

Mazikeen respondeu antes que Lúcifer pudesse falar:

Esse é Choronzon. Um Duque do Inferno.”

Os olhos de Morpheus se estreitaram.

“Choronzon… O elmo é meu. Você deve devolvê-lo para mim.”

 

Choronzon riu, um som gutural e provocador.

“Não. Agora é meu. Troquei-o com um mortal por algo insignificante. Foi uma troca justa. Não infringi nenhuma lei.”

 

“E se o Rei dos Sonhos quiser seu elmo de volta,” completou Lúcifer, com um brilho malicioso nos olhos, “Ele terá que lutar por ele.”

Choronzon abriu os braços, teatral.

“Exato.” “Eu o desafio, sonho. Se vencer, seu capacete será devolvido.”

“Mas se perder, você será meu escravo aqui no Inferno… por toda a eternidade.”

 

Matthew inclina as asas pra frente, ele diz  com preocupação. “mestre, isso é loucura…”

 

Mas Morpheus não desviou o olhar do demônio. “Eu aceito os termos.”

 

A sala explodiu em gritos e risos demoníacos. Choronzon gargalhou, saboreando cada segundo, enquanto o ar ao redor parecia pulsar com uma energia sombria.

Briely apertou a mão de Morpheus instintivamente, seu coração disparando.

Ela estava com  medo mais tinha admiração pela determinação  dele.

Ele retribuiu o aperto por um breve momento, um gesto  de conforto, antes de soltá-la.

E dar um passo à frente, enfrentando o desafio que definiria não apenas sua busca, mas talvez seu destino no Inferno.

Notes:

A nada apareceu brevemente, e como vimos ele já não a ama mais, embora ele ainda tenha aquele velho ressentimento.

A bri também viu um lado dele que nunca viu, ela ficou incrédula como ele respondeu calmamente que condenou a Nada a 10.000 anos no inferno, só porque ela o desafiou.

Ela definitivamente vai se lembrar disso, Hehe

Chapter 6: Um Demônio Me Acha Adorável e Eu Conheço Meu Pai, Ou Melhor a Sua versão desse universo

Notes:

Capítulo longo

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Chapter Text

 

 

 

Lúcifer ergue as asas, imponente, enquanto a arena do Inferno se abre em um grande círculo de fogo e trevas.

Lúcifer fala “Governante dos Sonhos, quem lutará por você?”

Morpheus, firme, respondeu, “Eu mesmo me representarei.”

Lúcifer sorri de canto. “Muito bem. E Choronzon, quem lutará por você?”

Choronzon, com um tom quase servil, diz “Eu escolho... você, meu senhor.”

Lúcifer ergue a sobrancelha, um brilho de orgulho e desafio nos olhos. “Assim seja.”

Matthew, inquieto, diz “Chefe, isso é loucura. Você não precisa fazer isso sozinho!”

Briely rapidamente se aproximou dele, ela toca o braço de Morpheus, bastante preocupada.

“Morpheus, por favor, não faça isso. É uma  loucura enfrentar Lúcifer, ainda mais agora." "Eu... eu não quero que algo aconteça com você.”

Morpheus a encara por um instante, seus olhos profundos fixos nos dela, aqueles lindos olhos dela ver  verdes como o mar.

Internamente, ele sorri ao perceber a preocupação genuína dela em seu olhar.

"Ela realmente se preocupa comigo", pensa ele  enquanto delicadamente retira a mão dela de seu braço, levando-a aos lábios e depositando um beijo gentil.

“Não se preocupe comigo. Eu estarei bem.”

 

Lúcifer observa a interação com um sorriso sinistro, seus pensamentos ecoando na sua  mente afiada. "Então, ele gosta dela, talvez até a ame. Que interessante."

Morpheus se vira para Matthew e diz “Volte para o Sonhar, Matthew. Esta batalha é minha.”

Ele se vira para Briely, com tom firme. “E você, Briely, vá junto com ele. Não é seguro para você aqui.”

Briely, hesitante, morde o lábio inferior, receosa de deixá-lo ali sozinho, mas acaba assentindo com relutância. “Tudo bem... mas, por favor, tome cuidado.”

Lúcifer intervém, sua voz deslizando como veneno, um sorriso cruel nos lábios:

“Não, não tão rápido, querido Sonho. Que tal um pequeno incentivo? Se você perder, a garota ficará aqui conosco.”

Ele gesticula com um brilho nos olhos, como se estivesse se divertindo com a situação.

Morpheus se vira para Lúcifer, sua expressão endurecendo, a raiva contida brilhando em seu olhar.

“Você não a tocará, Lúcifer. Isso eu garanto.”

Lúcifer ri baixo. “Por agora, não farei nenhum mal a ela. Mais Se você vencer, poderá levá-la de volta.”

Ele acena com a mão, e o chão sob Briely de repente se abre como em um buraco negro.

Ela grita ao cair, enquanto Morpheus avança um passo, seu rosto tomado por fúria e preocupação.

Matthew solta um grasnado de pânico ao lado dele ao ver a Briely desaparecer.

 

 

Ela aterrissa com um impacto inesperadamente suave em uma sala escura e gelada, iluminada apenas por tochas que tremem nas paredes de pedra negra.

O coração de Briely dispara. Ela não está sozinha.

Mazikeen está largada numa cadeira de ferro ornamentada, uma perna sobre o braço do trono, observando-a como quem avalia uma presa interessante.

Briely arranca o anel do dedo num movimento rápido. O metal brilha, cresce, e  vira uma espada de bronze celestial que ela  aponta pro demônio com as duas mãos trêmulas.

Mazikeen ergue uma sobrancelha, claramente divertida. “Calma, garota. Não vou machucá-la." "Vamos lá Abaixe isso antes que se machuque.”

Briely hesita, os olhos estreitados pra ela, mas não abaixa a espada.

Mazikeen, com um leve sorriso, aponta para uma cadeira à sua frente. “Sente-se querida. Vamos conversar, Eu Não mordo... pelo menos não hoje, Abaixa isso antes que você corte o próprio dedo.”

Briely não abaixa. A ponta da espada oscila um centímetro. “O que você quer?”

Mazikeen dá um sorriso preguiçoso e aponta para a cadeira à sua frente. “Nada, Senta. Querida Vamos  um bater papo.”

Briely hesita, mas acaba se sentando na beirada da cadeira, a espada apoiada no colo, dedos brancos de tanto apertar o cabo. Ela estava com um pouco de medo do demônio a sua frente, não que ela fosse admitir 

 

Mazikeen inclina a cabeça, estudando a lâmina com interesse genuíno. “Lindo brinquedo o seu. Ele Tem um nome?”

“Tempestade,” Briely  responde, esforçando-se para que o nervosismo não transparecesse.

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“Um nome forte. Combina com você. ” Ela se recosta na cadeira, seus olhos avaliando Briely de cima a baixo.

“Você é muito bonita, sabia? Muito mesmo, você Deve atrair muitos olhares. Mas me diga, qual é a relação entre você e o Senhor dos Sonhos?”

Briely engole em seco com a pergunta. “Somos só amigos.”

Mazikeen solta uma risada curta. “Amigos. Claro. Eu sinto cheiro de ‘amigos’ a quilômetros.” Ela se inclina para frente, com os  olhos  brilhando.

“Quantos anos você tem, garota?”

"Dezesseis.”

O silêncio que se segue é pesado. Mazikeen ergue as duas sobrancelhas.um brilho de diversão nos olhos.  

“você... e Bem nova não é ?”  “Isso e Engraçado, porque ninguém nunca sequer mencionou que uma filha de Poseidon tinha nascido em todos esses anos.”

Internamente ela reflete: "Dezesseis anos... se ela for quem diz ser, todos saberiam de uma filha de Poseidon em todos esses anos. Será que ela  está mentindo? Ela não parece estar"

Briely, faz uma careta,  como se percebesse a dúvida do demônio  reafirma a sua idade. 

Mazikeen ri baixo ao ver a cara dela  “Tudo bem, pequena.  Mais Me diga, você é mesmo filha de Poseidon?“

Briely, sem hesitar a respondeu. "Eu Sou.”

Com isso Mazikeen, se inclinou para frente, olhando pra ela com um o olhar perspicaz. “E ele sabe que você está aqui, no Inferno, na companhia do Rei dos Sonhos? Duvido que Poseidon deixaria sua preciosa filha vagar por um lugar como este.”

“Eu não o conheço. Não pessoalmente”

Mazikeen, franzindo a testa com a resposta dela.

Ela pensa consigo mesma: "Então, Morpheus talvez a tenha sequestrado antes mesmo de seu pai saber de sua existência?  Isso é...  intrigante."

“E a Quanto tempo você está com o Senhor dos Sonhos pequena?”

A Briely respondeu. “Três meses, mais ou menos.“

Mazikeen assente, tamborilando os dedos na cadeira, claramente tentando pescar mais informações. enquanto mantém a conversa leve.

“Entendo. Relaxa, pequena. A luta lá em cima vai demorar, ainda  temos bastante tempo pra conversar mais.”

“Afinal, você não vai a lugar nenhum tão cedo, não é?”

 

 

 

Enquanto isso na arena, o caos ainda reverbera.

Matthew, estava empoleirado em um canto elevado, ele agita as asas com ansiedade, ele ainda tinha  seus olhos negros fixos no ponto onde Briely desapareceu.

Matthew, murmura  para si mesmo, preocupado.“Onde está a senhorita Briely? Ela não deveria ter sido levada assim. Chefe, precisamos encontrá-la logo. Isso não tá certo."

 

Morpheus, de pé no centro da arena, ignora por um momento os gritos dos demônios ao seu redor.

Seus olhos estão fixos em Lúcifer, um olhar fulminante, carregado de raiva contida e determinação.

Cada músculo de seu rosto parece esculpido em pedra, mas suas mãos se fecham em punhos, como se estivesse pronto para outro confronto.

 

Lúcifer, percebendo a dele tensão, ergue uma sobrancelha e solta uma risada baixa, quase melodiosa, caminhando com passos calculados em direção a Morpheus.

Relaxe, Sonho. Sua garota está bem. Ela Está com Mazikeen, uma companhia... digamos, adequada.”

“ Não há necessidade de tanto drama. Por agora, ela está bem segura.” " A Mazikeen não vai machucarla."

Ele inclina a cabeça, o sorriso se alargando com um toque de provocação. “ Ou será que você não confia em mim?”

Morpheus, respondeu com voz  cortante: “Sua palavra não significa nada para mim, Lúcifer. Se algo acontecer a ela...”

Lúcifer ri novamente,  “Tanta paixão. Adoro isso em você, Morpheus.”

“Vamos resolver a questão da garota... em breve.”

A arena vibra com gritos demoníacos. Lúcifer caminha para o centro, cada passo reverberando como um trovão, mas a troca de olhares entre ele e Morpheus permanece como uma batalha silenciosa.

Choronzon, agora como mestre de cerimônias, anuncia pra todos os presentes: “Bem-vindos, senhores do Inferno! Hoje testemunhamos um duelo entre o Governante dos Sonhos e a Estrela da Manhã, no jogo mais antigo.”

“Uma batalha de imaginação e poder!”

 

Lúcifer abre um sorriso frio “Vamos ver se você ainda é digno do título que carrega, Morpheus.“

 

Morpheus responde calmo “ Estou pronto.“

 

As chamas aumentam.

A arena silencia.

O primeiro movimento está prestes a ser feito.

A arena mergulha em um silêncio profundo. O ar pesa, como se o Inferno inteiro prendesse a respiração.

 

Lúcifer dá um passo à frente, o olhar frio e desafiador. "Então, vamos começar.”

“Eu sou um lobo, feroz e faminto, caçando sob a lua sangrenta.” Ao dizer isso Lúcifer se transforma em um lobo gigantesco, as presas brilhando, o pelo feito de fumaça e fogo.

Ele avança.

 

Morpheus ergue o queixo, tranquilo: “Eu sou um caçador, um homem com a lança certeira, que encontra o lobo e o abate.”

Sua forma muda. Surge um caçador com armadura negra, a lança em mãos, firme, mirando o peito do lobo.

 

Matthew, no alto, comenta nervoso “Isso é insano. Eles estão se transformando em palavras... em ideias.”

 

Lúcifer rosna, a voz ecoando mesmo na forma de fera: “Então eu sou uma serpente, que desliza, veneno nas presas, escondida na sombra para matar o caçador.”

 

O corpo do lobo se contorce, transformando-se em uma serpente colossal, verde-escura, os olhos ardendo como brasas.

E Ele avança.

Morpheus, firme, responde: “Eu sou um pássaro, um falcão no alto, que mergulha e devora a serpente.”

 

Lúcifer sorri, voltando à forma angelical por um instante. “Eu sou um gato, ágil e veloz, que caça o pássaro no ar.”

 

Morpheus respondeu. “Eu sou um lobo, maior do que o anterior, que mata o gato.’’

 

O ritmo acelera.

Cada frase é um golpe, cada palavra uma forma.

A plateia de demônios ruge enquanto o duelo prossegue, cada forma mais ameaçadora que a anterior.

 

Lúcifer sorri, a voz carregada de desprezo. “Muito bem, Sonho, mas você ainda está jogando pequeno.”

"Eu sou um dragão, imenso, com asas que cobrem o céu, cuspindo chamas que consomem tudo.” O calor do fogo ilumina a arena, os demônios gritam em aprovação.

 

Morpheus ergue o olhar, inabalável “Eu sou uma árvore antiga, enraizada na terra, imune às chamas, que sufoca o dragão com seus galhos eternos.”

 

Lúcifer, os olhos brilhando, inclina a cabeça com um sorriso perigoso."Então eu sou um machado, afiado, que corta a árvore ao meio.”

 

Morpheus fecha os olhos, a sua voz sai  baixa mas firme: “Eu sou uma ferrugem que corrói o machado até o pó.”

 

Os demônios murmuram, inquietos.

A cada transformação, a tensão na arena aumenta.

 

Lúcifer ergue a mão, a aura crescendo, e grita. “Então eu sou uma doença, invisível, sem cura, que consome tudo.”

Morpheus, com calma, responde: “ Eu sou esperança.” "Bem, lúcifer? E a sua vez O que mata a esperança?"

A arena silencia. A própria luz do Inferno vacila.

Lúcifer hesita, a expressão fechada. “Esperança...”

Matthew,  suspira aliviado: “Isso é o que eles não entendem... esperança não morre.”

 

Lúcifer, com um sorriso forçado, declara. “Muito bem, Sonho... o capacete é seu.” "Choronzon, me dê o seu elmo."

Choronzon faz um grunhido "Não. Não vou. É meu. Por favor."

Os gritos dos demônios ecoam pela arena, alguns em fúria, outros em descrença.

Choronzon, vendo que não teria mais geito entrega o elmo a lúcifer e derrotado, cai de joelhos, ofegante.

Lúcifer caminha até Morpheus, os olhos semicerrados, mas um sorriso elegante no rosto.

Ele segura o capacete nas mãos, “Muito bem, Sonho... uma vitória é uma vitória.”

“E Como prometido, o capacete é seu.”

"Obrigado, Portador da Luz. O governante do Inferno é, de fato, honrado." "Eu não vou esquecer isso." Diz morpheus.

“Honrado? Você está brincando, com certeza,” retruca Lúcifer.

 

“Cuidado, Morpheus. Um bilhão de Senhores do Inferno estão posicionados ao seu redor,” avisa Lúcifer.

“Conte-nos. Por que deveríamos deixar você e a garota irem embora? Com capacete ou sem capacete, você não tem poder nenhum aqui. Afinal... que poder têm os sonhos no Inferno?”

Morpheus encara Lúcifer, e diz com a  voz firme: “Você diz que eu não tenho poder aqui. Talvez você esteja falando a verdade. Mas dizer que os sonhos não têm poder no Inferno..."

"Diga-me, Lúcifer, Estrela da Manhã, que poder teria o Inferno se aqueles aqui aprisionados não pudessem sonhar... com o Paraíso?”

 

Lúcifer aperta os olhos, ele tinha um brilho de raiva contida. “Um dia, Morpheus... nós o destruiremos.”

 

“Até esse dia, Portador da Luz,” responde Morpheus. Ele dá um passo à frente, com o tom exigente. “Agora, Lúcifer, devolvame a Briely como prometeu.”

"Interessante," pensa Lúcifer." Então esse é o nome dela. " Lúcifer, com seu sorriso característico, cruza os braços e encara Morpheus, que ainda o está  olhando com os olhos fulminantes ainda esperando que ele traga a Briely de volta.

Lúcifer responde divertido. “Não se preocupe tanto, Sonho. Vou trazer a sua garota de volta, como prometido. ”

Ele acena com a mão em direção a Choronzon, que se levanta rapidamente, ainda ofegante da derrota.

“Vá buscá-la agora Choronzon. E não me faça esperar.”

 

Choronzon assente com um grunhido subserviente e se afasta, desaparecendo por uma das portas escuras da arena.

 

 

Enquanto isso, Mazikeen e Briely, que continuam na sala fria e mal iluminada, embora agora  conversando sobre assuntos banais.

Mazikeen, com um tom levemente condescendente, mas curioso, inclina a cabeça enquanto observa Briely.

“Então, passarinho… antes de mim, você já tinha visto um demônio de verdade? Ou só aqueles monstrinhos debaixo da cama que os mortais inventam pra dormir com luz acesa?”

Briely engole em seco. A espada pesada no colo. “Já vi…  várias coisas. Mas nada como vocês.”

Mazikeen sorri, com todos os dentes à mostra. “Que gracinha.” “Você é uma coisinha, sabia?”

Briely franze a testa com o elogio do demônio. “…Obrigada?”

Mazikeen ri baixo, claramente achando graça na ingenuidade da garota, tratando-a como uma criança.

“Não foi elogio, foi constatação.” Mazikeen sorri, dentes todos à mostra. “Você é tão… adorável. ”

“Dá quase vontade de te colocar no colo e contar histórias de ninar infernais.”

Briely franze a testa, claramente não gostando da ideia.

“Você realmente acha mesmo que o sonho vai ganhar ?”

Briely levanta o olhar, rápido. “Ele não vai perder.”

Mazikeen solta um “awn” exagerado, colocando a mão no peito.

“Você confia nele, Que coisa mais fofa”

“Mais Se ele perder, adivinha quem fica de presente pro Inferno?”

Briely não a responde.

É a Mazikeen sorri. mas antes que ela possa responder, um som pesado ecoa do lado de fora.

Era o Choronzon batendo na porta com força, sua voz rouca ressoando através da madeira grossa. “Garota, e hora de ir. Ordem de Lúcifer.”

Mazikeen se levanta, esticando os braços com uma expressão de leve tédio, mas um sorriso genuíno no rosto.

“E realmente uma Pena. Eu tava começando a gostar de você filhotinha.” Mazikeen suspira. Ela se aproxima devagar, passa o dedo de leve no queixo de Briely, erguendo o rosto dela um pouquinho. “Você é tão absurdamente adorável, Quase me faz querer roubar você do sonho.”

Briely engole em seco ao ouvila admitir que queria roubala. 

Mazikeen sorri, um sorriso doce e perigoso ao mesmo tempo. “Bem, foi um prazer conhecê-la, pequena. Cuide-se aí fora. ”

Briely hesita, depois responde meio sem graça: “…Foi interessante te conhecer. Adeus.”

Mazikeen pisca, maliciosa. “Adeus, docinho. Até a próxima”

Choronzon logo entra, seu rosto marcado por impaciência, e agarra o braço de Briely com uma força desnecessária.

Ele a puxa para fora da sala, ignorando os protestos dela enquanto a guiava por um corredor escuro.

 

Briely, tenta se soltar, e fala com raiva. “Eii Me solta! Eu sei andar sozinha, seu demônio idiota!”

 

Choronzon para no meio do corredor, virando-se para ela com um olhar irritado.

Ele aperta ainda mais o braço dela. “Fique quieta, humana, e pare de se contorcer.“ “Não tenho paciência pra seus chiliques.’’

Briely o encara com um olhar fulminante, os olhos verdes  dela brillhando de fúria. “Me solta agora seu idiota, ou vou fazer você se arrepender!’’

 

Choronzon ri, um som áspero e desdenhoso, claramente subestimando-a afinal o que uma meia humana como ela  poderia fazer com ele ?. Ele era um duque do inferno.

Ele não a solta, e isso é o bastante para acender a raiva dentro dela.

Briely cerra os dentes ao perceber que ele não a soltaria e que ele claramente estava zombando dela e a subestimando, ah... mais ele logo irá se arrepender disso, invocando seus poderes rapidamente.

Uma onda de água surge atrás dela, como se fosse evocada do próprio ar, e foi crescendo rapidamente, logo inundando o corredor todo.

Choronzon a solta de repente, seus olhos arregalados enquanto ele encara a onda crescente.

Antes que ele possa reagir, a água o atinge com força total, arrastando-o pelo corredor enquanto ele tenta se segurar nas paredes de pedra,  mais sem sucesso.

 

 

 


 

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Enquanto isso na arena, Morpheus e Lúcifer ainda estão de pé.

O capacete estava agora na mão de Morpheus como um símbolo de sua vitória.

Ate que Ambos ouvem um rangido estranho vindo da grande porta por onde Choronzon entrou.

Lúcifer franze a testa, inclinando a cabeça com curiosidade.

 

Lúcifer, murmura para si mesmo. "Maís O que está acontecendo agora?”

 

O rangido da porta logo se intensifica, como se algo estivesse a pressionando com uma força descomunal do outro lado.

O barulho logo cresce até que, de repente, não aguentando mais a porta se rompe com um estrondo ensurdecedor.

E Uma torrente de água irrompe da porta, inundando a arena como uma onda furiosa.

Morpheus arregala os olhos por um breve momento. Mas um sorriso sutil curva seus lábios ao perceber a origem de todo aquele  caos.

Matthew, ao lado dele, fica boquiaberto com a cena acontecendo a sua frente, suas asas batendo em choque.

Matthew, murmura surpreso “Mais o que é isso?! É um dilúvio ou o quê?”

 

Choronzon logo é arrastado junto pela corrente, caindo desajeitadamente no centro da arena.

Ele fica no chão Tossindo e cuspindo água enquanto tenta se levantar, ainda meio atordoado.

Os Demônios ao redor riem dele  ou murmuram em confusão sobre o que houve.

Então, passos rápidos logo são ouvidos ecoando do corredor, e Briely aparece na entrada, com o cabelo e vestido totalmente molhado   e também com seus cabelos grudado no seu rosto.

Morpheus se move rapidamente até ela, seus olhos examinando-a procurando por qualquer sinal de ferimento.

Ao não ver nada, Ele a abraça com força, uma de suas mão estava segurando suavemente o rosto dela rosto enquanto a outra a mantém perto de si.“ Você está bem? Fizeram algo a você?”

Briely, ofegante, mas aliviada ao vê-lo, sorri levemente pra ele . “Estou bem morpheus. Só... meio molhada.“

Morpheus solta uma risada quase inaudível, o alívio é  claramente visível em seu rosto.

Ele se abaixa e deposita um beijo gentil na testa dela, apertando-a mais contra si por um momento aliviado ao vela ilesa.

Briely protesta com um murmúrio.“ Você tá me apertando demais, Morpheus.”

Ele a segura por mais um instante, como se precisasse confirmar que ela está realmente ali, antes de soltá-la com relutância, mantendo uma mão em seu ombro.“Desculpe. Só precisava ter certeza.“

 

Lúcifer, estava observando a cena com um sorriso torto, ele logo intervém com sua voz melíflua, olhando para o chão encharcado e a porta destruída. “Bem, devo dizer, garota, você fez uma bela bagunça aqui. ” 

Ele cruza os braços, os olhos brilhando com uma mistura de diversão e curiosidade.“Isso só confirma o que suspeitei.”

“Você é mesmo filha de Poseidon, não é?”

Briely o encara por um momento, mas não o responde, mantendo a postura firme.

Morpheus, no entanto, dá um passo à frente, posicionando-se sutilmente entre ela e Lúcifer. “Já temos o capacete. Está na hora de irmos.”

 

Mais Antes que eles se afastem totalmente, Lúcifer ergue a mão, um último comentário saindo de seus lábios com um tom de advertência pra ela. “Cuide-se, garota.”

Morpheus lança um último olhar cortante para Lúcifer, antes de guiar Briely para fora da arena.

Matthew voando logo atrás deles, ainda parecia atordoado ainda murmurando sobre o "dilúvio" que acabou de presenciar.

 

As portas do castelo se fecham com um estrondo atrás deles, o vento frio  os olhares dos poucos demônios, que estavam os observando do lado de fora faziam Briely  estremecer.

Seu vestido verde, agora estava ensopado, ele estava praticamente grudado em sua pele, e seus cabelos ainda molhados  estavam pingando água enquanto ela cruza os braços para se aquecer.

Morpheus nota imediatamente, seus olhos  carregados de preocupação por ela.

Briely, com um leve tremor na voz o vê olhando pra ela e responde "Estou bem morpheus, só com  um pouco de frio.” " Posso me secar com meus poderes, isso não é nada."

Morpheus, a interrompe  com um tom gentil, mas firme,  "Você Não precisa usar os seus poderes novamente Aqui." "Vamos voltar para o Sonhar. E Lá você poderá se arrumar adequadamente."

Ele estende a mão pra ela, e com um movimento suave, o ar ao redor deles ondula.

Em um piscar de olhos, eles estão de volta ao Sonhar, Morpheus se vira para Matthew, que paira ao lado deles, ainda agitado com tudo o que aconteceu. "Matthew, vá falar com Lucienne. Informe-a da nossa chegada."

Matthew, com um olhar astuto, percebe que é uma desculpa ele para ficar sozinho com a senhorita Briely.

Ele assente com um leve grasnado, batendo as asas.  "Claro, chefe. Vou indo."  

Ele lança um último olhar para Briely antes de voar para longe.

Morpheus guia Briely pelos  corredores  até um quarto que surpreendentemente parecia aconchegante dado o estado do castelo no momento esse quarto parecia em melhor estado,  Ele aponta para um Vestido preto.

Que estava Disposto sobre a cama (esse era o vestido que ele iria dar pra ela depois que eles voltarem da sua viagen inferno), ele era elegante e extravagante, mas com um toque  que reflete seu estilo pessoal.

"Troque-se. Estarei te esperando do lado de fora."

Briely assente rapidamente enquanto ele sai, fechando a porta suavemente atrás de si.

Ela começa a tirar o vestido verde molhado, sentindo o tecido pesado deslizar por sua pele.

Ao pegar o vestido preto, nota que ele também é um modelo de festa, ele e bem bonito como os que uma princesas usariam aqueles de  contos antigos, ele tinha  camadas de tecido e um decote delicado.

Ela sorri para si mesma, pensando que todas as roupas que Morpheus  vestiu até agora são pretas.

"Ele definitivamente tem uma preferência por essa cor". Ela murmura, rindo baixinho.

Apesar dela sentir falta de usar calças e blusas casuais, ela decide não reclamar. afinal, no momento, ela não tem nem dinheiro para comprar suas próprias roupas.

Ela veste o vestido, ajustando-o ao corpo, e ajeita os cabelos ainda úmidos antes de sair do quarto.

Do lado de fora, Morpheus a observa assim que a porta se abre.

Seus olhos percorrem o vestido, e um leve sorriso toca seus lábios enquanto ele fala, com um tom que carrega um flerte sutil. "O vestido ficou muito bonito em você." "E a cor ela combina perfeitamente."

Briely, sem perceber a intenção por trás das palavras, sorri de volta, sua expressão iluminando. "Obrigada! Fico feliz que ache isso."

 

Morpheus sente algo quente crescer dentro dele, seu coração aquecendo-se com aquele sorriso inocente.

Ele se aproxima, passando a mão gentilmente pelos cabelos dela, ainda um pouco molhados, ajeitando uma mecha com cuidado.

Depois, ele lhe oferece o braço.

Briely o entrelaça com o dela, e os dois começam a caminhar juntos pelos corredores do Sonhar.

Enquanto andam juntos, morpheus a pergunta a curioso "O que aquele demônio fez para você ter que usar os seus poderes?"

Briely, franze a testa ao lembrar, e responde a ele  "Quando ele me levou da sala onde eu estava com a  Mazikeen, ele segurou meu braço com muita força e saiu me arrastando pelo corredor.”

“Isso me machucou, e eu também meio fiquei com raiva dele,.” “Então, acabei usando meus poderes nele."

 

No momento em que ela menciona que o demônio machucou seu braço, Morpheus para de andar abruptamente.

Briely o encarou, confusa. "O que foi? Por que  parou?"

 

Ele segura o outro braço dela com delicadeza. 

"Não se preocupe, Morpheus. Estou bem, sério. Vai passar logo."

Morpheus, respondeu com um tom que não admite discussão. "Não. Me mostre Eu quero ver."

Briely tentou protestar. "Não precisa, de verdade..."

Mas ele a ignora, puxando o tecido da manga do vestido com cuidado.

Seus olhos escurecem ao ver a mancha roxa em sua pele, uma marca clara da brutalidade de Choronzon com a sua amada. "Como aquele demônio ousou machucarla.

A fúria logo surge em seu rosto, sua voz sai baixa, e ameaçadora. "Eu vou matá-lo."

Briely, sentindo um arrepio subir por sua espinha ao ouvir o tom dele e a palavra 'matar', ela  responde rapidamente, com um toque de medo na voz. "Não, você não precisa fazer isso!" "Eu não sinto dor nenhuma, e eu não quero que você mate ninguém por minha causa."

“Eu já cuidei dele, lembra?  Aquele  demônio teve o pior mergulho da vida dele."  

Ela riu, tentando aliviar o clima.

Mas Morpheus não acha graça alguma.

 

Briely, Continuou insistindo. "Sério, eu posso me curar na água. Mais tarde eu faço isso, se você está tão preocupado."

Morpheus, discordou dela usar seus poderes. " Você Não precisa."  

Ele toca o braço dela, passando a mão suavemente sobre a marca.

Briely sente um formigamento na pele, e ao olhar, percebe que a mancha desapareceu, ela foi completamente curada pelo  poder dele.

Ele continua com a mão ali, acariciando a pele dela com um toque que parece mais demorado do que necessário.

 

Briely, um pouco desconfortável com ele acariciando a sua pele, tenta puxar o braço de volta. "Estou bem agora morpheus, pode parar."

Mas Morpheus não a solta ele segura o braço dela com delicadeza, levando-o aos lábios e depositando um beijo suave na pele.

Briely cora um pouco imediatamente com a ação dele, suas bochechas  tingidas de vermelho, e ela  solta uma risada nervosa. "Ei, não sou uma criança para você ficar beijando meus machucados!"

Morpheus a encara, um sorriso misterioso curvando seus lábios enquanto responde com um tom baixo e enigmático. 

"Não se preocupe, Eu sei que você não é uma criança."

Briely, sentia um estranho desconforto com o olhar dele e com a sua fala, era  uma sensação que ela não conseguia definir.

Ela cruza os braços e muda de assunto rapidamente querendo que essa sensação estranha pare.

"Então... o que vem agora?"

Morpheus coloca a mão no  ombro dela, e responde "Vamos ao Mundo Desperto em breve para recuperar o meu rubi."

Briely assente, e os dois continuam caminhando.

Ele retoma a conversa, curioso sobre o que aconteceu com ela, enquanto ela estava separada dele no Inferno.  

"Sobre Mazikeen... o que vocês conversaram?"

 

Briely, encolhendo os ombros. "No começo, eu a ameacei com minha espada."  

Morpheus ergue uma sobrancelha ao ouvir isso, seus olhos descendo para o anel em sua mão, sabendo que ele se transforma na espada dela.

"Mas depois nos sentamos e conversamos. Ela parecia só curiosa sobre mim, nada de mais."

Morpheus perguntou: "Curiosa sobre o quê, exatamente?"

Briely, fazendo uma careta emburrada: " Sobre eu ser filha do Poseidon, Ela também não pareceu acreditar que eu tenho dezesseis anos."

“Ela Ficou e ficou me tratando como uma criança o tempo todo.” “Isso Foi  um pouco constrangedor pra mim."

 

Ela não iria contar pra ele a parte em que o demônio ao que  parecia tinha gostado  bastante dela, nem a  parte em que ela também  disse que  ela era "absurdamente adorável e que isso a quase a fazia querer roubar ela dele."

Ela tinha certeza que ele teria a mesma reação que teve com o choronzon a pouco tempo. Ela tinha uma estranha sensação que Era melhor que ele não soubesse disso.

 

Morpheus, com um tom sério,disse pra ela "É melhor que pensem assim.”

“Se alguém descobrir que você é de outro universo, as coisas podem se complicar.”

“Além disso, aos olhos de todas as divindades e seres daqui você seria uma anomalia, então se algum deles algumas vezes lhe perguntar sobre a  sua idade seria melhor você dizer que tem apenas três meses” 

“O que seria o tempo que você  está neste universo”

“E diga que você que já nasceu completamente adulta.”

"Isso evitará perguntas desnecessárias."

 

Briely assente, embora um pouco a contragosto, o que Morpheus percebe em sua expressão. "Tudo bem, eu entendo."

 

 

Eles finalmente chegam a uma sala ampla, onde Lucienne os espera junto a Matthew. Lucienne ajusta os óculos, seus olhos astutos notando imediatamente a mão de Morpheus no ombro de Briely e o vestido preto que ela usa, tão semelhante ao estilo dele.

Preto sempre foi a cor do chefe, e Lucienne sabe que havia outros vestidos de diferentes tons disponíveis. (já que ela os tinha arrumado pra a senhorita usá-los a pedido do proprio morpheus.)

A escolha deliberada de Morpheus e claro não passou despercebida por ela; é um sinal, uma reivindicação sutil.

Um peso aperta seu peito ao perceber que a senhorita Briely nem mesmo parece notar o significado disso.

Lucienne, que conhece Morpheus há tempo suficiente, sabe que ele nunca é tão carinhoso com ninguém, exceto com amantes e, dessa vez.

Ele parecia mais apaixonado do que nunca.

 

Lucienne, forçando um sorriso profissional, os comprimenta."Fico feliz que tenham voltado inteiros. Matthew me contou o que aconteceu no Inferno."

 

Morpheus assente, retirando a mão do ombro de Briely, mas mantendo-se perto dela.

"Sim. Agora vamos ao Mundo Desperto para recuperar o rubi."

 

Lucienne e Matthew trocam um olhar rápido, enquanto Morpheus foca seu olhar  em Briely.

 

 

A transição para o mundo desperto foi abrupta, era como atravessar uma cortina de água fria.

Eles emergiram em um espaço sombrio, um ambiente claustrofóbico iluminado apenas por luzes tremeluzentes de lâmpadas.

Antes de Morpheus dar um passo em direção ao restaurante onde o Jhon estava, ele parou e olhou para Briely, o rosto carregado de preocupação.

O rubi era perigoso, e ele não queria colocá-la em risco novamente como aconteceu no inferno.

“Briely, seria melhor você ficar aqui fora ” disse ele firmemente, mas com um tom de relutância em deixá-la. “Não quero você perto  de nada disso.”

Ela o encarou, notando a hesitação em seus olhos, e respondeu com um leve sorriso . “ Não se preocupe comigo, Morpheus. Eu Vou ficar bem.”

Ele se aproximou, segurando seus ombros com delicadeza, os olhos fixos nos dela.

“Se qualquer coisa acontecer, eu verei imediatamente através dos olhos do Matthew.”

“Apenas me chame, e eu a encontrarei.”

Briely assentiu, sentindo o peso da preocupação dele. Morpheus se inclinou e deu um beijo em sua testa.

Demorando-se mais do que o necessário, como se quisesse gravar aquele momento.

Depois, ele virou-se para Mathew, que os acompanhava. “Cuide bem dela, Mathew. Eu volto logo.”

 

Mathew ergueu as asas, respondendo com confiança.“ Claro, chefe. Deixa comigo.” “A senhorita vai ficar segura.”

 

Com um último olhar para Briely, Morpheus desapareceu na direção do restaurante, deixando os dois sozinhos na rua escura.

Briely logo começou a andar, os passos leves, enquanto Mathew a seguia, suas garras clicando no chão.

Ele logo falou,  preocupado. “Não devíamos nos afastar muito daqui, senhorita.”

Ela deu de ombros, com um sorriso travesso nos lábios. “Isso e Bobagem, Mathew.” “Só vamos andar  um pouquinho mais longe.”

 

Ele a seguiu, relutante, enquanto cruzavam para o outro lado do restaurante.

Briely parou, olhando para os lados da rua, os olhos curiosos.

Mathew voou até o ombro dela e pousou, inclinando a cabeça. “O mestre se importa muito com você, sabia? Ele não gostaria que você se machucasse.”

 

“Não vai acontecer nada”retrucou ela, revirando os olhos afinal o que poderia acontecer ali?. E se alguma coisa acontecesse ela poderia se defender.

“ Vocês dois se preocupam demais.”

Mathew pensou consigo mesmo, com as suas  asas tremendo levemente. “Se algo acontecer com você senhorita sob a minha supervisão, eu tenho certeza que o mestre vai me depenar vivo.”

Briely se sentou em um banco próximo, os olhos vagando pelos prédios altos e pelas estrelas no céu.

Uma leve tristeza a envolveu enquanto ela  pensava em sua  casa, na sua mãe e no  seu irmão, gêmeo.

Eles adorariam conhecer um lugar como aquele, com toda a sua estranheza.

Matthew pulou do ombro dela para o banco ao seu lado, notando a mudança em seu humor.  “As estrelas daqui são tão bonitas, não são Matthew? " perguntou ela.

 

“Sim, elas são,senhorita” respondeu Mathew, inclinando a cabeça para o céu também a imitando e observando as estrelas.

Depois de um momento observando o céu.

Ele arriscou fazer  uma pergunta a ela . “Então... Senhorita Você gosta do chefe, tipo... de um jeito romântico?“

 

Briely franziu a testa, claramente frustrada com aquela pergunta. 

“Somos só amigos, Matthew.” “Por que todo mundo insiste em dizer  isso?” “Você não é o primeiro a  me perguntar.”

Ele inclinou a cabeça, curioso com a fala dela “ Quem mais perguntou?”

 

“A Joana, a mazikeen também" respondeu ela, cruzando os braços. "Ela também quis saber que tipo de relacionamento eu tenho com Morpheus."

Mathew pensou, com um leve brilho nos olhos “Bem, talvez seja porque todos percebam que ele gosta de você, e só você que ainda não percebeu.”     

Mas ele decidiu ficar calado não expondo os seus pensamentos.

Isso não era assunto dele. O chefe que resolvesse isso.

 

“O chefe é bastante carinhoso com você senhorita” Comentou Mathew, tentando manter o tom neutro.

"Talvez seja por isso as pessoas confundam."

 

”Sim, ele é carinhoso comigo ” admitiu ela, pensativa. “ E bem protetor, também as vezes.”

Mais ela logo, mudou de assunto, apontando para o céu não querendo continuar a conversar esse assunto um pouco constrangedor.

“Olha Mathew, aquela é a constelação de Órion. E ali, Cassiopeia. Você sabia que...”

 

Mathew ouvia, claramente impressionado com o conhecimento dela sobre as constelações, enquanto ela continuava a explicar sobre as estrelas.

Ela tinha aprendido sobre as constelações com o Luke no acampamento. Explicar e falar sobre  elas com alguém trazia algumas memórias antigas de seu passado.

Algumas pessoas passavam pela rua, lançando olhares estranhos para Briely, que usava um vestido preto longo e elegante, completamente fora de contexto naquele ambiente.

Outros pareciam intrigados por ela estar falando com um corvo.

Mathew notou e comentou, com a voz seca. “Acho que eles estão olhando estranho pra você por causa de mim...”

Briely riu divertida com a situação, com os olhos brilhando. “ Talvez seja o vestido. Ou talvez seja eu falando com você. Quem se importa com eles?.”

 

                                 

 

 

 

Enquanto isso Morpheus entrou na lanchonete, no centro do espaço estava John Dee, segurando o rubi com mãos trêmulas, a joia pulsando com uma luz rubra e ameaçadora, como se estivesse viva.

 

John Dee ergueu os olhos, reconhecendo a presença de Morpheus.

Um sorriso estranho, quase infantil, curvou seus lábios.

“Olá. Eu sou John. Que bom que você está aqui.” “ Acabou a energia. Então não há TV... e não há ninguém com quem conversar.”

"O que você acha que está fazendo?" Morpheus avançou com passos deliberados, sua voz cortante ecoando.

 

John inclinou a cabeça, os olhos brilhando com uma mistura de desafio e desespero.   “Você é o Sandman, não é?” “Minha mãe me avisou que você viria atrás dele.”

“Você Quer o rubi de volta para continuar espalhando as  suas mentiras.“

 

O rubi não foi feito pra isso" retrucou Morpheus,  sem um traço de hesitação.

"Ele está machucando você, John.” “E machucando este mundo."

 

John apontou para o rubi, suas mãos tremendo enquanto segurava a joia como se fosse sua própria vida. 

“Ele está me mostrando a verdade.” “ Essa é a verdade da humanidade.“

 

Morpheus estendeu a mão, os dedos pairando sobre o rubi, que brilhou intensamente como se reconhecesse seu verdadeiro mestre.

“O rubi contém muito do meu poder. Ele está te machucando, John.” “Se continuar com isso, só vai aumentar sua dor.“

 

John riu, um som rouco e amargo, os olhos arregalados com uma loucura contida. 

“Você acha que eu sou o problema?” “ Meu pai pegou o rubi de você.” “ No momento em que ele fez isso, seu reinado acabou.”

“Tudo o que era seu passou a ser meu.”

“Meu poder. Minha vida.” “ Como se sente sabendo que tenho sua vida nas minhas mãos?”

 

Morpheus o encarou. “Você está machucando os sonhadores deste mundo.” “ Mas ainda não é tarde pra se salvar.”

 

John Dee apertou o rubi com mais força, sua expressão se contorcendo em um misto de raiva e triunfo.

“Se o rubi contém seu poder, então destruí-lo vai destruí-lo também. ” Com um grito de desespero, ele esmagou a jóia nas suas mãos.

A pedra explodiu em fragmentos de luz carmesim, liberando uma onda de energia que sacudiu o Sonhar. John caiu de joelhos, exausto, um sorriso maníaco no rosto enquanto encarava Morpheus. 

“Eu destruí você...”

 

Morpheus permaneceu de pé, impassível, enquanto a luz dos fragmentos do rubi parecia ser absorvida por ele, sua forma tornando-se ainda mais imponente. 

“Não, John. Você destruiu o rubi.” “E, ao fazer isso, liberou o poder que estava preso nele de volta pra mim.”

“Isso e Algo que eu nunca teria considerado.”

“Mas o rubi dos sonhos nunca foi feito pra mortais.’' 'Isso tudo Não é culpa sua." 

''Durma bem, John."

 

Morpheus logo emergiu na rua do restaurante, o peso do confronto com John Dee ainda pairando em seus ombros, mas com uma nova força pulsando dentro dele após ter absorvido o poder do rubi.

Ele voltou ao local onde havia deixado Briely e Matthew, mas ao chegar, franziu a testa ao não encontrá-los no ponto exato.

Seus olhos se estreitaram por um momento, uma sombra de preocupação cruzando seu rosto.

Então, ele fechou os olhos brevemente, conectando-se à visão de Mathew.

Em instantes, ele os localizou.

Ele Caminhou com passos firmes e silenciosos até o banco onde Briely estava sentada, ela  ainda estava olhando para as estrelas, com o Matthew ao seu lado.

O corvo notou a aproximação de Morpheus primeiro, suas asas se agitando levemente enquanto inclinava a cabeça em reconhecimento.

Briely virou-se para ele, os olhos brilhando com curiosidade e uma pitada de alívio." Você Conseguiu?" perguntou ela.

 

Morpheus assentiu, um leve sorriso curvando seus lábios enquanto se sentava ao lado dela no banco. “Sim. Absorvi o poder do rubi.” “Ele Está de volta a  onde pertence.”

 

Briely devolveu o sorriso, um calor sutil em sua expressão.

Morpheus prosseguiu, sua voz calma, mas carregada de determinação. “Devemos voltar  ao Sonhar. ”

Ele estendeu a mão para ela, um gesto gentil, mas firme.

Briely a pegou, levantando-se com ele.

Matthew, que os observava, começou a andar atrás deles, suas garras clicando no chão.

Enquanto caminhavam pela rua, Morpheus continuou, com o tom reflexivo. “Agora que recuperei todas as minhas ferramentas, posso reconstruir o Sonhar.”

Matthew, andando pelo chão ao lado deles não se conteve e  perguntou: “Todo o dano que o rubi causou... você pode desfazer chefe?”

Morpheus desviou o olhar para o Matthew.“O rubi não fez isso.” “John apenas o usou para revelar feridas que estavam escondidas, mas nunca cicatrizaram.”

“Amanhã, a reconstrução começará.”

“Neste reino e no meu. Mas pelo menos esta noite… a humanidade dormirá em paz.”

 

Briely olhou para Morpheus, seus olhos buscando os dele enquanto caminhavam.  "Então… está tudo bem agora?”

 

Ele a encarou por um momento, a expressão dele suavizando-se “Sim” ele a respondeu, apertando a mão dela um pouco mais.

Um gesto quase inconsciente, mas cheio de significado.

Briely sorriu, o calor de sua presença mesclando-se à tranquilidade que Morpheus parecia emanar naquele momento.

 

 

 

De longe, oculto nas sombras em  um beco próximo.

Desejo observava a cena com um sorriso astuto nos lábios, os seus olhos dourados brilhando com uma mistura de curiosidade e malícia.

 

“Então os rumores são verdadeiros, meu querido irmão ”murmurou Desejo para si mesmo, a voz doce como mel, mas com um veneno sutil por trás.

Seus olhos se fixaram nas mãos entrelaçadas do seu irmão e da garota  enquanto  eles caminhavam.

A jovem semideusa que parecia ser o assunto do momento entre os deuses, demônios e além.

Desejo inclinou a cabeça levemente, o sorriso se alargando de forma quase conspiratória.

“Sim ... Os rumores sobre esses dois podem, sim, ser verdadeiros…  Que Interessante.”

Ele cruzou os braços,  mais o seu olhar estava acompanhando o trio enquanto eles se afastavam cada vez mais.  "Ele definitivamente vai aruinala."

 

 

 

 


 

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O ar do Sonhar parecia mais vivo, vibrando com uma energia renovada enquanto Morpheus trabalhava incansavelmente na reconstrução de seu reino.

A cada movimento de suas mãos, ele restaurava salões grandiosos, corredores sinuosos e torres  se erguiam.

Briely o observava de perto durante o dia, seus olhos seguindo cada gesto.

O poder que ele exalava era palpável, uma mistura de autoridade e delicadeza que parecia moldar o mundo ao seu redor com  precisão.

 

“Isso é... inacreditável’', murmurou ela, quase para si mesma, enquanto via um vitral se formando no ar.

Morpheus virou a cabeça de leve, um quase sorriso em seus lábios. “Ainda há muito a fazer. Mas o essencial está quase pronto”.

 

Quando o sol começou a se pôr no horizonte do Sonhar,  um espetáculo de tons dourados e violeta, Morpheus completou a maior parte da restauração do castelo.

Ele se voltou para Briely, seu olhar firme, mas gentil.“Venha comigo. Tenho algo para te mostrar.“

Ele a conduziu por um corredor recém-reconstruído, iluminado por velas flutuantes que projetavam sombras suaves nas paredes.

Eles Pararam diante de uma porta de madeira entalhada com símbolos etéreos. Morpheus a abriu com um leve gesto, revelando um quarto deslumbrante.

O espaço era amplo e acolhedor, com uma cama enorme no centro, coberta por lençóis de seda preta e cortinas translúcidas.

Uma penteadeira de madeira escura, ricamente trabalhada, estava posicionada perto de uma janela que mostrava um céu estrelado.

Um banheiro adjacente, visível por uma porta entreaberta, exibia uma banheira imensa, esculpida em mármore negro, com detalhes dourados.

Reconstruí este espaço especialmente para você ”disse Morpheus.

Ela deu um passo à frente, os olhos arregalados. 

“É... lindo. Muito lindo. Obrigada, Morpheus.”

 

Ele apenas assentiu, observando-a enquanto ela explorava o ambiente.

Então, ele a conduziu até um closet amplo, escondido atrás de uma parede que deslizou silenciosamente ao seu comando.

Dentro dele, havia fileiras de vestidos que pendiam em suportes de madeira e metal, nas mais diversas cores: brancos,verdes,azuis,pretos, vermelhos e rosas.

 

“Tambem Preparei estas roupas para você”  disse ele.enquanto ela passava a mão pelos tecidos, parando em um vestido azul de tecido leve e sedoso.

 

“Eles São tão bonitos...”  murmurou ela, sentindo a textura fina sob os dedos. “Este azul é incrível ele e muito bonito.”

 

Fico feliz que tenha gostado.” “ Eu mesmo os escolhi”. Respondeu Morpheus, com  um leve brilho de satisfação em seu tom.

Ele cruzou os braços, encostando-se ao batente da porta do closet. “Você não quer ir descansar um pouco?”

Briely virou-se para ele, um sorriso tímido em seus lábios.“Sim, acho que seria bom.”

“Vou pedir a Lucienne para trazer algo para você comer. Tem alguma preferência?” Perguntou ele, mantendo aquele tom calmo e controlado.

 

“Não, qualquer coisa está bem” respondeu ela, ainda olhando ao redor maravilhada, absorvendo cada detalhe do quarto.

 

“Então passarei para te ver mais tarde”  disse Morpheus, inclinando a cabeça em uma despedida sutil antes de se virar e deixar o quarto com passos silenciosos.

 

Assim que ele saiu, Briely soltou um suspiro suave, ainda maravilhada.

Ela voltou ao closet, pegando um vestido leve e fino, de um tecido quase translúcido, que parecia perfeito para dormir.

Enquanto o segurava, ela  pensou que, se ele não se incomodasse, talvez ela pedisse calças e blusas no futuro.

Por enquanto, porém, isso seria o suficiente. Com o vestido nas mãos, ela seguiu para o banheiro.

 

A banheira já estava cheia, como se o próprio Sonhar tivesse antecipado sua necessidade.

A água estava quente, com um aroma sutil de lavanda pairando no ar. Briely se despiu e mergulhou, sentindo a tensão do dia derreter enquanto relaxava contra o mármore.

Depois de um longo banho merecido, ela se enrolou em uma toalha macia, vestiu o vestido leve e voltou ao quarto.

Sentando-se na penteadeira, ela começou a trançar o cabelo úmido, seus dedos movendo-se com calma enquanto olhava seu reflexo no espelho.

 

 

Enquanto isso, Morpheus encontrou Lucienne em um dos corredores do palácio. onde ela organizava alguns tomos antigos em uma estante restaurada.

Seus óculos reluziam sob a luz fraca enquanto ela erguia o olhar para ele.

 

“Lucienne, Preciso que leve algo para Briely comer”  instruiu Morpheus, sua voz firme, mas com um toque de suavidade que não passava despercebido.

 

“Claro, meu senhor. Em que quarto ela está?” perguntou Lucienne, ajustando os óculos enquanto o encarava com uma curiosidade contida.

 

Morpheus permitiu que um leve sorriso curvasse seus lábios, algo quase enigmático.

Ela está no quarto da rainha.”

 

Lucienne hesitou por um breve segundo, suas sobrancelhas se franzindo. 

“Meu senhor, você não... Ela sabe disso?”

 Não Lucienne, ela não sabe ” Respondeu Morpheus, o tom baixo, quase conspiratório. “E espero isso que continue assim por enquanto.”

 

Lucienne assentiu, embora um leve aperto se formasse em seu peito.

Ela conhecia as implicações daquele espaço, e o peso  emocional que aquele quarto carregava.

Sem dizer mais nada, ela inclinou a cabeça em respeito.“Vou preparar algo para ela.”

 

Ela seguiu para a cozinha, pegando uma bandeja com uma tigela de sopa cremosa, pão recém-assado e uma jarra de água com infusão de ervas.

Carregando tudo com cuidado, ela caminhou até os aposentos da rainha e bateu suavemente na porta.

 

“Entre” respondeu a voz de Briely.

 

Lucienne abriu a porta, encontrando Briely terminando de trançar o cabelo na penteadeira. Ela depositou a bandeja sobre uma mesa pequena perto da cama.

“Trouxe algo para você comer minha senhora.”

Briely virou-se, sorrindo.  “Muito obrigada, Lucienne.”

Lucienne retribuiu o sorriso, embora houvesse um peso em seu olhar. “Como você está senhorita?”

 

“Estou bem Lucienne, de verdade” Respondeu Briely, ajustando a última mecha de cabelo antes de se levantar.

“Vou deixá-la comer em paz então”.

“Se precisar de algo, pode chamar a mim ou ao mestre. Estaremos aqui para ajudar” Disse Lucienne, inclinando-se levemente antes de se retirar.

Briely agradeceu novamente e se aproximou da mesa, sentando-se para comer.

A sopa estava quente, reconfortante.

Depois de terminar, ela se levantou, Então, deitou-se na cama, os lençóis pretos a envolvendo como um abraço suave.

Em poucos minutos, o cansaço a venceu, e ela adormeceu profundamente, seu rosto relaxado contra o travesseiro.

 

Morpheus, que ainda estava trabalhando na reconstrução de uma das torres externas, sentiu o momento em que o sono a tomou.

Uma conexão invisível, como um fio de sonho, pulsou dentro dele.

Ele parou o que estava fazendo, suas mãos baixando.

Enquanto uma expressão indecifrável cruzava seu rosto.

Silenciosamente, ele caminhou de volta ao palácio, seus passos ecoando apenas para si mesmo no vazio do Sonhar.

 

Chegando ao quarto de Briely, ele abriu a porta sem fazer som, entrando com a leveza de uma sombra.

A luz fraca das estrelas do Sonhar filtrava-se pela janela, iluminando o rosto dela enquanto dormia.

Morpheus se aproximou da cama, sentando-se na beira com cuidado para não perturbá-la.

Seus olhos, profundos e insondáveis, observaram cada traço dela.

Com um gesto quase inconsciente, ele estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo que caía sobre o rosto dela, seus dedos pairando por um momento antes de recuarem.

 

Ele ficou ali por um tempo, apenas observando o ritmo calmo de sua respiração, o silêncio do quarto preenchido apenas pelo som distante dos sonhos que fluíam pelo reino.

Então, com a mesma discrição com que entrou, ele se levantou, lançando um último olhar para ela antes de sair.

Havia deveres a cumprir, e o Sonhar ainda precisava de sua atenção.

Mas, por aquele breve instante, algo em seu olhar sugeria que o peso de suas responsabilidades não era a única coisa que ocupava sua mente.

 

A porta se fechou atrás dele, tão silenciosamente quanto se abriu, deixando Briely descansar em paz.

 

 

Mais tarde Briely acordou lentamente, os resquícios de um sonho agradável ainda dançando em sua mente.

Ela havia sonhado com os lagos de canoagem do Acampamento Meio-Sangue, o sol refletindo na água calma enquanto ela remava ao lado dos seus amigos que ela não via há tanto tempo.

Um sorriso leve curvava seus lábios enquanto sentia alguém balançando seu ombro gentilmente.

Seus olhos se entreabriram, embora ainda pesados de sono, e ela encontrou Morpheus ao seu lado, sua figura imponente suavizada pela luz matinal que filtrava pelo Sonhar.

“Acorde, querida”,  murmurou ele, com a voz baixa e profunda, enquanto se inclinava mais perto, sussurrando diretamente em seu ouvido.

O hálito dele roçou sua pele, e Briely sentiu um arrepio.

Morpheus, por sua vez, percebeu o leve cheiro dela, algo doce e natural. Que fez seus olhos escurecerem um pouco mais, um desejo reprimido brilhando neles.

 

Ela tentou manter os olhos abertos, mas o sono a puxou de volta, suas pálpebras logo estavam se fechando novamente.

Morpheus soltou uma risada baixa, quase inaudível, achando graça na forma como ela lutava contra o cansaço.

Ele se inclinou ainda mais, segurando o rosto dela com uma mão, os dedos longos e frios traçando delicadamente sua bochecha.O toque  era gentil, mas carregado de algo mais profundo.

 

Briely abriu os olhos novamente, desta vez com um pouco mais de clareza, e ele soltou o rosto dela, recuando apenas o suficiente para manter a compostura.

Ela se sentou na cama, coçando os olhos e bocejando, os cabelos desgrenhados caindo sobre os ombros.

 

“Eu preferia deixá-la dormir mais” ,  começou Morpheus, sua voz mantendo aquele tom controlado. 

“Mas já é bem tarde. A  manhã  já se passou, e não quero que durma tanto assim.”

Ela assentiu, ainda  meio grogue, murmurando um “tá bem” quase inaudível.

Ele continuou, apontando para o banheiro com um gesto sutil da cabeça. “Já preparei um banho para você.”

“Obrigada” disse ela, levantando-se com um pouco de sono ainda pesando em seus movimentos.

Ela Cambaleou até o closet, pegando um vestido Vestido azul claro  que encontrou entre todas as opções. 

Morpheus a observava de onde estava, sentado na beira da cama.

Seus olhos acompanhavam cada movimento dela, fixando-se no vestido que ela usava no momento,  fino e quase translúcido.

A luz do quarto parecia atravessar o tecido, delineando as curvas de seu corpo de uma forma que ele não conseguia ignorar.

Interiormente, ele pensou “talvez eu devesse adicionar maís robes pretos ao armário dela, talvez mais vestidos escuros que combinassem com as vestes dele... ”

 

Briely, alheia aos olhares intensos dele que a seguiam, entrou no banheiro com o vestido azul claro nas mãos, ansiosa para se recompor.

O banho já estava pronto, a água quente exalando um aroma floral sutil.

Ela se despiu rapidamente, mergulhando na banheira e deixando a água levar embora os últimos vestígios de sono.

Ela Não queria deixá-lo esperando por muito tempo.

Após o banho, ela vestiu o vestido e saiu.

 

“Estou quase pronta” disse ela ao vê-lo ainda lá, sentado na cama.

Ela Sentou-se na penteadeira e começou a desfazer a trança que ela fez  na noite anterior, os dedos dela  trabalhando nos cabelos úmidos.

 

Morpheus se levantou, aproximando-se dela com passos silenciosos.

Antes que ela pudesse continuar, ele pegou a trança de suas mãos, começando a desfazê-la ele mesmo, os dedos movendo-se com  precisão.

 

“Eu posso fazer isso sozinha”  protestou ela, franzindo a testa de leve e virando o rosto para ele, uma careta fofa se formando em seus lábios.

 

“Quero a  ajudar ” respondeu ele, o tom firme, mas com um traço de diversão. Seus olhos brilharam ao notar a expressão dela.

Achando-a adorável.

 

Briely bufou baixinho, desviando o olhar.

Internamente, ela pensava, “às vezes, ele deve me  achar mesmo uma criança, ele continua me tratando como se  eu não fosse nem capaz de cuidar de mim mesma.”

Morpheus, como se sentisse o rumo de seus pensamentos, pegou a escova na penteadeira e começou a alisar os cabelos dela, desfazendo os nós com cuidado.

“Não faça caretas” disse ele, um tom humorado na voz, enquanto a encarava pelo reflexo do espelho.

 

Ela revirou os olhos, mas deixou que ele continuasse.

Quando ele  terminou, os cabelos dela caíam soltos e arrumados sobre os ombros.

Morpheus deu um passo para trás, satisfeito, e ofereceu o braço a ela.

“Vamos. Vou levá-la para comer.”

 

Briely assentiu, aceitando o braço dele enquanto se levantavam.

No caminho para a sala de jantar, ele quebrou o silêncio.  “Gostou do sonho desta noite?”

 

“Sim, muito”,  respondeu ela, um sorriso nostálgico surgindo.

"Sonhei com os lagos do Acampamento Meio-Sangue. Foi... reconfortante.” "obrigada "

 

De repente, ela parou no corredor, olhando ao redor como se quisesse ter certeza de que eles  estavam sozinhos. Morpheus ergueu uma sobrancelha, curioso. “O que houve?”

 

“Queria perguntar algo a você”,  disse ela, hesitante, a voz um pouco mais baixa.

 

Uma faísca de expectativa brilhou nos olhos dele, um pensamento interno de satisfação ao imaginar que ela poderia querer algo dele.

“ Diga. O que você deseja?”

Briely mordeu o lábio de leve antes de falar. “Você... conseguiu alguma pista sobre como eu posso voltar para casa?”

"Para o meu universo?”

 

O rosto de Morpheus se fechou instantaneamente, a felicidade que sentira momentos antes foi evaporado como fumaça.

Por dentro, uma sombra se formou, um peso que ele não deixou transparecer.

“Não, ainda não”  ele a respondeu,  com a voz controlada, “ainda estou Estou pesquisando sobre isso.”

Ela assentiu, aliviada e grata.

sem perceber a mentira por trás de suas palavras

“Obrigada. Fico feliz em saber que está tentando.”

“Se eu encontrar qualquer coisa, comunicarei  a você no mesmo instante” , continuou ele, as palavras saindo com uma facilidade que escondia suas verdadeiras intenções.

Ele não estava pesquisando.

E, mesmo que encontrasse algo, ele jamais a deixaria ir.

Não agora, não depois de tudo o que sentia por ela.

 

Ele a conduziu até a sala de jantar, um espaço vasto com uma mesa longa coberta por uma variedade de alimentos: frutas frescas, pães quentes, carnes assadas e sobremesas.

Morpheus sentou-se em uma ponta da mesa, apontando para a cadeira oposta. “Sente-se. Sirva-se do que quiser.”

 

Briely obedeceu, pegando um pouco de pão e frutas enquanto fazia perguntas a ele sobre sobre o Sonhar, Morpheus a  respondia com paciência.

Mas, em sua mente, uma única coisa ecoava sem parar: o desejo insistente dela de voltar para seu universo.

Ele havia prometido ajudá-la, sim, mas isso foi antes.

Antes dele se apaixonar por ela.

Antes de perceber que ele não suportaria  passar mais uma eternidade sem a sua ausência.

 

Seus olhos a observavam enquanto ela comia.

Alheia aos pensamentos sombrios que se formavam  na mente dele.

Morpheus sabia que faria o que fosse necessário para mantê-la ali, ao seu lado.

Mesmo que isso significasse tomar medidas drásticas.

Mesmo que isso significasse prender um pedaço do coração dela ao seu coração  para sempre.

 

A sala de jantar estava envolta em um silêncio confortável enquanto Morpheus e Briely comiam, o tilintar ocasional de talheres contra os pratos ecoando suavemente no espaço vasto.

Briely mordiscava uma fruta, os olhos vagando pela decoração etérea do ambiente, enquanto Morpheus a observava de sua ponta da mesa.

Os pensamentos dele ainda girando em torno do desejo dela de voltar ao seu universo.

A tensão interna dele era uma corrente oculta, e invisível para ela.

De repente, a porta da sala se abriu, e Lucienne entrou apressada, acompanhada por Matthew, que pousou em um canto da mesa com um bater de asas inquieto.

O rosto de Lucienne estava estampado com preocupação, seus óculos refletindo a luz fraca enquanto ela se aproximava.

Briely ergueu o olhar, curiosa, enquanto Morpheus franziu a testa levemente, já antecipando algo fora do comum.

’’Me desculpem por interromperlos ”começou Lucienne, a voz tensa, mas respeitosa.  “Mas isso é algo urgente.”

 

Ela se dirigiu a Morpheus, estendendo uma carta selada com um símbolo que lembrava ondas e um tridente entalhado em cera azul.

“Chegou endereçada pra você mestre e a você...  senhorita Briely.”

Briely, que estava na outra ponta da mesa, inclinou a cabeça, uma expressão de preocupação cruzando seu rosto. 

“Pra mim? ” “De quem é? ”ela perguntou, inquieta.

Ela não conhecia ninguém nesse universo Além do morpheus, então era inquietante que alguém mandasse uma carta endereçadas a ela também. Talvez fosse a mazikeen? Não, Ela duvidava disso.

Morpheus pegou a carta, e  seus olhos foram logo estreitando-se ao ler o nome escrito na caligrafia elegante e as marcas do selo.

Sua mão apertou o papel com uma raiva contida, mas ele manteve a compostura, escondendo a emoções sob a máscara de frieza que usava tão bem.

Ele olhou para Briely, os olhos dele encontrando os dela.

“É uma carta de Poseidon.”

 

A atmosfera na sala de jantar, antes leve, agora pesava como uma nuvem.

 

Briely olhava para a carta nas mãos de Morpheus, o coração apertado enquanto processava as palavras que ele acabara de dizer. O... poseidon? Mais, O que ele poderia querer ? 

O silêncio era quase palpável, quebrado apenas pelo leve farfalhar das asas de Matthew enquanto ele se ajustava, ainda atordoado pela revelação.

 

 

Lucienne ajustou os óculos, claramente tentando manter a compostura.

"Sem querer ser intrusiva, meu senhor, mas... o que o Senhor dos Mares do panteão grego poderia querer com vocês dois?"

 

Matthew grasnou baixo, inclinando a cabeça com curiosidade e preocupação.

"Nunca vi nenhum desses deuses por aqui. Eu também Não faço ideia do que querem, especialmente com você senhorita Briely."

 

Lucienne virou-se para Briely, o olhar inquisitivo."Você sabe de algo, senhorita?" "Aconteceu alguma coisa no Inferno ou no mundo desperto quando você esteve lá?"

 

Briely mordeu o lábio, hesitando por um momento.

Seus olhos logo buscaram os de Morpheus, que a encarou de volta com uma intensidade que a fez estremecer internamente.ele estava dizendo com o olhar que ela não deveria contar nada.

Finalmente ignorando o, ela olhou para Lucienne e Matthew, respirando fundo. "Bem, Eu... acho que posso ter uma ideia."

 

Lucienne ajeitou os óculos novamente, franzindo a testa." Minha senhora, qual seria essa ideia?"

Briely engoliu em seco, sentindo o peso das palavras antes de deixá-las escapar. "E que... eu sou filha de Poseidon.”  “ Sou uma semideusa. Deve ser por isso que a carta foi enviada."

 

Lucienne ficou boquiaberta, os olhos arregalando-se atrás das lentes. "O QUÊ?!" Ela lança um olhar discreto na direção do mestre, mais para a surpresa dela ele parecia bem calmo com a revelação. Então ficou bem  claro pra ela  que ele já sabia. 

Mathew abriu as asas por um instante, claramente pasmo. "Então foi você quem criou aquela onda no Inferno?”  “Eu não achei que tivesse sido você.” 

“Quero dizer o Lucifer chegou a mencionar algo sobre isso, mas pensei que fosse lorota."

 

Morpheus, que até então permanecera em silêncio, quebrou o lacre da carta com um movimento deliberado, desdobrando o pergaminho.

Ele começou a ler em voz alta, a voz  enchendo a sala com um tom que misturava autoridade e irritação.

"Sonho dos Perpétuos

chegou ao meu conhecimento que você está com uma filha minha, uma que não me lembro de gerar, uma semideusa que, até este momento, desconheço.

Eu e meu panteão gostaríamos muito de conhecê-la e averiguar se a notícia  é de fato  verdadeira.

Sabemos que ela está no seu reino no momento,E que ela está sob a sua proteção, e por isso gostaríamos de chamá-los para um jantar, a fim de conhecê-la.

Esperamos que venham em dois dias, às sete da noite, traga-a consigo para que possamos vê-la e confirmar a veracidade dos rumores.

Aguardamos ansiosamente sua presença.

Assinado, Poseidon."

 

Quando ele terminou de ler, o silêncio que se seguiu era sufocante.

Briely franziu a testa, levantando-se da cadeira e aproximando-se de Morpheus, os olhos fixos na carta."Como eles souberam disso? De mim? "

 

Morpheus dobrou o papel com cuidado. Os dedos ainda apertando as bordas com uma tensão escondida.

Ele encontrou o olhar dela, a resposta saindo com uma certeza fria. "Pode ter sido quando você usou seus poderes no Inferno.” “Alguns demônios viram, e as fofocas devem ter se espalhado."

 

Briely assentiu lentamente, a mente girando com possibilidades e temores, enquanto Lucienne e Mathew trocaram olhares preocupados.

Morpheus, por dentro, sentia uma nova onda de possessividade crescer.

Não importava o que Poseidon ou seu panteão quisessem, ele não a entregaria.

Não a eles, e nem a ninguém.

 

 

Lucienne, após um momento de choque, recompôs-se, ajustando os óculos com um gesto quase mecânico.

"Então, você carrega o sangue de um deus," disse ela, com uma mistura de  admiração e incredulidade enquanto encarava Briely.

 

Briely assentiu lentamente, com um leve desconforto aparente em sua expressão."Sim."

 

Mathew, ainda pousado na borda da mesa, soltou um grasnido baixo, quase um murmúrio. "Nossa, isso é... inesperado."

 

Morpheus, sentado em sua ponta da mesa, não disse nada.

Seus olhos, profundos e insondáveis, fixavam-se em Briely com uma intensidade que escondia um turbilhão de pensamentos.

Ele não traía emoção, mas a tensão em sua postura era evidente para quem o conhecesse bem.

 

Lucienne, tentando navegar pela situação com cuidado, inclinou a cabeça. "Sem querer ser intrusiva, mais quantos anos você tem, Senhorita?

“E, Como é possível que o senhor Poseidon não soubesse de você?''

''Os gregos, especialmente ele, não deixariam um filho por aí, ainda mais sem supervisão."

 

Briely abriu a boca para responder, pronta a dizer que tinha 16 anos, eles eram confiável certo ? mas antes que ela pudesse falar, Morpheus interveio.

"Ela tem três meses," Declarou ele " E Quando ela nasceu, ela já veio ao mundo totalmente crescida.” “Por isso, não é uma criança no sentido físico.”

“E, no momento em que ela nasceu, ela foi capturada pelos guardas e logo presa junto comigo."

 

Lucienne arregalou os olhos ainda mais, a boca entreaberta em choque.

"Três meses?" murmurou ela, quase para si mesma, enquanto assimilava a informação.

No fundo de sua mente, uma onda de desconforto cresceu.

Ela olhou para Morpheus, percebendo a intensidade com que ele observava a senhorita, e um pensamento inquietante logo se formou: Será que  ele estava apaixonado por ela desde o instante em que ela "nasceu"?

Isso a fez sentir uma pontada de mal-estar, não por julgar os sentimentos, mas por perceber a complexidade e profundidade de algo que ela não sabia como abordar.

 

Matthew, por sua vez, soltou um grasnido indignado, batendo as asas. "O quê? Isso é possível? Eu não fazia ideia de que ela era tão... nova assim!"

 

Morpheus voltou seu olhar para o corvo, a expressão impassível. "Sim, é possível. Embora seja extremamente raro, tais nascimentos podem ocorrer sob circunstâncias excepcionais."

 

Lucienne, ainda tentando processar tudo, pigarreou e desviou o assunto, buscando terreno mais seguro.

"A biblioteca foi restaurada, meu senhor. Precisamos aproveitar para organizar os registros e talvez pesquisar mais sobre isso... “E talvez também sobre o convite de Poseidon."

 

Morpheus assentiu, levantando-se da mesa com uma graça quase sobrenatural.

Ele estendeu a mão para Briely, que a aceitou com um leve hesitar.

"Vamos verificar isso mais tarde, Lucienne,"disse ele calmamente.

Ele olhou para Briely. Com um brilho possessivo nos olhos.

E a conduziu para fora da sala, deixando Lucienne e Matthew para trás.

 

Assim que a porta se fechou atrás deles, Lucienne soltou um suspiro longo, ajustando os óculos novamente enquanto encarava a mesa cheia de pratos.

Seus pensamentos giravam em um misto de preocupação e desconforto.

"Três meses... totalmente crescida... e ele..." Ela não terminou o pensamento em voz alta, mas sua mente não conseguia ignorar o olhar que Morpheus lançava a Briely.

Havia algo ali, no olhar dele  uma conexão que ia além de proteção ou dever , e ela sabia, isso era algo algo que a deixava inquieta.

Ela sabia que Morpheus era um ser antigo, com emoções e motivos que ela  nem sempre podia compreender, mas isso não diminuía o peso que ela  sentia no peito.

 

Matthew, ainda na borda da mesa, inclinou a cabeça, os olhos negros brilhando com incredulidade." Ela tem Três meses? Como isso é possível?

"Quer dizer, eu sei que estamos no Sonhar, e coisas estranhas acontecem o tempo todo, mas... isso é demais, até pra mim."

Ele grasnou baixo, quase como se falasse consigo mesmo. "E o chefe... a forma como ele olha pra ela... não sei.” 

“Lucienne, isso me dá arrepios.”

“E agora esse Poseidon querendo aparecer? Você percebeu o rosto do mestre  com as notícias? Isso não vai acabar bem."

 

Lucienne não respondeu de imediato, ainda perdida em seus próprios pensamentos.

Sua lealdade a Morpheus era inabalável, mas a situação trazia questões que ela não sabia como enfrentar.

"Vamos organizar a biblioteca," ela disse finalmente, a voz mais firme, como se tentasse ancorar-se em algo concreto. "Talvez lá encontremos algo que explique mais... sobre  ela e tudo isso."

 

Mathew assentiu com um grasnido relutante, mas sua mente não deixava de revisitar.

A imagem de Morpheus segurando a mão de Briely enquanto saíam. Ele sabia, bem era possível pra todos que prestassem atenção que o chefe a amava. Mais Havia algo naquela cena que o deixava inquieto, como se um presságio sombrio pairasse sobre o Sonhar.

Eles permaneceram ali, envoltos em seus pensamentos, enquanto o eco dos passos de Morpheus e Briely desaparecia pelos corredores.

 

 

O som dos passos de Morpheus e Briely ecoava pelos vastos corredores do Sonhar enquanto se aproximavam da biblioteca recém-restaurada.

Quando as grandes portas de carvalho se abriram, Briely ficou paralisada por um instante, os olhos arregalados diante da imensidão do lugar.

Estantes que se estendiam em todas as direções, repletas de livros, pergaminhos e tomos de todos os tamanhos e cores.

O ar cheirava a papel antigo e tinta seca, carregado de uma energia quase palpável.

 

"É... enorme," murmurou ela, enquanto girava o pescoço para tentar abarcar todo o espaço.

 

Morpheus esboçou um leve sorriso, quase imperceptível, mas carregado de orgulho.

"Aqui está guardado todo o conhecimento dos sonhos e das histórias que a humanidade já concebeu.’’ ''E aqui, Briely, posso te preparar para o encontro com os gregos. Vamos começar."

 

Ele a conduziu por entre as estantes até uma mesa ampla de madeira escura, iluminada por um candelabro flutuante que emitia uma luz suave e dourada.

Com um gesto de sua mão, vários livros surgiram na superfície da mesa, seus títulos gravados em letras douradas e prateadas.

Eram volumes sobre os deuses gregos, suas histórias, intrigas e poderes.

 

Ele deslizou um dos livros mais grossos na direção dela, abrindo-o em uma página ilustrada com a imagem, de o que parecia ser Zeus empunhando um raio.

"Leia. Conheça os que estão além do meu domínio, mas que cruzam caminhos conosco. Você precisa entender quem são eles Aqui, antes de encontrá-los."

 

Briely olhou para o livro, mordeu a bochecha interna com força e sentiu um aperto familiar no peito.

As letras na página pareciam dançar e se embaralhar diante de seus olhos, uma confusão de traços que ela não conseguia decifrar.

Sua  Dislexia e TDAH, que são  traços comuns entre os semideuses em sua casa, tornavam a leitura um desafio quase impossível.

Ela engoliu em seco, não querendo admitir sua dificuldade, e rapidamente mudou de assunto.

 

"Por que você mentiu sobre minha idade e minha origem para Lucienne e Mathew?"perguntou,  hesitante,  mais curiosa do porque ele havia feito isso. 

Morpheus congelou por um instante, seus olhos logo escurecendo.

Ele se aproximou dela, pegando sua mão com firmeza. "Olhe para mim," ordenou ele em voz baixa.

Briely levantou o rosto, encontrando o olhar penetrante dele, ela engoliu em seco, sentindo um arrepio percorrer sua espinha.

A expressão dele era de pura fúria controlada.

"Ninguém além de mim deve saber que você vem de outro universo.“  “Não importa quem seja. Entendeu?"

 

Ela assentiu rapidamente, o medo apertando seu peito, mas Morpheus não pareceu satisfeito.

Ele segurou o rosto dela com ambas as mãos, os dedos firmes contra sua pele, embora sem a machucar de verdade. Seus olhos a perfuravam. "Você entendeu?”

Ninguém, ninguém mesmo deve saber. Diga que sim."

 

Os olhos de Briely se encheram de lágrimas, a pressão de suas mãos e a intensidade de sua voz a deixando um pouco trêmula"Sim... eu entendi," ela sussurrou pra ele.

 

Ele viu as lágrimas escorrerem por suas bochechas e, como se um véu caísse, sua expressão se suavizou.

Soltou o rosto dela gentilmente, enxugando as lágrimas dela  com os polegares.

"Desculpe-me,"murmurou ele carinhosamente  "Não quero que tenha medo de mim. Eu Jamais te machucaria."

 

Briely se encolheu um pouco, ainda abalada com a raiva dele, ela nunca o viu assim, ou melhor ele nunca a tratou assim, mas ele não a deixou pensar muito sobre isso ele a puxou para um abraço, acariciando seus cabelos com delicadeza. " Não quero a assustar" "Eu só me preocupo com você.”

“Se outros souberem de onde você veio, podem tentar te matar ou pior.” "Não posso permitir isso."

 

Ela respirou fundo, ainda sentindo o seu coração acelerado. "Eu entendo," disse ela, tentando se acalmar.

 

Morpheus a apertou um pouco mais contra si, aliviado.

Embora, secretamente, ele soubesse que  estava manipulando ela as suas  emoções. Afinal Ninguém a mataria por sua origem, eles provavelmente a interrogariam dependendo de quem soubesse, mas ele precisava que ela acreditasse nisso para mantê-la sob seu controle.

"Mais As Parcas sabem, não é?" perguntou ela o abraçando de volta.

Ele assentiu, sem soltá-la se deleitando com ela o abraçando de volta. "Sim, mas elas não dirão nada.” “Não se preocupe com elas. Elas têm seus próprios jogos e segredos. Você sempre estará segura Aqui comigo."

 

Ele a apertou ainda mais, e Briely murmurou, desconfortável "Você está me apertando..."

Relutantemente, ele a soltou, enxugando mais uma lágrima que escorria por sua bochecha.

Enquanto fazia isso, seus olhos se demoraram no rosto dela, pensando em como ela era bonita, até mesmo chorando. "Me Desculpe novamente." "Eu me preocupo tanto com você... Não queria te assustar."

 

Ela assentiu, forcando um leve sorriso, embora o medo ainda estivesse ali, apenas abrandado ela entedia a preocupação dele. "Eu só fiquei um pouco surpresa, só isso."

Morpheus observou-a por mais um instante antes de voltar ao assunto inicial. "Devemos olhar os livros," disse, apontando para a pilha na mesa.

 

Briely hesitou, ainda um pouco desconfortável, e envergonhada por não poder ler  ela decidiu perguntar a ele "Você pode explicar para mim?" "Eu... gostaria de ouvir de você. E talvez eu possa contar as diferenças que os deuses  daqui tenham em relação ao meu universo."

 

Ele ergueu uma sobrancelha, surpreso por ela querer que ele a explicasse, mais feliz por ela decidir isso, ele  deixou os livros de lado, e sentou-se perto dela.

"Muito bem. Vamos falar sobre o panteão grego deste universo, vamos começar sobre as diferenças entre os deuses e os Perpétuos."

 

Ele começou a explicação com um tom calmo, era  quase hipnótico, como se cada palavra fosse dita com cuidado.

"Os deuses gregos aqui são forças imensas, mas não são como os Perpétuos.

"Nós, os Perpétuos Sonho, Morte, Desejo, Desespero, Destino, Delírio e Destruição" "somos conceitos encarnados, aspectos fundamentais da existência."

"Os deuses, por outro lado, são criações da crença humana, moldados por suas histórias e adoração." 

"Um deus aqui desaparece principalmente por meio do esquecimento e falta de crença,  Eles têm poder, mas são limitados por sua própria natureza e pelas narrativas que os definem."

 

"Os deuses gregos , Zeus, é o senhor dos céus, o rei dos deuses, mas sua autoridade é contestada por suas falhas humanas,  ciúme, luxúria, vingança."

"Poseidon, seu pai neste universo, governa os mares, digamos com uma força de fúria e capricho, mas também de proteção aos navegantes que o honram."

"Hades rege o submundo, sombrio e distante, mas justo, ao lado seu lado governa a sua esposa Perséfone, que traz equilíbrio com sua dualidade entre vida e morte."

 

Ele continuou, citando os outros deuses gregos  principais daqui. "A Hera, rainha dos deuses, protetora do casamento, mas também e movida por ciúmes ferozes." "Afrodite, deusa do amor e da beleza, cujos desejos podem tanto unir quanto destruir."

"Ares, o guerreiro implacável, encarnação da guerra sem razão." "Atena, sabedoria e estratégia, nascida da mente de Zeus, uma força de intelecto. "Dionísio, o deus do vinho e da êxtase, que caminha entre a alegria e a loucura."

"Hermes, o mensageiro, astuto e veloz, protetor de ladrões e viajantes."

"Apolo, senhor da luz, da música e da profecia, mas também da pestilência." "A sua irmã gêmea Ártemis,  e feroz e independente."

"Deméter, a mãe da terra, cujo luto por Perséfone ainda molda as estações." "Hefesto, o ferreiro, criador de maravilhas, mas marcado por sua rejeição." "E muitos outros."

"Mais, esses são os principais que você precisa saber no momento, são eles que provavelmente vão encontrar conosco no jantar"

 

Briely ouvia com atenção, absorvendo cada palavra, mesmo que sua mente ainda estivesse parcialmente presa ao momento anterior.

Quando ele terminou, ela pigarreou, hesitantemente oferecendo suas próprias comparações.

"No meu universo  os deuses gregos são um pouco diferentes, mais só em algumas coisas em algumas coisas.

"Zeus, por exemplo, é tão autoritário quanto aqui, mas lá ele é mais... paranoico, sempre achando que vai ser destronado, o que o torna meio instável."

"Meu pai também é temperamentamental. ele e um pouco Imprevisível digamos Assim"

"O Hades... lá ele é bem mal compreendido, quase um cara deprimido que só quer cuidar do submundo, mas as pessoas o demonizam." "A Perséfone com ele é doce, mas tem um lado sombrio que aparece quando ela está irritada."

 

Ela fez uma pausa, pensando.

"Afrodite no meu universo é mais... manipuladora, sempre mexendo com as emoções dos outros por diversão.

"O Ares é só um brutamontes, sem muita estratégia, diferente daqui que parece ter um lado mais complexo."

"Atena é superinteligente lá também, mas ela tem um orgulho que às vezes a faz ignorar os sentimentos dos outros."

"Dionísio... no meu universo, ele e o diretor do nosso acampamento, ele é meio preguiçoso, sempre reclamando do trabalho, mas tem um lado engraçado."

"Hermes é um troll, sempre pregando peças, mas também e  muito leal aos filhos dele."

"O Apolo é vaidoso demais, às vezes  irritante, mas se importa de verdade." "E Ártemis... ela é mais distante no meu universo, quase inacessível, mas superprotetora das caçadoras dela."

 

Morpheus ouviu com interesse genuíno, seus olhos fixos nela enquanto absorvia cada palavra.

"Fascinante," ele murmurou, quase para si mesmo.

"As nuances entre universos mostram como a crença molda até mesmo os imortais."

"Aqui, eles são mais... arquetípicos, eu diria. Menos humanos em suas emoções, mais distantes, exceto quando suas histórias exigem drama."

 

 

Morpheus inclinou-se um pouco mais para perto de Briely, seus olhos negros brilhando com uma curiosidade quase voraz.

A biblioteca ao redor deles parecia desvanecer, o silêncio pesado carregado apenas pelo som de suas vozes.

"Conte-me mais sobre como é o relacionamento entre os semideuses e os deuses no seu universo.

"Você mencionou que Poseidon não está sempre por perto uma vez pra mim. Como é essa distância?” "Como os filhos lidam com pais que são tão... ausentes?"

 

Briely hesitou, mordendo o lábio inferior com força. Seus olhos se desviaram para a mesa, evitando o olhar dele, enquanto memórias desagradáveis pareciam surgir em sua mente.

"Bem... não é fácil. Os deuses, eles... aparecem de vez em quando, mas não como pais de verdade.”

“Poseidon, por exemplo, ele se importa" "eu acho" ela Murmura essa última parte. "Mas ele não pode estar sempre lá.”

"E também houve uma guerra, com os deuses... Muitos semideuses morreram. Amigos, pessoas que eu conhecia..." Sua voz falhou, e ela apertou as mãos no colo, tentando controlar a emoção que ameaçava transbordar.

 

Morpheus percebeu a mudança em sua expressão quando ela mencionou sobre essa guerra, ela nunca falou muito sobre esse assunto com ele  e agora era o melhor momento pra tentar fazê-la se sentir confortável,para que ela explicasse o que houve ele sentia o peso da dor que ela tentava esconder.

Ele suavizou o tom, inclinando a cabeça para tentar capturar seu olhar. "Está tudo bem. Sei que lembrar disso não é agradável. Não precisa falar se não quiser."

 

Ela balançou a cabeça, forçando um leve sorriso, embora seus olhos ainda estivessem distantes. "Não, eu estou bem. Só... não gosto de lembrar."

 

Ele asentiu, mas a curiosidade o fez  continuar a perguntando algo parecia errado era quase como se ela também tivesse ido pro campo de batalha. "Como uma filha de Poseidon, imagino que você tenha sido protegida, não é?”

“Você não participou de nenhuma dessas batalhas, certo?"

 

Briely não respondeu de imediato.

Seus lábios se fecharam em uma linha fina, e ela olhou para o lado, o silêncio entre eles se estendendo como uma sombra.

A falta de resposta dela fez um alarme soar na mente de Morpheus.

Sua expressão endureceu, a preocupação se transformando em algo mais sombrio.

Ele se inclinou mais perto. "Você participou? O Seu pai não te protegeu?"

 

Ela respirou fundo, finalmente encontrando coragem para responder, ainda sem encará-lo completamente.

"Existe uma regra... os deuses não podem interagir muito com seus filhos."

"É uma lei antiga, algo sobre não interferir diretamente nas nossas vidas." "Então, Poseidon não podia fazer muito, mesmo que quisesse."

"E sim, eu ajudei um pouco na batalha."

 

As palavras dela caíram como pedras no peito de Morpheus.

Seus olhos se estreitaram, e uma onda de preocupação genuína, misturada com uma raiva latente contra o universo que a colocou em perigo , o consumiu.

Ele não disse nada por um momento, mas sua mente girava em um turbilhão de pensamentos. "Como esses deuses poderiam ter deixado isso acontecer?"

"Como o pai dela, sendo um deus, não protegeu sua própria filha?"

"Como um lugar tão cruel poderia merecer tê-la?"

"Porque ela ainda queria tanto voltar pra lá ? Depois dos horrores que ele imaginava que ela passou lá "

Naquele instante, uma decisão se solidificou em seu ser.

Ele nunca, jamais, deixaria que ela voltasse para aquele universo.

Aquele lugar não a merecia,Nao mesmo 

Não merecia sua luz, sua força, sua presença.

E se, por algum milagre (ou desgraça) ela conseguisse retornar para lá sem a ajuda dele, ele a buscaria.

Ele a traria de volta ao Sonhar com ele, mesmo que ela não quisesse voltar. Ele a traria arrastada se fosse necessário.Não importava o quanto ela implorasse e chorasse.

E mesmo se ela sentisse saudade de seus amigos ou familiares daquele lugar miserável.

Ele não permitiria que ela fosse embora.

Se ela sentisse Saudade de seus amigos, Ele poderia suprir isso.

E Se ela sentisse falta de uma Família, Bem... Se ela precisasse de uma, ele  daria uma a  ela.

E eles juntos criariam a sua nova família, eles seriam tudo o que ela precisava.

E  Com o tempo, ela esqueceria aqueles mortais insignificantes.

Ele garantiria isso.

 

Por fora, porém, Morpheus manteve a compostura, escondendo a tempestade de sua obsessão que rugia em seu interior.

Ele estendeu a mão, tocando a dela com uma gentileza calculada.

"Sinto muito que você tenha passado por isso, Briely."

"Mas aqui, no Sonhar, você está segura."

"Ninguém vai te colocar em perigo novamente. Eu te  prometo."

 

Ela olhou para ele, ainda com um resquício de tristeza nos olhos, mas assentiu levemente. sem suspeitar da intensidade dos pensamentos que cruzavam a mente do Senhor dos Sonhos.

"Obrigada," diz ela grata.

Ele apertou a mão dela por um breve momento antes de soltá-la, voltando a postura ereta.

"Vamos continuar," disse, firmemente, mas com um traço de ternura.

Que escondia suas verdadeiras intenções.

"Há muito mais que você precisa saber sobre este universo... e eu Sempre estarei aqui para te guiar."

 

 

As horas se passaram na biblioteca do Sonhar, o candelabro flutuante lançando uma luz dourada sobre a mesa onde Morpheus e Briely estavam sentados.

Ele a guiava pacientemente, explicando com detalhes o que ela deveria evitar dizer ou fazer no encontro com os deuses gregos.

"Nunca mencione sua origem verdadeira, como já discutimos, " reiterou ele, com a voz firme.

"E Não questione a autoridade deles diretamente, mesmo que discordem de algo. Zeus, em particular, não tolera desrespeito."

"E com Poseidon, mantenha a compostura, mesmo que ele tente provocar ou testar você."

"Não mostre fraqueza, mas também não os desafie abertamente."

 

Briely o ouvia atentamente, assentindo de tempos em tempos, embora seus olhos desviassem dos livros abertos na mesa.

Morpheus percebeu que ela não parecia confortável com a leitura, talvez por relutância ou dificuldade, mas ele não comentou nada.

Ele preferiu continuar a explicando verbalmente, adaptando-se ao que parecia funcionar melhor para ela.

 

Quando a luz do candelabro começou a tremular, sinalizando o avançar da noite no Sonhar, Morpheus olhou para o céu estrelado além das janelas da biblioteca e se levantou.

"Já é tarde, Briely. Creio que já expliquei tudo o que você precisa saber, por agora."

"Vamos jantar você deve estar com fome."

 

Ela o acompanhou em silêncio, os passos dos dois ecoando pelos corredores do palácio onírico até chegarem à entrada da biblioteca.

Lá, Lucienne estava trabalhando ela estáva ajustando uma prateleira de tomos antigos, equilibrando-os com precisão.

Ao vê-los, ela se virou e os cumprimentou com um leve aceno de cabeça. "Boa noite, meu senhor, minha senhora. Ja Terminaram as pesquisas?"

 

Morpheus assentiu, a expressão impassível como sempre. "Sim, Lucienne. Já cobrimos o essencial."

 

"Muito bem," respondeu ela, ajustando os óculos. "Se precisarem de mais alguma coisa, estarei aqui."

 

Eles se despediram com um breve aceno e seguiram para a sala de jantar.

A mesa já estava posta com pratos fumegantes de alimentos que pareciam saídos de um sonho cores vibrantes, aromas que evocavam memórias distantes.

Sentados frente a frente, começaram a comer em um silêncio confortável, interrompido apenas pelo tilintar dos talheres.

Após alguns minutos, Briely pousou o garfo e olhou para Morpheus, a expressão carregada de hesitação.

 

"Estou um pouco nervosa com essa reunião," admitiu ela, quase envergonhada por dizer isso.

Ele a encarou, os olhos profundos suavizando ligeiramente. "Não se preocupe. Vai ficar tudo bem."

"E se não quiser ir, não precisa."

"Posso fazer com que eles que venham até aqui se desejarem conhecê-la." "Não há obrigação."

 

Ela balançou a cabeça, decidida, embora a ansiedade ainda estivesse lá. "Não, eu quero ir. Acho que é importante."

Morpheus assentiu, um leve brilho de aprovação em sua expressão. "Eu estarei lá com você.

"E Nada vai acontecer. E, se em algum momento se sentir desconfortável, me diga e eu trarei você de volta imediatamente."

 

"Obrigada morpheus," murmurou ela, um pequeno sorriso aparecendo em seus lábios antes de voltar a comer.

 

Quando eles terminaram o jantar, Morpheus se levantou e a conduziu por um dos corredores iluminados por lampiões oníricos até um pátio interno.

Lá, estava uma figura peculiar Mervyn, o zelador do Sonhar, com sua cabeça de abóbora e atitude rabugenta, segurando um charuto apagado entre os dentes.

Ele os avistou e ergueu uma mão em saudação,  e falou com uma voz rouca e cheia de sarcasmo.

 

"Ei, chefe! E quem é essa? Será que é  a nova residente que tá todo mundo comentando?" perguntou Mervyn, os olhos brilhando na cavidade de sua cabeça de abóbora enquanto encarava Briely.

 

"Briely, este é o Mervyn," Apresentou Morpheus, a voz neutra, mas com um toque de paciência. "E Mervyn, seja educado." "

"Ela é minha... Responsabilidade."

 

Mervyn deu uma risada seca, cruzando os braços."Tá bom, tá bom, chefe." "Prazer, senhorita. Não liga pro que eu digo, eu só trabalho aqui."

"Mas se precisar de alguém pra consertar algo ou dar uns gritos, tô por aí."

 

Briely sorriu timidamente, trocando algumas palavras com ele sobre o Sonhar e perguntando como uma cabeça de abóbora conseguia falar. Ela estava um pouco surpresa com isso. Afinal Não e todo dia que se  via algo assim.

Mervyn, respondeu com um misto de irritação fingida e humor ácido. "Olha, senhorita, eu não faço as regras." "Só sigo o que o chefe inventa."

"Pergunta pra ele como eu acendo um charuto sem queimar minha cara!"

 

Morpheus observava a interação, com um raro vislumbre de contentamento em sua expressão.

Ver Briely conversando com os residentes do Sonhar, começando a se integrar ao seu mundo, o deixava satisfeito de uma forma que ele não expressaria em palavras.

Após alguns minutos, ele se aproximou mais dela, colocando uma mão suavemente nas costas dela.

Um gesto quase imperceptível, mas carregado de posse.

 

"Mervyn, está tarde." "E a Briely precisa ir descansar," disse ele.

Mervyn deu de ombros, acenando com uma mão."Tá certo, chefe. Boa noite, senhorita."

"Não deixa o chefe te assustar muito, hein?"Ele riu roucamente enquanto os via se afastarem.

 

Enquanto Morpheus e Briely desapareciam pelo corredor, Mervyn ficou olhando, os olhos brilhando com curiosidade.

Ele murmurou para si mesmo, coçando a lateral de sua cabeça de abóbora. "Hmm... Não e que o Abel tava  mesmo certo."

"O já está chefe tá caidinho por ela."

"Quem diria, o Sr. Cara Séria todo sentimental..." Ele deu uma risada baixa e voltou ao seu trabalho.

 

 

 


 

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Briely foi deixada em seu quarto por Morpheus na noite anterior.

O ambiente onírico do Sonhar a envolveu em um sono profundo, e quando ela acordou, já era noite novamente.

Ela se levantou da cama, caminhando até a janela para observar o céu estrelado do reino dos sonhos, as constelações dançando de forma impossível.

"O céu dali era realmente muito bonito, Afinal era o reino dos Sonhos." " Sinceramente, se ela não tivesse que voltar pra casa, morar ali não seria tão ruim, ela tinha certeza que o morpheus não se importaria que ela se tornasse uma de suas residentes" Um leve bater na porta a tirou de seus pensamentos. "Entre," disse ela, virando-se para a porta.

 

Morpheus entrou, sua presença imponente preenchendo o espaço.

Seus olhos a encontraram imediatamente.

Observando-a junto à janela com uma intensidade que ela não percebeu por completo. "Dormiu bem?" perguntou ele.

 

"Sim, obrigada," respondeu ela, oferecendo um leve sorriso.

 

Ele se aproximou um pouco, as mãos cruzadas atrás das costas. "Dessa vez, deixei você dormir mais." "E Você  Acabou dormindo o dia inteiro como resultado."

Ela riu timidamente, coçando a nuca. 

"Não se preocupe, e bom que descanse" disse ele, com um brilho sutil nos olhos.

"Que tal caminharmos ao redor do lago? O ar noturno do Sonhar pode ser... revigorante."

"Claro, eu adoraria ir," respondeu Briely, já animando-se com a ideia.

 

Eles saíram do quarto e seguiram pelos corredores do palácio até chegarem do lado de fora do castelo, nas margens de um lago de águas cristalinas, elas eram bem cristalinas que refletiam as estrelas do céu.

A areia sob seus pés era macia, quase irreal, e o silêncio ao redor era quebrado apenas pelo som suave das ondas.

Dessa vez, Morpheus segurou a cintura dela enquanto caminhavam, sua mão firme contra o tecido de sua roupa.

Briely ergueu uma sobrancelha, lançando-lhe um olhar desconfiado.

"É para você não tropeçar," Explicou ele, o tom sério, mas com um leve brilho de algo mais nos olhos.

 

Ela estreitou os olhos, claramente não acreditando na desculpa dele.

"Sei..." murmurou, mas antes que pudesse dizer mais, algo estranho aconteceu.

O chão sob seus pés pareceu se deslocar de repente, fazendo-a tropeçar para frente.

Morpheus, com reflexos rápidos, a segurou com firmeza. "Eu avisei," disse ele, com  uma falsa preocupação.

Secretamente, ele havia manipulado o terreno do Sonhar para que isso acontecesse, apenas para ter uma desculpa para mantê-la ainda mais  perto dele. "A areia ainda está instável em algumas partes."

 

Briely, agora, acreditou nele, dado ao estado do sonhar anteriormente. "Ah... tá bom, então."

 

Sem aviso, Morpheus a ergueu no colo, segurando-a com facilidade contra seu peito.

"Assim está melhor," declarou ele, um leve sorriso curvando seus lábios.

 

Ela corou intensamente, sentindo o calor subir ao rosto."Ei, Me coloca no chão! Não precisa me carregar, eu consigo andar!"

Ele, ignora o protesto dela  com uma calma inabalável.

Seus braços a seguravam com uma firmeza que não deixava espaço para argumentação.

Briely ficou um pouco envergonhada, o coração acelerando enquanto tentava racionalizar a situação.

"Será que... Talvez ele realmente goste de mim?" Ela pensou por um breve momento, mas rapidamente descartou a ideia absurda.

"Que absurdo. Ele é um Perpétuo, só quer me proteger. Só isso."

"Como ele diz eu sou a  responsabilidade dele."

 

Além disso, mesmo que fosse, seu coração ainda se agarrava a Luke, apesar de tudo  apesar da traição dele a ela e aos amigos, apesar de sua morte.

Ela não conseguia deixar seus sentimentos por ele para trás.

 

Morpheus caminhava com ela no colo, os passos firmes na areia, o silêncio entre eles se estendendo por o que pareciam horas. Finalmente, Briely quebrou o silêncio. "Essa praia... é igual à que você me levava nos sonhos quando estávamos presos naquele porão."

 

Ele olhou para ela, os olhos brilhando ao lembrar das  memórias compartilhadas entre eles . "Sim ela é”.

 

Com cuidado, ele a colocou no chão e sentou-se na areia, o corpo relaxado, mas sempre atento a ela.

Briely se sentou ao lado dele, os dois ficaram em silêncio enquanto observavam juntos o horizonte.

Quando o sol começou a se pôr ou, no Sonhar, algo que simulava um amanhecer com tons dourados e rosados, ela suspirou, admirada. "O amanhecer aqui é lindo."

Morpheus virou-se para ela, os olhos fixos nos dela, um sorriso raro e genuíno em seu rosto."É, mesmo," disse ele.

Mas não  ele não estava falando do amanhecer.

Briely, alheia ao verdadeiro significado de suas palavras, continuou olhando para o horizonte.

Ele a puxou gentilmente para mais perto, a mão em seu ombro.

"Deite a cabeça aqui," ele murmurou, indicando seu próprio ombro. "Você ainda parece exausta."

Ela protestou levemente, franzindo o cenho. "Não precisa, eu tô bem..."

"Insisto," retrucou ele. E Não demorou muito para que ela cedesse, descansando a cabeça no ombro dele.

Em poucos minutos, o cansaço finalmente a venceu, e ela adormeceu, com o rosto relaxado contra ele.

 

Morpheus virou-se para observá-la, emoção crua brilhando em seus olhos normalmente impassíveis.

Seus dedos traçaram suavemente os contornos dos lábios dela, um desejo quase incontrolável de beijá-la ali, naquele momento estava surgindo em seu peito.

Mas ele se conteve, com  os dentes cerrados.

"Em breve," pensou ele, convencido.

"Ela ainda me vê como um amigo, mas não resiste tanto aos meus toques." "Ela se apaixonará por mim em breve. Eu sei disso."

Com cuidado, ele a pegou no colo novamente, aninhando a cabeça dela contra seu peito.

Ele Inclinou-se e beijou a  testa dela , sentindo o calor de seu corpo contra o dele. "Ela é tão quentinha," pensou ele carinhosamente.

Ele começou a caminhar de volta para o palácio, carregando-a com cuidado. 

 

No meio do caminho, ele encontrou Caim e Abel.

Caim, com sua expressão habitual e Abel, com um olhar mais curioso e gentil, o cumprimentaram com um aceno de cabeça.

Seus olhos se fixaram em Briely, que estava aninhada dormindo nos braços de Morpheus, mas nenhum dos dois fez comentários sobre isso no momento em voz alta.

Eles apenas observaram enquanto Morpheus passava por eles, desaparecendo pelo corredor.

 

Assim que ele sumiu totalmente de vista, Abel se inclinou para Caim, cochichando com uma mistura de surpresa e diversão. "Você viu isso, irmão? O mestre carregando a garota desse jeito..."

Caim bufou, cruzando os braços, "Hmph. Nunca vi o chefe tão... apegado a alguém."  "O que você acha que tá rolando aí?  Ao que parece Vamos ter uma nova Rainha em em breve."

Abel deu de ombros, coçando a nuca. "Isso eu Não sei, mas... ele parece diferente com ela. Mais... humano, e apaixonado de certa forma."

"Mais humano e apaixonado? Mais obcecado você quer dizer" 

"Uh... você está certo."

Os dois continuaram cochichando enquanto a figura de Morpheus e Briely se perdia na distância. 

 

 

 

 


 

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Morpheus, ao invés de levar Briely para o quarto dela, ele decidiu levá-la para seu escritório particular no Sonhar.

Ele a colocou cuidadosamente em um sofá de veludo escuro, ajustando uma manta leve sobre ela enquanto ela dormia profundamente.

Ele Sentou-se em sua mesa, rodeado por pergaminhos, trabalhando em silêncio enquanto a observava de soslaio.

As Horas se passaram, o tempo no Sonhar escorrendo como areia, até que já era quase tarde.

Ele sabia que naquela noite deveriam encontrar os deuses gregos.

E ele decidiu interromper o sonho em que a havia mergulhado enquanto ela dormia. 

um pequeno truque para mantê-la descansando mais do que o necessário.

 

Aproximando-se do sofá, ele a acordou com um toque suave no ombro.

Briely abriu os olhos devagar, piscando confusa ao se sentar.

Ele se colocou ao lado dela, a voz baixa e reconfortante.

"Está na hora, Briely. Você deve se preparar para o encontro com os gregos."

 

Ela esfregou os olhos, franzindo o cenho. "Nossa, eu não costumo dormir tanto assim."

 

"Talvez você estivesse mais cansada do que pensava," respondeu ele, um leve brilho de diversão nos olhos enquanto escondia o fato de que vinha influenciando sutilmente o sono dela para mantê-la descansando mais tempo.

"Venha, vou ajudá-la a se preparar."

Briely ergueu uma sobrancelha, hesitante. "A Lucienne não pode fazer isso?"

"A Lucienne está ocupada no momento," retrucou ele com um tom calmo, mas firme. Um sorriso divertido curvou seus lábios enquanto ele inclinava a cabeça. "Está com vergonha de mim ajudando a se preparar?"

Ela bufou, cruzando os braços, mas um leve rubor surgiu em suas bochechas. "Não é isso." "Eu sei me arrumar sozinha, tá bom?"

 

"Desta vez, não," disse ele, não deixando espaço para discussão.

E Antes que ela pudesse protestar mais, ele estalou os dedos, e o mundo ao redor deles girou em um borrão de sombras e luz.

Em um piscar de olhos, eles estavam no quarto dela.

"Primeiro, tome um banho," instruiu ele, apontando para o banheiro anexo.

"Eu vou preparar as  suas roupas."

Briely revirou os olhos, mas obedeceu, desaparecendo no banheiro enquanto o som da água começava a ecoar.

Morpheus, por sua vez, dirigiu-se ao closet de seu próprio quarto  (Que ficava ao lado do dela, um detalhe que ela desconhecia.)

Ele abriu as portas de ébano com um gesto.

Seus olhos se fixaram em um Vestido vermelho , a cor profunda e ardente como o rubi que outrora foi parte de seu poder.

Ele havia criado aquele vestido com intenção, um símbolo que os deuses gregos notariam, uma marca sutil de posse e conexão com ele.

Ele Pegou também uma Caixa de joias contendo um colar de rubi, e brincos combinando.

Com os itens em mãos, ele voltou rapidamente ao quarto dela.

Quando Briely retornou, envolta em um robe e secando o cabelo com uma toalha, encontrou Morpheus à espera perto da penteadeira.

Ele estendeu o vestido vermelho para ela, Ela pegou a peça, franzindo o cenho com um leve sorriso.

"Vermelho? Achei que você fosse me dar algo preto, já que é a sua cor preferida," brincou ela, rindo suavemente.

Ele retribuiu com um sorriso enigmático, os olhos escurecendo de significado.

 

"Hoje não."

 

Ela foi até o biombo no canto do quarto para trocar de roupa, reaparecendo momentos depois.

O vestido abraçava suas curvas, o vermelho vivo contrastando com sua pele de maneira hipnotizante.

Morpheus a encarou por um longo momento, a expressão suavizando.

"Você está linda," ele murmurou, com a voz mais grave do que o habitual.

Ele abriu a caixa de joias, revelando o colar de rubi que parecia incrivelmente caro, as pedras capturando a luz de forma quase sobrenatural.

Com um cuidado deliberado, ele se aproximou e colocou o colar ao redor do pescoço dela, os dedos roçando levemente sua pele enquanto ajustava o fecho.

Depois, ele colocou os brincos nela, cada movimento metódico, Por fim, ele pegou um pente e começou a arrumar o cabelo dela, transformando-o em um coque baixo e elegante, os dedos trabalhando com uma destreza surpreendente.

 

Briely observava tudo pelo espelho, um pouco desconcertada.

"Você vai ficar brincando de boneca comigo agora?" Ela o perguntou, tentando aliviar o clima com uma risada nervosa.

Morpheus a olhou através do reflexo, um brilho predatório nos olhos enquanto respondia com um tom baixo e provocador.

"Eu adoraria."

 

Ela desviou o olhar rapidamente, o rosto corando enquanto tentava esconder a vergonha.

Virando-se para o espelho por completo, ela analisou seu reflexo, o vestido, as joias, o cabelo.

"Parece que eu sou uma daquelas princesas da era medieval," ela  comentou, um leve sorriso nos lábios.

Ele se aproximou, ficando ao lado dela no reflexo. "Mais como uma rainha,"  Disse ele, com um  duplo sentido (o que ela não percebe).

 

Sem esperar resposta, ele ofereceu o braço a ela, conduzindo-a para fora do quarto.

Eles desceram pelos corredores até o salão principal, onde Lucienne os aguardava.

A bibliotecária ajustou os óculos ao vê-los, seus olhos percorrendo o vestido vermelho e as joias de Briely com uma expressão de surpresa contida, mas não fez comentários.

Ela apenas assentiu para Morpheus. "Tudo pronto, meu senhor?"

 

"Sim," respondeu ele firme. Com um gesto de sua mão, o ar ao redor deles ondulou, e o mundo do Sonhar se dissolveu em sombras enquanto se teletransportavam para onde seria o encontro com os deuses gregos.

O ar ao redor de Morpheus e Briely ondulou como água, e em um piscar de olhos, eles se materializaram diante de um palácio majestoso, erguido sobre uma plataforma de mármore reluzente.

Briely olhou ao redor, admirada, e então virou-se para Morpheus, os olhos cheios de curiosidade. "Onde estamos?" 

 

"Este é o palácio de Poseidon, em Valhala," respondeu Morpheus, calmamente, mas com um traço de tensão enquanto observava o entorno com cautela.

 

Eles pararam diante de uma imensa porta de bronze decorada com gravuras de criaturas marinhas.

Antes que pudessem tocá-la, a porta se abriu sozinha, revelando uma sala ampla.

No centro, Poseidon os esperava, imponente, com uma túnica azul-escura que lembrava o oceano em tempestade. Seus olhos, de um verde profundo como o mar, fixaram-se imediatamente em Briely.

Ele deu um passo à frente, uma aura de poder emanando dele.

"Então é  realmente verdade,"Disse Poseidon, a voz  ressoando pela sala.

"Você é mesmo minha filha."

Ele fechou os olhos por um momento, como se sentisse algo invisível, e então abriu um sorriso. "Sinto minha própria essência em você."

 

Ele se aproximou, cumprimentando Morpheus com um aceno formal, mas reservado, e então olhou para Briely, os olhos suavizando ao notar semelhanças entre eles, eles tinham o mesmo tom de cabelo e os mesmos olhos.

" Que bom que você veio" " Eu Queria muito conhecê-la,"Admitiu ele, ela podia ouvir um com um afeto inesperado na voz dele o que a surpreende.

"Estou realmente feliz por ter uma filha." "Os membros do nosso panteão, os seus tios e primos, também estão ansiosos para conhecê-la."

"Venham comigo."Poseidon gesticulou para que o seguissem, levando-os por um arco até uma sala de banquetes.

Antes de entrarem, Morpheus segurou a mão de Briely, os dedos entrelaçando-se aos dela com firmeza.

Ela lançou um olhar curioso para ele do porque do gesto, mas ela não disse nada enquanto seguiam Poseidon através da porta.

 

Ao entrarem, o burburinho de conversas cessou abruptamente.

Todos os olhos na sala se voltaram para eles.

Briely sentiu um arrepio ao perceber dezenas de figuras divinas, cada uma irradiando uma aura única e esmagadora.

Ele parecia ter errado quando mencionou mais cedo que só os principais apareceriam, ele errou feio pelo que parece.

Ela apertou a mão de Morpheus com mais força enquanto Poseidon erguia a voz.

"Permitam-me apresentar minha filha, Briely," Anunciou ele, o tom orgulhoso ecoando pela sala"Uma descendente minha, recém-descoberta entre nós."

 

Os deuses a cumprimentaram, alguns com acenos solenes, outros com sorrisos calorosos. 

Eles estavam Sentindo a força reduzida, mas inconfundível, da essência de Poseidon emanando dela, algo que todos  claramente perceberam.

Enquanto tomavam seus assentos em uma longa mesa de mármore coberta de iguarias divinas, Morpheus inclinou-se para Briely e murmurou em seu ouvido.

 

"Parece que quase todos os gregos vieram," disse ele, a voz baixa, mas com um traço de sarcasmo e desagrado. " Parece que você errou quando que provavelmente só os principais apareceriam" murmurou ela pra ele divertida.

 

Ela olhou ao redor, notando a sala cheia. E reconheceu alguns das ilustrações dos livros que o Morpheus a mostrou enquando estava explicando 

Ela reconheceu o Zeus. A Hera que estava ao seu lado, que era bem majestosa e que  no momento estava a encarando, ou melhor os encarando.

A Atena, a olhava com com um olhar penetrante. O Ares, tinha um sorrisão predatório no rosto no momento.

Os deuses a observavam em silêncio, alguns murmurando entre si.

 

Afrodite, que estava sentada ao lado de Ares, inclinou-se para o deus da guerra, os lábios curvados em um sorriso malicioso.

"Olha, eles têm um laço estranho... Isso e interessante, Ele a protege como se fosse dele, mas ela parece apenas vê-lo como amigo," sussurrou ela, os olhos fixos no vestido vermelho de Briely.

"E esse vestido... você sabe o que significa. É o rubi dele, uma marca."

 

Ares deu uma risada baixa , balançando a cabeça. "O Senhor dos Sonhos marcando território? Isso vai ser interessante."

 

As Outras deusas, como Hera e Atena. também notaram o vestido que ela estava vestindo, trocando olhares de compreensão, entre si mas sem comentar em voz alta.

Poseidon, sentado à cabeceira da mesa, inclinou-se para Briely com curiosidade. "Conte-me sobre seu nascimento, filha. Como isso aconteceu?"

 

Briely hesitou por um momento, sentindo os olhos de todos sobre ela.

"Eu... tenho três meses desde que nasci," respondeu ela.

 

Poseidon ergueu uma sobrancelha, surpreso, ele realmente não esperava por isso e ele logo tinha uma  preocupação cruzando seu rosto.

Antes que ele pudesse perguntar querendo saber mais do detalhes, Morpheus interveio.

"Ela tem apenas três meses, mas ela já nasceu adulta."

"Ela Foi capturada por ocultistas no momento em que veio ao mundo e permaneceu comigo, onde também fui mantido prisioneiro nesse período."

" Eu a trouxe pra morar comigo no Sonhar, depois de nós libertarmos'' 

 

Poseidon franziu o cenho, os olhos estreitando-se para Morpheus. "E você não pensou  em me avisar sobre ela?" " Que ela existia, e estava com você ?" 

"Tive que saber da existência dela por fofocas e rumores!"

 

"Eu o avisaria em breve," retrucou Morpheus, com a expressão impassível.

mas ninguém na sala pareceu realmente acreditar nele.

Alguns Murmúrios de descrença ecoaram discretamente entre os deuses.

Alguns estavam revirando os olhos ou trocando olhares céticos entre si. (Claramente duvidando que ele fazeria isso

 

A história de Briely despertou piedade em alguns, como Deméter e Héstia, que a trataram com uma gentileza extra, os olhos cheios de compaixão.

" Coitadinha ela Mal nasceu e já foi presa por humanos," murmurou Héstia para si mesma, balançando a cabeça.

 

Outros deuses começaram a fazer perguntas, que Briely respondeu com uma mistura de timidez e curiosidade.

Apolo, que estava sentado perto dela, parecia particularmente encantado por ela, conversando animadamente com a sua nova prima.

"Você é uma visão, Briely,"disse ele com um sorriso brilhante, os olhos dourados faiscando. Claramente flertado com ela.

"Uma verdadeira joia do mar. Como você conseguiu sobreviver a tanto tempo presa por humanos estúpidos?"

 

Briely riu, relaxando um pouco com o tom leve de Apolo. "Não sei, acho que só... sobrevivi. E o Morpheus me ajudou."

 

"Ah, sim, o Senhor dos Sonhos,"disse Apolo, lançando um olhar provocador para Morpheus, que estava sentado ao lado de Briely, e tinha a expressão cada vez mais tensa.

"Ele parece muito... Digamos atencioso com você."

 

Morpheus permaneceu em silêncio, os olhos fixos em Apolo como se pudesse incinerá-lo com um olhar.

Briely, alheia à tensão, continuou conversando, respondendo a perguntas dele e as dos  outros deuses enquanto o jantar prosseguia.

 

Hera, ao lado de Zeus, observou-a com um olhar penetrante, mas não hostil. "Você ainda tem muito a aprender, criança. Mas parece ter um espírito forte. Isso é bom."

 

Atena, sempre analítica com a situação, interveio com uma proposta e com um  interesse genuíno. Ela esperava que a garota fosse esperta o suficiente pra aceitar. isso evitaria algumas coisas.

"Briely. Já pensou em estudar nossas histórias e estratégias? Se você quiser começar seus estudos, você poderia me visitar no meu palácio e eu poderia guiá-la." 

 

"Isso seria incrível," respondeu Briely, animada com a ideia.

 

Ares deu uma risada rouca, batendo com o punho na mesa, interrompendo o que a Atena estava fazendo. "Estudos? Que tal, eu ensinar você a lutar ? Aposto que você tem o fogo do combate no sangue!" "Eu posso ensinala."

 

Briely riu, balançando a cabeça. Em bora seja uma ótima proposta, ela já estava farta de "ares" pelo que o morpheus disse esse não era parecido com o ares do universo dela ( que era um idiota ) mais ela preferia se manter longe.  "Talvez, quem sabe no futuro?  acho que prefiro evitar brigas por enquanto."

 

As conversas continuavam a  fluir na mesa.

 

A Atena ficou levante chateada, com o ares por ele a ter interrompido.

 

Morpheus observava em silêncio, a irritação crescendo cada vez que Apolo fazia Briely rir com suas piadas e comentários claramente galanteadores.

Ele segurava o garfo com mais força do que o necessário, os nós dos dedos brancos.

 

Mais tarde, Poseidon voltou a falar diretamente com Briely, o tom mais pessoal. "Você é a primeira filha mulher que tenho, Briely."

"Eu Sempre quis ter uma garotinha, mas só tenho um filho, Triton, seu irmão."

"Ele não está aqui agora, mas gostaria de apresentá-los no futuro. " "Eu Quero conhecê-la melhor."

"E por isso eu gostaria de convidá-la para morar comigo." "Tenho certeza de que você adoraria conhecer a Atlântida."

 

Ao ouvir essas palavras, Morpheus apertou o garfo com tanta força que o metal se dobrou e quebrou com um estalo audível.

Todos na sala viraram-se para ele, com sobrancelhas erguidas.

Ele baixou o utensílio com uma calma forçada."Desculpem-me," ele disse, com a voz fria. "Briely é uma residente do Sonhar agora." "Ela também e Minha responsabilidade."

Poseidon estreitou os olhos. " E Ela é minha filha, Morpheus." "Ela deveria decidir se quer vir morar comigo ou não."

Briely, sentindo a tensão crescer entre os dois, interveio rapidamente. "Obrigada, pai. Eu Vou pensar na sua oferta."

Poseidon sorriu para ela, satisfeito. "Então, Estarei esperando sua resposta, filha."

A conversa na mesa logo retomou, com os outros deuses envolvendo Briely em mais algumas perguntas e  também contando algumas histórias.

Dionísio, rindo alto, não parava de oferecer vinho a ela, enchendo sua taça repetidamente.

"Beba, prima! Essa e a Melhor forma de conhecer a família!" incentivava ele com um sorriso travesso.

 

Briely, rindo das palhaçadas de Apolo e das piadas exageradas que ele contava, acabou realmente bebendo mais do que deveria.

Suas bochechas estavam coradas, e ela dava risadinhas mais frequentes.

Morpheus notou isso imediatamente, a expressão endurecendo.

"Poseidon," disse ele, cortante, mas controlado. "Creio que devemos encerrar o jantar. Briely precisa descansar."

 

Poseidon olhou para a filha, vendo-a risonha enquanto Apolo contava a ela  mais uma de suas  histórias absurda sobre as suas aventuras.

Ele sorriu, satisfeito ao vê-la feliz.

 

Mas Morpheus estava lançando um olhar fulminante para o Apolo.

Que pareceu se divertir ainda cada vez mais com as reações do senhor dos sonhos.

 

Os outros deuses logo começaram a se despedir de Briely, cada um com suas palavras.

Zeus, de forma surpreendente, foi o primeiro a se despedir. "Você é bem-vinda no panteão, jovem."

"Volte quando quiser. Temos muito a compartilhar."

 

Hera assentiu, a expressão suavizada. "Cuide-se, criança." "E sempre mantenha essa força que vejo em você."

 

Atena ofereceu a ela  um leve sorriso antes de se despedir. "Se precisar de orientação com algum assunto, me procure."

 

Ares deu uma risada alta. "E se quiser treinar, já sabe onde me encontrar!"

 

Afrodite se aproximou dela com um sorriso sedutor. "Você é  realmente muito bonita encantadora, não e ? Minha querida.". "Cuide desse seu coração."

"E desse... guardião tão zeloso ao seu lado," ela  Acrescentou, lançando um olhar provocador para Morpheus.

Um a um, os deuses se despediram, deixando palavras de boas-vindas e curiosidade.

Finalmente, Poseidon pediu um momento a sós com Briely, levando-a para um canto mais afastado, longe dos olhos de Morpheus.

Ele a encarou com um olhar sério, mas afetuoso."Minha Filha, saiba que sempre poderá me visitar... Quando quiser" "E, se quiser, até morar comigo na Atlântida."

"Mas fique de olho na sua relação com Morpheus."

"Espero que não haja confusões."

Ela franziu o cenho, confusa com o aviso dele. "Nós somos apenas amigos."

"É isso e verdade mesmo?" perguntou ele, os olhos analisando-a com atenção.

Ele notou o vestido vermelho, a cor inconfundível do rubi de Morpheus, e uma pequena apreensão cresceu em seu peito.

Ainda assim, ele viu sinceridade na expressão dela.

 

"Sim, Somos Só amigos," reiterou ela.

 

Poseidon suspirou, decidindo acreditar nela. "Tudo bem. Mas tenha cuidado com ele."

"Se algo acontecer, ou se você não quiser mais ficar no Sonhar, venha morar comigo."

Ele tirou do bolso uma pequena concha pendurada em um colar delicado e entregou a ela.

"Aqui e um presente, pra você, Se  você quebrar esta concha e pensar em mim, será teletransportada até a onde eu estiver."

 

Ela pegou o objeto com cuidado, os olhos brilhando de gratidão."Obrigada, pai." " E linda"

 

Ele a puxou para um abraço apertado. "Espero que você me visite muito em breve."

"Eu vou," prometeu ela, retribuindo o abraço.

Poseidon a soltou, e nesse momento Morpheus se aproximou, a expressão fechada. "É hora de irmos," disse ele, com a voz cortante.

Poseidon lançou um último olhar para Morpheus, acenando para a filha em despedida.

Ele percebeu como Morpheus tomou a mão de Briely rapidamente, e  puxando-a para perto de si. Com um gesto que parecia mais possessivo do que protetor.

Enquanto os dois se teletransportavam, desaparecendo, Poseidon ficou parado, com os olhos estreitados.

"Não é nada bom,"pensou ele."O jeito que ele olha para ela... ela é apenas uma criança aos olhos do tempo."   "O Senhor dos Sonhos sente algo por minha filha, e eu sei que isso não vai acabar bem."

Sua mão apertou o tridente ao seu lado, uma preocupação profunda gravada em seu rosto com a situação.

Notes:

A Mazikeen gosta da Bri e acha bem adorável, ela também já sabe mais tarde que os dois (o morpheus e a bri) definitivamente mentiram prós gregos ao ouvir os rumores sobre como a bri "nasceu" hehe.

O poseidon também já percebeu, é claro, que o morpheus sente algo pela bri.

 

Comentários e kudos são muito apreciados ♥️

Chapter 7: Conheci a Morte ( Ela foi Incrivelmente Legal)

Notes:

Capítulo editado !!.

Chapter Text

 

 

O ar vibrou, e num piscar de olhos Morpheus e Briely estavam de volta ao salão principal do Sonhar.

As luzes suaves  iluminavam o ambiente.

Ela cambaleou um pouquinho, os efeitos do vinho de Dionísio ainda correndo nas suas veias. Um riso bobo escapou dela, enquanto ela tentava se equilibrar.

Morpheus segurou-a pelos braços antes que ela  acabasse caindo.Seus olhos  brilhavam com uma mistura de irritação e algo mais profundo enquanto a encarava. (Ele claramente ainda estava furioso pelo Apolo ter flertado com ela, e mais furioso ainda com a proposta do Poseidon.)

"Você está completamente bêbada," disse ele , com a voz baixa, quase um rosnado.

Ela riu, balançando a cabeça desajeitadamente."Não tô não…” ela balançou a cabeça, “Tô bem ótima…” Sua voz saía arrastada, os olhos meio fechados, enquanto um sorriso bobo se formava em seu rosto.

Ele não discutiu com ela,  Simplesmente a Pegou no colo como se ela não pesasse nada. "Você precisa ir descansar. Vou levá-la para o seu quarto," afirmou ele.

Briely não protestou, apenas encostou a cabeça no peito dele, sentindo o calor dele que emanava sob o tecido escuro de sua roupa. Seus olhos se fecharam quase instantaneamente, o embalo do movimento e a exaustão do vinho estavam logo a puxando para um sono profundo.

O ritmo constante do coração de Morpheus (Ou o que parecia ser seu coração), parecia uma canção de ninar, e em segundos, ela estava inconsciente, com os lábios ligeiramente entreabertos, respirando suavemente contra ele.

O caminho até o quarto dela foi silencioso. Morpheus carregava-a com cuidado, mas a sua mente fervia. Seus pensamentos estavam longe dali.

Enquanto ele subia as escadas em direção ao quarto dela, sua mente voltou ao jantar com os deuses gregos.

A forma como Apolo a fazia rir, os olhares, os flertes provocadores, a atenção excessiva do deus  nela. tudo isso fez um nó apertado se formar em seu peito.

Ele rangeu os dentes, ele manteria o Apolo bem longe dela, custe o que custasse.

E então havia a proposta de Poseidon.

A ideia de Briely aceitando morar na Atlântida o incomodava profundamente, um medo que ele não queria admitir estava crescendo em seu âmago.

Não que ele fosse deixar isso acontecer, ele não a deixaria ir.

Mais algo o preocupava mais do que isso agora no momento.

o que será que os dois conversaram enquanto estavam a sós? E o Poseidon também tinha entregado algo a ela, o que ele não conseguiu ver  exatamente o que era.

O ciúme queimava como ácido.

Chegando ao quarto de Briely, ele abriu a porta com um leve gesto de sua mão e a deitou na cama ampla, coberta por lençóis negros.

Com um toque delicado, ele afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, seus dedos demorando-se mais do que o necessário enquanto acariciava sua bochecha.

Ela parecia tão pacífica ali,  tão vulnerável, os seus traços suavizados pelo sono. E Isso durou  exatamente dois segundos.

“Eu te amo…” ela murmurou no sono, tão baixo.

Morpheus congelou. Um êxtase inesperado tomou conta dele, um calor subindo por seu peito.Ao ouvir aquela palavra escapando dos lábios dela.

"Será que ela estava realmente começando a amá-lo?"

"Será que, finalmente, aqueles sentimentos que ele guardava com tanto zelo por ela estavam sendo correspondidos?”

Um sorriso quase imperceptível curvou seus lábios enquanto ele se inclinava mais perto, com pensamentos girando em sua mente.

“Talvez eu devesse olhar os sonhos dela, ver o que se passava em seu inconsciente...”

Mais então ela murmurou novamente, as palavras saindo mais claras dessa vez.

"Eu te amo... Luke."

 

O mundo de Morpheus desabou em um instante. A felicidade que o preenchia momentos antes se estilhaçou, substituída por uma raiva incandescente que fez suas mãos tremerem.

Ela disse que o ama. Aquele semideus do universo dela insignificante.

Seus olhos escureceram, a fúria transbordando enquanto se inclinava sobre ela.

Com um gesto brusco, Num segundo ele estava sobre ela, a mão na testa dela, interrompendo o sonho que ela estava tendo com violência.

Briely acordou sobressaltada, com os olhos turvos de álcool e medo.

"O que..." murmurou ela, com  a voz arrastada, piscando lentamente enquanto tentava focar no rosto de Morpheus acima dela.

O olhar dele, porém, estava carregado de uma fúria que fez um arrepio de medo correr por sua espinha.

Ela franziu o cenho, com a mente enevoada, convencida de que ela ainda estava sonhando. Afinal, como poderia ser real? Era só um pesadelo estranho.

 

Sem aviso, Morpheus segurou os ombros dela com força, os dedos cravando-se em sua pele enquanto a encarava com uma intensidade que a fez engolir em seco.

"Você o ama?” “Diga a verdade para mim," exigiu ele, com voz baixa e perigosa,  com uma raiva contida que parecia prestes a explodir.

 

Ela piscou, ainda perdida, a cabeça girando com o efeito do vinho. "Quem?" Ela perguntou, genuinamente confusa, sem entender do que ele poderia estar falando.

Ela Achava que estava tendo apenas um sonho estranho, algo talvez sem sentido. Mas ela não estava gostando nada da sensação de ameaça que aquele "sonho" que ela estava tendo no momento trazia.

A resposta dela pareceu enfurecê-lo ainda mais.

Com um movimento rápido, ele a empurrou contra o colchão. O corpo dela afundando nos lençóis macios enquanto as costas batiam contra a cama. O impacto a deixou atordoada, com o coração disparando de medo.

"Você ama aquele garoto miserável?” “Aquele semideus patético, Você ainda ama ele? Aquele… Luke?” Rosnou ele, o rosto a centímetros do dela, os olhos queimando com uma mistura de ciúme e desespero.

Sem filtro, e sem pensar, ela assentiu, um sorriso bobo e triste nos lábios. "Sim, eu ainda amo ele..."

As palavras dela foram como uma lâmina atravessando Morpheus.

Ela havia lhe contado um pouco sobre esse garoto uma vez  quando eles estavam presos, Ele percebeu que ela gostava daquele garoto e Claro. Pela maneira em que ela contou sobre ele.

Ela também havia dito que ele havia se tornado seu primeiro amigo quando ela chegou no acampamento, mais ele estava morto então ele não importava.

Mais ao ouvir isso? Que ela o amava.Ou melhor ainda ama.

Os olhos de Morpheus escureceram até virarem dois buracos negros. Ele colou a testa na dela com força, quase machucando.

“Escuta bem, meu amor” "Eu amo você, Briely. Eu te amo,"  Ele Sussurrou, com  a voz tremendo de raiva e desejo.

Amo tanto que mataria qualquer um que ousasse olhar pra você.”

Ela gaguejou, os olhos arregalados, o cérebro lutando para processar o que ouvia. "O-o quê...?" Ela Balbuciou, incrédula ao ouvi-lo, com o coração ficando logo disparado.

"Não, Isso... isso é um sonho, Não... e um Um pesadelo," Murmurou ela, tentando se convencer, a mente dela no momento ainda estava  embriagada incapaz de distinguir a  realidade de ilusão. "Você não faria isso, você…” " você não..." 

“Já fiz coisas piores por muito menos.” Morpheus sorriu, um sorriso sombrio que não alcançava os olhos. Aquilo não era um sonho, mas ele não se deu trabalho de a corrigir.

“Isso é um sonho, sim " concordou ele, agora com a voz suave, mas ainda com um tom perigoso. "Os vinhos de Dionísio são fortes. Ela não vai lembrar de nada amanhã."

“E nos sonhos, eu posso fazer o que quiser com você.”

Antes que ela pudesse responder, ele a beijou com força, os lábios colidindo contra os dela em um beijo desesperado, cheio de posse.

Briely logo tentou empurrá-lo, as suas mãos frágeis batendo em seu peito, mas ela não tinha nenhuma força contra ele, era como empurrar uma estátua.

O beijo era sufocante, roubando seu ar, até que ele finalmente a soltou, seus lábios se separando com um estalo baixo.

 

Ela ofegou, tentando recuperar o fôlego, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Morpheus não resistiu e a beijou novamente. dessa vez foi mais invasivo, sua língua forçando passagem entre os lábios dela, explorando-a sem hesitação.

O beijo era intenso, faminto, carregado de uma urgência que a deixava atordoada. Quando ele finalmente se afastou, segurou a cabeça dela com as mãos, um fio de saliva ainda conectando suas bocas.

Ele a encarou, os cabelos dela Estavam bagunçados, ela tinha os olhos cheios de lágrimas, e  as suas bochechas estavam coradas e a respiração ofegante.

Uma beleza quebrada, vulnerável, que o fazia perder qualquer resquício de controle. Ele pensou, com uma intensidade quase dolorosa, que ela era linda assim. E Que isso o tentava de maneiras que ele não podia resistir.

 

Briely chorava agora, as lágrimas rolando por seu rosto enquanto ela tentava entender o que estava acontecendo. "Para…  " ela soluçava, tentando se debater. "Para…  por favor, Eu quero minha mãe... mãe... irmão, me ajuda... pai, socorro," murmurava ela trêmula, com o corpo se contorcendo mais forte agora nos braços dele em uma tentativa inútil de se libertar.

"Shh, meu amor, não tenha medo.Você não precisa deles. Estou aqui. Só eu."Murmurou Morpheus, com a voz enganosamente calma enquanto a puxava contra seu peito, ignorando suas tentativas de escapar. Ele a segurou com firmeza, como se pudesse a acalmar e apagar o medo dela apenas com sua presença.

 

Mas os soluços de Briely só aumentaram, a confusão e o terror misturando-se em sua mente embriagada. "Não… me deixa ir.” 

 

Ele a beijou novamente, e depois mais uma vez, cada beijo mais insistente que o anterior, como se tentasse marcá-la, e torná-la sua de uma vez por todas. “Você não vai a lugar nenhum,” grunhiu ele. Seus lábios logo desceram ao pescoço dela, deixando marcas vermelhas na sua pele delicada, mordiscando a orelha dela até ouvir um gemido baixo de dor e surpresa.

Ele voltou aos lábios dela, beijando-a até que o ar novamente lhe faltasse, mordendo com força suficiente para que um fio de sangue manchasse sua boca.

Briely, exausta e sobrecarregada, acabou desmaiando nos braços dele, o corpo dela logo caindo  mole contra o dele.

 

Com cuidado, Morpheus a deitou na cama, ajeitando-a sobre os lençóis. Ele passou a mão sobre as marcas que deixou no pescoço dela,  curando os hematomas e os lábios feridos. Apagando qualquer traço físico do que acabou de acontecer.

Ele Sentou-se ao lado dela por um momento, observando o peito dela subir e descer em um ritmo lento, o rosto dela  ainda estava úmido de lágrimas, mas agora sereno.

Ele se repreendeu internamente por não ter se contido. por ter tomado aquele primeiro beijo deles de forma tão bruta.

Mas não havia algum arrependimento verdadeiro em seu peito.

Ele queria fazer isso, também a bastante tempo, A situação só se mostrou bastante... oportunia no momento,  Ela não se lembraria de nada amanhã, mas ele sim.

Ele guardaria cada detalhe, cada toque, cada som que ela Fez.

A perda de controle dele também poderia ser uma espécie de  punição pra ela, Afinal Como ela ousava dizer que ama outro na sua frente? Mesmo que estivesse bêbada.

Seus pensamentos se voltaram a Luke, e a sua raiva reacendeu.   "Se ele estivesse vivo e fosse alguém desse universo" "Eu  o mataria, definitivamente já o teria destruído. Mas isso não importa agora .”ele murmurou para si mesmo, com os punhos cerrados. '' "Ele já não existe mais, E você está comigo aqui."

“E se alguém do seu universo ousar aparecer aqui, a sua procura não voltará vivo." "E qualquer um que tentar te tirar de mim terá o mesmo fim.” Ele olhou para Briely, ainda inconsciente. Beijou a testa dela, suave,  carinhoso. E sussurrou, mais para si mesmo do que para ela.

"Você vai ser  minha.” “Eu Vou fazer você nunca mais pensar nesses humanos que você tanto ama.”

“Você vai me amar, isso e só uma questão de tempo." "E Com o tempo nós vamos ter nossa própria família juntos." Ele se inclinou, inalando o cheiro doce de seus cabelos enquanto o som da respiração dela preenchia o silêncio.

Ele Permaneceu ali por algumas horas, apenas observando, até que finalmente se levantou, deixando-a dormir.

Ele Caminhou até seu próprio quarto, os pensamentos ainda agitados. ele sabia que não conseguiria se conter por muito mais tempo com ela.

Por agora ele decidiu focar em seus deveres no Sonhar para ocupar a sua mente.

Por agora, ele tinha controle.

 

E ele  tentaria mantê-lo, Bem... pelo menos por enquanto.

 

 

 

Briely acordou algumas horas depois, com  a cabeça latejando era como se  um tambor ressoasse dentro de seu crânio.

Seu corpo parecia pesado, cada músculo reclamando com um leve desconforto, e uma pontada de enjoo revirava seu estômago.

Sua boca estava seca, a língua colando no céu da boca, e a sede a fazia sentir como se ela  não bebesse água há dias.

Ela gemeu baixinho, passando as mãos pelo rosto enquanto tentava organizar os seus  pensamentos embaralhados.

Fragmentos da noite anterior dançavam em sua mente, Alguns estavam borrados e distorcidos.

Ela Lembrava-se vagamente de conversar com seu pai, Poseidon, e de um gesto dele, como se estivesse lhe entregando algo. 

Ela Franziu o cenho, sentando-se na cama com dificuldade, ela logo enfiou a mão no bolso do vestido que ainda usava. E Seus dedos tocaram um objeto pequeno e frio.

Ao puxá-lo para fora, ela viu o colar  com uma delicada concha pendurada, era o presente de seu pai. Um leve sorriso tocou seus lábios enquanto o segurava.

Ela Decidiu amarrá-lo ao seu pulso, transformando-o em uma pulseira. O peso da concha contra sua pele era estranhamente reconfortante.

 

Exausta, ela se deixou cair de volta na cama, com o corpo ainda fraco demais para se levantar por completo. A ressaca a fazia se sentir miserável, e ela se repreendeu mentalmente por ter  bebido tanto. "Como eu fui idiota por beber desse jeito," ela murmurou para si mesma. Ela Pensou em Morpheus, com uma pontada de vergonha.

Ele teve que trazê-la de volta e literalmente carregá-la de volta para o seu quarto.

E ela nem se lembrava disso.

O que ele deve estar pensando dela agora? Sentindo-se patética, ela se jogou contra os travesseiros, cobrindo o rosto com as mãos enquanto tentava ignorar o mal-estar.

 

Minutos se passaram, ou talvez mais, ela havia perdido a noção do tempo  até que um leve bater na porta a tirou de seu estado de autocomiseração. "Entre," disse ela fracamente, sem se levantar.

 

A porta se abriu, revelando Lucienne, com sua postura sempre composta de sempre, com  um  olhar gentil pra ela, embora preocupado. Ela carregava uma bandeja com comida e uma xícara fumegante de chá e um pequeno frasco de remédio.

"O Mestre pediu que eu trouxesse algo para ajudá-la, minha senhora,"disse Lucienne, depositando a bandeja na mesa ao lado da cama.

 

Briely gemeu, colocando as mãos no rosto com vergonha. "Obrigada, Lucienne...  eu tô me sentindo horrível."

 

Lucienne sentou-se na beirada da cama, um gesto raro de proximidade, e a encarou com empatia."Como você está se sentindo, minha senhora?"

 

"Com uma ressaca horrível,"Admitiu Briely, esfregando as têmporas. "Minha cabeça parece que vai explodir."

 

Lucienne assentiu, apontando para o chá e o frasco na bandeja."O chá vai acalmar seu estômago, e o remédio ajudará com a dor.

“Também irei preparar um banho para você, caso deseje se refrescar."

 

Briely balançou a mão, um pouco envergonhada."Eu posso preparar o meu banho sozinha, Lucienne.'' "Não precisa se preocupar comigo assim. Tá tudo bem."

 

"Tudo bem, como a senhorita desejar," respondeu Lucienne com um leve aceno de cabeça, sem insistir. "Mas, minha senhora, devo dizer..." "Você bebeu muito mais do que deveria. "E, honestamente, nem foi tanto assim, considerando os efeitos que está sentindo."

Briely deu um risinho fraco, embora sem humor."Pois é. Eu me lembro de boa parte do jantar embora depois que bebi mais de uma taça, não lembro de quase nada."

"Só flashes. Acho que os vinhos do Senhor D, quero dizer,  Dionísio são... " "Um pouco fortes demais pra mim."

 

Lucienne ergueu uma sobrancelha, o tom ligeiramente repreensivo, mas ainda gentil. "Os vinhos de Dionísio são fortes mesmo para muitos imortais."

"Para você, sendo metade humana, com um corpo tão... frágil digamos, eles te afetam muito mais do que deveriam."

"O Mestre Morpheus não deveria ter deixado você beber." "Afinal, você ainda é jovem."

 

Briely corou, sentindo-se ainda mais envergonhada. "Você... você nos viu chegar? Quero dizer, eu não lembro de como voltei pro quarto."

Lucienne ajustou os óculos, com o olhar suavizando. "Vocês retornaram por volta da meia-noite. Agora já são quatro da tarde senhorita. voce já  Dormiu bastante, o que é bom para se recuperar."

 

"Quatro da tarde?"Briely piscou, surpresa, passando a mão pelos cabelos desgrenhados."Eu perdi metade do dia..."

 

Lucienne aproveitou para mudar de assunto, um pouco curiosa. "E como foi o encontro com os deuses gregos senhorita? " "Gostou deles?"

 

Um leve brilho surgiu nos olhos de Briely, mesmo com o mal-estar. "Sim, gostei bastante. Eles foram... surpreendentes." "Meu pai, até  me convidou pra morar com ele na Atlântida, acredita?." "Ele Disse que posso visitá-lo quando quiser."

"E o Apolo..." Ela deu um risinho. "Ele era o maís engraçado de Todos."

"Mais, surpreendentemente, Todos me trataram muito bem, na verdade."

 

Lucienne inclinou a cabeça, surpresa processando as palavras dela. "O Senhor Poseidon pediu que você fosse morar com ele?"

 

"Sim," respondeu Briely, brincando com a pulseira de concha em seu pulso, sem perceber o gesto.

 

Lucienne observou o movimento, os olhos fixando-se na pequena concha.A senhorita não  tinha isso antes.

Ela pensou consigo mesma "o Mestre Morpheus certamente não deve ter ficado feliz ao ouvir essa proposta."Mas, ela manteve o seu  pensamento sobre isso para si. Em vez disso, ela perguntou. "Essa pulseira... Senhorita foi um presente do Lorde Morpheus?"

 

Briely balançou a cabeça, passando os dedos pela concha com carinho. "Não, foi um presente do meu pai." Ela sorriu levemente. "É lindo, né?"

 

"Sim, é muito bonito," concordou Lucienne.franzindo o cenho de leve enquanto sentia uma pequena energia emanando da concha, algo que a deixou inquieta. "Mas... há algo de especial nisso, não é minha senhora?"

Briely assentiu, ainda sorrindo. "Meu pai disse que, se eu precisar de ajuda, basta quebrar a concha. "Isso me transportará até onde ele estiver. É como um... pedido de socorro, eu acho."

Lucienne ficou visivelmente tensa, embora tentasse disfarçar.  "O Lorde Morpheus sabe sobre essa pulseira?"

 

"Não," respondeu Briely, alheia à preocupação da bibliotecária. "Ainda não contei pra ele."

Lucienne engoliu em seco, com os pensamentos acelerando.

Se Morpheus descobrisse sobre isso, a primeira coisa que ele  faria seria se livrar da pulseira.

E se Briely decidisse deixar o Sonhar para morar com Poseidon na Atlântida...

Ela nem queria imaginar a reação do Mestre.   A possessividade dele era algo que ela conhecia bem, mesmo que raramente falasse sobre isso.

Mudando de tom para não alarmá-la, Lucienne se levantou. "Estarei na biblioteca caso precise de algo, minha senhora." "Por favor, tome o remédio para se sentir melhor."

"E o Lorde Morpheus pediu que eu a avisasse" "Ele está na sala do trono se você quiser vê-lo. Ele Também disse que passará mais tarde para verificar como você está."

 

"Obrigada, Lucienne," Disse Briely.

Lucienne fez uma leve reverência antes de sair, deixando Briely sozinha no quarto. Sentindo-se um pouco mais disposta, ela decidiu se levantar para tomar um banho.

A água morna ajudou a aliviar a tensão em seus músculos, embora o enjoo ainda fizesse sua cabeça girar de leve.

Depois, ela vestiu um Vestido rosa claro  que encontrou no armário, o tecido leve e confortável contra sua pele.

Ela Sentou-se na cama novamente e encarou o frasco de remédio que Lucienne trouxe.

A cor verde não era nada convidativa, quase parecendo algo tóxico, mas ela sabia que precisava tomá-lo. Com uma careta, ela engoliu o líquido de uma vez, o gosto amargo e terrível quase a fazendo engasgar.

"Ugh, mais que nojo," ela murmurou, estremecendo. Ela Deitou-se sobre os travesseiros macios, fechando os olhos por um momento.

Aos poucos, a sua dor de cabeça começou a diminuir, assim como o seu  enjoo.

Quando ela se Sentiu um pouco melhor, alcançou a bandeja que Lucienne trouxera e pegou algo para comer, um pedaço de pão e algumas frutas. Mastigando devagar, com os pensamentos vagando sobre o jantar enquanto encarava o teto.

Sua mente voltou aos deuses gregos. Eles eram tão diferentes dos deuses de seu universo.

Zeus  o próprio Zeus! disse que ela era bem-vinda entre eles.

E seu pai, Poseidon, bem... a contraparte do seu  pai , a convidou para ir morar com ele.

Isso era algo que seu pai verdadeiro nunca fez.

A tristeza apertou seu peito ao pensar nisso.

"Por que ela tinha a estranha sensação, de que em uma noite,  ela parecia ser mais valorizada pelos deuses daqui do que os deuses do seu próprio universo?"

"Eles a trataram bem, era como se ela já fosse da família, e eles fizeram isso sem realmente conhecê-la, um constrate bastante diferente do os deuses do seu universo."

"Principalmente o morpheus... Ele realmente se importa comigo."

Ela brincou distraidamente com a pulseira de concha.Com Os olhos perdidos em pensamentos.

Talvez ela devesse considerar a proposta de Poseidon?

"Mas o Morpheus está certo, é se eles realmente descobrirem sobre ela ser de outro universo?"

Ele se importa muito, e às vezes ele  até exagera.

Será que ele ficaria magoado se ela decidisse ir visitar o Poseidon e até  ficar alguns dias lá com ele?

 

Ela Suspirou, sem saber o que fazer, enquanto o peso de suas decisões ainda pairava no ar. Por agora, ela só queria descansar um pouco mais, e deixar a ressaca passar.

 

 

 


 

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A sala do trono do Sonhar agora totalmente reconstruída, era imponente, com seus degraus de mármore e um trono esculpido em obsidiana.

E o Morpheus, estava sentado ali, com um livro antigo repousando em suas mãos.

As páginas eram amareladas e o cheiro de pergaminho velho preenchiam o ar, mas sua mente não estava realmente nas palavras.

Embora os Seus olhos,  encarasse o texto mais  sem realmente lê-lo.

Em vez disso, flashes da noite anterior inundavam seus pensamentos.

O jantar com os deuses gregos, e, acima de tudo, Briely. O modo como ela ria, como seus olhos brilhavam sob a luz dourada do salão, e, é claro.O momento em que ele perdeu o controle com ela.

Quando ele a  beijou, as palavras dela, confessando que amava outro, aquele garoto. O nome dele  ecoava em sua mente como um espinho cravado, irritante e persistente.

 

Ele cerrou a mandíbula, os dedos apertando as bordas do livro com mais força do que o necessário. Antes que pudesse se afundar ainda mais em seus pensamentos, uma batida leve na porta o tirou de seu transe.

 

"Entre," disse ele, a voz grave e controlada, como sempre.

Lucienne entrou, os passos silenciosos contra o chão polido. Sua expressão era neutra, mas seus olhos atrás dos óculos redondos carregavam uma preocupação sutil.

"Mestre, já entreguei o remédio e o chá para a senhora Briely," Informou ela, parando a alguns metros do trono.

 

Morpheus ergueu o olhar do livro, fechando-o suavemente e colocando-o de lado."E Como ela está se sentindo?" Ele a perguntou.

"Ela Está com uma ressaca considerável majestade, mas o remédio deve ajudá-la a melhorar em breve," Respondeu a bibliotecária, ajustando os óculos. "Ela dormiu por muitas horas, o que também é bom para a recuperação."

Ele assentiu, um breve aceno de cabeça. "Obrigado, Lucienne."

Ela hesitou por um momento antes de falar novamente, com o tom cauteloso. "Mestre, se me permite... está tudo bem com o senhor?"

"Desde o jantar de ontem, você parece... distante. " "Não quero ser invasiva, apenas me preocupo."

 

Morpheus a encarou, os olhos estreitando-se por um segundo. Ele não estava acostumado a ser questionado, nem mesmo por alguém tão leal quanto Lucienne.

Ainda assim, ele  suavizou a expressão, oferecendo um leve sorriso que não chegou aos olhos. "Estou bem, Lucienne. Apenas lembrava de algo. Não há com o que se preocupar."

 

Ela inclinou a cabeça em respeito, reconhecendo que não deveria insistir."Como desejar, Mestre. Estarei na biblioteca se precisar de mim." Com uma pequena reverência, ela se retirou, deixando Morpheus sozinho mais uma vez.

 

Ele voltou ao seu livro, abrindo-o na mesma página de antes, mas sua mente continuava longe. O silêncio da sala do trono era sufocante, e seus pensamentos, inevitavelmente, retornavam para a Briely.

 

 

Enquanto isso, no quarto, Briely começava a se sentir significativamente melhor. O remédio, apesar de seu gosto horrível que ainda parecia impregnado em sua língua, havia feito um milagre.

A dor de cabeça latejante havia desaparecido. o enjoo se reduzira a quase nada, e seu corpo parecia menos pesado.

Ela se levantou da cama, alisando o vestido rosa claro que vestia, e respirou fundo. Ela Ainda sentia uma pontada de vergonha ao pensar na noite anterior.

Ela Não se lembrava de quase nada após o jantar, apenas fragmentos borrados, e isso a deixava nervosa.

 

Saindo do seu  quarto, ela  caminhou pelos corredores do Sonhar, os vitrais coloridos projetando luzes dançantes nas paredes.

No meio do caminho, ela encontrou o Mervyn, carregando uma pilha de ferramentas.

Ele a cumprimentou com um aceno de cabeça."Bom dia, senhorita! Ou melhor, boa tarde, né? Dormiu bem?"

 

Briely riu suavemente, um pouco envergonhada."Boa tarde, Mervyn. Dormi sim, obrigada. E você, como tá?"

 

"Ah, tô bem, só arrumando umas coisas." "Esse castelo não se conserta sozinho, sabe?"Ele riu, ajustando a pilha de ferramentas nos braços. "Se precisar de algo senhorita, é só chamar."

 

"Obrigada," disse ela, sorrindo antes de continuar seu caminho.

 

Chegando à sala do trono, Briely hesitou por um momento na entrada.

A porta estava entreaberta, e ela pôde ver Morpheus sentado em seu trono, com um livro nas mãos, e seu olhar fixo nas páginas. 

Ela não conseguia ler o título do livro ou qualquer palavra escrita na capa (as letras pareciam se embaralhar diante de seus olhos, como sempre acontecia por causa de sua dislexia.)

Pigarreando suavemente, ela chamou a atenção dele. "Ei," disse ela, mais baixa do que pretendia.

Morpheus ergueu os olhos imediatamente ao ouvir o som de sua voz. Seus lábios se curvaram em um leve sorriso, quase imperceptível, enquanto ele fechava o livro e o colocava de lado.

Seus olhos, no entanto, fixaram-se na boca de Briely por um momento a mais do que o necessário, lembranças   da noite anterior voltando com força.

Isso quase o fez perder o foco novamente.

"Lucienne me disse que você estava aqui," continuou Briely, alheia aos pensamentos dele. "Eu não queria interromper sua leitura."

"Não se preocupe com isso," respondeu ele. se levantando do trono, descendo os degraus até ela.

Ao se aproximar, ele sorriu de leve, com os olhos ainda a fixos nela.

"Você está bem?"perguntou ela, franzindo o cenho ao notar o olhar distante dele por um instante.

 

Morpheus piscou, voltando ao presente. "Sim, estou bem. Apenas pensando em algo."

Ele fez uma pausa, estudando o rosto dela. "E você? Recuperou-se totalmente?"

 

"Sim," respondeu Briely "O remédio foi horrível, sério, Mas funcionou rápido. Já tô bem melhor."

 

"Estou mais tranquilo sabendo disso," disse ele, com o tom genuíno.Então, com um leve tom de curiosidade, ele acrescentou: "E da noite anterior... você se lembra de algo?"

Briely franziu o cenho," hum... Eu lembro do jantar, de conversar com os deuses... e que me despedi do meu pai e dos outros. Mas depois disso, tá tudo meio borrado."

Ela deu de ombros, um pouco envergonhada. "Por quê? Aconteceu algo que eu deveria lembrar?"

Morpheus assentiu lentamente.

Ela não lembrava que ele a beijou, nem mesmo de sua confissão pra ela ou sobre  sobre ela dizer que amava aquele garoto.

Era melhor assim, talvez.

"Nada importante," respondeu ele, com a voz neutra. Ele gesticulou para os degraus do trono."Venha, sente-se comigo."

Ela o seguiu, sentando-se ao lado dele nos degraus.Enquanto ajustava o vestido sobre as pernas, as mãos repousando no tecido, Morpheus notou algo em seu pulso. Algo que ela não tinha antes.

Uma pulseira, com uma pequena concha pendurada, emanando uma aura que ele reconheceu imediatamente. Poseidon.

Seus olhos se estreitaram, e uma ruga de descontentamento formou-se entre suas sobrancelhas.

 

"Isso foi o que Poseidon deu a você, não foi?"Perguntou ele, com  o tom cuidadosamente controlado, mas com um traço de tensão.

 

Briely olhou para a pulseira, um leve sorriso tocando seus lábios. "Sim, foi um presente dele." "Quando estávamos indo embora ele me deu. É lindo, né?"

"Posso vê-lo de perto?" pediu ele, estendendo a mão. "Sinto a aura de Poseidon na concha."

"Pode ser perigoso. Eu só quero examiná-lo, para ter certeza de que não vai machucá-la."

 

Ela franziu o cenho, segurando o pulso de forma bastante protetora. "Não vai me machucar. Ele disse que é só uma forma de me conectar a ele, caso eu precise de ajuda."

 

Morpheus inclinou a cabeça,os olhos escurecendo por um instante, embora ele mantivesse a calma na superfície.

"Você não pode ter certeza disso, Briely." "Você so conheceu ontem. Como pode confiar nele tão rápido?"

 

"Eu sei que não vai me machucar," insistiu ela firmemente."Isso é so um presente, Eu confio nele."

 

A raiva borbulhou dentro de Morpheus, mas ele a conteve com maestria. Como ela podia defender o Poseidon depois de passar tão pouco tempo com ele?

Ainda assim, ele não demonstrou a sua frustração."Só quero protegê-la Briely." "Isso é tudo o que me importa."

 

Briely sorriu suavemente, tocando a concha com carinho. "Eu sei. Mas confie em mim, tá bem? Isso não vai me fazer mal."

 

Ele suspirou, percebendo que ela não cederia tão facilmente.

Ela Era teimosa, e isso o irritava tanto quanto o intrigava. Era isso que o fez se apaixonar por ela afinal.

Ele Decidiu que examinaria a pulseira mais tarde, quando ela estivesse dormindo ou distraída.

Por agora, ele mudou de assunto. "E quanto aos deuses gregos? Gostou do jantar?"

 

O rosto de Briely se iluminou. "Sim, muito! Eles foram tão amigáveis. Nunca pensei que eles  pudessem ser tão receptivos comigo."

"Me senti em casa lá."

 

Morpheus assentiu, incentivando-a a continuar, embora por dentro sentisse um aperto crescente.

"E eu tava pensando..."Ela hesitou por um momento, mas então sorriu, os olhos brilhando de empolgação. "Será que você poderia me levar lá de novo?"

"Eu queria visitar meu pai, quero dizer o Poseidon, quem sabe em breve."

"E quem sabe visitar o Apolo também, ele foi tão legal comigo."

 

O mundo pareceu congelar para Morpheus. Sua expressão permaneceu impassível, mas por dentro, uma tempestade já se formava. "Não," disse ele, com a voz cortante, mas controlada.

 

Briely piscou, confusa."Não? Por que não?"

"Não é seguro que você os visite tão cedo. Pelo menos por enquanto,"Respondeu ele, os olhos fixos nos dela, tentando transmitir a gravidade da situação. "É melhor que você fique aqui comigo."

"Caso alguém descubra sobre sua origem... eles podem querer matá-la briely. Não podemos arriscar."

 

Ela franziu o cenho, a confusão se misturando com preocupação. “Eles não vão descobrir, vão?"

 

"Apollo tem o dom de detectar mentiras," disse Morpheus,"Ele sabe que mentimos sobre sua idade e sua origem ontem à noite.

"É melhor que você fique longe dele, e de qualquer grego, por enquanto."

 

Briely o encarou, surpresa por isso." E Você sabia disso? Por que não falou nada ontem?"

 

"Eu sabia que Apollo não comentaria nada, na frente dos outros. Não naquela noite," respondeu ele calmante. Vendo a preocupação crescer no rosto dela, ele apertou sua mão de leve, oferecendo um conforto calculado.

"Isso é sério, Briely." "É por isso que você precisa permanecer aqui comigo no sonhar." "Aqui você estará segura. Eu garanto isso."

 

Ela o olhou por um longo momento, os olhos buscando algo nos dele.Então, ela assentiu lentamente.dizendo "Eu confio em você."

 

Morpheus sorriu internamente, satisfeito. Ela havia abandonado, pelo menos por enquanto, a ideia de visitar os gregos.

A mentira sobre o Apollo foi algo que ele disse com base nas histórias humanas, mas não era  necessariamente verdadeira. "Fique tranquila" disse ele, suavemente. "Vamos nos distrair com outra coisa."

"Que tal irmos a biblioteca um pouco?"

 

Briely assentiu, um leve sorriso voltando ao seu rosto. Ele se levantou, oferecendo a mão para ajudá-la, e os dois começaram a caminhar pelos corredores do Sonhar.

Enquanto andavam, Morpheus notou que ela, inconscientemente, se aproximava mais dele. seus passos quase em sincronia com os seus.

Um sorriso secreto curvou seus lábiosO medo que ele plantou nela  sobre os deuses gregos descobrirem a sua origem havia surtido efeito.

Era uma mentira, é claro eles não a matariam, mas ela não precisava saber disso.

O importante era mantê-la perto, sob sua proteção... e seu controle.

 

Ao chegarem à biblioteca. Matthew,  voou em direção a eles, suas asas  batendo alegremente. "E aí, pessoal! Bom ver vocês por aqui!" crocitou ele, pousando em uma estante próxima.

 

Lucienne, que organizava alguns volumes em uma mesa próxima, ergueu o olhar e fez uma leve reverência. "Mestre, senhorita Briely. Bem-vindos."

 

"Temos algo a conversar, Lucienne," disse Morpheus, voltando-se para a bibliotecária.

Então, olhando para Briely, ele acrescentou. "Já volto. Escolha algo para ler, se quiser."

 

Briely assentiu, e Matthew aproveitou para acompanhá-la. "Vem comigo, senhorita! Vou te mostrar as melhores estantes."

"Aqui tem de tudo, sabia? Histórias de amor, batalhas, dragões, o que você quiser!"

 

Ela riu suavemente, seguindo o corvo enquanto passeava pelos corredores de prateleiras que pareciam não ter fim.

Seus olhos brilhavam com a quantidade de livros, mesmo sabendo que não conseguiria lê-los sozinha.

Chegando a uma mesa onde havia papéis em branco e lápis, ela decidiu se sentar.ela Pegou um lápis e começou a desenhar, traçando linhas delicadas enquanto Matthew continuava a tagarelar ao seu lado.

 

"Então, tem um livro aqui sobre um cara que enfrenta um dragão de três cabeças. Bem louco, né? Quer que eu pegue pra você Minha senhora ? " perguntou o corvo, inclinando a cabeça.

 

Briely sorriu, sem erguer os olhos do desenho."Não, valeu, Matthew. Mais... Tô bem assim por enquanto."

 

Ele observou o papel, vendo as formas tomando vida sob o traço dela. "Ei, nossa você desenha bem mesmo! Quem são esses dois?"

 

Ela hesitou por um momento com a pergunta dele, olhando para o desenho de sua mãe e seu irmão, os traços familiares trazendo uma pontada de saudade.

"São... pessoas importantes pra mim," disse ela, com um tom que indicava que ela não queria se aprofundar no assunto.

 

Mathew assentiu, respeitando o limite. "Entendi. Bom, você tem um talento incrível, sabia? Mas se não tá afim de ler, posso ler pra você."

"Que tal? Aqui na biblioteca tem de tudo. Até histórias que nunca foram escritas, Escolha um, qualquer um!"

 

Briely mordeu o lábio, a vergonha subindo ao rosto enquanto olhava para as estantes.

As palavras nos títulos dos livros pareciam dançar e se embaralhar, impossíveis de decifrar. "Hm... eu não sou muito fã de ler," ela confessou, tentando disfarçar.

 

Mathew inclinou a cabeça, preocupado. "Senhorita? Tá tudo bem?"

 

Ela hesitou, os dedos brincando nervosamente com o lápis. Então, com um suspiro, ela decidiu ser honesta com ele. "Eu... eu tenho dislexia. É difícil pra mim ler. As palavras meio que... não fazem sentido."

 

O corvo piscou, surpreso com isso, mas logo assentiu com compreensão. "Ah, entendi. Sem problema, senhorita. A gente dá um jeito. Posso pegar um livro e ler pra você, se quiser."

 

Nesse momento, Morpheus, ouviu e viu tudo através dos olhos de Matthew

Um truque que raramente usava, mas não hesitava quando se tratava dela. Ele terminou sua conversa com Lucienne rapidamente e caminhou em direção a eles.

Matthew o cumprimentou com um aceno de asa."Chefe! Eu tava só conversando com a senhorita aqui." "Vamos ler juntos outra hora, tá bem, Bri?"

 

"Claro, Matthew. Valeu,"Respondeu ela, sorrindo enquanto o corvo logo afastava.

 

Morpheus se aproximou, segurando um livro que pegara em uma das estantes.

Ele Sentou-se ao lado dela, colocando o volume à sua frente. "Que tal esse? É sobre a história dos Perpétuos," disse ele.

"Quer ler  junto comigo?"

 

Briely hesitou, as bochechas corando levemente de vergonha. Ela olhou para o livro, as letras na capa tão indecifráveis quanto sempre.

"Eu... eu tenho dislexia morpheus," ela admitiu, em  voz baixa. "Meu cérebro é tipo... programado pro grego antigo, sabe? Ler é um pouco difícil pra mim."

 

Morpheus a encarou, os olhos suavizando. "Por que não me disse antes?" Ele a Perguntou gentilmente, sem qualquer traço de julgamento.

 

Ela deu de ombros, evitando o olhar dele. "Eu... não sei. Fiquei com vergonha, eu acho." "É por isso que não quis ler sozinha, quando você tava me explicando sobre os deuses gregos."

 

"Está tudo bem," assegurou ele, com a voz calma, quase reconfortante. "Não há motivo pra se envergonhar disso comigo."

Ele abriu o livro, os dedos deslizando pelas páginas até encontrar o início do texto. "Vou ler para você."

 

Briely sorriu, um pouco mais aliviada, e se acomodou ao lado dele.

Morpheus começou a ler, sua voz grave e melodiosa enchendo o ar da biblioteca enquanto ele contava histórias antigas sobre os Perpétuos

Sua origem, seus papéis no universo. Ela ouvia atentamente, o interrompendo de vez em quando com perguntas curiosas.

 

"Então, a Morte... A sua irmã ela é mesmo tão gentil assim como você descreve?" Perguntou Briely, os olhos brilhando de interesse.

 

Morpheus sorriu de leve, parando a leitura por um momento. "Sim, de um jeito que pode surpreender. Ela entende a dor da perda como ninguém." "Mas também pode ser implacável quando necessário."

As horas passaram sem que nenhum dos dois percebesse, o silêncio da biblioteca apenas quebrado pela voz de Morpheus e pelas perguntas de Briely.

De longe, Lucienne os observava, ajustando os óculos.

Lucienne sabia que não deveria se envolver, e nem falar nada, ela sabia a onde aquela conexão entre os dois levaria a senhorita eventualmente.  Por agora, porém, ela apenas voltou aos seus livros, deixando-os a sós.

 

 

Alguns dias se passaram desde o momento na biblioteca. e Morpheus decidiu que era hora de tirar Briely do ambiente  do Sonhar por um tempo.

Ele a levou ao mundo desperto, a um parque silencioso em um canto tranquilo de uma cidade. As árvores balançavam sob uma brisa suave, e o som distante de risadas infantis misturava-se ao farfalhar das folhas.

Morpheus caminhava devagar, a mão segurando a dela com firmeza, quase como se temesse soltá-la alí.

Sua presença, parecia contrastar com o ambiente mundano ao redor, mas havia algo de sereno em seus passos, como se ali, naquele momento, ele pudesse fingir ser apenas mais um entre os mortais.

Briely, ao seu lado, seguia com os olhos atentos, absorvendo cada detalhe, casais rindo enquanto tiravam selfies, idosos caminhando com passos lentos, crianças correndo pelo gramado com gritos de alegria.

 

Eles se sentaram em um banco de madeira desgastado, e Morpheus puxou um pequeno saco de grãos do bolso de seu casaco preto um gesto tão humano e inesperado que Briely não pôde evitar um sorriso.

Ele jogava os grãos no chão com precisão, observando um bando de pombos que se dispersava e retornava, bicando avidamente.

Briely pegou alguns grãos também, imitando-o, rindo baixinho quando um pombo mais ousado quase pegou o grão de sua mão.

 

"Olha só, eles não têm medo de nada," disse ela, divertida, jogando mais alguns grãos.

 

Morpheus a observou, os olhos intensos fixos nela por um momento a mais do que o necessário. "Nem todos têm medo do que não conhecem," respondeu ele.

 

Enquanto alimentavam os pombos, Briely virou o rosto para observar as pessoas ao seu redor.

Um sorriso suave surgiu em seus lábios quando uma pequena garotinha, de não mais que quatro anos, a encarou com olhos curiosos, e acenou timidamente pra ela com a mãozinha gordinha.

Briely acenou de volta, inclinando-se um pouco para frente.

"Oi, pequena"ela murmurou, a voz cheia de ternura.

A criança sorriu, correu de volta pra sua mãe.

Morpheus, ao ver a interação, sentiu algo apertar em seu peito.

A imagem se formou na cabeça dele sem pedir licença: Briely com uma barriga arredondada, um filho deles correndo pelo Sonhar com os olhos dela e o cabelo dele.com  Outro atrás.

Talvez uma menina. Ele quase conseguia ouvir as risadas dela.

O pensamento o pegou desprevenido no momento, mas ele não o rejeitou.

Ele Queria isso. Queria-a de um jeito que não conseguia mais ignorar.

"Está um dia ótimo, não acha?" disse Briely, tirando-o de seus devaneios.

Ela estava olhando para o céu, o sol tocando sua pele de um jeito que parecia destacar cada traço que ele já memorizou.

 

"Sim," respondeu ele, com a a voz mais baixa do que o usual, os olhos demorando-se nela, absorvendo cada detalhe. Ele não conseguia desviar o olhar dela, não queria.

"Você gosta de crianças?"constatou ele 

Ela deu de ombros, ainda sorrindo pros pombos.“Gosto. Elas São sinceras. Não mentem sobre o que sentem.”

"Já pensou em ter as suas? em ser mãe?" A pergunta dele saiu mais direta do que ele pretendia.

Briely piscou, surpresa com a pergunta dele. Ela riu, jogando mais um punhado de grãos no chão.

"Um dia, talvez” ela respondeu, meio sem graça com o assunto repentino. “Eu Ainda nem sei se vou viver o bastante pra isso, né?”

 

“Não penso muito nisso, Talvez no futuro." "Quem sabe" Ela deu de ombros. Sem perceber a intensidade com que ele a encarava.

Ele não riu. Só inclinou a cabeça. “Você vai viver o bastante” ele disse, com uma certeza, que parecia bem estranha pra ela.  “Eu garanto.”

Houve um Silêncio depois que ele disse isso. Só tinha o barulho dos pombos e das crianças ao fundo.

"E quanto a se casar? Ter uma família?" Continuou ele, sem deixar o assunto de lado,inclinando-se levemente na direção dela, como se cada palavra que ela dissesse agora fosse essencial para sua própria existência.

Ela hesitou, o rosto corando um pouco. "Já pensei algumas vezes, mas não tanto assim."

"Quer dizer, é algo distante, né?" Sua mente, por um breve momento, voltou a Luke. Mas ele estava morto.

Já que eles estavam falando sobre esse assunto, ela decidiu fazer o assunto voltar pra ele, perguntando sobre ele.  "E você? Já casou alguma vez?"

Morpheus ergueu uma sobrancelha, um leve sorriso curvando seus lábios ao notar a curiosidade genuína nos olhos dela. "Sim, eu me casei uma vez. E tive um filho."

"Sério?" Os olhos dela se arregalaram, e ela inclinou a cabeça. Com aquela expressão que ele achava adorável 

A surpresa misturada com uma inocência que o desarmava.

“Eu nunca imaginei você… casado.”

Ele riu baixo. "Há muito sobre mim que você ainda não sabe, Briely."

Mas por dentro, sua mente estava em outro lugar.

Como ele poderia conquistá-la?

Como fazer com que ela o visse da forma como ele a via?

Ele não suportaria uma rejeição dela; a ideia o corroía como um veneno.

Era melhor, muito melhor, que ela se apaixonasse por ele antes que ele se declarasse, antes que ele decidisse e a  pedisse em algo tão definitivo quanto um casamento.

Mas seus esforços até então pareciam em vãos.

Mesmo agora, perguntando sobre filhos e casamento, ele não conseguiu uma resposta clara, ele não conseguiu sentir que ela o desejava da mesma forma.

Ele sabia que Ela o via apenas como um amigo, um protetor talvez, e não como ele realmente queria.

Mais ele tinha esperança.

Ele queria que ela o amasse, que o quisesse com a mesma intensidade que ele sentia por ela.

Esse pensamento o atormentava, cavando um buraco em seu peito.

 

Antes que pudesse se afundar mais em seus próprios devaneios.

uma voz familiar soou atrás deles. "Interessante... o Senhor dos Sonhos, sentado num parque, alimentando pombos." "E com uma linda companhia. Isso é novo."

 

Morpheus ergueu os olhos imediatamente, reconhecendo a presença antes mesmo de vê-la.

A sua irmã Morte estava ali, ela tinha os cabelos escuros caindo sobre os ombros, o sorriso sereno iluminado pela luz do sol que parecia envolvê-la. Um colar prateado reluzia suavemente contra sua pele, o ankh pendurado como um lembrete de quem ela era.

Ela os cumprimentou com um aceno leve, o olhar dançando entre o irmão e a jovem ao lado dele.

Havia algo diferente em Morpheus, uma tensão silenciosa que ela e Claro percebeu, mas não comentou, ela  apenas inclina a cabeça com curiosidade para Briely.

"Veio me visitar, irmã?"Perguntou Morpheus, levantando-se lentamente, os últimos grãos caindo de sua mão enquanto os pombos se dispersavam.

"Vim trabalhar,"respondeu Morte com um leve dar de ombros, enfiando as mãos nos bolsos de sua jaqueta preta. Depois, ela inclinou a cabeça, o olhar fixo em Briely.

"E vocês? Querem me acompanhar? Hoje É um dia tranquilo, nada muito pesado."

Morpheus virou-se para Briely, gesticulando com a mão. "Briely, esta é minha irmã, Morte. Morte, esta é Briely."

Briely sorriu timidamente, estendendo a mão. "É um prazer conhecê-la. Ouvi falar de você pelo Morpheus."

Morte apertou a mão dela, o sorriso caloroso contrastando com a essência de sua natureza."O prazer é meu, querida. Você é a nova filha de Poseidon, não é?"

"Ouvi dizer que está morando com meu irmão."

 

"Sim," respondeu Briely, assentindo. "Estou morando com Morpheus no Sonhar agora."

 

Morpheus olhou para Briely, a expressão neutra. "Você quer acompanhar minha irmã?"

"Sim, claro," disse ela, curiosa sobre o trabalho da Morte, mesmo que houvesse um leve nervosismo em seu tom.

"Muito bem," respondeu Morpheus, guiando-a ao lado de sua irmã com um toque leve nas costas.

Sem pressa, eles deixaram o parque para trás, seguindo Morte pelas ruas da cidade.

 

Morte andava na frente, os passos leves e quase dançantes, como se carregasse uma melodia que apenas ela ouvia.

Morpheus e Briely a seguiam lado a lado, a mão dele ocasionalmente roçando a dela, um contato que ele buscava de forma quase inconsciente.

Morte olhou por cima do ombro e piscou para Briely, o gesto carregado de uma leveza que contrastava com sua essência.

"Vamos, o primeiro da lista não está longe."

 

Eles Atravessaram algumas ruas até chegarem a um pequeno prédio antigo, que tinha cheiro de tinta descascada e umidade impregnando o ar.

Eles Subiram as escadas estreitas até um apartamento modesto, cada degrau rangendo sob seus pés.

Lá Dentro, um homem idoso estava sentado numa poltrona, o olhar perdido na janela, uma xícara de chá frio esquecida ao seu lado.Ele se virou quando sentiu algo, como se soubesse da chegada deles.

Morte se aproximou com um sorriso gentil, agachando-se ao seu lado."É hora, querido," disse ela suavemente.

O homem apenas suspirou, um alívio sereno em seu rosto enrugado enquanto seus olhos encontravam os dela. "Eu já sabia que vinha. Obrigado."

 

Briely, ao lado de Morpheus, observou em silêncio, os olhos arregalados.Enquanto a morte fazia o trabalho dela.

Ela apertou a mão dele com força, quase sem perceber.

Não havia dor, apenas uma estranha paz, e a luz fraca da tarde que entrava pela janela parecia suavizar a cena. Quando a alma do homem seguiu Morte por um breve instante antes de desaparecer, Briely se virou para Morpheus, a voz baixa.

"É... lindo e triste ao mesmo tempo."

"Assim é o ciclo," respondeu ele, apertando a mão dela de volta, o tom da voz carregado de uma solenidade antiga, mas seus olhos estavam nela, não na cena.

Eles a seguiram por aí, para outros lugares:  uma jovem em um hospital, pálida e frágil, que sorriu ao ver Morte como se reconhecesse uma velha amiga; e, por fim, uma casa onde Morte levou um bebê, segurando-o nos braços com uma ternura que partiu o coração de Briely.

Ela assistiu, os olhos marejados, enquanto ela  pensava na dor da mãe daquele pequeno bebê.

Uma lágrima escapou, e Morpheus, notando imediatamente, puxou-a para mais perto, o braço envolvendo-a de forma protetora.

 

"Eu estou bem"Murmurou ela, com a voz embargada. "Eu... Só estou pensando na mãe... E em como ela vai se sentir."

Ele passou a mão pelo rosto dela, enxugando a lágrima com o polegar. Então, ele puxou a cabeça dela contra seu peito, impedindo-a de olhar mais." Você Não precisa ver isso," disse ele.

Por dentro, porém, ele pensava em como ela era sensível, como ela  chorava com facilidade, como ela  tinha um coração tão bondoso. 

Isso só o fazia amá-la mais.

Ele queria protegê-la de tudo, possuí-la de um jeito que ninguém mais poderia.

 

Morte os olhou pelo canto do olho, um leve sorriso curvando seus lábios ao ver o irmão tão estranhamente gentil com a garota.

Era algo que ela não comentaria no momento, mas que guardaria na memória.

 

Em algum momento, enquanto esperavam em uma praça entre uma visita e outra, Morte se sentou em um banco e olhou para Briely com um interesse silencioso, brincando com uma folha seca entre os dedos.

"Você tem uma alma, um pouco estranha, maís muito bonita," disse ela de repente, o tom casual, mas sincero. "E você também tem um olhar um tanto curioso sobre o mundo. Isso é raro, querida."

 

Briely corou levemente, sentindo o calor subir ao rosto. "Obrigada," ela espondeu, sorrindo suavemente para Morte.

 

Morpheus, ao lado dela, assentiu. "Ela tem mesmo uma alma linda," acrescentou, os olhos fixos nela com uma intensidade que a fez corar ainda mais. Ele não comentou a parte em que a irmã dele disse que a alma dela e um pouco estranha.

 

"Cuide bem dela, irmão." "Ela é uma jovem adorável,"comentou Morte, sorrindo para ele enquanto se levantava, jogando a folha ao vento com um gesto leve.

 

Eles voltaram ao parque à medida que o sol começava a se inclinar, tingindo o céu com tons dourados e alaranjados, enquanto longas sombras se estendiam pelo gramado.

Morte parou, girou sobre os calcanhares e sorriu para os dois com aquela expressão calorosa que parecia suavizar até o semblante mais sério de Morpheus. "Foi um bom dia," disse ela, com leveza, enquanto o vento agitava seus cabelos.

"Vocês são uma ótima companhia."Ela olhou para o irmão com um toque de seriedade escondido no brilho dos olhos, cruzando os braços de forma casual."Não suma, Sonho."

"E você, Briely, se cuide, tá bom? Vocês dois."

 

Morpheus assentiu com a cabeça, e Morte continuou, olhando para Briely. "Espero vê-la no próximo jantar de família, querida."

"Estarei te esperando."

 

Briely riu suavemente, sem perceber o duplo sentido nas palavras de Morte. Para ela, soava como um convite divertido e informal. "Vou adorar ir," respondeu, inclinando a cabeça com um sorriso tímido.

 

Morpheus, no entanto, entendeu perfeitamente. Ele sorriu para a irmã, a expressão impassível, mas com um brilho de reconhecimento."Irei levá-la comigo no próximo jantar," disse ele, com a voz firme.

 

"Até breve, Bri," Disse Morte, piscando para Briely antes de desaparecer entre os transeuntes, sumindo como um sopro de vento.

 

Por alguns segundos, o silêncio reinou entre eles. Morpheus continuou olhando o vazio onde a irmã estivera, o rosto impassível, mas com um brilho de reflexão em seus olhos.

Sua irmã o conhecia bem demais.

Ela aprovava Briely, aceitava-a na família deles de uma forma que ele não esperava, mas que o enchia de uma satisfação profunda.

Só faltava Briely.

Maís Isso seria só uma questão de tempo, ele se convencia disso.

Ele a teria.

E ela o amaria também não importava quanto tempo levasse.

Virando-se para ela, ele segurou sua mão com firmeza. "Vamos" disse ele, começando a andar.

Em sua mente ele pensava.

Em breve.

Ela seria dele, ela o amaria como ele a amava.

e nada e  nem ninguém, definitivamente, o impediria de alcançar isso.

Chapter 8: Morpheus Segura Minha Mão o Dia Todo e Eu Acho Fofo (Erro Meu)

Notes:

Capítulo editado.

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

    

 

 

Quando eles saíram do parque, já era tarde. O crepúsculo havia dado lugar a um céu de tons profundos, e as luzes da cidade começavam a brilhar.

Morpheus caminhou ao lado de Briely, sua mão envolvendo a dela. Com uma naturalidade que esconde a intensidade de sua obsessão.

Ele não soltava, não queria soltar.Cada toque, por mais casual que parecesse, era uma reivindicação silenciosa.

 

"Vamos a um lugar," disse ele,  "Quero que conheça um velho amigo meu."

 

Briely levanta uma sobrancelha, um sorriso curioso nos lábios. "Velho amigo? Quem é? Você mal tem amigos."

 

Ele lançou-lhe um olhar de canto, um traço de humor dançando em seus lábios. "Poucos. Este é um dos mais antigos."

 

Eles caminharam por algumas ruas, o silêncio entre eles confortáveis ​​para ela, mas carregados de pensamentos para ele.

Chegaram a uma taberna antiga, com paredes de tijolos escuros e claramente abandonadas.

Morpheus parou diante da porta e o empurrou, apenas para encontrar a trancada. Briely riu baixinho, o som leve cortando o ar."Esqueceu que o mundo muda, Morpheus?"

 

Ele inclinou a cabeça, sua expressão impassível"Alguns lugares deveriam permanecer eternos." respondeu ele, sem emoção.

Ele Virou-se para ela, apontando para a rua com um gesto elegante."Venha, ele deve estar em outro lugar."

Ele Seguiram até uma pequena cafeteria moderna e iluminada, o aroma de café fresco impregnando o ar. Lá dentro, em uma das mesas, um homem de aparência comum, mas com um olhar caloroso e curiosamente atemporal, os cumprimentou.

Hob Gadling.

Imortal por escolha de Morte e, indiretamente, por interesse de Morpheus.

 

"Você está atrasado, Sonho," disse Hob, o tom brincalhão." "Cem anos e alguns minutos... estou surpreso.”

“E dessa vez você até trouxe um companhia. Olá, senhorita."

 

Morfeu sentou-se com sua postura habitual, mas elegante, enquanto Briely se acomodava ao lado dele. "Acho que te devo desculpas", respondeu Morpheus."Sempre ouvi dizer que não é educado deixar um amigo esperando."

Ele gesticulou entre eles. "Hob, este é Briely." "Briely, este é Hob Gadling."

Hob a cumprimentou com um aperto de mão firme, um sorriso genuíno no rosto.

"Então, você é o Hob? Morpheus já me falou sobre você." "É um prazer conhecê-lo," Disse ela, sorrindo.

 

"Igualmente", respondeu Hob, recostando-se na cadeira, os olhos brilhando com curiosidade. "Estou um pouco surpreso por Morpheus trazer companhia."

Ele notou o olhar de Morpheus sobre Briely, um olhar que ele, com todos os seus séculos de vida, consideraria em qualquer lugar: apaixonado, possessivo.

"Então Você é realmente imortal?" Pergunta ela, inclinando-se para frente, os olhos cheios de perguntas.

 

Hob riu, um som rouco e genuíno."Sim, vivi mais do que deveria, digamos assim."

 

Ela contínua, incapaz de conter sua curiosidade. "Você também viu guerras, reis e reinos que  caíram?" "Como é viver tanto tempo sem cansar?"

 

Hob respondeu com humor, claramente divertido com uma enxurrada de perguntas."Oh, eu vi de tudo um pouco. Guerras, sim. Reis, sim. E quanto a cansar..."

"Bem, há dias que pesam mais que outros, mas a vida tem seus encantos."

"Você sempre aprende a encontrar novos motivos para continuar."

 

Morpheus os observava, uma mão apoiada sobre a mesa, a outra repousando discretamente sobre a de Briely, os dedos entrelaçados como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Hob notou, é claro, e um brilho de compreensão cruzou seus olhos.

Quando Briely  foi  ao banheiro, deixando-os sozinhos por um momento.

Hob não perdeu tempo.

"Então, como você conheceu essa adorável moça?" Ele Perguntou, inclinando-se para frente, com uma curiosidade evidente.

Morpheus olhou para a mesa, os olhos fixos em um ponto inexistente."Ela é uma convidada minha no Sonhar." "E, como você, ela é... singular."

 

"E vocês dois..." Hob levantou uma sobrancelha, com um sorriso malicioso nos lábios."Nunca te vi assim, meu amigo." "E Pelo jeito que você olha pra ela, qualquer idiota saberia que  você está apaixonado.

"Não me diga que ainda não aconteceu nada entre vocês."

 

"Não", respondeu Morpheus."Ainda não. Mas isso mudará em breve."

 

Hob riu baixo, balançando a cabeça."Eu sabia. Você realmente a ama."

"Nunca imaginei que veria o Senhor dos Sonhos rendido.” "Escute, não perca tempo."

"Diga logo a ela o que sente. A vida é curta, não pra alguém como você."

"Mais pra ela é, Se você acabar esperando demais, alguém pode chegar antes.”

“Ou pior, algo pode acontecer com ela, e você nunca terá a chance."

"Seja arrojado, meu amigo. Conquiste-a, peça-a em casamento, em namoro se for isso que quer.”

“Não deixe o orgulho ou a hesitação te pararem."

"Mulheres como ela não aparecem todo dia, é nem mesmo em séculos."

 

As palavras de Hob, destinadas a encorajar, tiveram um efeito mais profundo e sombrio em Morpheus.

Ele não precisa de incentivo para sentir a urgência; ele já sentiu.

Mas o conselho do amigo apenas atiçou sua obsessão.

Inflamando a ideia de que ele realmente deveria agir  rápido, antes que qualquer coisa ou qualquer um pudesse intervir entre eles. E separala dele.

Casamento, sim.

Ele a queria como esposa, como sua, de forma irrevogável.

O pensamento pulsava em sua mente, com uma determinação fria e absoluta.

Ele sabia que não poderia se conter por muito mais tempo.

 

A conversa entre os dois contínua, mas Morpheus estava parcialmente ausente, perdido nos seus planos, até que Briely voltou.

Ela se sentou novamente ao lado dele, e o cheiro suave do seu perfume logo estavam invadindo os sentidos dele de uma forma que ele não poderia ignorar.

Hob  pergunta para ela. "Não quer comer algo senhorita? Aqui tem um café delicioso e alguns bolos que você pode gostar."

"Ah, sim, por que não?" respondeu ela entusiasmadamente, escolhendo um bolo de chocolate da vitrine.

Enquanto ela mordia um pedaço, a conversa fluiu entre os três, com Hob contando algumas histórias de tempos antigos e Briely o fazendo mais perguntas, sobre a sua vida imortal, encantada com cada detalhe.

Morpheus, por sua vez, falava pouco, mas seus olhos nunca deixavam Briely, absorvendo cada gesto, cada sorriso, cada palavra.

 

Quando eles saíram da cafeteria, a noite já havia caído sobre a cidade.

As luzes dos postes lançavam um brilho amarelado sobre a calçada molhada pela chuva fina que caíra mais cedo.

O ar tinha aquele cheiro fresco de terra e café, Briely caminhava entre os dois homens, ainda encantada com as histórias que ouvira.

 

Hob, com mãos nos bolsos e um sorriso nos lábios, olhou para ela com curiosidade. “Você me fez mais perguntas em uma hora do que muitas em uma vida inteira”, comentou ele, divertido.

 

Briely riu, balançando os ombros."Não é todo dia que se conhece alguém que já viu séculos de história acontecendo."

"Eu tive que aproveitar."

 

Morpheus caminhava ao lado dela, atento a cada palavra, cada movimento.

Hob, vendo a forma como o Senhor do Sonhar mantinha os olhos sobre Briely, não resistiu a provocar.

"E você..." Hob parou por um instante, olhando para Morpheus com um ar malicioso. "Diga a ela logo meu amigo, antes que alguém faça isso na sua frente e você se arrependa mais tarde."

Morpheus apenas levantou uma sobrancelha, com o rosto impassível, mas por dentro, o comentário de Hob ecoava como um desafio.

Briely olhou para ele, franzindo o cenho, sem entender o que o Hob queria que o morpheus a contasse. "De quê ele está falando morpheus? Você quer me dizer algo?"

Morpheus não a respondeu de imediato, seus olhos encontrando os dela por um segundo antes de desviarem, ignorando a pergunta  dela.

Hob, percebendo que talvez tivesse ido longe demais, deixou o assunto morrer ali. Ele Voltou-se para Briely com um tom mais leve. "Cuide-se, senhorita. Viver é um presente, mas também um peso às vezes.

"Tenho uma estranha sensação de que seu caminho não será leve."

 

Briely arqueou as sobrancelhas, surpresa com a seriedade repentinamente dele. "Eu me viro bem."

Morpheus interveio, a voz firme, quase possessiva."Ela vai ficar bem. Eu a tenho comigo." "Não precisa se preocupar com ela."

Eles Chegaram a uma esquina, onde as luzes eram mais fracas e as pessoas menos numerosas.

Morpheus parou, fitando Hob com seu olhar."Até na próxima vez, velho amigo."

Hob apertou as  mãos com Morpheus e olhou para Briely com um sorriso gentil. "Espero ver você novamente, Briely, com Morpheus na próxima vez."

"Mas, se não... bem, aproveite cada segundo."

 

Com um último aceno, Hob Continuou seu caminho, desaparecendo na multidão da cidade.

 

Ficaram apenas Briely e Morpheus. Ela olhou para ele, os olhos brilhando sob a luz fraca dos postes. " O seu amigo Hob é interessante."

"Fico feliz que se deram bem," Respondeu ele, a voz grave, mas com um tom de satisfação que escondia uma tempestade de pensamentos em sua mente.

Ele segurou a mão dela, o toque frio e firme entrelaçando seus dedos, como se precisasse desse contato para se ancorar .

O desejo, a obsessão, queimava dentro dele. Ele não poderia esperar muito mais.

Hob estava certo de que ele não poderia arriscar esperar.

Ela seria sua, de qualquer forma .

"Vamos voltar pro Sonhar?" Pergunta ele, os olhos fixos nos dela, um brilho quase predatório neles.

"Vamos", disse ela, e naquele instante o mundo à volta pareceu dissolver-se, a noite da cidade escorrendo como tinta até dar lugar ao céu estrelado do Sonhar.

Mas, enquanto eles atravessavam de volta para seu reino, a única coisa que passava pelos pensamentos de Morpheus e que. 

O seu controle perto dela e a sua  paciência estava se esgotando.

E como ele a queria, precisava dela, e faria o que fosse necessário para que ela entendesse que pertencesse a ele, apenas a ele, para sempre.

 

 

 

 

 

 


 

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Quando eles voltaram ao Sonhar o céu já estava também escurecido, e almejado de estrelas.

Em vez de voltarem ao castelo, Morpheus guiou Briely para a  praia de areias prateadas, uma das muitas paisagens oníricas de seu reino. Uma que ele sabia que era uma das preferidas dela. 

Ele segurava a mão dela enquanto caminhavam, seus passos sincronizados, até que chegavam à margem da água, o som das ondas preenchendo o silêncio da noite.

 

Ele parou, virando-se para ela."Gostou do dia?" Ele a perguntou.

 

Briely sorriu pra ele, com  os olhos brilhando com entusiasmo. "Gostei bastante. Foi incrível conhecer o Hob, ouvir todas aquelas histórias... a cafeteria, o cheiro do café. Tudo."

"Foi um dia perfeito."

 

Ele assentiu, um leve traço de satisfação em seus lábios, enquanto observava falar animadamente. "E a Morte, minha irmã, O que achou dela ?"

Ela riu, caminha ao lado dele enquanto as ondas lambiam a areia perto de seus pés. "Ela é... surpreendente. Gentil de um jeito que eu não esperava. 

"E Hob, meu Deus, ele é como um livro humano de história ambulante." "Como você consegue ter um amigo tão interessante?"

 

Morpheus inclinou a cabeça, um meio sorriso brincando em seus lábios. "Fico feliz que tenha gostado de conhecê-lo." Ele fez uma pausa, apontando para a areia. "Vamos nos sentar?"

 

Ela assente, sentando-se na areia fria e macia ao lado dele, com os olhos fixos na água que refletiam o brilho do céu estrelado.

Por um momento, eles ficaram em silêncio, apenas ouvindo o som das ondas, e o barulho do vento suave que  os envolvia.

Morpheus logo corta o silêncio entre eles. decidindo fazer uma pergunta crucial, afinal que melhor momento que aquele? "Você gosta de morar aqui… comigo?”

Briely virou o rosto, surpresa com a pergunta dele, mas o respondeu com um sorriso genuíno. "Claro que gosto, É o lugar mais lindo que já vi. E todos são tão gentis comigo… Lucienne, Matthew… e principalmente você." "Eu me sinto em casa aqui."

Por dentro, Morpheus sentiu uma onda de prazer ao ouvi-la. Seu reino, sua criação, era algo que ele valorizava profundamente, e ainda por cima, ouvir que ela se sentia em casa ali, ele sentia uma satisfação incrível com isso.

 

Ele inclinou a cabeça, os olhos fixos nela."Fico feliz que se sinta em casa aqui, e que se dê bem com todos.” “É muito importante para mim que você se sinta...inteiramente acolhida."

Ela  sorri simpática, brincando com a areia entre os dedos. "Eu me sinto mesmo. Mais do que em qualquer outro lugar que já estive."

O silêncio que veio depois foi denso após ele ouvir isso. Ele respirou fundo, o coração ou o que equivalia a isso em sua essência, estava batendo com intensidade, algo que ele raramente experimentou nesses Bilhões de anos.

 

Seus olhos brilharam com antecipação, como se a próxima pergunta fosse carregar o peso de mil séculos. E era, a pergunta que ele a faria, era de suma importância pra ele, assim como a resposta dela.

 

"Briely…" ele começou, com a voz mais grave.  "Você gosta de mim?"

Ela congelou um segundo, piscando rápido, surpresa com a pergunta direta dele.

Ela olhou para ele, encontrando aquele olhar dele intenso, fixo nela.

O peso daquele momento era esmagador e a resposta dela poderia mudar tudo.

“O-obviamente que eu gosto de você Morpheus” ela respondeu, meio sem graça, achando que ele estava inseguro. “Por que essa pergunta agora?”

Ao ouvi-la, Ele não respondeu de imediato. Só puxou-a para um abraço repentino, forte demais, com uma firmeza que quase a pegou desprevenida.

Ele Enterrou o rosto no pescoço dela e falou contra a pele dela. Decidindo falar tudo de uma vez, que sentia por ela.  “Eu te amo Briely." "Eu  realmente te amo Muito.” “Muinto Mais do que você consegue entender agora.”

Ela piscou, processando as palavras dele, e uma risadinha leve escapou de seus lábios, achando que era mais uma das intensidades dele enquanto ela retribuía o abraço.

Ela não se tocou e estava pensando, que ele falava de um amor fraterno, de amizade profunda. 

Eu também gosto muito de você” ela disse, retribuindo o abraço dele com carinho. “Você é importante pra mim. Muito.”

“Você é tipo da família pra mim, sabia?”

Ele ficou parado um segundo. Sentindo cada palavra dela como uma faca.

Família... E sério que ela ainda acha que é só isso? 

Mas para Morpheus, aquelas palavras não eram de amizade. Era um eco do que ele sentia, mesmo que ela não entendesse ainda.

Ele a segurou com mais força por um momento, antes de repetir, a voz compartilhada de emoção crua.

"Eu te amo muito mesmo" "E me preocupo com você... mais do que posso expressar."

Ela sorriu contra o ombro dele. "Eu Também me preocupo com você. Muito."

Dentro de sua mente, os pensamentos de Morpheus giravam em um turbilhão.

Ela gosta de mim.

Isso já é suficiente.

Ela pode me amar com o tempo.

Mas ele sabia, no fundo, que não podia esperar mais.

Ele Não queria esperar mais.

Ele inclinou a cabeça, descansando-a no pescoço dela, sentindo o calor de sua pele, o cheiro suave dela que o intoxicava.

Cada respiração dela era um lembrete de sua necessidade, de seu desejo. Não, ele não poderia esperar. Não mais.

"Morpheus, tá tudo bem?"A voz dela o trouxe de volta, cheia de preocupação, enquanto ela sentia a tensão nele. “Você tá… meio diferente hoje.”

Ele a soltou relutantemente. Embora cada fibra de sua essência grite para mantê-la ali, contra ele."Sim. Estou bem"

"Melhor do que estive em bilhões de anos.” ele a Respondeu, com voz baixa, e controlada.

“Você é o melhor amigo que eu podia ter, tá bom? ” ela disse, carinhosa, dando um beijinho rápido na bochecha dele. Fazendo a pele dele formigar com o contato. “Você está Sempre cuidando de mim e se preocupado com o meu bem estar… obrigada por tudo, viu?”

Após isso ela saiu correndo pra água, Ele Apenas a observou em silêncio, os olhos acompanhando cada movimento dela.

Ela se abaixou, tocando a água com as mãos, o vestido se molhando no processo, mas ela não parecia se importar.

Enquanto brincava com a água, ela estava perdida em seus pensamentos sobre o que ele havia dito, sentindo o peso do olhar dele nas costas, um calor que parecia atravessar sua pele.

Usando seus poderes para se distrair, ela criou pequenos peixinhos de água, moldando-os com gestos delicados.

Eles nadavam e giravam alegremente sobre a superfície. Morpheus se mudou de onde estava, parando ao lado dela, com os olhos fixos nas criações dela.

"Isso é incrível,"Murmurou ele, um sorriso genuíno, cruzando seus lábios.

 

Ela riu, encolhendo os ombros, sem perceber o jeito que os olhos dele desciam pelo pescoço dela, pela clavícula, e pelo seu vestido molhado.

"Isso é algo que eu fazia em casa."

Ele se agachou ao lado dela, tão perto que o braço dele roçava o dela. Os olhos ainda nas pequenas formas aquáticas… por um segundo.

Depois se voltaram para ela.

"Você tem um talento raro” disse, em voz baixa, quase um sussurro contra a noite. “Até o mais simples dos seus gestos carrega beleza.”

Ela sorriu, sem captar o flerte estranho dele.

Ela Achou que era só elogio de amigo. 

Ela Continuou concentrada, mordendo o lábio de leve enquanto tentava moldar outras formas.

"Olha isso. Consegui fazer uma concha direitinho. Tá vendo os detalhes?" Ela Ergueu a mão orgulhosa, a concha líquida brilhando entre os dedos.

Ele observou.

Mas seus olhos logo voltaram para o rosto dela, iluminados pelo brilho da água e das estrelas ."Perfeito," disse ele. Mas ele não estava falando da concha. "Você ilumina qualquer escuridão, Briely. Até a minha."

Ela riu, balançando a cabeça."Você é dramático, sabia? Mas acho fofo."

E, num impulso puro num gesto brincalhão, ela  moldou um pequeno orbe de água e o jogou na direção dele.

Acertou em cheio no peito dele.

A água escorreu devagar pelo tecido da roupa dele. Morpheus logo ergueu uma sobrancelha, um tanto divertido com a audácia dela. Mais não era como se ele se importasse.  Um sorriso raro, genuíno e absolutamente perigoso abriu-se no rosto dele.

Briely deu um gritinho, ao ver o sorriso dele e logo saiu correndo tentando escapar em direção à água, rindo sem parar, os pés chapinhando na espuma.“Não vale usar poderes!” gritou ela por cima do ombro.

Ele não respondeu. Só foi atrás dela  Em um movimento fluido, rápido demais pra qualquer ser humano, ele a pegou pela cintura no meio do caminho. E Girou-a no ar como se ela não pesasse nada.

“Aaaah!” Ela gritou de surpresa, e depois caiu na gargalhada novamente, as mãos agarrando os ombros dele por reflexo.

"Isso Não é justo! Você nem me deu tempo pra poder correr!"Exclamou ela, ofegante de tanto rir, enquanto ele a mantinha nos braços.

"Foi você quem começou, me molhando"Retrucou ele, com um tom brincalhão.

Ela revirou os olhos, ainda rindo. "Foi só um respingo! O Senhor dos Sonhos não aguenta um respingo de água?"

Ele Ficou ali, segurando-a suspensa, com  os rostos a centímetros, o mar lambendo os tornozelos dos dois, as coxas dela roçando de leve na dele a cada respiração.

Os olhos dele desceram até os lábios dela, e subiram de novo.E um brilho perigoso acendeu lá no fundo.

“Você pode me molhar quando quiser,” disse, tão baixo que quase se perdeu no barulho das ondas. “Não me importa, desde que seja você.”

Ela riu ainda mais, achando a fala brega, e balançou a cabeça. “Nossa, Morpheus, que cafona!”

Ele inclinou a cabeça, um leve sorriso nos lábios.“Se ser cafona te faz rir assim,” ele murmurou, “então aceito o título com prazer.”

E, por um segundo, só um segundo, a mão dele apertou um pouco mais a cintura dela.

E Ela nem notou.

 

Antes que ele pudesse continuar, um som de asas cortou o ar, e Mattheus logo pousou na areia perto deles.

Morpheus soltou Briely com relutância,os dedos demorando um último segundo na cintura dela antes de se afastarem.

Seus olhos logo se estreitaram enquanto encarava o corvo com uma pontada de irritação.

 

“Então, é aí que vocês dois estavam”, disse Matthew, com a voz rouca e casual. "Lucienne tá te procurando, chefe."

 

Briely se abaixou pra cumprimentar o corvo, sorrindo. "Oi, Matthew. Como você tá?"

"Melhor agora que te vejo,senhorita  respondeu o corvo, inclinando a cabeça. "E aí, como foi o rolê no mundo desperto com o chefe Brie?” “Teve encontro com gente importante?."

Ela riu, sentando-se na areia enquanto contava. "Sim, Foi incrível. Eu  Conheci a Morte, a irmã do Morpheus. E um amigo dele, o Hob, que é tipo... imortal."

"Nos Passamos o dia conversando, tomando café. Foi ótimo."

Morpheus os observava em silêncio, seus olhos fixos em Briely enquanto enquanto ela falava animada com Matthew.

A decisão já foi formada em sua mente, sólida como as fundações de seu reino.

Ele a pediria em casamento.

Ele Faria as coisas do jeito certo, ou pelo menos do jeito  que deveria ser feito.

Primeiro, ele buscaria a benção de Poseidon, o pai dela. E Se Poseidon aceitasse, ótimo. Seria mais fácil convencer Briely.

Ele tinha certeza de que Poseidon poderia pressioná-la para aceitar, se fosse necessário.

Mas, se Poseidon recusasse...

bem...

Isso era mera formalidade, Ele não precisava mesmo da permissão de ninguém.

Ele se declararia depois que a carta com a resposta chegasse, e se ela o recusasse... 

O caminho mudaria. Ele acabaria fazendo as coisas do seu jeito, de qualquer forma.

Ele, já estava decidido se declararia  claramente pra ela dessa vez, após a resposta da carta de Poseidon chegar.

E dependendo do que estivesse escrito, as coisas poderiam mudar.

Porque uma coisa era absoluta: ele não arriscaria  esperar mais.

Ela seria sua.

De um jeito ou de outro.

Notes:

A bri e realmente um pouco tapada, ele literalmente se declarando dizendo que a ama, e ela pensando que ele a ama como um amigo haha.

Na defesa dela, ela nunca pensou que ele poderia sentir algo assim por ela. Como ele mesmo disse ela e "responsabilidade" dele.

 

A partir do próximo capítulo as coisas vão ficar realmente sombrias.
O prazo de validade da inocência da Briely vai expirar.

Chapter 9: Como Perder a Virgindade e Ganhar um Marido em Uma Só Noite

Notes:

Capítulo editado!!.

Capítulo sombrio.

Chapter Text

   

 

 

O castelo no Sonhar erguia-se majestoso sob o céu noturno, suas torres de ébano refletindo a luz pálida de uma lua onírica.

Morpheus e Briely entraram no salão principal, onde Lucienne os aguardava, seus óculos repousando na ponta do nariz enquanto ela segurava um maço de pergaminhos.

Seu olhar perspicaz caiu sobre Briely, notando as pontas do vestido molhadas e salpicadas de areia. "Eles devem ter estado na praia" pensou ela,  mantendo a expressão neutra.

 

"Concluí o censo que você pediu mestre," começou Lucienne, dirigindo-se a Morpheus com sua habitual precisão, enquanto ajustava o pergaminhos em suas mãos. "Há 11.062 moradores registrados no Sonhar."

 

Morpheus assentiu, o rosto impassível, mas atento. "E quanto aos Arcanos?" Ele a perguntou.

 

Lucienne respirou fundo, hesitando por apenas um instante antes de responder. "Gault, Corintio e o Verde Violinista desapareceram."Seus olhos encontraram os dele, firmes, sabendo o peso que aquelas palavras carregavam. "E há rumores entre as criaturas sobre um vórtice."

"Pode estar surgindo novamente."

 

Morpheus franziu a testa, uma sombra cruzando seu rosto, mas sua postura permaneceu inabalável. "É real," afirmou ele, com certeza. "Este é o primeiro vórtice desta era."

Enquanto Morpheus refletia sobre as implicações de um vórtice uma força que era  capaz de desestabilizar não apenas o Sonhar, mas o próprio tecido da realidade.

Matthew se aproximou, suas asas batendo levemente antes de pousar no ombro de uma estátua próxima.  "Senhor, posso vigiar o vórtice no mundo desperto" ele ofereceu-se,determinado. "Assim teremos mais controle e notaremos qualquer alteração antes que ele se torne um problema."

 

Morpheus permaneceu em silêncio por um momento, os olhos distantes, antes de responder. "Muito bem. Faça isso. Mas mantenha contato constante. Ao menor sinal de instabilidade, me avise imediatamente."

 

Briely, que até então ouvia tudo em silêncio, inclinou a cabeça, bastante curiosa. "Um vórtice? O que é isso?"

Morpheus virou-se para ela, o olhar suavizando por uma fração de segundo. "Não é algo com que você precise se preocupar, Briely." Ele a Respondeu carinhosamente.

Ela abriu a boca pra insistir… mais acabou desistindo da ideia, ela  apenas assentiu levemente  com a cabeça, confiando que, se fosse algo importante, ele lhe contaria no momento certo.

Morpheus virou-se pra ela. O seu olhar que era sempre firme se  suavizou ao olhara num piscar de olhos. "Tenho trabalho a fazer," explicou Morpheus.

Então, diante de Lucienne e Matthew, sem cerimônia, e sem nenhuma vergonha,

Ele Se aproximou e depositou um beijo lento na testa dela.

Um beijo que durou mais do que qualquer “amigo” daria.

Matthew soltou um coaxar baixo, enquanto Lucienne apertou o livro em suas mãos com um pouco mais de força, com os seus pensamentos girando rapidamente. "Mestre... ultimamente ele nem se preocupa mais em não demonstrar carinho por ela na frente de ninguém." 

"E esse olhar... ele está tramando algo. Conheço esse brilho nos olhos dele. Não é nada bom, Isso é mau sinal." Mas ela não comentou nada, mantendo sua compostura impecável.

 

Morpheus logo se afastou, desapareceu pelo corredor sem olhar pra trás.

"Bom, eu vou indo. Tenho um vórtice pra vigiar, né?" Disse o corvo, batendo as asas e voando para fora do salão, deixando uma brisa leve em seu rastro.

Lucienne ajustou os óculos, voltando-se para Briely com um leve sorriso."Vou retornar à biblioteca." "Há muito a organizar ainda. Boa noite, senhorita."

 

Briely retribuiu o sorriso,"Boa noite, Lucienne. Vou trocar de roupa e dormir um pouco. Estou exausta."

"Descanse bem senhorita,"Respondeu Lucienne, antes de se virar e seguir em direção aos corredores que levavam à vasta biblioteca do Sonhar.

Briely ficou sozinha no salão por um momento. Com um suspiro, ela seguiu para seus aposentos, o som de seus passos ecoando suavemente nas paredes.

 

 

Morpheus atravessou os corredores do castelo com passos firmes,  A conversa com Lucienne e Matthew ainda ecoava em sua mente, o vórtice. uma força primordial e descontrolada que poderia despedaçar o equilíbrio delicado entre o Sonhar e o mundo desperto  pressionando seus pensamentos como uma tempestade distante.

Mas havia algo mais, algo que, mesmo em meio ao caos iminente, ocupava sua consciência, Ela.

Ele entrou em seu escritório, A mesa no centro, refletindo a luz fraca de um candelabro que nunca se extinguia.

Sobre ela, repousava uma pena de corvo e um frasco de tinta Morpheus sentou-se, os dedos  pairando sobre a pena por um momento antes de pegá-la com determinação.

 

Ele começou a escrever, as palavras fluindo em uma caligrafia elegante e firme, direcionadas a Poseidon.

O pai de Briely, bem ... ele não era realmente o pai dela mais sim uma versão do pai dela do seu universo original, mais isso era um segredo que só os dois sabiam, e ele esperava que continuasse assim, para todos os efeitos, o Poseidon  era realmente o pai dela.

Cada traço da pena parecia carregado com  uma certeza inabalável enquanto ele escrevia.

 

 

 

Ao  Poseidon, Senhor dos Mares.

 

Escrevo com o mais profundo respeito e a mais sincera intenção, e venho humildemente solicitar a mão de sua filha, Briely, em matrimônio.

Meu coração,  encontrou nela uma luz que não posso ignorar.

Amo-a com uma devoção que transcende os limites de meu domínio, e desejo tomá-la como minha esposa, para protegê-la, honrá-la e compartilhar com ela as eras que ainda hão de vir.

 

E por isso peço sua bênção como pai dela.

Estou plenamente consciente da gravidade de tal pedido e da união entre nos, o que este casamento pode representar.

Prometo que, sob minha guarda, ela será tratada com a dignidade e o carinho que merece, e que jamais permitirá que mal algum a alcance enquanto eu existir.

Aguardo sua resposta com  esperança, confiando que considere este pedido com a sabedoria que lhe é característica.

 

Atenciosamente,  

Sonho dos perpétuos, Senhor do Sonhar.

 

 

 

Morpheus releu a carta mais uma vez, com os olhos estreitados, garantindo que cada palavra carregasse o peso de sua intenção.

Satisfeito, ele dobrou o pergaminho com cuidado, selando-o com um selo de cera. Erguendo a mão, ele invocou um redemoinho de areia dourada, os grãos dançando ao redor do pergaminho até que ele desapareceu de sua palma, enviado através dos planos para  o reino de Poseidon.

 

O silêncio retornou ao escritório, mas Morpheus não encontrou paz.

Ele recostou-se na cadeira por um momento, os olhos fixos no candelabro, com a mente girando. Em seus pensamentos, a resposta de Poseidon era o que o deixava inquieto.

 

Horas se passaram, ou o que pareciam horas no tempo maleável do Sonhar. E Morpheus não conseguia se concentrar em mais nada.

Os pergaminhos de Lucienne, os relatórios de sonhos descontrolados,E desaparecidos além do vórtice surgindo...

Tudo parecia trivial diante da incerteza que o consumia.Enquanto ele deixava o escritório e seguia para a Sala do Trono.

 

Morpheus tomou seu lugar, sentando-se com a postura régia, mas havia uma tensão em seus ombros, uma inquietude que não combinava com sua figura imponente.

Em suas mãos, ele segurava um livro antigo, um tomo de contos oníricos que ele deveria revisar, mas seus olhos deslizavam pelas páginas sem realmente enxergar as palavras.

 Sua mente estava em outro lugar , onde sua carta poderia estar sendo lida por Poseidon.

 

 

 

E no quarto de Briely, onde ela descansava, ela estava completamente alheia aos planos que ele traçava para o futuro de ambos.

 

 

 

 

 

De tempos em tempos, ele virava uma página, o som ecoando pela sala.

Mas era evidente pra qualquer um que entrasse, que ele não estava prestando atenção em sua leitura.

Um suspiro quase imperceptível escapou de seus lábios, algo que poucos, talvez apenas Lucienne ou Matthew, reconheceriam como um raro sinal de impaciência.

Ele fechou o livro com um movimento brusco, colocando-o ao lado no braço do trono, e recostou-se, os olhos fixos no teto abobadado da sala.

Sua mão tamborilava levemente no braço do trono, um gesto que parecia humano demais para o Rei dos Sonhos.

 

A noite no Sonhar se estendia, e Morpheus permaneceu ali, envolto em seus pensamentos.

Ele sabia que a resposta de Poseidon não tardaria, mais até lá, ele aguardaria com paciência.

 

 

 

 

 


 

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No  reino submarino, Poseidon,  estava em seu salão. Uma brisa de areia dourada logo se materializou diante dele, depositando o pergaminho selado de Morpheus em suas mãos.

Ele rompeu o selo com um movimento brusco, os olhos estreitando-se enquanto lia as palavras cuidadosamente redigidas pelo Senhor dos Sonhos.

 

Cada linha da carta confirmava o que Poseidon já suspeitava.

 

Ele desconfiou  que Morpheus nutria algo por Briely,  ele havia sentido, naquela única noite em que a conheceu durante o jantar, uma tensão no ar entre eles. (Mais da parte dele dele do que da filha.)

O brilho perigoso, nos olhos do Perpétuo não podia ser ignorado enquanto a sua filha interagia com o Apolo.

 

Mas ler a confissão de amor e o pedido formal pela mão de sua filha trouxe uma onda de preocupação que agitou as águas do mar  ao seu redor.

Briely, sua um única filha embora com a aparência e a mente de uma adulta, era ainda uma criança em essência , ela tinha  apenas três meses de existência.

Como deus, Poseidon entendia a rapidez com que seres como eles amadurecem, apesar da sua filha ser meia humana mas isso não diminuía sua inquietude.

 

Ele segurou o pergaminho com mais força, “Eu Deveria ter insistido mais  para que ela viesse morar comigo.”Pensou, recordando o jantar em que a conheceu.

Naquela noite, quando ele perguntou pra ela o relacionamento entre ela eo senhor dos sonhos, Briely expressou que não via Morpheus como um interesse romântico.

E era  isso que  o preocupava agora  profundamente no momento.

O que um Perpétuo como Morpheus poderia fazer diante de sentimentos não correspondidos.

Poseidon sabia que, apesar de ser um deus, sua força pouco significava contra um ser como Morpheus

Os Perpétuos estavam acima das leis dos deuses, governados apenas por suas próprias naturezas implacáveis.

Um Perpétuo apaixonado era uma força imprevisível, e isso o enchia de temor por sua filha.

 

Ele se levantou, o pensamento voltando à pulseira que deu a Briely naquela mesma noite do jantar.

um presente que permitiria que ela se teletransportasse diretamente até ele, bastando que ela quebrasse a concha e pensasse nele.

 

Agora, ele só podia esperar que ela a usasse caso algo acontecesse.

 

 

Por favor Use-a, minha filha, se precisar  de ajuda." "Darei um jeito de ajudá-la, custe o que custar," ele pensou, com o  rosto endurecido.

 

Sentando-se novamente, Poseidon pegou um pergaminho de alga prensada e uma pena feita de espinha de peixe, começando a redigir sua resposta a Morpheus. Sua mão tremia levemente,com medo do que a sua resposta poderia causar a sua única filha.

 

 

 

Ao Estimado Morpheus, Senhor do Sonhar e Rei dos Sonhos,

 

Recebi sua missiva e considerei cuidadosamente sua proposta de matrimônio com minha única filha, Briely.

Com todo o respeito que lhe é devido como um dos Perpétuos, e reconhecendo a profundidade de seus sentimentos conforme expressados, devo educadamente declinar seu pedido.

Briely, apesar de sua aparência e maturidade aparente, é ainda muito jovem em essência, com apenas alguns meses de existência.

Como seu pai, não posso aprovar um casamento neste momento, pois acredito que ela precisa de mais tempo para compreender plenamente o mundo e seu lugar nele. Antes de se comprometer com alho tão definitivo como um casamento.

Além disso, julgo que seria melhor para Briely passar um tempo em meu reino, sob a minha proteção e orientação.

Vou buscá-la em breve no Sonhar, para que possamos nos conhecer melhor como família e para que ela tenha o espaço necessário para crescer sem qualquer pressões adicionais.

Acredito que isso no momento, será o melhor para todos os envolvidos.

Aguardo sua compreensão e espero que esta decisão não cause atritos entre nós. 

 

Assinado,  Poseidon.

 

 

Poseidon releu a carta, certificando-se de que seu tom era firme, mas diplomático.

Ele Sabia que desafiar um Perpétuo diretamente poderia ter consequências desastrosas pra ele.

Ele selou o pergaminho com um selo de cera azul-marinho, adornado com o símbolo de um tridente, e invocou uma corrente de água para carregá-lo de volta ao Sonhar.

Onde Morpheus o receberia.

Enquanto a carta desaparecia, Poseidon recostou-se em seu trono, os olhos fixos no vazio abissal de seu salão, a mente fervilhando com planos e preocupações.

Ele faria o que fosse necessário e que estivesse ao seu alcance para proteger sua única filha, mesmo que isso significasse ter que enfrentar.

Um Perpétuo apaixonado.

 

 

 

O salão do trono do Sonhar estava envolto em um silêncio um tanto opressivo.

Morpheus, ainda estava sentado em seu trono, parecendo quase uma estátua viva, com os olhos fixos em um ponto distante.

A sua mente ainda girando com pensamentos sobre a resposta do Poseidon.

A inquietude que o consumia desde o envio da carta a Poseidon era quase palpável, uma tensão que parecia carregar o ar ao seu redor com eletricidade sombria.

 

Lucienne logo entrou na sala, seus passos ecoando suavemente no chão polido.

Em suas mãos, ela carregava um pergaminho selado com cera azul-marinho, o símbolo de um tridente gravado nele como uma marca inconfundível do reino dos mares.

Seu rosto, sempre controlado e profissional, mostrou um leve traço de preocupação ao se aproximar do Senhor do Sonhar.

“Meu senhor,” disse ela, com a voz calma, mas com uma nota de cautela, inclinando-se levemente ao entregar o pergaminho. “Uma mensagem do Senhor Poseidon.”

Morpheus ergueu os olhos para ela, o brilho em suas íris  quase apagado. Ele pegou a carta com um movimento lento, mas suas mãos traíam uma tensão contida, os dedos  apertando o selo antes de romper-lo com um estalo seco.

Lucienne recuou um passo, observando em silêncio enquanto ele desdobrava e começava a ler.

 

A cada linha que seus olhos percorriam, a aura ao redor dele parecia se intensificar, tornando-se mais densa, mais sufocante.

As sombras nas paredes pareceram se contorcer, como se alimentadas por uma emoção que ele raramente deixava transparecer.

Quando ele terminou de ler, o rosto de Morpheus estava transformado.

Seus olhos, agora totalmente negros, pareciam engolir a luz ao redor, e uma carranca profunda marcava sua expressão, algo que Lucienne raramente via.

Ele amassou o pergaminho em sua mão com uma força que fez o papel quase se desfazer, os nós dos dedos embranquecendo.

Uma energia sombria pulsava dele, fazendo o ar no salão parecer mais frio, e mais pesado.

 

Como ele ousa me negar?” Rosnou Morpheus, sua voz baixa, mas carregada de uma fúria contida que reverberava como um trovão distante. “E ainda por cima dizer que vai levá-la embora dos meus domínios?”

Lucienne engoliu em seco, seu instinto de preservação lutando contra sua preocupação genuína.

Ela sabia que algo estava errado, profundamente errado.

Mas também sabia o quão perigoso era desafiar o Senhor do Sonhar quando ele estava nesse estado.

Ainda assim, sua lealdade tanto a ele quanto ao equilíbrio do reino a fez falar.

“Meu senhor, está tudo bem?” ela o Perguntou, hesitante, com os olhos fixos na figura dele imponente diante dela.

Morpheus virou-se para ela, o olhar tão penetrante que parecia atravessar sua alma. Por um momento, o silêncio entre eles foi quase tangível, um abismo de tensão. “Poseidon negou meu pedido,” respondeu ele a ela finalmente.

Lucienne franziu a testa, a preocupação agora era totalmente evidente em sua expressão. “Mais que pedido, meu senhor? Posso saber?”

Ele a encarou por mais um longo momento antes de responder, agora com  a voz firme, mas carregada de uma emoção que ela não conseguia decifrar completamente. "Meu pedido pela mão de sua filha em casamento.” ele respondeu firmemente, sem um pingo de dúvida.

Lucienne ao ouvir isso, sentiu o chão sumir. Os seus óculos escorregaram um milímetro no nariz; ela os ajustou automaticamente, o gesto nervoso traindo o pânico que começava a subir.

“Milorde... você pediu a mão da senhorita Briely?” Sua voz saiu mais aguda do que o normal, a apreensão clara em cada sílaba. Ela sempre soube que Morpheus sentia algo por Briely, mas nunca imaginara que ele tomaria um passo tão definitivo assim, bem... não agora pelo menos.

 

“Sim,Lucienne” respondeu ele, sem hesitação, sem um pingo de dúvida em sua voz. “Pedi a mão dela em casamento.”

Um silêncio mortal tomou o salão.

Lucienne engoliu em seco. Ela hesitou, sabendo que estava pisando em terreno perigoso agora, mas precisando entender a extensão de toda a  situação. “E ela concordou com isso, milorde?”

O silêncio dele que se seguiu foi mais revelador do que qualquer palavra.

Morpheus não a  respondeu de imediato, seus olhos desviando-se para o pergaminho amassado em sua mão.

Lucienne percebeu a verdade antes mesmo de ele confirmar, e sua voz saiu quase como um sussurro. “Ela não sabe, não é, milorde?”

Não,” Admitiu ele, com a voz agora mais fria, mais distante, mas ainda carregada de uma determinação inabalável. “Ela não sabe ainda. Mas isso não importa.”

Lucienne sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela   Nunca o viu assim, não desse jeito, tão obstinado, tão obcecado por algo ou alguém. Ele Nunca ficou assim, nem com as suas antigas amantes.

“Se você fizer isso… ela nunca mais pode perdoá-lo.” “Ela pode vir a odiá-lo  mestre.” aconselhou ela, tentando apaziguar a tempestade que via se formando diante dela.

"Ela pode me odiar no começo, Lucienne, mais o ódio é temporário, mais ela vai me amar”

Lucienne sentiu o ar sumir. “Talvez—”

“Não,” Interrompeu Morpheus, sua voz cortante. “Eu não vou aceitar essa resposta.Ele começou a se levantar do trono, ao seu redor, cada movimento carregado de uma energia sombria que parecia distorcer a própria realidade do salão.

Lucienne deu um passo à frente instintivamente, seguindo-o enquanto ele começava a se dirigir para a saída.

“Meu senhor, não faça nenhuma loucura agora, por favor,”Ela Implorou, a preocupação agora explícita em sua voz. “Ela é só uma menina. Isso não está correto." "O que quer que você esteja pensando em fazer no momento, eu peço que reconsidere.”

Morpheus parou por um breve instante, virando a cabeça apenas o suficiente para lançar um olhar gélido sobre o ombro.

Volte para a biblioteca, Lucienne,” Ele Ordenou, em  voz baixa, mas tão autoritária que não deixava espaço para discussão.

Era um comando, e não um pedido, e o peso dele fez Lucienne recuar, mesmo contra sua vontade.

Ele não esperou por uma resposta, retomando seu caminho com passos decididos, sua figura desaparecendo pelo corredor.

 

 

Em direção aos aposentos de Briely.

 

O ar ao redor dele se curvava, as sombras se esticando como garras famintas, como se o Sonhar inteiro sentisse a fúria que queimava dentro do seu mestre.

Lucienne permaneceu onde estava por longos momentos, os olhos fixos no corredor vazio por onde ele desapareceu. Sua mente girava com apreensão,  pesando com o medo do que poderia acontecer.

Ela conhecia o temperamento de Morpheus, sua natureza implacável como Rei dos Sonhos... e também como rei dos Pesadelos.

Ela Sabia que, quando ele fixava sua vontade em algo, poucos.

Se é que alguém  conseguia  detê-lo.

E agora, com a Briely no centro dessa vontade, Lucienne temia as consequências que poderiam cair, para a jovem senhorita.

Lucienne não podia prever exatamente o que aconteceria se a jovem senhorita o negasse.

Mas ela  tinha uma ideia. E essa ideia não era nada tranquila.

Com um suspiro trêmulo, ela ajustou os óculos mais uma vez, virando-se lentamente para retornar à biblioteca.

Mas não havia paz em seus passos. Enquanto caminhava pelos corredores silenciosos do Castelo.

Sua mente não conseguia se livrar da imagem de Morpheus, movido por uma fúria sombria que ameaçava engolir tudo em seu caminho.

Lucienne rezou  em sua mente pra que a senhorita Briely tivesse a sabedoria de não dizer “não” pro mestre .

Porque se ela dissesse…

Lucienne temia que, dessa vez, nem mesmo ela conseguisse juntar os pedaços depois.

Ela só podia esperar que, de alguma forma,  ele encontrasse um resquício de controle, antes que fosse tarde demais e que ele cometesse alguma besteira com a senhorita.

 

 

 

 

 

 


 

˖₊˚.༄🌊₊˚.༄ 𓆝🫧𓅨🫧 𓆞༄₊˚.🌊༄₊˚˖

 


 

 

 

Os corredores do Sonhar estava  pulsando com a energia sombria que emanava de Morpheus enquanto ele caminhava em direção ao quarto de Briely.

Sua fúria, outrora ardente como um inferno ao ler a recusa de Poseidon, começava a se transformar em algo mais frio, mais calculado, mas não menos perigoso.

 

Ele chegou à porta do quarto dela, a mão pairando sobre a maçaneta por um breve instante antes de girá-la com um movimento quase delicado, contrastando com a tempestade que ainda rugia dentro dele.

 

Ao entrar, a penumbra do quarto o envolveu. As cortinas  deixavam passar apenas um fraco brilho da luz etérea do Sonhar, iluminando a figura de Briely, que dormia pacificamente em sua cama.

Ela dormia de lado, uma perna dobrada, o robe subindo um pouco na coxa.

O peito dela subia e descia em um ritmo suave, o rosto relaxado, um contraste gritante com a tensão que havia dominado Morpheus momentos antes.

Ao vê-la assim, tão vulnerável, tão serena, uma parte da raiva que ele sentia por Poseidon pareceu se esvair.

Substituído por algo mais profundo, mais perigoso: a certeza absoluta de que ela já era dele.

Só faltava ela entender e aceitar.

Ele se aproximou silenciosamente, sentando-se na beira da cama, os seus olhos fixos nela, devoraram cada detalhe, A curva da bochecha, os cílios tremendo no sono, o pulsar suave na garganta dela.

Ele estendeu a mão, os dedos pálidos roçando suavemente o rosto dela. O toque, embora leve, foi o suficiente para perturbar o sono de Briely.

Seus olhos se abriram devagar, enevoados pelo sono, e ela piscou algumas vezes antes de focar na figura ao seu lado.

Um leve sobressalto percorreu seu corpo ao perceber quem estava ali, tão perto.

 

“Morpheus?” murmurou ela, com a voz rouca e sonolenta, esfregando os olhos. “Você me acordou... o que está fazendo aqui?”

Ele a observou por um longo segundo, os olhos intensos, quase famintos, mas cobertos por carinho “Meu amor, me desculpe por te acordar, mas temos que discutir algumas coisas.” ele diz em voz baixa em voz baixa, quase um sussurro.

Mas carregado de uma urgência que fez Briely franzir a testa.

 

"Meu amor? O que há com ele?" pensou ela, a mente ainda lutando contra o véu do sono.

Ela se sentou na cama, esfregando os olhos.“Discutir algo?" "Isso não pode simplesmente esperara até amanhã?”

 

“Infelizmente, não,”respondeu ele, com o tom firme, os olhos nunca deixando os dela.Isso é para o nosso futuro.”

O coração dela deu um salto estranho.

“Nosso futuro? O que você quer dizer?" Ela repetiu, com  a voz falhando um pouco.

"Do que você tá falando, Morpheus? Tá acontecendo alguma coisa?"Ela Perguntou,  agora mais alerta, um traço de preocupação surgindo, enquanto tentava ler o rosto dele.

Ele se inclinou para frente. A distância entre os dois diminuiu tanto que ela sentiu o calor dele. “É sobre o destino que nos espera." "O nosso futuro juntos,”Disse ele, as palavras carregadas de uma certeza absoluta.

 

Briely franziu a testa com. Isso, e o seu estômago estava começando a se apertar sem motivo aparente. “Nosso futuro juntos? Destino que nos espera?” Ela repetiu, a confusão era evidente em sua voz.

“Do que você está falando, Morpheus? Você não está fazendo sentido nenhum.”

 

Ele não a respondeu com palavras.

Ele Pegou as mãos dela  devagar, com carinho, e levou-as aos lábios.

E Beijou os nós dos dedos dela, um por um, os olhos nunca deixando os dela.

“Eu pedi sua mão em casamento ao seu pai,” Declarou ele, sem hesitação,sem qualquer margem para interpretação.

Briely congelou. E Os seus olhos se arregalaram. A sua boca se abriu, mas nenhum som saiu por um segundo. Ela Ainda estava processando o que acabou de ouvir."O QUÊ?” ela finalmente explodiu,  incrédula, quase histérica.

Morpheus não se moveu.

Ele Apenas repetiu, calmo, terrivelmente calmo “Eu pedi sua mão em casamento ao seu pai, meu amor”

 

“Você… pediu minha mão… ao Poseidon"  repetiu Briely, com o sangue sumindo do rosto,  a incredulidade misturando-se com um crescente desconforto. Puxando as mãos das dele rapidamente, ela recuou instintivamente, com o coração disparando.

Morpheus não pareceu nem um pouco perturbado pela reação dela.“Eu te amo, Briely" ele disse, a voz firmemente, sem nenhuma hesitação.  "Sempre te amei. Desde o primeiro dia que ficamos presos juntos."

"Fiz o que tinha que fazer. Pedi a bênção dele." "E O Poseidon negou."confessou ele.

O rosto dela se suavizou por um breve momento ao saber, que Poseidon havia negado o pedido. Um segundo de alívio brilhou nos olhos dela.

Um segundo só.

Morpheus continuou, com o olhar endurecendo.“Ele negou minha proposta, mas isso não nos impede de casar.”

 

Antes que ela pudesse responder, ele se levantou da cama e, para seu absoluto choque.

Ele ajoelhou-se diante dela. Com os Olhos cravados nos dela.

"Briely" começou ele , em voz baixa, mais carregada de  paixão e esperança.  "Você me daria a honra de ser minha esposa?".

"De ser minha rainha?"

Briely ficou pálida como cera enquanto o encarava ajoelhado na frente dela, com a  mente girando. "Idiota. Idiota. Idiota." "Como eu sou idiota, realmente uma idiota."

"Todo aquele carinho, toda aquela preocupação...que eu achava exagero…era isso."  "Ele nunca realmente me viu como uma amiga."

"Nunca"

"É por isso que todos perguntavam sobre o relacionamento entre nós."

 

O peso daquela realização a atingiu, e a presença dele, mesmo ajoelhado, parecia sufocante.

 

Ele era um Perpétuo, não um deus, mas algo muito além disso.

Se os Deuses já se irritavam ao serem negados, imagina um perpétuo? 

Ele era uma  personificação antropomórficas de uma força universal e fundamental da existência ela dúvida muito que ele aceitasse o “não”.

E o medo do que ele poderia fazer com ela se fosse negado começou a crescer dentro dela. 

Ela sentiu Um arrepio de apreensão percorrendo sua espinha A situação daquela moça que ele mandou pro inferno, voltou em sua mente. "Eu realmente tenho que ter cuidado, afinal, Apesar de Tudo, eu realmente espero que ele não me machuque... Ele não faria isso certo? "

 

“Morpheus… eu… eu…" ela gaguejou, as palavras morrendo na garganta. "Eu… não posso aceitar."

"Eu vejo você só como amigo.”

Ele se levantou, Devagar, Com o rosto impassível.

Mas os seus olhos… os olhos escureceram de um jeito que fez o quarto parecer menor.deuma forma que fez o coração dela disparar.

Briely saiu da cama rapidamente, colocando-a como uma barreira entre eles, enquanto dava um passo para trás.

“Eu sei que você no momento não me ama como eu te amo,” Disse ele, com  a voz agora mais fria, mais afiada. “Mas isso não importa.

“Eu não poderia,  realmente aceitar sua proposta,” Insistiu ela, com a voz tremendo ligeiramente, tentando manter a compostura.

E Por quê não?” ele a perguntou, dando um passo à frente.

A presença dele parecia engolir o quarto inteiro.

Ela engoliu em seco, agora com medo de verdade apertando seu peito.

“Eu ainda, amo alguém, Morpheus." Confessou ela "E eu não posso me casar com você.”

O rosto dele se contorceu por um instante, uma sombra de raiva pura passando por seus olhos. “E aquele semideus do seu universo… Luke, não é?” A voz dele saiu cortante, carregada de desdém. “Bem, ele já está morto, afinal.”

"Como que ele Sabe que e o Luke? Eu nunca Contei isso pra ele." Pensa ela.

“Mesmo assim, eu não poderia aceitar sua proposta,” retrucou ela, a determinação misturando-se ao medo. “Eu quero voltar para casa, Morpheus, Pro meu universo."

"Isso nunca daria certo.”

Nunca daria, não é?” Um sorriso frio e perturbador curvou os lábios dele, enviando um arrepio gelado pela espinha dela.

Ela deu outro passo para trás.

O seu  instinto gritava dentro do peito dela: FUJA. AGORA.

O sorriso dele apenas se alargou, uma promessa sombria escondida ali. “Eu fiz do jeito certo,” continuou ele, a voz agora um murmúrio perigoso, quase carinhoso. “Fui amável. Esperei. Dei tempo pra você se ajustar à vida aqui.

"Até perguntei."

"Te dei uma escolha." "Eu realmente esperava que você aceitasse.”

Ele fez uma pausa.

O silêncio que veio depois foi pior que qualquer grito que ele pudesse dar.

“E você me negou,” ele sussurrou pra si mesmo. “Negou o meu amor por você.” " Mais isso não importa"

Antes que ela pudesse respirar, ele se moveu. Num piscar de olhos, ele estava atrás dela.

Briely virou-se em pânico, correndo em direção a porta, os dedos quase tocando a maçaneta.

Mas os braços dele logo a agarraram pela cintura com força implacável, puxando-a contra o peito como se ela fosse uma boneca.

Os lábios dele roçaram a curva do pescoço dela, lentos, gelados, fazendo a sua pele se arrepiar de desconforto.

"Você não vai a lugar nenhum, meu amor" ele sussurrou contra a pele dela.

“ME SOLTA, MORPHEUS!” gritou ela, se debatendo com toda a força que tinha

Ele a girou, empurrando-a contra a porta, o corpo dele pressionando o dela com uma intensidade esmagadora.

“Você ousou me negar, meu amor?” ele a perguntou, os olhos negros como abismos sem fundo, a voz carregada de fúria e obsessão. uma de suas mãos subindo pra segurar o queixo dela com firmeza. "Você não tem escolha." "Não entende? Você é minha."

"Sempre foi. Desde o primeiro dia que ficamos presos juntos."

'Não! " protestou ela, virando o rosto mas ele não a deixou escapar.

"Não?" Ele segurou o queixo dela com mais força, forçando-a a encará-lo, e a beijou.

Um beijo duro, cruel, que esmagava os lábios dela com uma violência que não deixava espaço para nada além de submissão, era Sufocante e Avassalador.

Enquanto suas mãos a mantinham presa, uma delas na nuca dela, a outra na cintura, garantindo que ela não pudesse se mexer.

O beijo não tinha ternura, apenas domínio, uma reivindicação brutal. O que fez o coração dela disparar de medo e também de repulsa.

Ela tentava empurrá-lo para longe, mas sua força era insuficiente contra a dele. Morpheus não cedeu, seus lábios pressionando os dela com uma exigência feroz, não deixavando nenhum espaço para qualquer resistência.

A língua dele logo invadiu a boca dela, dominando, marcando, provando cada canto enquanto ela tentava empurrá-lo mais ainda, as mãos batendo inutilmente contra o peito dele. Ele tinha Uma necessidade crua, quase violenta, de reivindicar o que ele acreditava ser seu.

As mãos dele deslizaram pelo robe fino dela, os Seus dedos frios traçando o tecido antes de descerem, lentos, deliberados, pelas curvas dela.

A intenção dele era cristalina. Ela sentiu o estômago revirar de pavor.

Ele afastou os lábios apenas o suficiente para falar contra a pele dela, a respiração quente e pesada.

“Você não aceitou minha proposta" ele sussurrou.

"Mas não se preocupe, meu amor."

"Tenho outro método pra fazer você aceitar a se casar comigo."

"Um método que vai fazer nem seu pai, nem ninguém do panteão grego poder interferir." "Eles vão apenas aceitar o casamento."

"Porque depois disso…" "Você não vai ter escolha a não ser aceitar a se casar."

"E eu nem vou precisar que você concorde pra te chamar de esposa." O coração dela parou,  o medo apertando ainda mais o seu peito enquanto ela tentava processar as palavras.

Então, ele inclinou a cabeça. os olhos brilhando com algo antigo, faminto,

ele sussurrou contra os lábios dela, quase carinhosamente. "Você é virgem, não é, meu amor?

 

Essas palavras a acertaram como um golpe, e lágrimas começaram a escorrer por seu rosto, quentes e silenciosas. O pânico logo tomou conta dela, sua mente gritando por uma saída.

Ela sabia que não podia lutar contra um Perpétuo. E agora ela sabe exatamente, o que ele pretende fazer Com ela

Mas talvez ela pudesse fugir antes disso.

Em desespero absoluto, os olhos dela encontraram o jarro de água na mesinha. Ela Concentrou-se, invocando seus poderes Toda a força, todo o medo, todo o pavor canalizado num único pensamento e a água começando a se agitar e crescer dentro do recipiente.

Morpheus, consumido por sua obsessão, não percebeu a massa de água se formando, cada vez maior, até que se tornou uma onda furiosa. Ele continuou a beijá-la, as mãos ainda explorando o corpo dela, alheio ao perigo que se aproximava.

Até que a onda explodiu. O atingindo o com força. A água o atingiu, arrancando um grunhido gutural dele.

O corpo dele voou para o lado, batendo contra a parede com um estrondo que fez o quarto tremer.

Briely não esperou , aproveitando o momento Ela Girou o corpo, abriu a porta com violência e disparou, para fora do quarto. Seus pés descalços batiam contra o chão frio do corredor enquanto corria, o robe esvoaçando atrás dela.

A voz de Morpheus logo ecoou pelo corredor, um rugido furioso que fez sua pele se arrepiar. “BRIELLY!!”

O nome dela, sendo gritado daquele jeito, fez sua pele se arrepiar até os ossos

Maís Ela não olhou para trás,  o medo do que ele poderia realmente fazer com ela caso ele a pegasse ficou  pulsando em suas veias. "Como chegou a isso?'' A pergunta batia na cabeça dela a cada passo.

"Eu confiava nele eu contei pra ele meus medos, meus sonhos idiotas a minha vida." "Eu achava que ele era meu amigo."

As lágrimas queimavam mais que o ar nos seus pulmões. "Ele ia me estuprar. Ele ia me forçar a casar com ele depois"

A traição que ela sentia no momento era Como uma faca girando no peito "Eu fui tão cega. Todas as vezes que ele me olhava demais e eu pensei que era só preocupação…"   “Todos viam, e eu… eu não via nada.” Sua mente girava, buscando uma solução, ou um refúgio.

"Lucienne. Ela poderia me ajudar."

"talvez ela me esconda. Talvez ela saiba o que fazer.E  Talvez ela me ajude a sair daqui antes que ele…"

Os corredores do Sonhar pareciam infinitos, as sombras dançando nas paredes como se zombassem dela. Briely continuou correndo, derrubando objetos atrás de si em uma tentativa  desesperada de atrasar Morpheus.

As Mesas laterais caíam com estrondo, vasos que pareciam caros  se estilhaçavam no chão, criando uma bagunça caótica em seu rastro.

Ela não sabia se ele estava realmente atrás dela, mas não ousava parar para verificar.

Invocando mais de seus poderes, ondas de água começaram a surgir ao seu comando, irrompendo de fontes e pequenos reservatórios espalhados pelo palácio disparando em todas as direções com o objetivo de confundilo para a onde ela estava indo.

As ondas colidiam contra as paredes, destruindo algumas salas no processo, quebrando estruturas delicadas e espalhando destroços em várias direções.

 

"Mavryn, me desculpe por toda essa bagunça"  "Desculpe por quebrar tudo que você conserta todos os dias…"

"Mas eu não posso parar. Se eu parar, ele me pega. E se ele me pega" pensou ela, a culpa pesando por um instante antes de ser engolida pelo instinto de sobrevivência.

A água continuava a se mover, formando barreiras líquidas que ela esperava esperançosa que isso o atrasasse o suficiente pra ela dar o fora dali.

Seus pulmões queimavam, as pernas tremiam de exaustão, mas ela não parava, os ecos da voz de Morpheus ainda ressoando em sua mente como um pesadelo do qual não podia acordar.

ela sabia que parar agora significava ser capturada por ele e isso, isso ela não podia permitir.

 

 

Briely corria desesperadamente pelos corredores do Sonhar, com  o coração batendo tão forte que parecia que ia explodir no peito.

O eco dos estrondos da água que ela invocara ressoava atrás dela, misturado ao som de destroços caindo e paredes sendo atingidas.

Seu robe estava desgrenhado, os pés descalços escorregando no chão, mas ela não parava.

Finalmente, ela avistou a entrada da biblioteca, era como um vislumbre de esperança em meio de todo o caos.

Assim que ela chegou à porta, colidiu com alguém saindo dali.

Lucienne deixou escapar um som surpreso ao ser empurrada para trás pelo impacto. “Minha senhora! Você está bem?" "O que está acontecendo? Você sabe o que e  toda essa barulhada?”

Então os olhos dela se estreitaram ao observar briely de perto. Os lábios da jovem estavam machucados e vermelhos, inchados, o cabelo completamente bagunçado, e marcas leves  chupões pontilhavam a pele delicada de seu pescoço. O rosto de Briely estava manchado de lágrimas, os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.

“Minha senhora, você está bem?”Repetiu Lucienne, agora com um tom mais urgente, estendendo a mão para tocar o ombro dela.

 

Briely agarrou o braço de Lucienne com força, os dedos tremendo enquanto se segurava nela como se fosse sua última ancora. “Lucienne, me ajuda!, por favor” ela a implorou, com a voz rouca e quebrada, as lágrimas escorrendo novamente pelo rosto.

"E O morpheus Ele enlouqueceu! Ele se declarou pra mim, tentou me forçar… tentou me estuprar pra me obrigar a casar com ele!" As palavras saíram num soluço desesperado.

Lucienne ficou pálida a ouvir isso.

Um estrondo ensurdecedor ecoou pelo corredor próximo, o som da água que ela invocou colidindo contra algo, derramando-se e destruindo partes do palácio.

 

Lucienne olhou na direção do barulho, os olhos arregalados. “O que está acontecendo?” ela perguntou, a voz tensa, voltando-se para Briely.

 

“Sou eu!” admitiu Briely, ofegante, as mãos ainda agarradas ao braço de Lucienne “São só os meus poderes.

Lucienne rapidamente assumiu uma expressão determinada. Sem perder tempo, ela puxou Briely para dentro da biblioteca, fechando a porta atrás delas com um clique firme.

O interior do vasto salão estava silencioso, o contraste com o caos do lado de fora quase sufocante.

Lucienne guiou Briely até um canto mais reservado, atrás de uma mesa alta, tentando criar uma barreira visual caso alguém entrasse.“Calma, minha senhora” sussurrou, a mão no ombro dela. “Vai ficar tudo bem.”

 

“NÃO, NÃO VAI! '' gritou Briely,com  a voz aguda de pânico.  “Ele vai me encontrar aqui, Lucienne.”  “E  Ele não vai parar.”

Você não entende, ele... ele disse que eu não tinha escolha, que eu seria dele de qualquer jeito!A voz saiu desesperada, enquanto ela olhava para a porta, esperando a qualquer momento ver Morpheus entrar.

 

Lucienne hesitou por um momento, ajustando os óculos com um gesto nervoso, antes de falar. “Eu... sabia da paixão do mestre por você,” admitiu ela.

“E sabia sobre a proposta de casamento que ele fez a Poseidon.”

“Eu mesma entreguei a carta com a resposta do seu paí  a ele.”

 

Briely congelou, os olhos se arregalando ainda mais enquanto encarava Lucienne com uma mistura de incredulidade e traição. “Você sabia disso? Que ele me amava?”

“Por que nunca me contou?” acusou ela,  tremendo de raiva e medo. Ela passou as mãos pelos cabelos desgrenhados, puxando-os em um gesto de puro pânico.

 

Lucienne baixou o olhar por um instante, claramente desconfortável, mas sua voz permaneceu firme. “Não era meu dever contar a você, minha senhora.” “E, francamente... todos sabiam. Todos no Sonhar  viam o modo como ele a olha, como a trata. .”

“Era totalmente evidente… pra todo mundo”

“MENOS PRA MIM!! ” Explodiu Briely, as mãos agora cobrindo o rosto enquanto tentava controlar a respiração ofegante.

“Como eu não vi nada disso?, estava na minha cara, Como eu fui tão cega? E agora ele... ele...” Sua voz se quebrou, incapaz de completar a frase, o corpo tremendo enquanto o medo a dominava mais uma vez.

Ela olhou para a porta da biblioteca, esperando a qualquer momento ouvir os passos de Morpheus ou sua voz ecoando pelo corredor.

Logo o silêncio tenso dentro da biblioteca foi quebrado pelo som de passos firmes, lentos, deliberados, vindo diretamente do corredor

O coração de Briely disparou novamente, batendo tão forte que parecia que ia explodir no peito.

Seus olhos se arregalaram, o pânico apertando sua garganta enquanto ela olhava para Lucienne, que também ouviu o som e imediatamente se virou para ela.

 

“Esconda-se senhorita,” sussurrou Lucienne,  urgentemente, embora com a voz controlada. “Eu vou ir tentar conversar com o mestre e atrasalo. Vá, se esconda agora!!”

 

Briely não hesitou.Ela  Correu para trás de uma estante alta, encolhendo-se entre os volumes oníricos, o corpo tremendo enquanto tentava controlar a sua respiração.

O cheiro de papel antigo e magia a envolvia, mas não oferecia nenhum conforto.

Mesmo eles estando lá fora, ela ouvia a voz grave de Morpheus, que estava discutindo algo com Lucienne.

As palavras eram abafadas pela distância e pelas paredes da biblioteca, era impossíveis de distinguir, mas o tom da voz dele...  

Foi isso o que fez o medo dela disparar ainda mais. Sua mente girava, incapaz de pensar direito, o pânico nublando qualquer raciocínio claro.

 

Seus olhos vasculharam o ambiente desesperadamente, até que avistaram a janela da biblioteca, alta e estreita.

Mas aberta para o exterior do castelo.

Uma ideia desesperada surgiu em sua mente. "Pular, Já passei por coisas piores do que pular uma janela.” Ela Pensou, os dentes cerrados enquanto se movia silenciosamente em direção a janela.

Chegando lá, ela olhou para baixo e era uma longa queda , mas não havia muinta escolha era isso ou ficar alí esperando até que ele decidisse procurá-la alí dentro da biblioteca, ela decidiu pular.

Ela Estava pronta para pular a janela quando ouviu a voz de Lucienne, tensa e respeitosa dizendo algo como: “Por favor Meu senhor.”

E No mesmo instante, ela ouviu o som da porta da biblioteca se abrindo.

E Sem pensar duas vezes, Briely pulou.

O ar cortou  logo cortou seu rosto, Enquanto ela  caía, ela logo foi invocando seus poderes, desesperada para amortecer o impacto.

A água se formou abaixo dela em uma tentativa de almofada líquida como ela fez da última vez quando caiu do céu, mas dessa vez ela não foi rápido o suficiente.

Ela caiu com força, o seu braço direito batendo no chão de pedra com um impacto que enviou uma onda de dor aguda por seu corpo.

Um gemido escapou de seus lábios enquanto ela se levantava, trêmula, olhando para o braço um pouco machucado.

Um hematoma já começava a se formar, e a pele estava arranhada e latejando um pouco.

 

Foi então, que seus olhos caíram sobre a pulseira em seu pulso,   o colar que Poseidon havia lhe dado na noite do jantar. Que Agora estava amarrado como um bracelete.

Agora, a concha delicada,  tinha rachado levemente com o impacto da queda.

A lembrança, a atingiu como um raio.

O colar.

Ele pode me teletransportar para o Poseidon. No pânico do momento, ela havia esquecido completamente da existência daquele artefato.

Seus dedos trêmulos tocaram a concha enquanto ela  pensava. "Eu só tenho que quebrá-la, e pensar no  Poseidon certo?" "Mas, está um pouco rachada agora... será que ainda vai funcionar?"

"Vai Funcionar, Tem que funcionar"

Ela olhou para cima, o coração disparando ao ver Morpheus na janela da biblioteca, encarando-a com um olhar fixo, e bem Calmo.

Ele estava Olhando pra ela como quem olha pra uma criança fazendo birra.

A presença dele parecia sufocante mesmo à distância, os olhos dele brilhando com uma mistura de irritação e impaciência. “Meu amor,” ele a chamou, a voz doce, quase carinhosa, ecoando pelo pátio inteiro. "Por favor, Pare de correr."

"Você já destruiu metade do castelo;com seus poderes, destruindo várias salas que eu reconstruí..."Ele continuou, irritado, repreendendo-a. "Isso até que funcionou, só um pouquinho"

"E olhe para você agora, está machucada."disse ele, olhando para ela com desaprovação "Fique aí parada"

"Eu  vou descer e  te buscar."

O pânico a consumiu por completo. Sem hesitar, Briely apertou a concha na mão, os dedos tremendo enquanto usava toda a força que podia para quebrá-la.

Ela apertou a concha rachada com toda a força que ainda tinha.

O estalo foi pequeno.

Mais, a luz foi enorme. E Num piscar de olhos, ela sumiu.

 

 

 

Na janela, a expressão de Morpheus se contorceu em fúria pura.

Seus punhos se cerraram, as sombras ao redor dele se agitando como se respondessem à sua raiva.

Ele percebeu tarde demais o propósito daquele colar ele deveria ter examinado o artefato mais de perto,  enquanto ela dormia.

Ele sentiu a leve aura de Poseidon emanando dele. mas nunca imaginaria que servisse para algo assim.

Um erro que ele não cometeria novamente.

Seus olhos ainda fixos no ponto onde Briely havia estado, ele murmurou para si mesmo  voce não vai fugir pra longe meu amor, eu vou te trazer de volta.”

“E quando eu te trazer de volta, você vai realmente desejar ter ficado”

 

 

 

 

O brilho aquático da concha quebrada envolveu Briely, e por um breve instante. Ela sentiu o mundo girar ao seu redor, como se fosse sugada por uma correnteza invisível.

 

Mas quando a luz se dissipou, ela não estava no reino de Poseidon como ela  esperava. Seus pés tocaram o chão duro de uma cidade litorânea no mundo desperto.

O som das ondas ao longe misturando-se ao ruído de carros e vozes humanas. O ar salgado enchia seus pulmões enquanto ela olhava ao redor, um pouquinho desnorteada.

Ela Estava de robe, os cabelos desgrenhados e o braço machucado latejando de dor.

Por isso As pessoas nas ruas a encaravam com curiosidade e estranheza, alguns cochichando entre si enquanto passavam.

 

 

“Olha só essa moça, que roupa é essa?” murmurou um homem de meia-idade para a esposa, que balançou a cabeça em desaprovação.  

 

“Coitada, deve estar perdida… ou pior,” sussurrou uma jovem mãe, empurrando o carrinho de bebê para longe de Briely com um olhar preocupado.  

 

 

“Deve ser alguma maluca quendo chamar atenção, quem anda assim na rua?” resmungou um rapaz, rindo com os amigos enquanto apontava na direção dela.

 

Mais Uma senhorinha de aparência gentil, com um xale de lã sobre os ombros, aproximou-se dela, franzindo a testa com preocupação. “Moçinha, você está bem? Parece que acabou de sair de um acidente."

"Tá tremendo toda, coitadinha.”

 

Briely, ainda ofegante, forçou um sorriso fraco, grata pela gentileza da senhora. “Eu... estou bem, obrigada. Só... um pouco hum perdida.”

 

A mulher não pareceu muito convencida, mas tirou um casaco velho e puído dos ombros e o ofereceu. “Toma moça, se cobre com isso." "Não dá pra andar por aí assim, vai pegar um resfriado ou coisa pior. " "Escuta, você quer que eu te leve pra delegacia? Tá num estado que não parece certo, alguém precisa te ajudar.”

 

Briely balançou a cabeça rapidamente, sabendo que a polícia, não poderia fazer nada por ela. “Não, não precisa, eu... eu vou ficar bem. Obrigada mesmo.”

Ela pegou o casaco, envolvendo-o ao redor de si, sentindo o tecido áspero contra a pele. “Eu realmente agradeço.”

 

A senhorinha franziu ainda mais a testa, mas não insistiu. “Tudo bem, moça, mas toma cuidado, tá? Se precisar, volta aqui, eu moro logo ali na rua de cima.”

Briely acenou, já se afastando rapidamente, quase correndo.

A idosa ficou parada no mesmo lugar, observando-a de longe com um olhar preocupado, murmurando para si mesma: “Espero que ela fique bem, pobrezinha…”

 

Briely começou a andar pelas ruas lotadas,  ela Trombava nas pessoas, ela murmurava “desculpe” sem parar, sem olhar nos olhos de ninguém.

"A Praia. Preciso chegar logo na praia. O mar, o poseidon vai me sentir no mar." Esse era o único pensamento que mantinha as suas pernas em movimento. "Se eu chegar na água… talvez ele me ouça. e Talvez eu fique segura."

Quando ela finalmente alcançou o píer, o sol já estava baixo no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados.

A praia estava um pouco vazia, exceto por apenas algumas figuras solitárias caminhando ao longe.

Briely desceu os degraus de madeira até a areia, sentindo a textura fria sob os pés descalços.

Ela  já Estava pronta para entrar no mar, para se conectar com a água e tentar chamar pelo Poseidon. "Ele vai me ouvir. Tem que ouvir."  "Ele Negou a proposta do morpheus, então certamente ele poderia me ajudar."

Mas então seus olhos captaram uma figura no píer acima dela.

Era o Morpheus.

Ele estava lá. A encarando.

Os olhos negros brilhando como abismos, o rosto com uma mistura de irritação e impaciência.

O coração dela parou. Ao vê-lo  O pânico subiu tão rápido que ela quase vomitou.

"Não. Não. Não pode ser." Ela não conseguiu dar nem dois passos pra longe quando logo ouviu a voz dele, ecoando pelo ar.

“Você achou mesmo que poderia fugir de mim, meu amor?” Ele a pergunta, com um tom  irritado e impaciente.

Briely se virou rapidamente pra ele , com o corpo tenso, e lá estava ele.

De pé no píer, a sua figura destacando-se contra o céu crepuscular.

“Não,” sussurrou ela desesperada, e com muito medo agora, girando os calcanhares  rapidamente e correndo em direção ao mar.

“Você fugiu de mim, E aínda ousou, tentar me deixar” disse ele, com repreensão e descontentamento. “Meu amor, você realmente acreditou, que eu não te encontraria"

"Onde quer que você estivesse?

 

Briely estremece ao ouvir as palavras dele, o coração dela disparado mais ainda. “ EU QUERO QUE VOCÊ FIQUE BEM  LONGE DE MIM!” ela gritou, cheia de raiva e pavor erguendo as mãos.

Seus poderes se manifestaram em um instante, o mar atrás dela rugindo em resposta.

Uma onda gigantesca se formou, crescendo em direção a ele enquanto as  pessoas na rua gritavam de terror ao ver o fenômeno.

“Meu Deus, o que é isso?!” berrou um homem na  praia, agarrando a mão da namorada enquanto corriam para longe.

“Corre!” gritava outro, tropeçando na areia.

Morpheus apenas suspirou, como se estivesse lidando com uma criança teimosa.

Ele permaneceu parado, os olhos fixos nela, enquanto a onda avançava com uma força avassaladora.

O impacto foi ensurdecedor, a água o acertando por completo em um estrondo que fez o chão tremer.

Briely ofegou, esperando que isso, pelo menos, o atrasasse ou o que o machucasse.

 

Mas quando a onda recuou, lá estava ele. Intacto. Encharcado, o cabelo negro colado ao rosto, gotas escorrendo pela pele pálida, mas sem um único arranhão.

Ele nem mesmo havia se movido um centímetro. O horror congelou Briely, os olhos arregalados enquanto sua respiração falhava.

 

“Não... isso não pode ser...” Ela murmurou, tremendo e horrorizada. “Não pode ser...”

 

Morpheus deu um passo à frente, a expressão impassível, mas com um brilho de algo sombrio nos olhos.

“Você realmente achou que isso ia funcionar, meu amor? ”Ele a perguntou, quase divertido e irritado ao mesmo tempo

Briely ficou paralisada, o horror puro subindo pela garganta. “NÃO, NÃO SE APROXIME!” gritou ela desesperada, dando um passo para trás, as mãos trêmulas.

"Eu já te disse" continuou ele firme "Você não vai a lugar algum." Ele deu outro passo em direção a ela. “ Por Favor, Pare de fazer birra meu amor, Venha Comigo "

 

“FIQUE BEM LONGE DE MIM!”gritou ela novamente, o desespero tomando ainda mais conta dela.

Com um gesto frenético, ela usou seus poderes novamente. O mar atrás dela se agitou violentamente, e então, com um estrondo, as águas se abriram como uma passagem, formando duas paredes imensas de água que se erguiam dos lados, formando um caminho no meio do oceano.

Os humanos na praia gritaram ainda mais alto alguns caíram de joelhos, o pânico se espalhando enquanto testemunhavam o fenômeno sobrenatural.

“Deus do céu, o que está acontecendo?!” berrou uma mulher, correndo com outros para longe da costa.

Briely não olhou para trás. Ela Apenas Correu para dentro da passagem, a água rugindo ao seu redor, as paredes tremendo com a força de seu poder.

Mas ao virar a cabeça por um instante pra traz , viu que Morpheus havia desaparecido da praia. O coração dela parou.

Então, ao olhar para frente, lá estava ele calmo, olhando pra ela como se tivesse todo o tempo do mundo. de pé no meio do caminho aquático.

"Estou impressionado, briely… O mar se abrindo pra voce"  disse ele, dando um passo lento em direção a ela.

"Pena que seus poderes, por mais belos que sejam…". "são completamente inúteis contra mim no momento."

“NÃO!” gritou ela, com raiva e medo. Com toda a fúria que ela podia reunir, ela ergueu as mãos e mandou as paredes de água desabarem sobre ele, uma torrente esmagadora que o engoliu mais uma vez.

Sem esperar para ver o resultado, ela correu logo em direção à praia, a areia molhada sob seus pés, o peito ardendo enquanto olhava para o mar por um segundo, esperando que isso o atrasasse o suficiente.

Sua mente trabalhava freneticamente, Ela pensava, desesperada e quase chorando. “E agora? Eu  Não posso pedir ajuda a ninguém. Eu Não conheço ninguém nesse universo. Quem me ajudaria?”

“O Poseidon... Poderia, além dele talvez  Algum outro deus grego? "

"Não sei... poderia ser que sim ou não, é difícil saber no momento mesmo eles  sendo amigáveis comigo naquele dia, não sei se colocariam o pescoço em jogo por mim.”

 

Ela começou a rezar, os lábios se movendo em silêncio. Ela sussurrou, suplicante “Por favor, funcione. Por favor, me ouça...”

Mas nenhuma resposta veio.

O silêncio era sufocante, e o desespero cresceu dentro dela como uma onda prestes a quebrar.

De repente, um braço a envolveu por trás, apertando-a com força. “Não, não, não!”Ela exclamou, em pânico total, enquanto tentava se livrar do aperto dele.

“Seus poderes são realmente magníficos, meu coração,” confessou Morpheus, a voz baixa e quase reverente perto de seu ouvido. “Se você fosse uma deusa, posso imaginar o quão forte seria.”

Briely se debateu, os punhos batendo contra o braço dele, mas era inútil. “Me solta, seu desgraçado!” ela gritou, a sua  voz cheia de ódio e pânico.

“Já chega disso,” cortou ele, o tom endurecendo, e a perguntou um tanto irritado. “Você rezou para ele? Para Poseidon? Ele não pode te ajudar agora.”

Ela o ignorou continuou a se debater, gritando, enquanto ele a segurava com mais força.

Então, com um movimento firme, ele virou o queixo dela em direção à cidade. “Você ainda não entendeu?” “Olhe o que causou, Todo esse caos, Por favor Pare de fazer birra meu amor."

"Olhe ao redor, Veja o que você está causando aos humanos por aqui.”

 

Briely olhou, os olhos arregalados de horror ao ver prédios próximos com janelas estilhaçadas, carros capotados e destroços espalhados pela força da onda que ela criara.

O remorso a atingiu como um soco no estômago.

"Eu… eu não queria…"  ela sussurrou, com culpa e remorsos pelo caos.

Enquanto isso, por dentro, Morpheus sorria, satisfeito ao ver o coração mole dela se quebrando.

Briely ao ver o sorriso dele  o empurrou com toda a força que tinha, as mãos batendo contra o peito dele.  “Pare com isso! Eu não estou fazendo birra! Eu só quero ficar o mais longe possível de você!"

"Depois do que você tentou fazer comigo, me solta, Morpheus!"

"Eu confiava em você, e você tentou me forçar. Como pôde?” Ele não se moveu, apenas a segurou e a puxou mais contra si, abraçando-a com uma intensidade que a fez estremecer. “Você não precisa ter medo de mim, meu amor. Eu só quero o que é melhor para nós.”

"Pare de tentar lutar  contra mim agora e usar seu poderes contra mim aqui, porque se  você continuar a usá-los …" "Você Vai ter  mais sangue desses humanos ao nosso redor nas suas mãos do que nas minhas."

Ela arrancou o anel do dedo, o metal se transformando em sua espada de bronze celestial, ela tentou acertar as costas dele mais não adiantou, a lâmina apenas deslizou contra a pele dele, sem deixar nem um arranhão.

“Não, não, não…” murmurou ela, a voz quebrando de frustração.

Morpheus inclinou a cabeça, um leve sorriso nos lábios. “Tão corajosa” murmurou ele amorosamente.“Você realmente tentou me esfaquear pelas costas, meu amor?"

"Isso não funciona comigo, Essa sua espada não tem efeito algum contra mim,  Você só está conseguindo me irritar, ainda mais com toda essa luta, quando você já sabe que isso não adiantará nada."

"Eu sou um Perpétuo, meu amor, Então pare já com isso.”Com um movimento brusco, ele arrancou a espada da mão dela e a jogou para longe, o metal tilintando na areia.

Briely tentou recuar, mas ele a segurou pelo braço. “Não me toque!” gritou ela, tentando se livrar  dele novamente. 

“Você não entende,” disse ele, a voz ganhando um tom mais sombrio. “Eu não vou deixar você simplesmente fugir,  Não depois de tudo.”

"Você vai voltar  de volta para o sonhar comigo."

Ela tentou empurrá-lo, as unhas cravando na pele dele, mas era como lutar contra uma parede.“Eu te odeio!” ela berrou, as lágrimas de raiva escorrendo pelo rosto. “Você era meu amigo, Morpheus! Como pôde tentar me forçar a casar com você? Como pôde trair minha confiança assim?”

As palavras pareceram realmente atingi-lo por um momento, os olhos dele foram escurecendo ainda mais, a raiva transbordando. “Você não entende ainda o quanto eu te amo,” rosnou ele, puxando-a mais para perto. “Eu nunca te vi como uma amiga, Briely. Sempre te amei, desde o primeiro instante.”

Ao redor deles, o céu se fechava, nuvens escuras se formando com trovões ecoando enquanto tempestades e furacões em menor escala se agitavam.Um reflexo do desespero de Briely.

O mar atrás deles se tornou agitado e a tempestade aumentou, e as pessoas na cidade por perto da praia gritavam, correndo para longe do caos sobrenatural.

 

“Tá tendo um terremoto, corre!” berrou uma mulher, segurando uma criança no colo enquanto fugia pra um local seguro.

 

“Isso não é natural!” gritava um grupo de adolescentes, tropeçando uns nos outros, na pressa pra fugir do local.

 

Um leve terremoto fez o chão tremer, e Briely, mesmo que preocupada com os humanos por perto, sabia que ela não podia parar. "Se eu não conseguir   fugir  agora, algo em minha intuição gritava que eu nunca mais teria chance."

Ela empurrou mais ondas de água contra ele, projéteis afiados que se chocavam contra seu corpo, mais como esperado,  foi sem efeito.

Ela Conseguiu se soltar por um breve momento, quando ele a soltou,  pra ela não se machucar,  e, ela aproveita o momento e logo sai  correndo na direção do mar, a água chegando até os joelhos, mas antes que ela  conseguisse sequer ir mais longe, braços fortes a envolveram por trás.

“Você só está se cansando, meu amor,” disse ele. “Você me pegou desprevenido uma vez, mas isso não vai mais acontecer.”

Ela mordeu a mão dele com força quando ele tentou tocar seu rosto.

Morpheus não ficou com raiva, em vez disso, ele achou graça, em vela tão raivosa assim, um sorriso sombrio logo foi surgindo, enquanto a deixava correr,  só por mais um instante.

Briely aproveitou, e entrou mais no mar, a água agora estava na sua cintura, mas logo como esperado a pegou novamente, as costas dela pressionadas contra o peito dele.

“Já chega disso,” disse ele, sem mais paciência, enquanto a tirava da água com facilidade. “Você não vai a lugar algum.”

 

“ME SOLTA! SOCORRO!” gritava ela, desesperada.

"PAI!" Ela  gritou pro oceano. E não houve Nenhuma resposta. 

"Ele não pode te ouvir agora" sussurrou Morpheus no ouvido dela.

Ela se debateu, gritou, mordeu. “Por favor, Morpheus, me deixa ir!” Ela o implorou, chorando.

Mas, ele a ignora, e então, sem mais espera, eles logo foram engolidas por um flash de areia.

 

E No instante seguinte, eles estavam de volta ao Sonhar.

 

 

De longe, na praia, uma criatura marinha enviada por Poseidon, observava toda a cena com olhos atentos.

escondida entre as ondas,  é e claro, também tremendo de medo.

Poseidon, que havia sentido o uso da concha de sua filha, mas também percebendo que algo estava errado, que talvez o artefato foi, ou podesse ter sido danificado.

Ordenou que todos os seus súditos nas proximidades, procurassem por sua filha pela praia, e na cidade, com total urgência e a levassem até ele, ou  avisassem  a ele caso a vissem em algum outro lugar.

A criatura, que estava escondida entre as ondas, viu tudo, e ouviu cada palavra trocada entre  a jovem senhorita, e o senhor dos sonhos.

Viu a princesa abrir o mar, Viu o Senhor dos Sonhos lidar com a jovem senhora em seu acesso de raiva,  Viu os braços dele se fecharem em torno dela.

E também e Claro, Viu o flash de areia os envolvendo, E com isso a jovem senhorita sumiu. 

 

Mas não não ousou interferir, sabendo que se fizesse, seria destruído pelo Senhor dos Sonhos se fosse visto.

Outras criaturas marinhas próximas, também testemunharam o confronto, Como tritões, e  tubarões mais antigos.

Eles estavam Sentindo pena da jovem senhorita, enquanto murmuravam entre si sobre o que presenciaram."O Sonho a levou." "Ele a levou." "A princesa lutou… e perdeu."

 

Após a saída do senhor dos sonhos  levando  consigo a jovem princesa, a criatura  nadou rapidamente, para relatar tudo o que viu acontecer ao seu mestre Poseidon.

 

 

 

 

 

 


 

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Ele a soltou assim que chegaram ao Sonhar, os pés dela tocando o chão úmido de uma clareira próxima ao castelo.

Morpheus deixou que ela corresse, propositalmente,  o Sonhar era seu domínio, e que ela nunca escaparia novamente.

 

Briely não perdeu tempo, começando a correr imediatamente. mesmo sabendo que era inútil.

Ela Não foi em direção ao castelo, mas sim para longe dele ali, ela correu bastante pelo sonhar, e não parou de correr, até avistar uma floresta escura, envolta em névoa bem  à sua frente.

 

Ela se lembrou de Matthew comentando sobre aquele lugar,  A Floresta dos Pesadelos.

“Que se dane, Qualquer lugar e melhor, Qualquer lugar,  e melhor do que ficar ali com ele”

 

Morpheus ficou parado na clareira, apenas observando-a correr, com um brilho nos olhos que a fez estremecer,  mesmo estando de costas.

Ele gostava de vê-la fugir, percebeu ela, o coração apertando de mais terror. "Ele só tá brincando comigo. Como um gato com um rato."

Ela correu pela floresta, passando por árvores retorcidas, os galhos parecendo garras que tentavam agarrá-la, rasgando ainda mais o seu robe, arranhando a pele já machucada.

Até que, não prestando atenção, Seus pés tropeçaram em um galho, e ela caiu com força no chão, o impacto reverberando em seu braço machucado.

Um grito de dor escapou de seus lábios enquanto as lágrimas brotaram novamente.

Antes que ela pudesse se levantar totalmente, algo a puxou pelas costas, jogando-a contra o solo da floresta.

Era ele.

 

Morpheus a prendeu no chão sob seu peso, o corpo dele pesando sobre o dela, os olhos brilhando com uma mistura de raiva e desejo doentio.

Você já se cansou de correr, meu amor?”Perguntou ele suavemente, mas sua voz continha um tom de perigo.

“Eu deixei você correr o quanto quisesse, mas agora chega. Você poderia ter ido para o castelo." Ele tinha os olhos semicerrados devorando a expressão de pânico no rosto dela.

"Nossa primeira vez seria lá, em um lugar digno." Ele passou a língua nos lábios devagar, como se já imaginasse o momento.

"Mas agora... não consigo me controlar mais.Ou melhor, ele não queria se controlar  Prometo que compenso isso em breve.”Os músculos dos braços dele tensionaram, pressionando-a ainda mais contra o chão.

 

“Não, por favor, não faça isso!”Implorou ela, as lágrimas escorrendo enquanto ele se inclinava e a beijava à força, os lábios dele esmagando os dela com uma fome desesperada.

O beijo era invasivo, sufocante, a língua dele forçando passagem enquanto ela tentava se afastar, as suas mãos empurrando contra o peito dele.

Ela virou o rosto com força, mas só conseguiu que ele a segurasse pelo queixo com mais brutalidade.

 

“Shh, meu amor,” Murmurou ele contra a boca dela. O tom era falsamente doce, e  os seus olhos faiscavam com uma fúria contida, por ela ainda pensar em fugir.

“Sua fuga, sua luta... só me deixaram com mais raiva. Mais impaciente.” Ele começou a puxar o robe dela, o tecido rasgando com facilidade sob suas mãos, expondo a pele dela ao ar frio da floresta.

Vendo que ele não pararia, Ela começou a gritar o implorando. “Por favor morpheus, não precisa de nada disso!" EU ACEITO" A voz dela subiu num tom desesperado.

"você não Precisa fazer isso, eu aceito sua proposta,Ta Bom ? eu me caso com você eu juro, só pare, pare com isso!” Ela balançou a cabeça de um lado pro outro, implorando.

 

Ele parou por um momento, os olhos brilhando com uma satisfação doentia.

“Já e Tarde demais, Briely.” Ele sussurrou, os lábios roçando o pescoço dela enquanto falava.

"Mas fico feliz que finalmente diga que  aceita .” Ele sorriu contra a pele dela, os dentes roçando de leve, os dedos apertando o quadril com força possessiva.

Então, sem mais palavras, ele continuou, os lábios descendo pelo pescoço dela, beijando e mordendo a pele exposta com força, deixando marcas vermelhas.

Seus dedos exploraram mais para baixo, deslizando por entre as coxas dela até alcançar sua intimidade.

Ele não hesitou, forçando entrada com dois dedos, movendo-os dentro dela sem qualquer gentileza.

 

Briely gritou, o corpo tenseando de dor e medo, enquanto ele invadia seu espaço mais privado, o toque dele era violento e possessivo, explorando-a enquanto ela se debatia sob ele.

 

“EU TE ODEIO!” berrou ela, as palavras carregadas de raiva e desespero. Com as unhas cravando nos braços dele sem sucesso.

isso só pareceu alimentar o desejo dele.

Ele continuou, os dedos movendo-se com uma precisão cruel, ignorando os gritos dela, até que, contra a vontade dela. o corpo dela depois de um tempo reagiu, um clímax  que a fez soluçar de humilhação.

Ela virou o rosto para o lado, mordendo o lábio até sangrar, lágrimas quentes escorrendo sem parar.

“Você pode me odiar, minha rainha, mas eu vou fazer você me amar,” Disse ele,  beijando as lágrimas  que escorria pelo rosto dela. “E vamos começar agora.”

“Veja só, meu amor,” Sussurrou ele, enquanto tirava as próprias roupas, revelando o corpo pálido e esguio, os músculos definidos tensionados com desejo.

Ele a encarava, os olhos devorando cada centímetro da pele exposta dela.

Em sua mente, ele pensava. "como ela era perfeita sob ele,  Ele queria possuí-la em todos os sentidos, marcá-la como sua, gravar cada toque em sua memória para que nunca mais, ela tentasse ou ousasse, escapar dele.”

Ela sentiu o membro dele contra sua entrada, duro e insistente, e as lágrimas rolaram mais rápidas.

“Espera, por favor, Morpheus, espera!” ela Implorou, a voz falhando, mas ele não ouviu.

Ele a olhou nos olhos, o olhar  cheio de uma fome voraz. “Vai doer um pouco, meu amor, porque é sua primeira vez." Ele disse,  carinhosamente. passando a mão pelo cabelo dela. 

"Mas isso vai melhorar, e logo você vai sentir prazer.” Com um movimento lento, ele se inseriu nela, a dor aguda rasgando através dela como uma faca.

“PARA! POR FAVOR" gritou ela, o corpo tremendo sob o dele.

Ele a beijou, engolindo os gritos dela, enquanto continuava a empurrar.

“Aguente um pouco, meu amor." Ele murmurou contra os lábios dela, a voz quase carinhosa, mas os movimentos dele permaneciam implacáveis. "Eu sei que você "aguenta."

 

Ele beijava as lágrimas que escorriam pelo rosto dela, os lábios macios contrastando com a violência de seus movimentos.

“Aguente so um pouco, meu amor. E A dor logo vai passar.”Ele sussurrou isso repetidamente, como um mantra doentio, os dedos entrelaçando nos cabelos dela e puxando de leve pra manter o rosto dela virado pra ele.

Ele continuou, inicialmente lento, cada estocada parecendo um tormento, cada movimento a fazendo sentir como se estivesse sendo rasgada ao meio.

Então, ele acelerou, o ritmo brutal, os gemidos baixos e roucos dele misturando-se aos soluços desesperados dela.

 

Horas se passaram, o corpo dela incapaz de resistir mais, a dor misturando-se a uma exaustão avassaladora.

Várias vezes ela quase desmaiou, a mente se dissociando, mas ele sempre a trazia de volta, beijando-a com força ou aumentando a intensidade, fazendo-a gritar.

Acorde, minha rainha, fique comigo,” dizia ele. voz rouca de prazer, os dedos apertando o quadril dela com força suficiente pra deixar marcas.

Até que, finalmente depôs de horas, ela sentiu algo quente a preencher por dentro, uma sensação de plenitude que a fez estremecer 

ele havia gozado dentro dela.

Ele a beijou novamente, encostando a testa na dela, os olhos negros fixos nos dela enquanto ofegava.

Ela começou a fechar os olhos.

E dessa vez ele deixou, permitindo que a escuridão a envolvesse enquanto ela desmaiava completamente em seus braços.

 

Morpheus a segurou contra si, os olhos brilhando com uma satisfação doentia enquanto olhava para o corpo inerte de sua amada.“Você é minha agora, Briely,”  Ele beijou a testa dela com uma ternura perturbadora. “E eu vou cuidar de você agora, meu amor tudo vai ficar bem.”

 

 

 

 

Morpheus carregou o corpo inconsciente de Briely de volta ao Sonhar, dirigindo-se aos seus aposentos privados.

Seus passos eram firmes, o peso dela em seus braços parecendo insignificante diante de sua determinação.

No caminho,ele  encontrou Lucienne, que parou abruptamente, seu rosto normalmente sereno congelado em uma máscara de choque.

Seus olhos percorreram a cena com uma lentidão dolorosa:Briely, agora enrolada no casaco de Morpheus, parecia uma boneca quebrada.

Marcas arroxeadas salpicavam todo o seu pescoço, os lábios inchados e mordidos exibiam traços de sangue seco, e o cabelo dela estava emaranhado com galhos e folhas.

Lucienne sabia, naquele momento, o que o seu mestre havia feito com a senhorita.

Ela esperava que a jovem conseguisse fugir quando escapou com o presente que o lorde  Lorde Poseidon deu a ela  quando ela o usou  quando fugir pra bem longe  do sonhar.

Mas isso não ocorreu, afinal.

“Mestre, o que você fez?” A voz de Lucienne saiu trêmula, contendo  uma mistura de medo e reprovação. Ela sabia, no fundo, a resposta, mas precisava ouvir as palavras dele.

Morpheus lançou-lhe um olhar cortante.

“O que eu precisava fazer, Lucienne,”Respondeu ele, friamente sem espaço para questionamentos.

Lucienne sentiu um aperto no peito.

Sua lealdade a Morpheus era inabalável, mesmo depois disso, mas algo dentro dela se retorcia ao ver o estado de Briely.

“No final, o mestre conseguiu o que queria,” Pensou ela, um peso de culpa se instalando em sua mente. “Jovem senhorita, eu sinto muito.”

No entanto, ela sabia que questioná-lo agora seria inútil, talvez até perigoso.

Com um aceno de cabeça resignado, ela deu passagem, seus olhos seguindo a figura imponente de Morpheus enquanto ele continuava, com Briely inconsciente em seus braços.

 

Ao chegar ao quarto, Morpheus a deitou na cama com uma reverência perturbadora, seus dedos demorando-se por um instante em seu rosto.

Ele se deitou ao lado dela, puxando-a para seus braços, e deu um beijo suave em sua testa. “Agora você não vai se separar mais de mim,” ele sussurrou contra a pele dela.

Briely, ainda perdida na escuridão de sua inconsciência, não respondeu.

Seu rosto, mesmo em repouso, carregava traços de angústia, as sobrancelhas franzidas como se estivesse presa em um pesadelo sem fim.

 

Morpheus a segurou com mais força, os dedos cravados em sua cintura, como se temesse que ela pudesse evaporar no ar.

Ele Fechou os olhos, inalando o cheiro de terra e medo que ainda impregnava sua pele.

Ele sabia que havia cruzado um limite irreversível. E também, que Ela o odiaria agora por isso.

Mas também sabia que faria tudo de novo. sem hesitar, para mantê-la ao seu lado.

Ele resolveria essa questão dela Odia-lo. Ela só precisava de tempo pra se acostumar com tudo.

 

Seus dedos começaram a traçar os contornos do corpo dela, deslizando lentamente por baixo do casaco que a cobria, explorando cada curva com uma posse deliberada.

“Você não tem ideia do quanto esperei por isso,” Murmurou ele, com a voz rouca, quase um rosnado baixo “Do quanto te quis desde o primeiro momento que te vi.”

Ele inclinou a cabeça, os lábios roçando o pescoço dela, beijando as marcas arroxeadas que ele mesmo havia deixado. “E agora você é minha." Ele sussurrou,  com os dentes roçando levemente a pele dela.

"Não vou deixar ninguém te tirar de mim.” Ele puxou o casaco de lado, expondo mais da pele machucada de Briely, os olhos fixos em cada detalhe como se estivesse memorizando cada marca.

“Tão perfeita assim,disse ele pra si mesmo, a mão deslizando pela lateral do corpo dela, apertando com firmeza.

“ Só minha.” Ele se moveu, ajustando o corpo dela contra o seu, os lábios descendo pelo pescoço até a clavícula, deixando um rastro de beijos possessivos.

“Eu poderia te acordar agora”Sussurrou contra a pele dela novamente, os dentes roçando de leve enquanto falava. “Fazer você sentir tudo de novo, sentir o quanto te desejo.” "E Punir você aínda mais, por ousar fugir de mim"

Ele parou por um momento, se contendo, e então riu baixo, o som ecoando no silêncio do quarto. “Mas vou te dar esse tempo. Só um pouco mais de descanso, meu amor."

"Porque quando você acordar, não vou me segurar mais com você. ”Ele se inclinou mais uma vez, capturando os lábios inchados dela em um beijo, forçando passagem enquanto sua mão deslizava mais para baixo, explorando a pele exposta com um toque que era ao mesmo tempo desejo e controle.

“Agora, Ninguém vai te tirar de mim agora, Briely,” Murmurou contra a boca dela, os dentes roçando o lábio inferior.

“Nem seu pai, nem algum deus, nem mesmo  qualquer destino."

"Você é minha, e vou provar isso quantas vezes for preciso.” “Descansa enquanto pode, meu amor,disse ele, os lábios roçando a testa dela mais uma vez.

“Porque quando você acordar, vamos nos casar.

"E não vai haver mais fugas suas. Só eu e você... pra sempre.”

 

 

 

Quando Briely acordou, a primeira coisa que ela  sentiu foi o seu corpo dolorido e pesado, e  uma dor aguda no abdômen e, principalmente, entre suas pernas.

O peso de alguém a abraçando a fez congelar.

E ela sabia exatamente quem era.

"Ele ... Ele realmente fez isso comigo, não foi  tudo um pesadelo não é..." As lágrimas começaram a cair no mesmo instante, soluços baixos escapando dela enquanto tentava processar a realidade.

Morpheus a puxou para si com firmeza, o peito dele pressionado contra suas costas. “Shh minha rainha, está tudo bem. Vou cuidar de você” disse ele, com a  voz suave, mas carregada de uma posse que a fez tremer.

"Não está tudo bem, Acho que Nunca mais vai estar" Briely encolheu-se instintivamente ao som daquelas palavras.

Ela lembrava vividamente da brutalidade dele, da forma como ignorou seus gritos e súplicas para ele  parar.

Ele a havia tomado à força no chão frio da floresta.

Ela tinha certeza, que ele fez aquilo como uma punição, afinal ela tinha aceitado a proposta dele.

Sem dizer nada, ela manteve os olhos fechados, recusando-se a encará-lo.

Implorar agora não adiantaria, em nada, afinal.

 

“Olhe pra mim,” ele a ordenou, com um tom que não admitia desobediência.

 

Ela se recusou, mantendo o rosto virado, os olhos apertados. "Se eu abrir os olhos, vai ser real, Não. Não vou te dar isso. Não vou te dar”

Morpheus suspirou, com a teimosia dela,  ela sentiu a mão dele tocar sua bochecha, os polegares limpando as lágrimas que escorriam.

Olhe pra mim, Briely,” ele repetiu, agora com um tom ainda mais autoritário, o que fez um arrepio de medo percorrer sua espinha.Com relutância, ela abriu os olhos.

Embora ela quisesse negar e desobedecer. Ela Decidiu não o irritar agora, temendo o que ele poderia fazer com ela novamente.

Seus olhares se encontraram, e ela o encarou com raiva e tristeza, os já olhos inchados de tanto chorar. "Eu te odeio. Eu te odeio tanto”

Ele pareceu estudar sua expressão por um momento antes de falar.

“Você se sentiria melhor com um banho,” disse ele, sem esperar por uma resposta dela.

Ele a pegou no colo de repente, carregando-a em direção ao banheiro.

Briely ficou rígida em seus braços, sem forças para resistir. "Não me toque. Por favor, não me toque de novo."

Ao chegarem, ele a colocou no chão com cuidado, mas suas mãos logo removeram o casaco dele que a cobria, deixando-a completamente nua.

Instintivamente, ela cruzou os braços sobre o corpo, tentando se cobrir enquanto ele se afastava para preparar a banheira.

Quando ele voltou, Briely deu um passo para trás, mas Morpheus apenas a pegou no colo novamente, ignorando seu retroceder.

Ele a colocou dentro da banheira, a água quente envolvendo seu corpo e oferecendo um alívio momentâneo à sua dor física.

Mas o instante de paz se desfez, quando ele começou a tirar suas próprias roupas. revelando o corpo nu, pálido e esguio.

Briely se encolheu, movendo-se rapidamente para o lado oposto da banheira. "Não. Não de novo."

“Minha querida esposa, mais por que você está fugindo de mim?” perguntou ele, o tom quase zombeteiro enquanto se aproximava dela.

Ela se levanta e sai da banheira colocando espaço entre eles, mais ele se move para o lado onde ela esta.

As pernas dela tremeram, e um sorriso lento se formou nos lábios dele ao perceber isso. "Ele gosta. Ele gosta de me ver assim"

“Esposa? Esposa? Eu não sou sua esposa, Morpheus! Olha o que você fez comigo!” Exclamou ela, a voz carregada de raiva enquanto o encarava, os olhos brilhando de ódio.

Ele, no entanto, pareceu achar a reação adorável, os olhos escuros brilhando ao vê-la enfrentalo.

 

“Você é minha esposa agora,” retrucou ele, aproximando-se até ficar a apenas alguns passos dela. “E, vou tornar isso oficial, quer você aceite ou não.”

 

Briely não soube o que a possuiu naquele momento.

Mais Ao ouvir aquelas palavras, algo dentro dela explodiu.

Sem nem pensar, ela ergueu a mão e deu um tapa com toda força que conseguia no momento no rosto dele, o som ecoando nas paredes do banheiro.

 

O rosto de Morpheus virou um pouco para o lado com o impacto, e por um breve instante, o silêncio foi sufocante.

 

Você me bateu,” afirma ele tocando o rosto, a sua voz baixa, e perigosa, causando arrepios nela.

Briely deu um passo para trás, as costas colidindo com a parede fria do banheiro.

Ele virou o rosto lentamente, os olhos brilhando ao encará-la. “Ninguém pode me bater.”

 

“Eu fiz, E o que você vai fazer comigo dessa vez?  Vai me forçar de novo? Ou talvez, Vai me arrastar pra um altar, e me forçar a casar com você ?"  retrucou ela sem pensar, a voz tremendo de raiva, embora o medo que ele realmente fizesse isso pulsasse em cada palavra.

 

Morpheus avançou, encostando o corpo no dela, o calor de sua pele contrastando com a frieza da parede.

Ele levantou o queixo dela com os dedos, forçando-a a olhar para ele.

“Agora, que você não é mais donzela, eu posso me casar com você, mesmo que não queira." Explicou ele a ela,  sussurrando contra os lábios dela.  "Afinal, eu tirei isso de você, Agora, Nem mesmo Poseidon poderia ajudar você."

"Se eu escolher me casar com você, Ele não terá outra escolha senão aceitar,  Ele  Não pode se opor a mim.” Ele a beijou sem aviso, um beijo dominante que ela não conseguiu evitar.

Em seguida, suas mãos agarraram a cintura dela, levantando-a com facilidade e a levando de volta para a banheira.

Ele a colocou na frente dele, sentando-se atrás, as costas dela pressionadas contra o peito nu enquanto a abraçava por trás.

Suas mãos começaram a lavá-la, passando pela pele dela, removendo traços de terra da floresta que ainda grudavam em seu corpo.

"Não me toque. Não me toque. Não me toque." Os olhos de Briely desceram para a água, e ela notou o tom avermelhado que tingia a superfície, o sangue seco de suas coxas dissolvendo-se lentamente. "Esse sangue isso é ..."

Aquilo, a fez sentir um nó na garganta, a vontade de chorar voltando com força, mas ela engoliu o choro, segurando as lágrimas com o pouco de força que ainda tinha.

 

Morpheus moveu as mãos para lavar aquela área, mas Briely se encolheu violentamente, agarrando sua mão com uma força que nem sabia que ainda possuía. “Eu faço isso,” disse ela, com voz rouca.

 

“Não. Você não se moverá. Eu lavarei minha esposa,” respondeu ele, firme, já retomando o movimento.

Suas mãos a lavaram com uma determinação que parecia gentil.

"Minha esposa. Minha esposa. Eu não sou nada disso.” o sangue dela, se espalhando na água fazia Briely se encolher ainda mais, o corpo tenso sob o toque dele.

 

Ele beijou o pescoço dela, os lábios quentes contra a pele marcada.

“Está tudo bem. Você não precisa ficar tensa. Não farei nada com você aqui,” murmurou ele, as mãos dele continuando a lavá-la, suas mãos deslizando com cuidado sob a pele dela , o que a fazia estremecer.

"Você já fez o pior que qualquer coisa que eu consiga imaginar."

"Se isso é “não fazer nada”, eu não quero nem imaginar o que você chama de “fazer alguma coisa” pensou ela amargamente.

 

 

 

No Reino de Poseidon, as correntes submarinas pareciam mais agitadas, como se espelhassem a tempestade que rugia dentro de Poseidon.

O deus dos mares, estava encurvado em seu trono de coral, os olhos fixos em um ponto distante, enquanto sua mente girava em tormento.

"Minha filha. Minha única filha, Três meses de vida e já carregando uma cicatriz, que nem milênios vão apagar."

Horas haviam se passado, desde que um de seus súditos mais fiéis. Um tritão de confiança, trouxe as notícias perturbadoras pra ele,  sobre o que aconteceu na praia com sua filha e o Senhor dos Sonhos.

Cada palavra do relato ecoava em sua mente, ele conseguia imaginar a cena, sua filha ferida e desesperada, usando seus poderes contra o Morpheus. O que seu súdito disse que ouviu sua filha falando, o que o senhor dos sonhos tentou fazer com ela, e como ele a levou embora.

"Eu devia ter insistido mais pra ela vir morar comigo e ficar longe do Sonhar. " Poseidon havia enviado cartas, emissários e até mensagens para o reino dos sonhos, mas como esperado, nenhuma resposta veio.

O silêncio de Morpheus era uma afronta.

E também e claro, uma confirmação de suas piores suspeitas. Ele temia pelo que sua filha, sua única filha, estaria enfrentando agora  nas mãos do morpheus.

Ele mal teve tempo de conhecê-la, apenas uma única noite de conexão, e agora ela parecia perdida para ele.

Seu súdito relatou tudo o que ouviu, e a pena que Poseidon sentia por sua garotinha, era um peso esmagador em seu peito.

Ele tinha quase certeza, de que, a essa altura, Morpheus já a tomou para si. "Ele a desonrou. Ele a quebrou. E eu… eu deixei."

 

 

Enquanto isso, Artemis sentiu uma mudança no ar.

Uma sensação aguda, como o estalar de um fio invisível, percorreu seus sentidos.

Ela percebeu que, a virgindade de sua prima Briely se foi, Isso era uma lástima. 

Desde que Afrodite, alguns dias após conhecer Briely em um jantar, ela  confidenciou que a jovem, perderia a sua pureza muito em breve.

Ela pediu a Artemis para ficar de olho, e ela concordou em  manter  uma vigilância discreta.

Afrodite queria saber exatamente quando isso ocorresse, e Artemis, preocupada com o destino de sua prima, decidiu monitorar a situação de perto.

Agora, com essa mudança confirmada, a inquietação apertou seu coração.

Ela sabia que sua prima não estava noiva, e o fato dela  de ter perdido sua virgindade para o Senhor dos Sonhos, Morpheus, a enchia de apreensão. "Ela era virgem. E agora não é mais." "Agora ele poderia se casar com ela sem a permissão do tio." 

Preocupada e determinada a agir, Artemis se teletransportou para o reino de seu tio.

Ao encontrar Poseidon, ela  não se deteve com formalidades. Seus olhos, sempre atentos como os de uma predadora, cravaram-se nos dele.

 

“Tio, senti a virgindade de Briely desaparecer. Morpheus a desonrou,” declarou ela, sem rodeios, preocupada  pela sua mais nova prima. 

 

Poseidon sentiu um nó apertar em seu peito, ao ouvir de fato a confirmação que ele temia, mas que agora era inegável.

Sua tristeza pela filha se misturou a uma raiva fervente, sua mão apertando o tridente com tanta força que o coral ao redor estalou.

“Como ele ousou?" "Eu Deixei claro que negava esse casamento, e mesmo assim ele desonrou minha filha." "Ele me deixa sem escolha a não ser aceitar essa união."

"Como um Perpétuo, ele está além de qualquer intervenção minha." "Não há nada que eu possa fazer para reverter isso.”

"Ele pode se casar com ela agora, depois do que  fez , mesmo sem a minha permissão" Sua voz  como um trovão, cheia de frustração e impotência. “Eu temi mesmo que isso acontecesse.”

Artemis observou seu tio com olhos estreitados, vendo a dor e a raiva estampadas em seu rosto.

Ela sabia que ele estava certo; contra um Perpétuo, até mesmo um deus como Poseidon tinha suas limitações.

“Tio, algumas deusas do nosso panteão já devem saber. Elas também podem ter sentido a mudança,” acrescentou ela, a voz mais baixa, mas carregada de pesar.

 

Poseidon parou, virando-se para encará-la, seu rosto contorcido de humilhação.

“Isso só piora as coisas." Ele murmurou. "Agora, todos saberão que ela foi desonrada, e que não consegui proteger minha única filha.”

 

Com um suspiro pesado, ele se levantou e caminhou em direção a seu escritório no palácio submerso, um espaço onde as correntes de água dançavam pelas janelas, refletindo a inquietação de seu coração.

Ele precisava de isolamento para processar a vergonha e a dor.

Mas não teve muito tempo para si mesmo. Anfítrite, sua esposa, encontrou-o lá, seu rosto cheio de preocupação enquanto se aproximava. “É verdade?” ela o perguntou suavemente.

“Ouvi algumas ninfas, no corredor cochichando sobre o que houve com a  Briely na praia com Morpheus, e também... sobre o que poderia ter acontecido com ela a essa altura.”

 

Poseidon assentiu, o olhar distante fixo nas correntes que giravam além da janela. “Sim, é verdade. Morpheus a desonrou, e agora, como você Sabe não há nada que eu possa fazer além de permitir que ele se case com ela.” 

 

Anfítrite aproximou-se, pousando uma mão gentil em seu ombro, um gesto de consolo diante da tempestade que ela sabia que o consumia.

“Isso é difícil, meu amor, mas talvez haja uma maneira de encontrar paz nisso. Briely está viva, e Morpheus parece determinado a mantê-la ao seu lado. Ela ficará bem.”

 

Poseidon virou-se para ela, os olhos marejados de raiva e dor. “Talvez você esteja certa." respondeu, a voz falhando. "Mas a humilhação..."

"Eu não consegui protegê-la dele. Deveria tê-la trazido para morar comigo."

"Aqui, ela estaria mais segura conosco. Ela não teria que passar por isso.”Anfítrite balançou a cabeça levemente, a expressão serena, mas firme. “Querido, não acho que isso teria funcionado. Ele daria um jeito de conseguir o que queria. Ele é um Perpétuo, afinal.”

 

Ela ofereceu um sorriso tímido, quase frágil, mas cheio de uma força silenciosa. “Nós somos deuses, meu amor. Temos a eternidade para nos curar." "E quem sabe? Talvez este casamento traga algo positivo."

"Uma união entre um Perpétuo e ela poderia fortalecê-la, protegê-la de outros perigos. Você me disse que ela é meia humana, não é?"

"Afrodite confidenciou que Morpheus a aprecia de uma forma... intensa.” Poseidon soltou um suspiro longo, os ombros caindo enquanto se sentava em uma cadeira.

Sua mente era um turbilhão de emoções raiva, tristeza, impotência – mas, no fundo, ele sabia que agora não podia fazer mais nada.

O caminho à frente seria tortuoso, cheio de murmurações entre os deuses e olhares de julgamento.

Ainda assim, uma determinação  começou a se formar em seu peito.

Ele engoliria o amargo sabor da derrota.

e da perda de sua única filha.

mas não descansaria até encontrar uma forma de, pelo menos, garantir que ela tivesse algum vislumbre de segurança ou felicidade, mesmo nas mãos de Morpheus.

Ele olhou para Anfítrite, e Murmurou. “Eu falhei com ela , em protegela com minha filha." "Mas juro  que, de alguma forma estarei lá pra ela, farei o que puder para ajuda-la e que ela não sofra mais do que já sofreu.”

 

 

Chapter 10: Dica do Dia: Nunca Confie num Perpétuo. (Eu Aprendi do Jeito Mais Difícil)

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

   

 

 

 

Morpheus envolveu Briely num roupão macio após o banho.

A água ainda gotejava de seus cabelos, formando pequenas poças no chão enquanto ele a conduzia de volta ao quarto, carregando-a em seu colo como se ela fosse uma criança frágil.

 

Ele a depositou na cama, o colchão afundando levemente sob seu peso.

Briely não olhou para ele, desviando o rosto com uma expressão de pura relutância, com corpo tenso. “Se eu fingir que ele é invisível, será que ele desaparece? Porque eu toparia.”

Ele apenas suspirou, percebendo que a raiva dela ainda ardia sob a pele.

O corpo dela pulsava com as lembranças dolorosas da noite anterior, uma mistura de vergonha e medo apertando seu peito como um torno.

Ela apertou os olhos com força, os dentes rangendo enquanto tentava bloquear as memórias.

Indiferente à sua resistência, Morpheus vestiu-se com calma, os movimentos precisos e deliberados.

Ele escolheu um vestido preto  no armário, o tecido escuro e elegante.

"Preto. E Claro, essa e a cor dele "

Ele Aproximou-se, tocando o rosto de Briely com dedos frios, forçando-a a encará-lo.

"Isso poderia ter acontecido de outra maneira ", disse ele.

"Se você simplesmente não teve fugido e aceitado o que eu ofereci." Ele falou baixo, olhando direto nos olhos dela, sem piscar.

 

Briely apertou as mãos no colo, os nós dos dedos brancos de tanto apertar. "Ah, sim, claro. Se eu tivesse dito “sim” por vontade própria, tudo teria sido lindo. Meu erro, majestade."

Ela Não disse nada, apenas mordeu os lábios para conter as palavras que queria cuspir nele.

Ele contínuo, impassível.

"Trouxe esse vestido para você. Vamos, vista-se."

Sem esperar pela resposta dela começou a tirar o roupão dela, os dedos roçando sua pele enquanto ajustava o vestido no corpo dela.

Quando ele terminou, sentou-se ao lado dela na cama.

mas Briely imediatamente se arrastou para o outro lado, criando o máximo de distância possível entre eles.

 

Ele riu baixo, um som que fez o estômago dela revirar.

"Mesmo se você quisesse, não poderia fugir para longe de mim. "Nem do que a espera."

"Ótima notícia. Porque eu tava mesmo pensando."

Ele Levantou-se, com os olhos fixos nela.

"Temos algo a discutir, mas primeiro você precisa comer."

Com um gesto de mão, ele invocou uma mesa farta no canto do quarto, repleta de alimentos que exalavam um aroma doce e tentador.

Briely, no entanto, encolheu-se mais na cama como uma bola, as mãos agarrando seus cabelos molhados, o rosto escondido enquanto memórias da floresta a sufocavam.

Ela Sentia-se entorpecida, perdida em um looping de dor e desespero.

"Quem dera eu pudesse atravessar essa parede... ou te mandar pras profundezas do inferno”, pensou ela com raiva e impotente.

Morpheus voltou até ela, inclinando-se para abraçá-la.

Ele retirou as mãos dela dos cabelos com firmeza, mas sem brutalidade.

"Está tudo bem, Briely," ele murmurou pra ela.

"Não está tudo bem. Você me destruiu." "Como você pode fazer isso comigo?" Pergunta ela, com a voz rouca, quebrada pela raiva e pela dor.

"Como você ainda pode dizer que está tudo bem?" 

"Isso não importa mais agora," respondeu ele, sem hesitação, os olhos fixos nos dela.

"Não importa pra você. Mais Pra mim importa” "Não importa? Como não importa?" retrucou ela, a voz subindo , embora ela esteja tremendo.

"Você deveria comer algo," cortou ele, ignorando a pergunta.

O estômago de Briely se revirou, enojado pela situação, pela frieza dele, pela completa ausência de remorso.

" Zero remorso. Nem uma migalha sequer” Ele não deve ter mesmo nenhum remorso pelo que fez comigo,” Pensou ela, os olhos fixos no vazio.

"E ainda Para piorar a situação, eu nem sequer posso pedir ajuda agora. De que adiantaria? E Pra quem eu pediria? Ela pensa, derrotada.

"Eu confiei tanto nele que nunca pensei que algo assim pudesse acontecer."  "Eu deveria ter desconfiado dele. Fui tão ingênua com ele e agora ao que parece não posso fazer nada.”

Ele interrompeu seus pensamentos, tirando-a do transe com um toque firme no ombro.

Sem dizer uma palavra, ele pegou-a no colo novamente, carregando-a até a mesa cheia de comida.

Sentou-a numa cadeira ao lado dele, o olhar pesado sobre ela.

Briely encarou os pratos fumegantes, frutas, pães, carnes assadas, mas ela não sentiu nada além de náusea.

"Coma, minha rainha," pediu ele, com voz baixa, mas com um tom ameaçador.

"Ou vai precisa que eu mesmo a alimente?"

"Ah, que romântico. Alimentação forçada." "Nada como ser forçada a algo pra selar o amor verdadeiro, né?" Ela cuspiu sarcástica e furiosa.

Mais O desafio em seus olhos a fez ceder rapidamente.

Mesmo sem fome, ela pegou um pedaço de pão e começou a comer, cada mordida um esforço contra a bile que subia pela garganta.

"Se eu vomitar na mesa dele, será que conta como protesto? Porque eu tô bem tentada." Ela Sentia o olhar dele sobre ela, observando cada movimento como um predador.

Após um longo silêncio, ele decidiu falar.

"Briely", ele chamou, e ela parou de comer, os dedos trêmulos segurando o pão.

"Vou pedir a Lucienne para fazer os preparativos para nosso casamento ."

Casamento.

A palavra soou como caixão sendo fechado.

"E se eu… eu não aceitar?" Ela  gaguejou, mas tinha o olhar  firme, cheio de ressentimento e raiva, mesmo que o medo a corroesse por dentro.

"Eu posso dizer não."

Ele sorri, um sorriso frio, vazio, que não alcançava seus olhos. "Meu coração, você não tem nenhuma escolha."

"É melhor você não me desafiar novamente. Você sabe disso." "O Nosso casamento vai acontecer ."ele Inclinou-se mais perto, a voz baixando para uma sugestão de perigo.

"Você se lembra que aceitou minha proposta antes, não lembra?" Ele a perguntou.

"Eu só disse isso para você parar!" retrucou ela irritada. "Mas não funcionou, não é?"

"Vamos nos casar, você querendo ou não." "Eu já decidi a nossa cerimônia," continua ele, ignorando-a.

"Vamos nos casar em uma cerimônia antiga." Ele afirmou, decidido. "E Com isso Vamos unir nossas essências."

" E após consumarmos o nosso casamento. Após o ritual Você ficará ligado a mim a minha essência." 

"Você não vai mais envelhecer e não vai morrer, não até que eu um dia morra." 

"Nossas vidas estarão ligadas para sempre." Ele finalizou, olhando nos olhos dela.

O coração de Briely disparou, as palavras dele se assentando como grilhões em sua mente.

Ela Sentiu uma enorme vontade de chorar, naquele momento, as lágrimas queimando nos cantos dos olhos.

"Você nunca realmente planejou me deixar ir embora, não é?" Ela o Perguntou, com a voz quase sumindo.

"E você também Nunca planejou realmente a me ajudar a encontrar um caminho de volta para casa, não é ?" Ela continuou, amarga.

"Você Mentiu quando disse que ia me ajudar, não foi?"

"Sim, isso é um pouco verdade ," ele admitiu sem hesitação, com olhos frios e implacáveis.

"Nunca  sequer pensei em ajudar-la a voltar pro seu universo, bem... não  depois que me apaixonei por você."

"Eu não quero ficar ligado a você," disse ela, desesperada. "Eu só queria ter uma vida normal, onde eu envelhecesse e morresse.

" Eu só quero a minha vida de volta, Eu sinto tanta falta da minha família, dos meus amigos... da minha mãe, do meu irmão..." Ela confessa com a voz ainda mais quebrada, apertando os dedos com força.

A expressão de Morpheus escureceu, um brilho perigoso nos olhos. "Sua família? Eles não são nada comparados a mim."

"Você é minha, e sempre será." "E Essa cerimônia garantirá que você esteja ligado a mim de todas as maneiras possíveis."

"Eu serei sua família. "

"Eu só quero voltar para casa" sussurrou ela baixinho.

mas é claro que ele ouviu.

"Sua casa é comigo agora, Briely," retrucou ele, inflexível.

"E farei de tudo para garantir que você nunca mais deseje deixar meu lado." Ele completou, decidido. "Criaremos nossa própria família após o nosso casamento." "Teremos nossos próprios filhos."

 

O pensamento de ter filhos com ele a fez estremecer, o estômago dela se contraindo com um novo tipo de medo.

"Filhos? Morpheus, eu...  Eu não quero e não estou pronta para isso ," ela gaguejou, os olhos dela agora  arregalados de pavor.

Ele não se importou com o desespero dela.

Ele Simplesmente retirou a da cadeira, ignorando suas tentativas desesperadas de lutar contra o aperto dele.

Ele Pegou-a no colo e  a  colocou em seu próprio colo, com os braços envolvedo-a.

Briely fechou os olhos, e lágrimas frescas já escorriam pelo seu rosto.

e dessa vez ela não as segura .

Morpheus inclinou-se, os lábios roçando suas lágrimas, beijando-as com uma atenção que contrastava com o terror que suas palavras provocavam.

"Filhos," repetia a mente dela, um eco aterrorizante. " Ele quer filhos comigo. Isso não pode estar acontecendo."

Segurando o rosto dela entre as mãos, ele a beijou profundamente, a língua invadindo sua boca com uma fome possessiva que a deixou sem fôlego.

Ela tentou recuar, mas não havia espaço, o corpo dele a prendeu contra si.

O beijo era bruto, os lábios dele esfregando os dela com uma urgência que não dava margem a resistência.

A língua dele explorava cada canto de sua boca, dominando-a completamente, o gosto dele era uma mistura de algo doce e amargo enchendo seus sentidos.

A saliva escorria entre suas bocas, molhada e invasiva, enquanto ele segurava a nuca dela com força, impedindo qualquer movimento dela de  fugir.

Era um beijo que não pedia permissão, que tomava tudo, deixando-a sufocada e tremenda, o corpo dela ficou tenso contra o dele.

Quando finalmente ele a solta ele encostou a testa na dela, os olhos como um abismo que a engolia inteira.

"Teremos filhos, meu amor ", ele sussurrou. "Príncipes e princesas. Eles serão nossa família, uma prova viva do nosso amor. "Você será uma mãe perfeita para eles ."Ele completa.

E ele a beijou novamente, selando as suas palavras.

Briely sentindo um arrepio gelado descendo por sua espinha, o peso do futuro se fechando ao seu redor.

"Não havia como escapar disso não é?"

''não havia como ela lutar contra a vontade de um ser como ele.''  "Não e que Ele Realmente pensou em tudo."

 

 

Mais tarde Morpheus conduziu Briely até a sala do trono, os passos dele ecoando pelo vasto salão de pedra escura, enquanto ela permanece em seus braços.

Lá Ele a sentou em seu colo, os braços dele  a  envolvendo com uma firmeza que não deixava espaço para ela se movimentar.

Isso só a fez se sentir minúscula e vulnerável, como uma presa encurralada sob o peso de um predador.

Lá, Lucienne os aguardava, sua expressão uma máscara de seriedade e obediência, sem deixar transparecer qualquer tipo emoção.

"Ela sabe não é? E ela não vai fazer nada. Ninguém aqui vai." Pensa ela amarga e resignada.

"Lucienne", começou Morpheus, a voz dele ecoando pelo salão.

"Quero que prepare os preparativos para o nosso casamento imediatamente. Quero que tudo fique perfeito."

“Sim, milorde,” respondeu ela, inclinando a cabeça com respeito absoluto. "Eu vou cuidar de tudo."

Morpheus descansou a cabeça no ombro de Briely, o gesto enviando um arrepio pela sua espinha.

"Meu amor, você tem alguma preferência para o nosso casamento?" Ele a  perguntou, com o tom quase doce, mas carregado de uma expectativa que a sufocava.

"Preferência? Tipo eu prefiro não ter que  casar com você” "mais acho que essa opção não tá no menu." 

Mais ela permaneceu em silêncio, os pensamentos girando em um turbilhão de desespero e resignação por tudo que estava por vir.

Sua mente estava em outro lugar, distante, tentando fugir da realidade que se fechava ao seu redor.

Ele, percebendo sua distração, beijou seu pescoço, as lábios quentes contra sua pele, tirando-a do transe.

Um arrepio involuntário percorreu seu corpo, e ela respondeu rapidamente  "Não."

"Não pra tudo, Não pro casamento, Não pros filhos. E definitivamente não pra você." Completa ela em sua mente.

Morpheus suspirou, uma ponta de impaciência e descontentamento em seu tom.

"Muito bem", disse ele, dispensando Lucienne com um gesto seco da mão.  "Você pode ir. Cuide de tudo, Lucienne."

Lucienne saiu da sala em silêncio, embora, em seu coração, uma pontada de pena pela senhorita doesse em segredo.

Briely ficou sozinha com a presença sufocante de Morpheus.

Ele se levanta, ainda segurando-a com firmeza, e a leva de volta ao quarto.

No caminho, algo fez o estômago dela se revirar: ela notou que o quarto que ela ocupava antes estava ao lado do dele. Algo que ela não tinha notado.

 

" Este será o nosso quarto a partir de agora" declarou ele, em voz baixa, mas definitiva.

"Você dormirá no meu quarto de agora em diante, meu amor."

Ele a depositou na cama com cuidado. "Descanse um pouco. Amanhã será um novo dia, um dia maravilhoso."

"Afinal e o dia do nosso casamento. Mais tarde, passarei para ver como você está.

"Por enquanto, só quero que  você descanse," disse ele, os olhos fixos nela, como se pudesse devorar qualquer tentativa de resistência dela.

"Morpheus", ela o chamou e finalmente o  perguntou, "por que o meu quarto antigo estava ao lado do seu?"

Ele se virou para ela, um sorriso enigmático curvando seus lábios, os olhos brilhando com algo sombrio. "Este e o quarto da rainha." "Sempre ao lado do  seu rei. Agora, você entende?"

Um nó se formou na garganta dela, a compreensão caindo rapidamente sobre ela como uma avalanche. "Eu  realmente tinha sido tão cega, não é?"

"Cada gesto, cada olhar, cada toque gentil dele aquilo não era afeto desinteressado, mas parte de um plano meticulosamente traçado."

As memórias vinham a sua mente  de como ele sempre a tratava com um carinho aparente, como ele sempre parecia estar sempre atento aos pequenos detalhes, agora elas se retorciam em sua mente como armadilhas disfarçadas, cada lembrança era  um golpe que a fazia sentir-se ainda mais tola.

"Eu Entendo agora. Você já estava planejando isso desde o dia que me trouxe até aqui desde que fomos libertados."

Morpheus se mudou, puxando-a para perto com uma força que não admitia recusa.

Ele capturou seus lábios em um beijo profundo, dominador, os dentes roçando levemente contra sua boca enquanto a invadia com uma intensidade que a deixava sem ar.

Encostou a testa na dela, os olhos fixos nos seus.

"Descanse, meu amor. Amanhã será um dia maravilhoso", ele murmurou, a voz carregada de promessa.

Com um movimento fluido, ele se dissolveu em uma nuvem de areia, deixando Briely sozinho no quarto que agora seria deles.

Ela se deitou na cama, puxando as cobertas até o queixo como  se isso podesse protegeu-la da realidade, mas ela sabia que não adiantaria.

Ela Fechou os olhos, mas as memórias da noite anterior ainda eram vívidas e cortantes como lâminas em sua mente

o momento em que Morpheus a dominou no chão da floresta, o peso do corpo dele, a sensação de impotência que ela sentiu na praia, onde seus poderes não tiveram efeito algum contra ele.

Tudo se repete em um ciclo tóxico.

E agora amanhã, depois de tudo que ele fez, ele quer que ela se case com ele. Ou melhor ela não tinha escolha.

"Por favor, não," ela sussurrou para o vazio, as lágrimas escorrendo por seu rosto.

"Eu só quero voltar para casa. Isso é um pesadelo." Ela sussurra novamente, chorando baixinho.

 

Mas a realidade era implacável, um peso esmagador do que aconteceria amanhã a sufocava.

Com um soluço baixo, ela deixou as lágrimas a consumir, até que o cansaço a levou ao sono.

E nem isso era um refúgio, porque ele era o senhor dos sonhos e pesadelos, afinal.

Mesmo em seus sonhos, não havia como ela escapar dele.

 

 

 

Briely acordou com uma respiração quente em seu ouvido, o sussurro de uma voz profunda e familiar a tirando do sono.

"Acorde, meu amor," murmurou Morpheus, o que a fez entrar em alarme instantaneamente. "É hora." Ele completou.

Ela abriu os olhos devagar, a mente ainda enevoada, os olhos pesados de um sono que não trouxera descanso.

Seu corpo parecia de chumbo enquanto ela tentava se situar.

Ele estava inclinado sobre ela, o rosto a centímetros do dela, um sorriso predatório curvando seus lábios.

 

"Você é sempre tão adorável ao acordar," disse ele, um brilho de desejo dançando em seus olhos  enquanto a observava naquele momento.

Sua mão roçou levemente a bochecha dela, um toque que a fez enrijecer.

As palavras seguintes dele a acordaram completamente. "Lucienne estará aqui em breve, para ajudá-la a escolher o vestido, e se arrumar para a cerimônia."

 

O pânico subiu pela garganta de Briely como bile.

Ainda grogue, mas movida por um instinto de fuga que pulsava em seu sangue, ela tentou se afastar dele.

Seus braços se moveram desajeitadamente, buscando se erguer da cama, escapar do peso da presença dele.

Mas, claro, ele foi mais rápido.

Suas mãos fortes agarraram os braços dela, o corpo alto e dominante pairando sobre o dela, prendendo-a contra o colchão.

 

"Não... eu não quero ficar ligada a você, e definitivamente não quero me casar," disse ela, com voz fraca, mas carregada de desespero enquanto tentava se debater inutilmente sob o aperto dele.

 

Morpheus inclinou a cabeça, os olhos estreitando-se com uma mistura de irritação e divertimento sombrio.

"Eu não estou lhe perguntando," ele retrucou . "Estou afirmando. Você vai se casar comigo hoje."

Ele se inclinou mais, selando suas palavras com um beijo nos lábios dela.

Quando ele se afastou, sua expressão endureceu.

"É, Nem pense  sequer em tentar fugir de mim se  novo," ele acrescentou, a voz baixando para um tom ameaçador que fez os cabelos da nuca dela se arrepiarem.

Ele se inclinou ainda mais perto, os lábios roçando seu ouvido enquanto sussura."Se você ousar fugir de mim e do nosso casamento" 

"Como punição, quando eu a pegar, eu vou fazer amor com você até que não consiga sequer andar por vários dias." Ele termina a ameaçando seriamente.

"E, mesmo assim, você vai se casar comigo."

"Ele realmente tá falando sério e isso e pior." Ela pensou, horrorizada,  tremendo.

Ele recuou apenas o suficiente para encarar os olhos dela, o sorriso cruel brincando em sua boca. "Você acha que alguém pode ajudar você agora?"

"Nem mesmo o Poseidon pode fazer isso." "Não que ele pudesse antes. Se você tivesse obtido sucesso e conseguido fugir de mim e ido até ele, eu ainda  iria buscá-la."

"Ele não poderia lutar contra mim."

 

O peso de suas palavras esmagou qualquer faísca de esperança que ainda pudesse restar em Briely.

Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela as conteve, não querendo dar a ele a satisfação de vê-la quebrar ainda mais.

"Ele tá certo, Ninguém vai me salvar, ninguém." Ela pensou, derrotada e vazia.

"Você vai ser boazinha, e não vai tentar nada, entendeu?" perguntou ele,  exigindo  que ela o obedeça.

 

"Eu entendi," sussurrou ela, a voz trêmula, quase inaudível, com o medo de que ele repetisse o que já havia feito com ela. "Não farei nada."

 

Morpheus assentiu, um brilho de satisfação cruel reluzindo em seus olhos.

Ele soltou os braços dela e se sentou na cama, mantendo-a sob seu olhar vigilante.

Briely se sentou a uma pequena distância, o corpo tenso, tentando criar qualquer barreira possível entre eles, por menor que fosse.

 

"Mais uma coisa," começou ele, com a  voz firme, mas calma, como se estivesse discutindo algo trivial. "Eu quero o anel. Quero que renuncie à posse dele, ou eu o destruirei."

"O quê?" perguntou ela, o coração se  apertando ao entender do que ele falava.

"O seu anel, meu amor. Ele é perigoso, e eu não o quero com você.

“Você usou essa espada para me esfaquear pelas costas, está lembrada?" continuou ele. "Eu quero que você, o entregue para mim, Agora."

" O anel... ele e a última coisa que eu tenho de casa, A última coisa que me liga ao meu mundo." Briely balançou a cabeça, o desespero subindo novamente.

"Eu não... Ele é meu. Meu pai me deu, você... Você sabe disso. Eu não vou te dar."

Os olhos de Morpheus escureceram, a sua paciência se esvaindo. "Se você não o renunciar de boa vontade e me der o anel agora, eu vou destruí-lo."

"Escolha."

"Não, por favor, Morpheus," implorou ela, a voz falhando com a emoção. "É um dos poucos presentes que meu pai me deu. Deixe comigo, Por favor, você... você sabe o quanto ele significa pra mim, não faça isso, não me faça renunciá-lo."

"Não," retrucou ele, e aquela era a palavra final, sem dar nenhum espaço para negociação.

 

Briely tentou uma última vez, os olhos brilhando com lágrimas contidas. "Eu prometo pra você, eu prometo, que não vou usá-lo novamente, nunca Eu juro pelo rio S—"

 

Antes que ela pudesse completar, a mão de Morpheus cobriu a  boca dela com força, interrompendo-a.

Seus olhos agora brilhavam com uma raiva controlada, mas assustadora. "Não diga essas palavras novamente eu a  proíbo. Eu não quero ouvir você falar esse juramento novamente, entendeu, Briely?"

"Eu não quero ouvir você falar a palavra 'Styx'. Você me ouviu?" Ele exige, com a  voz baixa, mas carregada de  ameaça o que fez o corpo dela tremer.

Ainda com a mão sobre sua boca, ela assentiu rapidamente, o medo pulsando em suas veias.

"Ok," ela murmurou, a voz abafada contra os dedos dele.

Ele retirou a mão devagar, os olhos ainda fixos nos dela. "Agora me dê o anel."

Briely olhou para o anel em sua mão, o objeto que representava tanto para ela.

Suas mãos tremiam enquanto ela o encarava, a voz triste e derrotada enquanto falava em voz alta. "Eu não quero que você volte mais para mim. Eu não sou mais sua portadora."

Com um movimento lento e doloroso, ela tirou o anel do dedo, cada gesto parecendo arrancar um pedaço de sua alma.

"Eu... eu renuncio a você," ela sussurrou, entregando-o a ele.

 

Morpheus pegou o anel com uma expressão de triunfo discreto, ele guardou-o no bolso interno de seu casaco e se inclinou para beijar a testa dela. "É melhor assim," ele murmurou.

"Por hora, tome um banho e se prepare." "Lucienne estará aqui em breve com seu café da manhã e para ajudá-la a se arrumar," acrescentou ele, levantando-se da cama.

"Verei você em breve no altar, meu amor."

 

Com um movimento fluido, ele se teletransportou em uma nuvem de areia, deixando Briely sozinha no quarto.

Seus pensamentos giravam como um redemoinho, a perda do anel pesando   em seu peito.

"O meu anel... ele  realmente pegou o meu anel," ela pensou, o vazio se aprofundando enquanto encarava as próprias mãos agora nuas.

 

Sabendo que não havia escapatória para o que viria, ela se levantou com movimentos pesados, o corpo parecendo não pertencer a ela enquanto se dirigia ao banheiro.

Cada passo era um lembrete de sua impotência, da prisão que Morpheus havia construído ao seu redor.

A água do banho não trouxe conforto, apenas um lembrete de que o dia do casamento era hoje.

O dia em que ela seria permanentemente ligada a ele.

Ela se sentia como uma marionete, manipulada por fios invisíveis, e não havia como cortá-los.

Ainda não. Ou Talvez nunca.

 

 

 


 

˖₊˚.༄🌊₊˚.༄ 𓆝 🫧 𓅨 🫧 𓆞༄₊˚.🌊༄₊˚˖

 


 

 

 

Após ela terminar de se banhar, o vapor ainda pairava no ar.

Briely sentou-se na penteadeira, os olhos fixos no vazio refletido no espelho.

Seus dedos tocaram o pescoço, onde as marcas da noite anterior ainda estavam visíveis, pequenas lembranças cruéis.

As imagens daquela noite voltaram à sua mente, vívidas e dolorosas, fazendo seu estômago se revirar.

"Eu gritei, Eu implorei pra ele parar, E ele só... So Continuou. Como se meu “não”  não significasse absolutamente nada."

Ela Ficou ali por longos minutos, encarando a própria imagem como se fosse uma estranha, até que uma batida suave na porta quebrou seu devaneio.

 

"Minha rainha, posso entrar?" A voz de Lucienne soou do outro lado, calma, mas firme.

 

Briely demorou alguns segundos, perdida em seus pensamentos. Então, e a hora.

Com a voz monótona, ela respondeu: "Sim, pode entrar."

 

Lucienne entrou, trazendo consigo uma bandeja repleta de alimentos: pães frescos, frutas maduras, uma jarra de suco.

Ela depositou a bandeja sobre a mesa e se virou para Briely, seus olhos cheios de compaixão, mas incapazes de oferecer qualquer alívio real.

 

"Sinto muito, minha senhora," disse Lucienne suavemente. "Vim para ajudá-la a se preparar para o grande dia."

"O Grande dia, Claro. O dia que eu viro esposa oficial dele, Que festividade." Pensa ela amargurada.

Briely ergueu o olhar, com voz rouca e vazia. "Grande dia? Você chama isso de grande dia?"

Lucienne baixou os olhos por um segundo, a culpa visível. "Eu sei que não é o que você deseja, minha senhora. Mas… eu tenho que fazer meu dever."

Briely se levantou da penteadeira e caminhou até Lucienne.

Lucienne gesticulou para a bandeja. "Por favor, coma, minha senhora. Pelo menos um pouquinho."

Briely olhou para a comida, mas seu estômago estava fechado, sem espaço para apetite.

Lucienne colocou as mãos nos ombros dela, o toque gentil, mas insistente. "Você precisa comer, senhorita. Eu sei que é difícil, mas você tem que se alimentar."

Briely deu um sorriso amargo. "Difícil? Você acha que comida vai resolver o fato de eu estar sendo forçada a casar com ele hoje?"

Lucienne apertou os ombros dela com mais delicadeza. "Não isso não resolve, Mas te dá força, E você vai precisar de muita força hoje, minha senhora."

Com um suspiro resignado, Briely pegou um pedaço de pão e uma fruta, levando-os à boca sem saborear.

Cada mordida era um esforço mecânico, seus olhos evitando os de Lucienne.

 

Lucienne se aproximou, hesitante. "Posso conversar com você, minha senhora?"

Briely assentiu, o silêncio entre elas pesado como uma cortina de chumbo.

"Eu sinto muito, senhorita," começou Lucienne. "Eu Realmente sinto muito mesmo pelo que está acontecendo." Lucienne completou, a voz baixa. "O que o mestre Morpheus fez com você foi horrível."

"Eu realmente tinha a esperança de que você conseguiu fugir, mas quando ele voltou com você e  naquele estado... Eu sinto muito, eu sinto muito mesmo."

 

Briely balançou a cabeça devagar. "Tudo bem, Lucienne. Você não precisa se sentir culpada pelo que aconteceu comigo."

 

Lucienne baixou o olhar, as mãos unidas à sua frente. "Eu deveria ter te avisado.

"Talvez, se eu tivesse dito algo sobre os sentimentos do mestre antes... isso poderia não ter acontecido."

"Eu não acho que mudaria alguma coisa," respondeu Briely.

"Poderia até ter sido pior se eu soubesse antes, Eu tentaria ir embora se soubesse, talvez as coisas acontecessem diferentes, ou talvez não."

"Não dá pra saber agora. Mais Você o conhece."

"Então Me diga sinceramente Lucienne, se eu soubesse antes, Teria mudado alguma coisa?"

 

Lucienne hesitou, antes de responder "Não, minha senhora. Mas mesmo assim..."

Elas ficaram em silêncio, o peso da situação pairando entre elas como uma sombra inescapável.

Até que Briely quebrou o silêncio, a voz trêmula. "Agora não tem mais volta, né? Eu vou me casar com ele, mesmo não querendo."

 

Lucienne a olhou com pesar. "E, Está pronta pra isso, minha senhora?"

 

"Não, não mesmo," confessou Briely, os olhos marejados. "Eu nunca imaginei que me casaria assim, e ainda menos com alguém que eu não amo."

"Minha senhora, talvez seja para o melhor," disse Lucienne, tentando encontrar palavras que não soassem tão ocas.

"Afinal, o mestre Morpheus não vai aceitar que você o negue." "O mestre pode ser bem cruel quando quer."

"Ah... Eu sei, disso" sussurrou Briely. "Lembro-me de quando nos fomos ao Inferno. Antes de chegarmos ao palácio de lúcifer no meio do caminho, Lá, encontramos uma mulher." "Ele disse que a condenou ao Inferno e que ela está lá, já  há dez mil anos,  Tudo isso porque ela o desafiou."

Lucienne assentiu, o rosto sombrío. "Eu sei o quanto cruel ele pode ser minha senhora." "O que ele fez com você senhorita e uma pequena parte que já mostra isso."

"Você não deveria ter confiado nele, minha senhora," continuou Lucienne. "Você Deveria ter desconfiado, mas Agora, já é tarde demais."

"Eu Confiei. E agora, estou pagando o preço de ser burra o suficiente pra achar que  algo como ele era meu amigo, ou que me visse como uma." Lágrimas ameaçaram escapar dos olhos de Briely, mas ela tentou contê-las, apertando os lábios com força.

Mais ela Não conseguiu segurar por muito tempo.

As lágrimas rolaram por seu rosto, e Lucienne, com um suspiro compassivo, a envolveu em um abraço.

 

"Você é só uma criança," murmurou Lucienne, acariciando as costas de Briely com delicadeza. "Não deveria ter que passar por isso. Sinto tanto por você, minha senhora."

Briely soluçou contra o ombro de Lucienne, as lágrimas encharcando o tecido do vestido da mulher. "Por que isso está acontecendo comigo?"

Briely sussurrou contra o ombro dela, a voz partida. "Por que eu?"

"Eu sinto muito, minha senhora" respondeu Lucienne, com  a voz suave, tentando confortá-la.

"Mas se ajudar, lembre-se que  estou aqui se precisar, Você não está completamente sozinha,  mesmo que pareça agora no momento, Todos habitantes daqui já  a adoram."

Lucienne apertou o abraço um pouco mais. "Se eu pudesse fazer mais por você… mais eu não posso e sinto tanto por isso.

 

 

Depois de um tempo, quando os soluços de Briely começaram a diminuir, Lucienne mudou de assunto, sabendo que não havia mais tempo para lamentações. "Eu Preciso realmente ajudar você a se arrumar, minha senhora." "Eu trouxe os vestidos para você escolher e experimentar."

 

Ela pegou três caixas enormes que havia trazido consigo e as abriu, revelando três vestidos de noiva, cada um mais impactante que o outro.

O primeiro era completamente preto, um tecido profundo como a noite, adornado com fios de diamantes e rubis que reluziam  sob a luz do quarto.

O segundo era um branco misturado com cinza, um degradê sutil nas pontas devido aos diamantes incrustados.

O terceiro, um branco e preto em degradê, mesclava os tons de forma dramática, com pequenos rubis encrustados.

 

Ao lado, Lucienne colocou um conjunto íntimo negro sobre a cama.

 

Briely olhou para as peças, o coração apertado. Um torpor a envolveu ao perceber o que aquilo significava. Eles teriam que consumar o casamento.

A ideia de Morpheus tocando-a novamente a fez sentir um nó no estômago. Ela Não queria isso, mas sabia que aconteceria, querendo ou não.

 

Seus olhos vagaram pelos vestidos, e ela se aproximou, os dedos hesitantes roçando os tecidos suaves.

Ela Não sentia prazer em escolher, apenas um vazio crescente que parecia engoli-la.

 

"Escolha aquele que você mais gosta, minha senhora," incentivou Lucienne, gentilmente.

"O mestre ele os criou pessoalmente, minha senhora. Ele ficaria muito feliz se você usasse qualquer um deles."

"Sugiro fortemente que escolha o preto."

"Eu não vou usar esse vestido," retrucou Briely, com raiva, os olhos fixos no vestido preto como se ele próprio fosse uma extensão de Morpheus.

Lucienne inclinou a cabeça, mantendo a calma.  "O mestre fez esse especialmente para combinar com as roupas dele, minha senhora." 

"Eu sei que você não quer usar nenhum deles senhorita, mas É esperado que você escolha um deles.".

"Ele também realmente espera que você escolha o preto senhorita."

Briely cerrou os punhos. " Não me importo com o que ele espera." ela apontou para o vestido branco com degradê cinza, o mais simples dos três, como se escolher algo menos extravagante pudesse diminuir a dor do momento ou desafiar as expectativas de Morpheus.

Lucienne assentiu em aprovação, embora uma leve sombra cruzasse seu rosto. "Você tem certeza, minha senhora?"

 

"Sim," respondeu Briely, firme, enquanto pensava "Não vou dar esse gostinho a ele. Ele provavelmente já sabia que eu faria isso, por isso fez esse, diferente dos outros dois ."

 

Lucienne não insistiu mais e começou a ajudá-la a vestir-se com mãos habilidosas, ajustando cada detalhe do vestido com precisão.

O tecido parecia frio contra a pele de Briely, como se carregasse o peso de sua resignação. Cada ajuste, cada toque de Lucienne, parecia selar ainda mais seu destino.

 

"Agora, sente-se na penteadeira, por favor," disse Lucienne, guiando-a até a cadeira com  delicadeza . "Vou pentear seu cabelo e fazer uma leve maquiagem."

Briely obedeceu em silêncio, sentando-se enquanto Lucienne começava a trabalhar em seus cabelos, criando um penteado elaborado com tranças laterais e cachos soltos que emolduravam seu rosto, pontuados por pequenos rubis que brilhavam como gotas de sangue.

Ela escondeu as marcas no pescoço com uma camada de pó e, em seguida, aplicou um delineado que intensificava o olhar de Briely, e um batom vermelho que contrastava com a sua pele.

 

Por fim, Lucienne colocou um colar de rubis ao redor de seu pescoço, com brincos combinando que completavam o visual.

 

"Pronta, minha senhora," murmurou Lucienne, dando um passo atrás para admirar seu trabalho. "Você está deslumbrante. O mestre ficará encantado."

 

Briely se encarou no espelho, mal reconhecendo a mulher que a fitava de volta. Parecia uma estranha naquele vestido de noiva, uma boneca arrumada para o prazer de outro.

Seus olhos brilhavam com uma tristeza que nem a maquiagem conseguia esconder. "Essa não sou eu."

"Se fosse um casamento por escolha, talvez estivesse extasiada com minha aparência. Mas agora... tudo o que quero é me encolher em um canto e desaparecer." O carinho da sua mãe era o que ela mais desejava naquele momento.

Ela saberia o que dizer, e principalmente como confortá-la.

Com um suspiro baixo, ela virou-se para Lucienne. "Obrigada, Lucienne. Por tudo."

 

Lucienne ofereceu um sorriso triste. "É meu dever, minha senhora. Agora, vamos nos apressar. A noite está chegando, e com ela, o seu destino."

Aproximando-se mais uma vez, sua expressão tornou-se séria. Ela segurou a mão de Briely e falou com gravidade. "Minha senhora, ouça o meu conselho, eu sei que essa e a última coisa que você quer ouvir agora, mas... tente amá-lo."  "Ou se não puder, pelo menos finja, Vocês eram amigos antes." 

"Com o tempo, as coisas podem melhorar."

"Ninguém aqui no Sonhar tem permissão para ajudá-la a fugir. É para o melhor."

"E por favor tente sorrir está noite, mesmo que seja só por um instante. Isso pode aliviar as coisas."

"Aliviar para quem, Lucienne?" retrucou Briely.

O peso em seu coração era esmagador. Ela Sabia que, após essa noite, estaria completamente à mercê de Morpheus.

Ele seria seu "marido", não por escolha dela e Claro, mas por imposição.

E não havia nada que ela pudesse fazer para mudar isso.

 

 

 

 

Notes:

Festa de casamento e cerimônia no próximo capítulo.

Chapter 11: Bebo sangue, viro imortal, perco a liberdade e descubro que divórcio não existe pra mim

Notes:

Muito OBRIGADO PELOS 100 KUDOS ♥️♥️
Capítulo editado :)

Capítulo longo.

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

 

 

 

Os convites para o casamento de Morpheus, o Senhor dos Sonhos, e Briely, filha de Poseidon, logo foram entregues.

Cada convite era uma peça de arte, confeccionado em pergaminho negro com bordas prateadas .

 

As palavras, traçadas em uma caligrafia dourada e delicada, transmitiam um convite solene:

 

 

 

"Você está convidado(a) a comparecer à cerimônia de casamento de Sonho dos Perpétuos e Briely, Filha de Poseidon.

Temos a honra de convidá-lo para celebrar  conosco a nossa união em matrimônio.

Sua presença é aguardada nesta noite especial no reino do Sonhar.”

 

 

 

Os convites foram enviados apenas a familiares, amigos próximos, os Perpétuos, o Panteão Grego e algumas divindades selecionadas.

 

A notícia do casamento se espalhou como um  fogo selvagem, carregada por sussurros e murmúrios entre os reinos divinos. Houve rumores e alguns já sabiam o que havia acontecido com a filha de Poseidon — e como o Sonho dos Perpétuos havia reivindicado sua mão.

 

Apesar dos esforços do Panteão Grego para abafar o assunto, especialmente sob o peso do orgulho ferido de Lorde Poseidon. Alguns sussurros ecoavam nos salões do Olimpo, e de outros reinos do Olimpo até o Inferno, a fofoca foi rapidamente se espalhando pra todo canto.

Alguns diziam que “Ele a tomou à força.” outros dizem que  “Poseidon negou o pedido de casamento e o Morpheus simplesmente… ignorou.” Outros, mais românticos ou talvez ingênuos, sussurravam que "Eles se apaixonaram."

 

 

 

 


 

 

 

No Inferno, Mazikeen ouviu dois demônios menores tagarelando enquanto poliam correntes.

"O Sonho vai se casar com a filha de Poseidon. Eu ouvi de um tritão que ouviu de um servo do palácio do Poseidon," disse o primeiro, com um sorriso malicioso, enquanto esfregava uma corrente enferrujada "Dizem que ele a pegou mesmo depois do pai dela negar o casamento."

O segundo demônio riu, balançando a cabeça. "Eu ouvi sobre isso também, ela e  aquela garota que afogou o Choronzon. Você lembra?"

"Aquela que veio junto com ele pro  Inferno recuperar o Elmo dele." "Pelo que ouvi, ela fugiu dele, e ele a pegou mesmo assim. Ela até lutou com ele."

"Sim, eu ouvi essa parte," respondeu o primeiro demonio.

"Ela não foi a  responsável por aqueles humanos mortos que chegaram? Aquela cidade no litoral, sabe?"

"Isso mesmo, aquela cidade no litoral," confirmou o outro, seus olhos brilhando com malícia. "Que caos ela causou."

Mazikeen parou, ouvindo a conversa de canto de ouvido. "Eu gostava daquela garota. Ela tinha fogo. E Uma pena que ele  tenha caído nas mãos de alguém como o Sonho."

Ela foi direto até Lúcifer, que estava reclinado no trono, entediado como sempre. "Ouviu as notícias? Ao que parece, o Sonho vai se casar" disse ela, sem rodeios.

Lúcifer ergueu uma sobrancelha. "O Sonho, com aquela filha de Poseidon? Sim, Eu ouvi as fofocas."

Ele deu um sorriso lento, quase indiferente. "O Sonho sempre foi assim, É  realmente uma pena para a garota."

 

Mazikeen cruzou os braços. "Eu achava a menina adorável. E realmente uma Pena que ela fique presa a ele."

 

Lúcifer deu de ombros. "Adorável ou não, não há nada a se fazer,  ela é dele agora."

 

 

 

No reino das Fadas, Titânia recebeu a notícia por sua   fada cortesã que servia vinho. "Minha rainha, você ouviu as notícias? O Lorde Moldador vai se casar com a filha meio mortal de Poseidon."

"Eu ouvi de uma outra fada, que ouviu de uma ninfa."

Titânia congelou, ao escutar isso o cálice tremendo na sua mão. "Isso é verdadeiro?."

A fada cortesã assentiu, hesitante. "Sim, minha rainha."

"E verdade, Essa ninfa E confiável. Também houve convites enviados para o casamento esta manhã ao Panteão Grego, e alguns confirmaram que é verdade."

"E nós não fomos convidados?" perguntou Titânia, a voz doce demais, perigosa demais.

A fada baixou os olhos. "Não, minha rainha. Não chegou nenhum convite do Lorde Moldador."

 

" Eu ouvi Dizer que ele a tomou à força. Que o pai da garota o lorde poseidon negou o casamento e ele ignorou," continuou a fada, sussurrando essa parte.

 

Titânia riu, um som frio como geada."E a garota ela é bonita? Diga-me o que ouviu sobre ela."

A fada hesitou, mas respondeu. "Pelo que ouvi da ninfa, ela é linda. Minto linda e Alguns dizem que foi isso que fez o Lorde Moldador se apaixonar por ela ao ponto dele chegar a isso."

"Essa ninfa,  ouviu do senhor Apolo que ela é realmente linda."   "Pelo que eu ouvi dela, Seus olhos são verdes como o mar, como os do Lorde Poseidon, e ela tem uma beleza incrível, ao ponto de Apolo elogiá-la tanto."

 

Titânia parou, bebendo o vinho com um olhar que transbordava ciúme, o veneno crescendo em seu peito enquanto engolia o líquido vermelho.

 

Nuala, escondida atrás de uma cortina de hera, ouviu tudo, e tinha seus próprios pensamentos agitados enquanto processava a notícia.

 

 

 

No mundo desperto, Johanna Constantine também ouviu sobre a fofoca num pub mágico em Londres, de um fae bêbado que estava falando alto demais. "Vocês ouviram as boas novas? Ao que parece, o Sandman vai se casar com a filha do Poseidon," disse ele, com a voz arrastada pelo álcool.

"Ao que parece, ela também foi a responsável por todo aquele caos naquela cidade... qual era o nome dela mesmo? E Aquela cidade litorânea perto do mar."

"E ao que parece, o pai dela negou o pedido do lorde moldador, e ele ficou furioso  ao ponto de que ele a pegou à força mesmo após ela ter fugido dele, ao que parece foi  a briga deles causou todo aquele caos dizem ela foi a principal responsável."

 

Ele riu, mas outro fae que estava com ele o cutucou. "Fique quieto ao falar desse assunto. Você quer que os gregos ouçam você falando?"

O primeiro fae bêbado apenas riu mais alto, ignorando o aviso do amigo.

Johanna, que estava ouvindo a conversa, apagou o cigarro com força no balcão e se aproximou. "Isso é verdade?"

 

O primeiro fae assentiu, ainda rindo. "Sim, é verdade." Mas o segundo o interrompeu, irritado. "Cala a boca, idiota. Você quer que os gregos arranquem sua cabeça por  você estar espalhando isso?"

 

Johanna deu de ombros, ignorando a tensão. "Eu já a conheci há algum tempo." Isso atraiu a atenção dos faes, que logo se viraram para ela, curiosos. "E Como ela era? É bonita? O que mais você sabe?" perguntou o primeiro, os olhos brilhando de curiosidade.

Ela deu um gole longo no uísque. "Eu vi a garota uma vez com ele. Ela parecia Doce demais pra esse mundo. Eu  a avisei pra ter cuidado com ele."

"Pena que ninguém a avisou antes pra ela não confiar em Perpétuos."  "Bem, ao menos Eu a avisei pra ela ter cuidado com ele "

 

 

Na Caverna dos fados. as Parcas conversam, suas vozes ecoando.

A Donzela, Cloto, falou primeiro.

"Você ouviu, irmã? As boas novas?"

A Velha, Átropos, assentiu com um sorriso seco. "Claro que sim. O Sonho vai se casar com a filha do mar."

Láquesis, a Mãe, que media os fios, acrescentou, "Mais, Nós avisamos a ela o que aconteceria."

Átropos cortou um fio com sua tesoura, o som reverberando na caverna. " E ela, não nos ouviu."

As três riram, um som seco como folhas mortas.

Cloto, que tecia os fios, ergueu um deles, remendando-o com outro. "Agora o fio dela estará preso no dele. Para sempre." 

 

 

 

 


 

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No Panteão Grego pela manhã nas entregas do convites.

 

Hera e Afrodite.

 

Hera e Afrodite estavam juntas em um salão adornado com mármore e ouro quando os convites chegaram. Hera desdobrou o pergaminho com dedos delicados, lendo-o com um olhar carregado.

 

Após terminar, ela dobrou-o cuidadosamente,e  sua expressão foi tomada por tristeza. "Pobrezinha," murmurou Hera, em  voz  baixa e cheia de empatia. "Eu sei exatamente como minha sobrinha deve estar se sentindo agora." 

"O próprio Zeus fez algo semelhante comigo, e eu não tive escolha a não ser me casar com ele. “Ela é tão jovem... já ter que passar por isso."

Afrodite, por outro lado, leu o convite com um sorriso malicioso, brincando com uma mecha de seus cabelos dourados enquanto inclinava a cabeça.

"Então ele realmente fez isso," disse ela, divertida. "Artemis me contou há alguns dias o que houve."

"Era óbvio que depois disso eles iriam se casar.   "E Ele a ama, isso é claro pelo vínculo que senti entre eles.”

“Mas ela... bem da parte dela, ela não o correspondia, ela só o via como um amigo, Bem, Isso já não importa mais,  ao que Parece tudo já está resolvido agora, afinal."

Hera franziu o cenho, os olhos fixos no convite dobrado em suas mãos. "Pobrezinha, o que ela deve estar passando agora.”

“Mas nós sabíamos que algo assim poderia acontecer.”

“Aquele vestido que ela usava... Ele estava marcando-a, e todas nós sabíamos disso."

Afrodite deu de ombros, um sorriso brincando em seus lábios.

"Era só uma questão de tempo." "E bem...pelo que eu ouvi ele pediu a mão dela ao Poseidon e ele recusou a proposta do Senhor dos Sonhos, e isso acabou não terminando bem pra ela.”

 

"Eu Ouvi fofocas de umas ninfas também que ela consegui fugir pra conseguir a ajuda do pai, mas o senhor dos sonhos a arrastou de volta pro reino dele."

"Esse convite só valida os rumores."

Hera assentiu, o olhar distante. "Os rumores são verdadeiros. Anfitrite me confirmou. Eu Só espero que Briely mantenha o espírito forte, com tudo isso."

 

Afrodite riu suavemente, girando o convite entre os dedos. "Bem, ela tem o sangue de Poseidon, e  vai precisar de muita força pra lidar com um ser como ele."

 

 

Zeus

 

Zeus, estava sentado em seu trono no monte Olimpo,  girando o convite entre os dedos, e levemente franzido as sobrancelhas  enquanto pensava. "O senhor dos sonhos  casado novamente com um membro do nosso panteão.

"E com a Minha nova sobrinha... Bem, isso ia acontecer uma hora ou outra. Isso Era bem óbvio pra todos nós desde aquele jantar."ele disse com o tom ganhou um ar de resignação divertida.

 

Ele jogou o convite sobre uma mesa próxima, os olhos faiscando com um misto de curiosidade e indiferença. "Calliope já foi dele,  Minha filha." "Agora a Filha de meu irmão."  "Eu não me surpreenderia se o Sonho tivesse um gosto especial pelas mulheres do panteão grego."

 

 

Ares

 

Ares deu uma gargalhada rouca ao ler as palavras no convite.

Ele bateu com o punho na mesa, fazendo os cálices de vinho tremerem. "A  Dite tinha razão, Afinal ele conseguiu o que queria! Bem, espero que minha querida prima tenha o fogo necessário pra enfrentar um ser como ele. "

"O Sonho tomou o que queria, Como um bom guerreiro. Respeito isso… mesmo que a garota seja do nosso sangue." Ele riu novamente, pegando um cálice e brindando ao ar. 

"Espero que ela dê trabalho pra ele."

 

 

Atena

 

Atena analisou o convite com um olhar calculista, os dedos tamborilando levemente contra o braço de sua cadeira. "Isso Era previsível"

"Bem, eu sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde," disse ela contemplativa mente.enquanto inclinava a cabeça para o lado.

"Como ele a tratava naquela noite... e aquele vestido foi o suficiente pra qualquer um perceber o interesse dele nela."

"Aquilo Era uma marca, uma reivindicação.  Ela deveria ter sido mais esperta e notado os sinais antes." A voz dela endureceu um pouco , com um leve tom de reprovação não raiva, mas de  decepção como de quem vê um erro  óbvio.

"Foi uma Estratégia perfeita. Um pouco Cruel e baixo com ela, mas perfeita." Pensa ela enquanto  dobrava o convite com e o colocava de lado.

 

 

Apolo

 

Apolo leu o convite com uma expressão de pena, os olhos dourados refletindo um brilho melancólico.

"Minha linda prima.

Tão cheia de luz, de mar, de vida.

E agora presa na escuridão dele."

"Então ele realmente fez isso. Minha linda prima... é eu realmente uma pena que você tenha que se casar com ele." disse ele balançando a cabeça devaga

“Se não fosse por essa imposição, talvez eu mesmo tivesse considerado pedir sua mão ao tio no futuro. Quem sabe? " falou Apolo com um sorriso pequeno e melancólico, quase sonhador.

"Calliope já foi dele, Eu a desejei, Mas ela escolheu o Sonho. E agora ele toma a minha  prima." Pensa ele. Ele suspirou, deixando o convite de lado. 

 

 

Poseidon

 

Poseidon segurava o convite com mãos trêmulas, a raiva e o desespero lutando dentro dele enquanto encarava as palavras douradas no pergaminho negro.

"Eu a conheci por tão pouco tempo, mal estive com ela uma só noite … e já a perdi." Pensa ele tristemente.

"Isso realmente está acontecendo. Minha única filha, minha pequena pérola... Eu não consegui protegê-la dele.”

“Foi por minha culpa que isso aconteceu com você." confessou ele baixinho. "Se eu não tivesse recusado a proposta dele primeiro, quando ele pediu sua mão, isso podia não ter acontecido com você.” continuou ele com a voz falhando no final, fechando os olhos por um segundo.

“Se eu não tivesse sido tão precipitado em dizer não, talvez você não tivesse  ter que se casar assim minha filha, você ainda se casaria sim, mais não desse jeito não assim as pressas, e com esses rumores circulando." disse ele  com a voz rouca com o que parecia arrependimento profundo.

Ele amassou o convite em seu punho, os olhos marejados, enquanto o peso de sua culpa o esmagava como as ondas de um mar furioso. "Eu neguei a proposta pra protegê-la.Pra mantê-la longe dele. E só acabei acelerando o destino dela."

 

"Eu devia ter trazido você pra cá no primeiro dia," ele murmurou, a voz rouca, quase quebrada. "Aqui você estaria segura." terminou ele, deixando a cabeça pender para frente

As correntes ao redor do seu trono se agitaram, como se o próprio mar chorasse com ele.

 

 

Os convites também foram enviados para os outros Perpétuos essa manhã.

 

 

 

Morte

 

Sentada em um canto, ela  girava uma pequena flor negra entre os dedos enquanto lia o convite. Um sorriso triste curvou seus lábios.

Claro que  ela descobri como seu irmão conseguiu a mão dela ela o conhecia muito bem afinal.

 

“Você é um idiota, não é, maninho?" murmurou ela para si mesma, balançando a cabeça.

"Só espero que eles superem isso... ou pelo menos que ela sobreviva ao peso do que você fez com o tempo."

 

 

Destino

 

Destino, leu o convite sem expressão, enquanto  folheava as páginas de seu livro encadeado.

 

"Briely não estava escrita no meu livro antes, ela não existia." pensou ele, os olhos fixos nas linhas invisíveis de seu tomo.

"Seu nascimento é desconhecido pra mim, e seu destino só apareceu há alguns meses. "murmurou Destino em voz baixa,  virando o convite devagar entre os dedos.

“Ela não pertence a este universo, e  agora sua existência se entrelaça com a de meu irmão Sonho.” ele continuou com o tom neutro e distante.

“Seu destino não está totalmente escrito." "E Ela é uma anomalia que não deveria estar aqui.”Disse Destino pausadamente, fechando o seu  livro com um estalo seco.

"Ela era Uma anomalia. Um fio solto." refletiu ele em silêncio, inclinando ligeiramente a cabeça.

“mas com este casamento, suas linhas começam a se  entrelaçar com a do meu irmão." falou Destino com uma nota quase imperceptível de curiosidade.

“O que será o destino dela, somente o tempo dirá."

 

 

Delírio

 

Delírio dançava em círculos em seu reino, segurando o convite como se fosse um brinquedo.

 

Seus cabelos multicoloridos, flutuavam ao seu redor enquanto ria descontroladamente, os olhos brilhando com uma alegria caótica.

"Casamento! Irmão Sonho vai se casar! Flores, sonhos, bolhas de alegria! Vou ter uma nova cunhada! Será que ela gosta de peixes voadores e nuvens de algodão doce? "gritou ela com a voz alta e saltitante, girando o convite.

Ela girou mais rápido, o convite quase escapando de suas mãos.

Delírio parou de girar de repente, os olhos arregalados, como se tivesse visto algo que ninguém mais via.

"Mais,  Ela tá triste," ela sussurrou, a voz mudando pra algo quase sério por um segundo.

"Mais tudo bem as vezes as pessoas choram nos casamentos...  lágrimas são só chuva ao contrário!" exclamou ela voltando ao tom animado num piscar de olhos, batendo palmas com força e fazendo bolhas iridescentes explodirem ao seu redor.

"Mas irmão Sonho vai fazer ela feliz. Ele sempre faz. Mesmo quando não faz." disse Delírio com um riso borbulhante, dançando de novo, o reino inteiro girando com ela.

 

 

Desespero

 

Desespero, olhou para o convite com um olhar vazio, quase inerte.

Um sussurro escapou de seus lábios. "Eu sinto o desespero dela... pobre alma. Que ela encontre um fiapo de esperança em meio às correntes que o Sonho impôs a ela."

"O desespero dela é doce, Puro, Quase invejável."Seus dedos traçaram as bordas do pergaminho, como se pudesse sentir o desespero de Briely através dele.

"Ela acha que é o pior que pode acontecer," ela murmurou com um sorriso lento  surgindo nos lábios, mantendo os olhos fundos fixos no convite  "Mas eu sei que não é, O pior vem depois." completou Desespero com a voz ganhando um tom quase gentil. "Quando ela perceber que não tem mais saída."

Ela sorriu um sorriso lento, triste. "Eu vou estar aqui, Esperando ela me visitar." Disse ela. "Porque, mais cedo ou mais tarde, todo mundo vem." terminou Desespero, com uma certeza calma e inevitável.

 

Desejo

 

Desejo, com um sorriso provocador nos lábios, traçou os nomes de Briely e de seu irmão no convite com a ponta do dedo

"Meu irmão  teimoso.Sempre querendo o que não pode ter. E dessa vez, ele tomou à força. Delicioso." Pensa desejo, enquanto o dedo traçava o nome dela mais uma vez, como se pudesse saborear a palavra.

"Querido irmão, você realmente conseguiu o que desejava," disse ele, a voz suave como veludo, mas afiada como uma lâmina. 

“Agora você tem sua jóia."   "Mas ela não te deseja, não é?"    "E dessa vez, você não vai poder me culpar pelo fracasso do seu relacionamento, vai?"continuou ele num tom de falsa inocência.

"Ah, Sonho, você sempre foi tão teimoso... vamos ver como você lida com isso ."falou Desejo com um tom de expectativa.

Ele riu baixo, os olhos brilhando com malícia e curiosidade, ansioso para ver o drama se desenrolar.

"Mas eu tenho o presente perfeito pra noiva." "Tenho certeza que meu irmão vai adorar." Pensa ele com  dedos tamborilando ritmicamente no convite como se já imaginasse o caos que viria.

"Ele vai me agradecer. Ou vai  odiar. De qualquer forma... E delicioso." Pensa ele soltando um suspiro satisfeito, os olhos semicerrados de antecipação pura.

Desejo inclinou a cabeça, o sorriso alargando-se. "Um presentinho que vai fazer ela desejar... intensamente," ele murmurou divertidamente, os dedos dançando no ar.

 

 

 

 

 

Lucienne, após ajudar Briely com os últimos retoques em seu vestido, deu um passo atrás, admirando o resultado com um sorriso suave. "Você está linda, minha senhora. Vou avisar o mestre que já terminei."

Antes que ela pudesse sair, elas ouviram uma batida firme na porta.

Briely virou o pescoço para ver quem era enquanto Lucienne abria a porta.

"Lorde Poseidon," disse Lucienne, um pouco surpresa por ele estar ali, fazendo uma leve reverência.

 

Ao lado dele estava Mervyn, que o acompanhara até o quarto. "Lucienne, majestade," disse Mervyn, inclinando a cabeça. "Eu me despeço." Ele saiu, deixando-os  a sós.

Lucienne aproveitou para murmurar: "Vou avisar Lorde Morpheus que já terminei," e ela  também se retirou, fechando a porta suavemente atrás de si.

Poseidon ficou na entrada por um momento, com  os olhos fixos em sua filha.

"Minha filha," disse ele, a voz rouca de emoção, sem conseguir esconder dela, a dor que carregava no peito por ela nesse momento.

Ele a viu parada ali, em um lindo vestido de noiva, mas com uma tristeza que parecia pesar em cada traço de seu rosto.

"Oi, pai," respondeu Briely, com a voz fraca.

"Posso entrar?" Ele a  perguntou hesitante, bem no fundo, ele esperava que ela estivesse com raiva  dele, e o culpasse por tudo. "Eu queria te ver antes da cerimônia. E surpreendentemente, o Senhor dos Sonhos permitiu."

"Entra, pai," disse ela, tentando parecer pra ele, mais firme do que se sentia, endireitando os ombros

Poseidon caminhou até ela, seus olhos oceânicos brilhando com uma mistura de orgulho e dor. "Você está bonita, minha filha. Uma verdadeira princesa," disse ele, a  oferecendo um sorriso pequeno, mas genuíno.

Briely conseguiu retribuir com um leve sorriso, embora mal alcançasse seus olhos. "Obrigada, pai." Murmura ela fracamente,com os olhos baixando para o chão por um instante.

Ele respirou fundo, o peso das palavras seguintes visível em sua expressão. "Filha, eu sinto muito pelo que houve com você. Pelo que ele fez..."

Ela o interrompeu, com os olhos um pouco arregalados. "Você sabe, pai? Como?" perguntou ela com a voz falhando, e o coração acelerando de pavor e secretamente com um pouco vergonha. O que ela não deveria estar. 

Poseidon baixou o olhar por um momento.Antes de a responder. "Eu senti quando você usou o colar que te dei. Mas você não foi teletransportada para mim."

"Eu Fiquei preocupado e pedi aos meus súditos que estavam mais próximos que a procurassem." confessou ele com  os punhos cerrados ao lado do corpo. "Um tritão de confiança me contou tudo o que aconteceu na praia."

Briely mordeu os lábios com força, tentando conter as emoções que ameaçavam transbordar.

Poseidon continuou, a voz mais baixa agora, quase um murmúrio de culpa. "E também, minha filha com tudo isso, eu receio que a notícia se espalhou um pouco. Surgiram rumores.

"E alguns também sabem a verdade, apesar de nossos esforços para abafar o que ele fez com você."

O horror cruzou o rosto de Briely, suas mãos apertando o tecido do vestido.

"Eles sabem que ele... que ele... o que ele fez comigo?" sussurrou ela com a voz tremendo.

Poseidon assentiu lentamente, o rosto contraído de dor.

"Sim. E eu sinto muito. Eu sabia o que um Perpétuo como Morpheus poderia fazer diante de sentimentos não correspondidos." "Mas nunca esperei que ele chegasse a esse ponto."murmurou ele com a voz falhando no final.

"Isso Não é sua culpa, pai," disse ela, tremendo. "Você não sabia que Morpheus faria isso."

Ele balançou a cabeça, os punhos cerrando ainda mais ao lado do corpo. "Eu sabia que desafiar um Perpétuo diretamente poderia ter consequências desastrosas."

"E eu o desafiei ao negar sua mão. Se eu tivesse aceitado a proposta dele, se tivesse deixado vocês se casarem desde o início, talvez você não estivesse passando por isso agora." confessou ele com  um arrependimento profundo, os olhos fixos nos dela como se buscasse perdão.

Briely o encarou, os olhos marejados, mas com um brilho de determinação. "Eu não o culpo por nada disso, pai'' 

"Mesmo se você tivesse aceitado a proposta dele, eu não teria me casado com ele não mesmo."

"E eu nem quero me casar com ele agora.

"Pai, eu sei que você não pode fazer nada mais, não tem realmente nenhum jeito?"

"Você não pode simplesmente me levar embora com você?" implorou ela com a voz embargada, as lágrimas finalmente escorrendo livres. "Eu não quero isso. Não quero nada disso, pai." 

Poseidon pareceu envelhecer dez anos em um instante ao ouvir sua filha pedindo pra ele levá-la embora chorando, e  o peso de sua impotência estava esmagando-o. "Minha filha, eu... Eu sinto muito por não poder levá-la embora, eu realmente queria poder ajudar você agora. Mas não posso fazer nada, a não ser aceitar que vocês se casem."

"Ele te desonrou minha pérola. Você era uma donzela, e ele te desonrou."

"Vocês precisam se casar. Sua reputação será arruinada pelo que ele fez, ainda mais agora com os rumores."

"Vocês devem se casar, eu não posso impedir isso, mesmo se quisesse." respondeu ele com a voz rouca, não conseguindo nem sequer, olhar nos olhos dela ao dizer isso no momento.

Briely balançou a cabeça, a voz subindo com uma mistura de tristeza e frustração. "Mais Eu não me importo com os rumores. Não me importo com a minha reputação! Por que eu tenho que me casar com... com ele depois disso?"

"Pai, por favor, você realmente não pode fazer nada?" sussurrou ela com os olhos suplicantes, as mãos tremendo.  "Ele disse que você não poderia, mas eu... eu quero ouvir de você." 

Poseidon baixou ainda mais os olhos, a mandíbula tensa, como se as palavras que precisava dizer fossem pedras afiadas em sua garganta.

"O Sonho te desonrou, minha filha. Então, é dever dele se casar com você." Explica ele, cada sílaba saindo como se doesse fisicamente.

"Não há outro caminho." Poseidon insistiu, com olhos firmes, mesmo que cheios de dor. "É para o seu bem, minha filha."murmurou ele.

"Para o meu bem?” repetiu ela fracamente, a com um tom de incredulidade, seus olhos marejando novamente, ao se erguer pra encontrar  os  dele.

“Pai... como pode ser para o meu bem casar com ele ? ... ele me machucou" As lágrimas  escorreram  silenciosamente pelas suas bochechas enquanto ela balançava a cabeça devagar. 

"Eu não quero isso. Eu não quero ser a esposa dele." confessou ela com a voz falhando. 

Poseidon fechou os olhos com força por um instante, como se as palavras dela fossem lâminas cravando-se em seu peito.

"Eu sei, minha pérola. Eu sei que não é justo. Eu sei que não é o que você merece,” respondeu ele abrindo os olhos novamente,  brilhando com uma dor profunda e impotente.

"Mas o mundo onde vivemos... ele não é justo. E os deuses, tem regras, temos uma regra antiga, ele reivindicou a  sua virgindade, então ele pode se casar com você, sem a minha bênção ou apoio." 

Ele respirou fundo, o som pesado ecoando no quarto silencioso “Se você não se casar com ele agora, os rumores vão te perseguir para sempre, minha pérola e eu não quero isso pra você." 

"Vão dizer que você foi usada e descartada. E sempre Vão questionar sua honra, sua pureza... e isso vai cair sobre você, sobre qualquer filho que você venha a ter por isso. E eu... eu não posso suportar ver minha única filha carregando esse estigma.”

Briely sentiu um soluço subir pela garganta, mas o engoliu com força, os olhos fixos nos dele. Um filho... Ela nem sequer cogitou essa possibilidade,  Ela poderia já estar grávida agora na verdade, ele nem sequer se preocupou  com qualquer proteção, e ela duvidava que ele se preocupasse.

Então e por isso ? Por esse motivo, honra ? Orgulho ? Ele não disse mais ela tinha certeza que o orgulho dele também tinha sido ferido por essa situação. 

“Então é isso? Minha honra... minha vida... tudo se resume a um casamento,  para calar bocas que nem me conhecem?” perguntou ela com a voz tremendo de raiva e tristeza misturadas.

Poseidon assentiu lentamente, os olhos cheios de uma culpa que parecia corroê-lo por dentro. "Sim. E eu odeio isso. Odeio que seja assim. Mas se eu tentasse te tirar daqui agora... O Morpheus ficaria furioso."

Ele a puxou para um abraço apertado, os braços fortes envolvendo-a como se pudesse protegê-la do destino inteiro  e ela o retribuiu, sentindo o calor familiar, mesmo que ele não seja seu verdadeiro pai, era como se fosse, o abraço era quente e reconfortante contra a frieza do destino que a aguardava.

Após um momento ele a solta , e a perguntou suavemente com uma ternura dolorosa. "Posso te levar até o altar?" 

Briely sentiu um nó apertar ainda mais em sua garganta ao ouvir a palavra "altar", mas conseguiu assentir, sem confiar em sua voz para falar.

 

Antes que pudessem continuar, Lucienne bateu na porta, interrompendo-os. "Já está na hora de ir, minha senhora. Tudo está pronto. Só falta a noiva."

Briely respirou fundo, sentindo um turbilhão de emoções ameaçando escapar de seu peito.

hoje... hoje ela só precisava sobreviver à cerimônia. Ela conseguia fazer isso.

Ela olhou para Poseidon, com os olhos brilhando, com uma ideia se formando em sua mente, ela disse em um tom baixo o suficiente só pra os dois ouvirem. "Espere um pouco, pai. Antes de irmos, eu tenho um favor a te pedir."

Poseidon ergueu uma sobrancelha, curioso com o que ela poderia o pedir, mas com um toque de preocupação em sua expressão. Ele inclinou a cabeça ligeiramente. "Um favor? O que seria, minha filha?"

Ela se levantou devagar, o tecido do vestido roçando no chão enquanto se aproximava dele.

Com passos hesitantes, ela se inclinou para perto, seus lábios quase tocando a orelha dele enquanto sussurrava algo que apenas ele podia ouvir.

 

Poseidon recuou um pouco, olhando pra ela com surpresa pela sua ideia, e então... Ele soltou uma risada baixa, com os olhos brilhando com orgulho.

"Você realmente se parece comigo minha filha," disse ele, a  cheio de carinho e admiração com a ideia dela.   "Teimosa até o fim. Claro que eu faço."

 

Briely sorri um sorriso pequeno, desafiador. "Obrigada paí."

Do lado de fora, Lucienne aguardava impacientemente. Já havia se passado mais de meia hora da hora marcada, e a senhorita e Lorde Poseidon ainda não haviam saído do quarto.

Ela tamborilava os dedos, os nervos à flor da pele, Era normal a noiva se atrasar, mais se isso continuasse por mais tempo, ela tinha certeza que, o mestre morpheus iria ele proprio vir buscar a senhorita e levá-la pro altar, mais parece que isso não irá acontecer porque ela logo ouviu o clique suave da porta se destravando.

Lucienne deu um passo à frente, um suspiro de alívio escapando de seus lábios.

"Senhorita, graças aos céus, você..." Mas as palavras morreram em sua garganta. Seus olhos se arregalaram, encarando Briely com uma mistura de choque e descrença. "Senhorita, o que você fez?"

Briely, agora de pé com uma postura mais firme, embora ainda carregada de tensão, encarou Lucienne com um brilho nos olhos.

Seu vestido, penteado, colares e brincos  tudo havia sido trocados.

Ela não usava mais o que havia sido preparado Antes para a cerimônia.

Em vez disso, ela exibia algo completamente novo, algo que gritava sua identidade e rebeldia.

Com uma voz firme, ela respondeu a Lucienne.  "Se eu tenho mesmo que me casar com ele, vai ser nos meus próprios termos Lucienne." "E Definitivamente, eu não vou usar nada  que ele preparou. Certo, pai?"

Poseidon, ao seu lado, assentiu com um sorriso pequeno, mas orgulhoso, os olhos passeando pela figura transformada de sua filha. "É claro, minha filha. Você está como uma verdadeira princesa do mar." "Eu mal posso esperar pra ver a cara dele."

Eles caminharam juntos, passando por Lucienne em choque, em direção ao salão onde a cerimônia ocorreria.

Poseidon estendeu o braço no corredor, sua voz tentando soar reconfortante. "Vamos, filha."

Briely aceitou, seus dedos tremendo levemente ao tocar a pele do pai pelo que vinha a frente.

Ele a olhou nos olhos e murmurou reconfortantemente. "Vai ficar tudo bem, filha. Só mantenha a cabeça firme, tá bom?"

"Ok," sussurrou ela de volta.

No corredor, Briely não pôde evitar a pergunta que queimava em sua mente.

"Veio muita gente?" perguntou ela,  um pouco nervosa.

Poseidon lançou-lhe um olhar que tentava ser reconfortante. "Sim, alguns dos maiores nomes do nosso panteão estão aqui, além dos irmãos de Morpheus. É uma união que ninguém quer perder... por razões diversas."

"Razões diversas sei. Tipo pena ou curiosidade ? ou pra ver se eu choro no altar?  sendo deuses, Eu não espero nada deles." Pensa ela.

Eles pararam diante da porta do salão.

E Quando chegaram ela logo se abriu, revelando um espaço cheio de figuras divinas, Briely engoliu em seco, o impulso de dar meia volta e fugir quase a dominando.

"Se eu der meia volta e sair correndo agora..." "Não, o Morpheus ficaria furioso, eu Aposto que ele me  pegaria e me arrastaria até o altar," "Mas até que valeria a pena só pra ver a cara dele." O pensamento rebelde veio como um flash mais o medo logo o engoliu, ela estava com o estômago revirando ao sentir os olhares de várias entidades fixos nela.

 

Poseidon sussurrou, inclinando-se levemente."Vamos, filha." "Mantenha a Cabeça firme, você filha do mar."

"Lembre-se  o mar não se curva."disse ele com o braço apertando o dela de leve.

 

Do seus assentos, Hera e Afrodite a encararam, cada uma com suas emoções estampadas no rosto .

Hera com pena, Afrodite com um brilho de curiosidade maliciosa.

Zeus mantinha uma expressão impassível, . Atena parecia analisar cada detalhe de sua figura, enquanto Ares deu um leve aceno de cabeça.

Briely desviou o olhar, o peso de tantos olhos nela a sufocando.

Poseidon a guiou com passos firmes pelo corredor até o altar, onde Morpheus esperava.

Ela olhou para frente e lá estava ele, vestido em um terno preto.

Ao seu lado, uma figura estranha, vestida como um padre,  –  para oficiar a cerimônia.

O estômago de Briely se revirou ao cruzar o olhar com Morpheus. Seus olhos  a fixavam com uma intensidade predatória, quase a fazendo dar um passo para trás. Ela sentiu o seu corpo inteiro querer recuar, mesmo com o braço firme do pai segurando-a. Ela logo estremeceu, sentindo um frio subir por sua espinha.

A cerimônia estava prestes a começar.

Poseidon a levou até o altar, e Morpheus estendeu a mão para ela. Ela hesita, apertando a mão do seu pai com força, mais cede e lhe dá a  mão,  Ele a pega e  beija  seus dedos com  delicadeza, os lábios frios contra sua pele.

"Você está magnífica," murmurou ele, a voz profunda, mas os olhos percorrendo o vestido branco com pérolas como se estivesse catalogando cada detalhe.

Então, o sorriso dele se alargou, lento, divertido, e  perigoso. "Vejo que não veio com nenhum dos vestidos que preparei," ele sussurrou, baixinho o suficiente só pra ela ouvir. A sua voz saiu suave como veludo, mas com uma ponta afiada de irritação contida.

 

Briely ergueu o queixo, o coração disparado, mas o sarcasmo saindo mesmo assim.

"Gostou? E Bonito, não é?" perguntou ela com os olhos fixos nos dele sem recuar, mesmo que o seu corpo inteiro tremesse por dentro.

Morpheus inclinou a cabeça ligeiramente, os olhos brilhando com algo entre admiração e promessa de retaliação.

"Eu me pergunto quem ajudou você com essa façanha," disse ele, a voz suave como seda, mas com uma ponta afiada. Com os dedos ainda segurando os dela com firmeza, o polegar traçando um círculo lento na palma da mão dela. "Eu suponho que foi o Poseidon?"

"Claro," respondeu ela, sorrindo falsamente, os dentes cerrados por trás do sorriso.enquanto sustentava o olhar dele, o seu  coração estava batendo tão forte que ela achava que ele podia ouvir. "O meu pai me ajudou."

Morpheus inclinou a cabeça ligeiramente, os olhos brilhando com algo entre admiração e promessa de retaliação.

"E claro que ele faria," ele a respondeu mas com uma nota que parecia irritação. 

"Ele tá puto."

Poseidon, com relutância visível, soltou a mão de sua filha, depositando um beijo gentil em sua testa como despedida.

Seus olhos encontraram os dela por um último momento, cheios de uma dor silenciosa, antes que ele se retirasse para sentar ao lado de sua esposa, Anfitrite.

Briely ficou ali, ao lado de Morpheus, sentindo o peso de seu destino fechar-se ao seu redor como uma gaiola invisível.

 

 

No altar, Morpheus pegou a mão de Briely com mais força, os dedos dele envolvendo os dela.

Eles se viraram para o cerimonialista, e ela sentiu os olhares dos convidados queimando suas costas, cada par de olhos divinos e  carregado de  curiosidade.

O cerimonialista, com sua presença estranha e quase sobrenatural, começou a falar, sua voz reverberando pelo salão. "Hoje celebraremos a união deste casal, Sonho dos Perpétuos e Briely.”

“Este não é apenas um casamento, mas um vínculo eterno um Syzygía Aiónia, uma fusão de suas almas   que nenhum poder poderá desfazer.”

“Com todos presentes, vamos começar."

 

Ele olhou para Morpheus.

"Sonho dos Perpétuos, você aceita Briely como sua legítima esposa, para guiá-la, protegê-la e amá-la por toda a eternidade?"

 

Sem desviar o olhar dela, Morpheus respondeu com uma certeza fria e absoluta. "Aceito." A sua voz saiu grave e definitiva. 

 

 

O cerimonialista virou-se para Briely, sua expressão impassível.

"Briely, você aceita o Sonho como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo por toda a eternidade?"

 

Ela engoliu em seco, o coração disparado, cada batida ecoando em seus ouvidos.

Ela Hesitou, seus olhos encontrando os de Morpheus.

A intensidade dele ao encará-la era sufocante, como se ele  pudesse enxergar cada pensamento rebelde que atravessava sua mente.

Ela queria dizer não, queria gritar para todos ouvirem, mas sabia que não adiantaria.

Murmúrios baixos começaram atrás deles, um burburinho de impaciência entre os convidados.

Morpheus, percebendo sua relutância, inclinou-se ligeiramente e sussurrou pra ela ."Essas perguntas são meras formalidades, Briely."

"E Não vai adiantar nada se você disser não agora."  "Mas você deve dizer sim, ou sabe o que vai acontecer mais tarde." Disse ele com a voz baixa e ameaçadora. Ele apertou a mão dela com mais força, como se a desafiasse a recusar ali, diante de todos.

 

O cerimonialista repetiu a pergunta. "Briely, você aceita?"

 

Ela gaguejou, com  a voz falhando. Eu... eu..."

E Finalmente, com um peso esmagador no peito, ela murmurou com a voz auditivel o suficiente, "Eu aceito." Após dizer isso em voz alta, as suas lágrimas ameaçaram  cair novamente.

 

O oficiante assentiu, um leve sorriso cruzando seus lábios. "Com estas palavras, agora passemos ao ritual de união."

''O casal gostaria de fazer os votos antes de prosseguirmos pro ritual?"

 

Morpheus, sem hesitar, respondeu. "Gostaria de fazer os meus."

Ele virou-se para Briely, segurando sua mão com firmeza, e olhou profundamente em seus olhos. "Eu, Sonho dos Perpétuos, prometo amá-la por toda a eternidade, e protegê-la com cada fragmento de meu ser." 

"Você é minha, Briely, E eu serei seu,  eu serei seu guardião, seu soberano, seu marido, até que o tempo deixe de existir." As palavras dele eram belas, mas cortavam como facas no coração dela.

Briely sabia que, enquanto ele parecia sincero, seu amor era uma jaula, e ela o odiava por forçá-la a isso.

 

O cerimonialista virou-se para ela. "E você, senhorita, gostaria de dizer seus votos?"

 

Ela sentiu o peso de todos os olhares sobre si, especialmente o de Morpheus, que parecia aguardar com uma paciência, ela dizer alguma coisa também.

"Ele realmente acredita que eu vou dizer algo bonito pra ele ? , Depois de tudo?" pensou ela com ódio, ela tinha os dentes cerrados por trás do sorriso forçado que ela exibia.

Antes que ela pudesse responder algo que talvez ele não gostasse como seus votos, Morpheus inclinou-se novamente, sua voz suave, mas carregada de uma falsa ternura.

"Meu amor, se não quiser dizer, tudo bem." sussurrou docemente, mais os dedos dele Estavam apertando os dela de leve como um aviso sutil. Ela entendia a mensagem, era basicamente pra ela não dizer algo que se arrependeria mais tarde.

Briely olhou pra ele, o ódio queimando por trás dos olhos. "Não," disse ela, a voz baixa, mas firme.

"Eu não tenho votos." Termina ela secamente.

O cerimonialista assentiu, sem demonstrar qualquer julgamento. "Vamos prosseguir a Syzygia Aiónia (Συζυγία Αἰώνια), então."

 

Ele avançou, retirando uma faca cerimonial de suas vestes.

Ele Trouxe também um cálice de prata reluzente, da mesma cor da lâmina, que repousava sobre uma bandeja.

Ele colocou a faca ao lado do cálice e caminhou na direção deles. Briely sentiu um arrepio de medo ao ver a faca, seus pensamentos girando.

"Uma faca? Para que ele precisa de uma faca e um cálice?" pensou ela com o coração acelerando ainda mais do que  já estava, se fosse possível, e o estômago revirando de pavor.

 

Morpheus, notando a apreensão em seu olhar, murmurou ao seu lado. "Isso faz parte da cerimônia. Não se preocupe." disse ele com o tom calmo.

"Não se preocupe. Claro. Porque sangue e faca sempre são tranquilizadores." Pensa ela sarcasticamente.

 

Suas palavras não a tranquilizaram nem um pouco

 

O cerimonialista levou a bandeja até eles e disse, com uma voz solene, "Vamos começar. Lorde Morpheus, deseja iniciar?"

 

"Sim," respondeu Morpheus, pegando a faca da bandeja.

Ele fez um corte preciso em sua própria mão, e um sangue dourado, brilhante, começou a gotejar no cálice.

Ele olhava fixamente para Briely enquanto o sangue caía, enchendo o recipiente até a metade.

Logo, o ferimento se fechou sozinho, como se nunca tivesse existido.

 

"Agora, me dê sua mão, meu amor," disse ele, estendendo a palma para ela.

 

Briely hesitou, o coração acelerado, o medo apertando seu peito. Ele insistiu, a voz baixa, mas firme. "Não vai doer nada, apenas um simples corte." disse ele com o tom carinhoso, os dedos já estendidos esperando, impacientes que ela pegasse a sua mão.

Isso não a confortou de jeito nenhum.

mais  Relutantemente, ela cedeu a mão, e Morpheus fez um pequeno corte em sua palma. "Ai!" ela exclamou, sentindo a lâmina fria rasgar sua pele.

O sangue vermelho começou a escorrer, e ele segurou o cálice sob a mão dela, guiando-a com uma de suas mãos enquanto segurava o recipiente com a outra.

O vermelho de seu sangue misturou-se ao dourado do dele, criando um líquido hipnotizante.

 

Quando o fluxo parou, Morpheus passou a mão sobre o ferimento dela, curando-o instantaneamente.

Ele levou a palma dela aos lábios, beijando-a suavemente, e ela sentiu o toque de sua língua capturando os últimos vestígios de sangue.

"Ele tá lambendo meu sangue." Pensa ela com Um arrepio de desconforto. O toque da língua dele enviando um calafrio que subiu a sua espinha.

 

O cerimonialista pegou o cálice na mão e murmurou palavras em um idioma antigo, incompreensível para Briely.

"Ash’thar vul’nemar, dra’khalis somn’thera, ul’vyn thar’esh."

As palavras pareciam ecoar, carregadas de um poder que fazia o ar ao redor vibrar. Ele ergueu o cálice e disse:

"Podem beber agora do cálice da união."

 

Briely franziu a testa, sussurrando para si mesma. "Beber? É para beber o nosso sangue?"

 

O cerimonialista ouviu e deu um pequeno sorriso, quase divertido com a pergunta dela.

"Sim, para beberem."

 

Morpheus pegou o cálice das mãos do oficiante e levou-o aos lábios, seus olhos  fixos nela enquanto bebia.

O movimento era deliberado, como se quisesse que ela visse cada detalhe.

Quando terminou, passou o cálice para ela e disse, com uma voz que era ao mesmo tempo comando e sedução:

"Beba, minha rainha."

 

Briely olhou ao redor por um instante, relutante, os convidados a estavam observando.

Suas expressões eram indecifráveis, mas carregadas de algo que ela não conseguia nomear – expectativa, talvez. "Todo mundo tá olhando, Como se isso fosse normal."

Sentindo o peso do momento, ela pegou o cálice das mãos de Morpheus, suas mãos trêmulas enquanto o levava aos lábios.

Deu um pequeno gole, e o gosto metálico e estranho do sangue misturado queimou sua garganta, deixando um rastro de calor e desconforto.

 

Morpheus inclinou-se, sussurrando. "Beba tudo, meu amor." com um tom baixo e insistente.

 

Ela balançou a cabeça levemente, com o estômago revirando. "Não consigo..."

 

Ele insistiu, a voz baixa, mas firme. "Você tem que beber tudo. Beba tudo de uma vez." Disse ele com o tom  inegociável, os olhos fixos nos dela esperando obediência.

 

Seus olhos marejaram ela não tinha nenhuma escolha, não e mesmo? , mas antes que pudesse protestar mais, Morpheus segurou o cálice junto às mãos dela, guiando-o até seus lábios.

"Feche os olhos e tome," murmurou ele. E Relutante, ela obedeceu, fechando os olhos e engolindo o resto em um único gole.

O líquido queimou sua garganta, e o calor foi se espalhando por seu corpo.

Quando ela terminou, Morpheus limpou o canto de seus lábios com o polegar, o toque gelado contrastando com a sensação ardente dentro dela.

 

O oficiante ergueu as mãos, pronunciando as palavras finais no mesmo idioma estranho.

"Thar’esh vul’nemar, dra’khalis ul’somn, ash’thar kren’vyl."

Sua voz ressoou pelo salão, e então ele declarou. "Agora, vocês são um só. Sua união é eterna e inquebrável."

 

Aplausos ecoaram pelo salão,Morpheus a puxou para um beijo profundo, seus lábios frios contra os dela, o gosto residual do sangue ainda presente. Ele aprofundou o beijo, uma mão em sua nuca, enquanto os aplausos continuavam, quase abafando os pensamentos dela.

 

Quando ele finalmente a soltou, uma onda de calor subiu pelo corpo de Briely, como se algo estivesse queimando-a de dentro para fora.

Era como febre, uma sensação avassaladora que a fez cambalear.

"O que está acontecendo comigo? Eu me sinto quente... isso deveria acontecer?" perguntou ela, um pouco trêmula, agarrando o braço de Morpheus para se firmar.

 

Ele a encarou, um sorriso sutil curvando seus lábios. "Está tudo bem, minha esposa. É apenas o vínculo se estabelecendo.

"Essa sensação passará após nossa noite de núpcias. Não se preocupe, você ficará bem. Apenas confie em mim." Respondeu ele calmamente, com os olhos brilhando com satisfação e possessividade.

 

"Confie em você. Como se eu tivesse escolha." Pensa ela amargamente.

Sem mais palavras, ele a guiou pelo corredor, em direção à festa de celebração do casamento, agora que eram oficialmente marido e mulher.

Os convidados os seguiram, enquanto Briely sentia o peso daquele vínculo ardendo em sua pele e em sua alma.

 

 

 

 

 

 


 

˖₊˚.༄🌊₊˚.༄ 𓆝 🫧 𓅨 🫧 𓆞 ༄₊˚.🌊༄₊˚˖

 


 

 

 

 

O salão de recepção estava deslumbrante, decorado com detalhes  que pareciam saídos de um sonho.

Ou talvez de um pesadelo, para Briely.

Lustres de luz prateada flutuavam no ar, flores de cores impossíveis adornavam as mesas, e uma música suave, tocada por instrumentos invisíveis, preenchia o ambiente.

Morpheus conduziu Briely até a mesa reservada para os noivos, sua mão firme em sua cintura, mantendo-a colada a ele de uma forma que a fazia sentir-se mais prisioneira do que esposa.

Antes de se sentar, ela observou o salão, cada detalhe amplificando a sensação de aprisionamento.

Ela não teve escolha alguma a não ser se casar, e agora, bem, ela era casada – com Morpheus, de todas as criaturas possíveis. ela apertou os lábios com força pra não deixar escapar um som de desespero.

 

Seus olhos percorreram o ambiente, tentando fugir dos pensamentos que a sufocavam.

Em um canto, ela viu Hera e Afrodite que  trocavam sussurros, lançando olhares discretos em sua direção.

Briely sentiu um aperto no estômago, certa de que estavam falando dela, ou talvez do casamento.

Afrodite acenou de longe com um sorriso provocador, mas Briely não retribuiu o gesto, desviando o olhar para a multidão.

Seu pai, Poseidon, estava em uma conversa tensa com Zeus, os gestos de seu pai carregados de frustração mal contida, enquanto Zeus mantinha sua postura  impassível.  Briely viu o punho do pai cerrado ao lado do corpo e sentiu um nó na garganta, o que quer que eles estivessem discutindo agora, Parecia que Zeus discordava.

 

Atena, por outro lado, estava sozinha em um canto, segurando um cálice de néctar. Seus olhos fixavam a bebida, como se estivesse perdida em pensamentos profundos.

Um som de risadas estrondosas chamou a atenção de Briely. Morpheus também olhou na mesma direção, e lá estava Ares, o rosto já corado pelo vinho, gargalhando alto, aparentemente despreocupado com as sutilezas do momento.

Ao seu lado, Dionísio, igualmente animado, erguia uma taça, claramente desfrutando de sua própria criação.

Briely pensou, com um leve toque de humor amargo, " O Sr. D   ficaria  realmente chateado ao ver  sua contraparte divina bebendo à vontade, sem  ela se transformar em Coca Diet." O pensamento trouxe um sorriso pequeno e triste aos lábios dela, Ela sentia falta dele. 

 

Em outra mesa, Apolo, que ela não tinha notado na cerimônia  (não que ela tivesse prestado atenção a todos os presentes ) também bebia, um sorriso fácil no rosto enquanto conversava com outros convidados.

Antes que pudesse continuar suas observações, Morpheus a envolveu por trás, sua figura alta e imponente quase engolindo a dela.

O calor de seu corpo contra o dela a fez enrijecer, mas antes que ela pudesse reagir, uma presença se aproximou deles.

 

Morte, com sua aura gentil e paradoxalmente reconfortante, parou diante deles.

"Meus parabéns pelo casamento, irmão. Bri," disse ela, sorrindo com uma suavidade genuína.

 

"Obrigado, irmã," respondeu Morpheus educadamente. mas com uma nota de tensão sutil. 

 

Morte voltou-se para Briely. "Bem-vinda à nossa família, Briely." Ela pediu permissão para abraçá-la com um gesto.

Morpheus, ainda ao lado dela, soltou-a apenas o suficiente para que o abraço acontecesse.

Enquanto os braços de Morte a envolviam, ela sussurrou baixinho em seu ouvido,"Eu sinto muito pelo que o idiota do meu irmão fez."

"Espero que você encontre seu lugar entre nós, mesmo que o caminho pareça nebuloso no começo." Depois, ela a soltou com um último olhar de empatia antes de se afastar. O abraço foi breve mas verdadeiro, e Briely sentiu um nó na garganta. 

 

Destino foi o próximo a se aproximar. "Irmão Sonho, cunhada, parabéns. Que sua jornada juntos seja... esclarecedora," disse ele, antes de se despedir com um aceno.

 

Delírio praticamente pulou em direção aos noivos, sua energia caótica quase derrubando um arranjo de flores próximo.

Ela abraçou Morpheus com força, fazendo-o franzir a testa. "Irmã," murmurou ele, contendo a irritação, mas ele não a empurrou,  apenas suportou o abraço.

 

"Sonho! Meus parabéns pelo casamento e pela minha nova cunhada!" exclamou ela, soltando-o e correndo para abraçar Briely.

"Parabéns, Briely! Você é tipo um arco-íris sombrio agora, misturado com o preto do Sonho. Vai ser tão estranho e legal!" Disse ela, rindo de um jeito desconexo, antes de se despedir com um pulinho animado. O abraço de Delírio foi rápido e bagunçado, mas de alguma forma genuíno.

 

Desespero se aproximou dos dois em seguida,"Parabéns, irmão, Briely, pelo casamento," disse Desespero os comprimentando rapidamente, antes de se retirar silenciosamente. Briely sentiu um arrepio ao ver o olhar  dela, fixo nela por um momento antes dela desviar o olhar.

 

 

Desejo apareceu logo depôs  dela, o que fez Morpheus franzir a sobrancelha.

Com olhos brilharam com uma mistura de diversão e provocação enquanto parava diante deles.

"Parabéns, irmão. Você sempre soube como conseguir o que deseja, não é? E Briely... bem, que você também encontre o que seu coração anseia, mesmo com meu irmão," disse Desejo, antes de se misturar novamente à multidão com um sorriso malicioso, os olhos dourados faiscando com malícia enquanto ele passava perto demais de Briely, roçando de leve o braço dela como provocação.

 

Depois que todos os Perpétuos os cumprimentaram, Morpheus conduziu Briely até a mesa dos noivos.

Lá, ele pegou a mão dela, levou-a aos lábios e depositou um beijo. "Esses eram meus irmãos. Depois da Morte, que você conhece. veio o Destino. Depois, minha irmã caçula, Delírio, seguida por Desespero e Desejo." Explica ele.

 

Ela assentiu, sem muito a dizer. Seus olhos vagaram pelo salão, buscando algo familiar para se ancorar, qualquer coisa que a ajudasse a desviar do olhar insistente de Morpheus, que não parava de fixá-la.

Ela Viu Luciene em uma conversa animada com Caim e Abel, os três rindo de algo que ela não conseguiu ouvir.

 

Mais adiante, Mervyn embalava um pequeno bebê gárgula. "Um bebê gárgula?" murmurou ela, quase sem perceber um pouco surpresa, os olhos um pouco arregalados ao ver a criaturinha pequena aninhada nos braços dele.

 

Morpheus respondeu em voz baixa, com um toque de divertimento na voz. "Esse é Goldie, que está com Mervyn."

 

"Ele é fofo," admitiu Briely, sem pensar.

 

"Se você quiser, posso criar um especialmente para você," ofereceu ele. Mantendo os olhos fixos nos dela como se já imaginasse o presente.

 

"Não!" respondeu ela rapidamente com a voz um pouco seca, não querendo aceitar nada dele, nem mesmo algo tão trivial.

 

Ele inclinou a cabeça, os olhos estreitando-se levemente."O que você desejar, minha rainha, eu darei a você, mesmo algo simples." disse ele com os dedos roçando os dela sobre a mesa.

 

"Então me deixe em paz" "Quebre nossa ligação."  "E  Divorcie-se de mim."  "É isso que eu mais desejo, Você pode me dar isso?" retrucou ela, com rispidez, enquanto sustentava o olhar dele.

 

Morpheus segurou o rosto dela com ambas as mãos.

Para os outros no salão, o gesto parecia terno, apaixonado, mas para ela era controlador, sufocante.

Ela tentou se afastar, mas as mãos dele no rosto dela não permitiram.

"Isso, eu nunca poderia dar a você." "Lhe darei qualquer coisa dentro do meu alcance, menos isso." disse ele com a voz baixa e aveludada.

''E mesmo que houvesse um geito de quebrar a ligação eu Nunca farei isso." acrescentou ele, com uma certeza absoluta, os seus dedos apertando levemente o queixo dela pra mantê-la olhando pra ele. "Eu te disse antes, que nossa ligação não se quebrará. Nossas vidas estarão entrelaçadas, para sempre."

"Divórcio, para nós, e algo que não existe."

"Você é minha esposa agora, Briely. Minha rainha. Minha."

"Não há volta, Não há divórcio, Não há fim."

"Você não entende?" continuou ele, o tom quase carinhoso, mas os olhos escuros como abismo.

"Eu esperei eras por você." "E agora que te tenho, não vou soltar. Nunca." finalizou ele, os polegares parando de traçar círculos e apertando de leve, como se quisesse gravar as palavras na pele dela para que ela finalmente entendesse.

Briely engoliu em seco, a voz saindo rouca. "Você chama isso de amor?"perguntou ela com  raiva contida. 

 

Ela  queria vomitar todo aquele sangue que ele a fez  beber no ritual de casamento, queria  gritar e xingá-lo até não poder mais, e  arrancar aquele olhar presunçoso de seu rosto.

Mas ela não fez nada. Porque Sabia as consequências que viriam se o desafiasse ali, em público.

"Um dia você vai me agradecer por isso," respondeu ele simplesmente. "Com o tempo, você vai entender."

"Agora sorria, por favor, hoje e o nosso casamento, minha rainha," murmurou ele, gentilmente. "E eu não gosto quando pensam, que minha esposa está infeliz."

Briely sentiu o estômago revirar mais uma vez, mas forçou um sorriso pequeno e falso, os olhos vidrados enquanto olhava para o salão cheio de deuses, que fingiam que aquilo era normal.

Ele se inclinou e a beijou, mesmo quando ela tentou desviar o rosto. O beijo foi insistente, roubando-lhe o ar, e ela começou a engasgar.

Ele a soltou rapidamente, um leve brilho de culpa nos olhos."Minhas desculpas. Eu me empolguei minha amada esposa." "Eu Mal posso esperar pela nossa noite de núpcias," disse ele, o que  a fez estremecer de medo.

Briely desviou o olhar, desconfortável, com estômago revirando ao lembrar que, após a festa, teria que dormir com ele.

Tentando mudar de assunto, ela o  perguntou, "Onde está Matthew eu não o vi? Ele não vem?"

 

Morpheus voltou seu olhar para ela, um leve brilho de diversão cruzando seus olhos, ele sabia que ela estava desviando do tema de propósito.

 

"Matthew continua vigiando o vórtice no mundo desperto. Seu papel é indispensável, e ele não pode se permitir distrações no momento, mesmo para algo como o nosso casamento," respondeu ele, calmamente.

 

Briely assentiu, sem nada mais a dizer. Ele se inclinou para mais perto, sussurrando "Você deveria comer um pouco, minha esposa." 

"A noite ainda guarda muitas horas, e você precisará de toda a sua força para o que está por vir."

 

As palavras dele a  fizeram perder qualquer resquício de apetite que ela tivesse.

"Não quero comer," disse ela.

 

Ele ergueu uma sobrancelha. "Se está pensando em ficar sem comer, eu mesmo vou alimentá-la." Ele Pegou um pedaço de bolo na mesa com um garfo e inclinou-se em sua direção.

"Vamos, esposa. Abra a boca e coma."disse ele com o garfo pairando perto dos lábios dela.

 

"Não tenho nenhuma apetite," insistiu ela, tentando manter a compostura.

 

"Bobagem," retrucou ele, "Até pedi para fazerem comida azul, como você gosta. Veja, o bolo é azul, e alguns biscoitos também."

 

Ela olhou e, de fato, o bolo e os biscoitos tinham tons de azul, uma cor que normalmente a alegraria.

por um breve momento ela Pensou "se eu não fosse forçada a esse casamento, talvez eu estivesse estivesse pelo menos um pouco feliz com os detalhes do salão e da comida. Tudo esta incrivelmente bonito, mas o que isso representa  me  deixa profundamente infeliz."

Morpheus interrompeu seus devaneios. "Coma," disse ele, insistindo , e oferecendo o garfo pra ela  novamente.

 

Relutante, ela abriu a boca e aceitou o pedaço de bolo.

O sabor era doce, delicioso mesmo, e isso só tornava tudo pior.

Ele lhe ofereceu outro pedaço, mas ela logo protestou.

"Posso comer sozinha. Não precisa me alimentar." disse ela com os olhos fixos no garfo, como se quisesse afastá-lo com o olhar.

 

"Tudo bem," disse ele, entregando o garfo com um leve sorriso.

Ela comeu mais um pouco, o sabor doce contrastando com a amargura de seus pensamentos.

Enquanto seu “marido” estava ao seu lado, seus olhos vagavam pelo salão mais uma vez, observando os deuses dançando, os Perpétuos espalhados entre os convidados, cada um imerso em suas próprias conversas ou provocações.

 

Enquanto a festa continuava ao seu redor, Briely sabia, no fundo de sua alma, que sua vida havia mudado para sempre.

Ela Nunca mais seria a mesma,  não mesmo, não depois de tudo isso.

O peso do vínculo, a presença sufocante de Morpheus, e o futuro incerto que a aguardava agora eram como uma gaiola invisível, da qual ela não via como ela podia escapar.

 

 

A festa seguia animada, o som pulsante da música enchendo o salão enquanto os convidados dançavam e riam, suas vozes misturando-se ao tilintar constante de taças.

Morpheus e Briely permaneciam sentados à mesa dos noivos, a mão dele firme no encosto da cadeira dela.

Ele observava a celebração com um olhar distante, enquanto Briely tentava ignorar o peso de sua presença ao seu lado.

 

De repente, Poseidon emergiu da multidão, caminhando em direção a eles com passos decididos. Sua expressão era séria, mas suavizou ao olhar para a filha. "Morpheus," ele começou, "posso levar minha filha para dançar?"

 

Morpheus hesitou, os dedos crispando-se levemente no encosto da cadeira.

Seus olhos se estreitaram por um breve instante, uma relutância em deixá-la ir clara em seu rosto.

Briely, sentindo a tensão, tocou a mão dele com um gesto quase implorante e o olhou diretamente, pedindo em silêncio por esse pequeno momento de liberdade.

Ele cedeu, embora com um leve franzir de sobrancelha, e soltou a cadeira. "Vá," murmurou, baixo o suficiente para que só ela ouvisse.

 

Briely, aliviada por qualquer pretexto para se afastar da mesa e, sobretudo, de Morpheus, levantou-se com pressa, quase tropeçando no próprio vestido.

Poseidon ofereceu o braço, e ela o aceitou, agradecida pela familiaridade do gesto.

Eles se dirigiram à pista de dança, os passos dela ecoando incertos contra o piso  enquanto os outros deuses e seres próximos os observavam com curiosidade ou indiferença.

 

"Eu não sei dançar, pai," Briely sussurrou, o nervosismo fazendo sua voz vacilar enquanto tentava acompanhar o ritmo dos movimentos dele.

 

"Não se preocupe, querida," ele respondeu, guiando-a com firmeza e calma.

"Eu só quero saber como você está após a cerimônia. Como está se sentindo, filha?" Perguntou ele preocupado,enquanto giravam devagar na pista.

 

Ela hesitou, os olhos baixos por um momento antes de responder.

"Senti um calor estranho, como se algo queimasse por dentro, mas diminuiu agora," confessou, a lembrança da sensação ainda fresca em sua mente.

Poseidon suspirou, o rosto carregado de pesar. "Sinto muito, minha filha, Não posso fazer nada por você nesse processo, Só Sei um pouco sobre esse ritual." disse ele com a voz contendo um pouco de culpa.

"Mais, Sei que esse tipo de cerimônia que seu marido escolheu é antiga e raramente usada. Não dá pra voltar atrás uma vez que estão unidos." acrescentou ele.

"O seu tio Hades saberia explicar melhor, afinal, ele se casou com Perséfone de forma um pouco semelhante." continuou ele.

Briely franziu a testa e pensa. "Isso é diferente, No meu universo, eu nunca ouvi falar de nada assim."

Poseidon manteve os olhos fixos nos dela. "Essa ligação os unirá até a morte. Se ele morrer, o vínculo entre vocês se romperá..."

"mas a única coisa ruim é que você morreria junto, Isso não vai acontecer, filha. Ele é um Perpétuo, Imortal." acrescentou ele, com um  alívio amargo, a mão apertando de leve o braço dela.

Ele baixou a voz ainda mais. "Esse ritual é pouco usado porque é perigoso. Um exemplo seria, Eras atrás, um casal de jovens deuses se apaixonaram e se casaram usando esse vínculo." contou ele. "Anos depois, eles se separaram. E não conseguiram se divorciar, não importa o quanto quisessem."

"No final, ela morreu, ela desapareceu no esquecimento... e ele a seguiu. Por isso é perigoso,  não dá pra desfazer." finalizou ele

Briely sentiu um frio subir pela espinha. "Nossa... Isso e realmente Perigoso. E eu tô presa nisso. Se eu quiser fugir... só morrendo. Ou ele morrendo no caso."

"Mas, pelo menos, estou feliz por ter mais tempo com você."acrescentou ele. Ela eventualmente  acabaria morrendo daqui a umas décadas, A morte a levaria para as terras sem sol, Então Ele teria muito pouco tempo com ela, essa era a única coisa boa nesse casamento pra ele,  a imortalidade que ela teria. 

"Como você é metade humana, eu teria pouco tempo ao seu lado. Agora, como você está ligada ao senhor dos sonhos, você se tornará imortal."

"Imortal..." repetiu ela, a palavra pesando em sua língua ela não queria ser imortal. "Ele me falou que eu não poderia morrer." disse ela quase para si mesma, a voz saindo rouca e distante.

Poseidon confirmou com um aceno. "Com você ligada a Morpheus, nem mesmo a Morte poderá levá-la. Bem... Pelo menos isso é algo bom nesse casamento." Disse ele amargamente, com os olhos fixos nos dela com uma mistura de tristeza e resignação.

Antes que pudessem terminar a dança, Afrodite se aproximou, seu vestido reluzente capturando a luz do salão.

Um sorriso doce, mas carregado de intenções, brincava em seus lábios.

"Posso cumprimentar a nossa noiva do momento?"perguntou Afrodite com a voz melíflua

 

Poseidon lançou um olhar para Briely, como quem pergunta se ela queria falar com Afrodite.

Briely assentiu levemente, e ele sorriu de volta. "Claro," respondeu para Afrodite, antes de se voltar para a filha e beijar sua testa com ternura.

"Se cuide filha, ok?" Ele sussurrou, antes de se misturar à multidão.

 

Afrodite entrelaçou o braço no de Briely levando-a até a mesa de doces. "Como você está se sentindo? Afinal Hoje é o seu dia," disse ela, enquanto pegava uma pequena fruta cristalina da mesa, girando-a entre os dedos com um ar pensativo.

 

"Estou bem," respondeu Briely, a voz seca, sem vontade de se abrir.

 

Afrodite riu suavemente, colocando a fruta de volta no prato. "Eu sabia que isso ia acontecer em algum momento, sabia?"disse ela com o tom leve e divertido.

 

Briely ergueu uma sobrancelha. "O quê?"

 

"Era tão óbvio que ele te amava," continuou Afrodite.inclinando-se um pouco mais perto.

"Aquele vestido vermelho no jantar... Ele estava te marcando, sabia? Vermelho, como o antigo rubi dele. Vermelho é a cor da paixão, do amor." acrescentou ela com um sorriso malicioso, os olhos brilhando como se relembrasse a cena com prazer.

"E eu senti o laço entre você e Morpheus durante aquele jantar."

"Você não percebeu realmente, Como ele parecia querer matar Apolo com os olhos? era óbvio que ele estava com ciúmes.

"Ele te ama. Mas, da sua parte, você só o via como um amigo, não é?" perguntou ela, inclinando a cabeça enquanto observava cada reação no rosto de Briely.

 

Briely sentiu um nó na garganta, mas não conseguiu conter a indignação. "Você está achando graça nisso? Nessa situação?"

 

A deusa ergueu as mãos em um gesto apaziguador, ainda sorrindo.

"Acalme-se, querida. Se eu tivesse dito algo, de que adiantaria? Ele faria o que quisesse de qualquer forma," retrucou Afrodite, despreocupada, sem perder o tom provocador.

 

Ela se inclinou um pouco mais perto, baixando a voz. "Você está preparada para essa noite? a sua noite de núpcias, após ela o ritual estará completo."

"E  Não há volta."

 

Antes que Briely pudesse formular uma resposta, Desejo surgiu ao seu lado, os olhos brilhando com uma malícia divertida, os lábios curvados em um meio-sorriso provocador.

"Posso falar com minha nova cunhada, querida Afrodite?" perguntou, a voz aveludada, mas com um tom cortante.que fez Afrodite erguer uma sobrancelha antes de se afastar.

 

Afrodite assentiu, lançando um último olhar  para Briely antes de se afastar graciosamente.

 

Desejo aproximou-se, Sem dizer uma palavra, ele deslizou um pequeno frasco de vidro em sua mão, comum  líquido rosado dentro dele.

 

Briely olhou para o objeto, franzindo a testa. "O que é isso?"

 

Ele se inclinou, o hálito quente roçando sua orelha enquanto sussurrava: "Beba isso antes das núpcias. Vai ajudá-la a... suportar a noite."

Ele sorriu, um brilho de diversão e nos olhos. "E Um presente de casamento meu cunhada. "E Bem-vinda à família." acrescentou ele, enquanto observava a reação dela.

 

Antes que ela pudesse reagir, ele continuou. "Meu irmão sempre foi teimoso. E egoísta. Apenas cuide de si mesma." Aconselhou ele com um tom quase compassivo.

Com isso, ele lançou um último olhar de cumplicidade antes de desaparecer na multidão, percebendo a aproximação de Morpheus.

 

Morpheus surgiu logo em seguida, os olhos cravados na direção onde Desejo havia ido, antes de se voltarem para Briely. Sua expressão era uma mistura de suspeita e controle. "O que ele disse a você?" perguntou pra ela.

 

"Nada de mais. Ele apenas me cumprimentou," respondeu ela rapidamente, deslizando o frasco para dentro de uma dobra do vestido com um movimento discreto, com o coração acelerado enquanto tentava manter a compostura.

 

Morpheus a encarou por um longo momento, como se pudesse enxergar através dela, mas não insistiu.

Em vez disso, aproximou-se mais, sua mão encontrando novamente a cintura dela. "Vamos, Volte para a mesa comigo," disse ele,  não deixando espaço para ela recusar.

Enquanto a conduzia de volta, Briely segurava frasco contra sua pele, Ela não sabia se tomaria o líquido, mas a mera possibilidade de ter uma escolha naquela noite , que isso poderia ajuda-la por menor que fosse, trouxe um fiapo de alívio.

 

 

Morpheus a conduziu  de volta à mesa dos noivos, o salão ainda vibrando com o som da música e das conversas animadas ao redor.

Eles se sentaram, e ele se inclinou ligeiramente em sua direção.

"Está tudo bem, esposa. Sei que hoje foi... intenso." "Mas estamos aqui agora. Fale comigo," disse ele, comos dedos roçando os dela sobre a mesa de forma quase casual, como se quisesse acalmá-la.

 

Briely mal o ouviu, o olhar perdido em algum ponto distante do salão. "Sim," ela murmurou, sem  emoção.

 

Ele insistiu. "Você parece distante. O que está pensando?"

 

"Nada," respondeu ela seca e cortante, os lábios apertados, forçando-se a não olhar para ele.

 

Mas o tempo passou, e aquele calor estranho que ela sentiu mais cedo começou a retornar, subindo como uma chama lenta por seu peito.

Suor começou a se formar em sua testa, e ela remexeu-se desconfortavelmente em seu assento, o tecido do vestido de noiva parecendo sufocante contra sua pele.

Ela Tentou se distrair, estendendo a mão para a taça de vinho à sua frente.

 

Mais Morpheus franziu a testa, puxando a taça suavemente para longe dela.

"Não acho que isso seja uma boa ideia." disse ele com o tom calmo e  firme, os olhos estreitando-se enquanto observava cada movimento dela.

 

"Por favor," pediu ela, com os olhos fixos na bebida. Sabia que ele não cederia fácil, mas ela  também sabia o que queria,  esquecer essa noite, apagar tudo com o torpor do álcool.

 

Ele a observou por um longo momento, os olhos estreitados, ciente do que ela planejava. "Você quer se embebedar para não lembrar de nada amanhã, não é?" Ele  a perguntou, com o tom seco, mas com um leve traço de diversão.

Ainda assim, ele cedeu parcialmente, enchendo menos de meia taça e empurrando-a de volta para ela. "Só isso,  Quero você sóbria hoje." acrescentou ele com o tom levemente autoritário.

 

Briely pegou a taça com dedos trêmulos, bebendo o líquido em pequenos goles, o sabor forte queimando sua garganta.

Ela o odiava por isso, por tudo que ele havia feito, por prendê-la nesse casamento, nesse ritual, nessa vida que ela não escolheu.

Maís, Ela Sabia que ele poderia fazer pior, muito pior, então respondia o mínimo necessário, tentando não o irritar.

Embora ele não facilitasse. A lembrança do tapa que deu nele no banheiro passou por sua mente, e um pensamento amargo a acompanhou: "Ele merecia muito mais que um tapa agora."

 

O calor dentro dela intensificou-se, uma sensação de queimação que parecia pulsar sob sua pele, fazendo-a se mexer inquieta no assento.

Ofegou baixinho, virando o rosto para o lado, tentando disfarçar enquanto uma gota de suor escorria por sua testa.

 

Morpheus percebeu imediatamente, os olhos fixos nela. "Você está bem, esposa?" perguntou preocupado com ela.

 

Briely assentiu, mas seu rosto estava tenso, os lábios apertados enquanto respirava fundo, lutando contra a sensação.

 

"Beba um pouco de água," sugeriu ele, empurrando uma taça de cristal em sua direção.

 

Ela obedeceu, os dedos trêmulos ao segurar a taça. O gosto fresco aliviou por um instante, mas o calor persistiu, rastejando por seu corpo, implacável.

Ela Devolveu a taça à mesa com um leve tremor, o cristal tilintando suavemente contra a superfície.

 

Morpheus inclinou-se para a frente, os olhos fixos nos dela. Colocou a mão em seu rosto, sentindo sua temperatura. Estava quente, quase febril. "Ela não vai aguentar muito mais assim".

"Está na hora" murmurou ele para si mesmo.

 

Ele fez um gesto sutil para Luciene, que se aproximou com passos rápidos e precisos.

"Cuide dos convidados. Vamos nos ausentar," ele instruiu, com  o olhar ainda em Briely.

 

"Claro, Mestre," respondeu Luciene com uma reverência breve, antes de voltar sua atenção para o salão, já começando a organizar os convidados com um sorriso ensaiado.

 

Morpheus virou-se para Briely, levantando-se e estendendo a mão para ela.

"Vamos, esposa. Está na hora." Afirmou ele estendendo a sua mão,  esperando que ela a pegue.

 

Ela hesitou, o coração disparado, o calor dentro dela quase insuportável. "E-espere... só um pouco mais," ela gaguejou, buscando qualquer desculpa para adiar o inevitável.

 

Ele soltou uma risada baixa, quase divertida, mas com um fundo de impaciência. "Se esperarmos mais, você vai começar a queimar de dentro pra fora. Você Não quer isso, quer?" Ele Pegou a mão de dela, os dedos dele firmes ao redor dos dela, não deixando espaço para ela recusar.

 

Antes que ela pudesse dizer mais qualquer coisa, o ar ao redor deles pareceu vibrar.

Em um piscar de olhos, teletransportaram-se, deixando para trás apenas alguns grãos de areia que brilharam brevemente no chão do salão antes de desaparecerem.

 

 

 

 


 

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O quarto se materializou ao redor deles, o cheiro de cera derretida, misturando no ar Briely colocou a mão sobre o estômago, o calor dentro dela crescendo como uma fogueira descontrolada.

Era como se ela tivesse bebido ambrosia em excesso ela se  lembrava das histórias de Annabeth, de como a substância divina podia queimar um semideus de dentro para fora se consumida além do limite.

Ela gemeu, segurando a barriga com força, o rosto contorcido de desconforto.

 

"Está esquentando," ela Murmura. "Parece como a Annabeth dizia... se bebêssemos ambrosia demais, iríamos queimar de dentro pra fora."

 

Seus olhos encontraram os de Morpheus, uma mistura de medo e acusação neles. "E pensando nisso... você me fez beber seu sangue junto com o meu."

"Não é perigoso? Seu sangue não é ichor? Isso Não seria perigoso pra mim?" perguntou ela com a voz acusatória, enquanto o calor subia mais forte.

 

Morpheus a encarou, a expressão calma, mas com um brilho de certeza nos olhos. "Poderia ser, mas eu dei a você apenas a quantidade necessária para completar o ritual do nosso casamento." Explicou ele a tranquilizando.

"Esposa, você está se unindo a mim. Não precisa se preocupar."  acrescentou ele gentilmente. "Apesar da queimação, eu  nunca deixaria nada acontecer com você."

"Tudo isso vai passar quando consumarmos o casamento. Esse calor... é só parte do processo." finalizou ele, com os olhos escurecendo levemente de antecipação enquanto se aproximava mais.

 

Ele deu mais um passo em direção a ela. "Deveríamos fazer isso agora." disse ele .

 

Briely recuou instintivamente, o coração disparado.

Ela Ainda tinha vívidas memórias do que aconteceu na floresta, e a última coisa que queria era repetir aquela experiência.

Se pudesse, ela o manteria a um meio metro de distância dela  essa noite.

Mas... Ela já  sabia que isso não aconteceria.

Ela Ofegou, sentindo a sensação de calor subir novamente, uma onda que a fez cerrar os dentes.

 

Morpheus aproximou-se dela sem hesitar, os olhos intensos, mas  com a voz suave. "Vou ser gentil. Eu prometo." Antes que ela pudesse reagir, ele a beijou, as mãos firmes em sua cintura enquanto a levantava no colo com facilidade.

Ele Caminhou até a cama, colocando-a sobre os lençóis macios, pairando acima dela.

E  Continuou a beijá-la, os lábios exigentes, explorando os dela com uma fome controlada.

 

Briely tentou se afastar, empurrando-o com as mãos, mas ele a segurou pelos ombros, firme.

"Pare com isso. Pare de tentar fugir," ele ordenou a ela com a voz autoritária, enquanto a prendia contra o colchão.

 

"Espere, espere!" interrompeu ela desesperadamente, as mãos tremendo enquanto agarrava os braços dele. "Eu preciso ir ao banheiro antes, Por favor, eu realmente preciso muito."

 

Ele hesitou, uma sombra de impaciência cruzando seu rosto. Mas ele assentiu, um movimento curto, quase relutante. "Vá." disse ele com o tom seco, soltando-a devagar, mantendo os olhos, seguindo cada movimento dela enquanto ela se afastava.

 

Briely correu para o banheiro, fechando a porta atrás de si. Encostou-se na madeira, com  os olhos fechados, as mãos tremendo ligeiramente, e Caminhou até a pia, segurando-a com força enquanto encarava seu reflexo no espelho.

Seus cabelos estavam bagunçados, ela tinha as suas  as bochechas ruborizadas, e algumas gotas de suor brilhando na testa.

Ela Passou a mão pelo rosto, tentando se recompor, quando se lembrou do presente de Desejo. As palavras dele ecoaram em sua mente,"Beba isso antes das núpcias. Vai ajudá-la a... suportar a noite."pensou ela com os dedos tremendo ao redor do frasco.

 

Ela Pegou o frasco com o líquido rosado, encarando-o com dúvida. "O que será isso? Se eu tomar..." ela e claro se lembra dos   avisos de sua mãe, de nunca aceitar comida ou bebida de estranhos.

Mas Desejo não era um estranho agora, era? Ele era irmão de Morpheus, e ela, sua "cunhada". "Se ele disse que vai me ajudar a suportar a noite, por que não tomar?"

 

Com mãos trêmulas, ela  segurou o frasco, o vidro escorregando um pouco em sua palma úmida.

Ela Abriu a tampa e bebeu o líquido. Era doce, quase enjoativo. E Segundos depois, não demorou muito para ela sentir o calor dentro dela intensificar-se ainda mais.

Suas bochechas ficaram completamente coradas, o seu corpo, formigando com uma energia incontrolável.

Uma onda de desejo pulsava através dela, cada nervo parecendo eletrificado, a sua pele parecia estar  hipersensível ao menor toque.

Seu coração disparou, e uma umidade traiçoeira se formou entre suas pernas.

Ela Percebeu rapidamente que havia entrado numa furada.

Aquilo não ia melhorar a noite para ela – talvez melhore para o Morpheus, mas não para ela.

Ela Engoliu em seco ao se dar conta de que aquilo provavelmente era um afrodisíaco.

"Eu sou uma idiota. Ele é o Desejo. O nome já dizia tudo.'' pensou ela com um misto de raiva e pânico, os olhos arregalados no reflexo do espelho.

Um toque na porta a assustou.

"Você está bem?" perguntou Morpheus, a paciência desgastando-se na borda de sua voz.

 

"Sim," respondeu ela rapidamente, jogando o frasco na lixeira com pressa.

Na afobação, ela não percebeu que errou, e o vidro caiu no chão ao lado da lixeira.

Ela Abriu a porta, tentando esconder o tremor em seus joelhos.

 

Ele a encarou por um momento, notando o rubor intenso em seu rosto e o brilho de suor em sua pele.

Sem dizer uma palavra, pegou-a no colo com facilidade, o gesto fazendo-a estremecer, a sensibilidade ampliada pelo afrodisíaco correndo em suas veias.

Ele Levou-a de volta à cama, deitando-a sobre os lençóis. Ele Inclinou-se sobre ela, capturando seus lábios num beijo profundo, a língua dele invadindo sua boca com uma ânsia que a fez ofegar, explorando cada canto, devorando-a enquanto ela tentava não se render à sensação que ameaçava dominá-la.

 

Suas mãos deslizaram pelo corpo dela, traçando cada curva com precisão, os dedos firmes e quentes contra sua pele.

Briely gemeu baixo, o calor dentro dela explodindo em resposta ao toque, amplificado pelo afrodisíaco que parecia inflamar cada terminação nervosa.

Com movimentos deliberados, ele começou a tirar o vestido de noiva, mas, impaciente, ele simplesmente fez o tecido desaparecer com um gesto, revelando a lingerie preta que ela usava por baixo.

Os olhos dele brilharam ao vê-la assim, um desejo voraz evidente em seu olhar. "Sempre quis isso."  "E Agora ela é minha, Toda minha" "Ela e Oficialmente minha mulher, minha esposa, minha rainha", pensou ele.

 

"Você é minha, esposa. Vou te provar isso. E  Depois dessa noite, você nunca vai esquecer," ele sussurrou, com os lábios roçando sua orelha, o hálito quente enviando arrepios pela espinha dela.

 

Ele Removeu as últimas peças de roupa dela com uma lentidão quase torturante, os dedos roçando sua pele sensível enquanto tirava o sutiã, deixando-a apenas de calcinha.

Ele Passou os dedos sobre o tecido, fazendo-a estremecer, ao ver isso um sorriso se curvou em  seus lábios. Depois, ele removeu a calcinha com cuidado, os dedos deslizando pelas pernas dela, deixando um rastro de fogo onde tocavam.

Ela ficou completamente nua na cama, mexendo-se desconfortavelmente sob o peso de seu olhar.

 

"Eu Não vou precisar te conter hoje, não é, esposa?" Ele a perguntou ele com a voz baixa e provocadora.

"Apenas seja boazinha e aproveite. Prometo que você vai gostar."   "Isso vai compensar nossa primeira vez." continuou ele, traçando devagar a curva do quadril dela, um toque leve mas deliberado.

"Mas depende de você cooperar, Não vou ter que te amarrar na nossa cama, vou? Ou vou? Diga pra mim," perguntou ele um pouco  pensativo, curioso com o que ela diria.

 

"N-não... não vai," gaguejou ela enquanto tentava manter um mínimo de controle. "Só... por favor... seja rápido." murmura ela, desviando o olhar do  do rosto dele, por um segundo, o corpo inteiro enrijecendo enquanto tentava se preparar para o inevitável.

Morpheus ficou em silêncio por um longo momento, os olhos fixos no rosto dela. O que a deixava um pouco inquieta.

"Rápido não é o que eu desejo." respondeu ele finalmente, "Quero aproveita o momento, e  Não vou apressar,." "Não vou me negar o que é meu por direito"

Você entende isso, não entende?" perguntou ele, inclinando ligeiramente a cabeça.

"Eu... entendo," sussurrou ela fracamente.

"Bom," respondeu ele, satisfeito.

Seus dedos deslizaram por sua intimidade, explorando a umidade que já a traía. "Traição. Meu corpo me traindo."

Ele Inclinou-se para beijá-la novamente, a boca devorando a dela enquanto seus  dedos brincavam, preparando-a, cada movimento arrancando suspiros dela.

O afrodisíaco funcionava com eficácia devastadora, intensificando cada toque, cada carícia.

 

Os lençóis se amassaram sob suas mãos enquanto ela os agarrava com força, tentando conter os gemidos, mordendo os lábios.

Ele diminuiu o ritmo, aproximando os lábios de seu ouvido. "Não contenha seus gemidos, minha rainha. Quero ouvir." sussurrou ele com a voz rouca e exigente.

 

Ela sentiu uma onda de vergonha e humilhação.

Ela Odiava-o por tudo que ele fez , por tocá-la novamente agora, e se odiava também  por ela não poder impedi-lo.

E se sentia pior ainda por  aquilo agora ser tão bom que a fazia chorar.

Ele aumentou o ritmo, os dedos implacáveis enquanto ela apertava ainda com mais força os lençóis.

seu corpo a traindo vergonhosamente. Ofegou, desfazendo-se nos dedos dele, um gemido baixo escapando de seus lábios: "Ahh..."

 

"Muito bem, esposa," disse ele, levando os dedos aos lábios, lambendo-os devagar enquanto a encarava.

Ela desviou o olhar, mas ele a impediu, segurando seu queixo.

"Quero você olhando pra mim essa noite. Não desvie o olhar do seu marido." ordenou ele com os dedos no queixo dela forçando-a a encarar os seus olhos .

 

A palavra "marido" a fez sentir-se pior, mas não ousou desafiá-lo naquele momento.

"Boa esposa," elogiou ele, antes de descer, a boca substituindo os dedos.

Explorou-a com a língua, sugando e lambendo com uma intensidade que a fez gemer mais alto, Os gemidos saíram involuntários "Ahh... hnn..."

Ele alternava entre movimentos rápidos e lentos, a língua circulando seu clitóris antes de mergulhar dentro dela, cada chupada enviando ondas de prazer que a faziam arquear as costas.

 

"Você gosta disso, não é?" Ele a  perguntou  com a voz abafada contra sua pele. Erguendo os olhos para observar cada reação no rosto dela

 

"Eu... Morpheus, não..."ela  tentou negar, mas as palavras se perderam em outro gemido.

 

"Minha querida esposa, negue o quanto quiser, mas eu senti você se fechar em volta da minha língua, desesperada por mais."

"Não se preocupe, seu marido vai te dar tudo o que você precisa," retrucou ele, antes de continuar, implacável.

As pernas dela tremiam enquanto o prazer a atravessava como relâmpagos, cada lambida a levando mais perto da borda.

"Ohh... ahh! Por favor..." gemeu ela, os sons ecoando pelo quarto silencioso enquanto se desfazia na boca dele uma, duas, três vezes tanto que ela perdeu a conta.

Sua mente era definitivamente uma bagunça, e o seu corpo estava exausto e ao mesmo tempo faminto por mais.

Quando se desfez pela última vez, ela respirava pesadamente, o peito subindo e descendo rápido, com os lábios entreabertos, e o rosto molhado de suor e lágrimas, o corpo trêmulo de espasmos.

 

Ele se levantou, desfazendo-se das próprias roupas, o tecido caindo no chão com um som abafado, expondo o corpo esculpido. Seus olhos nunca deixaram os dela, como um predador fixado em sua presa.

"Olha o que você faz comigo," disse, a voz rouca, revelando seu pau já totalmente ereto, grande e pulsante, apontado para ela.

 

Briely recuperou um pouco de juízo, o medo voltando ao vê-lo nu. "Espere..." Ela tentou dizer, mas as mãos dele já envolviam a base do membro, posicionando-o bem na entrada dela.

Ele entrou de uma vez, e ela gritou, a dor a invadindo.

Ela Não era mais virgem – ele mesmo havia tirado isso dela –, mas ainda doía. Era grande demais para ela.

Lágrimas escorreram por seu rosto enquanto ofegava: "Dói... por favor..."

 

"Eu vou com calma, tá bom, esposa? Não vai doer." "Isso, é só porque você não se acostumou," murmurou ele, beijando suas lágrimas.

Ele Fez uma pausa, os quadris pressionados firmemente contra os dela, deixando-a se ajustar. "Eu sei, eu sei, mas vai passar logo."

 

As pernas dela tremiam ao lado do corpo dele, e ele sentia-a se apertando ao seu redor, o que o fez gemer levemente.

Suas mãos acariciavam as laterais do corpo dela em movimentos suaves, mas ela estava tão tensa que o apertava ainda mais.

Ele começou a se mover, os quadris projetando-se para a frente em estocadas lentas, beijando seu pescoço.

"Minha doce esposa, você sabe há quanto tempo eu queria isso?" murmurou contra sua pele. "Tão sensível, tão apertada e quente... Toda minha. Você me pertence para sempre agora." 

"Você Foi feita pra mim, você e o  meu presente do universo." acrescentou ele com dentes roçando de leve a pele do pescoço

 

Ela balançou a cabeça em negação ao ouvi-lo dizer que ela era um presente pra ele. "Não!"

 

"Não?" provocou ele, dando uma estocada particularmente forte que a fez ofegar. "Você acha que estou errado? Acha que você  não foi feita pra mim, e eu pra você?"

"Só Olhe pra si mesma agora, e veja o quanto está errada." Acrescenta ele quase gentilmente.

"Você está gemendo abaixo de mim, do seu marido. Só eu posso ouvi-la assim, vê-la desse jeito." Ele falou isso olhando direto nos olhos dela, como se estivesse mostrando uma verdade simples.

"O que sua família pensaria agora se visse você assim meu amor?"

"E seu amado Luke,  ele está se remoendo no seu  túmulo agora ?" Ele  sussurrou em seu ouvido, divertido com a luta dela.

 

Ele agarrou seus pulsos, prendendo-os ao lado da cabeça dela enquanto a penetrava mais fundo e mais rápido, aumentando o ritmo.

A cama rangia sob eles, o corpo dela se esticando para acomodar o tamanho dele repetidamente.

Ela gritava e gemia, "Ahh! Morpheus... não consigo... por favor!"

 

"Leve tudo de mim," disse ele no ouvido dela, a voz rouca.

"Você foi feita pra isso. Feita pra ser fodida por mim, esposa." Disse ele diretamente, sem rodeios, mas com aquela calma antiga que ele sempre tinha, como se estivesse apenas declarando um fato do universo

 

"Chega! Morpheus! Eu não consigo... ahh... eu te odeio!" gritou ela, as lágrimas voltando. desesperada por o  seu  corpo estar  traindo-a a cada estocada.

 

"Você ainda não entende, não é?" perguntou ele com a voz quase paciente, como se estivesse explicando algo pra uma criança teimosa."Você é minha esposa, é,  é tudo pra mim."

"Goste ou não, no momento, isso já não importa.  Nos agora Temos uma eternidade juntos."

"Um dia, você vai me desejar como eu a  desejo, e vai me amar como eu te amo."

"Você não me odeia, Pode fingir agora, mas isso um dia vai passar."

"Então pare de me negar," retrucou ele, penetrando-a com ainda mais força, como se estivesse tentando gravar as palavras em sua mente.

Ela apertou os olhos com força, as lágrimas escorrendo sem controle, o corpo traindo-a mais uma vez enquanto ela gritava o nome dele sem querer

Ele a beijou, os lábios possessivos contra os dela, engolindo os gemidos e as lágrimas.

"Shh... está tudo bem," murmurou ele reconfortante mente pra ela. "Deixe acontecer, Deixe-se sentir, está tudo bem,  Eu estou aqui. Eu sempre estarei."

Ele acelerou ainda mais, os quadris batendo com força, o corpo inteiro tremendo enquanto se aproximava do limite.

"Eu te amo!" rosnou ele. "Nunca nos separaremos, nem mesmo na morte."

"E se isso acontecer, eu  sempre irei procurá-la, não importa onde esteja." "Sempre pertenceremos um ao outro, não importa o quanto você negue."

"Nosso vínculo nunca poderá se romper." Ele falou isso olhando nos olhos dela, com a voz baixa e intensa, querendo gravar cada palavra no corpo e na alma dela.

 

Com facilidade, ele posicionou-a com as pernas sobre seus ombros, os olhos cravados nos dela enquanto a penetrava, permitindo que ela sentisse cada centímetro.

Ela gritou, revirando os olhos enquanto a ponta dele batia em seu colo do útero. Seu corpo se sacudia para frente e para trás a cada estocada brutal. Ele a beijava com uma fome voraz.

"Diga que me ama. Diga que é minha," ele a  ordenou, estocando com mais força. "Vamos, diga pra mim. Quero ouvir."

 

"Ahh... eu... eu..." gemeu ela, as palavras presas na garganta.

 

"Diga pra mim ou eu não vou parar nunca. Temos todo o tempo do mundo, afinal." "Eu Passaria décadas aqui nessa cama com você, esposa," ameaçou ele.

 

"Eu te amo," disse ela, chorosa e ofegante, as palavras saindo quase automáticas.

 

"Diga de novo, esposa. Mais alto. Quero ouvir," insistiu ele.

 

"EU TE AMO!" gritou ela, o mais alto que pôde, babando um pouco enquanto ele a atingia em um ponto que a fazia ver estrelas.

 

"Você ama quem? Diga," ordenou ele.

 

"Eu amo você," respondeu ela, ofegante. "E quem sou eu?" perguntou ele, os olhos brilhando com possessividade.

 

"Você é... Morpheus," tentou ela.

 

"Errado."

"Eu sou seu marido." "Diga de novo, e certo dessa vez," corrigiu ele.

 

"Eu te amo, marido," disse ela, a voz trêmula.

 

"De novo," pediu ele, estocando com mais força.

 

"EU TE AMO, MARIDO!" gritou ela, delirante, desfazendo-se ao redor dele enquanto chorava lágrimas de prazer.

 

"Boa esposa," riu ele, satisfeito. "Muito bom." "E você é toda minha, não é?"

 

Ela assentiu, exausta, e ele a beijou, os lábios possessivos contra os dela.

Suas investidas ficaram mais desesperadas, fazendo o corpo dela estremecer com mais violência, os seios balançando a cada golpe.

 

"Estou tão perto," ofegou ele. "Você vai tomar meu sêmen como a boa esposa que é. Deixe-me enchê-la..." Seus músculos se contraíram, e ele gemeu. "Eu vou gozar. Este é o momento perfeito para começarmos a ter nossos próprios filhos."

 

"Espere, Morpheus, não faz—" ela tentou dizer , recuperando um fiapo de juízo. "Não... por favor, não..."

 

Mas o clímax o atingiu, e ele liberou dentro dela uma torrente poderosa de esperma espesso, inundando-a enquanto salpicava seu pescoço de beijos e mordidinhas.

"Que esposa boa. Você sabe o seu lugar agora, não é?" perguntou ele, ainda ofegante, sua voz saindo rouca e satisfeita.

 

Ela assentiu, derrotada, e isso só o fez entrar em êxtase. "Temos tempo pra outra rodada, não é?" "Afinal, temos que aproveitar nossa noite de núpcias, não é, esposa?"

 

"Isso... não... espere," gaguejou ela, o rosto pálido de exaustão e medo, mas ele não lhe deu ouvidos.

A boca dele encontrou a dela em beijos ferozes, os dentes roçando seu lábio inferior.

 

As horas se arrastaram, e ele a tomou em posições que a faziam sentir cada músculo de seu corpo tensionar e ceder, o afrodisíaco amplificando cada toque.

Depois do que pareciam dias ( E foram), ela finalmente desmaiou em seus braços, completamente esgotada, o corpo marcado por ele, e a mente um torpor de prazer e dor.

 

 

Ela acordou, horas mais tarde, com seu corpo pesado.

Ela Encontrou-se aninhada contra o peito de Morpheus, os braços fortes dele a envolvendo, um calor que era ao mesmo tempo reconfortante e sufocante.

Ele estava acordado, claro, observando-a dormir com um olhar que misturava possessividade, e algo que ele insistia em chamar de amor.

Ele se inclinou e beijou sua testa ao vê-la acordar.

E Ela moveu-se levemente, sentindo a dor em seus músculos, cada movimento lembrando-a da noite anterior.

 

“Bom dia, esposa,” disse ele, a voz profunda, puxando-a para mais perto os braços apertando-a contra o peito dele com uma ternura possessiva.

 

“O que aconteceu? Eu desmaiei?” perguntou ela, tentando organizar os fragmentos em sua mente.

Ela se lembrava, claro, de tudo que aconteceu. O afrodisíaco, o maldito afrodisíaco, pensava. "Meu deus, como eu pude? Eu estava tão tomada de prazer ontem que até cheguei a gritar que o amava. Que humilhação." Ela Fechou os olhos com força, o rosto queimando de vergonha.

 

“Sim, minha querida esposa, você desmaiou. E o ritual foi concluído,” respondeu ele, o tom carregado de satisfação. “Estamos completamente unidos agora.”

 

Ela ergueu os olhos para Morpheus, o coração apertado. “E agora? Acabou? É isso?”

 

Ele assentiu, os olhos fixos nos dela. “Sim, estamos ligados agora. Minha essência se uniu à sua.”

 

“E eu continuo humana?” perguntou ela, com a voz vacilante, quase temendo a resposta.

 

Ele colocou a mão em seu rosto, acariciando-a com uma ternura que contrastava com tudo o que havia feito.

“Não totalmente, meu amor.” disse ele suavemente  traçando a curva da bochecha dela.

 

“O quê?” exclamou ela, o corpo tenso.

 

“Você tem um corpo imortal agora,” explicou ele, a voz calma, como se estivesse falando de algo trivial. “Você não tem mais as necessidades que um humano teria, como precisar de comida. Minha essência em você a torna similar a uma deusa."

"Você não envelhecerá mais, continuará igual ao que era.”

 

“E pra você, muda alguma coisa?” perguntou ela, tentando entender as implicações disso tudo.

 

Ele sorriu, um brilho predatório nos olhos. “Eu posso sentir você onde estiver. Se algo estiver errado, eu saberei. Minha essência a curaria."

"Também fica mais fácil pra mim te achar, não importa onde esteja, afinal, você tem minha essência dentro de você, misturada à sua."

"E, talvez, num futuro próximo, você Talvez consiga usar um pouquinho dos meus poderes.” Ele falou isso com um tom quase casual, mas os olhos brilharam com uma satisfação, como se estivesse imaginando o dia em que ela conseguisse usar os poderes dele.

 

“Então é isso,” disse ela, a voz quase inaudível, carregada de resignação. “Significa que estamos unidos pra sempre, todo o sempre?”

 

“Sim, isso significa que estamos unidos para sempre, minha esposa,” respondeu ele, os olhos fixos nos dela, intensos e implacáveis. Ele voltou a traçar novamente o contorno do rosto dela com os dedos. “Mas não há por que temer. Lembre-se Eu sempre vou te proteger, e cuidar de você. E também sempre Vou dar a você, tudo o que sonhar."

"Eu te amo mais do que você consegue imaginar."  "Você nunca estará sozinha.” A última frase saiu quase como uma promessa.

 

Ela desviou o olhar, sentindo o calor do corpo dele contra o dela, uma prisão de pele e músculo da qual não podia escapar.

“Eu... eu disse coisas ontem,” começou ela, hesitante, a voz trêmula. “Coisas que eu não... que eu não queria dizer.”

 

“Mas, esposa, eu senti algo verdadeiro em você,” interrompeu ele, em voz baixa. “Seus gemidos, suas palavras... parte disso veio de você.”

 

“Não!” retrucou ela, mais alto do que pretendia, o rosto corando de raiva e humilhação. “Não veio de mim! Foi tudo... manipulado." "Eu não te amo. Eu não queria isso! Eu te odeio!”

 

Ele riu, um som baixo e confiante, como se soubesse algo que ela ainda não entendia. “Você pode lutar contra isso agora, dizer que me odeia, mas com o tempo vai entender." Ele responde pacientemente.   "O que sentimos ontem, o que compartilhamos, não foi apenas físico. Foi o começo de algo maior."

"Nossa ligação vai se aprofundar, e um dia você vai querer estar aqui comigo, sem precisar de nada para te convencer.” 

 

“E se eu nunca quiser?” perguntou ela, os olhos brilhando com lágrimas que se recusava a deixar cair. “E se eu passar essa eternidade inteira te odiando? Eu posso fazer isso.”

 

“Então teremos uma eternidade para resolver isso,” respondeu ele, sem se abalar. “Não vou desistir de você, esposa. Nem agora, nem nunca."

"E, no fundo, você sabe que lutar contra isso só te machuca mais."

"Por que não tentar... se abrir para mim?”

 

“Porque você me forçou a tudo isso!” exclamou ela, a voz quebrando. “Você tirou minha escolha, minha liberdade."

"Você me forçou naquela floresta, Morpheus. Eu fugi de você e, mesmo assim, você me trouxe de volta."

"Você me fez casar com você sem perguntar se era isso que eu queria. Mesmo eu dizendo não, você continuou."

"Como posso me abrir para alguém que fez isso comigo?”

 

Ele ficou em silêncio por um momento, o olhar suavizando-se, mas não perdendo a intensidade.

“Eu sei que o começo foi... difícil. Sei que te machuquei."

"Mas fiz isso porque não podia suportar a ideia de te perder."

"Porque você é tudo para mim, antes mesmo de você saber disso.”

 

Ela não o  respondeu, apenas virou o rosto, encarando o teto do quarto.

O peso de suas palavras, a promessa de passar uma eternidade ao lado dele, era sufocante.

A realidade caiu sobre Briely como uma tempestade. Ela percebeu que nunca mais voltaria para casa.

Ela Nunca mais veria a sua família, sua mãe, seu irmão gêmeo Percy, nem Grover, Annabeth, nem mesmo seu pai verdadeiro.

O Nico, o Senhor D, O Chiron e os rostos familiares do Acampamento Meio-Sangue, também estavam agora além do seu alcance.

 

As lágrimas brotaram sem controle, escorrendo por seu rosto em trilhas quentes e salgadas, manchando a pele ainda sensível da noite anterior. Ele logo a pegou, puxando-a para cima de seu peito. “Não chore, meu amor." "Eu não quero ver você chorar assim,” disse ele quase suplicante.

“É culpa sua,” retrucou ela, a dor tingindo cada palavra.

Ele a abraçou, puxando-a para si, mas isso só a fez resistir mais.

 

“Eu nunca mais vou ver minha família, meus amigos, por culpa sua” soluçou ela, a voz rasgada, quase sufocada pelo peso da dor. “Eu nunca quis ser imortal, nem mesmo no meu universo." "Eu nunca quis isso.”

 

Ele depositou beijos leves em sua testa, tentando apaziguá-la, mas isso só a irritou mais.

“Você é minha esposa agora,” sussurrou ele. “E eu vou cuidar de você. Você nunca mais estará sozinha."

"Eu prometo, que Com o tempo, você não vai sentir mais falta deles.”

 

Ela bateu no peito dele, pouco se importando com o que ele poderia fazer com ela agora. O medo dele havia desaparecido naquele momento, substituído por pura raiva e desespero.

“Eu não queria isso,” disse ela, batendo contra o peito dele. “Eu não queria ser sua esposa. Eu também não quero estar aqui." "Você escolheu isso por mim.”

 

Ele segurou seus braços, impedindo-a de continuar a bater nele, e inclinou o rosto dela para si com um toque delicado no queixo. Seus olhos escuros capturaram os dela antes que seus lábios se encontrassem num beijo profundo, quase sufocante.

Suas mãos deslizaram por suas costas, segurando-a mais perto.

“Você é minha, Briely. Minha rainha, minha esposa,” disse ele, a voz carregada de posse. “Coloque na sua cabeça, que  eu vou te proteger, te amar, e sempre te fazer feliz. Você nunca mais estará sozinha."

"E quanto mais cedo você aceitar isso, mais fácil será." "Por favor entenda, que Aqui, comigo, no Sonhar, é o seu lar. Aqui é a sua casa, meu amor."

"Eu sou sua família a partir de agora. Somos um, e o seu lugar é ao lado do seu marido.”

 

Ela chorou até que suas lágrimas se esgotaram, o corpo tremendo de exaustão enquanto os soluços diminuíram.

Finalmente, ela  depois de um tempo ela se acalmou nos braços dele, o peso da realidade se assentando em seu peito.

sua vida havia mudado para sempre, e isso era irreversível agora, ela  sabia que ela nunca mais seria a mesma.

 

 

A água morna acariciava a pele de Briely, o vapor subindo em espirais delicadas, carregando um aroma suave de ervas que deveria ser relaxante, mas não era.

Sentada na enorme banheira, com Morpheus atrás dela, os braços dele envolvendo-a como uma gaiola de carne e músculo, ela sentia o peito pesado.

O silêncio entre os dois era denso, interrompido apenas pelo som ocasional de gotas caindo na superfície da água.

O peito dele estava pressionado contra suas costas, o queixo repousando na curva de seu pescoço, o hálito quente roçando sua pele. Ela não dizia nada. "De que adiantaria agora? Ele tinha conseguido o que tanto queria: eu."

 

Seus olhos estavam fixos na água, encarando o reflexo distorcido de seu rosto que a devolvia o olhar, perdido e vazio."Meus poderes… eu não aguentaria ficar sem eles também. Ainda posso usá-los, não é? A essência dele se uniu à minha depois do casamento." Erguendo a mão, os dedos tremendo levemente, ela concentrou-se.

Uma pequena gota de água se elevou da superfície, flutuando no ar por um breve momento.

Um leve sorriso curvou seus lábios, uma fagulha de alegria ao perceber que seus poderes ainda estavam lá, intactos.

 

“Testando seus poderes, meu amor?” A voz de Morpheus cortou o silêncio,  com um toque de diversão.

“Vendo se eles não foram tirados de você? Eu não seria cruel a esse ponto." "Eles são seus, e eu nunca poderia tirá-los. Estão na sua essência.” Ela virou o rosto ligeiramente pra ele , o olhar duro.

“Você poderia ter me perguntado se eu tivesse alguma dúvida sobre nossa ligação” disse ele 

“Não pensei que isso poderia acontecer.” retrucou ela com os olhos faiscando com raiva contida.

 

Ele riu baixo, inclinando-se para beijar a curva de seu pescoço, fazendo-a estremecer contra sua vontade. “Temos o dia para passarmos juntos,” disse, mudando de assunto com facilidade. “Já se passaram vários dias desde nosso casamento. "Seis, para ser exato.”

 

Briely congelou, os olhos arregalando-se enquanto se virava mais para encará-lo, a água movendo-se ao redor dela.

“Seis dias?” Sua voz saiu mais aguda do que pretendia. Ela não tinha noção de que tanto tempo havia passado.

Pensava que havia sido apenas um dia, não seis. Seis dias naquela cama com ele… como?

Então, ela se lembrou. Seu corpo não era mais totalmente humano. Passar seis dias acordada deveria ser um pouco normal agora.

Claro, ela desmaiou, mas só porque não aguentava mais tanto… prazer.

O calor subiu ao seu rosto com a memória, enquanto ela se via desmaiando nos braços dele.

 

“Passamos a noite do casamento e os próximos cinco dias em nossa noite de núpcias,” explicou Morpheus, a voz carregada de uma satisfação o que  a irritava.

 

Ele a observou por um momento, então seu tom ficou sério quando ele a pergunta. “O que era aquele frasco que você usou no banheiro?”

 

Briely congelou de novo, os ombros enrijecendo.

Ela Tentou se fazer de desentendida. “Frasco? Que frasco? Eu não sei de frasco algum.”

 

Mas Morpheus não cedeu, inclinando-se ligeiramente para frente, o rosto mais perto do dela.

“Não minta pra mim, esposa. Eu sei que você sabe de qual frasco estou falando." "E eu sei que você tomou o conteúdo,” disse, com a  voz agora assustadoramente calma, o que só a deixava mais inquieta.

“E notei que era um afrodisíaco bastante potente." "Quem te deu isso?”

 

Briely engoliu em seco, sentindo os olhos dele perfurando-a.

Ela Decidiu falar a verdade e  jogar o irmão dele debaixo do ônibus.

Que eles se resolvessem. Afinal, Desejo a enganou, ou pelo menos ela interpretou mal as palavras dele.

Ele disse que ajudaria a passar a noite, mas não especificou como.

Mesmo assim, com o olhar de Morpheus pesando sobre ela, ela não pensou duas vezes, e decidiu dedurá-lo. “Foi o seu irmão, Desejo, que me deu como presente. Eu não sabia o que era até beber,” ela confessou rapidamente.

 

Morpheus a encarou, a fúria reluzindo em seus olhos, os músculos da mandíbula se tensionando por um instante.

“E você, minha querida esposa, decidiu que seria uma boa ideia beber sem saber o que era,” ele disse, cada palavra a repreendendo. “E se fosse outra coisa? Veneno, talvez? Não tínhamos terminado o ritual, e você ainda tinha um corpo humano."

"Você poderia morrer. Entende isso?”

 

“Não faça mais isso,” ordenou a ele com voz cortante. “Você entendeu? Isso foi perigoso e poderia colocá-la em risco."

"Eu não quero que você tome nada que não saiba o que é. Eu não quero que você se machuque.”

 

“Não seria tão ruim se fosse veneno,” murmurou ela baixinho, quase sem pensar.

 

Ele estreitou os olhos. O que você disse? Diga de novo.”

 

“Não seria ruim se fosse veneno,” repetiu ela, mais alto.

 

Morpheus puxou o rosto dela para si, apertando sua mandíbula com firmeza, os olhos verdes-mar dela o encarando com fúria.

Isso, porém, só pareceu diverti-lo.

"Esses olhos dela me olhando assim…" pensou ele, um brilho de prazer cruzando seu rosto.

“Você acha mesmo que, se morresse, eu não a traria de volta?” ele disse, com a voz baixa e perigosa. “Minha irmã não a levaria. E mesmo se levasse, seu tio Hades me  devolveria a  sua alma. Afinal, convenientemente ele é seu tio aqui nesse universo."

"Tenho absoluta certeza de que seu pai, e o resto do panteão o convenceriam a devolvê-la pra mim. Especialmente sua tia Perséfone."

"Ela mandou uma carta com um presente de casamento pra você por não poder vir."

"Tenho certeza de que ela o convenceria a me devolver sua alma. Eu mesmo iria até o Submundo buscá-la.

"E não me olhe assim, minha amada esposa, senão voltaremos pra cama pelas próximas semanas.”

 

Briely desviou o olhar, o rosto queimando de raiva e vergonha.

Ele deu um selinho rápido em seus lábios, depois continuou, sério. “Agora, eu não quero você bebendo nada que meu irmão te oferecer a partir de agora. Você entendeu?"

"Você Teve sorte de que foi um afrodisíaco, e eu não estou bravo."

"Porque se fosse outra coisa…”

 

Briely assentiu, os olhos baixos. “Eu não sabia o que era. Eu sinto muito,” ela murmurou, a voz quase inaudível.

 

Ele a abraçou novamente, puxando-a contra si, o calor de seu corpo contrastando com o frescor da água. “Tudo bem, esposa. Mas não faça isso novamente."

"Apesar de se você tomasse veneno agora  isso não funcionaria mais agora por causa da minha essência em você,” ele a explica, com os braços apertando-a de leve contra o peito dele. “Agora, quero aproveitar o nosso dia juntos.  quero  te mostrar  algo hoje.”

 

Ela não respondeu, apenas deixou o corpo relaxar contra o dele, embora sua mente estivesse a mil.

"O que mais ele pode querer de mim agora?" Mas, por enquanto, ela apenas ficou ali, deixando a água morna acalmar seu corpo.

 

 

 

 

 

 

Notes:

explicando sobre a cerimônia melhor

Após eles se casarem, a essência dele vai se unir com a dela. A cerimônia vai ligá-los.

Como ele é um ser imortal ( um conceito)e ela é uma semideusa (metade humana), se ele escolhesse  um cerimônia simples, ela  ainda  poderia envelhecer e acabaria morrendo eventualmente com o tempo.

(Ela nunca aceitaria ser imortal por vontade própria ou que ele fizesse dela uma deusa) 

Mas após a cerimônia do casamento deles, depois deles unirem as suas essências se tornando um.

Ela não vai mais envelhecer e ela não vai poder morrer — bem não até que ele morra.

(Pois se ele morresse, a ligação entre os dois se quebraria.) align="justify">E ela acabaria morrendo também.

Após a união das essências, o corpo dela deixa de ser igual a de um mortal por causa da essência dele dentro dela. impedindo que ela morra.

Ela não se torna exatamente uma deusa, mas para todos os efeitos é como se ela fosse: com seus poderes sobre a água e um corpo resistente, ela se torna praticamente uma deusa.

(Esse ritual é pouco usado entre divindades, por ser perigoso, pois não tem a possibilidade de um divórcio futuro mesmos se o próprio casal quiser.)

Mesmo que o casal se separe, a ligação ainda continua.  Pela eternidade 

 


Syzygia Aiónia (Συζυγία Αἰώνια)

👆União eterna / ligação dos destinos no tempo

 


 

Ficarei muito feliz em ler seus comentários e elogios, sinta-se à vontade para deixá-los ♥️!

Chapter 12: Eu aceito ser rainha do Sonhar (mas só porque não tenho escolha)

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

 

 

 

O banho havia terminado, e Briely sentia a pele ainda úmida enquanto Morpheus lhe entregava um vestido de tecido leve, de um Preto profundo.

O tecido deslizava sobre sua pele, ajustando-se ao seu corpo  Ele a observava com um olhar que misturava posse e algo mais suave, quase indistinguível.

 

“Está perfeita, minha esposa,” disse ele maravilhado, a  enquanto estendia a mão para ela. “Venha comigo. Quero te mostrar algo.”

 

Briely segurou a mão dele,  enquanto ele a guiava para fora do castelo, adentrando os caminhos sinuosos do Sonhar que ela ainda não conhecia.

Jardins exuberantes se abriam ao redor deles, como visões de um sonho eterno. Árvores de copas impossivelmente altas, com folhas que brilhavam em tons de esmeralda e safira, ladeavam o caminho.

Flores de formas surreais desabrochavam, seus aromas doces e inebriantes misturando-se à brisa fresca que acariciava sua pele.

Borboletas dançavam no ar, suas asas coloridas capturando raios de luz, enquanto pássaros cantavam melodias que pareciam entrelaçar-se ao farfalhar das folhas.

 

Morpheus a envolvia de forma protetora, um de seus braços ao redor de sua cintura, o outro ombro dela encostado ao peito dele enquanto caminhavam lado a lado.

“Tenho um presente para você, minha rainha,” disse ele o que fez Briely erguer os olhos para ele por um instante, curiosa apesar de tudo. “Algo que acho que você vai gostar. Vou dá-lo a você mais tarde,” ele completou, com um leve sorriso curvando seus lábios.

 

Antes que ela pudesse retrucar, que não queria nada dele a não ser distância  figuras familiares apareceram no caminho.

Caim e Abel, aproximaram-se deles com passos cuidadosos.

Caim, inclinou a cabeça em cumprimento, enquanto Abel, mais gentil e hesitante, sorriu pra eles de forma tímida.

Ao lado dele, a pequena gárgula chamada Goldie, batia as asas inquieta.

 

“Mestre Morpheus, Senhorita Briely,” começou Caim. “ Parabéns pelo casamento, mais uma vez .” “Sim, sim, parabéns!” acrescentou Abel, quase tropeçando nas palavras. “Que os dois sejam muito felizes.”

 

Morpheus acenou com a cabeça pra eles  um gesto firme e agradecido. “Obrigado, Caim. Abel.”

 

Briely ofereceu um sorriso polido pra eles, sem calor, os lábios curvando-se por pura formalidade.

Antes que pudesse se conter, Goldie, com um guincho animado, voou na direção dela, ela percebendo, estendeu a mão e o Goldie logo pousou suavemente em sua mão estendida. Abel corou, visivelmente envergonhado.  “Goldie! Me desculpe, Majestade,” disse ele, coçando a nuca. “Ele é muito agitado.”

 

“Está tudo bem,” respondeu Briely, a voz mais suave enquanto passava a mão na cabeça da pequena criatura, um sorriso genuíno escapando por um instante. “Olá, Goldie.”

 

Goldie emitiu um grunhido baixo e satisfeito, com o carinho dela aninhando-se mais contra os dedos dela. Morpheus observava a cena, a mão firme na cintura de Briely.

Por dentro, uma onda de satisfação o percorreu. Ela será uma ótima mãe, ele pensou, o canto de seus lábios se elevando quase imperceptivelmente.

 

Caim e Abel se despediram com novos acenos, e Goldie, um tanto relutante, voltou para o lado de Abel, guinchando baixinho  enquanto se afastavam.

 

O dia prosseguiu com Morpheus guiando Briely por cada recanto do Sonhar.

Lugares de beleza indescritível se revelavam a cada passo, Cada canto do reino parecia uma pintura viva, um testemunho do poder e da imaginação de seu rei.

Diversos residentes do Sonhar os cumprimentaram ao longo do caminho, suas vozes ecoando com respeito e alegria.

 

“Parabéns pelo casamento, Mestre Morpheus, Rainha Briely,” disse um sonho, inclinando-se com graça.“Que sua união fortaleça o Sonhar,” acrescentou outro,  inclinando a cabeça em saudação.

 

Briely mantinha o sorriso educado, os olhos arregalando-se com cada nova visão de tirar o fôlego, mas a inquietação dentro dela permanecia.

Um vazio que a magnificência ao seu redor não conseguia preencher. Ela era a rainha daquele lugar, como Morpheus gostava de lembrá-la a cada instante, mas ela não se sentia como tal.

Ela nem queria aquele maldito título. Cada “parabéns” que ela  ouvia do habitantes era como uma faca sutil em seu peito, aprofundando o seu  desconforto.

A mão dele, praticamente estava grudada em sua cintura, o que parecia mais uma corrente do que um gesto de afeto.

 

 

 

 

 


 

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Depois de horas caminhando, sorrindo falsamente para quem os parabenizava pelo casamento, como ela se estivesse feliz com aquele casamento, a exaustão mental começou a pesar.

Seu corpo não sentia cansaço como antes, mas sua mente implorava por uma pausa. Ela parou por um momento, virando-se para ele com um suspiro. “Morpheus, não podemos parar um pouco? Estou... cansada. Podemos voltar?” ela o pediu, esperando que ele a levasse de volta.

 

Ele a encarou, uma sobrancelha arqueando-se levemente. “Não mostrei nem metade do Sonhar para você, minha esposa. Como minha rainha, você deveria conhecer o nosso reino. Cada parte dele.”

 

Briely franziu a testa, os pensamentos girando em sua mente. ''Como se eu quisesse conhecer seu reino." "Se fosse em outra ocasião, talvez eu adorasse, mas agora... se continuarem nos parabenizando pelo casamento a cada quinze segundos e me chamando de rainha, sinto que vou surtar."

No entanto, ela sabia que, em alguns momentos, Morpheus era fraco para seus pedidos, especialmente agora, dependendo do que ela  pedia e claro. Com um tom mais doce, quase implorante, ela tentou novamente. “Por favor, Morpheus. Não podemos voltar? Só por agora? Podemos continuar isso depois." "Você não tinha algo para me mostrar?”

 

Ele a encarou por um longo momento, um brilho de diversão cruzando seus olhos. Ele  Estava ciente do jogo dela, da tentativa de manipulação sutil que ela estava tentando fazer. “Tudo bem, esposa,” ele disse finalmente, a voz carregada de um tom que indicava que ele sabia exatamente o que ela estava fazendo. “Podemos voltar. E como você está cansada, posso carregá-la por todo o reino. O que acha?”

 

Briely abriu a boca para recusar, percebendo que sua estratégia havia saído pela culatra. “Não, eu... posso caminhar.”

 

Mas antes que ela sequer pudesse protestar mais, Morpheus riu baixo e a pegou no colo com facilidade, os braços  a envolvendo. “Não se preocupe, minha rainha. Vou levá-la.”

 

“Morpheus, me coloca no chão!” exclamou ela, as bochechas corando de raiva e frustração enquanto se debatia levemente.

 

“Relaxe, esposa. Estou apenas cuidando de você,” respondeu ele, o tom tranquilo, quase provocador, enquanto continuava a caminhar.

“Veja ali, mais adiante, temos o Rio dos Sonhos Perdidos, onde as memórias esquecidas fluem como água.”

 

Ele continuou apontando para os lugares e explicando suas histórias, enquanto a carregava de volta ao castelo.

Apesar de sua irritação inicial, Briely não pôde evitar ouvir, mesmo que contra sua vontade, fascinada pelas descrições de um reino tão vasto e estranho.

 

Ao chegarem ao castelo, Morpheus a levou até uma sala que ela nunca havia visto antes.

Ao entrarem, Briely deparou-se com um jardim particular, um oásis de tranquilidade escondido dentro das paredes de pedra.

Flores coloridas desabrochavam em profusão, de tons vibrantes que pareciam desafiar a lógica. Um pequeno lago de águas cristalinas refletia a luz suave que banhava o lugar, cercado por árvores frutíferas carregadas de frutos maduros.

No centro, uma mesa com bancos de madeira polida repousava perto do lago, convidativa.

Era... bonito, ela pensou, quase contra sua vontade.

 

Morpheus a colocou no chão com cuidado, seus olhos fixos nela enquanto ela observava o entorno. “O que é isso?” perguntou ela, com  curiosidade apesar de sua cautela.

 

“É um presente meu para você, minha esposa,” ele a  respondeu . “Um lugar só seu, onde pode você relaxar. Espero que goste.”

 

Briely o encarou por um momento, sem saber o que dizer pra ele. “É lindo, Morpheus,” ela respondeu finalmente depois de um tempinho, com os dedos roçando distraidamente a borda de uma folha próxima.

 

Ele se aproximou, o olhar intenso, quase exigente. "Quero que me chame de marido de agora em diante,” ele a pediu, com os olhos fixos nos dela. Ele Inclinou-se mais perto, os dedos roçando o rosto dela em um carinho que parecia ao mesmo tempo gentil e possessivo. “Somos casados agora, meu amor. Eu sou seu marido, e você é minha esposa. Quero ouvir isso de você.”

 

Briely hesitou, ela não queria dizer isso em voz alta, mais também não queria irritalo, afinal ela sabia que as consequências ao fazer isso não seriam nada boas pra ela, um nó se formando em sua garganta. Antes que pudesse responder, ele se inclinou ainda mais, sussurrando em seu ouvido.

“Embora eu não desgoste se você quiser me chama de amor... ou talvez de seu rei.” A voz dele tinha um tom provocador, carregado de intenções. “Você já gritou para todos ouvirem que ama seu marido na nossa noite de núpcias." "Então, Por que não me chamar assim? É o que sou, afinal, não é, esposa?” 

 

O rosto dela se aqueceu instantaneamente, a memória da noite de núpcias,  e do afrodisíaco – voltando com força.

“Eu não disse aquilo no meu juízo perfeito, você sabe disso. Foi o afrodisíaco, e você sabe disso,” retrucou ela, empurrando-o levemente, mas ele não se moveu nem um centímetro.

 

“É claro, esposa,” respondeu ele, claramente divertido, " Mas diga para mim. Quero ouvir.”

 

Ela cerrou os punhos, sentindo o peso do olhar dele sobre si. Sabia que ele estava gostando disso, da resistência dela, do jogo de poder.

Com um olhar fulminante, ela  cedeu, dizendo desconfortavelmente um rápido. “Obrigada, marido.”

 

Morpheus sorriu, um brilho de satisfação cruzando seu rosto. “Eu disse antes para você não me olhar assim, se não quisesse passar as próximas semanas na nossa cama, não é?” ele a perguntou, com um tom divertido e perigoso . “Você quer, esposa?”

 

“Não,” respondeu ela rapidamente, virando-se e caminhando até o banquinho perto do lago, tentando escapar da presença sufocante dele.

Mas Morpheus a seguiu, sentando-se ao lado dela antes que pudesse protestar, e com um movimento firme, a puxou para seu colo apesar dos resmungos dela, pra ele a deixasse em paz.

 

“Para de lutar  contra mim por um segundo,” murmurou ele, os braços a envolvendo enquanto a beijava, o toque dos lábios quente e insistente contra os dela. O beijo foi profundo, quase possessivo, as mãos dele firmes em suas costas, segurando-a contra si como se temesse que ela desaparecesse.

 

Ele se afastou apenas o suficiente para falar, o olhar fixo no dela. Você é minha esposa agora, Briely. Eu sou seu marido." "Você tem que se conformar com isso porque isso não vai mudar."   "Eu Vou cuidar de você, protegê-la e amá-la para sempre."

"Não seja teimosa e aceite. Isso vai ser melhor para você.” Ela baixou o olhar, a frustração e a resignação misturando-se dentro dela. “Eu sei que, querendo ou não, você é meu marido agora. Não precisa ficar me lembrando.”

 

“Bom,” disse ele, um leve sorriso satisfeito surgindo pela resposta dela. “Mas tenho outra coisa para te mostrar. Mandei fazer algo para você. Está na sala do trono.”

 

Morpheus a levou até lá, a mão firme em sua cintura enquanto atravessavam os corredores de pedra  do castelo.

Ao entrarem na imensa sala do trono, Briely congelou ao ver um segundo trono ao lado do dele, esculpido com detalhes tão intrincados quanto o primeiro.

Era claramente feito para ela, com entalhes de flores e estrelas, um símbolo de sua posição como rainha.

 

“Este trono é para você, minha esposa,” disse Morpheus, a voz cheia de orgulho. “Você é a rainha do Sonhar agora e merece um trono ao meu lado, digno de sua posição.”

 

Briely assentiu, um movimento pequeno e hesitante, o desconforto apertando seu peito enquanto tentava esconder a inquietação. “É... muito bonito, Morpheus,” ela murmurou, sentindo os olhos dele avaliando cada reação sua.

 

“Venha,” disse ele, guiando-a pelas escadas até os tronos. Ele se sentou no dele, o corpo relaxado, mas imponente, enquanto ela fazia o mesmo, o assento frio e estranho sob seu toque. “Você gostou, minha esposa?”

 

“Sim,” respondeu ela rapidamente em  voz baixa. “É bonito.”  Sinceramente ela não se importava com nada disso e suas respostas eram apenas pra agradalo, dizendo o que ele queria, afinal ela não queria que ele acabasse, comprando o que disse no jardim. 

 

Morpheus sorriu de leve, inclinando a cabeça na direção dela. “Vem aqui,” ele a pediu suavemente o que a fez hesitar.

Ela o encarou, cautelosa, mas o obedeceu e se levantou e indo até ele, cruzando os braços enquanto parava à sua frente.

 

“Sente-se no meu colo,” disse ele, estendendo a mão. “Adoro ver você ao meu lado, mas quero você junto comigo. Venha.”

 

Ela hesitou por mais um momento, mas pegou a mão dele, e Morpheus a puxou com facilidade, ajustando-a em seu colo. Ele repousou a cabeça dela contra seu peito, o calor de seu corpo contrastando com o frio da sala.

Com um gesto sutil, ele invocou um livro antigo, suas páginas amareladas cheias de runas e ilustrações de tempos esquecidos.

Era a história de um rei poderoso e uma rainha sábia que governavam com justiça e amor.

 

Ele começou a ler, a voz suave, mas carregada de uma cadência que parecia envolver os sentidos, transportando Briely para outro tempo e lugar. “Era uma vez um reino onde o sol nunca se punha, e seus governantes eram tão fortes quanto sábios. O rei comandava com punho de ferro, enquanto sua rainha... sua rainha era a luz que guiava suas decisões mais difíceis.”

 

Briely ouviu em silêncio, o ritmo da voz dele quase hipnótico. Depois de um tempo, a curiosidade a fez interromper.

“Como vai a situação do vórtice?”ela o  perguntou, em voz baixa, quase temerosa de quebrar o momento. “Matthew disse algo?”

 

Morpheus parou de ler, o olhar endurecendo por um instante antes de suavizar. “Não se preocupe com isso, minha esposa,” ele respondeu, cortando qualquer tentativa de aprofundar o assunto. “Eu cuidarei de tudo. Matthew ainda o está vigiando no mundo desperto, mas voltará logo. Você não precisa se preocupar com nada.”

 

Briely baixou os olhos para as mãos em seu colo, os dedos entrelaçando-se inquietos. Ele continuou a ler, as horas passando como um sonho lento.

Aos poucos, o cansaço mental venceu, e ela adormeceu contra o peito dele, a respiração suave e regular.

Morpheus deixou o livro de lado, os olhos fixos nela enquanto a observava dormir. Com um pensamento sutil, ele manipulou um sonho para ela, envolvendo-a em imagens dele próprio, de momentos que eles ainda não haviam vivido, mas que ele desejava que ela desejasse, que acontecesse. 

 

De repente, ele sentiu uma presença familiar. Matthew, seu corvo leal, retornava do mundo desperto.

Suas asas cortaram o céu onírico antes de pousar na entrada da sala do trono, com os olhos afiados percorrendo o ambiente.

Ele notou Briely imediatamente, dormindo no colo de Morpheus, e inclinou a cabeça, um grasnido baixo escapando enquanto se aproximava, pousando em uma das colunas próximas. “Mestre Morpheus, voltei do mundo desperto. O vórtice, Rose Walker, está causando ondulações, como esperado,” disse ele, mas seus olhos não saíram de Briely.

Os rumores que ele ouvira no mundo desperto ecoavam em sua mente.

Ele sabia como o seu mestre era com ela, a obsessão que todos no Sonhar podiam sentir. E Vê-la ali, no colo dele, confirmava tudo. “E... parabéns pelo seu casamento, Mestre.”

 

Morpheus apenas inclinou a cabeça de leve em reconhecimento, enquanto acariciava os cabelos de Briely com um toque gentil.

O corvo desconfortável em ficar mais ali grasnou uma despedida, voando em direção à biblioteca, onde sabia que encontraria Lucienne.

Ao chegar, ele  pousou em uma estante próxima, suas asas se dobrando enquanto a observava organizar um tomo antigo. “Lucienne, ouvi uns rumores no mundo desperto, de algumas criaturas” ele começou, hesitante. “Sobre o Mestre e a Senhorita Briely...”

 

Lucienne lançou um olhar afiado para ele, parando o que fazia. “É melhor você não saber mais do que precisa, Matthew. Sim, eles se casaram. Isso e tudo o que você precisa saber.”

 

“Mas como—?” insistiu ele, as penas eriçando-se de curiosidade e preocupação. “Ela... ela está bem com isso?”

 

Lucienne suspirou, a expressão severa. “O Mestre Morpheus deu uma ordem clara  enquanto você ainda estava no mundo desperto." "Ninguém no reino deve comentar sobre o que você ouviu, o que pode ter ocorrido."

"A Senhorita Briely, Quero dizer a nossa rainha, não sabe dessa ordem ou talvez sabe, mais e é melhor que continue assim."  " "O panteão grego também tentou abafar a questão. Não insista mais, Matthew.”

 

“Estou só preocupado com ela,” murmurou o corvo, baixando a cabeça em compreensão.

 

“Ela está bem,” respondeu Lucienne, o tom mais suave, mas ainda firme. “Não pergunte a ela, e não fale nada disso perto dela. Entendido?”

 

Matthew grasnou em acordo, sabendo que não adiantaria insistir. “Tudo bem. Não vou comentar nada.”

 

“Bom,” disse Lucienne, fechando o tomo com um som seco. “Agora, deveríamos discutir o vórtice com o Mestre. Vamos.”

 

 

 

 


 

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Lucienne entrou na sala do trono com passos silenciosos, seus olhos atentos varrendo o ambiente antes de se fixarem em Morpheus e Briely.

Ele estava sentado em seu trono, imponente como sempre, enquanto ela dormia em seu colo, com  a cabeça repousada contra seu peito.

O contraste entre a força dele e a vulnerabilidade aparente dela era quase palpável. Lucienne hesitou interromperlos por um instante antes de limpar a garganta suavemente.

 

“Mestre Morpheus, encontrei informações adicionais sobre o vórtice,” disse ela, com a voz firme, mas respeitosa.

 

Morpheus assentiu, seus olhos escuros encontrando os dela por um breve momento.

Ele baixou o olhar para Briely, seus dedos roçando levemente os cabelos dela enquanto a acordava com um toque sutil. “querida,” ele murmurou, com a voz  e aveludada, embora baixa, quase um sussurro.

 

Ela se mexeu, com  os olhos se abrindo lentamente, ainda enevoados pelo sono. Quando focalizou Lucienne à sua frente, ela  endireitou-se um pouco, um leve rubor nas bochechas. “Oi, Lucienne,” disse, a voz hesitante, mas educada.

 

“Minha rainha,” respondeu Lucienne com uma inclinação de cabeça.

Morpheus deslizou o braço ao redor dela, ajudando-a a se levantar de seu colo e a se sentar nos degraus ao lado de seu trono.

Ele não soltou completamente, mantendo o braço protetoramente ao redor de sua cintura enquanto se virava para Lucienne. “Prossiga,”ele  ordenou, o tom autoritário.

 

Lucienne começou a relatar detalhes sobre Jed Walker, o irmão de Rose, e as possíveis conexões com o vórtice.

Sua voz era precisa, cada palavra era escolhida com cuidado, enquanto ela explicava as últimas descobertas e os potenciais riscos. Morpheus ouvia tudo atentamente, os olhos estreitados em concentração, ocasionalmente fazendo perguntas curtas e diretas.

 

Briely, no entanto, estava longe dali em seus pensamentos.

Seus dedos brincavam distraidamente uns com os outros, entrelaçando-se e soltando-se repetidamente.

Ela mal registrava as palavras de Lucienne. Sua mente vagava para sua família,  sua mãe, seu irmão, o calor de suas vozes, os risos compartilhados. Ela Sentia falta do acampamento, dos dias caóticos, até das brigas com Clarisse, de Nico, seu melhor amigo, cujo sorriso lhe trazia conforto.

O que não ela daria para vê-lo novamente, nem que fosse por um instante? A saudade era uma dor física, apertando seu peito enquanto  ela se perdia em memórias.

 

Até que a atmosfera do salão mudou abruptamente.

 

Uma presença nova e inesperada invadiu o espaço, como uma corrente de ar frio cortando o ar pesado.

Briely ergueu os olhos, surpresa, saindo de seus devaneios. Diante deles, uma jovem se materializava, sua forma tremeluzindo por um instante antes de se solidificar.

Rose Walker. Seus olhos estavam arregalados, cheios de confusão misturada com determinação, enquanto ela olhava ao redor, tentando entender a  onde estava.

 

Rose varreu o ambiente com o olhar, claramente desorientada, até que seus olhos se fixaram em Morpheus.

Mas, por um breve momento, eles recaíram sobre Briely. As duas pareciam ter idades próximas, notou Rose, e havia algo na expressão dela uma melancolia profunda, que contrastava com sua beleza.

Havia algo de cativante naquela mulher, algo que a fazia parecer deslocada, como se ela não pertencesse completamente àquele lugar. Rose sentiu uma estranha empatia por ela, um eco de dor que ela não conseguia explicar, antes de desviar o olhar de volta para Morpheus.

 

Morpheus, por sua vez, percebeu o olhar de Rose sobre sua esposa. Seus olhos escureceram por um instante, uma sombra de desagrado cruzando seu rosto.

Ele apertou levemente o braço ao redor de Briely, um gesto possessivo quase inconsciente, antes de se levantar com ela dos degraus.

Seus braços nunca abandonaram a cintura dela, mantendo-a perto enquanto se postava como uma barreira entre as duas.

 

Briely encarava Rose, curiosa, perguntando-se mentalmente quem era aquela jovem e por que sua presença parecia carregar tanto peso.

Morpheus, no entanto, não deixou espaço para especulações. Ele se dirigiu a Rose com uma voz firme, carregada de autoridade inquestionável. “Você é bem-vinda aqui, Rose Walker.”

 

Rose franziu o cenho, ainda confusa. “Quem é você? Quem são vocês?”

 

“De alguma forma, você conseguiu uma audiência com Lorde Morpheus, o Rei dos Sonhos,” respondeu Lucienne a ela.

 

“Então, estou dormindo agora? Estou sonhando?” perguntou Rose, incrédula, suas mãos se fechando em punhos enquanto tentava processar.

 

“Sim, e eu gostaria de saber como você me encontrou,” disse Morpheus, os olhos estreitados, analisando-a.

 

Rose hesitou por um momento, antes de sua determinação voltar. “Ouvi você falando do meu irmão. Ele está aqui?”

 

“Não,” respondeu Morpheus, sem rodeios.

 

“Você sabe onde ele está?” insistiu ela, o desespero vazando em seu tom.

“Não. Mas acho que ele pode estar com um dos meus Pesadelos desaparecidos,” explicou ele a ela.

Rose franziu o cenho, a confusão voltando. “Ela é um pesadelo então?” ela  perguntou, apontando para Briely ao lado dele, sua curiosidade de antes agora misturada com cautela.

 

Morpheus voltou-se para Briely por um instante, seu olhar suavizando de leve antes de retornar a Rose com a mesma frieza. “Não Rose. Esta é minha esposa.”

 

Rose piscou, surpresa. “Sua esposa? Ela é sua esposa?”

 

“Sim,” disse ele, o tom final, indicando que não haveria mais perguntas sobre o assunto. Ele não ofereceu explicações adicionais, e sua postura deixava claro que ele não toleraria insistência.

 

Rose, ainda intrigada, pensou consigo mesma mais ela parecia ter mais ou menos a minha idade.

Mas decidiu ela mudar de assunto, voltando ao que realmente importava. “O que esse pesadelo iria querer com Jed?”

 

“Não sei,” admitiu Morpheus, a voz firme, mas com um leve traço de contemplação. “Mas tenho a sensação de que tem algo a ver com você.”

 

“Eu? Por quê? O que eu fiz?” perguntou Rose, a frustração e o medo misturando-se em sua voz.

 

“Não é o que você fez. É o que você é,” respondeu Morpheus, enigmático como sempre.

 

“Desculpe. Não entendo nada disso,” confessou Rose, os ombros caindo levemente enquanto esfregava as têmporas.

 

“Não. Os vórtices dos sonhos são, em grande parte, incompreensíveis,” disse Morpheus.

 

“O que é um vórtice de sonho?” perguntou ela, desesperada por qualquer fragmento de compreensão.

 

“Você é. Veja bem, uma vez a cada poucos milhares de anos, um mortal nasce com uma capacidade de sonhar tão poderosa que pode viajar através dos sonhos dos outros. E, aparentemente, todo o caminho até a minha sala do trono,” explicou ele.

 

Rose balançou a cabeça, incrédula. “Eu só estava procurando meu irmão.”

 

“Se você pode me encontrar no Sonhar, poderá encontrar seu irmão. Não importa onde Gault o escondeu,” disse Morpheus.

 

“Como? Como faço isso?” perguntou Rose, com  os olhos brilhando com uma mistura de esperança e desespero.

 

“Por enquanto, continue procurando seu irmão no mundo desperto. Matthew cuidará de você lá,” respondeu ele, acenando para o corvo que acabara de entrar na sala.

Matthew inclinou a cabeça em reconhecimento, suas penas eriçando-se levemente. “Ao seu dispor, Rose,” grasnou Matthew.

 

“Quando ele está com você, eu estou com você,” continuou Morpheus. “Então, esta noite, quando você dormir, você e eu iremos juntos procurar Gault e seu irmão. Nos seus sonhos.”

 

Rose hesitou, os olhos voltando brevemente para Briely, ainda intrigada com a presença dela. “Ela não é apenas um pesadelo, certo? Ela não pode machucá-lo, pode?” ela perguntou.

Morpheus não respondeu imediatamente, o olhar endurecendo por um instante enquanto considerava a pergunta.

Antes que ele pudesse falar, Rose começou a desvanecer, sua forma tremeluzindo enquanto o sonho que a trouxera ali começava a se dissolver.

Briely observava tudo em silêncio, até que a jovem, desapareceu por completo.

 

 

 


 

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Após o encontro com Rose Walker, Morpheus guiou Briely até a vasta biblioteca do Sonhar,  Ele se sentou a uma mesa larga de madeira escura, folheando as páginas de um tomo antigo.

 

Lucienne estava ao lado, ajustando os óculos enquanto discutia os detalhes sobre Rose Walker.

Briely, ao lado de Morpheus, brincava distraidamente com um livro em suas mãos.

Para sua surpresa, as palavras nas páginas do livro, não eram mais um borrão indecifrável,  sua dislexia, que sempre a atormentara, parecia ter desaparecido.

Ela podia ler com clareza agora. Deve ser a ligação entre nós, ela pensou, sentindo o peso de sua nova realidade com mais força do que nunca.

 

“E tudo o que temos sobre Rose Walker?” perguntou Morpheus,  enquanto virava uma página com impaciência.

 

“E Jed Walker. Mas não creio que haja algo ali que você já não saiba. Exceto talvez—” Ele fez uma pausa, os olhos fixos em uma passagem, antes de levantar o olhar para Lucienne.

“Exceto talvez pelo motivo de ela ter conseguido entrar na minha sala do trono. O que você acha? Por que Gault escolheu o irmão dela e não ela?”

 

Lucienne respondeu com sua habitual precisão. “É difícil dizer, meu senhor. Gault é um pesadelo, e suas ações frequentemente desafiam a lógica. Suspeito que ela viu algo em Jed, talvez uma vulnerabilidade que Rose não possui." "Ou quis atingir Rose indiretamente, sabendo que a ligação entre irmãos é poderosa o suficiente para desestabilizá-la.”

 

Briely interveio,  hesitante enquanto tentava contribuir, mais para se distrair de seus próprios pensamentos do que por convicção.

“E se Gault soubesse que Rose é o vórtice? Não seria mais fácil manipular alguém próximo a ela, alguém que ela faria qualquer coisa para proteger?” Suas palavras carregavam uma empatia que vinha de sua própria dor, de tudo que havia perdido.

 

Morpheus voltou-se para ela. “Possível,” disse ele, a voz suavizando ao se dirigir a ela.

“Um vórtice é uma força imprevisível, mesmo para um pesadelo como Gault. Usar Jed como ferramenta seria uma estratégia... inteligente.” Ele pausou, antes de retornar ao tomo.

 

“Você leu sobre Unity Kincaid?” perguntou Lucienne. “Meu senhor, no dia em que você foi preso, havia pessoas no mundo todo que dormiram e não conseguiram acordar. Unity Kincaid é a única sobrevivente do que chamam de ‘doença do sono’. No dia em que você voltou, ela acordou. E Rose Walker é sua bisneta.”

 

Briely franziu o cenho, tentando acompanhar.“Elas são parentes? Então... Rose está ligada a isso?” ela perguntou a Lucienne.

 

Morpheus a olhou por um momento antes de responder. “Parece que minha ausência causou o nascimento de um vórtice. Isso não é uma possibilidade?”

 

Lucienne balançou a cabeça. “Vórtices são fenômenos naturais, meu senhor. Ninguém sabe por que acontecem. Nem mesmo você. Mas sei que eles não são causados ou criados. Eles simplesmente acontecem.”

 

“Então tudo isso é uma coincidência?” retrucou Morpheus, a irritação sutil em sua voz. “E não uma ameaça iminente? Meu instinto diz que não, mas esta noite, quando Rose Walker dormir, verei com mais clareza.”

 

Briely sentiu um arrepio ao notar a irritação na voz dele. Ultimamente, ela estava mais sensível, talvez por causa da ligação que os unia.

Desde que ela acordou após a noite de núpcias, seus sentidos pareciam amplificados.

Ela não era mais a mesma, e claramente seu corpo também não era.

Ela Sentiu a mão dele se posar em sua perna enquanto ele continuava a ler e falar com Lucienne.

Ela Tentou retirá-la, batendo de leve na mão dele, mas ele apenas a apertou mais forte, um gesto silencioso de controle.

Dentro dela, uma batalha silenciosa se desenrolava. Ela Podia lutar o quanto quisesse, mas ele sempre vencia, como agora.

 

Ela sabia que não havia volta.

Mesmo que houvesse um caminho para seu universo original e ela retornasse, nada seria igual como era Antes. Ela Ainda estaria ligada a Morpheus, e veria todos os seus amigos e família morrerem enquanto ela permanecia presa a essa eternidade. 

E, apesar de tudo, da forma como ele a forçou a se casar, do que ele fez com ela , ela  decidiu, relutantemente, aceitar, ou pelo menos fingir.

Não por amor, não por desejo, mas porque não havia outra escolha.

Ele ainda estava sendo paciente com ela, e ela sabia disso.

Ele até Achava graça quando ela o afastava, mas ela também sabia que irritá-lo poderia trazer consequências que não estava disposta a enfrentar.

Ninguém poderia ajudá-la agora. O Sonhar era sua prisão e seu lar, e lutar contra ele só a faria sofrer mais.

 

Ela se lembrava dos tempos em que via Morpheus como um amigo, antes de tudo se transformar.

Pelo menos da parte dela, havia afeto genuíno, uma conexão que ela valorizava. Ele esteve com ela desde que ela chegou a esse universo estranho, ajudando-a bastante quando estavam presos naquela mansão juntos.

Eu Nunca deveria ter confiado nele quando soube quem ele era, ela pensou.

Annabeth e Nico sempre disseram pra ela  que ela confiava rápido demais, e isso agora voltou para mordê-la.

Ele, à sua maneira, sempre fora carinhoso  um carinho presente nos pequenos gestos, no modo como a protegia e cuidava dela. “Pelo amor de Deus, ele criava sonhos pra mim  quando estavamos  presos. Eu Deveria ter desconfiado de algo.”

 

Ela não o amava, não mesmo. Odiava-o pelo que ele fez.

Mas sabia que precisava ser cautelosa. Ela Podia irritá-lo? E  Claro.

Recusar seus avanços? Bem, ela tentava, mas quase nunca dava certo, como agora, com a mão dele ainda firme em sua perna.

 

Ele a tirou de seus pensamentos.

 

“Eu vejo o quanto você está tentando,” murmurou. “E isso me traz uma alegria que palavras não podem expressar.”Ele percebeu a maneira como ela tentava se encaixar na conversa.

Um brilho de satisfação passou por seu rosto, uma felicidade contida, mas genuína, ao ver que ela começava a ceder, mesmo que inconscientemente, a aceitar seu lugar como sua esposa.

Sua mão alcançou a dela, os dedos entrelaçando-se com uma firmeza que transmitia um desejo de conexão.

Ele levou a mão dela aos lábios, depositando um beijo leve. “Em que você está pensando tanto, meu amor?” perguntou ele, a voz baixa, brincalhona, mas com um toque de advertência. “Não está pensando em fugir de novo de mim, está?”

 

Briely abaixou os olhos, forçando um pequeno sorriso. “Claro que não estou pensando nisso. Não há mais para onde ir,” disse ela, as palavras saindo com dificuldade, mas pronunciadas com convicção suficiente para soar verdadeiras. “Então, vou ficar. Aqui. Com você, marido.”

 

Os olhos de Morpheus brilharam ao ouvi-la.

Ele sabia que ela estava mentindo, mas isso não significava que não gostasse de ouvi-la dizer aquelas palavras.

Ele ergueu a mão para tocar seu rosto, os dedos frios deslizando por sua bochecha com uma delicadeza que contrastava com a intensidade de seu olhar.

Sem dizer nada, ele inclinou-se, os lábios encontrando os dela em um beijo lento e profundo.

A pressão era firme, mas controlada, como se ele estivesse marcando sua posse enquanto explorava cada canto da boca dela com uma paciência quase torturante.

Havia uma fome contida naquele beijo,  um desejo de consumi-la completamente, de apagar qualquer distância entre eles.

 

Ele se afastou apenas o suficiente para encará-la, os olhos fixos nos dela, e falou com uma intensidade que fez o ar parecer mais pesado. “Eu te amo mais do que tudo. Você é meu mundo.”

 

Briely sentiu o peito apertar, as palavras dele ecoando dentro dela. Ela Não retribuiu o sentimento, mas permitiu, sem lutar, que ele a puxasse para um abraço. Os braços dele a envolveram com firmeza, quase como uma gaiola de calor e poder.

Ela descansou a cabeça contra o peito dele, forçando-se a relaxar no gesto, sabendo que precisava manter essa fachada, mesmo que seu coração permanecesse distante.

 

Lucienne desviou o olhar para os livros, dando-lhes um momento de privacidade. Morpheus, no entanto, não parecia se importar com a presença dela.

Ele manteve Briely contra si, murmurando contra o topo de sua cabeça. “Minha amada rainha.”

 

Briely engoliu em seco, sentindo o peso dessas palavras.  Ela Apenas permaneceu ali, no abraço dele, por mais que quisesse afastá-lo.

Sabia que isso não seria uma boa ideia.Se tentasse fazer isso.

Ela Tentava se ancorar naquela nova realidade, que, por mais que doesse, era agora tudo o que ela poderia fazer.

 

 

 

Notes:

Gault aparecerá no próximo capítulo, assim que eles forem com a Rose encontrar o seu irmão Jed.

Chapter 13: O universo ri da minha cara (de novo)

Notes:

Peço desculpas pela demora. Meu computador apresentou um problema recentemente e precisou passar por conserto; nesse processo, acabei perdendo todos os meus rascunhos e capítulos prontos que estavam salvos no bloco de notas.

Eu Reescrevi este capítulo tentando deixá-lo o mais parecido ao que eu me lembrava de ter escrevido.

Enfim… espero que aproveitem o capítulo! ❤️

Chapter Text

 

 

 

 

 

Briely permaneceu nos braços de Morpheus por um longo momento, o calor de seu corpo contrastando com a frieza habitual que ele exalava.

O peso de sua nova realidade parecia esmagá-la, um fardo invisível que a sufocava a cada dia.

Seu estômago se revirava de forma insistente, sempre mais intensa quando estava perto dele, Ela atribuía isso ao seu corpo ainda se ajustando à ligação sobrenatural entre eles, que agora parecia impregnar cada canto de sua existência.

Não lhe ocorria que pudesse ser algo mais, A possibilidade de ser outra coisa simplesmente não passava por sua cabeça, algo físico, algo que mudaria tudo.

 

Lucienne inclinou a cabeça respeitosamente, um gesto silencioso de despedida, antes de se retirar da vasta biblioteca, deixando o casal sozinho.

O silêncio que ficou era pesado, quase palpável. que se  parecia amplificar a cada som, cada respiração, enquanto Morpheus mantinha Briely contra si, os dedos traçando padrões invisíveis em suas costas.

Ela ficou quieta, com o rosto enterrado no peito dele, sentindo aquele calor que não era exatamente humano.

Ela Não queria se mexer. Não queria falar.

Isso entre eles, essa ligação esse casamento isso tudo, estava errado pra caralho, e Pior agora não tem mais volta.

Então ela só ficou ali, deixando ele acariciar suas costas, como se aquilo pudesse consertar, o que já estava quebrado dentro dela.

 

"Esta noite, quando Rose Walker dormir, entrarei em seu sonho para encontrar Gault," disse ele, inclinando o rosto pra olhar nos olhos dela. "E quero que você venha comigo, minha rainha."

 

Briely ergueu os olhos para ele, encontrando aquele olhar intenso que sempre a fazia sentir como se estivesse sendo dissecada.

Seu corpo se remexeu desconfortavelmente nos braços dele, uma inquietação que ela  não conseguia esconder.

Ela não queria ir  junto com ele de jeito nenhum.

Se possível, o que ela desejava naquele momento era se trancar no quarto, longe de sua presença opressiva, e simplesmente descansar, ficando enrolada nós cobertores, e  fingindo que o mundo lá fora não existia.

Mas ela sabia, que ele não aceitaria um não tão facilmente.

 

"Eu... não sei se sou útil nisso," começou ela, hesitante, a voz vacilante enquanto buscava as palavras certas, mordendo o canto do lábio inferior.

"Não sei como eu  poderia o  ajudar com essa situação,  Não seria melhor se eu ficasse aqui no Sonhar, no nosso quarto?" Termina ela, desviando o olhar pro chão pra não encarar ele.

 

Os lábios de Morpheus se curvaram em um leve sorriso, O sorriso que ele deu foi delicado e perigoso ao mesmo tempo um sorriso reservado só para ela, carregado de uma mistura de afeto e posse.

Seus dedos deslizaram lentamente pelo braço dela, subindo até seu queixo, com delicadeza obrigando-a a encará-lo. a sustentar seu olhar.

"Você subestima sua importância, meu amor," disse ele, suavizando a voz. " A Sua presença me fortalece.   E, além disso, como minha rainha, é seu dever sempre estar ao meu lado, Não e ?"

 

Ela engoliu em seco, percebendo que ele realmente insistiria, não importa o quanto ela argumentasse.

Seu estômago revirou novamente, o seu  desconforto físico misturando-se à sua  relutância emocional. Ela engoliu em seco, passando a mão na barriga de leve, sem perceber.

 

"Mas eu não sei nada sobre como lidar com pesadelos ou vórtices," ela  retrucou, tentando soar convincente, isso era verdade Afinal lidar com vortices e pesadelos, não era sua praia, Já os monstros sim.

"E se eu atrapalhar você em alguma coisa? Sabe eu posso ser bastante desastrada às vezes.

"Eu só... prefiro não correr esse risco. Pode ser perigoso, E também, Eu... Eu estou me sentindo um pouco enjoada ultimamente, Então se eu fosse,  só poderia atrapalhar."

 

Ele a observou por um longo momento, os olhos estreitados, como se pudesse ver através de cada palavra, cada intenção escondida.

Ele sabia que ela estava lhe dando desculpas para não ir com ele, era bastante óbvio, mas a última parte. 

“ Ela disse está se sentindo enjoada...” pensou ele, uma suspeita começando a se formar em sua mente

Se for verdade isso, Será que... Mais tão cedo assim? E bem possível, É  Poderia acontecer, Será? ” Sua expressão não denunciou nada, mas havia uma sombra de curiosidade em seu olhar.

Então, ele soltou um suspiro curto, quase inaudível, e sua mão desceu do queixo dela para envolver a dela, os dedos firmes, mas gentis.

"Você não atrapalhará, em nada" afirmou ele, a voz tranquila, mas definitiva, o seu polegar acariciando o dorso da mão dela devagar. "E eu estarei lá para guiá-la, E Não se preocupe Eu a protegerei de tudo,  Não haverá risco nenhum quando você está comigo." "Ainda Dúvida de mim meu coração? "

 

Briely abaixou o olhar, incapaz de sustentar a intensidade daquele olhar por muito tempo.

"Não, claro que não duvido," ela murmurou. "Só... não me sinto bem hoje. Estou um pouco... cansada." Era uma meia-verdade, mas ela esperava, que fosse o suficiente para apelar a algum resquício de compaixão nele, e que com isso ele não a levasse junto.

 

Morpheus inclinou-se mais perto, com o rosto a centímetros do dela, o hálito frio contra sua pele enquanto seus olhos a estudavam com uma intensidade que sempre a fazia querer recuar.

"Se não se sente bem, então isso é mais um motivo para você estar ao meu lado," disse ele, com a voz baixa, quase hipnótica.

"Lembre-se, Não há lugar mais seguro no Sonhar, do que ao meu lado, Eu  Quero que você venha comigo, esposa" "Não é um pedido, Aonde eu for, você estará bem ao meu lado, Não permitirei que nada nos separe, Nem mesmo suas dúvidas."

Ela engoliu o “não” que queria gritar.

É claro que ele saberia que estou dando desculpas,” pensou ela, a frustrada e  resignada. E claro que também Não havia como ela  escapar de não ir com ele .

“Tudo bem," ela aceitou finalmente, um tanto derrotada.

"Eu vou junto com você,  e  eu Tenho certeza que vou ser de enorme ajuda, tropeçando nos meus próprios pés, enquanto estou a um passo de vomitar a minha alma." ela adiciona sarcástica mente.

Um brilho de satisfação passou pelos olhos de Morpheus, e ele a puxa pra  mais para perto por um breve momento, os lábios roçando a testa dela.

"Boa esposa,” Ele murmurou satisfeito, voz baixa e com tom de aprovação. "Prepare-se, então. Esta noite, entraremos juntos no sonho de Rose Walker." 

 

 

Horas depois, quando o mundo desperto cedeu ao domínio dos sonhos, Morpheus e Briely se encontraram imersos na vasta paisagem onírica que se formava ao redor deles.

O céu era, um turbilhão de cores impossíveis, e o chão sob seus pés parecia mutável, transformando-se a cada passo, ora um campo vasto e verdejante, ora uma rua esquecida de uma cidade distante e nebulosa.

 

Em algum lugar ali, Rose Walker sonhava, e com ela, a promessa de encontrar Gault.

 

Briely estava ao lado de Morpheus, como sempre.

Ele não a deixava se afastar mais do que um braço de distância, sua mão ocasionalmente roçando a dela.

“Não tema,” disse ele suavemente a  tranquilizando, “Você está comigo. Nada aqui pode tocá-la sem minha permissão.”

 

“Eu sei,” respondeu Briely, sua voz hesitante enquanto seus olhos vagavam pelo cenário caótico. “Só... Tudo isso aqui é novo para mim.”

 

Os dedos de Morpheus soltaram a mão dela apenas para erguerem seu queixo, delicadamente. Seus olhos, profundos como abismos, a prenderam no lugar. “Este mundo, por mais estranho que pareça, é meu. E você, minha rainha, é parte dele agora. Confie em mim.” ele disse com polegar roçando levemente o queixo dela, a tentando tranquilizar ao sentir que ela estava tensa.

 

Ela assentiu, sentindo um aperto no coração. Ela Sabia que isso agora era verdade.

Agora, ela  precisava se acostumar com ele e com o Reino dos Sonhos, por mais desconcertante que  isso fosse.

Morpheus a encarou por um longo momento, como se pudesse ler a hesitação em seus olhos. Então, pegou sua mão novamente e disse, “Vamos, minha amada. Ela deve estar por aqui.”

 

Enquanto caminhavam, a paisagem onírica continuava a se transformar, refletindo os sonhos de Rose Walker, que parecia invadir os sonhos de outros sem sequer perceber.

Morpheus rastreou sua presença até que, subitamente, se materializaram dentro de uma igreja.

Rose estava lá, parada no centro, sua expressão uma mistura de confusão e determinação.

 

Seus olhares se cruzaram por um breve instante antes que Morpheus e Briely desaparecessem, deixando Rose sozinha.

A jovem rapidamente saiu da igreja, apenas para se deparar com uma rua familiar.

Um carro aguardava ali, com seus amigos dentro. Mas, ao virar a esquina, ela encontrou Morpheus e Briely novamente.

“Por que isso está acontecendo?” perguntou Rose, franzindo a testa. “Pensei que estávamos procurando pelo Jed.”

 

“Nós estamos,” respondeu Morpheus, sua voz firme e calma,dando um passo à frente pra bloquear parcialmente a visão de Briely.

 

“Então por que estou nos sonhos dos meus amigos?” insistiu Rose, olhando ao redor enquanto a paisagem ainda tremulava.

 

“Porque você está atraindo os sonhos dos outros para perto de você,” explicou ele.

 

De repente, uma voz ecoou pela rua.

“Barbie, por favor! O que eu fiz?”

 

Briely virou a cabeça para ver de onde vinha o som, mas Morpheus rapidamente se colocou inda mais à frente dela, bloqueando sua visão. Sua figura alta a protegia (ou a impedia) de ver o que quer que estivesse acontecendo.

Ele não queria que ela visse àquilo, principalmente não alguém em uma situação constrangedora como aquela.

“Só tome cuidado para não se perder neles,”  Morpheus  advertê a Rose.

 

“Reserve um momento, Encontre o seu próprio caminho,” acrescentou ele, enquanto a paisagem mudava mais uma vez, agora a paisagem estava mostrando um grande urso e uma mulher em um cenário surreal.

 

“Esse sonho é o mais normal que vi hoje, até agora,” comentou Briely, tentando aliviar a tensão.

Um leve sorriso cruzou os lábios de Morpheus enquanto ele a encarava por um breve instante.

Rose, observando os dois, pensou consigo mesma: “Ele deve amá-la muito.” Curiosa, ela decidiu perguntar, “Então, o que é um vórtice de sonho? Para que serve? O que faz?”

 

Morpheus voltou sua atenção para ela, com o olhar sério. “Confesso que existem algumas perguntas, para as quais nem eu tenho resposta.”

 

Briely ergueu uma sobrancelha, realmente muito surpresa com isso. “Serio? Você  não sabe? Realmente?”

 

Ele ignorou o tom de surpresa dela e continuou, respondendo a Rose. “Mas posso afirmar que um vórtice tem o poder de criar mundos inteiros... ou destruí-los.”

 

Uma névoa densa surgiu ao redor deles, e a paisagem novamente mudou mais uma vez, agora transformando-se em um cemitério sombrio.

Briely sentiu um arrepio enquanto olhava ao redor. “ Ah... que Legal  de todos os lugares, aparecemos logo em  Um cemitério”, pensou ela, um tanto desconfortável, pode se dizer que ela não gostava muito de cemitérios.

 

Rose começou a falar, “Isso é...”

 

“Zelda,” interrompeu Morpheus. “Quando ela tinha a idade do seu irmão.”

 

Uma jovem voz ecoou pelo ar, cantando suavemente. “Mamãe e papai me mandaram embora, Então, aqui estou eu, nos antigos pomares de ossos, Ninguém me entende, Ninguém se importa, Ninguém entende, exceto Chantal, Chantal aparece e me mostra que é minha alma gêmea, Eu e ela somos heroínas góticas, noivas secretas dos escravos sem rosto da noite sem nome do castelo do desejo temido.”

 

Morpheus avançou, acompanhado de Briely, que se aproximou instintivamente dele. “Uma garota?” perguntou ela, observando o sonho se desdobrar à sua frente.

Lidar com monstros era uma coisa, mais lidar com sonhos era algo completamente diferente. “Isso não é realmente minha praia”, ela estava se  sentindo bastante deslocada ali. Morpheus, notando sua inquietação, acariciou suavemente sua mão para acalmá-la.

 

“Ela está perdida?” perguntou Rose preocupada, olhando para a garota e ao redor.

“Ela está em casa aqui,” respondeu Morpheus, sua voz calma, mas com um toque de frieza.

“É isso que a maioria das pessoas busca quando sonha. Lar. Você sabe onde fica isso para Jed?” Ele perguntou pra Rose.

 

Antes que Rose pudesse o responder, um som cortou o ar — corvos grasnando.

Briely instintivamente, deu um passo para trás, mas sentiu a mão de Morpheus agarrar seu pulso com firmeza. “Está tudo bem,” murmurou ele pra ela.

“Eu só... não gosto muito de cemitérios, sabe?” confessou ela, baixinho. Em resposta Ele apertou sua mão gentilmente e depositou um beijo em sua testa antes de voltar a sua atenção para Rose.

 

Rose observou o casal em silêncio, notando o contraste gritante entre eles. “Ela  realmente parece bem deslocada aqui nos sonhos, enquanto ele parece ser  a própria essência daquele reino.” Mas, ela deixou esse pensamento de lado enquanto continuavam a caminhar pelo cemitério, Focando no quê realmente importava, ela foi passando por uma porta, que os levou a outra paisagem onírica — uma rua familiar, cercada por casas suburbanas.

Rose piscou, reconhecendo o lugar.

“Você conhece esse lugar?” perguntou Morpheus a Rose.

 

Ela olhou ao redor, a memória iluminando seus olhos. “Essa era a nossa casa quando éramos crianças. Olha...”

 

“você conseguiu. Você encontrou o sonho do meu irmão. Agora, encontramos Gault.” diz ele satisfeito, apertando levemente a mão de Briely.

 

“O que fazemos agora? Como encontramos ele?” perguntou Rose, ansiosa.

Eles não precisaram nem sequer procurar porque, Uma nuvem de areia começou a se formar no sonho, girando diante deles.

“Então... Isso deveria acontecer?” perguntou Briely, olhando para Morpheus.

Ele se posicionou à frente dela, antes que qualquer ameaça que pudesse surgir. “Fique atrás de mim,” ele a  pede.

Briely assente e o obedece, se movendo pra traz dele, observando a cena se desdobrar. “Tudo isso é tão estranho... Mais sonhos deveriam ser assim, não é?” pensa  ela  inquieta e  um tanto desconfiada.

Agora que eu penso nisso, eu nunca mais tive nenhum sonho de semideus, desde que cheguei a esse universo,  Isso é estranho,  Eu os tinha, não tão frequentemente, mas tinha, O  Morpheus deve ter mexido nisso,  Eu Apostaria nisso, Até porque, Tudo que eu sonho ultimamente, é com ele, ou sonhos aleatórios raramente.” Ela mordeu o lábio, o pensamento a incomodando.

 

O redemoinho de areia se intensificou, e revelou uma nova figura, era o  Jed, o irmão de Rose.

Ele estava vestido com uma fantasia de herói, e estava olhando para Morpheus com uma mistura de medo e desafio.

“Pare, Rei dos Pesadelos, ou enviarei vocês três para a Terra dos Sonhos!” exclamou ele.

 

“Jed?” chamou Rose, incrédula.

 

“Eu sou o Guardião dos Adormecidos. Eu sou o Senhor do Domínio dos Sonhos. Eu sou o Sandman!” declarou Jed, com uma convicção  infantil.

 

“Você é o Sandman?” questionou Morpheus, aproximando-se. “Foi isso que ela te disse? Onde ela está? Sua mestra?”

 

Briely segurou o braço dele e murmurou baixinho, “Marido.” Ele parou, olhando para ela.

Ela apertou o braço dele com força, Ela já conhecia o temperamento dele e, embora ela soubesse que ele não machucaria o garoto, ela preferia não arriscar.

 

“Fique para trás!” advertiu Jed.

 

“Jed, não vamos machucar você,” disse Rose, tentando acalmá-lo.

 

De repente, uma mulher apareceu, colocando a mão no ombro do garoto. “Vocês querem a mim,” disse ela.

Rose interveio, chocada. “Meu Deus... Mãe?”

 

Mas Morpheus foi rápido em corrigir. “Aquela não é sua mãe, Rose.”

 

Briely acrescentou, com um tom mais gentil, “Sim, Ela não é sua mãe, Rose.”

 

“Rose? É você?” perguntou Jed, os olhos brilhando de emoção enquanto se aproximava dela.  Eles se abraçaram.

“Eu te procurei em todos os lugares,” disse Rose, apertando-o contra si.

“Mãe, é a Rose. Ela já cresceu,” murmurou Jed, emocionado.

“Sinto muito, Jed,” disse Morpheus, desfazendo o disfarce da mulher e revelando Gault, o pesadelo, em sua verdadeira forma.

 

“Mãe! O que você fez com ela?” gritou Jed, avançando, mas Rose o segurou.

 

“Jed! Jed, olha para mim. Ela não é nossa mãe. Nossa mãe não está aqui, mas eu estou, e preciso que você me diga onde você está,” implorou Rose.

 

“Estou bem aqui,” respondeu Jed confuso, piscando.

 

“Não, Jeddy, isso é um sonho,” explicou ela suavemente. “Quando você acordar, onde estará?”

 

“Olha, você escreveu isso?” perguntou Rose, mostrando um cartaz a ele.

 

“O tio Barnaby disse que vai quebrar todos os ossos do meu corpo,” disse Jed, a voz tremendo.

 

“Quem é Barnaby?” perguntou Rose, preocupada.

 

“A tia Clarice não conseguirá impedi-lo,” continuou ele.

 

“ E Onde estão a tia Clarice e o tio Barnaby?” insistiu Rose apertando os ombros dele.

 

“Eles estão em casa. Estão em Homeland,” respondeu Jed.

 

“Onde é isso? Onde fica Homeland, Jed?” perguntou ela, desesperada por mais detalhes.

 

“Vamos, Gault. Temos que ir,” interrompeu Morpheus, sua voz cortante.

 

“Sinto muito, Sandman,” disse Gault, olhando para Jed com algo que parecia arrependimento.

 

“Está na hora de acordar, Jed,” declarou Morpheus, erguendo a mão.

 

“Espere, não!” protestou Rose.

 

“Adeus, Rose Walker,” disse Morpheus, começando a desaparecer.

 

“Pare! Ainda não!” implorou Rose. Briely tentou ajudar, sussurrando para ele “Espera só um pouquinho mais.”

Mas Morpheus apenas murmurou de volta, pra ela sem ceder “Já está na hora.”

 

“Jed, diga-me onde você está!” insistiu Rose desesperada, sua voz ecoando enquanto o sonho começava a se desfazer.

 

“Rose? Rose? Rose!” Jed chamou, sua voz se perdendo na névoa que os engolfava.

 

 

De volta ao mundo desperto, uma campainha tocou, cortando o silêncio. “Você está esperando alguém?” perguntou uma voz feminina no plano físico.

 

“Não,” veio a resposta de um homem, com incerteza.

 

 

De volta ao Sonhar, Morpheus, Briely e Gault retornaram à sala do trono, onde Lucienne os aguardava, a tensão ainda palpável no ar. Briely não conseguiu segurar a língua.

Ela Aproximou-se de Morpheus ela murmurou, “Você podia ter dado mais um minuto pra ela com o irmão,  Ele é uma criança, Morpheus, Uma criança sendo torturada Você ouviu o que ele disse, que o tio dele ia quebrar todos os ossos do corpo dele,  Eu espero que ela o encontre.”

 

Morpheus virou-se para ela, os olhos profundos e insondáveis entes de a explicar gentilmente.“O tempo no Sonhar não é o mesmo que no mundo desperto, minha querida,  Prolongar aquele momento poderia ter consequências que nem mesmo Rose compreenderia, Ela terá sua chance, mas não ali, não naquele instante.”

 

Briely franziu a testa, ainda inquieta. “Consequências piores que ouvir uma criança falar que vão quebrar todos os ossos dele? Ela precisava de mais tempo.”

Ele a encarou, paciente… demais. “Eu decido o que é necessário no meu reino esposa,” respondeu ele, firme, mas com um leve toque de paciência só para ela. “Confie em mim.”

 

Enquanto eles conversavam, Gault os observava em silêncio, o que por si só já era estranho.

Seus olhos se voltaram para Briely, que permanecia ao lado de Morpheus, e a pesadelo inclinou a cabeça, um brilho de curiosidade e compreensão cruzando seu olhar ao ouvir Morpheus chamá-la de esposa.

 

“Então, os rumores são realmente verdadeiros,” começou Gault, “Você realmente se casou, mestre,  com a única filha do Lorde Poseidon, Assim como dizem os rumores, Nunca imaginei que veria o Senhor do Sonhar tão... apegado.”

Ela se virou para Briely, um sorriso afiado nos lábios. “Ele não tira os olhos de você, não é? Deve ser exaustivo ser tão especial para ele.”

 

Briely não respondeu de imediato, o seu coração estava batendo mais rápido sob o escrutínio de Gault. Depois de um momento, ela retrucou sem paciência, com a voz seca pro pesadelo, “Cala a boca.”

 

Gault apenas inclinou a cabeça, o sorriso não vacilando.

Morpheus deu meio passo à frente, bloqueando parcialmente a visão de Gault sobre sua esposa. “Cuide de suas palavras, Gault,” advertiu ele.

 

Gault sorriu, um gesto que parecia desafiar e reconhecer ao mesmo tempo. “Você tem alguma ideia de como é a vida dele no mundo real?” prosseguiu ela, agora dirigindo-se a Morpheus com um tom carregado de acusação.

 

“Os humanos não podem viver em sonhos. Enquanto ele permaneceu ali, a criança não teve vida nem chance de ter uma.” Morpheus continuou a responder sem hesitar, sua voz grave e cortante. “Você abusou desse sofrimento para construir um Sonho que você pudesse governar.”

 

“Eu não tinha vontade de governar,” Gault rebateu, desafiadora. “Eu apenas desejo ser um Sonho e não um Pesadelo, Para inspirar e não para assustar.”

 

“A escolha não é sua,” Morpheus declarou, implacável. “Nós não escolhemos ser criados. Nem escolhemos como somos feitos.”

 

“Isso é verdade, Mas podemos mudar,” insistiu Gault, os olhos brilhando com determinação.

 

“Não,” cortou Morpheus, inflexível. “Cada um de nós nasce com responsabilidades, Nem eu sou livre para escolher ser diferente do que sou, Ninguém é.”

 

“Se isso fosse verdade, por que todos os outros Sonhos e Pesadelos escolheram deixar este lugar quando você foi embora?” retrucou Gault, a voz afiada.

 

“Nem todos nós escolhemos partir, e quase todos retornaram,” interveio Lucienne, sua voz firme, mas respeitosa.

 

Gault voltou-se para ela, o tom mordaz. “Você acha que eles voltaram por amor? Ou será que eles só voltaram porque tinham medo do que você faria com eles se não o fizessem? Porque eu não tenho medo."

"Já a sua esposa, ela  tem medo de você, não é?”

Ela lançou um olhar provocador para Briely. “Embora seja um pouco proibido falar sobre esse assunto, os rumores sobre como você pode ter obtido sua querida esposa não são bons, não é, mestre?”

 

“Você deveria estar com medo,” Morpheus avisou. “O propósito de um Pesadelo é revelar os medos do sonhador para que ele possa enfrentá-los, E não toque nesse assunto sobre minha esposa novamente. Talvez alguns milhares de anos na escuridão revelem seus próprios medos.”

 

“Melhor isso do que deixar os outros com medo,” respondeu Gault, desafiadora.

 

“Até um pesadelo pode sonhar, meu senhor,” murmurou Gault, antes de desaparecer na escuridão, engolida pelas sombras do Sonhar.

 

Morpheus voltou-se então para Lucienne, que observava em silêncio, e para Briely. Esta última falou, com o tom carregado de um pouco empatia. “Você não precisava fazer isso, Foi injusto com ela.”

 

“Não fui,” respondeu ele, seco, antes de se dirigir a Lucienne. “Você acha que a punição dela foi injusta?”

 

Lucienne respondeu com cautela, escolhendo suas palavras. “Eu costumava ser outra coisa, antes de você me tornar sua bibliotecária. Todos nós mudamos, senhor. Até você, talvez quem sabe, Um dia.”

 

“Lucienne, percebo que na minha ausência você foi obrigada a tomar decisões em meu lugar, e sou grato a você,” falou Morpheus, “Mas agora estou de volta, Você pode retornar à biblioteca.”

 

Lucienne assentiu, inclinando a cabeça em respeito antes de se retirar, deixando Morpheus e Briely a sós.

 

Morpheus voltou sua atenção para sua esposa, os olhos suavizando apenas para ela, mas ainda carregados de uma devoção que não se dissipava.

Ele ergueu a mão, tocando o rosto dela com delicadeza, os dedos traçando a linha de sua bochecha como se quisesse memorizar cada detalhe.

Briely o encarou, a expressão de dúvida e desconforto, era aparente no seu rosto . “Assunto proibido? Ela quis dizer que...”

 

“No meu reino, ninguém deve falar sobre esse assunto,” murmurou ele, a explicando a voz baixa, mas firme. “Isso foi uma ideia do seu pai, O panteão grego também fez um decreto sobre esse rumor, Seu tio Zeus e seu pai puniriam qualquer outra criatura que espalhasse isso, e eu e também concordei, Disse a Lucienne que não quero ninguém aqui no Sonhar comentando sobre isso.”

 

Briely baixou o olhar por um momento, a mente girando. “ Eu já sei disso, Meu pai me disse que tentou abafar os rumores,” disse ela, quase para si mesma.

Ela baixou o olhar por um momento, a  mente girando, enquanto ela mordia os lábios. “Isso é tudo culpa dele, Mesmo que eu não ligue para minha reputação por aqui, nesse universo, é bem ruim ter seres que sabem disso, mesmos que isso não fosse minha culpa. Esse assunto traz memórias ruins daquele dia... aquela floresta.”

 

Morpheus notou o peso em sua expressão e a trouxe de volta ao presente, sua mão ainda em seu rosto. “Isso É só um rumor para todos,” ele disse tentando a confortar, a voz mais suave. “E Ninguém ousará falar disso na sua frente.”

 

“Mas, não é so um rumor, né?” retrucou ela,  com os olhos encontrando os dele. “Nao adianta abafar, Algumas pessoas sabem que é mentira, que não e só um rumor, que isso tudo e verdade.”

 

“Mas não comentarão, nada na sua frente,” garantiu ele. “Eu não permitirei.”

 

Antes que ela pudesse o responder, ele inclinou-se, seus lábios encontrando os dela em um beijo firme e carregado de intensidade.

Não havia hesitação naquele toque; era um beijo que reivindicava. Sua mão deslizou para a nuca dela, puxando-a mais para perto, enquanto a outra permanecia em sua cintura, segurando-a com uma força controlada, mas inegável.

O calor de sua respiração misturava-se à dela, e por um instante, o mundo ao redor , o Sonhar, as tensões tudo pareceu desvanecer.

Era só ele, sua presença dominando cada sentido dela, quando ele se afastou, Seus olhos ainda a prendiam.

 

Após os turbulentos acontecimentos do dia no Sonhar, Briely sentia o peso do cansaço mental esmagá-la. ela  só queria sumir.

“Eu... quero ir descansar um pouco,” murmurou ela com a voz exausta.

Morpheus a encarou por um instante, seus olhos insondáveis como um abismo noturno.

Então, com um leve aceno de cabeça, ele logo cedeu ao desejo dela.

“Como desejar, esposa,” disse ele, a voz profunda e calma. Com um gesto sutil de sua mão, o ar ao redor deles ondulou, e, em um piscar de olhos, estavam nos aposentos que compartilhavam.

 

Briely sentiu uma leve tontura ao se materializarem, o mundo girando por um breve momento. Ela cambaleou, instintivamente segurando o braço dele para se equilibrar.

Isso é ruim,” ela pensa, com a mente acelerada. “Isso Não deveria acontecer não e? A essência dele, não deveria curar o que quer que estivesse acontecendo com meu corpo? Essa tontura, esse enjoo leve... Eu não deveria me sentir assim.” Ela franze  a testa, bastante confusa do porquê aquilo estar acontecendo.

 

Morpheus franziu o cenho, a preocupação agora evidente em seu rosto. “Está bem?”.

Ele não acreditava que ela estivesse falando tão sério mais cedo, sobre estar enjoada, mas essa tontura de agora dela só agravava sua suspeita.

Tão cedo assim?” pensou, uma pontada de felicidade misturada com surpresa cruzando sua mente.

 

“Sim,” respondeu ela rapidamente, forçando um aceno de cabeça, embora seu estômago ainda parecesse se revirar. “Só... um pouco cansada.”

 

Ele a observou por mais um longo momento, como se pudesse enxergar além de suas palavras, mas acabou cedendo. Inclinou-se, seus lábios tocando os dela em um beijo breve, porém firme, antes de se afastar.

“Se não está se sentindo bem, eu deveria ficar com você,” começou ele, mas ela o interrompeu.

 

“Não precisa, marido,” disse ela, forçando um tom leve de sua voz  fazendo biquinho, ela tinha um brilho em seus olhos verdes mar enquanto o olhava suplicando.

“Isso não e nada, tenho certeza que Logo logo vai passar, Eu só Quero ficar sozinha só  por um momento.”

 

Morpheus a encarou, e ela sabia que estava usando aquele olhar — aquele que o desarmava, com seu rosto fofo e olhos suplicantes.

Ele sabia que estava sendo manipulado, mas mesmo assim cedeu. “Tudo bem,” murmurou, enquanto um leve sorriso escapava dos lábios dela.

"FUNCIONOU. MEU DEUS, FUNCIONOU"

Briely aproximou-se hesitante e depositou um beijo tímido na bochecha dele.

 

“Quero que Descanse. Estarei na sala do trono se precisar de mim,” instruiu ele, pausando por um momento. “E mais tarde, venha jantar comigo.”

 

“Eu estarei  lá na hora certa, não se preocupe. E Não precisa vir me buscar,” respondeu ela assentindo.

 

“Tudo bem, então,” disse ele, antes de se inclinar e dar um longo beijo na testa dela, que durou alguns segundos.

Com isso, ele desapareceu em um redemoinho de areia, deixando-a sozinha no quarto.

 

Após ele partir, Briely encarou o lugar onde ele estava e soltou um suspiro longo.Ela passou a mão no rosto, exausta.

Ela Caminhou até a porta e a trancou, embora soubesse que isso não o impediria de entrar se quisesse.

Ainda assim, o gesto lhe dava um pequeno conforto, Depois, ela arrastou-se até a cama imensa, deitando-se com a esperança de que o mal-estar inquietante passasse.

 

Enquanto ela repousava, seus pensamentos giravam em torno de Morpheus e de como ela  poderia lidar com ele.

Apesar de odiá-lo pelo que fez com ela, ela sabia que não podia fugir para longe, nem viver com medo ou em pé de guerra com ele.

Isso não seria bom — ele cortaria qualquer rebelião dela em segundos. E para sua saúde mental, que já está tão abalada por causa dele, se ela continuar irritando-o seria um desastre.

Ele certamente poderia perder a paciência com ela,   e ele a  puniria, e não seria algo simples como um castigo infantil.

Seria algo que ele gostaria de impor, algo que ela não queria enfrentar novamente. 

 

O plano que tenho no momento é ruim, muito ruim, e também muito humilhante” ela pensou levando a  mão à testa tentando recompor a sua  dignidade que claramente tinha escapado pela porta.

"Eu realmente preciso tentar segurar a minha língua, e não brigar com ele o tempo todo, Se eu for boazinha… se eu apelar… ele cede."  "meu Deus que humilhação, É tão  vergonhoso fazer isso, mas funciona."

"E mais eficaz ainda, Se eu chamá-lo de ‘marido’ ou iniciar contato físico, se eu fizer isso sei que ele pode ceder. É vergonhoso, mas eficaz, Muito eficaz.”

"E Funcionou agora, quando ele cedeu facilmente ao meu pedido de de ficar sozinha."

Se Nico ou alguém do acampamento soubesse disso, ou  me visse agora, fazendo biquinho e chamando ele  de “marido” com essa voz doce … eu nunca mais ia ouvir o final disso, Nunca.”

"A minha Dignidade depois disso? Nunca nem vi essa aí. "ela pensou envergonhada.

 

 

 

De repente, uma nova onda de mal-estar a atingiu, um pouco mais forte dessa vez.

Antes, não era tão ruim assim, e passava em questão de segundos, o que era estranho.

Acontecia em momentos aleatórios, muitas vezes quando ela estava perto dele. Inicialmente, achou que era medo ou talvez a ligação entre eles, mas agora estava claro que não era isso.

A inquietação cresceu dentro dela. “Isso poderia significar uma coisa, e eu não quero nem pensar nessa possibilidade... Pelos deuses, isso não...” ela Fechou os olhos, tentando ignorar a sensação. “Se eu dormir, isso vai passar,” ela murmurou para si mesma, antes de adormecer.

 

 

 

Quando ela acordou, porém, o mal-estar que pensara que passaria havia piorado. “Merda,” ela Murmura, segurando a testa com a palma trêmula.

 

Um enjoo terrível a atingiu como uma onda, e seu corpo parecia fraco, suando frio. “Isso é ruim, muito ruim,” ela murmurou novamente, sentindo a vontade de vomitar.

Ela Correu para o banheiro, mal conseguindo chegar ao vaso antes de se curvar e vomitar. “Eu devia chamar alguém,” logo outra onda a atingiu, e ela vomitou novamente.

 

Ela logo Encostou-se ao vaso, ofegante, com suor escorrendo por sua testa, quase sem forças para sequer pedir ajuda.

Fechando os olhos por um momento, tentando pensar no que fazer. Uma ideia surgiu. “Água.  E a única coisa que sempre funciona, Afinal Eu me curo melhor na água. Se conseguisse ir até a banheira, ficaria melhor, não é?”

Com dificuldade, ela arrastou-se até a banheira, e deixou a água subir. Quando ficou cheia, ela  mergulhou de roupa e tudo, afundando-se completamente nela, deixando a água envolvê-la como um abraço.

 

Horas se passaram rapidamente.Briely permaneceu no fundo da banheira, com  o corpo tremendo e a mente turva, meia adormecida na água, ficar ali era reconfortante.

 

Enquanto isso, No salão de jantar, o relógio marcava quarenta e sete minutos de atraso.

 

Morpheus tamborilava os dedos  no braço da cadeira. Ela já deveria ter ido jantar com ele, e mesmo que ela dissesse que estaria lá na hora certa, já haviam se passado alguns minutos.

A ligação entre eles latejava, um fio tênue de consciência que dizia que ela estava… dormente. Adormecida demais. Profundo demais.

Através da ligação entre eles, ele sentia que ela estava meia adormecida. “Eu deveria ir acordá-la,” ele Levantou-se de repente. mas logo  mudou de ideia.

Ele Chamou Mervyn, o seu fiel servo com cabeça de abóbora, e ordenou a ele, “Vá até os aposentos reais e chame minha esposa. Ela deve estar dormindo ainda. Acorde-a e diga-lhe que a espero para jantarmos juntos.”

 

Mervyn assentiu e partiu. E  Ao chegar aos aposentos, bateu na porta.

“Minha rainha? O mestre solicita sua presença para o jantar.”  mais Não houve resposta.

Ele Bateu novamente, mais forte, mas o silêncio ainda persistiu. “Minha senhora?” ele tentou mais uma vez.

“Estou entrando,” avisou, mas a porta estava trancada. Bateu novamente. “Senhorita, sou eu, Mervyn. O mestre está te esperando,”ele insistiu, mas foi sem sucesso.

 

Mervyn ficou plantado na frente da porta trancada, a chama da abóbora na cabeça tremendo de nervoso, A chama na cabeça dele tremia.

“Ótimo. Maravilhoso. Perfeito,” ele resmungou baixinho, batendo de novo com mais força. Nada Nem um barulhinho.

Preocupado, decidiu não arriscar a ira de Morpheus por falhar em sua tarefa. “Se eles brigaram de novo, aposto que é por isso que ela não abre. Esses dois são um drama só, hein” ele pensou, enquanto corria até Lucienne, na biblioteca, na esperança de que ela soubesse o que fazer.

 

“Lucienne, algo está errado,” disse Mervyn ao encontrá-la. “O mestre me pediu pra chamar a rainha pro jantar, a rainha tá fazendo greve de fome ou de silêncio, eu não sei, mas ela não me responde, e a porta tá trancada. Não sei o que fazer. Pode me ajudar?”

Lucienne ergueu os olhos do livro com a calma ajustando os óculos enquanto uma sombra de preocupação cruzava seu rosto. “Mervyn. O que aconteceu exatamente?”

 

“A Porta está trancada. E o chefe tá lá , contando os segundos lá no salão a  esperando”

“Eu Vou até lá agora para ver o que houve. Informe o mestre Morpheus que estou cuidando disso,” ela disse, a voz calma, mas escondendo a inquietação que sentia.

Isso não é do feitio dela, Ela Deve realmente estar chateada o suficiente com o mestre para nem sequer responder o Mervyn. Isso é um problema, e qualquer problema com ela é uma questão de extrema importância.”

 

Chegando aos aposentos, Lucienne bateu na porta com delicadeza. “Minha rainha? Sou eu, a  Lucienne,  Está tudo bem?” não  houve resposta alguma dela Apenas silêncio. “Minha rainha,” ela tentou novamente, batendo com mais força, mas nada.

“Briely…”  A voz dela falhou. Ela usou o nome dela verdade, sem títulos, sem cerimônia, na esperança que ela abra a porta. “Por favor abra,  está tudo bem?.”

Alarmada e preocupada que sua senhora tivesse feito algo impensado, no calor do momento, ela destrancou a porta com cautela.

O quarto estava vazio, com a cama desfeita, mas a porta do banheiro estava entreaberta, com água escorrendo pelo chão.

Alarmada, ela entrou e encontrou a banheira transbordando, o chão estava todo molhado. Ela Correu até lá e viu Briely no fundo da banheira.

Seu coração apertou Ao ver a cena, Em pânico, perdendo a compostura,  ela mergulhou os braços na água sacudindo-a.

“Minha senhora, acorde! Por favor, você não fez isso! Minha rainha, acorde!” ela  gritou.

 

Briely, grogue abriu os lentamente, confusa piscando com a voz alta e alguém a balançando. “Lucienne?? O que você está fazendo aqui?” ela a pergunta, confusa.

 

“Vossa majestade está…, você está viva,” disse Lucienne, aliviada, quase caindo de joelhos.

“Isso é um alívio. Eu pensei que você estivesse... morta por um momento. Mesmo sabendo que você não pode morrer, vê-la assim me deixou muito preocupada.”

 

“Morta? Do que você está falando, Lucienne?” perguntou Briely, franzindo a testa, ainda desorientada.

 

Naquele momento, a porta do banheiro se abriu com força, e Morpheus entrou.

Seus olhos imediatamente encontraram Briely, com Lucienne em pânico ao lado dela, segurando-a na banheira.

Em passos rápidos, ele se ajoelhou, tomando o lugar de Lucienne envolvendo-a nos braços e tirando a Briely da água.

“O que aconteceu?” ele perguntou. “E por que toda essa água no chão?”

Lucienne recuperou a compostura e respondeu, “Eu a encontrei exatamente assim, milorde. Ela estava no fundo da banheira quando entrei, e pensei o pior, eu...  pensei que ela tivesse...” ela Não ousou terminar a frase.

 

Morpheus olhou para sua esposa, a raiva misturada com preocupação em seu olhar. “Eu a deixou sozinha e isso acontece, Não minta para mim, Você estava tentando se...?” ele começou, mas ela o interrompeu.

 

“Claro que não! Eu não faria isso!” rebateu ela, irritada com o que ele estava insinuando.

“E então, o que você estava fazendo aqui Assim? Você sabe que não pode morrer,” retrucou ele, o tom cortante, segurando os braços dela.

 

“Eu não estava tentando nada, ok? A água me cura melhor, era isso que eu estava fazendo, me curando. E, eu posso respirar debaixo d’água, tá bom?” respondeu ela, exasperada. "Ou você esqueceu disso?"

 

“É claro que não esqueci,” ele a  respondeu, e, ela não acreditou muito nele, pela cara dele era bem óbvio que ele tinha esquecido que ela podia fazer isso.

Lucienne interveio, aliviada, “Isso é um alívio, minha rainha. Não sabia que você podia fazer isso. Me desculpe por presumir o pior, mas vê-la daquele jeito realmente me preocupou.”

 

“Tudo bem, Lucienne,” murmurou Briely, tentando tranquilizá-la.

 

Morpheus, ainda preocupado, perguntou, “O que aconteceu para você precisar se curar na água? Minha essência em você deveria curá-la.”

 

Lucienne acrescentou, “Isso mesmo, minha rainha. O que houve? Isso não deveria estar acontecendo. Você não tem mais um corpo humano... Agora ele e  imortal,  Não deveria adoecer para precisar de cura, não mais.”

 

Morpheus, já suspeitando exatamente do que poderia ser, a Ordenou com firmeza, “Diga-me exatamente o que estava sentindo. Cada detalhe.”

 

Briely hesitou, mas acabou descrevendo o enjoo, a tontura, a fraqueza que parecia drená-la.

Enquanto ela falava, os olhos de Lucienne se estreitaram com compreensão, trocando um olhar com Morpheus.

Ele não quis enrolar mais e anúnciou, com uma felicidade contida, “Você está grávida, minha amada esposa.”

O silêncio que veio depois foi tão pesado que parecia sufocar.

Briely sentiu o ar sumir dos pulmões. “Não”A palavra saiu baixa, rouca.

Ela se soltou dos braços dele, os olhos arregalados de pânico.

“Não, isso não é verdade. você está mentindo… não pode ser… É muito cedo, não é? Muito cedo!” ela negou balançando a cabeça,  com a voz tremendo.

Não, não, não, isso não pode ser verdade,” ela pensa, com o coração disparado.

 

Lucienne, com um tom gentil, tentou acalmá-la. “Minha senhora... Pode parecer muito cedo mas realmente há uma grande chance de que você esteja grávida agora. Esses sintomas, eles se alinham com isso.”

 

 

“Não... não pode ser,” sussurrou Briely, os olhos arregalados.

Uma memória invadiu sua mente, voltando anos atrás, quando tinha apenas 12 anos,  depois dela voltar para casa pela primeira vez, após frequentar o acampamento .

 

 

 

 

Sua mãe, sentou  com ela em seu pequeno apartamento em Nova York.

O cheiro de biscoitos recém-assados pairava no ar, mas a conversa era tudo menos reconfortante pra ela.

“Filha  senta aqui um minutinho, querida” chamou Sally, batendo no sofá.

“querida, precisamos falar sobre algo importante,” começa Sally, sentada ao lado dela no sofá, com  os olhos gentis, mas sérios.

“Minha menina linda, você tá crescendo tão rápido que eu não consigo acompanhar.” Sally disse, sorrindo com carinho..

“Sei que você é jovem, mas é melhor saber agora. Sobre... gravidez, como acontece, como prevenir, e os sinais.” ela continuou, a com a sua voz suave.

Ela se jogou no sofá com um suspiro dramático.

“Mãe, a gente não precisa falar disso agora, né? Eu nem… tipo, eu nem gosto de ninguém ainda!” ela se lembra exatamente que época, ela corou violentamente, mexendo nas mãos. 

 

Sally sorria, tocando sua mão a explicando. “Eu sei, querida, mas é melhor estar preparada. Os sinais podem ser enjoo, tontura, cansaço... Coisas que você pode não entender no começo.

E prevenção é importante, Sempre, sempre use proteção uma noite descuidada, e…, ouça sua mãe.” ela enfatizou essa parte.

“Um dia vai aparecer alguém. Pode ser um garoto do acampamento, pode ser um mortal que te faça rir, pode até ser… um deus.” A voz dela tremeu nessa última palavra.

“Se um dia você se apaixonar — de verdade, ou só achar que é de verdade Você tem o direito de escolher quando, com quem, e se um dia vai querer ser mãe."

"Não importa o quanto ele jure, “é diferente com a gente’. Não é.”. Se um dia você sentir isso… você me liga.

“Você me liga e eu vou te buscar. Você não passa por isso sozinha. Nunca.” Promete pra mim?” ela a pediu, séria.

“Eu prometo, mamãe” respondeu ela, abraçando a mãe.

“Minha menina… minha menina corajosa… eu te amo tanto que dói.” sussurrou Sally, beijando a testa dela.

 

A promessa que ela fez aos doze anos, a sua mãe, estava sendo quebrada ali, naquele exato instante,  ela  não seria mais capaz de a cumprir...

Ela não poderia ligar pra sua mãe pra ela vir até ali e  buscá-la  agora.

Ela tinha  prometido...

 

 

De volta ao presente, A voz se sua mãe veio a sua mente.

Você tem o direito de escolher.”

E... ela não escolheu nada, Nem uma vez. o peso daquela conversa a esmagou.

Pior ainda, ela  lembrou-se das vezes que Morpheus a tomou para si, sem jamais se preocupar com proteção,nem na noite de casamento, nem em qualquer outro momento desde então. 

Ela tinha pensado nessa possibilidade, que poderia já estar grávida, quando conversou com o seu pai no dia do casamento. Mais pensar era diferente da realidade.

 

Ele havia dito, antes mesmo do casamento, que eles teriam filhos.

O pânico cresceu como uma tempestade dentro dela, as lágrimas logo foram escorrendo por seu rosto, enquanto sua respiração se tornava rápida e descontrolada.

“Não, não, não...” ela murmurou, o corpo tremendo em um ataque de pânico.

 “Não não não não não não… ”A sua voz saia pequena, infantil, e desesperada.

Suas mãos agarraram os próprios braços, como se tentasse se segurar, enquanto o banheiro parecia girar ao seu redor.

 

Lucienne tentou acalmá-la, as mãos gentis em seus ombros. “Respire, minha senhora. Está tudo bem, apenas respire,” disse ela, a suavemente, mas as palavras dela pareciam se perder no caos da mente de Briely, que apenas chorava mais, o peito apertado, se rasgando por dentro, ela era  incapaz de se controlar no momento.

E, Então... vieram os braços dele.

Morpheus a puxou para seus braços, tentando deter o ataque de pânico. “Respire, meu coração,” ele murmurou, encostando a testa na dela, sua mão firme na nuca dela, guiando-a.

Ela queria gritar com ele. Queria bater nele. Mas o seu corpo, traidor, o obedecia. A respiração dele era lenta, impossível de resistir. E, Aos poucos, o peito dela acompanhou o dele. 

“Respire comigo. Inspire... expire. Olhe para mim.” Sua voz era um ancoradouro no meio da tempestade, cada palavra como um comando que ela não conseguia ignorar, mesmo querendo.

Ele manteve o contato, os olhos escuros fixos nos dela, enquanto sua respiração começava a acompanhar a dele, ainda trêmula, mas mais controlada.

 

Briely, ainda tremendo, deixou as lágrimas caírem livremente. Ele olhou para Lucienne e ordenou, “Lucienne, chame alguém. Agora. Traga alguém que possa confirmar.”

Lucienne assentiu rapidamente e saiu, deixando-os sozinhos.

 

Com cuidado, Morpheus tentou erguê-la do chão, segurando-a pelos braços para levá-la de volta à cama. “Venha comigo,” murmurou ele.

 

No entanto, o toque dele pareceu desencadear algo em Briely.

Ela se debateu, empurrando-o com uma força nascida do desespero.

Que se dane se ele a punisse agora; a raiva a dominava, jogando qualquer cautela que ela tivesse, pela janela.

A pia rachou com estrondo. Uma torrente de água gelada explodiu para o alto, jorrando para cima, molhando os dois.

"ME SOLTA! VOCÊ NÃO VÊ QUE ISSO É TUDO CULPA SUA!"  gritou ela, com voz rasgada, rouca de choro. Ele segurou os pulsos dela com uma mão só, Firme, Sem  a machucar.

Ela empurrou o peito dele com as duas mãos, com toda a força que conseguia, no momento ela só  queria o machucar. 

Morpheus a segurou com firmeza, e a Ordenou com a voz cortante, “Pare com isso. Já!”

 

“Não! Me solta! Isso é tudo culpa sua!” gritou ela,  rouca de tanto chorar, o corpo ainda fraco, mas movido por puro pânico.

“VOCÊ FEZ ISSO DE PROPÓSITO!” ela o acusou, a voz quebrando.

“Eu te odeio… eu te odeio tanto…” ela soluçou, batendo no peito dele debilmente.

 

Morpheus não a soltou, segurando seus pulsos com firmeza, mas sem machucá-la. Ele a puxou para mais perto, os olhos  fixos nos dela. “Acalme-se, minha amada, Shh… respira,” ele murmurou contra o cabelo dela o beijando.

“Respire comigo, Olhe para mim meu coração.” Ele manteve a voz firme, quase hipnótica. “Está tudo bem,  Acalme-se e respire.”

 

Briely continuou a tremer, as lágrimas ainda caindo, mas a força de seus movimentos diminuiu enquanto o peso da presença de Morpheus a ancorava, mesmo contra sua vontade.

“Isso é tudo sua culpa, Toda sua, Isso que tá acontecendo comigo...” sussurrou ela,  a voz quebrada, enquanto ele segurava seu rosto nas mãos.

 

“Está tudo bem. Acalme-se e respire,” repetiu ele, mais suavemente agora, enquanto secretamente ele usava o vínculo entre eles para acalmá-la, sem que ela soubesse.

 

O vínculo pulsou entre eles, quente, calmo, invasivo. Ela sentiu a calma dele escorrendo para dentro dela.

E o seu  corpo foi amolecendo contra a sua  vontade.

Seus empurrões contra ele enfraqueceram. O corpo dela parecia pesado, e ela o encarou, a respiração ainda irregular, dividida entre a necessidade de se ancorar em algo, mesmo que fosse na presença opressiva dele, e a raiva que ainda queimava dentro dela.

 

Ele a puxou com cuidado, levantando-a do chão frio do banheiro e guiando-a até a cama.

Morpheus a deitou sobre os lençóis escuros, sentando-se ao seu lado, uma mão ainda segurando a dela. “Você está mais calma?” ele a perguntou, com o tom ainda mais suave, acariciando a mão dela.

 

Ela virou o rosto, evitando o olhar dele, o peito apertado enquanto as palavras dele e de Lucienne que  ecoavam em sua mente. “Grávida, Eu estou Grávida, Um filho dele... Meu deus, isso não pode estar acontecendo.” A possibilidade era como uma lâmina cravada em seus pensamentos, cortando qualquer esperança de fuga que ela poderia ter.

Um bebê. “Um bebê me prenderia a ele para sempre,” ela pensa, e com isso o seu desespero foi  voltando com força.

 

“Minha amada, Fale comigo,” insistiu ele, a voz carregada de uma mistura de preocupação e impaciência, enquanto acariciava o cabelo dela. a mão deslizava pelo cabelo dela, enrolando uma mecha molhada nos seus dedos.

Havia algo em seu tom que, mesmo acalmando-a, a fazia se sentir pior, era como se ela estivesse sendo manipulada.

E isso a fazia querer gritar.

Antes que ela pudesse o  responder, a porta se abriu novamente, e Lucienne retornou acompanhada de uma figura alta e esguia.

Briely não a conhecia. Lucienne lançou um olhar preocupado para ela antes de se dirigir a Morpheus.

“majestade, esta é Elyndra. Ela tem conhecimento sobre condições... incomuns.” ela o apresentou, apontando pra figura.

 

 

 

 

 

 


 

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Morpheus assentiu em reconhecimento brevemente, levantando-se para dar espaço à recém-chegada, mas seus olhos nunca deixaram sua esposa.

Elyndra aproximou-se da cama, inclinando-se em uma reverência profunda. "Meu rei, minha rainha," disse ela os saudando.

Seus olhos fixaram-se em Briely, e ela continuou, "É um prazer conhecê-la. Preciso que me diga exatamente o que sente. Não esconderei nada da minha rainha, assim como espero que não esconda de mim." 

"Lucienne me informou que há uma grande  suspeitas de que a senhora esteja grávida, Eu Tenho o dom de confirmar tal condição, mas primeiro, por favor, peço descreva seus sintomas."

 

Briely hesitou, o corpo ainda tenso, os olhos baixos,Ela apertou os lençóis mais forte.

Antes que ela pudesse responder, Morpheus interveio, a voz firme enquanto descrevia os sintomas que ela havia mencionado anteriormente. "Enjoo, fraqueza, tonturas...," explicou ele sem hesitar.

 

Enquanto ele falava, Briely percebeu os olhos de Elyndra se estreitarem, uma compreensão silenciosa surgindo em seu rosto.

"Posso tocá-la, minha rainha?" perguntou Elyndra, a voz gentil, mas profissional. "Preciso verificar com meu dom para confirmar."

 

Briely, ainda trêmula, assentiu lentamente, sem energia para resistir contra maís nada.

Elyndra aproximou-se e, com um toque delicado, pousou as mãos sobre a barriga de Briely, Uma energia sutil parecia emanar de seus dedos, quase imperceptível, mas Briely sentiu um leve calor percorrer seu corpo.

Elyndra ficou em silêncio por um momento, os olhos fechados em concentração.

Foram Três segundos de silêncio absoluto.

Então, voltando-se para Morpheus, mas mantendo a atenção em Briely, ela falou: "Milorde, minha rainha... Meus parabéns. A rainha está, de fato, carregando uma vida dentro de si." Ela anuncia com a voz serena.

 

O ar no quarto parecia congelar. Briely sentiu o chão desaparecer sob ela, o pânico voltando com força total, enquanto as palavras confirmavam seu maior temor.

Seu olhar disparou para Morpheus, buscando sua reação. Era exatamente o que ela esperava. 

Ele, por sua vez, exibia um sorriso raro nos lábios, quase radiante, os olhos brilhando com uma intensidade que fez até mesmo Lucienne e Elyndra trocarem olhares surpresos.

Ele virou-se para Briely, pegando a mão dela e levando-a aos lábios com ternura, beijando os nós dos dedos dela..

"Minha amada esposa, nós vamos ter um filho," ele  murmurou, com  voz grave carregada de emoção. "O Nosso primeiro filho juntos."

 

O coração de Briely batia tão rápido que parecia que ia explodir.

Ela só conseguiu murmurar, quase para si mesma, "Não... por favor, não." Seu corpo tremia na cama, com os olhos arregalados, a sua outra mão apertando os lençóis escuros com força, como se pudesse ancorar-se na realidade que desmoronava.

 

Morpheus permaneceu com a mão dela nos lábios, imóvel por um instante, até que fez um gesto sutil com a cabeça para Elyndra e Lucienne. "Deixem-nos," ele as ordena, sem desviar os olhos de sua esposa.

 

Lucienne hesitou com a ordem, lançando um olhar preocupado para Briely, mas acabou saindo com Elyndra, fechando a porta atrás delas.

O som do clique, ecoou no silêncio opressivo, deixando os dois sozinhos.

 

Briely sentiu o enjoo subir novamente, uma onda de náusea que fez sua cabeça girar.

Ela se curvou, uma mão na boca, o corpo fraco.

Morpheus logo aproximou-se, pegando um pequeno cálice de prata que Lucienne havia deixado sobre a mesa ao lado da cama.

Um aroma herbal, sutil mas reconfortante, vinha do líquido dentro dele. "Beba isso," disse ele, enquanto se sentava ao lado dela. "Vai ajudar com o enjoo, e... acalmar você."

 

Ela o encarou, hesitante em beber aquilo, as lágrimas ainda brilhando nos olhos, mas acabou pegando o cálice com mãos trêmulas.

O líquido estava morno, com um leve gosto de ervas um tanto amargas, mas após alguns goles, a náusea realmente começou a recuar, mesmo que só um pouco.

Ele observava cada movimento dela, os olhos fixos, e, por um momento, algo novo brilhou neles, fascínio e uma alegria sombria, como se visse no ventre dela não apenas um filho, mas o selo definitivo de sua união.

 

Ele se inclinou mais perto, as mãos envolvendo os ombros dela. "Você... vai me tornar pai," ele murmurou, A mão dele desce até a barriga dela, espalmando-se ali como se já pudesse sentir.

Seus lábios encontraram os dela em um beijo profundo, enquanto a puxava para um abraço apertado.

Não foi um beijo gentil. 

Sua mão desceu até a nuca dela, segurando-a com firmeza, enquanto a outra repousava nas costas, como se quisesse fundi-la a ele. O beijo tinha um tom de conquista, um desejo de reivindicar não apenas seu corpo, mas o futuro que ela agora carregava.

Ele recuou apenas o suficiente para encostar a testa na dela, os olhos ainda brilhando. "Minha rainha, você carrega nosso futuro, dentro de você."

 

Briely engoliu em seco, o corpo rígido em seus braços. "Eu não quero isso," ela sussurrou, a voz quebrada, os soluços voltando.

"Eu não escolhi nada, Você escolheu tudo por mim,  Eu... Eu Não quero ser mãe."  As palavras saíram sufocadas, enquanto ela balançava a cabeça, deixando as lágrimas escorrendo livremente.

 

"A culpa é toda sua, que isso está acontecendo, Você fez isso comigo." Ela o acusou, cravando as unhas de leve no braço dele, sua a voz falhando no final. 

“Não quero ter seu filho. Por favor… Só... So tira isso” A voz dela saiu tão pequena, quebrada, parecendo uma criança implorando para acordar de um pesadelo.

Morpheus respirou fundo, o brilho em seus olhos escurecendo por um instante, mas ele manteve a compostura com ela.

Ele  inclinou-se devagar até a boca dele roçar a orelha dela, a respiração quente contra a pele úmida de lágrimas.

“Nunca mais diga isso. ” ele sussurrou um tanto perigosamente. “Você vai carregar o nosso filho”

"Sempre esperei que você carregasse meu filho," ele declara, com firmeza, a voz endurecendo.

Ele segurou o queixo dela com firmeza, forçando-a a manter o olhar preso no dele. "Isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Admito, porém, que achei que teríamos mais tempo... Tempo suficiente pra você se apaixonar por mim, para você se acostumar maís à vida aqui no Sonhar.”

A voz dela subiu. "Me apaixonar por  você? Me acostumar Com a vida aqui?" retrucou ela, em um tom de desespero e muita raiva, tentando puxar o queixo pra trás, mas não conseguiu.

"Eu não tive nenhuma escolha, Você praticamente me forçou  a fazer tudo! Primeiro a  Me casar com você naquele ritual estranho, E como resultado Por sua causa eu não tenho um corpo mais humano, e agora isso... Eu não quero nada disso! "

"Não quero ter esse bebê!" Ela gritou, as mãos instintivamente indo à barriga, como se pudesse rejeitar o que estava acontecendo.

"Eu não posso... por favor, não me faça passar por isso, por favor… eu te imploro… eu não aguento… Eu não estou preparada mentalmente pra isso." As últimas palavras dela saíram como um sussurro suplicante, seus olhos verdes estava cheios de pavor enquanto o encarava.

 

Ele não pareceu nada abalado pela explosão dela, não de verdade. Seus olhos se estreitaram ligeiramente, mas havia uma paciência fria em sua expressão, como se já esperasse essa reação dela, em algum momento.

Ainda assim, sua voz endureceu, um lembrete de quem detinha o poder ali. "Não diga isso, eu entendo que você está com raiva mas, Você vai ter nosso filho, e ponto final.” 

“E Isso vai  acontecer, quer você queira ou não, É nosso destino, nossa ligação. Ele e  o fruto de nossa união, minha querida esposa.” “Você não pode negar isso” Cada palavra era dele era cortante, carregada de uma autoridade que não admitia discussão, enquanto as sombras no quarto pareciam se aprofundar, como se o próprio Sonhar ecoasse sua determinação.

 

Vendo que nao existiria nem sequer uma discussão mais sobre isso, Briely soluçou mais alto, o corpo encolhendo-se sobre a cama, com as mãos ainda na barriga, como se pudesse proteger-se daquela realidade.

O peso da raiva dele, a repreendendo, misturava-se ao seu próprio medo e desespero.

Ela não conseguia parar de chorar, os ombros tremendo violentamente, enquanto o quarto parecia sufocá-la com a escuridão que emanava dele.

O ar parecia mais pesado... mais denso.

Morpheus ficou em silêncio por um momento, a respiração pesada, antes de suavizar a expressão.

Ele a puxou para seus braços, envolvendo-a com uma força que parecia tanto um conforto quanto uma prisão.

"Eu não quero isso, por favor" murmurou ela entre soluços contra o peito dele, agora nem sequer se importando que ele a estivesse consolando.

Sua mente era uma bagunça, e, apesar de ele ser o culpado de tudo, ela se agarrou a ele dedos dela se fechando na camisa dele,  buscando algo sólido em meio ao caos.

"Shh... vai ficar tudo bem," murmurou ele, beijando sua testa e acariciando seus cabelos com uma ternura que parecia deslocada, após suas palavras duras pra ela. "Você não está sozinha nisso. Estou aqui. Vamos passar por isso juntos." 

 

"Como você pode dizer isso?" retrucou ela, a voz rouca de tanto chorar, empurrando-o debilmente, mas sem força real para se afastar. "Você me forçou a tudo isso, Você mentiu pra mim, me enganou, Praticamente me forçou estar aqui, a ser sua esposa, e agora... agora isso, Como posso passar por algo que eu  nunca quis?"

 

"Porque você não tem escolha," respondeu ele sem hesitar.

"Mas eu a prometo, minha amada, que você não enfrentará isso sozinha,  cada segundo. Cada enjoo,  Cada chute. Cada contração. Eu sempre vou estar aqui.” promete ele, levando uma das mãos dela aos lábios.

“Você é a  minha rainha, minha esposa, Este filho é a prova do que somos, de que podemos ser uma família feliz, Eu te protegerei, e a ele também." Ele  completou, colocando a mão na barriga dela. 

 

"Me Proteger?" Ela riu, um som amargo e quebrado, enquanto lágrimas novas escorriam por seu rosto. " Eu nunca deveria ter confiado em você"  "Se eu podesse voltar no tempo, eu nunca iria naquela missão, aí eu nunca acabaria presa com você naquele dia" 

"Você é o motivo de eu precisar de proteção! Eu preciso de proteção de você, Você não entende? Eu não quero sua proteção,não quero nada disso!" Ela tentou se afastar de novo, mas os braços dele não cederam.

 

Os olhos dele escureceram mais uma vez, mas ele não retrucou imediatamente.

Em vez disso, apertou-a mais contra o peito, como se pudesse silenciar suas palavras com sua presença. "Você só está assustada," ele disse, por fim. “ Mas o medo passa. O tempo cura. E  eu tenho tempo demais, nos agora temos tempo demais minha amada”.

“ Eu tenho a eternidade pra te dobrar, ou te conquistar.”acrescentou baixinho.

"E eu entendo o seu medo. Mas o tempo vai te mostrar que isso é inevitável.” ele continua, passando os dedos pelos cabelos molhados dela.

“O Sonhar precisa de um herdeiro. Eu preciso de um herdeiro nosso. E você... você foi escolhida para isso por mim, Você e a minha esposa." 

"Eu amo tanto, Você só...demorou pra descobrir os meus sentimentos por você, eu Nunca aceitaria que você me negasse afinal você e minha desde o momento em que nossos caminhos se cruzaram naquele sonho."

Ele inclinou a cabeça, lembrando.  "Você se lembra? Do nosso primeiro sonho? Eu me lembro vividamente, Você me chamou de, deus menor." 

"Eu claro que eu lembro" pensa ela amargamente não o respondendo, "se eu soubesse que isso aconteceria, eu fazeria pior,  eu mandaria você se ferrar'' Ela ergueu o rosto, os olhos vermelhos e cheios de ódio misturado com desespero.

"Eu não escolhi nada até agora,  Você simplesmente decidiu tudo por mim! E agora... agora não tem geito, eu estou presa a isso, presa a você, pra sempre!"

 

"Sim," admitiu ele, sem hesitação, o olhar fixo no dela, a escuridão do quarto parecendo pulsar ao redor deles.

"Você está presa a mim. Assim como eu estou preso a você. Essa ligação, esse filho... é maior do que nós dois. Mas, Você vai aprender a aceitar, mesmo que leve tempo." Ele afirma, com a voz calma e inabalável.

 

"Que encantador,  Devo estar grata por tamanha devoção inabalável?  por essa sua obsessão por mim ? Eu nunca vou aceitar," ela sussurrou com a voz falhando, e o corpo ainda tremendo em seus braços. " Eu não vou Nunca."

 

"Você vai," retrucou ele sem hesitar, a certeza em sua voz como uma lâmina fria. “Porque eu não te dou outra opção, Além disso, Você vai amar ele.” 

“E você, minha amada vai me amar de volta.”, ele completou, o tom quase suave no final. “Eu tenho uma paciência infinita afinal” 

 

Ele beijou a testa dela. um beijo lento e pesado.

 

“O nosso filho vai nascer, na verdade... você vai colocar todos os nossos filhos que tivermos no mundo.”

“Vai sentir cada chute,  Vai sentir eles crescendo dentro de você dia após dia,  Vai ouvir o coração deles batendo junto com o seu.” 

“E no dia do parto, você vai sorrir quando eu colocar ele nos seus braços.”

“E você vai amar ele.”

Ele deslizou a mão até a barriga dela. “E um dia, eu tenho certeza que você vai me agradecer por ter te dado o maior presente que alguém pode dar.”

“Um dia minha amada, você vai colocar nessa sua cabeça dura e entender que não existe fim pra nós, que a sua antiga vida não tem mais volta,  Você nunca  vai ser livre de mim e da nossa família”.

"Porque não há outro caminho,  Mas até lá, estarei aqui esperando, Mesmo que você Chore não vai muda o que está feito, meu coração,  Nem a sua raiva. Então, descanse. E  Deixe-me cuidar de você." Ele a puxou contra o seu peito, apertando até os ossos dela doerem.

Ela não  o respondeu, se rendendo, os soluços voltando com força, enquanto se encolhia contra ele, exausta demais para lutar.

 

Chapter 14: Eu salvo a Rose e ainda ganho um “você deveria estar descansando”

Chapter Text

 

   

 

 

 

O silêncio no quarto era pesado, interrompido apenas pelos soluços baixos de Briely, ainda aninhada contra o peito de Morpheus.

Ele a segurava com firmeza, uma das mãos acariciando seus cabelos enquanto murmurava contra sua testa.

Ela tremia inteira, o rosto enterrado na camisa dele, encharcando o tecido.

“Shh, está tudo bem. Deixe sair, minha rainha. Estou aqui.” Sua voz era grave, quase hipnótica, enquanto a consolava, deixando-a chorar até que as lágrimas parecessem se esgotar.

Após um longo tempo, os soluços de Briely diminuíram, seu corpo exausto enquanto ela mantinha o rosto escondido contra ele.

 

Ela pensou em sua mãe, um desejo profundo apertando seu coração. “Eu queria tanto que fosse a minha mãe aqui comigo agora. Eu sinto tanta falta dela, Ela saberia o que me  dizer.

A saudade era uma dor aguda, uma âncora que a puxava para um passado que parecia cada vez mais distante.

 

Morpheus pareceu perceber a mudança em seu silêncio. Ele inclinou a cabeça, os olhos escuros buscando os dela.

“O que está passando pela sua mente, minha amada?” Perguntou. “Você parece perdida em pensamentos.”

 

Ela hesitou, mordendo o lábio antes de responder, a voz fraca. “Eu... eu só queria que minha mãe estivesse aqui. Ela entenderia. Saberia como me ajudar a lidar com isso.”

O vínculo latejou entre eles, quente, pesado, como uma corrente sendo apertada.

Ele ficou em silêncio por um momento, os dedos ainda entrelaçando-se em seus cabelos. “Sua mãe não está aqui.  E nunca vai estar.” disse, por fim, o tom firme, mas não cruel.

“Mas eu estou. E prometo que não enfrentará isso sozinha. Você não precisa de mais ninguém além de mim agora.”

 

Briely fechou os olhos, a dor de sua ausência misturando-se com a frustração. “Você não entende, Morpheus. Não é a mesma coisa. Ela era... ela é minha família de verdade. E eu estou tão sozinha aqui.”

 

“Você não está sozinha,” retrucou ele, e sua  a voz endureceu por um instante antes de suavizar.

 

“Você tem a mim. E agora, e em breve nosso filho. Isso é sua família agora. A única que  vai existir.” 

“Eu sei que não é o que você queria ouvir, mas é a realidade. Aceite isso, e será mais fácil.”

“Quanto mais cedo você aceitar isso minha amada esposa, menos vai doer, eu sou tudo que você tem agora.”

 

 

 

Ela não respondeu, apenas deixou a cabeça repousar contra ele, o peso de suas palavras esmagando-a ainda mais.

Eu nunca mais vou ver eles nenhum deles, Eu nem sequer tenho mais o meu corpo humano de verdade…  tudo por causa dele. ”

Uma lágrima escorreu, lenta de seus olhos.

“Os deuses sempre fodem Tudo, você tinha razão Luke…” pensou amarga.

“Um Perpétuo — alguém que não deveria sentir como nós, que não foi feito para amar desse jeito.”

“Mas ele sente. Ele me ama com uma intensidade que machuca. E eu… eu só queria minha vida de volta.”

Ela apertou a barriga com as mãos trêmulas.

“Que ironia, né?”

Ela deixou a cabeça cair contra o peito dele, sem força pra lutar mais.

“Porque ele estava certo. E isso era o pior de tudo.”

 

 

 

 

 

 

 

Um estrondo distante ecoou pelo Sonhar, fazendo as paredes dos aposentos reais tremerem.

Briely se encolheu, seu corpo tenso, enquanto Morpheus ergueu a cabeça, os olhos estreitando-se com uma mistura de irritação e urgência.

 

Ele hesitou por um momento, claramente dividido.

Ele Não podia deixá-la sozinha, não agora, não depois de descobrir sobre a gravidez.

Com cuidado, ele a deitou de volta nos travesseiros, mas não se levantou de imediato.

“Não posso ficar aqui agora,” disse ele, a voz pesada.

“Mas também não posso deixá-la sozinha.”

 

Outro estrondo ressoou, mais forte dessa vez, fazendo o lustre acima deles vibrar. Briely levantou os olhos.

“O que está acontecendo?” perguntou, trêmula, enquanto tentava se sentar.

 

Morpheus colocou uma mão em seu ombro, mantendo-a deitada. “Não se preocupe com isso. Algo está perturbando o equilíbrio do Sonhar. Vou resolver isso rapidamente.”

 

“Então vá,” disse ela, a exausta 

Ele sacudiu a cabeça, os olhos fixos nela.

“Não vou deixá-la. Muito menos agora. Não depois do que acabamos de descobrir.”

 

Briely suspirou, os olhos baixando para as mãos que tremiam no colo.

“Deixe Lucienne ficar comigo, então. Ela pode me fazer companhia.”

 

“Lucienne tem trabalho a fazer,” respondeu ele. “Ela está ocupada mantendo a ordem na biblioteca.”

 

“E Matthew, então?” perguntou. “Ele pode ficar aqui.”

 

“Matthew está vigiando o vórtice,” respondeu “Ele tem suas próprias responsabilidades.”

 

Briely respirou fundo.

“Então me deixe sozinha. Eu não preciso de ninguém. Eu  Só quero ficar na cama.”

 

“Não,” disse ele, as palavra saindo como uma ordem.

“Não vou deixá-la sozinha nesse estado.”

 

Outro estrondo ecoou, mais próximo agora.

 

“Venha comigo, então,” começou ele, mas Briely o interrompeu, a voz fraca, mas firme.

 

“Não. Eu não me sinto bem. Por favor, eu só quero ficar na cama. Não quero ir a lugar nenhum agora.”

 

 

 

Ele a encarou por um longo momento, os olhos escuros avaliando-a.

Por fim, suspirou, a expressão suavizando.

“Está bem. Vou chamar Elyndra para lhe fazer companhia. Ela pode chamar Lucienne se você precisar de algo.”

 

Briely assentiu, exausta demais para discutir. Morpheus se inclinou, depositando um beijo gentil em sua testa.

“Fique aqui. Não se mova até eu voltar. Vou trazê-la agora.”

 

“Eu não vou a lugar nenhum,” murmurou ela, os olhos semicerrados enquanto o observava. “Pra onde eu iria agora?”

“Eu voltarei antes que perceba,” prometeu ele. “Mas preciso que descanse. E  Não se preocupe com nada além disso.”

 

Ele se levantou rapidamente, saindo pela porta com passos firmes.

Momentos depois, voltou com Elyndra atrás dele. A curandeira entrou, inclinando a cabeça em respeito.

“Minha rainha,” disse ela, preocupada.

“Como a senhora está se sentindo agora?”

 

Briely apenas murmurou algo incompreensível, os olhos ainda fixos no vazio.

Morpheus lançou um olhar para Elyndra antes de falar. “Fique aqui com ela,” ordenou, seus olhos fixos em sua esposa.

“Ajude-a. Cuide para que ela tenha o que precisa enquanto resolvo os distúrbios no Sonhar. Eu voltarei logo.”

 

Elyndra assentiu, aproximando-se da cama com uma expressão de compreensão.

“Sim, meu rei. Eu cuidarei dela com todo o meu empenho.”

 

Morpheus, então, inclinou-se sobre Briely, seus lábios tocando os dela em um beijo inesperado, cheio de carinho, um contraste com a urgência em seus movimentos.

Sua mão desceu até a barriga dela, acariciando-a. “Eu voltarei,” murmurou contra seus lábios, a voz quase um sussurro.

“Cuide de si mesma e do nosso filho enquanto estou fora.”

 

Briely não respondeu, apenas fechou os olhos, o toque dele ainda reverberando em sua pele enquanto ele se levantava e deixava o quarto, a porta fechando-se com um clique baixo.

 

Elyndra sentou-se ao lado da cama, ajustando uma pequena bandeja com um cálice de líquido herbal que havia trazido consigo.

“Minha rainha, posso fazer algo por você agora?” perguntou, a voz gentil.

“Talvez outro gole deste chá? Ele ajudará com a náusea.”

 

Briely balançou a cabeça lentamente, seus  olhos ainda estavam distantes.

“Não, obrigada. Eu só... quero ficar quieta por um tempo.”

 

“Entendo,” disse Elyndra, recuando um pouco, mas mantendo-se atenta.

“Mas estou aqui se precisar conversar. Ou se sentir qualquer desconforto.”

 

Briely virou o rosto para ela, os olhos marejados.

“Por quê? Por que isso está acontecendo comigo? Eu não pedi por isso. Não quero esse filho, Elyndra. Não quero nada disso.”

 

Elyndra hesitou, escolhendo suas palavras com cuidado.

“Eu sei que é difícil, minha rainha. Sei que não escolheu este caminho. Mas está acontecendo, e... talvez, com o tempo, você encontre um jeito de aceitar.”

“Não pense nisso como uma prisão, mas como algo que pode ser seu, de alguma forma.”

 

“Meu?” Briely soltou uma risada amarga, seus  dedos apertando os lençóis.

“Como algo pode ser meu se eu não escolhi? Ele decidiu tudo. Ele decidiu que eu seria sua rainha, que eu teria esse filho. E eu... eu não, Não tenho escolha.”

 

“Talvez não tenha escolha sobre o que está acontecendo,” respondeu Elyndra calma.

“Mas tem escolha sobre como enfrentará isso. Pode lutar contra cada passo, ou pode tentar encontrar paz dentro do que não pode mudar.    Não estou dizendo que será fácil.”

 

Briely ficou em silêncio, as lágrimas voltando a escorrer por suas bochechas.

“Eu não sei como fazer isso. Não sei como encontrar paz em algo que parece tão... sufocante.”

 

Elyndra baixou os olhos por um momento, antes de responder. “minha rainha. Tente viver  um dia de cada vez.”

“Um dia de cada vez,” repetiu Briely, a voz fraca, quase vazia. “Isso parece impossível agora. Tudo parece impossível.”

 

“Não é impossível,” disse Elyndra, estendendo a mão para tocar a dela, um gesto de conforto.

“É apenas novo. E assustador. Que tal tomar um pouco de água? Ou talvez ajustar os travesseiros para que fique mais confortável?”

 

Briely suspirou, os ombros relaxando ligeiramente. “Tudo bem. Ajuste os travesseiros, por favor.”

Elyndra sorriu de leve, movendo-se para arrumar os travesseiros atrás dela.

“Assim está melhor?” perguntou, cheia de cuidado.

 

“Sim... um pouco,” murmurou Briely, fechando os olhos por um momento. “Obrigada.  e se eu nunca conseguir aceitar isso? E se eu nunca parar de sentir essa raiva, esse medo?”

 

“Um passo de cada vez, minha rainha.  enfrente o hoje. O amanhã pode esperar.”

 

Briely não a respondeu, apenas deixou as palavras da curandeira pairarem no ar.

 

 

 

 

 


 

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Enquanto atravessava os corredores do palácio, Morpheus sentiu outro tremor, mais forte, como se o tecido do Sonhar estivesse sendo rasgado.

As sombras ao seu redor pareciam vibrar, inquietas, refletindo a turbulência que assolava seu reino.

Ele encontrou Lucienne na biblioteca, os livros tremendo nas estantes enquanto pequenos fragmentos de vidro caíam de uma janela próxima, o som tilintando como um aviso no ar.

 

“Meu senhor,” Lucienne começou, ajustando os óculos com uma calma tensa, embora seus olhos traíssem preocupação. “Os distúrbios estão piorando. Presumi que fosse algo que o senhor...”

 

“Não sou eu,” ele a interrompeu, a voz como um trovão baixo, cada palavra carregada com uma autoridade sombria.

“Diga-me, Lucienne, você tem alguma teoria sobre a origem disso?”

 

Ela hesitou, os lábios apertados por um momento, antes de responder com cautela. “Falando estritamente como bibliotecária, sim. Mas o senhor não vai gostar do que tenho a dizer.”

 

“Prossiga,” ordenou ele, os olhos escuros fixos nela, a postura rígida como se já estivesse se preparando para o que viria.

 

Lucienne respirou fundo, ajustando um tomo que ameaçava cair da estante próxima.

“Sei que está esperando que o vórtice o leve até os Arcanos desaparecidos, como o Corinthian e o Fiddler’s Green. Mas enquanto espera, ela está rachando as fundações deste reino. Rose Walker pode não ter causado danos antes, mas algo mudou. Algo novo está aqui, e se não foi o senhor quem o criou… como chegou ao Sonhar? Não consigo encontrar registros de uma força externa tão poderosa em nossos arquivos, e isso me inquieta.”

 

Morpheus ficou em silêncio por um momento, o rosto uma máscara de pedra, impenetrável.

Seus olhos, no entanto, brilharam com uma intensidade sombria, como se estivesse processando cada palavra. Então, com um aceno breve, disse,

“Diga a Matthew que preciso de notícias de Rose Walker. Imediatamente. Quero saber cada movimento dela, cada perturbação que sua presença causa.”

 

Lucienne assentiu, o rosto sério. “Sim, meu senhor. Vou informá-lo agora mesmo. Mas permita-me sugerir cautela. O vórtice não é algo que podemos controlar facilmente, e se ela for a fonte...”

“E sei o que devo fazer. Apenas garanta que Matthew me traga respostas. Não temos tempo para hipóteses sem provas.”

 

“Como desejar,” respondeu Lucienne, inclinando a cabeça antes de se voltar para cumprir a ordem.

Morpheus partiu,  a sua mente  estava dividida entre os problemas do reino e a imagem de sua esposa, sozinha em seus aposentos, carregando o que ele tanto desejava.

 

 

 

Mais tarde, Morpheus confrontou Lyta e Hector.

Ele entrou no sonho onde os dois estavam, sua presença imponente enchendo o espaço como uma tempestade silenciosa.

O ar parecia se condensar ao seu redor, carregado com o peso de sua autoridade. Lyta, grávida e assustada, segurava Hector, um fantasma que se recusava a abandonar o Sonhar, os dois envoltos em uma ilusão frágil de segurança.

 

“Lyta, você se lembra que eu te contei sobre Lorde Morpheus, o Rei dos Sonhos?” disse Rose, presente no sonho, tentando mediar, sua voz vacilante enquanto a tensão se tornava palpável.

Ela estava ao lado de Lyta, os olhos cheios de preocupação, mas também de um crescente temor pelo que o Rei dos Sonhos poderia fazer.

 

Morpheus nem sequer olhou para Rose de imediato, seus olhos fixos em Lyta e Hector.

“O que você quer?” perguntou Lyta, a voz trêmula, mas carregada de um desafio desesperado enquanto apertava as mãos de Hector com força.

 

“Quero que vão embora,” respondeu Morpheus, sua voz fria e implacável, cada palavra cortando o ar como uma lâmina.

“Um fantasma não pode escapar de seu destino se escondendo no Sonhar. Nenhum ser humano vivo pode fugir de sua dor aqui. Vocês não veem o dano que sua presença causa a este reino? Não posso permitir que fiquem. Vocês estão desestabilizando o tecido dos sonhos.”

 

Hector olhou para Lyta, os olhos cheios de dor e resignação.

“Há algo que possamos fazer?” perguntou ele, enquanto tentava manter a compostura diante do inevitável.

 

“Você pertence aos mortos,” declarou Morpheus, sem ceder, sem um pingo de hesitação.

“Deve ir ao local designado para você. Sinto muito, mas precisam se despedir agora. Não há escolha.”

 

“Não,” Lyta soluçou, agarrando-se a Hector com desespero, os dedos tremendo enquanto tentava manter sua forma sólida contra si.

“Não vou perder você de novo. Eu não posso!”

 

“Eu te amo muito,” murmurou Hector, sua voz embargada, os olhos brilhando com lágrimas que não podiam cair.

“Você não vai a lugar nenhum,” insistiu Lyta,  quebrando enquanto o encarava, como se pudesse desafiar a própria morte.

 

Mas Morpheus não se moveu, sua presença uma sentença inabalável.

“Saiam da nossa casa,” gritou Lyta, desesperada, as lágrimas escorrendo por seu rosto enquanto apontava para ele, o corpo tremendo de raiva e dor. “Lyta—” tentou Hector, sua voz fraca, tentando acalmá-la, mas foi interrompido.

 

“Suficiente,” cortou Morpheus, sua voz como um decreto final, reverberando pelo sonho como se fosse a própria lei do Sonhar.

“Diga… diga ao bebê que eu—” Hector começou, a voz falhando enquanto tentava deixar uma última mensagem, mas sua forma começou a se desfazer, dissolvendo-se no ar como fumaça ao vento enquanto Lyta gritava, o som rasgando o espaço ao redor.

“Não! Por favor! Pare! Hector! Não o leve!”

 

Rose, que observava horrorizada, deu um passo à frente, os olhos arregalados de choque.

“Sonho, por favor, pare! Não! Hector!” implorou ela, a voz cheia de angústia, mas era tarde demais.

Lyta caiu de joelhos, soluçando descontroladamente, as mãos estendidas para o vazio onde Hector estava apenas a alguns momentos antes.

 

Morpheus olhou para ela, os olhos descendo até sua barriga, onde a nova vida crescia.

“Seu marido morreu há muito tempo. Ele era um fantasma, e isso é um sonho.”

“O bebê é seu… por ora,” disse ele, o que fez a Lyta congelar.

 

“O que você quer dizer com ‘por ora’?” perguntou Lyta,  trêmula, cheia de medo, enquanto suas mãos instintivamente protegiam a barriga.

 

“Essa criança foi concebida no Sonhar. Ela é minha. E um dia, eu irei buscá-la,” declarou Morpheus, como se estivesse apenas constatando um fato irrefutável.

 

“Não, você não vai,” retrucou Lyta, os olhos cheios de ódio e terror, a voz subindo em um tom de desafio enquanto se levantava, trêmula.

“Você não tem direito sobre meu filho!”

 

Rose interveio, furiosa, dando um passo à frente para encarar Morpheus.

“Você matou meu amigo na frente da esposa dele e agora ameaça tirar o bebê dela? Não quero que chegue perto de mim ou dos meus amigos nunca mais! Como você pode ser tão cruel?”

 

“Rose, me escute,” tentou Morpheus, firme, tentando impor sua autoridade, mas ela o cortou sem hesitação.

 

“Não! Não pedi nada disso. Deixe meu mundo em paz! Você não tem o direito de destruir nossas vidas assim!” gritou ela, com os punhos cerrados, o rosto vermelho de raiva e dor.

 

“Este sonho acabou,” finalizou ele, cortante, encerrando a interação.

O espaço ao redor começou a se desfazer, as bordas do sonho colapsando enquanto Morpheus se retirava, deixando Lyta e Rose em meio a seus próprios tormentos.

Sua mente, porém, não se desviou por completo. seus pensamentos voltaram brevemente a sua esposa, à nova vida que ela carregava, um contraste amargo, Havia muito a ser feito, e o equilíbrio do Sonhar exigia sua mão firme, custasse o que custasse.

 

 

 

 

De volta ao Sonhar, Morpheus retornou aos aposentos reais, sua presença enchendo o quarto antes mesmo de ele falar. Elyndra, que ainda estava ao lado de Briely, levantou-se imediatamente. “Meu senhor,” disse ela, inclinando a cabeça com respeito.

 

“Pode nos deixar, Elyndra,” ordenou ele, Ela assentiu, saindo silenciosamente e fechando a porta atrás de si com um leve clique que ecoou no silêncio do ambiente.

 

Briely o encarou, os olhos ainda vermelhos, as mãos repousando sobre o colo.

“Os tremores passaram a algum tempo. Você resolveu?”

 

“Sim, está tudo resolvido, minha rainha,” respondeu Morpheus, sentando-se ao lado dela na beira da cama.

Seu rosto permanecia sério, mas havia uma sombra de tensão em seus olhos. Ele colocou a mão sobre a barriga dela, acariciando-a suavemente.

“Há algo que você deve saber. No mundo desperto, uma mulher humana chamada Lyta ficou grávida em um sonho, por causa do vórtice. Confesso que não esperava por isso. O vórtice está enfraquecendo as paredes entre os reinos de formas que não previ.”

 

Briely arregalou os olhos. “Uma humana… grávida em um sonho? Como isso é possível?”

 

“É o poder do vórtice, Rose Walker,” explicou ele, a voz baixa e grave.

“Ela distorce as barreiras do Sonhar, criando possibilidades que não deveriam existir.”

 

Ela engoliu em seco, processando a informação. “E o que você vai fazer com ela agora? Com essa mulher, Lyta?”

 

Morpheus a olhou diretamente nos olhos, o tom implacável. “Deixarei o bebê com ela, por ora. Mas ele foi concebido no Sonhar. Portanto, pertence a mim. E um dia, irei buscá-lo.”

 

Briely ficou em silêncio, o coração apertado. Não discutiria isso com ele, mas sentiu uma pequena pena de Lyta, uma mulher humana enfrentando algo tão além de sua compreensão ou controle.

Seus olhos baixaram para as mãos dele, que ainda descansavam sobre sua barriga, o paralelo entre as duas situações a inquietando. “E se… e se Rose Walker tiver influenciado algo em mim? Isso seria possível, não acha?” perguntou, a voz hesitante, quase um sussurro.

“Poderia ser uma possibilidade? Não acha?” acrescentou, com um fio de esperança na voz.

 

Morpheus inclinou a cabeça, suspirando levemente antes de responder.

“Não, minha amada esposa. Ela teria que ter contato direto com os seus sonhos, e isso é algo que eu zelo com extremo cuidado, Eu controlo cada sonho seu. E Eu protejo todos os seus sonhos. Isso nunca aconteceria.”

Ele fez uma pausa, os olhos fixos nela. “Foi uma coincidência, apenas isso. Não há conexão entre o que aconteceu com Lyta e o que temos aqui.”

 

Ele a observou por um instante, percebendo a sombra em seu semblante, e aproximou-se mais. Envolveu-a em um abraço, seus braços firmes, mas gentis, buscando transmitir segurança.

“Eu sei que é difícil para você acreditar, mas nós o fizemos juntos. Nada interferiu nisso.”

 

Erguendo o rosto, perguntou com a voz mais suave.“Você está melhor?”

 

Ela hesitou por um momento, mas respondeu: “Estou melhor do que antes. Ainda me sinto… fraca, perdida.”

 

Morpheus assentiu, satisfeito com a resposta. “Você não está sozinha nisso. Estou aqui, e sempre estarei. E Você vai ficar bem, meu coração. Vou cuidar de você, e logo você estará completamente recuperada.”

 

Ele a puxou para mais perto, inclinando-se para beijá-la nos lábios.

O beijo começou lento, deliberado, os lábios dele firmes contra os dela, explorando com uma contenção que escondia uma profundidade de emoção.

Briely recuou,hesitante, e murmurou: “Você acha que isso vai mudar o que sinto? Eu ainda te odeio, eu odeio o que você fez comigo.”

mas Morpheus segurou seu rosto suavemente, a voz baixa e persuasiva.

Odeie-me quanto quiser, minha  rainha. Mais  Você nunca vai se livrar de mim. seu corpo não mente. E Seu coração já está começando a entender a quem pertence.”

“Pare de lutar contra isso e se entregue. Deixe-se levar, esposa. Entregue-se a mim, só sinta isso.”

“Você já é minha esposa. e agora carrega meu filho.  Você dorme nos meus braços todas as noites. Até quando vai fingir que me odeia?”

Ele a beijou novamente, mais insistente, a mão deslizando pelo rosto dela.

enquanto manipulava a tensão entre os dois.

“Deixe-me confortá-la. Só esqueça tudo por um momento.”

 

“Como? Como eu posso—” começou ela,  trêmula, mas ele a interrompeu com outro beijo, mais profundo, silenciando suas dúvidas.

“Eu não consigo esquecer que eu não pedi por isso, por nada disso.”

“Você não pediu,” ele sussurrou, beijando o canto da boca dela, o maxilar, o pescoço “E agora você está aqui…”

 

 

Ele pegou as mãos hesitantes dela, guiando-as até seu rosto, fazendo-a sentir sua pele sob os dedos.

“Esqueça sua raiva por mim por um instante. Aproveite o momento,” murmurou, inclinando-se para beijar seu rosto e descer pelo pescoço, os lábios quentes contra sua pele.

“Você vai  me dar , um pequeno príncipe ou uma pequena princesa. Pense nisso agora.”

 

Briely, com os olhos marejados, balançou a cabeça, chorosa. “Eu não quero pensar nisso… não agora. Eu não quis isso.”

 

Mas Morpheus insistiu, com voz firme, embora ainda carregada de um tom sedutor.

“Você não tem escolha, minha rainha. Aceite logo”

“Sei que anda fingindo em certos momentos, mas há horas em que suponho que você não consegue.” Ele riu baixo,  em seu ouvido enquanto se aproximava mais.

“Sua tática comigo funciona, é claro. Eu Não resisto a você. E Você muda de humor de tempos em tempos, e eu… adoro isso.”

Eles se separaram um pouco, e ela respirou, meio sem fôlego. “Você sempre faz o que quer … Sempre… mesmo quando eu luto… mesmo quando eu grito que não quero…” murmurou ela  de vulnerável e frustrada.

Briely ergueu o rosto, seus olhos estavam vermelhos e inchados.

“Eu tenho  medo de você…” confessou. “E ao mesmo tempo… eu estou tão cansada de lutar.”

“Então pare de lutar,” ele disse beijando o topo da cabeça dela repetidamente, “Só… me deixa te amar.” 

“Eu destruiria mundos inteiros se alguém ousar tentar tirar você de mim.”

“Eu te amo tanto que dói. Tanto que isso me corrompe. Eu te daria tudo que  você me pedisse…”

“Só… me deixa te amar”

Ela chorou baixinho contra o peito dele, os punhos ainda cerrados na camisa, não afastando.

“Olha pra mim,” ele pediu.

Ela obedeceu sem pensar, não afastando.

Ele esboçou um leve sorriso, quase imperceptível, os olhos fixos nos dela.

E em seguida Levou a mão dela até os próprios lábios, beijando cada dedo dela.

“ Quero que não Lute mais contra mim, Você já lutou o bastante, minha rainha.  Cada grito seu, cada ‘não’… tudo isso só me amarrou mais a você. É o que nos une .”

Ele Segurou a mão dela por um momento,  firme e  gentil.

“Vou deixá-la descansar agora. Você precisa disso mais do que nunca.”

 

Ela assentiu, os olhos ainda carregados de pensamentos não ditos.

“Talvez… só descansar me ajude. Minha cabeça está um caos.”

 

Ele a ajudou a deitar completamente, ajustando os travesseiros sob sua cabeça com um cuidado.

“Venha,” disse ele, deitando-se ao lado dela e a puxando para si. Briely encostou a cabeça no peito dele,  enquanto ele acariciava seus cabelos com dedos leves.

 

Briely não resistiu, exausta demais para protestar.

Mesmo que uma parte dela sentisse que o conforto dele parecia errado, era o único que ela  tinha no momento.

Sua saúde mental não estava bem, e ela sabia disso. Lidar com monstros e deuses a tornara resiliente em alguns aspectos, mas emocionalmente ela  sempre foi frágil, e ultimamente ela estava esgotada além do limite.

“Eu não sei como aguentar isso,” murmurou ela, contra o peito dele.

“Tudo parece… e demais pra mim. Você, e agora eu estou grávida. Eu não queria isso, não mesmo.

Tudo que eu queria era voltar pra casa pra  minha mãe, meu irmão… minha minha família.”

 

Morpheus continuou acariciando seus cabelos, mas uma leve irritação passou por seus olhos.

Ele não ficou verdadeiramente bravo, mas o fato de ela nunca ter aceitado plenamente que ele era sua família agora o incomodava.

Ainda assim, ele sabia que ela era teimosa e até um pouco impertinente, e, de certa forma, amava isso nela.

“Eu sou sua família agora, Eu sou sua casa agora. Mais Você vai perceber isso com o tempo, até nosso filho nascer. Sei que você é teimosa, isso é parte do que me atrai em você,” disse ele, a voz controlada, com um toque de diversão.

 

“E se eu nunca aceitar?” perguntou ela, com  voz já mais lenta, os olhos começando a se fechar enquanto o peso do dia a puxava para o sono.

“ Mais Você já está” respondeu ele, a voz um sussurro baixo, quase uma melodia.

“Olha pra você aqui agora. Deitada no meu peito. Deixando eu te tocar. Deixando eu te segurar enquanto chora. Isso é aceitar, minha rainha. O resto é só… tempo.”

Ele beijou a testa dela, delicadamente.

“Durma,” ordenou, suavemente.

“Tecerei os sonhos mais lindos pra você Hoje,   eu vou tecer sonhos tão doces que você vai acordar amanhã com saudade deles.Apenas se entregue, meu amor.”

Morpheus inclinou-se sobre ela de novo, seus lábios tocando suavemente a testa dela em um beijo leve, quase reverente.

Ele permaneceu assim por um instante, como se quisesse gravar aquele momento na mente — sua esposa dormindo nos braços, ela e o seu presente do universo.

como ele gostava de pensar.

Ele Acariciou a barriga dela novamente, o futuro filho ou filha ali dentro trazia pensamentos de seu filho Orpheus à tona.

Ele jurou a si mesmo que nada de mal aconteceria a esta criança, não como aconteceu antes.

Ele Ficou ali por horas, dentro do sonho de sua esposa, criando visões de uma família futura para ela, imagens de serenidade e união, antes de finalmente se levantar, mesmo relutante em deixá-la.

 

Havia assuntos no Sonhar e no mundo desperto que exigiam sua atenção, e ele não podia mais adiar.

Ainda assim, uma parte de sua consciência permaneceu com Briely, cuidando dela em seus sonhos, o que lhe dava tempo para resolver o que precisava. Enquanto ele deixava  Briely em um  repouso temporário.

 

 


 

₊˚.༄🌊₊˚.༄ 𓆝 ✮ ✮ 𓅨 ✮ ✮ 𓆞 ༄₊˚.🌊༄₊˚

 


 

Algum tempo depois, Briely despertou sozinha no vasto quarto real do Sonhar.

A luz suave que fluía pelas janelas, ela sentiu o corpo mais leve, mas ainda inquieta com os acontecimentos antes de adormecer.

Sentando-se na cama, ela se lembrou do toque de Morpheus, de como ficava vulnerável com ele.

Nos seus  sonho, ele estava lá, ela podia sentir a sua presença.

Ela Passou a mão pelo rosto, pensando que essa era a nova vida dela agora. E que Nem sonhar em paz ela poderia.

“Que maravilha, até meus sonhos têm um guardião particular. Privacidade? Eu Nunca ouvi falar,” murmurou revirando os olhos  enquanto tentava dissipar a tensão em seu peito.

A a verdade aquela que ela odiava admitir era pior. Ela Tinha se sentido segura.Tinha deixado o corpo relaxar contra o dele. Tinha, por um segundo cruel, desejado que o sonho continuasse. E isso a aterrorizava.

“Eu estou ficando louca,” sussurrou. “Ou pior… eu estou começando a me acostumar.”

 

 

Ela Ficou ali por um tempinho, perdida em pensamentos, até que se levantou e dirigiu-se ao banheiro.

Enquanto tomava banho e se arrumava  vestiu um Vestido azul que era bonito, realçando sua figura delicada.

Olhando-se no espelho, sua mão  repousou por um instante sobre a barriga. Uma criança.

Pelos deuses, Eu vou ter um bebê e com o Morpheus,” pensou, e a apreensão já estava  atravessando o seu rosto.

Suspirando, ela decidiu que não ficaria confinada ao quarto. Ela Precisava se distrair disso, especialmente agora, e isso era ainda melhor porque ele não estava por perto.

Ela Pensou em ir ao jardim que ele lhe deu  de presente, mas hesitou. Ela  Não queria ficar sozinha. Em vez disso, decidiu ir à biblioteca do Sonhar, onde Lucienne deveria estar.

 

Ao entrar, o aroma de pergaminhos antigos e o som de páginas sendo viradas a recebeu.

Lucienne estava lá, conversando com uma mulher mais velha de presença serena. Quando Lucienne percebeu sua chegada, seus olhos se estreitaram com preocupação, mas ela inclinou a cabeça em respeito.

“Minha rainha, você deveria estar descansando agora,” disse Lucienne firme, porém gentil.

 

Briely ofereceu um leve sorriso, ajustando o vestido azul  sobre os ombros.

“Não preciso. Estou me sentindo bem, Lucienne. De verdade.”

 

A mulher mais velha, chamada Unity Kincaid, até então observando em silêncio, ergueu uma sobrancelha, claramente surpresa.

“Rainha? Então você é a esposa do Rei dos Sonhos?” Seus olhos percorreram Briely, notando a beleza etérea que parecia envolver a jovem como uma aura.

“É um prazer conhecê-la, eu me chamo Unity Kincaid. Você é... diferente. Há algo em você que não consigo definir.”

Briely sorriu meio desconfortável com a atenção. “Obrigada. Não me sinto muito como uma rainha, para ser sincera. E você é a avó da Rose, não é? É um prazer conhecê-la também.”

 

Unity assentiu com um leve sorriso. “Sim, sou eu mesma. A bisavó de Rose Walker.”

“E Onde está o  Morpheus?” perguntou Briely a Lucienne, desviando o olhar para a bibliotecária.

Lucienne hesitou por um momento antes de responder, sua expressão se tornando mais grave.

 

“Ele está resolvendo a situação do vórtice. Uma questão bastante delicada e perigosa, minha rainha.”

 

“A situação da Rose não foi resolvida? Os tremores passaram,” questionou Briely, franzindo a testa.

“Isso É delicado, minha rainha,” respondeu Lucienne, cautelosa.

 

“Delicado como?” perguntou Briely, sentindo um aperto no peito.

“O que está acontecendo?”

Lucienne suspirou, claramente relutante em revelar mais, mas sabendo que não podia evitar a verdade.

“Rose Walker, o vórtice, precisa ser detida. Minha rainha, ele planeja matá-la para salvar o Sonhar e o mundo desperto.”

 

“Matá-la? Ele vai matá-la?” Briely exclamou, seus olhos se arregalaram de incredulidade. “Lucienne, isso não... Ele não pode fazer isso!”

 

Unity, ainda observando, colocou uma mão reconfortante no ombro de Briely.

“Ele é seu marido, não é? Certamente você poderia ajudar com essa questão. Talvez ele ouça sua voz, sua influência.”

Briely balançou a cabeça, a frustração misturada com desespero em sua expressão. “Ele não vai me ouvir, Unity. Eu realmente não sei como  poderia   ajudar  você nisso.”

“Você não como ele é Ele faz o que quer, sempre fez.”

Lucienne interveio, o tom mais insistente, mas ainda  respeitosa.

“Com todo o respeito, Minha rainha, eu realmente acredito que você pode ajudar. O  Lorde Morpheus a ouviria, especialmente agora, com sua condição. Sua presença, suas palavras... têm um peso que ele não pode ignorar.”

Briely mordeu o lábio, hesitando, os olhos baixando por um momento enquanto pensava. “Eu não sei... Quero ajudar, mas... e se ele simplesmente me ignorar de novo?”

Lucienne deu um passo à frente, sua voz firme, e encorajadora.

“Por favor, minha rainha, venha conosco. Ele vai te ouvir assim que a vir, eu tenho certeza disso. Sua presença é mais poderosa do que você imagina.”

Briely respirou fundo, sentindo o peso da decisão, mas finalmente assentiu.

“Muito bem. Vamos encontrá-lo juntas. Se há uma chance, qualquer que seja, de impedir isso, eu preciso tentar.”

Unity sorriu levemente, um brilho de esperança em seus olhos.

“Isso é tudo que podemos pedir. Vamos juntas, então. Talvez a voz de uma rainha possa mudar o destino de minha neta.”

Briely deixou escapar um riso curto, quase inaudível, carregado de ironia e cansaço.

“Ah, sim… minha voz,” pensou. “Ele me ouviria se eu pedisse bonitinho”   

 A humilhação queimou só de pensar.

“ mais É a vida de alguém. da Rose…”

Lucienne ajustou os óculos, um gesto de determinação. “Eu as guiarei. sei onde ele pode estar lidando com essa questão. Sigam-me, por favor.”

As três mulheres trocaram um olhar de entendimento, cada uma carregando suas próprias preocupações e esperanças, mas unidas por um objetivo comum.

Briely sentiu o coração apertar enquanto seguiam Lucienne para fora da biblioteca, .

No caminho para encontrar Morpheus, as três mulheres caminharam pelos corredores sinuosos do Sonhar, o eco de seus passos reverberando contra as paredes.

Lucienne liderava o grupo, seu rosto sério e focado, enquanto Unity e Briely seguiam um pouco atrás, mergulhadas em uma conversa mais íntima.

Unity, ao lado de Briely, notou a maneira como a jovem ocasionalmente tocava sua barriga, um gesto quase inconsciente.

Ela inclinou a cabeça, curiosidade misturada com empatia em seu olhar. “Sua condição... Você está esperando um filho, não está?” perguntou Unity, em voz baixa para não atrair demasiada atenção de Lucienne, que seguia um pouco à frente.

Briely hesitou, os dedos congelando por um momento sobre o tecido do vestido azul.

Ela baixou os olhos antes de assentir levemente. “Sim.”

“Meus parabéns,” disse Unity com um sorriso gentil. “Ser mãe é um presente. Você deve estar muito feliz.”

Briely soltou uma risada curta e amarga, quase rude, antes de se conter. “Eu deveria?” Sua voz saiu mais cortante do que pretendia, e ela rapidamente balançou a cabeça, o rosto se suavizando em arrependimento.

“Desculpe, Unity. Não foi minha intenção ser grosseira. Estou só... frustrada. Eu Não deveria descontar isso em você.”

Unity colocou uma mão reconfortante no ombro de Briely, um  gesto maternal e acolhedor.

“Está tudo bem, querida. Eu entendo. Se quiser conversar, estou aqui para ouvir. Às vezes, desabafar com alguém pode aliviar o peso.”

Briely olhou para Unity, os olhos suavizando um pouco. “Sabe, você me lembra um pouco da minha mãe.”

Unity ergueu uma sobrancelha, interessada. “Sua mãe? Como ela é?”

Briely sorriu de leve, um brilho nostálgico em seu olhar enquanto pensava em sua mãe.

“Minha mãe... ela é incrível. Uma mulher forte, mas incrivelmente gentil. Sempre trabalhou duro pra me criar e o meu irmão sozinha, enfrentando coisas que a maioria nem imagina.''

“Ela tem esse jeito de te fazer sentir que tudo vai ficar bem, mesmo quando o mundo parece desmoronar. e um sorriso que é como um raio de sol.

“Ela  Sempre coloca os outros antes de si mesma, especialmente eu e o meu irmão.”

“Ela parece ser uma pessoa muito especial,” disse Unity, com voz carregada de admiração.

“Ela é,” respondeu Briely, o sorriso se aprofundando por um instante.

“Minha mãe é a melhor pessoa do mundo.”

Unity inclinou a cabeça, curiosa.

“Ela deve estar feliz por você, então. Uma neta ou neto a caminho...”

Briely hesitou, o sorriso desaparecendo lentamente. “Eu não sei. E... Eu nem poderia perguntar a ela.”

“Por que não?” perguntou Unity, franzindo a testa, genuinamente intrigada.

Briely olhou para os lados por um momento, como se pesasse o quanto deveria revelar. “Você quer que eu seja sincera, Unity? Pode te assustar um pouco.”

Unity deu uma risadinha leve, os olhos brilhando. “Eu sou velha, querida. Já ouvi algumas histórias. Pode falar.”

Briely respirou fundo, os ombros caindo enquanto confessava.

“Sinceramente... meu casamento com Morpheus não foi por escolha. Fui forçada a isso. E agora, estou carregando um filho dele. Não sei o que fazer, nem como me sinto sobre isso. Essa criança... eu deveria amá-la, não é? Mas tudo que eu queria agora seria... me livrar de tudo isso.”

Unity franziu os lábios, pensativa, mas não demonstrou choque ou julgamento. Após um momento, ela falou.

“As coisas que não escolhemos muitas vezes trazem algo inesperado, algo que pode nos dar força. Não estou dizendo que será fácil, mas sei que carregar um fardo como esse, contra sua vontade, é algo que pode corroer a alma. Só... não deixe o medo ou a raiva consumirem você.”

 

Briely ofereceu um sorriso frágil, os olhos marejados, mas grata pela compreensão.

“Eu tento. Mas às vezes parece impossível. ”

Unity apertou o ombro dela com mais firmeza, o olhar fixo e encorajador.

“Você não precisa ter todas as respostas agora. Um dia de cada vez, querida. Essa criança não tem culpa de como veio ao mundo. E você... você é mais forte do que pensa.”

 

Briely baixou o olhar para a barriga por um instante, as palavras de Unity ecoando em sua mente. “Talvez... talvez você tenha razão, mas... um dia de cada vez. É tudo que posso prometer.”

Unity assentiu, satisfeita.

Briely olhou para Unity, um peso sutil sendo aliviado de seu peito por aquelas palavras.

“Obrigada. Significa mais do que você imagina ouvir isso.”

 

Lucienne, que até então seguia à Frente, virou-se ligeiramente ao perceber que a conversa havia se aprofundado.

“Estamos quase chegando, minha rainha. Prepare-se. Encontrar Lorde Morpheus em meio a uma crise como essa... pode ser um pouco desafiador.”

 

Briely assentiu, “Eu sei. Mas não posso ficar parada. Se há uma chance de salvar Rose, de mudar a mente dele... Pra ele não matala eu preciso tentar.”

 

 

 


 

₊˚.༄🌊₊˚.༄ 𓆝 ✮ ✮ 𓅨 ✮ ✮ 𓆞 ༄₊˚.🌊༄₊˚

 


 

 

Quando finalmente encontraram Morpheus, ele estava no meio de um confronto tenso, a presença de Rose Walker próxima marcando o ar com uma urgência palpável.

O espaço ao redor pulsava com energia instável. Briely, ao entrar no ambiente com Lucienne e Unity, não conseguiu conter a emoção ao ver Rose, viva, mas claramente assustada.

 

“Rose!” gritou Briely, sua voz ecoando no espaço etéreo.

 

Os olhos de Morpheus desviaram-se imediatamente para sua esposa, uma mistura de surpresa e irritação cruzando seu rosto.

Ele avançou até ela, suas mãos segurando-a pela cintura com firmeza, trazendo-a para perto de si. “Esposa, o que você está fazendo aqui?” perguntou ele.

“Você deveria estar descansando. No castelo.”

“Eu não podia ficar lá depois de saber o que está acontecendo,” retrucou ela, encontrando o olhar dele com determinação, embora sua voz tremesse levemente.

“Lucienne me contou sobre Rose. E Você não pode matá-la, Morpheus.”

Ao ouvi-la chamá-lo pelo nome, ele levantou uma sobrancelha, um leve brilho de repreensão em seus olhos.

Briely corrigiu-se rapidamente, mais suave, mas ainda desafiadora.

“Quero dizer, marido. Deve haver outro caminho.”

“Não há escolha. O vórtice deve ser detido, ou tudo estará perdido,” respondeu ele, o tom firme, mas com uma pontada de dor em seus olhos ao ver a angústia no rosto dela.

“Por favor,” implorou Briely, os olhos marejados enquanto dava um passo à frente, as mãos gesticulando em súplica.

“Não a mate. Estou te pedindo, ela não merece morrer.”

“Eu não desejo isso, mas todos nós temos responsabilidades. Esta é uma das minhas,” disse Morpheus, enquanto olhava para Rose e depois de volta para Briely.

 

“Se você a matar, eu juro por Deus que vou dar um jeito de sumir,” começou ela,  tentando  uma ameaça desesperada.

Mas isso só o fez achar graça, um sorriso frio curvando seus lábios.e ele soltou uma risada baixa, quase inaudível.

Não querendo estressá-la mais do que ela já estava por causa de sua condição, ele suavizou o tom, mas permaneceu inflexível.

“Não posso deixá-la viver, minha amada. Você não entende as consequências.”

 

“Por favor—” começou ela novamente, a voz quebrando com emoção, mas antes que pudesse argumentar mais, Lucienne interveio, dando um passo à frente.

“Meu senhor, por favor, pare. Esta é Unity Kincaid,” disse Lucienne, apontando para a mulher mais velha ao lado de Briely.

Unity avançou, sua presença serena contrastando com a tensão do momento.

“Olá, Rei dos Sonhos. Eu sou a avó de Rose. E, de acordo com este livro, eu deveria ser o vórtice desta era. Mas como você foi aprisionado e excluído do Sonhar, esse destino foi passado aos meus descendentes.”

“Eu não entendo,” confessou Morpheus, franzindo a testa, sua atenção agora totalmente voltada para Unity.

Ela riu suavemente, um tom debochado na voz. “Você não é muito inteligente, né?”

Briely não pôde evitar uma risadinha baixa.

Morpheus lançou um olhar de advertência para sua esposa, mas não comentou, voltando sua atenção para Unity enquanto ela continuava.

“Vem cá, Rose. Quero que você alcance seu interior e me dê o que quer que seja que faz de você o vórtice.”

“Mas c-como?” perguntou Rose, confusa, seus olhos arregalados enquanto se aproximava da avó.

“Você está sonhando, querida. Tudo é possível,” respondeu Unity com um sorriso gentil.

Rose hesitou por um momento, então fechou os olhos, como se buscasse algo dentro de si. Quando abriu as mãos, um coração de vidro brilhante emergiu, pulsando com uma energia estranha.

“Isso? Ah, obrigada, Rose, querida,” disse Unity, pegando o objeto com cuidado.

“Agora sou o vórtice, Rei dos Sonhos, como deveria ter sido há muito tempo. Então, deixe minha bisneta em paz.”

Unity gemeu suavemente, o peso do vórtice tomando seu corpo, e ela cambaleou por um instante. Briely, alarmada, correu para o lado dela. “O que aconteceu?”

“Ela morreu. Para que Rose pudesse viver,” explicou Morpheus, enquanto observava Unity com um respeito silencioso.

“Eu sinto muito,” disse Rose, a voz embargada, os olhos cheios de lágrimas enquanto olhava para a avó.

Unity, mesmo enfraquecida, balançou a cabeça com um sorriso frágil. “Não, não sinta. Eu deveria ter morrido há muito tempo, Rose. Mas se eu tivesse feito isso, nunca teria conhecido meu homem de olhos dourados, nunca teríamos tido nossa linda filhinha, e você não teria nascido.”

“Espere, o pai do seu filho tinha olhos dourados?” perguntou Morpheus, uma sombra de reconhecimento cruzando seu rosto.

Ele trocou um olhar significativo com Lucienne, que pareceu igualmente intrigada.

“Nunca vi nada parecido,” murmurou Unity, a voz cada vez mais fraca.

“Eu tenho,” respondeu Morpheus.

“Adeus, Rose, querida,” continuou Unity, abraçando a bisneta com o pouco de força que lhe restava.

“O Sr. Holdaway se encarregará de garantir que você e Jed tenham tudo o que precisam.”

Briely aproximou-se de Unity, envolvendo-a em um abraço apertado.

O corpo frágil da mulher tremia, mas ela conseguiu sussurrar no ouvido de Briely, sua voz fraca, mas cheia de intenção.

“Não tenha raiva, querida, do bebê. Às vezes, o que começa com dor pode se tornar algo belo. Cuide de si mesma... e dele. Encontre um caminho para vocês dois.”

Briely assentiu, os olhos marejados enquanto se afastava um pouco. “Obrigada pelo conselho, Unity. De verdade.”

 

Unity deu um último sorriso antes que sua luz se apagasse completamente, deixando o espaço com um vazio palpável.

Briely voltou-se para Rose, que observava tudo em um silêncio atordoado. Aproximou-se dela, colocando as mãos suavemente em seus ombros.

“Cuide-se, tá bem, Rose? E cuide do seu irmão. Vocês merecem paz depois de tudo isso.”

Rose olhou para Briely, as lágrimas ainda escorrendo por seu rosto.

“E você? Vai ficar bem aqui? O Coríntio me contou um rumor sobre você que... eu não consigo acreditar.”

Briely segurou a mão de Rose, interrompendo-a com um aperto gentil, mas firme.

“Eu vou ficar bem. Não se preocupe comigo. Só... viva sua vida, Rose. É o que importa agora.”

Rose hesitou, como se quisesse dizer mais, mas acabou assentindo.

“Se você diz... Só espero que esteja falando a verdade. Se precisar de algo, qualquer coisa, eu... eu não sei como, mas tentarei ajudar.”

Briely ofereceu um sorriso frágil, mas reconfortante. “Obrigada, Rose. Vá, fique com seu irmão. Vocês têm muito pela frente.”

Rose assentiu novamente, os olhos ainda úmidos, antes de murmurar um “obrigada” baixo.

Morpheus, ao lado de Briely, observava a cena em silêncio, mas sua mão encontrou a dela, entrelaçando os dedos em um gesto quase possessivo enquanto se despediam de Rose.

“Você e seu irmão são filhos dos Perpétuos. Vocês já sofreram o suficiente. Você  sair deste lugar. Adeus, Rose,” disse Morpheus.

 

Rose lançou um último olhar para Briely e Morpheus antes de se virar.

A jovem desapareceu do Sonhar, acordando no mundo desperto, deixando para trás um eco de alívio misturado com tristeza.

O ar ainda estava pesado com a emoção do momento, mas o Rei dos Sonhos sabia que não podia se demorar.

Ele lançou um olhar para sua esposa, a preocupação era  evidente em seus olhos, 

 

“Acabou tudo, então?” perguntou Briely, enquanto tentava processar os eventos.

 

“Sim,” respondeu Morpheus, “O vórtice foi contido. Por agora.”

 

“Vamos voltar ao castelo,” disse ele.

Briely assentiu, murmurando um simples “Ok,” deixando que ele a guiasse pelos corredores mutáveis do Sonhar.

O caminho de volta foi silencioso por alguns momentos, o peso do que havia acontecido pairando entre eles.

Finalmente, Morpheus quebrou o silêncio, a voz mais suave do que o normal. “Como está se sentindo?”

 

“Bem,” respondeu ela, “Você não deveria ter vindo,” disse ele, o tom carregado de repreensão, mas também de preocupação genuína.

“ você Não está em condições de se envolver em algo tão perigoso. Não agora.”

Briely olhou para ele, um leve franzir de testa em seu rosto.

“ah sim porque eu sou uma dama delicada que precisa ser protegida, não é? Eu Deveria estar no castelo em vez de estar perto de vórtices?”.”

 

Ele ergueu uma sobrancelha, mas não retrucou imediatamente, os olhos escurecendo enquanto a observava.

“Você carrega meu filho, minha querida. Isso a torna mais vulnerável do que gostaria de admitir. E eu não permitirei que se coloque em risco novamente.”

“E eu não permitirei que você decida tudo por mim,” retrucou ela.

Morpheus suspirou. “Sua teimosia será sua ruína um dia. Mas... entendo. Só peço que Prometa que não fará algo assim novamente sem me consultar.”

Briely hesitou, mas acabou assentindo.

Ele a olhou por um longo momento A mão dele apertou a dela brevemente, antes que continuassem o caminho em um silêncio mais leve.

Ao chegarem ao castelo, ele a deixou brevemente no quarto real, assegurando-se de que ela estivesse confortável antes de partir.

“Quero que fique aqui,” pediu ele, a voz mais um comando do que um pedido, enquanto a ajudava a sentar-se na cama.

“Há algo que preciso resolver.”

 

“O quê?” perguntou ela, a curiosidade misturada com uma ponta de desconfiança em seus olhos enquanto o observava.

 

Morpheus hesitou por um momento, mas logo respondeu, o tom evasivo.

“Não precisa se preocupar. É algo que apenas eu posso lidar.”

 

Briely cruzou os braços, franzindo a testa. 

“Confie em mim para resolver isso.”

“Confiar é fácil de pedir, mas difícil de dar.” argumentou ela.

 

Morpheus a encarou, os olhos estreitando-se por um instante antes de suavizarem. “Quando eu voltar, conversaremos, se for necessário. Mas, por favor, descanse enquanto estou fora. Pode fazer isso por mim?”

 

Briely bufou, mas acabou cedendo com um aceno relutante. “Tudo bem.”

 

Ele inclinou a cabeça em um leve reconhecimento antes de se virar para partir.

Briely ficou sozinha, os pensamentos girando enquanto se recostava nos travesseiros, uma mão descansando sobre a barriga, tentando ignorar a inquietação que crescia em seu peito.

 


 

₊˚.༄🌊₊˚.༄ 𓆝 ✮ ✮ 𓅨 ✮ ✮ 𓆞 ༄₊˚.🌊༄₊˚

 


 

 

Enquanto isso, Morpheus dirigiu-se à Galeria, o local onde os portais para os domínios dos outros Eternos se encontravam.

Ele não precisou de muito para encontrar Desejo.

Lá estava Desejo, com um sorriso provocador nos lábios, os olhos brilhando com uma malícia afiada como uma lâmina. “Ora, doce Sonho. Que surpresa. Quase um evento, eu diria,” sibilou Desejo, inclinando-se.

 

“Estou de passagem,” respondeu Morpheus, sua voz fria  cortante.

“E não desejo nada de você, exceto respostas.”

 

Desejo inclinou a cabeça, o sorriso crescendo, os olhos dourados faiscando com divertimento.

“Ooh, isso é um teste? Pergunte, então. Estou todo ouvidos... e outros sentidos, se preferir.”

“Unity Kincaid deveria ter sido o vórtice desta era. Mas alguém se aproveitou da minha prisão e teve um filho com ela, sabendo muito bem que ele se tornaria o vórtice, e eu seria forçado a matá-lo,” disse Morpheus, cada palavra carregada de uma raiva contida, mas palpável.

Desejo riu, fingindo surpresa, uma mão dramática sobre o peito. “Fui tão óbvio?”

“Não. Você cobriu seus rastros muito bem,” admitiu Morpheus.

“Mas o que você realmente pretendia? Que eu deveria derramar sangue de família? Com tudo o que isso implicaria?”

 

Desejo soltou uma risada afiada e cruel, o som ecoando pelo espaço.

“Desta vez quase funcionou, meu irmão. Quase.”

Morpheus avançou um passo, a presença sufocante do Rei dos Sonhos enchendo o ambiente como uma tempestade iminente. “Nós, dos Eternos, somos servos dos vivos, não seus mestres. Existimos apenas porque eles sabem, no fundo de seus corações, que nós existimos. Não os manipulamos. Na verdade, eles nos manipulam. E você, Desespero, e até mesmo o pobre Delírio fariam bem em se lembrar disso.”

 

Desejo sibilou, o brilho nos olhos diminuindo por um instante, mas logo recuperando a compostura com um sorriso torto.

“Ah, pobre Dream. Eu realmente te irritei dessa vez, não é? Da próxima vez, vou tirar sangue. Talvez não o seu, talvez de alguém mais... próximo.”

Morpheus deu outro passo à frente, os olhos negros queimando com uma fúria silenciosa.

“Mexa comigo ou com os meus de novo e eu vou esquecer que você é da família. Você se considera forte o suficiente para me enfrentar? Contra a Morte? Contra o Destino?”

 

Desejo recuou sutilmente, o sorriso vacilando por um milésimo de segundo antes de se recompor com uma risada baixa.

“Sempre tão dramático, irmão. Mas guarde sua raiva. Você vai precisar dela.”

 

Antes de partir, Desejo lançou um último comentário, o tom carregado de veneno.

“A propósito, sua esposa gostou do presente de casamento que dei a ela? Espero que tenha... aquecido as coisas entre vocês.”

Os olhos de Morpheus se estreitaram, a raiva queimando dentro dele como uma chama negra.

Ele sabia do que Desejo falava o afrodisíaco que Briely havia consumido sem saber, algo que ele só descobriu depois. 

“Fique longe da minha esposa e da minha família, Desejo. Não vou tolerar mais interferências. Se chegar perto dela novamente, não haverá perdão. Nem mesmo para um dos Eternos.”

Sem esperar resposta, Morpheus virou-se, deixando Desejo com um sorriso que escondia um leve tremor.

 

 

 

 

 

 

Chapter 15: Adeus dignidade (meu eu do passado tá chorando)

Chapter Text

 

  

 

 

 

 

 

Sentada sob uma árvore imensa nos arredores do castelo, Briely aproveitava um raro momento de paz. O ar do Sonhar era sempre perfeito, uma brisa gentil acariciando seus cabelos enquanto o céu acima se pintava com tons impossíveis de azul e dourado.

Ela fechou os olhos por um instante, permitindo que a calma a envolvesse, algo tão raro ultimamente.

Algumas semanas já haviam se passado desde o incidente com o vórtice. E o Morpheus raramente a deixava sozinha.

Onde quer que ele fosse, ele insistia que ela o acompanhasse, ele a levava para todo canto não importava onde, e ela raramente conseguia ficava sozinha.

Mas em momentos como esse, e uma vez ou outra, ela conseguia escapar por um tempo.

Escapava para vagar pelos jardins ou pelos campos etéreos, deixando Matthew quase perdendo suas penas de preocupação e aflição quando ela sumia para tomar um ar.

Ele era seu principal “vigia”, como ela gostava de brincar, embora ela soubesse que o corvo levava a sua tarefa a sério.

Uma vez ou outra, ela ainda conseguia dar um jeito de sumir.

Ela Escapava para os jardins ou para os campos que pareciam não ter fim, deixando Matthew quase arrancando as próprias penas de tanta aflição.

Agora, com quase dois meses de gravidez, ela começava a se acostumar à ideia, embora ainda lutasse com os sentimentos conflitantes que isso trazia.

"Meu bebê não tem culpa de tudo que estou sentindo", pensou, acariciando suavemente a barriga que já começava a se pronunciar."Ele não tem culpa de nada."

 

As palavras de Unity Kincaid ecoavam em sua mente, ajudando-a a organizar seus pensamentos.

Inicialmente, ela sentiu vergonha por não ter desejado essa criança desde o início. Não era assim que foi criada. Sua mãe a amou, a ela e a seu irmão, incondicionalmente.

Chegando até a se casar com Gabe, para mascarar o cheiro de semideus que atraía monstros para Percy e ela.

Sacrificando a própria felicidade para garantir a segurança dos seus filhos.

"Eu posso fazer o mesmo por esse bebê, ,Posso engolir o ódio pelo seu pai pelo seu bem",  refletiu Briely, mesmo que isso significasse perdoar Morpheus pelo que ele fez com ela.

 

Um bater de asas a tirou de seus pensamentos. Matthew pousou em um galho baixo da árvore, seus olhos negros fixos nela.  

“Brie, aí está você! Perdida em pensamentos de novo?”  

Ela sorriu levemente, inclinando a cabeça para o lado. “Só aproveitando um pouco de paz, Matthew. Não é todo dia que consigo respirar sem um certo alguém pairando sobre mim.”  

O corvo soltou um grasnido que soava quase como uma risada.

“Um dia desses o chefe vai acabar me depenando se você continuar sumindo assim e eu te perdendo de vista.”  

Briely riu, o som ecoando suavemente pelo ar. “Como se eu fosse deixar ele fazer isso, meu fiel guarda.”  

“Não vai demorar muito até ele aparecer. Você sabe que ele sempre te encontra,” retrucou Matthew, dando uma sacudida nas asas.  

Briely revirou os olhos, meio irritada. “Ele tem um jeito de me rastrear que beira o irritante.”  

“Ele só... tem esse jeito dele. E, ei, todo o reino tá comentando sobre a sua gravidez. É tipo um grande evento virou o assunto do século!” continuou o corvo, inclinando a cabeça para observá-la melhor.  

Ela levantou uma sobrancelha, claramente incrédula. “Não acho que seja pra tanto. Estou só... carregando um bebê. Não é como se eu tivesse salvado o mundo ou algo assim.” 

“Bem, pras criaturas daqui, é quase isso,” insistiu Matthew. “Um filho do Rei dos Sonhos? Isso é grande Brie.”  

“E pelo visto, de todo o panteão grego, são os mais animados com a notícia.”  

Ela bufou, cruzando os braços.

“Como se eu não soubesse! Dado o número absurdo de presentes que foram enviados...”  

Matthew soltou outro grasnido risonho.

“Bem, bebês podem ser uma novidade, ainda mais vindo do mestre. E, convenhamos, seu panteão não tem muitos bebês deuses, né?” ele acrescentou, quase como se estivesse pensando alto.  

Briely suspirou. “Na minha vez, não teve isso tudo.”  

“Talvez porque você já nasceu Crescida, você já veio pronta do forno já adulta,” sugeriu Matthew, com um tom de brincadeira.  

Ela lançou um olhar de lado para o corvo, mas não respondeu.

Matthew pensou: “Ou talvez tivesse ocorrido, se o mestre não tivesse colocado os olhos em você primeiro.”  

“Seu pai parece o mais animado com tudo isso. Mais do que você, aliás Sua tia Hera também,” disse ele, mudando de assunto,

Briely soltou uma risadinha curta “Eu sei disso” 

A carta da Hera chegou a alguns dias atrás.

Ela se lembra que estava escrito pra ela algo assim: “Minha querida sobrinha eu e Ilítia estamos aqui. Finalmente bebês  no panteão! Estou tão animada”

“Essa Hera… é bem diferente da que eu conheço ”

Briely também se lembrou de algumas semanas atrás da carta do seu pai.

Ela Estava no escritório de Morpheus, entediada, folheando um livro enquanto ele trabalhava em silêncio, como de costume.

Lucienne havia entrado com uma carta em mãos, entregando-a a ela com um leve sorriso.

Era de seu pai. Morpheus, ao perceber do que se tratava, franziu o cenho de leve, o que ela achou particularmente engraçado na hora.  

“Lucienne, o que é isso?” perguntou ela, pegando o pergaminho com curiosidade.  

“Uma mensagem de seu pai, majestade. Chegou há pouco,” respondeu a bibliotecária, com sua sempre  formalidade.  

Ao abrir a carta, Briely leu as palavras com um misto de surpresa e emoção:  

“Minha querida filha, ouvi sobre sua gravidez e estou cheio de alegria.

Meus primeiros netos! Saiba que, mesmo de longe, envio minhas bênçãos.

Que eles nasçam fortes como as marés e tão destemidos quanto você.

Seu pai, Poseidon.”

Ela levantara os olhos da carta e encontrara Morpheus a encarando, com o rosto impassível, mas com aquele leve franzir de testa que traía seu desagrado.  

“O que foi?” perguntou ela, segurando um riso.  

“Nada,” respondera ele, a voz grave e cortante como sempre. “Apenas... interessante que ele envie suas bênçãos agora.”  

Briely rira na hora, incapaz de se conter. “Ciúmes ?”  

Ele não respondeu, voltando aos seus papéis com um ar de quem preferia encerrar o assunto.  

 

Desde então, os presentes de seu pai não paravam de chegar. Conchas encantadas que cantavam músicas do mar, tecidos feitos de espuma oceânica, até mesmo pequenas joias que brilhavam como a luz refletida na água.

Seu panteão e seu pai parecia absolutamente adorá-la, um contraste gritante com os deuses de seu universos.  

 

Briely suspirou, deixando a lembrança para trás. Ela olhou para Matthew, que a observava com um ar curioso.  

“Está tudo bem, Brie? Você parece... distante,” disse ele, a voz carregando uma ponta de preocupação.  

“Estou bem. Só... pensando no que vem pela frente. No bebê, em Morpheus, em tudo,” admitiu ela, a mão ainda repousando sobre a barriga.  

“Ele te ama, sabe. De um jeito estranho, meio intenso, mas ama.” garantiu Matthew, o tom mais sério agora.  

“Eu sei,” murmurou ela, olhando para o horizonte do Sonhar.

“Mas às vezes, amor não é o suficiente pra apagar o que ele fez .”  

Matthew ficou em silêncio por um momento, como se pesasse suas próximas palavras. “Talvez não apague. Mas pode construir algo novo em cima dele. Dê uma chance ao chefe, Brie.”  

Ela esboçou um sorriso fraco, mas não respondeu. O peso de suas escolhas, de seu perdão – ou da falta dele – ainda pairava sobre ela como uma sombra.

E, no fundo, sabia que Matthew tinha razão sobre uma coisa: Morpheus a encontraria. Ele sempre a encontrava.  

E Eles logo sentiram uma presença perto deles.

Briely não precisou se virar para saber quem era. O ar pareceu se carregar com uma energia familiar, densa e inconfundível.

 

“Mestre,” cumprimentou Matthew, inclinando a cabeça em um gesto de respeito enquanto suas asas se moviam ligeiramente.

 

“Aproveitando o dia, esposa?” perguntou Morpheus, sua voz profunda ressoando no ar calmo do Sonhar enquanto ele se aproximava.

 

“Prefiro o ar da natureza às manhãs dentro do castelo,” respondeu ela, sem se virar para encará-lo de imediato.

“Acho que você já sabe disso, dado o número de vezes que escapuli pra cá essa semana.”

Ele soltou um som baixo, quase uma risada. “Sim, estou ciente. Você tem um talento especial para escapar da supervisão do Matthew.”

“Não é minha culpa, mestre,” interveio Matthew, com um tom que misturava defesa e leve exasperação.

“Ela parece bem empenhada em fugir da minha supervisão todas as manhãs.”

“Estou ciente,” disse Morpheus, um traço de diversão tingindo sua voz enquanto olhava de relance para o corvo antes de voltar sua atenção para Briely.

“Eu gosto de vir pra cá,” disse ela, finalmente virando o rosto para encará-lo, os olhos encontrando os dele com uma mescla de desafio e resignação.

“Não me importo de trazê-la pra cá todos os dias, ou levá-la a qualquer lugar que deseje,” respondeu ele, com o tom sério, mas carregado de uma promessa implícita.

 

Ela bufou, cruzando os braços sobre o peito. “Que gentil da sua parte. Sempre tão atencioso, meu querido marido carcereiro.”

 

Morpheus ergueu uma sobrancelha, mas não pareceu ofendido.

Briely continuou. “ Eu Deveria me sentir lisonjeada, não é?  Talvez você devesse me colocar numa coleira da próxima vez, só pra garantir.”

 

Matthew soltou um grasnido surpreso, quase engasgando com o som.

“Brie, cuidado com o que diz...”

 

Morpheus, no entanto, apenas deixou escapar um sorriso discreto, quase imperceptível. “Uma coleira? Talvez eu aceite a sugestão.”

“Ou Talvez eu considere algo mais... sutil.”  “Algo que só eu possa desfazer.”

Ele se sentou ao lado dela na grama. Sua mão se ergueu, os dedos frios e gentis acariciando o rosto dela. A sua voz desceu ao ouvido dela.

“Mas Você já tem uma minha amada, uma Invisível.”

 

Por um momento, os dois ficaram em silêncio, o som da brisa e o canto distante de criaturas do Sonhar preenchendo o espaço entre eles.

Apesar de tudo, Briely não podia negar que, de alguma forma, tinha se acostumado a essa vida – não por escolha, mas por necessidade.

E, embora odiasse admitir,  percebeu, com um aperto no peito, que já não odiava tanto aquela presença ao seu lado...

Morpheus se inclinou lentamente, depositando um selinho leve em seus lábios, o que fez Matthew soltar outro grasnido desconfortável.

O corvo desviou o olhar, claramente sem jeito.

“Como está minha rainha hoje?” perguntou Morpheus, enquanto sua mão descia até a barriga dela, repousando ali.

“Melhor, Não senti enjoo hoje,” respondeu ela, com a voz mais suave agora. “Está... mais tranquilo.”

“Bom,” disse ele, o tom baixo, quase um murmúrio.

“Você precisa de paz e tranquilidade nesse período. E eu farei o que for necessário para garantir isso.”

 

Ela o encarou, um leve franzir de testa surgindo. “tranquilidade? Acho que você está prometendo algo impossível, Isso é piada?.”

 

Ele inclinou a cabeça, seus os olhos escuros brilhando com algo que poderia ser diversão ou determinação.

“Nada é impossível para mim, minha amada esposa. Não quando se trata de você.”

 

Ela revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o leve rubor que subiu às suas bochechas. “Sempre com essas declarações grandiosas. Espero que consiga cumpri-las.”

“Eu sempre cumpro.,” retrucou ele, a voz firme, antes de mudar de assunto.

“Deveríamos voltar ao castelo. Lucienne quer nos mostrar algo.”

 

“Nos mostrar algo?” perguntou ela, curiosa, levantando uma sobrancelha. “O que seria?”

 

“Não sei ao certo,” admitiu Morpheus. “ Ela estava… estranhamente animada.”

 

“Um livro? Isso é... inesperado,” disse Briely, franzindo o cenho enquanto tentava imaginar o que poderia ter deixado Lucienne tão entusiasmada. “Devemos ir, então.”

 

Morpheus se levantou primeiro e ofereceu a mão para ajudá-la a se erguer. Ela aceitou, ainda com um resquício de hesitação, entrelaçando os dedos nos dele sentindo o calor que já não era mais estranho. deixando que ele a puxasse gentilmente para ficar de pé.

 

Matthew, ainda pousado no galho, agitou as asas. “Eu vou ficar por aqui um pouco, na área. Até mais, Brie. Mestre.”

 

“Até logo, Matthew,” respondeu Briely, com um leve aceno, enquanto Morpheus apenas assentiu em direção ao corvo.

Juntos, eles começaram a caminhar de volta ao castelo.

 


 

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O castelo do Sonhar parecia ainda mais imponente à luz etérea que atravessava os vitrais da biblioteca.

Briely caminhava ao lado de Morpheus, seus passos ecoando no chão de mármore polido enquanto seguiam Lucienne por entre as estantes infinitas.

O ar ali cheirava a pergaminho antigo. Lucienne, sempre composta, os conduziu até uma mesa de madeira escura no centro de uma alcova iluminada por uma luz suave e dourada.

Sobre a mesa, repousava um livro de capa grossa, suas bordas gastas, mas com um brilho estranho emanando das páginas abertas.

Briely franziu a testa ao se aproximar, inclinando-se levemente para observar melhor. “O que é isso?” perguntou, sua voz carregada de curiosidade misturada com uma ponta de desconfiança.

Morpheus, ao seu lado, parecia encantado. Seus olhos, normalmente insondáveis como poços de escuridão, estavam brilhando com algo que ela raramente via – uma emoção crua, quase vulnerável.

Lucienne, por sua vez, exibia um leve sorriso nos lábios, o que só aumentava a sensação de que ela era a única ali que não fazia ideia do que estava acontecendo.

 

“Olhe mais de perto, minha rainha Veja por si mesma,” sugeriu Lucienne, sua voz calma, mas com um toque de entusiasmo contido.

 

Briely se inclinou ainda mais, estreitando os olhos para a página aberta.

A imagem ali não parecia uma ilustração comum de um livro. Era granulada, quase como... “Isso é uma imagem de ultrassom?” perguntou ela, franzindo o cenho enquanto virava a cabeça para Lucienne, buscando confirmação.

 

“De fato, minha rainha,” respondeu Lucienne, ajustando os óculos com um gesto delicado. “E hoje, ele mostra algo... extraordinário.”

 

“Gêmeos,” sussurrou Morpheus, sua voz profunda reverberando no silêncio da biblioteca.

Ele ergueu o olhar para Briely, seus olhos encontrando os dela com uma intensidade que a fez congelar no lugar. “Gêmeos, minha amada Nossos, Vamos ter gêmeos.”

 

“Gêmeos?” Briely gaguejou, sua voz saindo mais alta do que pretendia. Ela piscou rapidamente, tentando processar a informação. “Dois... dois bebês?”

 

“Sim,” confirmou Lucienne, o sorriso em seu rosto se alargando um pouco mais. “Dois pequenos, minha rainha. São raros no Sonhar, mas não impossíveis. Um presente, de fato.”

 

Briely tocou a barriga instintivamente, seus dedos tremendo levemente enquanto a realidade daquilo começava a se assentar em sua mente.

Morpheus aproximou-se ainda mais, sua mão cobrindo a dela com um toque firme, mas surpreendentemente quente.

“Você não está sozinha nisso,” murmurou ele, baixo o suficiente para que só ela ouvisse. “Nunca.”

 

Ela o encarou, os olhos arregalados. “Eu... eu não sei se estou pronta pra isso. Dois, Morpheus? Dois de uma vez? Como vou lidar com isso?”

 

“Como você sempre faz,” respondeu ele, um canto de sua boca se erguendo em um sorriso quase imperceptível. “Com força. Com teimosia. E, se necessário, com um pouco de sarcasmo.”

 

Briely soltou uma risada curta, nervosa, mas o som pareceu aliviar um pouco da tensão em seus ombros. “Você realmente acha que vou conseguir?E se eu falhar? E se eu não for o suficiente pra eles? .”

 

“Impossível,” disse Morpheus, inclinando a cabeça de leve. “E eu estarei aqui, a  cada passo, Com você Sempre.”

 

“Meus parabéns, minha rainha. Meu rei,” interveio Lucienne, inclinando a cabeça em um gesto de respeito.

“É uma honra presenciar este momento. O Sonhar raramente vê tal bênção.”

 

“Obrigado, Lucienne,” disse Morpheus, sua voz carregada de uma felicidade genuína.

Ele parecia... leve, de uma forma que ela não conseguia descrever. Seus olhos voltaram para ela, e ele apertou suavemente sua mão. “Eles serão perfeitos. Como você meu coração”

Ela respirou fundo, olhando para a imagem no livro mais uma vez antes de fechar os olhos por um instante. “Eu... prometo que vou ser uma boa mãe,” sussurrou, mais para si mesma do que para eles. “Eu não sei como, mas vou tentar. Por eles.”

 

“Você será mais do que boa,” assegurou Morpheus, inclinando-se para depositar um beijo leve em sua testa. “Você será extraordinária. Como sempre foi.”

 

Briely abriu os olhos, um leve rubor tingindo suas bochechas. “Não faça promessas que eu não sei se posso cumprir,” retrucou ela, tentando manter o tom leve, mas sua voz tremia de emoção.

 

“Eu não faço promessas que não acredito,” respondeu ele, firme, seus olhos nunca deixando os dela. “E acredito em você.”

 

Lucienne pigarreou discretamente, chamando a atenção dos dois. “Se me permitem, deixarei vocês a sós por um momento. Há muito o que preparar no Sonhar. Se precisarem de mim, estarei nas estantes do norte.”

 

“Claro, Lucienne. Obrigado mais uma vez,” disse Morpheus, assentindo para ela.

Quando a bibliotecária se afastou, ele voltou-se para Briely, puxando-a gentilmente para mais perto. “E agora, minha rainha? Como se sente sobre isso?”

 

“Assustada,” admitiu ela, mordendo o lábio inferior. “Mas... animada também, de um jeito estranho. E você ? ”

 

Ele soltou um som baixo, algo entre um suspiro e uma risada. “Eu me sinto... completo. Algo que não sentia há eras. E saber que serão nossos, seus e meus... não há palavras para isso.”

 

Ela assentiu, sentando-se em uma das cadeiras próximas e ele a  puxou  para se sentar ao seu lado.

Suas mãos ainda estavam entrelaçadas, repousando sobre a barriga dela.

Por um momento, a biblioteca do Sonhar, com seus infinitos segredos e mistérios, pareceu ser apenas o pano de fundo para algo muito maior – a promessa de uma família, improvável, mas real.

 

 

 


 

₊˚.༄🌊₊˚.༄ 𓆝 ✮ ✮ 𓅨 ✮ ✮ 𓆞 ༄₊˚.🌊༄₊˚

 


 

Conforme o tempo passava, semanas e meses, a barriga de Briely começou a crescer.

Já haviam se passado seis meses, e nesse período, ela começou a se apegar a Morpheus, mesmo que questionasse seus próprios sentimentos.

Não havia mais relutância em seu coração, embora ela suspeitasse que talvez fosse vítima da síndrome de Estocolmo, rendendo-se ao cuidado e à presença constante dele.

 

Morpheus demonstrava um cuidado incessante.

À noite, ele se sentava ao lado dela na cama, lendo contos  em voz baixa, sua mão repousando na barriga dela, acariciando suavemente enquanto as palavras enchiam o silêncio.

 

 

Em uma dessas noites, o quarto iluminado apenas pela luz suave de um candelabro onírico, Morpheus segurava um tomo antigo, sua voz profunda ecoando como um murmúrio hipnótico.

Briely estava recostada nos travesseiros, os olhos semicerrados, quase adormecendo.  

 "E então, o dragão de estrelas guardou a princesa num sonho tão profundo que até o tempo se esqueceu dela" leu ele, pausando para olhar para ela.  "Está acordada, minha amada?"  

"Hmm, sim... só ouvindo. Sua voz é... calmante" respondeu ela, com um leve rubor nas bochechas.  

Ele esboçou um sorriso quase imperceptível, sua mão deslizando suavemente pela curva de sua barriga. 

Ele se inclinou, beijando a testa dela com lábios frios.

"Eles estão mais quietos agora. Gostam de ouvir também, parece"  disse ele, referindo-se aos bebês.  

Briely riu baixinho. — "Ou estão apenas cansados de me atormentar o dia todo. Continue, por favor."  

Morpheus ergueu o olhar lentamente, o sorriso tão terno que doía.

“ Como quiser, minha rainha”

Ele voltou a ler, e o silêncio entre as palavras era preenchido por uma intimidade que ela nunca esperara sentir com ele.

 

 

 

Nas manhãs de enjoo, ele estava sempre lá, segurando seu cabelo enquanto ela vomitava, trazendo um pano úmido para seu rosto e a confortando.  

 

 

Uma manhã particularmente difícil, Briely estava curvada sobre uma bacia no banheiro do castelo, o corpo tremendo com os espasmos.

E o Morpheus, ao seu lado, segurava seus cabelos com uma mão firme, enquanto a outra acariciava suas costas com delicadeza.  

“Shh… deixa sair tudo” sussurrou, beijando a nuca suada entre um espasmo

"Como está, minha rainha?"  perguntou ele, preocupado, enquanto pegava um pano úmido e o passava em sua testa.  

"Só... um pouco fraca" respondeu ela, tentando se recompor, agradecendo com um sorriso tímido.  

"Estou aqui, esposa" disse ele, ajudando-a a se levantar lentamente, um braço firme em sua cintura.  

Ela olhou para ele, os olhos marejados, mas não de tristeza. — "Eu sei que você está aqui… e é isso que me assusta, você sempre está. Sempre vai estar."  

Morpheus inclinou a cabeça, um brilho indefinível em seus olhos escuros. — "Minha rainha, não há nada a temer."  

Ela assentiu, deixando-se apoiar nele enquanto voltavam ao quarto, o calor de sua presença inesperadamente reconfortante.

 

Quando ela tinha desejos estranhos, ele moldava a realidade ao seu redor, satisfazendo seus caprichos e até os  mais peculiares.

Tomada por desejos de grávida misturados à nostalgia de seu mundo perdido, ela pedia algo que humanos talvez achassem pouco saudável.

Mas o seu seu corpo, já não era  mais humano.

ela  ansiava comer: tortillas de milho azuis, jujubas azuis e balas azedas azuis, comidas que ela dividia com seu irmão em dias despreocupados, além de várias outras guloseimas.

 

E pra sua surpresa Morpheus sempre atendia seus pedidos, por mais peculiares que fossem para ele.

Um dos seus desejos mais estranhos foi quando ela pediu algas de chocolate azul, e ele criou uma alga mágica que mudava de sabor conforme o humor dela, ora doce como chocolate, ora salgada como o mar.

  

Briely estava sentada em um sofá macio na sala de estar do castelo quando Morpheus chegou, carregando uma bandeja prateada repleta de tortillas de milho azuis crocantes, jujubas azuis reluzentes e balas azedas azuis.  

"É o suficiente?" perguntou ele, sentando-se ao lado dela, os olhos observando-a com curiosidade enquanto ela pegava uma tortilla com mãos ávidas.  

"Meu Deus, isso é incrível" disse ela, levando a tortilla à boca. O sabor lhe trazia memórias agridoceis de risadas e tardes ensolaradas com seu irmão.

"Hum, perfeito" riu ela, lambendo os dedos sem qualquer cerimônia.  

Morpheus inclinou a cabeça, um leve sorriso dançando em seus lábios.

Ele pegou o pulso dela e chupou o açúcar azul do indicador dela, lentamente.

"Seus desejos são... peculiares. Mas não há nada que eu não possa criar para você aqui no Sonhar."  

"Cuidado, ou vou começar a pedir coisas ainda mais absurdas"  brincou ela, pegando uma jujuba azul.

"Como aquelas algas de chocolate azul que você fez outro dia. Aquilo foi... Um pouquinho estranho até para mim."  

Ele riu.  "E mesmo assim,  eu criei algo que muda de sabor conforme o seu humor, minha rainha. Doce como chocolate ou salgado como o mar. Tudo que me pedir, eu trarei."  

Ele pegou uma jujuba e colocou na boca dela com os próprios dedos o polegar roçando a bochecha dela .

Briely sorriu. O seu sorriso era lindo, leve… e ela sentiu o estômago revirar ao perceber que era sincero.

 

Durante caminhadas na praia onírica, principalmente à noite, quando os bebês estavam inquietos, Morpheus a levava para lá, segurando-a pela cintura, guiando-a enquanto ela molhava os pés nas águas.

Ele sempre a abraçava por trás, enquanto a brisa da praia a acalmava.

 

 

A praia onírica daqui sempre era um espetáculo de calma, sob o céu estrelado do Sonhar, as ondas brilhando com um leve tom azulado, como se feitas de luz líquida.

Na Quele dia Briely caminhava lentamente, com os pés descalços afundando na areia macia, enquanto Morpheus a segurava pela cintura com um toque protetor.

A brisa marinha bagunçava seus cabelos, e ela suspirava de alívio.  

 "Eles estão mais calmos agora" disse ela, uma mão sobre a barriga, sentindo os movimentos dos bebês diminuírem.

"O mar sempre teve esse efeito em mim. Ele me acalma. Talvez eles sintam isso."  

Morpheus, atrás dela, repousou o queixo suavemente em seu ombro, os braços envolvendo-a com firmeza.

“ O mar te acalma… ” sussurrou, mordendo de leve o ombro exposto. “ Mas eu te acalmo mais. Sente?”

Os bebês pararam de chutar no exato segundo em que ele apertou mais forte.

"Eu te darei tudo, esposa, e aos nossos filhos."  prometeu ele contra a pele dela.

Ela virou o rosto levemente, os olhos encontrando os dele na penumbra. "Eu sei disso... mais do que gostaria."  

Ele beijou a nuca dela, demorado, possessivo e  apertou o abraço por um instante, e eles continuaram a caminhar, o som das ondas misturando-se ao silêncio confortável entre os dois.

O silêncio entre eles era o som de quem já entendeu que não tem escolha.

 

 

E, sim, durante esse tempo, eles compartilharam momentos de intimidade física várias vezes.

Para Briely, eram momentos de vulnerabilidade, embora ela não conseguisse acreditar plenamente em suas próprias palavras ao dizer isso.

Morpheus sempre ria suavemente quando ela mencionava que era vulnerabilidade, e ela ficava vermelha ao se lembrar de alguns dias atrás.

 

 

O ar estava quente e úmido no banheiro do castelo, a banheira de mármore negro preenchida com água escaldante e o aroma doce de óleos de jasmim e lavanda.

Briely estava sentada à frente, enquanto Morpheus, atrás dela, lavava seus cabelos com uma delicadeza surpreendente, os dedos massageando seu couro cabeludo.

De repente, ele inclinou-se para frente, os lábios roçando a pele de seu pescoço em um beijo leve, quase provocador.  

Ela inclinou a cabeça para trás, oferecendo mais espaço, um suspiro escapando de seus lábios enquanto pequenos arrepios percorriam sua pele.  

 "Você quer isso, minha amada esposa?"  perguntou ele, a voz rouca contra sua pele, os dentes roçando levemente sua nuca.  

"Eu... Quero." respondeu ela, quase sem pensar, o coração acelerado enquanto outro suspiro escapava.

“me odeio tanto por isso Deus me perdoe, mais eu quero. e isso me mata por dentro.” pensou as palavras queimando atrás dos olhos fechados

Morpheus a puxou para mais perto, as mãos deslizando por suas costas molhadas, explorando cada curva com um desejo contido, mas palpável.

Ele a levantou levemente, posicionando-a contra a borda da banheira, a água ondulando ao redor deles. "Você é minha, Olhe nos meus olhos enquanto eu te tomo” ordenou, entrando com calma letal.

Ela cravou as unhas nele, o corpo tremendo inteiro.

O ritmo era lento, mas intenso, seus corpos colados na água quente, o som dos gemidos baixos dela misturando-se ao barulho das pequenas ondas que criavam.

Suas mãos agarraram os ombros dele, as unhas cravando levemente na pele enquanto ela arqueava o corpo contra o dele.  "Mais rápido... por favor"  choramingou ela.

Morpheus beijou a testa suada dela. “Claro, meu amor. Tudo que você quiser…”

Ele obedeceu, Acelerou, implacável, até ela gritar o nome dele. as mãos firmes em seus quadris, guiando-a enquanto o prazer se intensificava. 

"Você é tão... perfeita e minha, minha rainha... só minha"  rosnou contra a boca dela antes de beijá-la até tirar o resto de ar que ela tinha.os corpos tremendo juntos ao alcançarem o auge, ofegantes e entrelaçados, a água ainda quente ao redor deles.  

Depois, enquanto o calor do momento diminuía, eles Ficaram assim, ofegantes, entrelaçados.

Ele acariciou o rosto dela com o polegar.

“Repete comigo” sussurrou, com voz ainda rouca do prazer. “Eu sou sua.” Ela repetiu,com  voz quebrada.

Morpheus sorriu devagar, beijando a testa dela “ Boa esposa .”

E ela odiou o quanto aquelas duas palavras fizeram seu corpo inteiro se arrepiar de prazer.

 

Ao saírem da banheira, enquanto se secavam com toalhas macias, Briely riu de si mesma, o rosto ainda corado.

"Eu tenho síndrome de Estocolmo. Como posso gostar de você assim depois de tudo?"  

Morpheus, enrolando uma toalha em torno da cintura, olhou para ela com um toque de humor em seus olhos.

Ele se aproximou, beijando-a profundamente antes de sussurrar em seu ouvido:

"Tente chamar como quiser. Ainda assim... não é doença. É conexão. E ela não vai desaparecer.”

“O que você chama de Estocolmo, eu chamo de verdade. Não negue seus sentimentos, pare de mentir para si mesma." 

“ mais eu aceito qualquer nome, contanto que o final seja o mesmo: você nos meus braços pra sempre.”

"Você é impossível"  retrucou ela, rindo amargurada sem desviar os olhos dos dele.  

"E você é irresistível, minha rainha"  respondeu ele, aproximando-se para depositar um último beijo em sua testa.

Ele Beijou a testa dela com uma calma aterrorizante, depois segurou o rosto dela com as duas mãos como quem segura um troféu que nunca mais vai largar.

“você é perfeita assim: rendida e ainda achando que tem escolha”

antes de saírem do banheiro, não existia mais “entre eles”: só existia ele envolvendo ela, inteira, sem deixar espaço para mais nada.

não tinha nome bonito: era só posse pura e aceitação inevitável.

 

 

 


 

₊˚.༄🌊₊˚.༄ 𓆝 ✮ ✮ 𓅨 ✮ ✮ 𓆞 ༄₊˚.🌊༄₊˚

 


 

Briely saiu de seu devaneio de lembranças ao ouvir o barulho da porta se abrindo.

Ainda deitada em sua cama, envolta nos lençóis macios do Sonhar, ela sentiu braços familiares a envolverem fechando  ao seu redor  como sempre faziam.

Seu corpo reagiu instintivamente traindo a mais uma vez   ao calor dele  relaxando contra dele antes mesmo de ela se virar. 

Quando  fez, encontrou os olhos escuros de Morpheus, intensos como sempre, fixos nela

 

 "Está tendo dificuldade para dormir, minha rainha?"  perguntou ele, a voz baixa, quase um murmúrio, enquanto se aconchegava mais perto, o peito dele pressionando contra as costas dela.

 

"Só estou pensando... em tudo"  respondeu ela, a voz carregada de uma melancolia que não conseguia esconder.

 

Ele emitiu um som baixo, um "hum" pensativo, antes de inclinar-se para beijar suavemente sua testa.

O gesto simples enviou um arrepio por sua espinha, e ela sentiu algo que poderia descrever como borboletas na barriga – embora soubesse que era mais do que isso.

"Eles estão agitados, como sempre, quando você está por perto"  disse ela, um leve sorriso escapando enquanto colocava a mão sobre a barriga.

 

Morpheus deslizou a mão por cima da dela, sentindo os movimentos dos bebês sob a pele.

Seus dedos eram firmes, mas gentis, e ele sorriu, "É Porque já sabem que sou o pai deles. Mal posso esperar para tê-los em meus braços." “Mal posso esperar pra segurar os três”

Briely suspirou, o coração pesado com o peso de tudo que precisava dizer.

"Preciso falar sobre isso. Sobre tudo."

 

Ele a olhou, os olhos estreitando-se levemente, mas sem interrompê-la.

Havia uma paciência calculada em sua expressão, como se soubesse que algo importante estava por vir.

 

Ela respirou fundo, reunindo coragem.  "Precisamos conversar, Morpheus.”

“Eu... te perdoo por tudo."

 

Ele inclinou a cabeça, a surpresa genuína misturando-se à curiosidade.

"Você me perdoa?"

 

"Sim”  a voz dela tremia, mas não parou. 

“você... você me forçou a casar com você. Me violentou naquela floresta, tirou todas as minhas escolhas, forçou uma ligação entre nós, algo que eu nunca quis."

"Você mentiu pra mim sobre tudo, principalmente sobre me ajudar a voltar pra casa, pro meu universo"

Ela Fez uma pausa, engolindo o choro.sua voz tremia, mas ela continuou.

"Mas eu... eu também fiz sexo com você, eu... Eu me  deitei com você depois. Escolhi deitar."

“E mesmo achando que talvez seja só minha mente me enganando." "Mesmo com tudo isso... eu te perdoo por tudo.“

“E eu… te perdoo. Por mim. Pelos nossos filhos.”

“Não quero viver com esse peso no meu coração.”

“Não quero carregar esse ódio pro resto da eternidade”

Então, sim, eu te perdoo."

Silêncio absoluto.

 

Ele a ouviu em silêncio, imóvel por um longo momento.

Então, suas mãos grandes e firmes seguraram o rosto dela, os polegares acariciando suavemente suas bochechas. limpando as lágrimas que ela nem percebeu que caíram.

"Você me perdoa mesmo sabendo que não sinto remorso algum?"perguntou, em voz baixa, quase carinhosa.

"Eu sei que você não sente"  respondeu ela, os olhos fixos nos dele, decidida.

"Mas isso é por mim. Não quero carregar esse peso comigo."

Morpheus a olhou por um longo segundo.

“Você é mais forte do que eu imaginava, esposa”

Ele a  olhou com algo que parecia admiração, embora fosse difícil decifrar as emoções naquele rosto eternamente enigmático. 

"Você realmente tem um coração gentil, esposa."

"Eu sabia que você cederia, mas não tão cedo."

"Nossos filhos realmente mudaram tudo."

Em sua mente, pensamentos mais profundos giravam. “Isso só me faz querer mais filhos nossos. Mal posso esperar para conhecê-los”, pensou ele, o desejo de expandir aquela conexão, aquela posse, queimando em seu peito.

 

O silêncio entre eles se transformou em algo mais denso, carregado de uma tensão familiar.

Seus olhares se encontraram, e antes que qualquer um pudesse dizer mais, seus corpos pareceram agir por conta própria.

Os seus  corpos decidiram antes das mentes: o dela se inclinou primeiro, traiçoeiro, inevitável; o dele respondeu como quem sempre soube que ia ganhar.

Eles se aproximaram, as mãos dele deslizando pelas costas dela, puxando-a para mais perto enquanto os lençóis caíam ao redor.

As roupas foram descartadas com cuidado, peça por peça, os dedos dele roçando a pele dela a cada movimento, como se cada toque fosse deliberado, reverente.

E ela deixou.

Porque, no fundo, já tinha aprendido que resistir só tornava a posse mais doce para ele.

 

Morpheus a posicionou de lado, cuidando da barriga volumosa com uma delicadeza que contrastava com o desejo evidente em seus olhos.

Ele se deitou atrás dela, o corpo quente colado ao dela, uma mão apoiada na curva de seu quadril enquanto a outra traçava a linha de sua cintura, descendo lentamente até a lateral de sua barriga.

A mão grande acomodou a barriga volumosa primeiro, quase reverente, mas o toque era firme demais para ser só cuidado: era controle disfarçado de proteção.

"Me diga se estiver desconfortável"  murmurou ele, os lábios roçando a base de seu pescoço, enviando arrepios por todo o corpo dela.

 

"Não estou" respondeu ela, a voz já ofegante, enquanto suas mãos agarravam os lençóis, buscando algo para se ancorar. O calor dele, a presença dominante, era quase avassaladora, mas ela não queria que parasse.

O calor do corpo dele, o peso, a presença absoluta a engoliam, e ainda assim ela arqueou as costas pedindo mais.

Ele entrou devagar, torturantemente devagar, cada centímetro uma conquista deliberada.

Ele se moveu, entrando nela com uma lentidão torturante, cada centímetro parecendo deliberado, como se estivesse saboreando cada segundo.

O ritmo era firme, controlado, mas carregado de uma intensidade que fazia o coração dela disparar. 

"Você sente isso, minha rainha?"  perguntou ele, a voz rouca, os lábios agora contra seu ombro, depositando beijos quentes enquanto se movia.

"Sim... eu sinto" suspirou ela, o corpo arqueando mais instintivamente contra o dele, buscando mais.

Seus gemidos baixos enchiam o quarto, misturando-se ao som da respiração pesada dele.

Cada movimento parecia despertar sensações mais profundas, o calor crescendo entre eles como uma chama incontrolável.

Ele acelerou um pouco, respondendo aos sons que escapavam dela, uma mão deslizando para segurar seu quadril com mais firmeza, guiando-a enquanto a outra explorava a pele macia de sua coxa.

"Diga o que você quer" — sussurrou ele, os dentes roçando levemente a pele de seu pescoço, uma promessa de algo mais selvagem se ela pedisse.

Ela engoliu em seco, o corpo inteiro pulsando.

"Mais... mais rápido, por favor, eu preciso…"  pediu ela, a voz entrecortada, quase suplicante, enquanto o prazer se acumulava, tornando difícil pensar em qualquer coisa além da sensação dele dentro dela. já sem vergonha nenhuma.

Ele não respondeu com palavras. Apenas obedeceu  fundo, rápido, implacável.

O som dos corpos batendo encheu o quarto, molhado, urgente, quase violento se movendo em perfeita sincronia.

 

Beijos quentes e molhados eram deixados em seu ombro, descendo até a curva de suas costas, enquanto as mãos dele a seguravam com um misto de posse e cuidado.

"Você é minha... só minha" rosnou ele, a voz carregada de desejo bruto, o tom possessivo enviando um novo arrepio por ela.

"Morpheus..."  murmurou ela, o nome dele escapando como um gemido enquanto suas unhas se cravavam no tecido dos lençóis, o prazer chegando em ondas que ameaçavam engoli-la. O calor dele, o peso de seu corpo contra o dela, era tudo que existia naquele momento.

Ele parou fundo dentro dela, o quadril colado ao dela, e inclinou-se até a boca roçar a orelha dela, com voz tão baixa. 

“Não, minha rainha… agora me chama do jeito certo. ” Diz “marido”.

Ela abriu os olhos embaçados, o ar faltando, o prazer ainda pulsando em cada nervo.

Engoliu em seco, sentiu ele se mexer só um pouco o bastante pra arrancar outro gemido e deixou escapar, rouca, rendida: “Marido…”

Eles atingiram o clímax juntos, ela primeiro, gritando o nome dele contra o travesseiro, com o corpo convulsionando em volta dele. Morpheus veio logo depois, enterrando-se até o fundo com um rosnado baixo, quase animal, os dentes cravados no ombro dela enquanto despejava tudo dentro. Marcando-a por dentro, como sempre fazia.

os corpos tremendo com a intensidade, os gemidos dela misturando-se aos sons baixos e guturais dele.

Ele a segurou firme contra si, como se temesse soltá-la, enquanto as últimas ondas de prazer os atravessavam.

Lentamente, o ritmo desacelerou, mas ele não se afastou, mantendo-a perto, o calor de sua pele contra a dela ainda pulsante.

Ele ajeitou o cabelo suado dela atrás da orelha com uma delicadeza que não combinava com as marcas roxas no pescoço.

"Você está bem esposa?" perguntou ele, a voz agora mais suave, mas ainda rouca de desejo residual, enquanto traçava círculos preguiçosos em sua barriga com a ponta dos dedos. ele beijou cada marca que deixou no ombro dela, lambendo o sangue como quem prova vinho.

"Sim..."respondeu ela, ainda ofegante, virando o rosto para encontrar os olhos dele. Havia algo ali, uma conexão que ela não podia mais negar, por mais que tentasse.

“Ótimo.” Inclinou-se e beijou o canto da boca dela, delicado, quase reverente.

“Você sabe que não tem mais volta, né? ” ele falou tão baixo que pareceu dentro da cabeça dela.

“ Eu sei.”

“Sabe mesmo? ”Os dedos deslizaram até o pescoço dela, acariciando a veia.

“Você disse que me perdoou e Se um dia você tentar fugir de mim… ”

Ela engoliu em seco, sentindo o polegar dele pressionar de leve, uma promessa velada.

“ Você vai se arrepender quando eu te eu te pegar.

“Eu não vou tentar, marido” sussurrou ela, os olhos vidrados nos dele, uma mistura de medo e rendição.

Ele sorriu, um sorriso pequeno, mas genuíno, antes de beijar suavemente o canto de seus lábios.

"Então descanse, minha rainha. Vamos ter muitas noites como essa." “Eu fico aqui… vigiando seus sonhos. Como sempre.”

E ela dormiu. sentindo o peso dele como uma âncora, sabendo que, no reino dos sonhos, ele já a esperava

 

 

 


 

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Quando amanheceu mais tarde naquele dia, dentro do reino etéreo do Sonhar, Briely acompanhou Morpheus até uma praia onírica.

O céu acima era uma tapeçaria de tons dourados e rosados, refletindo na água cristalina que parecia feita de luz líquida.

O Vestido rosa  que ela usava fluía suavemente ao vento, acentuando a curva de sua gravidez avançada.

Morpheus havia criado vários vestidos novos para ela, incrivelmente confortáveis, que se moldavam perfeitamente ao seu corpo, garantindo que ela se sentisse à vontade mesmo com a barriga volumosa.

Ele estava a poucos passos de distância, moldando novos sonhos com gestos precisos de suas mãos.

Formas etéreas tomavam vida no ar, girando e dançando como pequenos fragmentos de imaginação antes de se dissiparem ou se consolidarem.

Briely o observava trabalhar, sentada em uma rocha próxima, os pés descalços afundando na areia macia e morna da praia onírica.

De repente, o som de passos na areia chamou sua atenção. Lucienne apareceu, caminhando rapidamente em direção a eles, sua expressão séria, mas com um leve toque de alívio. 

"Alteza, desculpe incomodá-lo enquanto está trabalhando, mas..."  começou ela, hesitando por um momento.

Morpheus parou, virando-se para ela com uma sobrancelha erguida. — "Há algo errado, Lucienne?"

"Não, na verdade é algo adorável"  respondeu Lucienne, um leve sorriso surgindo em seus lábios. 

"Um novo livro apareceu na biblioteca esta manhã, escrito por Rose Walker."

Briely inclinou a cabeça, curiosa, enquanto se levantava com cuidado da rocha. 

"Da Rose? E como é o livro?"  perguntou ela, aproximando-se de Morpheus.

Lucienne ajustou os óculos, o sorriso se ampliando um pouco. 

"Bem, Alteza, você pode discordar da representação do rei na história, mas... eu adorei.

Morpheus assentiu, "Ela é uma filha dos Perpétuos com uma grande história para contar."

Briely sorriu ao ouvir a notícia, tocando levemente o braço dele. "Parece que Rose tem muito a dizer. Estou curiosa pra saber como ela te retratou."

Briely mordeu o lábio, segurando um sorrisinho, e arriscou uma olhadinha de canto para o marido.

“Aposto que ela te retratou como o vilão louco da história…”

Morpheus virou o rosto lentamente. O olhar dele era calmo… calmo demais.

Ele lançou um olhar de lado para ela.

Briely engoliu em seco "Ou Talvez eu não queira saber."

Lucienne pigarreou, voltando ao assunto mais prático. 

"Senhor, está criando novos pesadelos para substituir Gault e o Coríntio?"

Morpheus cruzou os braços, o vento da praia bagunçando levemente seu cabelo negro. 

"O mundo não precisa de um novo Coríntio por enquanto."

Briely, lembrando-se de algo que pesava em seu coração, Ela respirou fundo, acariciando a barriga por instinto, e deu um passo tímido à frente. decidindo fazer o pedido

"Marido, quero te pedir um favor."

Ele virou-se para ela, os olhos suavizando-se ao encará-la. "O que você deseja, minha amada rainha?" “ Fale.”

Briely engoliu em seco. Sabia que estava pedindo algo que, vindo de qualquer outra pessoa, seria negado na hora ,nou pior.

“Gault… ”ela murmurou. “Você viu que ela quer mudar. De verdade. Não dá pra… transformar ela num Sonho novo?”

"Por que não dá uma chance a Gault? Transforme-a em um novo Sonho. Ela quer mudar, você viu isso" disse ela, com a voz carregada de sinceridade.

Silêncio.

O vento pareceu parar. Até as ondas soaram mais baixas.

Morpheus a encarou por longos segundos, o rosto ilegível. Briely sentiu o corpo todo tensionar, esperando o “não” cortante, ou algo pior.

Então ele inclinou a cabeça, quase imperceptivelmente.

"Você quer isso?”

“Quero ” respondeu ela, quase num sussurro.

Ele estendeu a mão e tocou o rosto dela com as costas dos dedos.“ Então será feito.”

“Só… assim?”

O canto da boca dele subiu num sorriso pequeno, perigoso e absurdamente carinhoso.

“Só assim quando é você quem pede ” respondeu, em voz baixa.

“você pode me  pedir o que quiser. Mesmo que eu tenha que dobrar as leis do próprio Sonhar pra te dar.”

Briely sentiu o coração disparar — não de medo, mas de algo muito mais complicado.

“ Obrigada ”sussurrou.

Morpheus segurou a mão dela, entrelaçando os dedos com uma posse calma.

Ele sorriu para ela, um sorriso pequeno, mas genuíno. 

"Estou terminando de finalizar um sonho agora. Lucienne, você não quer dar oi?"

 

Lucienne ergueu uma sobrancelha, confusa por um momento, até que uma figura começou a se formar diante deles.

Era Gault, mas diferente – suas asas brilhavam com um tom iridescente, como se fossem feitas de luz e sombra entrelaçadas. Ela parecia etérea, renovada.

Lucienne não pôde conter um sorriso de admiração.  "Você está deslumbrante, Gault."

 

"Obrigada, Lucienne"  respondeu Gault, sua voz mais suave, quase melodiosa, enquanto inclinava a cabeça em agradecimento.

 

Gault então virou-se para Morpheus, os olhos cheios de curiosidade e gratidão.  "Posso perguntar o que o fez mudar de opinião sobre mim, Alteza?"

 

Morpheus lançou um olhar significativo para Briely antes de responder.

"Suponho que passei a ouvir mais a minha esposa. Ela é realmente gentil."

Ela abaixou os olhos para a barriga, sentindo os bebês se mexerem. 

Gault voltou-se para Briely, um sorriso tímido em seu rosto.  "Obrigada, senhora."

Briely retribuiu o sorriso, acenando com a cabeça.

"De nada, Gault. Estou feliz por você."

Com um movimento gracioso, Gault alçou voo, suas asas brilhando contra o céu onírico enquanto desaparecia na distância. Morpheus observou-a por um momento antes de se virar para Lucienne.

"Vamos ficar aqui por um tempo. Lucienne, você poderia..."

"Tomar conta de tudo enquanto isso?"

"Com prazer, senhor" respondeu Lucienne, com um leve aceno de cabeça antes de se afastar, deixando-os sozinhos na praia.

 

Morpheus olhou para Gault ao longe, então para Briely, um leve sorriso curvando seus lábios. 

"Você tem um coração bondoso, minha esposa. Talvez eu deva ouvir mais suas sugestões."

 

"Talvez"  respondeu, tão baixo que quase não saiu. rindo baixinho enquanto colocava a mão sobre a barriga.

Sentiu os bebês se mexendo, como se concordassem com ela, e um calor se espalhou por seu peito.

Morpheus aproximou-se por trás, envolvendo-a com os braços, as mãos grandes cobrindo as dela sobre a barriga.

Pela primeira vez, Briely pensou que o Sonhar talvez pudesse ser um lar.  Mais e claro que Não  era um lar comum.

Um lar com grades douradas, com um rei que a amava tanto que a prendia.

Ela ergueu o olhar e encontrou os olhos dele aquela intensidade que ainda a fazia tremer, mesmo depois de tudo.

Morpheus não disse nada.

Apenas estendeu a mão e ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela, o toque tão delicado que doía.

Ela fechou os olhos e encostou a cabeça no peito dele.

Paz.

Uma paz que não era liberdade. Mais ela aceitou. Porque era tudo que tinha.

Chapter 16: Eu Dou à Luz Gêmeos Perfeitos.

Notes:

Capítulo editado ;)

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

 

  

 

 

Algumas semanas se passaram desde aquele dia na praia onírica, e Briely já havia completado sete meses de gravidez.

Sua barriga estava grande, como era de se esperar de gêmeos, redonda e pesada, tornando cada movimento um pequeno desafio.

Morpheus, que já era possessivo por natureza, agora parecia grudado nela de forma quase sufocante.

Antes ele já a acompanhava de perto, mas agora ela mal conseguia dar um passo sem sentir o peso de sua vigilância constante.

Ele dizia que queria “aproveitar” ao máximo os últimos meses da gravidez dela. (O que deveria ser um paraíso para ele, ela supos– ter sua "esposa" e futuros filhos tão perto) 

 

Naquela manhã, ela estava com ele no seu escritório, Ele estava sentado à sua mesa, imerso em algum trabalho.

Briely, por sua vez, estava sentada em um sofá macio, com um livro sobre maternidade nas mãos, que pegou emprestado com Lucienne há alguns dias.

De acordo com o livro, era possível saber o sexo do bebê a partir do quarto mês. “Já estou no sétimo mês agora,” pensou ela, virando a página distraidamente. “Ainda me surpreende que minha gravidez seja tão... normal, como uma gravidez humana, já que ele e o pai.”

As suas habilidades nesse último mês  às vezes se manifestavam  sem controle, muitas vezes quando ela estava de mau humor com Morpheus. “Bem feito pra ele,” ela pensou, com um leve sorriso irônico, lembrando-se de seus poderes se descontrolando.

Pequenos riachos surgiam do nada ao seu redor dando trabalho pra ele concertar, e o ar ficava úmido sempre que ela se agitava ou sentia fortes emoções.

Sete meses já... passou tão rápido,” ela refletiu, com o olhar perdido. “já vai fazer quase um ano que cheguei a esse universo."   "E Meu aniversário é daqui a alguns dias, e eu vou passá-lo aqui, longe da minha família, dos meus amigos... e principalmente meu irmão.”

Seu coração apertou ao pensar no irmão gêmeo. “Nos Nunca passamos o nosso aniversário separados."

''E a mamãe... ela deve estar tão preocupada comigo agora. Todos devem estar."

"Como será que estão agora? Seria um choque para eles me verem aqui, grávida e casada com um marido totalmente obcecado por mim."

"Se a Mamãe se soubesse tudo o que passei... E o Percy... nem consigo imaginar a reação dele."

"Tudo que eu queria agora era vê-los, abraçá-los, só por um momento...” Seus pensamentos foram interrompidos pela voz profunda e familiar de Morpheus, que a tirou de seu devaneio.  “Você já está encarando essa mesma página há um bom tempo, meu amor.”

 

Briely piscou, olhando para o livro em suas mãos, e suspirou. “Acho que sim.”

 

Ela ouviu o som dele se levantando da escrivaninha. Fechando o livro, ela o viu se aproximar e sentar ao seu lado no sofá.

Ele a observou por um momento, os olhos penetrantes como sempre, antes de perguntar “O que tanto pensa, meu coração?”

“Só em algumas coisas,” respondeu ela, evasiva.

“Que tal compartilhar comigo? Eu poderia ajudar,” insistiu ele.

“Não é nada interessante,” retrucou Briely, tentando encerrar o assunto.

 

“Mesmo assim, compartilhe comigo, esposa. Eu quero ouvir,” disse Morpheus, inclinando-se um pouco mais para perto dela.

 

Briely suspirou, sabendo que insistir na recusa só prolongaria a conversa.

“Isso é uma má ideia,” ela pensou, mas acabou cedendo.

“Eu... só estava pensando no meu irmão. Só isso.” Ela soltou outro suspiro, evitando o olhar dele.

 

“No Seu irmão,” repetiu Morpheus, E Uma carranca se formou em seu rosto, como ela previa.

 

“Viu? E Por isso eu não queria falar,” murmurou ela, brincando com a capa do livro, nervosa.

 

“Isso não é tudo, não é?” perguntou ele, estreitando os olhos.

 

Briely hesitou, seus dedos parando na capa do livro. “Eu vou fazer dezessete anos em alguns dias. E nunca passei um aniversário longe do meu gêmeo."

"Em alguns dias será o nosso aniversário, e...”

 

Morpheus a interrompeu, “Você não está sozinha. Você me tem, o seu marido."

"E em breve teremos nossos filhos conosco. Nossa família juntos."

"Quando vai esquecer desses mortais? Já conversamos sobre isso várias vezes, e parece que você nunca coloca isso na sua cabeça."

"Sempre pensando neles, mesmo quando me tem ao seu lado. Eu, o seu marido, que faria qualquer coisa por você."

"O meu amor por você é infinito, você sabe que é o meu coração.”

"Amor infinito, e uma Prisão infinita também, isso sim." Pensa ela amargamente. “Eu sei, tá bom? Eu sei,” respondeu ela frustrada. “Eu só sinto falta deles. Só isso.”

Ele segurou o rosto dela com ambas as mãos, os dedos frios contra sua pele, mas o toque era gentil, possessivo.  “Você não deveria sentir falta deles,” disse ele, os olhos fixos nos dela.

 

Briely colocou as mãos sobre as dele, ainda em seu rosto, e murmurou. “Eu só sinto muita saudade de todos eles.”

 

“Você não deveria,” repetiu ele, o tom agora mais duro.

 

Sabendo como Morpheus era, ela logo se arrependeu de ter tocado no assunto.

"Ele tá começando a ficar irritado." Ela Não queria que a conversa piorasse, então decidiu encerrá-la. “Vamos parar com esse assunto, por favor.”

 

Ele soltou o rosto dela lentamente, e Briely encostou a cabeça no peito dele, fechando os olhos para tentar se acalmar.

Morpheus a puxou para seu colo com um movimento fluido, envolvendo-a em seus braços.

“Está bem, meu amor. Não falaremos mais disso,” disse ele, a voz suavizando um pouco.

 

Ele olhou para ela por um momento, então a beijou, decidindo deixar o assunto de lado.

Afinal, aqueles mortais estavam a universos de distância, e ela nunca voltaria para eles. Não enquanto estivesse com ele.

Ele nunca a deixaria, deixá-lo.

 

Tentando mudar o rumo da conversa, Briely decidiu abordar algo que vinha pensando há dias. “Eu tenho pensado... podemos saber o sexo dos bebês?  Eu quero saber.”

 

“Poderíamos, sim, meu coração,” respondeu ele, um leve sorriso curvando seus lábios. Ao pensar nos seus filhos. 

“Posso pedir a Lucienne para...”

 

“Não,” interrompeu ela, sacudindo a cabeça. “Não?” Ele ergueu uma sobrancelha. “As Moiras, então? Elas poderiam saber.”

 

“Não, também não. Eu estava pensando em algo normal pra mim, sabe? Um ultrassom,” explicou ela, hesitante.

 

“Suponho que Elyndra possa fazer isso,” sugeriu Morpheus, mas Briely balançou a cabeça novamente.

 

“No mundo desperto,” completou ela, observando a reação dele de imediato.

O rosto dele se fechou instantaneamente.

 

“Você quer ir...” começou ele, mas ela o interrompeu, com os olhos suplicantes. “Por favor, Morpheus.”

 

“Não vou levar você para longe do Sonhar,” disse ele, a voz firme. "Ainda mais agora"

 

“Por favor, eu quero ir,” pediu ela, tentando convencê-lo. “Não,” insistiu ele.

 

“Por favor, marido,” continuou ela, sem desistir.Ela sabia que ele adorava quando ela o chamava de marido e não hesitou em usar.

Ela colocou a mão no rosto dele, acariciando suavemente, e fez uma expressão fofa, quase implorando. "Marido"

“Por favor, por favor, como um presente de aniversário adiantado. Me leva.”

 

Morpheus franziu a testa, claramente tentado a ceder, mas ainda hesitante.

Um leve sorriso surgiu em seus lábios, mas ele balançou a cabeça, por mais que ele quisesse ceder a ela, no momento ele não ia arriscar levá-la pro mundo desperto. “Não, meu amor. Não a levarei ao mundo desperto.

"Mas se quiser pedirei a Lucienne para que Elyndra descubra o sexo dos bebês. Será feito aqui, no Sonhar, Não vou levá-la daqui onde está segura.”

Briely bufou internamente, "Segura, segura uma ova,o que eu realmente preciso e  de proteção de você." Mas o que ela poderia fazer? Nada. Absolutamente nada.

Ela Estava presa ali e não poderia simplesmente sair quando ela quisesse do sonhar, que estava  sob o controle dele, então ela não poderia sair. Ela também não sabia como ela poderia sair dali.

E Bem... Ela não conseguiria, não sem ajuda (o que ela não ia conseguir),  sem isso, qualquer tentativa de resistência pra sair dali  seria completamente inútil. E se ele a pegasse tentado, ela tinha certeza seria ainda pior.

 

“Tudo bem, podemos saber mais tarde?” perguntou ela, forçando um tom neutro, como se não estivesse fervendo por dentro.

 

“Sim, claro, meu coração,” respondeu Morpheus.

 

Ela hesitou por um momento antes de continuar, a curiosidade misturada com a frustração. “Por que não fizemos isso antes? Quer dizer, saber o sexo dos bebês... por que esperar tanto?”

 

Ele inclinou a cabeça ligeiramente, um leve brilho de diversão atravessando seus olhos insondáveis. "Eu queria que fosse uma surpresa. E, como você nunca mencionou, achei que não tinha interesse em saber tão cedo.”

 

Briely soltou um suspiro, quase um resmungo, enquanto cruzava os braços sobre a barriga protuberante.  “Não é como se eu soubesse muito bem sobre maternidade ou os seus... períodos,” ela deixou escapar.

 

Morpheus ergueu uma sobrancelha, um canto de sua boca se curvando.  “Suponho que ainda não,” disse ele, baixinho com a vóz quase provocante.

 

Ele se levantou do sofá. “Vou pedir a Lucienne para preparar tudo que precisamos. Não se preocupe com nada, meu amor.”

 

Briely apenas assentiu, sem dizer mais nada. Ela reabriu o livro e fingiu voltar a ler, mas a Sua mente estava longe, perdida em pensamentos sobre o que viria a seguir.

 

Mais tarde, num salão Lucienne estava ajudando  Elyndra a conduzir um ritual um tanto peculiar para tentar "visualizar" os bebês.

No centro da sala, uma bacia de água reluzente repousava sobre um pedestal de pedra negra, a superfície tão lisa que parecia um espelho.

 

Morpheus estava presente ao lado da briely, de pé a alguns passos de distância, com os braços cruzados sobre o peito. seus olhos não deixavam sua esposa por um segundo.

Cada movimento dela, por menor que fosse, parecia ser registrado por ele.

Briely, estava sentada,  (por causa do peso da barriga.)  ela estava  segurando as bordas da bacia de água com as mãos.

Ela franziu o cenho ao observar a água imóvel “Então... deveríamos conseguir vê-los na água? E Sério?” "Isso deve ser Magia antiga. Claro, Porque ultrassom  deve ser muito"mortal" pra ele."

Elyndra, que ajustava algumas ervas ao redor do pedestal, ofereceu um sorriso paciente.  “Minha rainha, pode parecer estranho, mas este é um antigo ritual. Eu já o fiz algumas vezes, Eles aparecerão como visões na superfície da água.”

 

“Visões, claro,” murmurou Briely, com ceticismo.

Ela olhou para Morpheus por um instante antes de se voltar para Elyndra. “Não seria mais fácil e rápido não sei, chamar alguém ou fazer do jeito normal?"

" Se  for visões não e melhor, Sei lá... Chamar o  Apolo? Ele tem visões, não é ?”

 

O rosto de Morpheus se fechou instantaneamente, uma sombra passando por seus olhos como uma tempestade iminente.

Ele deu um passo à frente, a voz cortante e fria. “Não precisamos de nenhuma ajuda do Apolo. Elyndra é mais do que capaz, não é?”

 

Elyndra, sentindo a tensão no ar, assentiu rapidamente, baixando o olhar. “É claro, majestade. Eu garanto que o ritual será bem-sucedido.”

Briely revirou os olhos sutilmente. “Tá bom, vamos com a magia então.”

Sem esperar mais interrupções, ela voltou a se concentrar, murmurando palavras antigas em uma língua que Briely não reconheceu.

O cheiro de ervas queimadas preenchia o ar, doce e antigo.

A superfície da água começou a ondular, como se uma brisa invisível a tocasse, e pequenas luzes começaram a dançar sobre ela, formando padrões que pareciam vivos.

 

Finalmente, a água na bacia formou imagens. Duas pequenas figuras, envoltas em brilhos suaves, começaram a se revelar. Uma era um pouco maior, com traços mais definidos, enquanto a outra, menor, parecia mais delicada.

Ela sentiu um chute forte na barriga, como se os bebês reagissem à visão.

Elyndra sorriu levemente, erguendo o olhar para Briely. “É um menino e uma menina, majestade.”

Um sorriso melancólico logo foi curvando seus lábios. “Um menino e uma menina... Igualzinho a mim e o meu irmão,” pensou briely, com o coração apertando com a coincidência.

Era como se o destino estivesse brincando com ela, trazendo memórias. "Gêmeos"

Morpheus não se moveu de imediato, mas sua expressão suavizou “Uma pequena princesa e um pequeno príncipe. Uma notícia verdadeiramente grandiosa,” disse ele, finalmente se aproximando.

Ele colocou a mão sobre a barriga de Briely, acariciando-a.

 

Lucienne, que observava tudo em silêncio, ajustou os óculos e sorriu, embora houvesse um traço de tristeza em seus olhos. 

“De fato, meus parabéns, majestade.” Ela pensou, por um instante, em como as coisas haviam chegado a esse ponto, Mas não havia nada que pudesse fazer. Não era seu lugar.

 

Briely apenas acenou com a cabeça, tentando segurar as emoções que ameaçavam transbordar.

Ela colocou a própria mão sobre a de Morpheus, sentindo o calor dos bebês sob sua palma, mesmo que a presença dele ao seu lado ainda parecesse uma corrente. 

Um menino e uma menina. Seus filhos Pelo menos isso era algo pelo qual ela podia lutar, algo que valia a pena proteger.

 

 

 

Alguns dias depois, o Sonhar foi abalado por uma presença inesperada. 

Poseidon,  emergiu  no portão do sonhar sem aviso prévio, Ele não havia sido convidado a vir, mas isso claramente não o deteve.

 

Morpheus, alertado pelos guardas que relataram a chegada do deus, logo apareceu diante do portão principal para confrontá-lo. Sua postura era rígida, o rosto uma máscara de desagrado, com uma carranca profunda marcando suas feições.  “Poseidon, a que devo a intrusão?” ele perguntou.

 

O deus dos mares o encarou  “Você sabe o porquê da minha intrusão, Sonho. Vim ver minha filha. Não me faça esperar mais,” ele retrucou impacientemente.

 

Morpheus o encarou por um longo momento, os punhos cerrados por um instante antes de relaxarem.

Ele não havia respondido às cartas de Poseidon, ignorando seus pedidos para ver Briely nos últimos meses.

Ele Nem sequer mostrara as mensagens dele a ela, mantendo-a isolada de qualquer influência externa dos gregos, e  principalmente a dele.

Mais o que ele Não esperava e que o deus viesse pessoalmente ao seu reino, desafiando sua autoridade.

Mesmo assim, seu rosto permaneceu impassível. “Você não foi convidado. Mas, por ela, permitirei que a veja. Siga-me,” ele  disse, com  o tom frio. 

Poseidon deu um sorriso estranho, quase debochado, que fez Morpheus franzir a testa ainda mais.

Apesar dele não ser seu verdadeiro pai, eles se parecem tanto,” pensou Morpheus enquanto guiava o deus pelo castelo, a irritação crescendo dentro dele. A semelhança entre Briely e Poseidon era inegável, tanto fisicamente, e na teimosia.

 

Briely, alheia ao tumulto lá fora, estava em seu jardim particular, Ela estava entretida, sentada em um banco próximo ao lago, desenhando Matthew, que posava dramaticamente em um galho à sua frente.

Seu rosto estava concentrado, o lápis movendo-se com precisão sobre o caderno, ela estava tão imersa  no desenho que nem ouviu o som da porta do jardim se abrindo.

A voz de Morpheus logo soou, interrompendo seu desenho.  “Meu amor, você tem uma visita... Digamos um pouco inesperada.”

Ela ergueu os olhos do desenho, e seu coração deu um salto ao ver a figura  de Poseidon atrás de Morpheus.

Seus olhos brilharam de felicidade, um sorriso genuíno iluminando seu rosto.  “Pai!” ela exclamou, levantando-se com dificuldade, o peso da barriga tornando o movimento lento.

O caderno caiu no banco enquanto ela se aproxima dele, com os braços abertos.

Embora ele fosse  apenas a contraparte de seu pai de seu universo original, o laço emocional que ela sentia por Poseidon era real.

As vezes ela pensava que esse Poseidon se importava mais com ela do que o seu próprio pai. 

Ela nunca entendeu o porque ele a designou pra quela missão, e bem no fundo ela o culpava, porque se não fosse por ele escolher pra aquela missão, ela nunca teria vindo parar aqui, e definitivamente não acabaria nesse universo estranho, e definitivamente não acabaria casada e posteriormente grávida — tudo teria sido tão diferente.

 

Poseidon correu até ela, apoiando-a com uma mão  antes que ela acontecesse tropeçar.

“Minha menina, minha pequena joia, olhe para você... Como cresceu desde a última vez que te vi!” Ele a abraçou com cuidado, e Briely sentiu lágrimas de emoção brotarem em seus olhos enquanto retribuía o abraço.

"Ele realmente se importa muito comigo "  Ela se afastou um pouco, rindo enquanto enxugava os olhos.  “Só se for a barriga pai, porque eu não cresci nada além disso,” ela disse, sorrindo. Não que ela fosse crescer mais, afinal ela não cresceu mais nenhum centímetros desde os quinze. Mais Não era como se  ele soubesse disso. 

 

Poseidon riu, “E como você está, minha princesinha? Ele está te tratando bem? Precisa de alguma coisa?”

 

Antes que Briely pudesse responder, Morpheus interveio, sua voz carregada de irritação mal disfarçada.  “Eu cuido muito bem da minha esposa, Poseidon."

"Ela não precisa de nada que não possa receber de mim.”

 

Briely revirou os olhos sutilmente, ignorando o comentário de Morpheus, e pegou a mão de Poseidon, puxando-o para dentro do jardim.

“Vem, pai, quero te mostrar uma coisa.” Ela deixou Morpheus para trás, que ficou parado na entrada por um instante, os braços cruzados e a expressão sombria.

 

Mathew, ainda empoleirado no galho que servia de modelo para o desenho, soltou um grasnado baixo e comentou “Parece que você não gosta de dividir atenção da esposa, hein, chefe?”

 

Morpheus lançou um olhar fulminante para o corvo, que se calou imediatamente, batendo as asas como se estivesse rindo.

Sem dizer uma palavra, Morpheus seguiu os dois, mantendo distância, mas nunca tirando os olhos de Briely.

 

No jardim, Briely conversava animadamente com Poseidon, mostrando-lhe as flores que mudavam de cor com o toque de seus dedos, um truque que ela havia descoberto recentemente, talvez dado a sua ligação com o morpheus. “Olha só, pai, eu nem sabia que podia fazer isso até umas semanas atrás. Acho que tem a ver com o ritual de casamento..."

 

"E também meus poderes estão estranhos,  descontrolados. Outro dia, quando eu estava de mau humor eu conjurei um riacho sem nem perceber!”

 

Poseidon observava com um sorriso orgulhoso, os olhos brilhando de afeto.  “E os bebês... Como estão eles? Você já sabe algo sobre eles?”

 

Briely sorriu, quase tímida, mas seus olhos brilharam de entusiasmo.

“Sim! São gêmeos, pai. Um menino e uma menina!”

 

O rosto de Poseidon se iluminou com um sorriso largo.

“Eles vão ser meus Meus primeiros netos! Um menino e uma menina! Isso é uma bênção,minha filha!” Ele passou a mão pela cabeça dela com carinho, bagunçando seus cabelos de leve. “Você já pensou em nomes? Se quiser sugestões talvez Algo que lembre o oceano, quem sabe?”

 

“Ainda não decidimos,” admitiu Briely, lançando um olhar rápido para Morpheus, que permanecia a alguns passos de distância, os braços cruzados. “ Talvez eu o  convença  disso.”

 

Poseidon riu, enquanto lançava um olhar de canto para o Senhor dos Sonhos.  “Boa sorte com isso. Seu marido não parece muito aberto as minhas sugestões.”

 

“Pai, não começa,” disse ela, rindo, mas com um toque de nervosismo, sabendo que qualquer faísca entre os dois poderia incendiar o ambiente.

 

Morpheus, por sua vez, não interrompeu a conversa, mas seu olhar era uma tempestade contida.

 

Depois de algum tempo, enquanto caminhavam pelo jardim e Briely apontava pras flores desabrochando, Poseidon parou e a olhou com seriedade. “Eu estive preocupado, sabe. Não recebi notícias suas, e ele—” acenou com a cabeça na direção de Morpheus, “não respondeu às minhas mensagens. Tive que vir até aqui pra ter certeza de que você estava bem.”

 

Briely baixou o olhar por um momento, a culpa misturando-se com a raiva. “Eu... eu não sabia que você tinha tentado entrar em contato pai. Ele não me disse nada.”

 

Poseidon estreitou os olhos pro morpheus, mas ele não comentou mais sobre isso. Em vez disso, ele segurou a mão dela, apertando-a suavemente.  " Isso Não importa agora. Estou aqui, e vejo que você está bem. Só me prometa que vai cuidar de si mesma, tá bom?"

"E me avise quando meus netos chegarem. Quero conhecê-los.”

 

“Eu prometo, pai,” disse ela, sorrindo, embora uma pontada de tristeza apertasse seu coração. Ela Sabia que Morpheus não facilitaria as coisas.

 

Quando finalmente chegou a hora de partir, Poseidon se aproximou de Morpheus, que observava a cena de longe com um olhar gélido.

O deus dos mares baixou a voz, mas o tom era puro veneno, com uma leve ameaça.  “Escute bem, Sonho. Eu Não te perdoo pelo que você fez com ela."

''Se eu descobrir que você a machucou de novo, ou que algo acontece aos meus netos,  Não me importo se você é um Perpétuo."

"Eu vou dar um jeito de tirá-la daqui e vou levá-la comigo. Esteja avisado.” Morpheus não se abalou com a ameaça, seus olhos escuros encontrando os de Poseidon sem hesitar. “Cuide de suas ameaças, Poseidon. Ela é minha esposa, assim como os filhos dela são meus filhos também eu nunca a machucaria."

"Se e só isso, sua visita terminou, sugiro que vá embora.”

 

Briely, que observava a troca de palavras com o coração na garganta, interveio rapidamente ela não queria que ele fosse embora ainda. “Não, Morpheus, espera. Pai,  você não precisa—”

 

Poseidon sorriu para ela, seu rosto suavizando imediatamente. “Tudo bem, minha joia. Só, Cuide-se, minha filha. Virei para conhecer meus netos.”

Ele a abraçou mais uma vez, beijando sua testa com ternura, antes de lançar um último olhar cortante para Morpheus.“Cuide bem dela e dos meus netos, Sonho.”

 “Você não precisa me dizer isso,” retrucou Morpheus.

 

Com isso, Poseidon ergueu a mão, e um portal de água reluzente se abriu diante dele, o som de ondas ecoando pelo jardim. Ele atravessou, desaparecendo em um borrão de sal e espuma.

 

Briely olhou para Morpheus, seus olhos encontrando os dele por um longo momento. Havia tanto que ela queria dizer, tantas perguntas sobre as cartas que ele escondera dela, mas o peso de sua presença a fez engolir as palavras.

Em vez disso, um sorriso ainda permanecia em seus lábios por ver o poseidon, uma faísca de felicidade genuína que nem mesmo ele poderia apagar.

Ela voltou a se sentar no banco, pegando o caderno novamente, enquanto Morpheus a observava em silêncio.

 “Foi bom vê-lo, mesmo que seja por pouco tempo” disse ela suavemente, enquanto traçava uma linha no papel.

 

Morpheus não respondeu de imediato. Ele se aproximou, sentando-se ao lado dela, a presença dele tanto reconfortante quanto opressiva. “Ele não voltará sem meu consentimento,” disse por fim.

 

Briely não olhou para ele, apenas continuou desenhando. “Voce não faria isso” ela o respondeu simplesmente.

 

Morpheus não disse mais nada, mas sua mão repousou sobre a dela, um gesto que era ao mesmo tempo posse e tentativa de conforto.

 

As semanas  no Sonhar foram se passando marcadas por uma crescente inquietação.

Briely, já tendo completado nove meses de gestação, sentia o peso da expectativa e do medo do parto apertando seu peito.

A ansiedade a consumia, e nem mesmo as tentativas de Morpheus de tranquilizá-la que tudo ocorreria bem não  pareciam surtir efeito.

Ele fazia o possível pra diminuir a inquietação dela, sempre por perto respondendo as perguntas e dúvidas dela, mas a tensão dentro dela não diminuía.

Para sua surpresa, porém, uma visita inesperada trouxe um alívio momentâneo.

 

Naquela tarde, sua tia Hera, a rainha dos deuses, e Ilítia, a deusa dos partos e, apareceram no Sonhar.

Foi uma surpresa genuína para ela, considerando como Morpheus parecia determinado a manter os deuses gregos afastados dela durante os últimos meses ( ou pelo menos Poseidon) e, para seu espanto, foi o próprio Morpheus quem as convidou.

Briely não sabia ao certo o que o motivara a mudar de ideia, e decidir deixar que os gregos a visitassem "Afinal Por que agora?", mas ela decidiu não questionar o gesto dele .

Essa Hera, era um pouco diferente da Hera do seu universo que era fria e hostil, essa Hera era bastante diferente e gostava dela e parecia até se preocupar com ela, ela também surpreendentemente parecia vibrar de entusiasmo com a sua  gravidez, mais do que ela própria.

Ao entrar no salão onde Briely descansava, a deusa trazia consigo vários presentes, não apenas dela, mas de outros membros do panteão.

Afrodite enviara uma pelúcia macia de coelho, Atena um livro de contos infantis com capa de couro gravado, Dionísio enviou um vinho raro e bem antigo com uma nota brincalhona que dizia:

“Para a minha querida prima, pra relaxar depois que os pequenos chegarem. Beba com moderação (ou não)!”.

 

Até mesmo o Zeus, que ela tinha um desconfiança instintiva (devido ao Zeus do seu universo), enviara com a Hera um manto, um  tecido com fios dourados.

Sim, Essa versão de Zeus parecia um banho de água fresca, em comparação ao Zeus do seu mundo original. 

 

Ela já ganhou tantos presente do seu panteão e de alguns deuses que ela conhecia e outros outros nem tantos, Que os Os presentes se acumulavam.

Os bebês já tinham um quarto só abarrotado de pelúcias, roupas e alguns objetos mágicos, que ela duvidava que seriam usados.

Entre todos os deuses que mandaram os presentes, Poseidon e Hera pareciam competir pra quem mandava mais presentes nessas últimas semanas, dado a quantidade que cada um mandou.

O que fazia Briely rir internamente, enquanto Morpheus, exibia uma expressão cada vez mais azeda a cada nova entrega de presentes.

 

Lucienne, anunciava cada chegada com um leve tom de resignação: “Mais um presente, minha senhora, do lorde Poseidon... novamente.” Briely mal conseguia esconder o divertimento ao ver a testa de Morpheus se franzir.

 

A situação com as cartas de Poseidon, no entanto, ainda a incomodava.

Descobrir que Morpheus escondeu as mensagens do Poseidon durante todo esse tempo, e se não fosse por ele vir visitá-la e contar a ela, ela nunca saberia.

Isso, a deixou furiosa por dias com ele, e ela só aceitou falar com ele, depois que ele prometeu entregar todas as cartas atrasadas, e não esconder mais nada dela. Isso foi uma pequena vitória que ela saboreava.

 

Voltando à visita, Hera se sentou ao lado de Briely em um sofá macio em  um dos salão  do Sonhar, enquanto Ilítia ainda observava os arredores com uma estranha curiosidade.

Morpheus estava de pé encostado na parede, ao lado de sua esposa, so a poucos passos do sofá, com os braços cruzados e uma expressão carrancuda no rosto, claramente pouco à vontade com as deusas gregas em seu reino. Ele claramente não gostava de visitas. 

Hera, no entanto, ignorava-o completamente, focada em sua sobrinha com um sorriso largo no rosto.

“Minha querida, olhe só para você! Tão radiante! Esses bebês vão ser uma alegria eu garanto,” disse Hera, cheia de entusiasmo enquanto tomava um gole de chá, os olhos brilhando.

“Seria bom se seus filhos puxassem mais a mãe do que ao pai, não acha?”acrescentou ela com um tom provocador, lançando um olhar de canto para Morpheus.

Briely riu baixinho, escondendo o sorriso atrás de sua própria xícara de chá. “Acho que sim, tia.” respondeu ela com a voz leve, mas com um brilho divertido nos olhos.

"Finalmente alguém dizendo a verdade."pensou ela, sentindo um alívio gostoso ao ver o desconforto sutil do marido.

Hera lançou um olhar de lado para Morpheus, o canto da boca se curvando em um leve deboche.

“É, vamos torcer pra que eles não herdem nada dele  e que eles não sejam tão... rígidos, digamos assim.” continuou ela com um tom casual, tomando outro gole do chá como se nada tivesse acontecido.

 

Morpheus estreitou os olhos pra ela, mas não respondeu, o maxilar travado.

Briely, por sua vez, fingiu não notar o comentário, mas não pôde evitar se divertir com a irritação sutil de seu marido.

Durante toda a gravidez, ela estivera um pouco mais impertinente com ele, talvez por causa dos hormônios ou da tensão acumulada, mas ele nunca retrucou, aceitando cada comentário afiado, que as vezes ela preferia contra ele, com uma paciência que a surpreendia as vezes.

 

Ilítia, que até então estava quieta, finalmente se aproximou, sentando-se do outro lado de Briely.

“E Como você está se sentindo, prima? Com medo do parto pelo que eu soube?" perguntou ela suavemente com a voz reconfortante.

"É normal, sabe. Mas eu estarei aqui pra ajudar." "Sempre ajudo as mães em dificuldade.” acrescentou Ilítia com um sorriso calmo

Briely assentiu, apertando a xícara com um pouco mais de força. “Estou... nervosa, sim. Muito. Não sei o que esperar, e a ideia de sentir dor como falam me assusta.” confessou ela, seus os olhos baixando por um instante para a barriga arredondada.

Hera a interrompeu com uma risada leve, mas franca.

“Oh, querida, Maís vai doer. Não tem como evitar, O parto é uma batalha, mas você é forte". "E olhe só, Ilítia é a melhor nisso. Ela vai estar com você a cada passo.”disse ela com o tom prático e encorajador, inclinando-se para frente.

Ilítia sorriu, inclinando a cabeça. “Exatamente."

"E espero que o Senhor dos Sonhos nos deixe entrar quando chegar a hora, não é, primo distante?” perguntou ela lançando um olhar desafiador para Morpheus, o tom leve mas com uma ponta de provocação.

“É claro que deixarei. Minha esposa terá todo o auxílio necessário,” retrucou ele sem mover um músculo.

Briely olhou para ele, arqueando uma sobrancelha com um leve sorriso. “Claro que ele vai chamar vocês, não é, marido?” perguntou ela com o tom doce e provocador, estendendo a mão para tocar de leve o braço dele, sentindo a tensão nos músculos dele.

Hera riu baixinho, claramente se divertindo com a tensão.

“Bem, eu também estarei aqui, querida. Não se preocupe. Entre eu, Ilítia e... bem, o Sonho você estará em boas mãos e terá um ótimo parto.”,” disse ela com um aceno confiante.

 

As três mulheres continuaram conversando animadamente sobre o parto, os cuidados com os bebês e as histórias de outros nascimentos  já corridos no panteão.

Briely, apesar do nervosismo ao ouvir sobre a dor inevitável, sentiu-se um pouco mais tranquila com a presença delas.

Era reconfortante ter outras mulheres ao seu lado, especialmente aquelas que pareciam ignorar Morpheus tão completamente quanto ela própria às vezes desejava fazer.

 

“E se doer muito? Tipo, e se eu  gritar, xingar todo mundo?” perguntou Briely, meio brincando, meio séria, com um sorriso tímido.

Hera deu um sorriso. “Grite à vontade, querida! Eu já ouvi de tudo.” respondeu ela dando um tapinha carinhoso, no joelho de Briely. O que a surpreendeu novamente, sim... Essa Hera, era a sua Hera preferida, não tinha nem comparação com a do seu universo.

Ilítia riu.“Vamos ajudar no que você precisar.” acrescentou ela com o tom gentil e prático.

Briely sorriu, o peito mais leve. “Obrigada. Sério.” sussurrou ela com gratidão genuína nos olhos. Aquela conversa com as duas a ajudou a se acalmar bastante, era tudo que ela queria ouvir.

 

A conversa se estendeu pela tarde inteira, com risadas, conselhos e mais chá.

Quando finalmente chegou a hora de partir, Hera a abraçou com força, prometendo retornar no dia do parto.

 

“Cuide-se, sobrinha.” disse Hera, beijando o topo de sua cabeça com carinho maternal.O que fez os olhos dela lacrimejarem levemente, isso a lembrava muito de sua mãe.

 

Ilítia também a abraçou, murmurando com um tom mais sério. “Quando as contrações começarem, me avise. Estarei aqui num piscar de olhos.” sussurrou ela.

 

Briely sorriu, agradecida. “Obrigada, prima. E obrigada, tia por terem vindo. Foi... realmente bom ter vocês aqui nesse momento.” respondeu ela com, os olhos marejados.

 

As deusas acenaram enquanto se afastavam, desaparecendo em um brilho dourado.

Morpheus, que permanecera em silêncio nos últimos minutos, finalmente se aproximou  e se sentou ao seu lado.

Briely o encarou, mas não disse nada, apenas voltou a se acomodar melhor no sofá, encostando a cabeça no ombro dele.  sentindo um leve alívio em seu coração com a situação. "Obrigada, por as convidar para vir", sussurrou ela agradecida, ele apenas passou o braço ao redor dela, puxando-a mais perto.

 

 

 

 


 

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Alguns dias se passaram e nesse dia em particular, Briely sentia contrações leves desde a manhã.

Ela Estava sentada em uma poltrona confortável em um dos salões do Sonhar, tentando ler um livro para distrair a mente, enquanto Morpheus a fazia companhia enquanto trabalhava em um sonho em uma mesa próxima.

Seus olhos, no entanto, não se desviavam dela, atentos a cada movimento, e a cada suspiro que ela emitia.

 

Ela rolou os olhos, um pouco entediada com a superproteção dele, mas antes que pudesse fazer um comentário sarcástico, uma contração forte a atingiu de repente, fazendo-a largar o livro e agarrar a borda da poltrona com força, soltando um gemido baixo.

Morpheus largou imediatamente o que estava fazendo, cruzando a distância entre eles em um instante.

“Eu disse que você deveria ficar na cama hoje,” falou, a sua preocupação misturada com repreensão.enquanto se ajoelhava ao lado da poltrona, com uma mão já tocando o braço dela.

 

Briely bufou, tentando recuperar o fôlego. “Elas Estavam leves até agora. Eu não achava que...” Murmura ela com a voz entrecortada, o rosto pálido enquanto tentava se recompor.

 

Outra contração a interrompeu, mais forte ainda, arrancando um gemido agudo de seus lábios.

“Ahh...” Ela se curvou, segurando o braço de Morpheus com força, as unhas cravando na pele dele sem que ele piscasse.

Ele não hesitou, inclinando-se para perto dela.

 

“Vou te levar para o quarto,”declarou ele com a voz firme, mas com uma urgência que traía sua preocupação, já passando os braços sob ela.

 

“Uhh, que  merda,” murmurou ela, sentindo algo quente e úmido escorrer por seu vestido. após isso o seu pânico começava a subir.

Sua bolsa havia estourado.

“Isso dói,” gemeu, enquanto outra contração a fazia se encolher,o corpo tremendo.

“droga... Uh, Morpheus, os bebês... eles estão vindo. Tipo, tipo agora!”

“... Isso dói,” ela sussurra trêmula, com os olhos cheios de medo e dor

“Respire, meu amor. Estou aqui. Vai ficar tudo bem,” disse ele, ajustando a no colo com facilidade, um braço sob os joelhos, o outro nas costas. Enquanto a carregava pelos corredores do castelo, a dor dela parecia ecoar no próprio Sonhar.

Pequenas gotas de chuva começaram a se formar ao redor deles, caindo como uma garoa leve contra as janelas.

Briely havia descoberto durante a gravidez que seus poderes estavam mais fortes, depois do ritual e de alguma forma conectados ao reino onírico por causa de sua ligação com Morpheus, e as vezes ele reagia às suas emoções.

Ele nunca explicou muito sobre isso a ela, mesmo ela insistindo ele só disse que poderia acontecer, mas confirmou que era parte de sua união.

Agora, com a sua dor, a chuva se intensificava pelo reino, refletindo sua agitação.

 

Ela logo começou a entrar em pânico, a  respiração ficando curta enquanto a dor aumentava.

“Morpheus, eu... eu não sei se consigo... dói muito,” ela  sussurrou novamente, com  a voz trêmula, enterrando o rosto no peito dele enquanto lágrimas escorriam.

 

“Você consegue. Estou com você. Não vou te deixar um segundo sequer sozinha,” respondeu ele reconfortante, enquanto acelerava o passo.

“Lucienne! Elyndra!” Seu comando ecoou pelo castelo, reverberando pelas paredes como um trovão.

 

No quarto preparado antecipadamente para o parto, Lucienne e Elyndra já os esperavam.

Elyndra, aproximou-se imediatamente de Briely enquanto Morpheus a deitava na cama.

 

“Minha rainha, vamos ajudá-la nesse momento, Confie em nós,” disse Elyndra, calmamente, enquanto colocava as mãos sobre a barriga de Briely, tentando aliviar a dor com sua magia.

 

Briely gritou quando outra contração a atingiu, a intensidade quase insuportável.

“Caramba, isso Dói tanto...”soluçou ela , enquanto a chuva entrava pela janela aberta, molhando o chão do quarto.

Lucienne correu para fechá-la, enquanto Morpheus se ajoelhava ao lado da cama, segurando sua mão.

 

“Vai ficar tudo bem, meu amor. Respire comigo. Estou aqui,” murmurou ele, beijando seus dedos com  ternura. Com os olhos escuros fixos nos dela como se quisesse transferir toda a sua força para ela.

 

As contrações vinham em intervalos cada vez menores, a cada cinco segundos, e Elyndra a orientava a respirar. “Inspire, minha rainha. Solte o ar. Você está indo bem.”com a voz calma e autoritária.

 

Briely apertava a mão de Morpheus com força desumana.

“E a Ilítia? Ela não vem? Você não a chamou, né?!”acusou ela lançando um olhar furioso para ele entre um grito e outro, o rosto contorcido de dor e raiva.

 

Morpheus não se abalou com a raiva dela. “Lucienne, vá buscá-la agora,” ele a  ordenou, sem desviar o olhar de dela. “Elyndra pode cuidar de tudo por enquanto.”

 

“Sim, minha rainha, estou aqui. Não se preocupe,” reforçou Elyndra, embora sua voz carregasse um leve tom de tensão.

enquanto isso os do lado de fora a paisagem se transformou em uma tempestade, com alguns raios cortando o céu onírico.

 

Entre os gritos, a dor e o desespero, a raiva de Briely transbordou.

“Isso é culpa sua, toda sua Morpheus! Por que você fez isso comigo?" exclamou ela com lágrimas de frustração e dor escorrendo pelo rosto enquanto outra contração a fazia gritar. "Eu não estaria sofrendo assim se não fosse por você!” 

“Eu te odeio por isso!”

Morpheus apenas beijou sua testa, sem levar as palavras a sério. “Eu sei, eu sei, meu amor. Mas vai ficar tudo bem. Estou aqui. Você está indo tão bem, esposa. Continue,” ele murmurou, calmamente, segurando firme sua mão.

 

Momentos depois, Ilítia chegou acompanhada por Lucienne e Hera. Que entrou com um sorriso radiante no rosto.

“Minha sobrinha, estou tão feliz por estar aqui nesse momento!” exclamou Hera, enquanto Ilítia já se movia para o lado de Briely, assumindo o comando do parto com uma confiança natural.

Hera ficou ao lado de Morpheus, auxiliando, embora não resistisse a soltar pequenas farpas.

“Parece que você nunca teve um filho antes, Sonho." "Está um pouco pálido, como um mortal,” comentou Hera, com um tom debochado, enquanto limpava o suor da testa de Briely com um pano.

 

Morpheus lançou um olhar cortante para ela, mas não respondeu, focado em sua esposa.

Ela, entre gritos de dor, ela xingava a todos ao seu redor principalmente o morpheus pro total divertimento da Hera, mas o apoio de Hera e Morpheus tornava a situação um pouco mais suportável.

“Seu idiota! Isso é tudo culpa sua! Eu te odeio!” gritava Briely entre contrações, apertando a mão de Morpheus com tanta força, ela queria que ele sentisse uma fração da dor que ela estava sentindo, mais ele nem sequer  piscava.

Hera ria e Ilítia sorria. “Respire, prima. Foque na respiração.”disse Ilítia com a voz firme e encorajadora.

 

Horas se passaram em uma agonia interminável. “Empurre agora, querida!” comandou Ilítia, a voz firme e autoritária.

 

Briely obedeceu, gritando com o esforço, o corpo tremendo de exaustão.

O Sonhar rugia lá fora, a tempestade em perfeita sintonia com seus gritos, raios iluminando o céu em explosões de luz.

“Você está quase lá, sobrinha! Vamos, força!” encorajou Hera, apertando sua mão com firmeza.

 

“Você consegue, meu amor. Só mais um pouco,” acrescentou Morpheus, sua voz rouca, os olhos fixos nos dela.

 

Após minutos de sofrimento, o primeiro choro cortou o ar.

Briely suspirou, aliviada, lágrimas escorrendo por seu rosto enquanto Morpheus exibia um brilho  de felicidade nos olhos. O que parecia bastante estranho pras deusas presentes porque ele era bastante Introvertido e Sombrio, mais ele parecia completamente diferente com a sua esposa.

Ilítia pegou o bebê, limpando-o rapidamente antes de envolvê-lo em um pano macio.

 

“É um menino, o mais velho,” anunciou, entregando-o a Morpheus, que o segurou com um cuidado.

Ele se aproximou de Briely, colocando o bebê em seu peito.

Ela passou a mão trêmula no rostinho dele, chorando de emoção. “Ele é tão... perfeito,” sussurrou ela com a voz entrecortada, os dedos tocando o rostinho minúsculo.

 

Hera sorriu, inclinando-se para ver o menino. “Ele é fofo. Um verdadeiro tesouro.” disse ela com a voz suave e orgulhosa.

 

Mas não havia tempo para alívio depois de alguns minutos. Outra contração, ainda mais intensa, fez Briely gritar novamente. “Droga!” ela exclamou, ofegante.

 

Hera pegou o menino de seus braços com cuidado. “Deixe-o comigo. Vou ir com a Lucienne  para limpá-lo corretamente.”

As duas se afastaram enquanto ela enfrentava o segundo nascimento, que parecia ainda mais doloroso que o primeiro.

 

Morpheus limpou o suor de sua testa, sussurrando palavras reconfortantes. “Você está indo bem, meu amor. Só mais um pouco.”murmurou ele pra ela,  baixinho com a voz  cheia de emoção.

 

“Não dá pra... por favor!” implorou ela, exausta, mas ele a encorajou, colocando a mão suavemente sobre sua barriga enquanto outra contração a fazia gritar.

 

“Você consegue. Eu sei que consegue. Estou aqui,” insistiu ele, beijando sua testa, mantendo-a focada nele.

 

Ilítia interveio, a voz firme. “ Vamos Empurre, Bri! Está quase lá!”

 

Finalmente, após um esforço que quase a fez desmaiar, o segundo choro ecoou no quarto.

Ilítia pegou a menina, limpando-a e enrolando-a em um pano antes de entregá-la a Morpheus. “Nossa princesinha,” disse ele, com um leve sorriso admirando-a, antes de colocá-la no peito de Briely.

 

“Oi, bebê,” sussurrou ela, segurando a pequena mão da filha, encantada. Hera e Lucienne voltaram logo depois, trazendo o menino limpo e entregando-o a Briely. Hera pegou a menina para que fosse limpa por Ilítia e Lucienne, retornando-a rapidamente aos braços de Morpheus.

 

Com um aceno respeitoso, Elyndra, Lucienne, Hera e Ilítia recuaram.

“Parabéns,  sobrinha. Você foi magnífica,” disse Hera com um sorriso orgulhoso e genuino,  Ilítia assentiu, adicionando “Estarei por perto Sempre que precisar de mim novamente, prima.”

 

Elas saíram da câmara em silêncio, deixando o casal a sós com os recém-nascidos.

Briely, exausta e pálida, sentiu Morpheus colocar a filha ao seu lado no peito enquanto segurava o menino mais perto.

Lágrimas de alegria e alívio escorriam por seu rosto. “Vocês... vocês estão aqui,” sussurrou, a voz entrecortada por soluços enquanto tocava o rosto dos dois bebês.

 

Morpheus sentou-se na cama ao lado dela, inclinando-se para beijá-la suavemente na testa. “Você foi incrível, esposa,” murmurou ele com a voz rouca de emoção, os olhos brilhando com algo raro e profundo. Era felicidade genuina, ele finalmente consegui o que sempre quis.

 

Ele pegou a menina no colo novamente, segurando-a com cuidado, enquanto Briely aninhava o menino.

Seus olhos se encontraram por um momento, um silêncio cheio de emoções muito profundas para serem ditas em palavras.

 

A tempestade no logo Sonhar começou a se acalmar, a chuva logo reduzindo-se a uma garoa leve, como se o próprio reino celebrasse o nascimento dos gêmeos.

E ali, naquela câmara, uma família começava a se formar, complexa, mas, por agora, completa.

 

 

Morpheus observou os bebês no colo de Briely, claramente encantado, os traços de seu rosto suavizando ao notar as semelhanças entre eles e seus pais.

“Ela se parece tanto com você, meu amor,” murmurou, os olhos fixos na menina em seus braços, admirando os traços delicados que ecoavam os de sua esposa. — eles também tinham o nariz pequeno, os lábios cheios, o cabelo escuro e fino.

“E ele... ele tem meus olhos, como ela” ele completou, olhando para o menino, cujos olhos intensos refletiam os seus, mesmo tão jovem.

 

Ele passou o braço pela cintura dela, puxando-a gentilmente para mais perto.

Inclinou-se e a beijou nos lábios, um beijo lento, profundo, cheio de emoção. não apenas desejo, mas uma posse suave, como se selasse o momento.

Quando se afastou, passou a mão pelo cabelo do menino no colo da esposa, acariciando-o com um carinho.

 

“Eles são perfeitos,” ele disse, os olhos voltando-se para a menina em seus braços, como se ainda não pudesse acreditar que eles eram reais, que aquelas duas vidas eram parte dele e dela. Que eles haviam feito. "Perfeitos"

Briely, ainda com a respiração ofegante e os olhos marejados de felicidade, levantou a cabeça apenas o suficiente para olhar para a menina no colo de Morpheus.

Um sorriso fraco, mas genuíno, curvou seus lábios. “Ela é tão linda,” ela sussurrou, emocionada. "como eu imaginei."

Com um movimento lento e cuidadoso, ela estendeu os braços, pedindo silenciosamente para segurá-la também.

Morpheus entregou a menina com um cuidado, seus dedos demorando um pouco ao passar a pequena para os braços da mãe.

Em troca, ele pegou o menino do colo dela, segurando-o com firmeza.

 

Enquanto olhava para o rosto do bebê, seus pensamentos se voltaram para um lugar de certeza absoluta. "Eles são meus. Minha família. Nada, nem qualquer força no universo, vai nos separar."

"Nem os deuses, nem o destino pela frente, nem ela mesma. Somos um só e agora, uma família para sempre." Ele segurou o menino mais perto, como se pudesse proteger aquele momento eternamente, gravando cada detalhe em sua mente imortal.

 

Briely, com ambos os bebês agora em seus braços, ajustou-se na cama com dificuldade, o corpo exausto do parto.

Morpheus percebeu e se aproximou ainda mais, ajudando-a a se posicionar.

“Deixe-me ajudar,” ele murmurou, suas mãos guiando os bebês para que ela pudesse amamentá-los.

 

Ele ficou ao lado dela, um braço ao redor de seus ombros como um pilar de apoio, enquanto ela, mesmo trêmula, conseguia alimentar os pequenos.

Os bebês eram quietos, quase angelicais, fazendo pequenos sons suaves sugadinhas delicadas, respiração ritmada enquanto se aconchegavam a ela.

Seus rostinhos eram fofos e redondos, com traços delicados que misturavam os pais de uma forma quase mágica.

“Eles são tão fofos,” disse Briely, fracamente mais com a voz cheia de carinho. "Eles são os Meus Filhos, nossa, Nem da pra acreditar que eu tenho Meus próprios filhos agora."

Ela olhou para Morpheus, os olhos brilhando com uma ideia.Ela vinha pensando nisso a algum tempo.

“Eu... eu tenho nomes em mente para eles. O que acha de...” Ela hesitou, como se quisesse ouvir a opinião dele antes de continuar, mas antes que pudesse terminar, um bocejo profundo a interrompeu.

Seus olhos começaram a pesar, o cansaço finalmente vencendo a adrenalina do momento.

 

Morpheus notou imediatamente. Ele inclinou-se para perto, os lábios roçando suavemente a testa dela em um beijo gentil.

“Descanse agora, meu amor. Você fez mais do que o suficiente,” disse amorosamente, em voz baixa. “Só Durma um pouco. Minha essência em você vai curá-la. Eu cuido de tudo.”

 

Ele soprou uma leve areia sobre o rosto dela, usando seus poderes para induzi-la ao sono. “Durma, eu vou cuidar de tudo,” repetiu ele, o tom quase hipnótico.

 

Briely tentou protestar, mas suas pálpebras já se fechavam. “Não, só... só um pouco,” murmurou, antes de ceder completamente, adormecendo com os bebês ainda em seus braços.

Seu rosto, mesmo no sono, parecia em paz, um contraste gritante com a agonia de horas antes.

 

Com cuidado, Morpheus pegou os bebês, um em cada braço, para que ela não fosse perturbada.

Ele se levantou devagar, levando a esposa no colo. Caminhou até o quarto deles, os corredores do Sonhar agora silenciosos, a tempestade de antes reduzida a uma brisa calma lá fora.

Ele a deitou na cama com delicadeza, ajeitando os cobertores ao redor dela para que ficasse confortável. alisando o cabelo suado da testa dela com um toque leve.

Depois, ele voltou sua atenção aos bebês.

 

No canto do quarto, havia um berço duplo que ele mesmo havia criado semanas antes. Era feito de um material que parecia madeira estrelada, com detalhes que brilhavam suavemente como constelações. com  um céu noturno em miniatura acima deles.

Ele colocou os bebês ali, um ao lado do outro, ajustando os tecidos que os envolviam para que ficassem aquecidos.

Por um longo momento, ele apenas ficou ali, parado, olhando para eles.

O cheiro doce de leite e pele nova enchia o ar, misturado ao silêncio reconfortante do quarto.

"Meus filhos. Eles realmente estão aqui, nossa criação, frutos do nosso amor." Seus dedos roçaram de leve a bochecha do menino, depois a da menina. sentindo a maciez  da pele deles.

“Voces são meus filhos,” ele murmurou, a voz tão baixa que mal era audível, um segredo compartilhado apenas com eles. “Nada nunca os tirará de mim.”

"Eu não viu deixar que aconteça nada com vocês, meus filhos"

"Como aconteceu com o Orfeu"

Morpheus permaneceu ao lado do berço por horas, os olhos fixos nos bebês como se estivesse guardando um tesouro.

A luz suave do Sonhar refletia nos rostinhos deles, e ele não conseguia desviar o olhar, fascinado por cada pequeno movimento deles, cada respiração tranquila.

Era mais do que proteção. A existência deles era a prova, mais que o suficiente de que ela era completamente sua.

Ele moldou secretamente um sonho para ela enquanto ela dormia, ele moldou um sonho doce e vívido de sua nova família, com os quatro juntos, rindo em um campo onírico sob um céu estrelado. Com as crianças  mais velhas rindo  felizes ao lado deles.

Ele sorriu para si mesmo, um sorriso frio e calculista, enquanto plantava as imagens em sua mente, garantindo que até em seus sonhos, ela só pensasse nele e no que ele havia construído com ela agora sua família. "Está perfeito"

 

Quando Briely acordou, horas depois, seus olhos ainda estavam pesados, mas um brilho de contentamento pairava neles, um resquício do sonho que Morpheus havia tecido.

Ela se levantou devagar, o corpo dolorido, e o viu  ao lado do berço.

Ele a observou  com um olhar intenso. Sem dizer uma palavra, ele se aproximou, puxando-a para seu colo enquanto se sentava em uma cadeira de frente ao berço.

 

Ela não resistiu, acomodando-se contra ele, enquanto seus olhos se voltavam para os bebês adormecidos. "Eles dormem tão tranquilos."

Morpheus repousou o queixo no ombro dela, os braços envolvendo-a por trás em um abraço. 

Em sua mente, um pensamento sombrio se formou. "Agora ela nunca mais tentará, ou pensara em me deixar. Nunca. Ela nunca tentaria deixar os nossos filhos e a nossa família... para sempre."

Ele apertou um pouco mais os braços ao redor dela, como se pudesse fundi-la a si mesmo, um gesto que parecia amor, mas carregava a sombra de sua obsessão.

 

Ele respirou fundo contra o pescoço dela sentindo o cheiro de sua amada o suor do parto misturado a leite e algo unicamente dela, então falou, em voz baixa pra não acordar os bebês.

“Vamos tomar banho meu coração. Você precisa se cuidar agora.” Ele não esperou por uma resposta, levantando-se com ela ainda nos braços, levando-a para o banheiro anexo ao quarto.

 

A água já quente e fumegante, como se ele houvesse preparado tudo antecipadamente.

Eles entraram juntos, a água envolvendo seus corpos enquanto Morpheus se posicionava atrás dela, os braços envolvendo sua cintura com cuidado, mas sem soltá-la por um segundo.

 

Ele descansou o queixo no ombro dela novamente.

“Você mencionou que pensou em nomes para eles,” murmurou, suavemente mais curioso, com os dedos traçando linhas leves na pele molhada dela.

“Quais são?”

Briely, ainda um pouco grogue, mas animada com a ideia de escolher os nomes, virou o rosto levemente para ele. a água escorrendo pelo cabelo.

“Hum, eu pensei em vários. Para nossa filha, o que acha de Thalassa?”perguntou ela com um tom leve, testando as águas.

Morpheus franziu a testa imediatamente, o olhar se estreitando. “Thalassa? O nome que remete ao mar ?" 

"Não. Não combina com a nossa filha,” disse, rejeitando sem hesitar. como se o assunto já estivesse encerrado.

 

Briely deu de ombros, "pelo menos eu tentei pai" . “Tá bom, então que tal Liora?”s ugeriu ela com um sorriso pequeno. 

 

Ele inclinou a cabeça, considerando por um momento,os dedos traçando círculos suaves na pele dela.

“Liora... minha luz." "É bonito. Mas quais outros você tem em mente?” perguntou ele com o tom curioso, mas ainda avaliador.

 

Ela sorriu, empolgada. “Selene?”

 

Morpheus levantou uma sobrancelha, o canto da boca se contraindo em um meio-sorriso divertido. “Como a deusa da lua? Sério?”murmurou ele com uma nota de ironia leve.

 

Briely revirou os olhos, mas continuou. “Então Bianca!” Seus olhos brilharam ao se lembrar da amiga, um toque de nostalgia em sua voz.

 

Ele bufou, claramente contrariado.

“Não, não vamos dar o nome da sua amiga morta para minha filha.” disse ele com a voz seca, o aperto na cintura dela se firmando por um segundo.

 

Ela abriu a boca para retrucar, “Ela é minha filha também!”, mas se conteve, apenas murmurando em tom sarcástico.

“Claro, majestade, suas ordens são absolutas, não é?” Ele ouviu, mas ignorou, apenas esperando o próximo nome com um olhar impaciente.

 

Briely suspirou e tentou de novo.

“Ariel, então?”

 

Morpheus franziu a testa ainda mais, se é que era possível, e sua voz saiu carregada de incredulidade.

“Você quer dar à nossa filha o nome de uma personagem de uma história humana sobre uma sereia? Sério, esposa?” perguntou ele com descrença, o único mais razoável que ela até agora era Liora.

 

Ela cruzou os braços, mesmo na água, o rosto se iluminando com uma memória de sua infância.

“É um nome muito bonito!" "Eu assisti muito A Pequena Sereia quando era criança. É incrível!” defendeu ela com um sorriso nostálgico.

 

Ele a encarou com um olhar que misturava descrença e irritação.

“Você tem um péssimo gosto para nomes, meu amor.” murmurou ele com um suspiro Lamentoso.

Briely fez um beicinho exagerado, os lábios franzidos. espirrando água de propósito nele."Se ele acha que sou ruim em nomes, imagina o  meu irmão." Pensa ela,  Ela decidiu guardar esse pensamento e tentou uma nova abordagem.

“Que tal o nome que minha mãe queria me dar quando eu era pequena eu sempre achei bonito?”

 

Morpheus inclinou a cabeça, curioso, embora ainda cético. “E qual seria?”

 

“Helena,” disse ela, com um brilho de esperança nos olhos.

 

Ele repetiu, quase como se testasse o som. “Helena.” Em sua mente, ele pensou "Os nomes só pioram." 

“Meu amor, você quer dar à nossa filha o nome da mulher responsável por desencadear a Guerra de Troia?”perguntou  ele a ela com o tom seco.

 

Briely se animou. “Você a conheceu?!”

 

Ele apenas suspirou. “Que tal outro nome?" "Eu vou escolher um.”

Ela o interrompeu, cruzando os braços de novo. “Claro que não! O nome dela vai ser Helena.”

“Meu coração...” começou ele, mas Briely o cortou novamente, o tom provocador.

“O meu querido marido está com medo que nossa filha possa ser como ela e ter vários pretendentes no futuro?”

Morpheus estreitou os olhos, mas ela continuou, zombando com um sorrisinho.

“Está com medo, marido? Ou será que teme que algum deus venha fazer com ela o mesmo que você fez com a mãe dela?”

 

Ele respondeu com uma firmeza gélida. “Isso nunca vai acontecer." "Nunca.”

Briely deu um sorriso triunfante, sabendo que havia vencido. “Então está decidido. Ela vai se chamar Helena.”

 

Morpheus suspirou, rendido, mas com um leve brilho de diversão nos olhos escuros. “Concordo. Helena será o nome dela.”

 

Ela sorriu vitoriosa, quase rindo da expressão resignada dele.

“E para o nosso filho?” perguntou Morpheus, os dedos traçando círculos leves na cintura dela novamente,  carinhosamente. a voz baixa contra o ouvido dela.

 

“Tenho algumas opções em mente... Lucerys, Leo, Perseu, Ethan, Lucerys... Luke,” disse ela, testando os nomes.

 

No instante em que ela pronunciou “Luke”, os dedos de Morpheus se cravaram em sua cintura, um aperto súbito e possessivo que a fez congelar. a água espirrando levemente

Seus olhos escureceram, e a tensão no ar se tornou palpável. “Não,” disse ele, a voz cortante, sem espaço para discussão. “Nosso filho não terá esse nome.”

 

Briely virou o rosto para ele, tentando justificar o do porque ela contou esse nome apesae de saber que ele ficaria furioso. “Mas...”

 

“Não,” ele interrompeu, o tom mais duro, os olhos brilhando com uma ira contida, mas crescente.

“Eu disse que não. Não vou permitir esse nome. Nunca. E não o diga, esposa.” Seu aperto relaxou apenas o suficiente para não machucá-la, mas a mensagem era clara.

Ele não toleraria nenhum vestígio do amor passado dela, nem mesmo em algo tão pequeno quanto um nome.

"Ele ainda têm Ciúme do Luke. Ele  realmente não muda." pensou ela com um suspiro interno.

Percebendo a raiva que se formava nele, Briely tentou apaziguá-lo rapidamente, o medo misturado com a exaustão em sua voz. “Então... que tal Perseu? Em homenagem ao meu irmão. Só isso. Por favor marido, eu desejo que ele tenha esse nome.” "por favor" pediu ela com os olhos suplicantes.

 

Morpheus ficou em silêncio por um momento, avaliando as palavras dela, os olhos percorrendo o rosto dela.

Então, pra sua surpresa ele assentiu, com a expressão suavizando apenas um pouco.

“Perseu. Sim, pode ser. Em homenagem ao seu irmão.” Ele aceitou, mas havia uma frieza em sua concessão, uma lembrança de que até isso era uma permissão dada por ele, não uma escolha livre dela.

 

"Ele realmente aceitou," pensou Briely, um leve alívio percorrendo-a, embora soubesse que a batalha de vontades entre eles nunca terminaria de verdade.

 

A conversa terminou ali, o silêncio pesado entre eles enquanto terminavam o banho.

Ele a ajudou a se secar e trocar, os movimentos cuidadosos.

Depois, eles voltaram juntos ao quarto, aproximando-se do berço onde os bebês ainda dormiam pacificamente.

 

Morpheus ficou ao lado dela, os olhos fixos nas crianças, enquanto Briely se apoiava contra ele, exausta, mas com um leve sorriso nos lábios.

“Helena e Perseu,” sussurrou ela baixinho, testando os nomes.

 

 

Enquanto Briely e Morpheus permaneciam diante do berço de Helena e Perseu.

A luz fraca do Sonhar projetava sombras longas ao redor, e o braço dele, estava firme em volta da cintura dela.

Os olhos dela estavam fixos nos filhos, os dedos tremendo levemente ao roçar os cobertores que os cobriam, o tecido fino, bordado com  pequenas estrelas, estava subindo e descendo com as respirações tranquilas dos bebês.

 

Morpheus, observava cada movimento dela, cada suspiro quase inaudível.

Seus olhos negros pareciam devorar cada detalhe de sua expressão, alimentando-se da complexidade de suas emoções a alegria materna, sua tristeza um pouco velada.

“Você está distante de novo, meu amor,” disse ele, quebrando o silêncio.inclinando a cabeça até os lábios roçarem o ouvido dela.

“O que será pesa tanto em sua mente?” sussurrou para não acordar as crianças.

Briely hesitou, “Estou pensando neles,” respondeu ela com a voz suave e carregada de emoção, os dedos ainda traçando o contorno do cobertor.

 

“No futuro que terão aqui... E no que posso ou não dar a eles.”

Ele ergueu uma sobrancelha, “E o que te preocupa tanto, minha esposa?" perguntou ele com o tom calmo, mas com uma nota de curiosidade afiada, o braço apertando levemente a cintura dela.

"Não te prometi que eles terão tudo? E Que você terá tudo ao meu lado?" "Ou ainda duvidas do que sou capaz de proporcionar?” continuou ele com a voz ganhando um tom possessivo, esperando qualquer sinal de dúvida. 

Ela baixou o olhar por um instante, os dedos ainda ancorados nos pequenos rostos adormecidos. “Não é sobre duvidar do que você pode dar,” murmurou, escolhendo as palavras com  cuidado. a voz baixa e pensativa enquanto tentava não acordar os bebês “É sobre querer algo mais para eles. Algo além."

"Como mãe eu Quero que eles tenham paz, amor... escolhas. Coisas que—” Ela parou, mordendo o lábio inferior, sentindo o peso do que quase disse.

Morpheus completou,“Coisas que você sente que perdeu por estar comigo. Não é isso?” perguntou ele a ela com a voz baixa e direta.

Ele a puxou mais para perto, o aperto na cintura agora mais firme.

“Fale, meu coração. Não se esconda de mim. Quero ouvir cada pensamento que te atormenta.”murmurou ele com o tom quase gentil, mas contendo  uma leve exigência sutil.

Ela respirou fundo, o coração batendo descompassado, mas sustentou o olhar dele, mesmo que por um breve segundo.

“Não é só sobre o que perdi,” disse ela com a voz ganhando força apesar do tremor.

“É sobre o que quero que eles tenham." "Quero que conheçam o mundo sem... sem essas correntes invisíveis que sinto todos os dias.” As palavras escaparam mais duras do que ela planejava.

Os olhos de Morpheus se estreitaram, mas o sorriso permaneceu.

“Correntes invisíveis,” ele repetiu fala dela, a baixinho, quase saboreando a expressão. os lábios roçando o cabelo dela, enquanto ele  inalava o cheiro dela. “E Assim você descreve o meu reino, o nosso Reino, o seu lar, o lugar onde nossos filhos nasceram, ?”

Ele inclinou-se mais, o rosto a centímetros do dela. “Eu te dei um mundo que nenhum mortal poderia sequer imaginar."

"Um trono, um lar, agora os nossos Filhos, tudo isso além do meu amor incondicional." "E ainda assim, você fala de correntes?” perguntou ele com o tom carregado de uma mistura de incredulidade e possessividade, os seus dedos apertando a cintura dela como se quisesse marcá-la ali.

Briely engoliu em seco, mas não desviou o olhar completamente, mesmo que seus olhos tremessemno momento.

“Você sabe o que quero dizer,” sussurra ela tristemente com a voz baixa e quebrada. “Não é sobre o que você pode me dar."

"É sobre o que foi tirado de mim. Sobre o que eu tinha antes... e que agora por sua causa não posso mais dar a eles, nada disso.” 

Ele riu baixo, um som que ecoou  no quarto. “Você ainda sonha com aquele mundo, não é? O Acampamento Meio-Sangue, a sua antiga família os seus antigos amigos."

"A ilusão, de que você meu amor apesar de tudo isso ainda conseguiria voltar." murmurou ele com o tom carregado de certeza fria, os lábios roçando a têmpora dela.

"Mas olhe ao seu redor. Veja onde está. Veja quem está ao seu lado. Esses seus sonhos de voltar, não têm mais lugar aqui."

'E os nossos filhos... eles nunca os conhecerão” continuou ele com a voz baixa e definitiva, os olhos fixos nos bebês

"Você nunca nos deixaria não e meu amor? olhe bem  pra eles, os nossos filhos a nossa família."

"Os nossos filhos, Eles nunca conhecerão esse mundo  ou essas pessoas"  ele pensa satisfeito. 

 

O corpo de Briely estremeceu levemente, uma lágrima escapando e rolando pela bochecha.

"Eu nunca deixaria os meus filhos," disse ela, a voz firme apesar das lágrimas, com os olhos fixos nos seus filhos. "Eu nunca os deixaria "

Seus olhos, agora brilhando com lágrimas contidas, encontraram os dele com uma intensidade que o pegou de surpresa.

“Eu sei que você tem razão,” disse ela em  sussurrando em voz baixa, com o tom  carregada de resignação, os olhos ainda fixos nos bebês como se eles fossem o único ponto seguro no quarto. “Sei que não posso mudar isso. Sei que você não vai me deixar ir nunca, nem a eles."

"Eu só queria que minha família pudesse conhecê-los'' disse ela chorando, as lágrimas caindo livres agora. a voz quebrando no final enquanto uma mão subia instintivamente para cobrir a boca, enquanto ela tentava conter os seus soluços que ameaçavam acordar os pequenos.

"Eu sei meu amor"disse ele com a voz suave e quase consoladora, enxugando as lágrimas dos olhos dela com os polegares. Era quase como  se ele estivesse limpando algo precioso e quebradiço. "Mais isso não vai acontecer'' murmurou ele com o tom definitivo

"Eu sei disso" sussurrou ela pra ele com a voz quebrada, os ombros caindo levemente enquanto o corpo parecia se encolher contra o dele, derrotada.

 

"Você disse que me perdoava por tudo que fiz com você" pergunta ele enxugando as lágrimas dos  olhos dela. os seus polegares traçando caminhos suaves pelas bochechas molhadas dela.

"Eu fiz isso" disse ela com a voz trêmula, sustentando o olhar dele apesar do tremor nos lábios.

"Diga pra mim," ele pede carinhosamente, segurando o rosto dela com ambas as mãos, os polegares roçando suas bochechas.

"Você mantém essa escolha ? "ele a pergunta, com os olhos fixos nos dela, procurando qualquer sinal de mentira.

"Eu... Mantenho, eu escolho perdoar você de novo" ela diz.a voz ganhando força apesar das lágrimas. os olhos brilhando com uma determinação exausta.

Uma segunda vez ele pergunta com a voz mais baixa, mais insistente,e ela acena com a cabeça.

"E eu escolho... eu escolho perdoar você de novo.”

''Pro meu bem, e o deles, não porque não sinto mais raiva, eu só estou cansada de toda essa situação." pensou ela com o peito apertado, ela estava realmente exausta daquela guerra interna que durava há tanto tempo dentro dela.

Morpheus a encarou, os olhos se estreitando por uma fração de segundo, era como se revisasse aquele momento meses atrás, durante a gravidez.

 

Ele lembrava vividamente da forma como a voz dela tremia naquela época, de como ela aceitou  o seu amor depois.

 

Naquele dia, ele sentiu um triunfo frio, misturado a uma incompreensão que o desconcertava as veses.

Agora, ouvindo-a reafirmar isso, a mesma mistura de satisfação e estranheza o invadiu.

 

“Você realmente me perdoa... de novo,” repetiu ele, em  voz baixa, quase como se estivesse provando as palavras, testando o peso delas. Ele tinha o rosto tão perto que ela podia sentir a respiração fria dele contra a pele.

“Você é um enigma, minha querida esposa. Tão disposta a abrir mão de sua raiva, pelos nossos filhos mesmo quando nunca pedi por isso."

"Mesmo quando você sabe não me arrependo de nada do que fiz.” murmurou ele com um brilho perigoso nos olhos, com os polegares ainda roçando as bochechas dela como se quisesse gravar aquela expressão nela.

 

 

Briely baixou o olhar por um instante, as mãos dele ainda  roçando levemente em seu rosto.

Enquanto ela movia seu olhar pra perto perto do berço, como se os bebês fossem sua âncora contra a tempestade.

 

“Eu sei realmente que você não se arrepende,” ela murmurou tristemente, com a voz baixa e resignada.

Ela já sabia disso, não era nenhuma novidade, que ele não se arrependesse de nada.

“E não estou fazendo isso porque espero que você mude. Não é sobre você, Morpheus."

"Nunca foi. Quando eu estava grávida, no momento mais assustador da minha vida, eu realmente percebi que odiar você só me machucava mais."

"Isso não séria bom pra eles dois pais assim eu só quero que eles sejam felizes e amados"

"Eu quero que eles tenham o que eu não tive um pai presente. Que os ama tanto quanto  sua mãe os ama, não quero que eles cresçam vendo que a sua mãe odeia o seu pai"

"Eu percebi que Carregar esse ódio por você estava me quebrando, dia após dia."

"Então, eu te perdoei, mesmo com medo. E mesmo que  você não merecesse.

"Isso. Não por você... mas por mim. Para que eu possa respirar sem esse peso. Para que eu possa ser uma mãe para Helena e Perseu sem estar destruída por dentro.”confessou ela com a voz baixa e crua, cada palavra saindo como uma liberação lenta, os olhos brilhando com lágrimas não derramadas.

 

Os olhos dela brilhavam com lágrimas não derramadas, mas havia uma determinação feroz ali.

Era como se, naquele momento, ela estivesse se libertando de algo, mesmo que só dentro de si mesma. "Eu não posso lutar contra ele fisicamente. E também Não posso escapar. Mas... isso, essa escolha, é minha  e não foi forçada por ele, essa escolha veio de mim." pensou ela com uma determinação silenciosa que brotava do fundo do peito.

 

Morpheus a observou em silêncio por um longo momento, os olhos percorrendo cada traço do rosto dela,  a mão no rosto dela se apertou, um movimento instintivo de posse, antes de relaxar levemente.

Um sorriso frio e calculado curvou seus lábios. “ Eu estava certo Sua bondade é... desconcertante meu coração,” ele  admitiu admirado. o seu tom carregado de uma fascinação sombria.

Ele solta o rosto dela e seus braços logo estão puxando a mais para perto, os braços envolvendo-a completamente, enquanto enterrava o rosto no pescoço dela, inspirando profundamente o cheiro dela como se fosse algo vital.

“Você me perdoou antes, no auge da sua fraqueza, carregando meus filhos. E agora me perdoa de novo, mesmo sabendo que nunca a soltarei." murmurou ele contra a pele dela com a voz baixa e possessiva, os lábios roçando de leve enquanto falava.

 

Briely sentiu um arrepio percorrer seu corpo, mais, ela  Apenas assentiu quase imperceptivelmente, os olhos voltando para os bebês no berço.

“Eu só quero que eles sejam felizes,” ela sussurrou baixinho com a voz  cansada.

“Quero que tenham algo bom, mesmo aqui. Algo que eu não tive por tanto tempo.” Era uma confissão, um reflexo da esperança teimosa que seu coração se recusava a abandonar.

Morpheus ergueu a cabeça, o sorriso ainda presente, os olhos brilhando com uma satisfação sombria.

“Eles terão tudo o que precisarem. Eu garanto. Assim como você sempre terá tudo... comigo."

"Não há mais nada além disso, além de nós.” Ele depositou um beijo lento na testa dela.os lábios demorando ali como se selasse uma promessa.

 

Na mente dele, o perdão dela, tanto o primeiro quanto este segundo, era  uma vitória silenciosa que solidificava sua crença de que ela estava o amando como ele sempre quis.

Enquanto permaneciam diante do berço, o silêncio voltou a cair, mas agora carregado de uma nova camada de tensão.

Briely sentiu o aperto do braço dele, a proximidade sufocante de seu corpo, e permitiu-se acreditar que tudo ficará bem de agora em diante, Ela se reencostou nele, exausta, os olhos fixos nos filhos. 

Ele, por sua vez, observava os bebês e a esposa com um olhar de posse inabalável.

“Vocês são meus,” ele sussurrou, tão baixo que ela não ouviu, os olhos fixos na pequena Helena e Perseu, mas a mente centrada nela.

“Todos vocês.”

 

E naquela noite todas as criaturas vivas que sonham, sonharam com um vislumbre do rosto de sua esposa e de seus filhos nascidos.

 

Notes:

Conhecemos os pequenos gêmeos perseu e Helena ✧

Chapter 17: Festa, Dança e Fofoca.

Notes:

Um Feliz natal a todos !!!!!

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

 

  

 

 

Os dias seguintes ao nascimento de Helena e Perseu trouxeram uma nova energia ao Sonhar, algo quase tangível, reverberando pelas paisagens oníricas e pelos corredores do castelo.

A notícia do nascimento dos filhos do Senhor dos Sonhos espalhou-se rapidamente por todos os reinos, um murmúrio que ecoava entre os habitantes do domínio de Morpheus, dos sonhos mais doces aos pesadelos mais sombrios.

 

Briely, nesses primeiros dias após o nascimento dos filhos, parecia completamente transformada.

A melancolia que por vezes pesava em seus ombros fora substituída por uma luz suave e um sorriso genuíno, um brilho de esperança e amor que se acendia toda vez que olhava para seus bebês.

Ela passava horas com os pequenos, ninando-os e cantando baixinho melodias que lembrava de ouvir ou de sua mãe cantar em sua infância, enquanto Morpheus a observava de perto, sempre presente, com o braço constantemente em sua cintura ou ombro, ou segurando um dos bebês para ajudá-la.

 

Naquela manhã, o castelo estava mais animado do que de costume.

Alguns moradores do Sonhar, curiosos e respeitosos, vieram prestar suas homenagens.

Briely, com um bebê em cada braço, desceu as escadas até o salão principal, seus passos leves, enquanto cumprimentava os presentes e exibia seus filhos com orgulho.

Morpheus caminhava ao lado dela, a mão firme em sua cintura, os olhos brilhando com um orgulho genuíno que poucos no Sonhar haviam visto antes.

Seu rosto, normalmente impassível, carregava um leve sorriso, quase imperceptível, enquanto observava a esposa e os filhos. "Ela está realmente feliz, Com eles, Comigo, Finalmente."

“Venham, quero que conheçam Helena e Perseu,” disse ela, a voz cheia de entusiasmo enquanto se aproximava do  pequeno grupo que os aguardava.

Matthew, estava empoleirado em um candelabro próximo, inclinando a cabeça com curiosidade.

Mervyn estava ao lado de Lucienne, enquanto Cain e Abel trocavam olhares ansiosos.

 

“Olha só isso,” crocitou Matthew, voando para mais perto e pousando no ombro de Morpheus, que não pareceu se importar. “Dois Mini Sonhos! Quem diria, hein? Eles se parecem com você e o chefe, Brie!”

 

Briely riu suavemente, ajustando Perseu em seu braço esquerdo para que todos pudessem ver seu rostinho.

“Obrigada, Matthew. Este é Perseu, e esta,” ela inclinou o braço direito com ternura, mostrando a menina, “é Helena. Meus pequenos bebês.”

 

“Eles são fofos,” disse Abel, sorrindo timidamente.

 

“Obrigada, Abel,” respondeu ela, retribuindo o sorriso.

 

A pequena Helena logo se mexeu, soltando um leve gorjeio, e Morpheus estendeu as mãos, pegando-a gentilmente do braço da esposa, segurando-a contra o peito com um cuidado quase reverente.

A menina se remexeu em seus braços, com os olhinhos fixos nele, soltando pequenos sons suaves, Ele a observou com uma devoção quase tangível. “Minha pequena Helena,” ele murmurou, estendendo a mão para tocar sua bochecha delicada.

 

Matthew abriu as asas e crocitou animado. “Chefe, ela é tão fofa! Olha isso, ela tá quase segurando seu dedo!”

E De fato, Helena agarrou o dedo de Morpheus com sua mãozinha minúscula, soltando mais barulhinhos.

 

Briely se aproximou, sorrindo para a filha. “Ela é realmente adorável,” ela disse, seu tom cheio de amor enquanto se encostava levemente em Morpheus.

 

Lucienne, ajustando os óculos com um leve sorriso, deu um passo à frente. “Eles são realmente bebês adoráveis, minha rainha. É tão bom vê-la tão feliz assim.”

Havia sinceridade em suas palavras, mas também uma pitada de alívio. "Eu temia que você os odiasse, minha senhora, mas parece que foi ao contrário. Que alívio.''

 

“Obrigada, Lucienne,” respondeu Briely, seus olhos brilhando enquanto acariciava a cabecinha de Perseu. “Eles... eles realmente mudaram tudo.”

 

Mervyn, com seu jeito rabugento, cruzou os braços, mas não conseguiu esconder um leve sorriso. “Parabéns, majestade. Aposto que Esses dois vão dar trabalho enquanto crescem, mas vai valer a pena. Só espero que eles não baguncem muito o castelo.”

 

Abel, mais animado, bateu no ombro do irmão Caim antes de falar. “Parabéns, minha senhora, meu senhor! Esses pequenos são uma bênção, Vou trazer um presente pra eles, algo que nem o Caim vai superar!”

 

Caim revirou os olhos, mas sorriu. “Não escute ele, minha rainha. Parabéns de coração. Vocês formam uma família linda." "E eu vou trazer algo ainda melhor que o presente dele, pode apostar.”

 

Morpheus, ainda segurando Helena com um braço, voltou sua atenção para a esposa.

Seus olhos percorreram o rosto dela, absorvendo cada traço de sua felicidade.

Um pensamento sombrio, mas cálido, formou-se em sua mente. "Ela está realmente radiante. Essa luz... Esse brilho materno que ela emite... Ela está mais receptiva a mim do que nunca. Quero mais disso. Mais dela."

"E, em breve, mais filhos nossos, para que essa felicidade nunca desapareça, para que ela nunca pense em nada além de mim e da família que construímos." Ele inclinou a cabeça levemente, os lábios curvando-se em um sorriso, enquanto sua outra mão apertava a cintura dela com firmeza.

 

“Lucienne está certa. Você está magnífica, minha querida,” disse ele, a voz grave e aveludada, quase um ronronar contra a pele dela.

“Ver você assim, feliz com nossos filhos... é realmente um presente.” Ele sorriu para ela e a beijou suavemente nos lábios.

 

Abel, emocionado, murmurou para si mesmo, mas alto o suficiente para ser ouvido: “Que linda família vocês realmente têm, meu senhor. Meus parabéns.” Era raro ver Morpheus sorrir para alguém, mas na presença de sua esposa, ele parecia diferente, quase humano.

 

Matthew pulou do ombro de Morpheus para o chão, batendo as asas animadamente. “Olha só, chefe, você tá quase parecendo normal com esse sorriso, chega ser até  assustador!" "Mais Parabéns pelos filhotes, vocês dois. O Sonhar inteiro tá falando disso!”

 

Morpheus deu um leve beijo na testa de Briely e a olhou profundamente nos olhos. “Obrigado por trazê-los ao mundo, meu coração.”

 

Briely, sentindo o peso de seus olhares, especialmente o de Morpheus, e corou e, envergonhada, ela desviou os olhos para Perseu, como se buscasse refúgio na presença do filho.

Morpheus, no entanto, não tirou os olhos dela, sua mente já girando com planos, com o desejo de expandir ainda mais o laço que os unia. "Mal posso esperar pelos próximos,".

 

Ele ergueu a voz, chamando a atenção de todos no salão.

“Haverá uma celebração amanhã,” ele anunciou. “Um banquete, uma festa em honra ao nascimento dos meus filhos. O Sonhar inteiro deve comemorar este momento.”

 

Lucienne assentiu imediatamente, sempre prática. “Deixarei tudo preparado, meu senhor. Os convites serão enviados, os salões decorados, e cuidarei de cada detalhe para que a celebração esteja à altura de tal ocasião.”

 

“Excelente,” respondeu Morpheus, seus olhos ainda fixos em sua esposa, como se o resto do mundo fosse irrelevante.

Ele se inclinou para ela, depositando outro beijo suave em sua testa, e sussurrou em seu ouvido. “Quero que todos os nossos súditos vejam o que construímos, minha amada."

"Quero que todos conheçam os nossos filhos." 

"O que acha de uma celebração? Isso é um motivo para comemorarmos, afinal.” Sua voz baixou ainda mais, quase um murmúrio possessivo. “E o nascimento dos nossos filhos... E em muito em breve, teremos outra festa assim. O que acha?”

 

Briely sentiu um arrepio com suas palavras, mas forçou um sorriso, ignorando o último  comentário dele.

“Será bom ter uma festa,” ela disse suavemente, ajustando o filho em seu braço. “Seria bom que todos pudessem conhecê-los.”

 

Mervyn resmungou algo sobre ter mais trabalho para limpar depois, mas até ele parecia incapaz de resistir ao charme dos bebês, lançando um olhar quase terno na direção deles.

 

Cain e Abel, por sua vez, começaram a discutir sobre quem daria o melhor presente para as crianças.

“Eu vou trazer algo lendário, Abel. Talvez uma arma pra quando eles crescerem!” disse Cain, com um brilho nos olhos.

 

“Uma arma? Tá louco? Vou dar algo útil, talvez um brinquedo, Eles vão gostar mais da minha ideia,” retrucou Abel, cruzando os braços.

 

Os dois se calaram imediatamente ao perceberem o olhar cortante de Morpheus, que não parecia tolerar a interrupção. “Silêncio,” disse ele, a voz fria. “Vocês terão tempo para essas disputas tolas depois.”

 

Enquanto os habitantes do Sonhar se dispersavam a mando de Morpheus, cada um voltando a suas tarefas ou comentando sobre a festa que viria, ele puxou a esposa para ainda mais perto.

“Você está realmente feliz, não está?” ele a perguntou, a voz rouca, quase como se buscasse uma confirmação que já sabia que teria. “Aqui, com eles, conosco... com tudo isso.”

Ela hesitou por um instante, os olhos voltando-se para Perseu, depois para Helena nos braços dele. Então, ela  assentiu lentamente. “Sim... Claro que estou. Eles me fazem feliz. São as minhas pequenas luzes.”

"Eles são as únicas coisas que fazem isso valer a pena."

Os olhos de Morpheus brilharam com uma satisfação sombria. Ele inclinou-se mais uma vez, os lábios roçando a orelha dela enquanto sussurrava: “Fico feliz, meu amor, que os ame tanto assim.” "Farei de tudo para que você nunca precise de nada além de mim e do que temos e teremos. Tudo o que for preciso." 

 

Briely assentiu e apertou Perseu um pouco mais contra o peito, como se buscasse conforto na presença de seu filho, enquanto Morpheus a segurava com firmeza, seu olhar fixo no futuro que ele já estava planejando para eles.

 

 

 


 

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O dia seguinte amanheceu no Sonhar com uma energia vibrante.

Era o dia da festa, e os corredores do castelo carregavam sussurros animados, o som de arrumações sendo feitas pela equipe do palácio, para o grande evento estava  ecoando por toda parte.

Tapeçarias novas  foram penduradas, luzes  flutuavam como vaga-lumes, e cada canto parecia pulsar com a expectativa da celebração.

 

Algumas horas antes do evento.

 

no quarto do casal, reinava um silêncio suave, interrompido apenas pelo som de movimentos enquanto eles se preparavam para a festa.

Os pequenos no berço, pareciam alheios à agitação que os aguardava, descansando tranquilamente, enquanto a sua mãe se preparava para vesti-los. "Eles dormem como anjinhos." Pensava ela amorosamente.

Briely, trajando um vestido preto deslumbrante criado por Morpheus especialmente para ela usar naquela noite, ela  pegou duas pequenas pulseiras com uma concha delicada no centro.

Esse foi um dos presentes enviados por Poseidon durante sua gravidez para os seus netos, (e era o favorito dela).

A pequena concha era mágica, emitindo o som suave de uma onda do mar ao ser esfregada.

Ela decidiu que seus filhos as usariam naquela noite.

Com delicadeza, colocou uma pulseira ao redor do pulso de Perseu, ajustando a fina corrente para que não o incomodasse, e depois fez o mesmo com Helena.

 

Morpheus caminhou até ela, os olhos escurecendo ao notar as pulseiras nos filhos.

Por um breve momento, uma sombra de desagrado cruzou seu rosto, mas ele rapidamente a mascarou, aproximando-se da esposa.

Sem dizer uma palavra, ele envolveu a cintura dela por trás, os braços firmes, e depositou um beijo lento em seu pescoço, os lábios frios contrastando com o calor de sua pele.

“Você está radiante, minha querida. O vestido ficou realmente magnífico,” ele murmurou contra sua orelha, enquanto ela segurava Helena nos braços, ajustando um delicado vestidinho azul sobre a filha.

Briely sorriu levemente, sentindo o calor de sua presença, mas também a tensão que sempre o acompanhava. “Obrigada, marido. Estou quase terminando de arrumar a Helena. Pode me ajudar com o Perseu?”

 

Morpheus assentiu. “Claro, meu amor.” Soltando-a com relutância, ele pegou o filho no berço e o vestiu com um pequeno conjunto preto, um reflexo de suas próprias vestes escuras.

Quando terminou, ele segurou Perseu contra o peito por um momento, os olhos brilhando com posse e orgulho.

 

Briely, ao ver isso, não pôde evitar um comentário. “Você o vestiu igual a você. Não acha que é um pouco... sombrio para um bebê?

"Eles deveriam estar com a mesma cor hoje, não é?”

 

Ele virou-se para ela, um sorrisinho calculado curvando seus lábios.

“Não há nada de sombrio nisso, minha amada esposa."

"Talvez devêssemos vestir nossa pequena Helena como nós, afinal, todos estamos de preto hoje, não é?”

 

Percebendo que não valia a pena insistir, Briely apenas balançou a cabeça com um leve suspiro, voltando sua atenção para Helena.

"Eu deveria tê-lo vestido sozinha", ela pensou, frustrada.

“Tudo bem,” disse ela, fazendo um pequeno beicinho.

 

“Então deixe-me,” ele disse, pegando a filha dos braços dela.

O vestido azul logo se transformou em preto com um gesto sutil de sua mão.

“Pronto,” ele  acrescentou, antes de beijá-la nos lábios, um beijo profundo e possessivo que fez o rosto dela corar.

“Eu já disse que você está maravilhosa?” ele a perguntou, os olhos percorrendo-a de cima a baixo como se pudesse devorá-la com o olhar.

 

Briely desviou o olhar, envergonhada, enquanto ele, com cuidado, colocava sua filha de volta no berço e, pegando seu filho gentilmente dos braços dela, fazendo o mesmo.

Sem dar espaço para que ela se afastasse, Morpheus a tomou no colo, suas mãos firmes segurando-a pelas pernas, levando-a até a cama e sentando-se com ela no colo.

 

“Morpheus,” ela grunhiu ao sentir as mãos dele em seu quadril, acariciando-a através do vestido.

Ele riu baixo, um som quase predatório, enquanto ela se acomodava contra ele, a cabeça repousando em seu peito.

Os  dedos dele deslizavam por seus cabelos, acariciando-os com uma mistura de ternura e controle.

“Os preparativos estão prontos,” murmurou ele. “Todos os moradores comparecerão hoje para a festa.”

 

Ela ergueu o rosto para encará-lo, uma pergunta hesitante nos lábios. “E você... convidou meu pai certo? Ou algum grego?”

"Se ele disser não, eu juro que..."

O rosto de Morpheus endureceu por um instante, os olhos se estreitando com um brilho de desagrado. “Não,” ele a respondeu, o tom cortante, mas controlado. a sua  mão parando de acariciar os cabelos dela por um segundo antes de voltar, mais firme. “Este é um evento nosso, do Sonhar." "Não vi necessidade de envolvê-los.”

 

Ela franziu o cenho, uma onda de indignação subindo em seu peito. “Como não? Eles são meus filhos também. E,  Eu os quero aqui.”retrucou ela com a voz ganhando força, o corpo se endireitando contra o dele.

 

“Meu amor,” ele começou a voz baixa e calma, como se explicasse pra uma criança.“Não há nenhuma necessidade de chamá-los.”

 

“Eu sou a rainha, não é?” retrucou ela, olhando-o nos olhos com um brilho desafiador. “Quero que eles venham. Meu pai... ele tem o direito de estar aqui, de conhecê-los."

"Não acho justo que ele nem sequer tenha sido chamado.”

 

“Meu amor, você sabe ele não é realmente seu pai,” disse Morpheus, calmamente.

“Você se apegou bastante a ele, mas—”

Sem paciência alguma pra ouvir sobre isso, Ela o interrompeu, empurrando-o contra a cama e se ajustando subindo mais  em cima dele.

Os olhos dele brilharam naquele momento, suas mãos imediatamente indo para os quadris dela, segurando-a com firmeza.

“Meu coração, você sabe o que está fazendo?” perguntou ele, a voz rouca, um sorriso perigoso brincando em seus lábios.enquanto os dedos apertavam os quadris dela.

 

“Eu sei,” respondeu ela, inclinando-se mais perto, sua mão acariciando o rosto dele devagar, os dedos traçando a linha do queixo, sentindo a pele fria e lisa sob as pontas. "Ah, eu sei sim, perfeitamente,  e usar isso contra você?" Pensa ela sombriamente. "E um Plano perfeito."

“Esse Poseidon é tanto meu pai quanto o meu pai verdadeiro." 

"Eu quero que você os convide, marido."

"Todos eles, sem exceção.”

"Vamos ver se você resiste agora."pensa ela com um sorriso lento e vitorioso começando a surgir em seus lábios.

“É claro, minha rainha. Seu desejo é uma ordem,” disse ele, enquanto ela se movia sutilmente em cima dele, arrancando um grunhido baixo de seus lábios.

"Isso aí !! Ele tá cedendo." “Você jura?” perguntou ela, inclinando-se ainda mais, seus lábios quase roçando os dele. o fôlego quente misturando-se ao dele frio, o peito pressionando contra o dele.

"Só mais um pouquinho, E ele vai ceder, Ele sempre cede."pensa ela  com um brilho malicioso nos olhos.

“É claro que sim, minha rainha,” respondeu ele, a voz carregada de uma mistura de desejo e divertimento, as mãos apertando os quadris dela com mais força, como se quisesse puxá-la ainda mais pra baixo.

 

Ela sorriu, inclinando-se para beijar sua bochecha, devagar, os lábios demorando na pele dele.

“Obrigada, marido,” disse, retirando as mãos dele de seus quadris e saindo rapidamente de cima dele, dirigindo-se ao berço onde as crianças estavam.

Ele ficou ali por um momento, indignado, os olhos fixos nela.

 

"Eu fui enganado", ele pensou, um misto de irritação e admiração percorrendo-o.

“Minha amada esposa,” disse ele, levantando-se e indo até ela, abraçando-a por trás.enviando um arrepio por sua espinha enquanto uma das mãos deslizava pela cintura dela.

Seus lábios roçaram seu pescoço, mordiscando a pele com leveza.

“Quando você ficou tão cruel?” ele Murmurou com a voz  rouca contra a pele dela, os dentes roçando de leve, enviando um arrepio por sua espinha. "Eu Cruel? Foi  Você que começou tudo isso, e me deixou assim."

“Lembre se,  Você me prometeu,” retrucou ela, virando o rosto para encará-lo, o tom sarcástico, mas com um sorriso vencedor. “Então você não vai voltar atrás, ou vai?”

 

“É claro que não vou. Eu prometi à minha amada,” disse ele, embora internamente pensasse que, convocando-os em cima da hora, era quase certo que nenhum dos deuses gregos apareceria.

(Afinal pareceria um insulto velado, já que eles valorizavam protocolo e tempo.)

 

"Que venham se puderem. Duvido que o orgulho deles permita uma aparição com um convite tão tarde," ele refletiu com uma satisfação sombria. Ainda assim, forçou um tom mais suave ao continuar. “Se é isso que você deseja, minha querida esposa, se é tão importante para você que eles venham, resolverei isso."

"Mandarei uma mensagem a ele e a todos os gregos.”

 

Ela o encarou, ainda com um traço de dúvida nos olhos.

Antes que pudesse dizer mais, Morpheus a puxou para si, beijando-a ferozmente, os lábios exigentes e possessivos.

“Continuaremos o que você começou mais tarde,” ele sussurrou em seu ouvido, antes de beijá-la novamente.

"Ele acha que ganhou, Mas eu consegui o que queria." pensou ela com um sorriso interno. O beijo a deixou um pouco desgrenhada, o cabelo escapando do penteado simples que havia feito, o coração acelerado pela intensidade do gesto.

 

Quando ele finalmente se afastou, seus olhos brilhavam. Com um toque gentil, mas firme, ajudou-a a arrumar o cabelo, os dedos deslizando pelos fios com precisão.

“Está perfeito agora,” ele murmurou, quase para si mesmo, ainda segurando-a pela cintura por um momento. “Vou mandar a mensagem para eles. Não se preocupe com isso.”

 

Ela assentiu, sentindo um beijo suave de Morpheus em sua testa antes que ele se afastasse.

Mesmo com a distância, ela ainda sentia o peso de sua presença, sabendo exatamente onde encontrá-lo caso quisesse.

Um efeito da ligação inescapável entre eles.

 

Sozinha por um instante enquanto ele enviava a mensagem, Briely voltou-se para os filhos no berço.

“Espero que eles venham,” ela sussurrou para si mesma.

Seus olhos se encheram de uma tristeza contida, ao pensar no quanto ela sentia falta de sua família nesse momento.

Mais eles estavam a universos de distância...

E agora  ela nem podia ter a sua família daqui consigo, mesmo que não fosse igual, era bom ter visitas desse poseidon, ela se dava muito bem com ele, era assim que ela imaginava ter um pai, e esse Poseidon era tudo que ela sempre queria como pai.

 

Ainda assim, um pequeno sorriso curvou seus lábios ao olhar para Helena e Perseu. 

 

 

 

 

 

 


 

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A festa no Sonhar estava em pleno esplendor, o salão principal do castelo transformado em um espetáculo de tirar o fôlego.

Criaturas de todas as formas e naturezas, desde figuras etéreas de sonhos até pesadelos disfarçados de beldades, enchiam o espaço, suas vozes misturando-se em um coro de murmúrios e risadas.

 

Todos estavam ali para conhecer os gêmeos Helena e Perseu, os novos filhos do seu rei,  o Senhor dos Sonhos e pesadelos.

 

Seus berços dourados estavam posicionados em um canto elevado do salão, envoltos por véus translúcidos.

Sombras leais de Morpheus guardavam os pequenos, seus contornos oscilando como fumaça, atentas a qualquer movimento.

 

Briely caminhava pelo salão ao lado do marido, cumprimentando aqueles que se aproximavam deles  com um sorriso educado, embora seu coração estivesse dividido.

Ela Sentia os olhares de todos sobre si; alguns acenavam com sorrisos gentis, e ela respondia com um leve movimento de cabeça, enquanto outros a observavam com curiosidade.

No momento, ela conversava com Gault, que a parabenizava pelos filhos com uma sinceridade que aqueceu seu peito.

 

“Seus pequenos são lindos, minha rainha,” disse Gault, a voz suave, mas carregada de emoção.

“Você deve estar tão orgulhosa minha rainha. E... eu queria agradecer, de novo."

"Por ter falado com o mestre por mim. Por causa de você, eu não sou mais um pesadelo."

"Eu Sou um sonho agora. Isso significa mais do que posso dizer.”

 

Briely sorriu, o calor das palavras de Gault aliviando um pouco da tensão que carregava. “Eu só fiz o que achava certo, Gault. Você merecia essa chance."

"Fico feliz que tenha gostado da sua mudança.”

 

Gault inclinou a cabeça, os olhos brilhando com gratidão. “Ainda assim, não foi algo pequeno. Convencer o Senhor dos Sonhos... bem, não é algo que muitos conseguem."

"Você tem um coração forte, minha rainha. E agora, com seus filhos, vejo que ele só cresceu mais.”

 

Briely riu baixinho, um som leve no meio da multidão. “Obrigada, Gault. Espero que continue gostando de ser um sonho."

"Se precisar de algo, sabe onde me encontrar.”

 

“Eu sei,” respondeu Gault, com um pequeno sorriso. “E prometo não a  incomodar. Afinal, você tem duas pequenas maravilhas para cuidar agora."

"Eles já estão roubando todos os olhares esta noite.”

 

Briely olhou na direção dos berços, um calor maternal enchendo seu peito. “Sim, eles são meu mundo...” Sua voz foi interrompida por uma inquietação que a impedia de se entregar completamente à celebração.

Apesar de Morpheus ter prometido enviar a mensagem aos gregos, ela não viu nenhum sinal deles.

"Cadê eles? Ele jurou que os convidaria Ou ele mentiu?" Virando-se para Gault, ela a  perguntou, quase hesitante. “ Gault, Você viu algum deus grego por aqui? Meu pai, talvez, ou outros?”

 

Gault franziu o cenho, pensativa com a pergunta dela. “Não, minha rainha. Não vi ninguém que se parecesse com eles.''

''Mas o salão está tão cheio minha rainha, pode ser que eu tenha perdido. Ou... talvez eles ainda estejam pra chegar?”

 

Briely assentiu, mas a resposta não a tranquilizou.

Ela Sentiu o olhar de Morpheus sobre ela, mesmo à distância, enquanto ele conversava com alguém que ela não conhecia tão bem.

Ele havia se apresentado mais cedo pra ela  como o Verde do Violinista, ou simplesmente Gilbert pra facilitar, com um sorriso gentil e uma reverência educada.

Agora, percebendo seu olhar, Morpheus deixou a sua conversa com Gilbert e caminhou em sua direção.

 

Briely se despediu rapidamente de Gault com um aceno.  “Nos vemos mais tarde, Gault. Obrigada por conversar comigo.”

 

“Sempre, minha rainha,” respondeu Gault, antes de se dela afastar com um leve sorriso.

 

Morpheus chegou até ela, segurando sua mão com firmeza, os dedos frios contra a pele quente dela.

Ele levou a mão aos lábios, depositando um beijo lento e deliberado.

“Está tudo como deve ser,” ele murmurou, com a voz  abafada pelo ruído das vozes da multidão. “Nosso reino celebra o nascimento dos nossos filhos. Você deveria estar orgulhosa, minha amada.”

 

Ela olhou para ele, tentando ler sua expressão. “Estou gostando da festa. Está bem animada, e todos são gentis.”

 

“Fico feliz por isso,” disse ele, um leve sorriso curvando seus lábios, embora seus olhos carregassem um brilho intenso.

Por um momento, o silêncio entre eles se estendeu, até que Briely, com um traço de hesitação, perguntou.“Você mandou mesmo a mensagem ao meu pai? Aos outros? Ainda não vi nenhum sinal deles.”

 

O rosto de Morpheus permaneceu impassível, mas uma sombra de irritação cruzou seus olhos.

Ele inclinou a cabeça, como se considerasse cuidadosamente suas palavras, antes de responder “Eu fiz o que prometi, meu amor. O convite foi enviado a todos."

"Mas, como você deve saber, os deuses têm seus próprios caprichos e tempos."

"Não posso forçar a presença deles.”

 

Havia um leve desdém em suas palavras, quase imperceptível, mas Briely o notou. ''Ele acha que eles não vêm, Ou quer que eu ache isso."

Ele suavizou a expressão rapidamente, apertando a mão dela com um gesto que era ao mesmo tempo reconfortante e possessivo. “Eles virão se quiserem. Ou não. Isso não muda o que esta noite representa para nós.”

 

Briely franziu o cenho, a frustração crescendo em seu peito. “Não é só sobre eles quererem vir,” ela retrucou, o tom carregado de sarcasmo. “É sobre terem a chance. A mensagem foi enviada tão tarde, a poucas horas do evento."

"Talvez eles nem tenham tido tempo de se preparar. Isso não é justo.”

 

Ele virou o rosto para ela, os olhos escurecendo com uma intensidade que a fez tremer por dentro. “Justiça,” repetiu ele, a voz baixa, quase um sussurro perigoso. “Você fala de justiça no meu reino, onde eu sou a lei?"

"Se Poseidon, ou qualquer outro grego, sentir que foi desprezado, que venham até mim e reclamem."

"Mas esta noite não é sobre eles. É sobre você, sobre mim, e sobre nossos filhos.”

Ele aproximou o rosto do dela, os lábios quase roçando os seus enquanto falava. “Não deixe que isso ofusque o presente, minha amada. Eles virão se quiserem.”

 

“Eu só queria que eles os conhecessem... e que meus filhos os conhecessem também,” insistiu ela.

 

“Eles virão,” disse ele, o tom agora mais firme. “Mas, por agora, deixe isso de lado. Esta noite é de celebração, não de conflito.”

 

Ela assentiu, embora relutante, murmurando um “Tudo bem” quase inaudível.

 

Depois de um tempo, um murmúrio percorreu o salão, e os dois se voltaram para a entrada principal.

 

Os gregos realmente vieram, embora apenas alguns.

Poseidon liderava o grupo, seguido por Apolo, Ártemis, Afrodite, Ares, Dionísio e Hermes.  suas presenças imediatamente atraindo os olhos de todos no salão.

 

Os olhos originais de Poseidon encontraram os de sua filha quase imediatamente, e um sorriso, carregado de afeto, suavizou sua expressão.

Ao lado dela, Morpheus enrijeceu, os dedos apertando a mão de sua esposa com mais força por um instante. Internamente, ele fervia com indignação. "Então Eles realmente apareceram, mesmo com um convite enviado tão em cima da hora?"

Ele Havia calculado que o orgulho impediria qualquer grego de comparecer a um evento tão tardiamente anunciado, mas ali estavam, desafiando as suas expectativas.

 

Morpheus mascarou sua irritação com uma expressão neutra, mas seus olhos brilhavam com um desagrado contido enquanto observava a aproximação dos deuses.

Briely, por sua vez, sentiu o coração disparar ao ver seu pai, uma mistura de alívio e alegria evidente em seu rosto.

Ela Deu um passo à frente para ir até eles, quase esquecendo a mão possessiva de Morpheus.

 

Ele, no entanto, não a soltou de imediato, sua relutância evidente antes de finalmente afrouxar o aperto, como se doesse deixá-la ir.

“Parece que sua preocupação era desnecessária, meu amor,” ele murmurou, o tom carregado de uma frieza cortante que escondia um toque de desgosto. “Seu pai está aqui, junto com os outros gregos. Vamos recebê-los, então.”

 

Juntos, eles caminharam em direção a Poseidon, o salão abrindo caminho para os dois.

O deus do mar foi o primeiro a falar, inclinando a cabeça em um cumprimento formal para Morpheus, mas seus olhos logo se voltaram para sua filha, cheios de calor.

“Minha filha,” disse ele. “É uma honra estar aqui para celebrar o nascimento dos meus netos.”

Então, com um leve brilho de humor nos olhos e um tom que carregava uma alfinetada sutil, ele  acrescentou, dirigindo-se a Morpheus. “Devo dizer, Sonho, que um convite tão... repentino é quase um teste à paciência de um deus." "É quase como se você não quisesse nossa presença aqui."

"Suponho que você nos avisou em cima da hora,  por causa da minha filha que pediu nossa presença, e por isso o convite tão tardio?”

 

Morpheus respondeu com um leve inclinar de cabeça, a voz gélida, mas controlada. “O evento foi realizado de última hora, Poseidon." "Não houve tempo para avisos prolongados.”

 

Poseidon levantou uma sobrancelha, trocando um olhar com Briely.

O rosto dela, carregado frustração, disse tudo que ele precisava saber. “Sendo assim, estamos bem,” respondeu ele, com um tom que misturava diversão e desdém. “Eu ainda não perderia esta ocasião por nada."

"Alguns do Panteão, no entanto, não puderam comparecer por causa do curto prazo.

"Mas eles enviaram presentes e mensagens.”

 

Morpheus não respondeu diretamente à provocação.

Em vez disso, assentiu com uma cortesia fria. “Suas presenças são... apreciadas,” disse ele, embora deixasse claro, pelo tom, o quanto desejava que não fosse.

 

Apolo foi o próximo a se aproximar, com um sorriso brilhante e confiante.

Ele pegou a mão de Briely, inclinando-se para beijá-la com um gesto galante. “Como está, minha querida prima? Ouvi dizer que você teve um parto um pouco difícil. Como está?"

"Ele está... tratando você bem?” Ele sussurrou a última parte, embora fosse alto o suficiente para que todos ali presentes ouvissem.

Morpheus franziu ainda mais a testa, os olhos estreitando-se ao ver Apolo segurando a mão de sua esposa, mas o deus do sol ignorou completamente o olhar cortante.

 

Briely, um pouco envergonhada, respondeu com um sorriso hesitante. “Estou bem, Apolo. Obrigada por perguntar.”

 

“Realmente, prima?” insistiu ele,  com um brilho provocador nos olhos direcionado ao Morpheuus.

 

Ártemis interrompeu o irmão antes que ele pudesse continuar, percebendo a tensão no rosto de Morpheus. “É bom ver você, prima,” disse ela, com um aceno respeitoso e um sorriso mais contido, mas genuíno.

 

“É bom ver você também, Ártemis,” respondeu Briely, aliviada pela intervenção dela.

 

Hermes, que até então estava quieto, se aproximou com um sorriso travesso. “Parabéns, prima. Ouvi dizer que os pequenos são tão encantadores quanto a mãe. Mal posso esperar para vê-los.”

 

Dionísio, com um cálice já nas mãos, riu alto e acrescentou: “Trouxe um dos meus melhores vinhos para você, prima." "Algo para celebrar como se deve. Depois que conhecer os bebês, claro.”

 

Afrodite, com um sorriso sedutor e olhos que brilhavam com curiosidade, perguntou “E onde estão os pequenos? Estou louca para vê-los. Ouvi dizer que eles são a imagem da perfeição.”

 

Ares grunhiu em concordância, cruzando os braços. “Sim Espero que tenham a força e aparência da mãe, pelo menos.”

O grupo começou a conversar entre si, uma mistura de cumprimentos e pequenas provocações voando pelo ar.

Morpheus puxou Briely um pouco mais para perto, o gesto sutil, mas carregado de posse, como se marcasse seu território diante dos deuses.

 

Após um tempo, Lucienne aproximou-se, interrompendo a conversa com um carrinho repleto de presentes e pequenas cartas.

Sua expressão era séria, mas havia um brilho de curiosidade em seus olhos. “Majestades,” disse ela, inclinando a cabeça para ambos. 

"Os presentes do Panteão Grego, assim como outros de... fontes inesperadas.''

"Posso mostrá-los?”

 

Morpheus franziu o cenho ao ver a quantidade, mas acenou para que ela continuasse.

Briely se despediu dos gregos com um sorriso educado e seguiu com ele para um canto mais reservado, onde poderiam inspecionar os itens com mais privacidade.

 

Enquanto isso, Poseidon, Afrodite, Apolo, Ártemis e Hermes foram observar e conhecer os bebês nos berços, agora sob os cuidados atentos de Matthew.

Ares e Dionísio, por outro lado, decidiram aproveitar as festividades, misturando-se à multidão com risadas altas e copos na mão.

 

Briely abriu o primeiro pacote com cuidado. Era de Atena, contendo um pequeno elmo de brinquedo de bronze em miniatura, um símbolo de sabedoria.

A carta que o acompanhava dizia.

“Para os novos membros do Panteão, meus parabéns briely.

Que ele cresçam com mentes afiadas e corações justos.

Espero um convite mais antecipado na próxima vez sonho.

Atena

Briely sorriu com o toque de humor seco escrito. "Ela sabe que o convite foi de última hora. E ainda jogou na cara dele."

O próximo presente era de Hera, era um colar de diamantes delicado para Briely e pequenos pingentes para as crianças.

A carta, escrita em uma caligrafia elegante, dizia:

 

“Minha querida sobrinha, parabéns  novamente pelo nascimento de seus filhos.

Que eles tragam alegrias intermináveis ao seu coração.

Infelizmente, não pude comparecer devido à pressa do evento, mas pedi a Afrodite que fosse e representasse minha presença.

Espero vê-la em breve, em uma ocasião com mais... planejamento.

 Hera.”

 

Zeus enviou duas pequenas pelúcias de pégasos, uma para cada criança, acompanhadas de uma mensagem que misturava afeto e irritação.

 

“Estou profundamente decepcionado por receber um convite tão tardio, e quase como se minha presença  ou a do nosso panteão não fosse desejada.

Mais Por isso, enviei meus filhos em meu lugar.

Espero que no futuro haja mais consideração da sua parte Sonho.

Zeus."

 

 

Briely mordeu o lábio ao ler a mensagem, sentindo o peso da tensão entre Morpheus e os deuses. "Zeus jogando na cara dele Diretamente, eu Adorei."

Ela continuou a abrir os presentes, mas não pôde ignorar a tensão que emanava de Morpheus ao seu lado.

Ele pegou uma das cartas, seus dedos quase esmagando o pergaminho delicado enquanto lia as palavras com um silêncio gélido.

Cada linha parecia um insulto velado a ele, e seu olhar escureceu ainda mais quando Lucienne revelou outros presentes, não apenas do Panteão Grego, mas de outras fontes também.

 

De seus irmãos, os Eternos, vieram presentes e mensagens que o pegaram de surpresa, já que ele deliberadamente não os convidara, exceto sua irmã Morte. Mais ela não pode vir.

Eles abriram os presentes um por um.

 

Morte enviara duas pequenas flores prensadas que nunca murchavam, acompanhadas de uma nota calorosa para Briely.

“Querida cunhada, meus parabéns pelos bebês e por sua força e resiliência.

Muito Obrigada por trazer meus sobrinhos a este mundo. Infelizmente, não pude comparecer a festa, mas desejo conhecê-los em breve.

Se meu irmão permitir, estarei feliz em visitá-los no Sonhar para um encontro mais pessoal.

Com carinho, Morte.”

 

Destino mandou um livro em branco, suas páginas ainda por serem preenchidas, com uma frase enigmática para seu irmão: “Para os caminhos que os aguardam.”

 

Delírio enviou um móbile colorido e caótico, que parecia mudar de forma a cada olhar, acompanhado de rabiscos quase ilegíveis que desejavam aos sobrinhos “os melhores sonhos malucos”.

 

Desespero enviou dois espelhos pequenos, opacos e frios, com uma nota de parabéns para a cunhada e o irmão: “Que reflitam apenas o que for necessário.”

 

E então, de Desejo, veio um presente que fez Morpheus cerrar os dentes: um par de anéis de ouro com pedras que mudavam de cor, junto a uma carta endereçada diretamente a Briely.

“Para a mulher que capturou o coração do meu irmão, de uma forma ou de outra.

Que esses anéis brilhem com cada desejo que você carrega.

Sei da história sombria que os uniu, mas vejo que algo belo nasceu dela.

Use-os com orgulho, querida cunhada.

Com um toque de travessura, Desejo.”

 

O tom provocador era uma alfinetada afiada, um lembrete velado da origem conturbada do relacionamento de Morpheus e Briely.

Morpheus amassou a carta de Desejo com um gesto brusco, os olhos brilhando com uma raiva contida, antes de forçar um sorriso tenso para sua esposa.

“Meus irmãos parecem... inusitadamente generosos,” ele murmurou, a voz carregada de desdém.

"Ele tá fervendo." Entre os presentes, Briely notou algo que a fez hesitar, mas mesmo assim pegou uma pequena caixa preta.

Quando ela  a abriu, encontrou uma estrela de brinquedo em miniatura, brilhando com uma luz própria, e uma nota escrita em uma caligrafia elegante:

 

“Para a Rainha do Sonhar, com os cumprimentos da Estrela da Manhã.”

 

Logo abaixo, em outra caligrafia mais áspera, estava escrito:

 

“Espero que eles se pareçam com você, pequena.

Mazikeen.”

 

Briely ergueu os olhos para Morpheus, surpresa, mas ele apenas encarou o presente com um olhar de puro desgosto, antes de virar-se para Lucienne com uma ordem cortante. “Guarde todos esses... itens em uma sala segura.”

 

Lucienne assentiu, recolhendo os presentes rapidamente, enquanto Morpheus puxava Briely para mais perto, os braços envolvendo-a com uma intensidade que beirava o sufocante.

“Vamos aos nossos filhos,” murmurou ele, a voz baixa, enquanto a guiava até os berços onde Helena e Perseu descansavam, sob a vigilância de Matthew.

 

Chegando lá, Morpheus pegou Perseu com cuidado extremo, segurando o menino contra o peito como se quisesse protegê-lo de todo o salão.

Briely pegou Helena, um sorriso suave iluminando seu rosto ao sentir o peso leve da filha nos braços.

Juntos, eles se voltaram para o salão, e Morpheus ergueu a voz, poderosa e ressonante, para apresentar os herdeiros do Sonhar a todos os presentes. “Meus súditos, meus sonhos, meus pesadelos... Meus convidados, estes são nossos filhos, Helena e Perseu.”

 

O salão explodiu em murmúrios de reverência, e Briely sentiu uma onda de nervosismo misturada com orgulho. Morpheus, satisfeito, guiou-a até uma das mesas próximas, sentando-se com ela.

Seus olhos vagaram pelo salão, e ela notou Afrodite acenando de longe com um sorriso divertido. Briely franziu o cenho, não retribuindo o gesto.

Ela Não gostava muito dessa Afrodite, embora vê-la trouxesse memórias nostálgicas de seu tempo no chalé da deusa com as filhas dela.

Momentos em que ela Passava noites tranquilas lá, conversando e rindo com as meninas, longe das complicações de sua vida.

Suspirando, ela desviou o olhar para a multidão, observando os sonhos dançando pelo salão, suas formas etéreas girando em padrões hipnóticos.

 

Morpheus a observava com um olhar intenso, notando a felicidade sutil em seu rosto enquanto ela se perdia na dança dos outros.

Uma faísca de ciúme brilhou em seus olhos; ele queria toda a atenção dela para si.

“Você quer ir dançar?” ele a  perguntou. Ela virou-se para ele, surpresa. “Eu não sei dançar,” admitiu, um pouco envergonhada. “Isso não importa. Você quer ir?” insistiu ele, os olhos fixos nos dela.

 

Ela assentiu, hesitante, mas logo acrescentou: “Acho melhor não. Não quero passar vergonha.”

 

Ele sorriu, um sorriso raro e quase gentil, antes de beijar sua bochecha com delicadeza. “Como quiser, minha amada.”

 

Com um gesto, ele chamou Lucienne novamente, entregando Perseu a ela com um cuidado relutante, mas firme.

“Cuide deles por um momento, Lucienne,” ordenou, antes de se levantar e estender a mão para Briely, os olhos escuros brilhando com determinação. "Venha comigo, minha amada esposa. Vamos dançar.”

 

Briely hesitou por um instante, mas o peso de seu olhar expectante a fez ceder.

Ela deixou Helena com Lucienne e aceitou a mão dele, sentindo o frio de seus dedos contra os seus enquanto ele a conduzia ao centro do salão.

A multidão se abriu como um mar, e a melodia etérea pareceu se intensificar, envolvendo-os.

Morpheus puxou-a para perto, uma mão firme em sua cintura, a outra segurando sua mão com uma posse que não deixava espaço para hesitação.

 

“Confie em mim, meu amor” murmurou ele, os lábios próximos ao seu ouvido enquanto começavam a se mover. “Eu guiarei você.”

"Confiar nele? E uma Boa piada."

"Mas... por que meu coração tá acelerando assim?"

 

 

 

 


 

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O salão principal do Sonhar vibrava com uma música.

 

Morpheus guiou Briely até o centro do salão, sua mão firme em sua cintura, os dedos pressionando levemente contra o tecido fluido de seu vestido.

O gesto, tão casual para ele, desencadeou um murmúrio surpreso entre os habitantes do Sonhar.

Sonhos e pesadelos trocaram olhares incrédulos, suas vozes sussurrantes espalhando-se como vento.

Nunca, Morpheus havia dançado publicamente.

Nem mesmo com Calliope, sua esposa anterior, ele se permitira a tal demonstração.

 

“É real? O Mestre está... dançando?” murmurou um pesadelo de garras afiadas para um sonho de asas translúcidas, que apenas balançou a cabeça, atordoado.

 

“Deve ser algum truque,” respondeu o sonho, a voz quase inaudível. “Ele não faz isso. Nunca fez.”

“Talvez por ela,” sussurrou outro sonho, inclinando a cabeça. “A rainha mudou ele. Ou o enlouqueceu.”

“Ou os dois,” riu o pesadelo, mas com um tom de espanto.

“Isso é realmente inédito. Ele deve amalá tanto quanto dizem os rumores, ou ainda mais, Ele parece... Um pouco mais humano. Quando está com ela”

Até mesmo os gregos, não conseguiram esconder a surpresa.

Poseidon,  observava a cena do canto do salão, enquanto Apolo sussurrava algo para Ártemis, um sorriso travesso em seus lábios.

O gesto de Morpheus era tão fora de sua natureza que o salão inteiro parecia prender o fôlego, incapaz de processar o que via.

 

Próximo a uma mesa de registros , Lucienne ajustava os óculos que escorregavam pelo nariz, enquanto Matthew, pousado em seu ombro, inclinava a cabeça com curiosidade.

“Tá, eu sei que o chefe não é muito de dança, mas por que todo mundo tá com essa cara de choque?” perguntou Matthew confuso.

 

Lucienne suspirou, os olhos fixos no casal no centro do salão. “Porque o Mestre Morpheus nunca foi visto dançando publicamente, Matthew." "Nem mesmo com a senhorita Calliope."

"Este ato é... inédito. E, para muitos aqui, profundamente desconcertante.”

 

Matthew bufou, batendo as asas. “Tá brincando, né?.”

"Ele só  tá dançando Com ela. Isso é... fofo?, parece  Assustador? Os dois?”

Lucienne apenas balançou a cabeça, um leve sorriso nos lábios, antes de voltar a atenção para seus registros, embora seus olhos ocasionalmente retornassem ao casal.

“E... talvez seja  Assustador pra nós,” murmurou Matthew, inclinando a cabeça. “Ele tá sorrindo. O chefe sorrindo de verdade. Isso é o fim do mundo.”

 

Briely, alheia aos olhares e sussurros, sentia apenas a mão de Morpheus guiando-a.

Ele a posicionou com precisão, uma mão firme em sua cintura, a outra segurando a dela com  delicadeza.

Seus olhos, negros e insondáveis fixaram-se nos dela, verde-mar, que ele achava tão cativantes.

Um leve sorriso curvou seus lábios pálidos. “Siga-me,” ele  murmurou, a voz profunda e hipnótica.

 

A música os envolveu, e eles começaram a se mover.

Morpheus dançava com uma graciosidade, cada giro e passo calculado, como se ele fosse a personificação de um sonho elegante.

Briely, por outro lado, era um contraste cômico.

Sem a mesma coordenação que o seu marido, seus passos hesitavam, e não demorou muito até que seu pé encontrasse o dele pela primeira vez, apesar de sua orientação.

 

“Ah! Desculpe, desculpe!” exclamou ela, o rosto corando de vergonha enquanto tentava ajustar o ritmo. “Eu não quis, juro, é que... eu sou péssima nisso!” "Por que eu aceitei? Tá Todo mundo olhando."

Morpheus apenas inclinou a cabeça, os olhos brilhando com  diversão. “Não há dano, minha querida esposa,” disse, indiferente  o que mostrava que realmente não se importava.

“Continue.”

 

Ela tentou, de verdade, mas não passou nem meio minuto antes que seu pé esbarrasse no dele novamente, dessa vez com mais força.

“Ai, não, de novo!” ela gemeu, parando por um segundo, as mãos apertando as dele enquanto o encarava com uma mistura de horror e constrangimento. “Desculpe, eu sou um desastre em dança!”

 

“Não me importo se é ruim,” retrucou ele, os olhos fixos nos dela. “O que importa é que você está se divertindo.”

 

“Mas...” começou ela, hesitante.

 

“Sem mais, meu coração,”interrompeu Morpheus, girando-a com um movimento fluido antes de puxá-la de volta para si. “Está gostando?”

 

Ela acenou com a cabeça, um sorriso tímido nos lábios.

Mas então, inevitavelmente, ela pisou nele de novo – pela terceira, ou talvez quarta vez, ela já havia perdido a conta.

Isso, porém, só o fez sorrir para ela, um sorriso pequeno, mas genuíno, que trouxe um calor inesperado ao peito dela.

 

“Eu Sou  desajeitada em dançar,” murmurou ela, baixando o olhar.

 

“Bobagem,” respondeu ele, a voz baixa e tranquilizadora. “Você Está indo bem.”

 

“Acho que devo estar parecendo ridícula,” insistiu ela, o rosto ainda vermelho.

 

“Isso não importa, meu amor,” disse Morpheus, inclinando-se ligeiramente para murmurar em seu ouvido. “Deixe os outros assistirem. Deixe-os verem.”

 

As palavras fizeram o coração dela disparar, mas ela não teve tempo de responder.

Ele continuou a dançar, os movimentos suaves e hipnóticos, mesmo enquanto ela tropeçava ocasionalmente.

Cada passo dele parecia compensar os erros dela, puxando-a de volta ao ritmo, os corpos movendo-se em uma sincronia imperfeita, mas estranhamente complementar.

Aos poucos, Briely começou a pegar o jeito, e logo os dois dançavam em perfeita harmonia. "Ok, talvez não seja tão ruim."

Os olhares dos habitantes do Sonhar pesavam sobre eles, mas Morpheus parecia alheio a tudo, exceto a ela.

 

 

No outro canto do salão, perto de uma mesa de bebidas.

Ares e Afrodite observavam a cena com interesse.

Afrodite riu suavemente, levando o cálice à boca antes de comentar com Ares. “Está vendo? Eles formam um belo casal, de fato.”

 

“Parece que sim, Dite,” respondeu Ares, os olhos estreitados enquanto analisava os movimentos do casal. “Ao que Parece o nascimento dos pequenos resolveram qualquer desavença que ela ainda tivesse com ele.”

 

Afrodite inclinou a cabeça, um brilho astuto nos olhos. “O que quero dizer é que a ligação entre eles mudou."

"Eu consigo ver o vínculo no coração dela.Bem... Em partes”

 

“Em partes?” questionou Ares, franzindo a testa.

 

“Parece que o coração dela se conformou, talvez ela até goste dele” explicou Afrodite, sorrindo com um toque de malícia. “Daqui a alguns séculos, talvez ela possa amá-lo de verdade,Eu suponho."

"Mas... também suponho que no momento, se ela encontrasse uma maneira de deixá-lo e ir embora do sonhar, ela  iria.”

 

Ares levantou uma sobrancelha, intrigado. “Oh? E os filhos ela os ama?”

Afrodite deu de ombros, o sorriso alargando. “Ela  ama os filhos mais do que tudo." "Ela é forte. Mais do que ele pensa.”

 

“Mas mesmo que ela seja forte, Se ela conseguisse deixá-lo por um tempo, ela  acabaria voltando pra ele eventualmente, aposto,” completou Afrodite, rindo. “Essa é uma ótima aposta de se fazer, não acha?”

“Essa e Uma aposta arriscada de se fazer, Dite,” retrucou Ares, sorrindo torto. “Ela pelo menos sabe como,  e  que pode ir embora do sonhar? Dite?”

"Talvez?" Afrodite tomou outro gole de vinho, o olhar brilhando com segredos.  “Ela até  poderia ir, mais,  Não conseguiria sem ajuda, Mas digamos que... eu sei de algo.”

 

Ares riu baixo, balançando a cabeça. “Você sempre sabe demais as vezes.”

 

Eles voltaram os olhares para o casal enquanto a música chegava a um final melancólico.

 

Morpheus parou, mas não soltou Briely. Em vez disso, inclinou-se sobre ela, uma mão subindo para segurar seu queixo enquanto a outra permanecia firme em sua cintura.

Seus olhos brilharam com uma intensidade predatória, e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele a beijou – um beijo feroz, possessivo, que parecia reivindicar cada parte dela diante de todos os presentes.

Seus lábios eram exigentes, movendo-se contra os dela com uma fome que a fez perder o fôlego, o corpo dobrando-se ligeiramente sob a força do gesto.

Ele não se importava com os olhares, com os sussurros, ou com Poseidon observando a distância, com os olhos fulminantes.

Naquele momento, o Sonhar inteiro poderia desmoronar, e ele ainda a teria beijado da mesma forma.

 

Quando ele  finalmente se afastou, Briely estava ofegante, os lábios levemente inchados e o rosto vermelho como brasas.

Ele a encarou, um sorriso satisfeito curvando seus lábios, antes de murmurar. “Minha. Linda esposa.”

 

Ela, ainda atordoada e corada, tentou recuperar a compostura enquanto os habitantes do Sonhar os olhavam com fascínio.

“São um belo casal,” comentou um sonho  enquanto Abel, do outro lado, suspirava para Cain. “O Mestre Morpheus a ama muito, não é, irmão?”

 

Cain apenas assentiu, os olhos fixos no casal. “Parece que sim.”

 

Poseidon, no canto, soltou um grunhido baixo, quase inaudível, os punhos cerrados enquanto observava.

Apolo, ao seu lado, inclinou-se com um sorriso provocador. “Parece que o sonho tá completamente rendido por ela, não é, tio?"

"Mais do que jamais esteve com a Calliope."

"E falando nela... Será que Briely sabe sobre ela?”

 

Poseidon franziu a testa com a pergunta dele.“Não sei ao certo.”

 

Ártemis o  interrompeu, “Apolo, não faça o que está pensando.”

 

“Por que não, irmã?” retrucou Apolo, rindo baixo. “Você me dá cobertura mais tarde.”

 

Ártemis franziu a testa, cruzando os braços. “Apolo... você vai mesmo contar pra ela sobre Calliope e Orfeu?”

 

“Mas ela não deveria saber?” insistiu ele. “Será que ela, amou menos sabe do Orfeu? Duvido que o sonho tenha contado.”

 

“E você está pensando em contar a ela, mesmo se ela não souber?” questionou Ártemis, incrédula.

 

“Claro,” respondeu Apolo, o sorriso alargando-se. “Eu ficaria muito feliz em informar minha prima sobre esse assunto."

"Ela tem que saber quem é o pai dos filhos dela, e o passado dele afinal."

"O que ele fez com o filho dele.”

''Não concorda, tio?”

“Se o sonho descobrir que foi você falou pra ela do Orfeu...” avisou Ártemis, baixando a voz. “E tio, você não vai impedir isso?”

Poseidon apenas levou o cálice à boca, ignorando Apolo, os olhos fixos em Morpheus enquanto o próprio marcava seu território com sua filha de maneira tão descarada, diante de todos os presentes.

“Deixe ele,” grunhiu Poseidon, por fim. “Mas se o Sonho descobrir... boa sorte, Apolo.”

Apolo apenas riu.

Briely, tentando recuperar a compostura, deu um passo hesitante para trás, mas a mão de Morpheus em sua cintura a manteve perto.

“Vamos voltar para os nossos filhos,” sugeriu ela,.

 

Ele deu um meio-sorriso, deixando-a guiá-lo de volta ao berço  onde seus filhos descansavam.

 

 

 

 


 

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Briely caminhava ao lado de Morpheus, os braços de ambos carregando os frutos de sua união.

Ele segurava Helena com um cuidado quase reverente, a pequena cabeça da bebê repousando contra seu peito, os olhinhos  semicerrados em um sono tranquilo.

Briely, por sua vez, embalava seu filho, sentindo o peso quente e reconfortante de seu filho contra si, o leve movimento de sua respiração enchendo-a de uma ternura que às vezes a tomava de surpresa. "Meus bebês, O melhor dessa loucura toda"

Morpheus lançou um olhar de soslaio para sua esposa, notando a sombra que cruzava seus olhos.

Havia ali uma distância, um véu de pensamentos que ele não conseguia penetrar, e isso o inquietava mais do que gostaria de admitir.

"O que a aflige tanto?" pensou, os lábios se apertando em uma linha fina.

 

Briely, enquanto olhava para Perseu, sentiu uma onda de melancolia apertar seu peito.

Seus dedos acariciaram suavemente os cabelos pretos do bebê, tão idênticos aos de Morpheus, e um pequeno sorriso curvou seus lábios.

"Eu nunca imaginei que minha vida tomaria esse rumo", ela pensou. "E Agora sou mãe. Como isso é possível?" Perseu abriu os olhos, aqueles olhos negros profundos que compartilhava com a irmã Helena, e fitou-a com uma curiosidade infantil que a fez rir baixinho.

"Vocês se parecem mais com ele", pensou ela, com uma pontada de inveja. "Igualzinhos ao pai, isso e Injusto."

Seu transe foi interrompido por um toque gentil em seu ombro.

Morpheus, com a pequena Helena ainda em seus braços, inclinou-se e pressionou um beijo leve em sua testa.

Seus olhos a estudaram, inquisitivos, enquanto ele murmurava. “O que tanto ocupa sua mente, minha querida?”

 

Briely piscou, o coração acelerando com a proximidade dele.

“Só em como eles têm os seus olhos,” disse ela, a voz suave, enquanto ajustava Perseu no colo. “Não acredito que os carreguei por nove meses e eles se pareçam mais com você do que comigo.”

 

Morpheus inclinou a cabeça, um leve brilho de diversão nos olhos. “Mas eles herdaram seus traços delicados, meu amor."

"Nossa pequena Helena se parece com você, não acha? Veja o beiçinho que ela faz.” Ele levantou Helena um pouco mais, exibindo o rostinho da bebê, que de fato franzira os lábios de um jeito que lembrava ela quando estava contrariada.

 

Briely riu, pegando Perseu e levantando-o para que ficasse perto do rosto de Morpheus. “Nada disso, olha só! Vocês são igualzinhos,” disse ela, olhando de um para o outro com uma indignação fingida.

“Isso não é justo.”

 

Ele riu, um som baixo que enviou um arrepio pela espinha dela.

Inclinando-se, sussurrou em seu ouvido, “Eu também queria que eles herdassem os seus olhos." "Mas sempre podemos tentar outra vez, não é?"

"O nosso próximo vai vir mais parecido com você.”

 

Ela se afastou ligeiramente, os olhos arregalados.

“Eu não vou ter mais filhos,” ela declarou, meio rindo, meio séria.

 

Morpheus levantou uma sobrancelha, um sorriso malicioso brincando em seus lábios.

"Mais é claro que teremos", pensou ele, mas não disse nada em voz alta, apenas sustentou o olhar dela por um momento.

 

“Você pode parar, ok? Eu não vou,” insistiu ela, apontando um dedo acusador para ele.

 

“Eu não disse nada, meu coração,” respondeu ele, a voz inocente, mas os olhos traidores brilhavam com diversão.

 

“Mas você estava pensando,” acusou ela, estreitando os olhos.

 

“Se você diz, meu amor,” retrucou ele, o tom leve. Ele mudou de assunto, perguntando, “Não está com fome? Pedi a Taramis que preparasse comida azul, como você gosta.”

 

“Você pediu?” perguntou ela, animada logo deixando de lado a conversa, os olhos iluminando-se com a menção dos doces.

 

“Claro, Pedi que ela preparasse especialmente para você hoje,” confirmou ele, satisfeito ao ver a reação dela.

 

“Eu adoro os doces da Taramis,” confessou ela com um sorriso infantil.

 

“Eu sei disso,  Venha,” disse ele, oferecendo o braço livre.

 

Eles caminharam até uma das mesas cobertas de iguarias.

Ela sentou-se ao lado dele, os olhos brilhando de antecipação.

Perseu estendeu a mãozinha para as balas azuis sobre a mesa, e ela riu, gentilmente as  afastando sua mão.

“Não, não, meu amor. Você ainda não pode comer isso.” Olhando para Morpheus, ela perguntou. “E a Helena? Ela Tá com fome?”

 

“Ela está bem,” respondeu ele, olhando para a filha, que brincava distraidamente com um botão de sua roupa, alheia ao mundo ao redor. 

 

“Eu vou amamentar o Perseu,” disse ela, ajustando o bebê.

Hesitante, ela  acrescentou, “Não seria melhor se fossemos para outro lugar?”

 

Morpheus balançou a cabeça. “Não tem necessidade. Ninguém vai nos perturbar agora.”

 

“Se você diz,” respondeu ela, um pouco insegura, Enquanto amamentava Perseu, começou a comer os doces da mesa, saboreando cada mordida.

Ela Sentiu o olhar de Morpheus sobre si, fixo em seu peito, e um calor subiu por seu pescoço.

Ela Tentou o ignorar, fingindo não notar, mas sua pele formigava sob a intensidade daquele olhar.

"Por que ele sempre tem que me olhar assim?" Ela pensou, mordiscando um doce com mais força do que o necessário.

 

Briely olhou ao redor, distraindo-se enquanto mastigava. Viu seu pai, , conversando com alguns habitantes do Sonhar a distância.

Ártemis e Apolo pareciam estar em o que parecia ser uma conversa acalorada, enquanto Dionísio, Ares e Afrodite. ocupavam uma mesa de bebidas do outro lado do salão, rindo alto e gesticulando animadamente.

 

Ela se virou para Morpheus, hesitante. “Podemos ir até meu pai?” ela o perguntou. “Quase não conversamos desde... tudo isso.”

 

Ele a encarou por um longo momento, claramente pouco inclinado a dividir a atenção dela com Poseidon.

Uma pontada de ciúme apertou seu peito, mas algo no olhar suplicante dela o amoleceu.

"Não gosto disso, mas como negar algo a ela?" Ele pensou, escondendo o seu desagrado atrás de uma máscara impassível.

 

Com um suspiro quase inaudível, ele assentiu. “Como desejar,” ele disse, a  oferecendo o braço novamente.

 

O deus do mar os viu se aproximar, seu rosto severo suavizando ao pousar os olhos na filha e nos netos, embora seus olhos se estreitassem sutilmente para Morpheus.

“Minha filha,” cumprimentou ele, antes de acenar brevemente para o Senhor dos Sonhos com um seco, “Sonho.”

 

Ele se inclinou para olhar os bebês, um  sorriso suavizando suas feições duras. “E meus pequenos netos.”

 

Briely sorriu, ajustando Perseu para que ele pudesse vê-lo melhor. “Eles são perfeitos, não acha, pai?”

 

“Sim,” disse Poseidon, Ele estendeu o braço, convidando-a para caminhar com ele pelo salão, longe o suficiente de Morpheus para que pudessem falar em privacidade, mas ainda sob o olhar vigilante do Senhor dos Sonhos.

 

Morpheus ficou para trás, os olhos estreitados, segurando Helena com uma tensão que não escondia seu desagrado.

 

 

Enquanto caminhavam lado a lado, Poseidon começou a falar.

“Os membros do nosso panteão estão... digamos, indignados com seu marido, por hoje,” ele disse, a voz carregada de um tom que misturava desgosto e diversão.

 

Briely riu baixinho com isso.

“Eles não o suportam, para ser honesto. Eu também não sou é exatamente um fã dele, como você pode imaginar.”continua Poseidon 

 

"Mas você, minha filha, eles adoram. Todos nós. Eu esperava ter mais tempo com você, antes que tudo... mudasse.” Havia uma tristeza óbvia em sua voz.

 

Ela baixou os olhos, a melancolia voltando por um instante. “Eu queria que isso tivesse acontecido,” ela murmurou, apertando Perseu contra si enquanto beijava a testa do filho.

“Mas as coisas são como são.”

 

Poseidon parou de andar por um momento, o rosto endurecido por arrependimento. “Eu nunca deveria ter deixado você ir com ele naquela noite. Eu Deveria ter lutado mais. Às vezes, ainda me culpo pelo que aconteceu com você naquele dia. Por tudo”

 

Ela balançou a cabeça, um sorriso triste nos lábios. “Não foi sua culpa, pai. Tudo O que aconteceu... Eu  não culpo você por nada disso."disse ela com o tom gentil e firme.

"Ele sempre daria um jeito de conseguir o que queria,” acrescentou ela com um  tom carregado de uma certeza resignada.

 

Poseidon grunhiu, claramente insatisfeito, mas não refutou suas palavras. Ele sabia, no fundo, que ela estava certa.

 

Eles continuaram conversando enquanto caminhavam pelo salão, a conversa oscilando entre lembranças leves e o peso de escolhas passadas.

A distância, Morpheus os observava, os dedos apertando levemente ao redor de Helena. Mais Ele permaneceu onde estava, esperando o momento em que ela voltaria para ele.

 

Briely sentia o peso do olhar de Morpheus sobre eles, como uma sombra fria que parecia perfurar a distância.

Antes de se separarem, Poseidon se inclinou para a filha, a voz baixa. “Se um dia você precisar escapar por um tempo das portas do Sonhar e também do seu marido, saiba que sempre terá um lugar comigo."

"Eu a acolheria, e aos pequenos, sem hesitar.” Ele fez uma pausa, um brilho astuto nos olhos.“E tenho um pequeno conselho pra você.”

 

Ela inclinou a cabeça, curiosa. “Que conselho, pai?” perguntou ela interessada, aproximando-se um pouco mais para ouvir melhor.

 

“A areia da bolsa de Morpheus poderia levá-la ao mundo desperto, ou até a mim, se quiser,” sussurrou ele, olhando de relance para Morpheus antes de voltar para ela. "Como você e esposa dele e pela essência dele em você, a areia dele  não a fará mal algum, se algum dia você decidir usá-la." 

Embora se você a usasse, ele a encontraria e saberia onde você está no mesmo instante, pela ligação de vocês dois."

"Mas seria o suficiente pra uma visita, não acha?”

Ela sorriu, um pouco, com o conselho e  a sugestão. “Obrigada por me contar isso, pai.” disse ela com gratidão genuína na voz, apertando a mão dele por um instante antes de soltar.

 

Poseidon riu baixo, “Agora, acho melhor voltarmos antes que seu marido me mate com os olhos." brincou ele com um tom seco e divertido. "Ele tem me fuzilado desde que começamos a conversar.”

 

Ela lançou um olhar rápido para Morpheus, cujos olhos,  pareciam de fato carregados de uma intensidade mortal para seu pai. “Não ligue pra ele, pai,” disse ela  rindo baixinho, balançando a cabeça como quem já conhece bem aquele ciúme.

 

Naquele momento, Apolo interrompeu a conversa entre os dois.

“Minha querida prima,” cumprimentou ele, com um tom brincalhão e com um sorriso charmoso, antes de lançar um olhar na direção de Morpheus. “Tio, se olhares matassem, você já estaria morto.”

Poseidon deu um sorriso seco. “Parece que o olhar dele agora é todo pra você, Apolo.”

 

Apolo riu, voltando-se para Briely. “Prima, vamos dançar?”

 

Ela balançou a cabeça. “Não estou com vontade de dançar de novo, Apolo.”

"Se eu aceitasse dançar com você, eu aposto que ele me arrastaria de volta no mesmo instante, eles parecem não se gostar muito, talvez por o apolo ter flertado comigo antes?" Pensa ela enquanto avaliava a tensão no ar. "E uma possibilidade, ele e bem ciumento afinal"

 

Ele sorriu, insistente. “Então vamos comer juntos um pouquinho."

"A comida está deliciosa, e tenho uma fofoca pra te contar.”

 

Poseidon revirou os olhos. “Apolo...”

 

Mas Apolo ignorou o aviso, acenando para que ela o acompanhasse. “Ela deveria saber, não é, tio?”

 

Poseidon suspirou, pegando Perseu do braço da filha. “Bem, fale logo. Eu e Ártemis vamos distrair o Sonho pra ele não te matar no momento.”

 

Apolo deu um sorriso travesso. “Sério, tio?”

 

“Só vai logo,” grunhiu Poseidon, enquanto Ártemis se movia para conversar com Morpheus e a pequena Helena, e ele se juntava a eles com Perseu no colo.

 

Apolo foi rápido em levar Briely até uma mesa, de braços dados, enquanto pegava o que parecia ser um copo de vinho e o entregava a ela.

“Indo logo ao assunto, qual a fofoca, Apolo?” perguntou ela e ele, curiosa.aceitando o copo e tomando um gole pequeno.

 

“Ele te disse sobre sua esposa anterior? E o filho que teve com ela?” começou Apolo, os olhos brilhando com a promessa de um segredo suculento.

 

“Ele me disse que já foi casado e que teve um filho,” respondeu ela, franzindo a testa.

 

“Oh, mas você sabe quem ela é?” continuou Apolo, inclinando-se mais perto. Vendo o expressão dela de confusão, ele não se conteve. “É Calíope, uma das musas.”

 

“Uma das musas?” perguntou ela, a curiosidade crescendo, os olhos se arregalando levemente.

 

“Exatamente,” confirmou Apolo, com um aceno enfático. “Eles até tiveram um filho juntos, Orfeu.”

 

“E por que você está me contando isso?”questionou ela com o tom ficando mais sério. 

“Porque você precisa saber quem ele realmente é, prima,”disse Apolo com o tom ficando sério de repente,  baixando a voz enquanto olhava ao redor para garantir que ninguém mais o ouvisse.

“O sonho pode ser... obsessivo com você, ele pode até te amar como ele diz" continuou ele sem o brilho brincalhão de antes.

"Mais você, mais do que qualquer um aqui nesse salão deve saber que ele e Cruel, quando quer, dado o que ele fez com você pra conseguir a sua mão."acrescentou Apolo com um tom amargo misturado a pena.

"Orfeu era filho dele e da Calíope. Ele tinha uma linda voz" explicou ele.

"O Orfeu Casou com Eurídice, uma ninfa linda. Mas ela morreu mordida por uma cobra no dia do casamento."contou Apolo.

"Orfeu desceu ao Submundo pra trazê-la de volta. Cantou pra Hades e Perséfone, e eles se comoveram."prosseguiu ele com uma nota de admiração relutante na voz.

"Disseram que ele podia levar ela, mas com uma condição: não olhar pra trás até saírem do Submundo. Ele olhou. Perdeu ela pra sempre.”finalizou Apolo

Briely sentiu um frio na espinha. “E Morpheus? Ele fez alguma coisa? ”perguntou ela.

“Ele podia ter negociado com Hades. Podia ter usado o poder dele como Perpétuo." respondeu Apolo com o tom endurecendo de novo. "Mas ele  se negou."

"Orfeu foi  destruído. As Mênades o despedaçaram numa orgia de fúria." continuou ele.

"Calíope... ela nunca perdoou Morpheus. Nos  tivemos um romance breve antes dela escolher ele" confessou Apolo com um sorriso pequeno e melancólico. "Eu até gostava realmente dela, sabia?" 

'Ela o deixou apos ele negar a ajudar o próprio filho."

"Disseram que ela disse, que ele era frio demais pra amar alguém." murmurou ele com o tom baixo e acusador, os olhos voltando para Briely cheios de preocupação genuína.

"E agora... olha pra você, prima, Só  Tenha cuidado, Apesar dele parecer que realmente a ama, Não deixa ele fazer com eles o que fez com Orfeu.” terminou Apolo com a voz urgente.

Briely piscou, o cálice tremendo na mão.

" E As coisas só pioram...  Ele... negou ajudar o próprio filho?"  "Aquela mulher está a 10.000 anos no Inferno, e ele se negou a ajudar o próprio filho..." "O que ele fez comigo, poderia ser bem pior...eu nem quero pensar nisso."pensou ela com o coração apertando forte, os olhos se enchendo de uma mistura de medo e raiva contida enquanto olhava para longe.

 

“Obrigada por me contar, Apolo,” agradeceu ela, em  voz baixa.

 

“Por nada,” disse ele, dando de ombros com um sorriso casual. “Achei que você deveria saber, prima.”

 

“Deveríamos voltar antes que ele realmente me mate com esse olhar,” acrescentou Apolo rindo, lançando um olhar provocador para Morpheus do outro lado do salão.

“É claro,” concordou ela, rindo também, enquanto voltavam na direção de Morpheus.

Apolo cumprimentou o Senhor dos Sonhos com um aceno provocador antes de se afastar com Ártemis.

 

Briely olhou para Helena, ainda nos braços de Morpheus, e percebeu a careta quase imperceptível que cruzou o rosto dele, um leve franzir de sobrancelhas que não passou despercebido por ela.

 

Com um gesto gentil, ela pegou a filha dos braços do marido e a entregou a Poseidon, que pareceu radiante ao segurar os dois bebês, murmurando algo carinhoso em grego para eles.

“Deixe-os um pouco com meu pai,” disse ela a Morpheus, a voz suave, mas firme. “Vem,” ela acrescentou, estendendo a mão para ele.

 

Ele a encarou, claramente pouco satisfeito com a ideia, mas depois de um instante de silêncio, assentiu.

“Tudo bem,” ele disse, quase relutante, mas cedendo a ela como sempre acabava fazendo.

 

Briely tomou a iniciativa, pegando a mão dele e o puxando gentilmente para longe, em direção a uma das mesas carregadas de doces.

Enquanto caminhavam, Morpheus fez um gesto sutil com a cabeça, e Matthew pousou discretamente perto de Poseidon, os olhos atentos do pássaro fixos no deus.

 

Briely percebeu o movimento e não pôde evitar comentar. “Sério? Mandando Matthew vigiar meu pai?” ela perguntou, levantando uma sobrancelha.

 

“Precaução nunca é demais,” respondeu ele, o tom seco, mas os olhos traíam uma ponta de diversão.

 

Chegando à mesa, Briely se deixou levar pela tentação dos doces, pegando pequenos bolos, trufas e pedaços de chocolate.

Ela comia com uma felicidade quase infantil, esquecendo por um momento as tensões do salão e as descobertas que fez.

“Esses bolos são incríveis, você tem que provar,” disse ela, oferecendo um pedaço a ele.

 

Morpheus a observava, os olhos fixos em seus movimentos, a intensidade de seu olhar quase tangível.

Ele estendeu a mão, o polegar roçando os lábios dela para limpar um traço de chocolate derretido.

Sem desviar os olhos dos dela, levou o dedo à própria boca, provando o doce com uma lentidão deliberada. “Doce,”ele murmurou.

 

Antes que ela pudesse reagir, ele se inclinou e a beijou, os lábios firmes contra os dela, o gosto do chocolate misturando-se ao calor de sua boca.

O beijo era profundo, possessivo, como se ele estivesse reivindicando não apenas ela, mas até mesmo o sabor que ainda permanecia em sua língua.

Quando ele se afastou, os seus olhos brilharam com algo que era tanto desejo quanto satisfação.

“Os nossos filhos receberam muitos presentes hoje,” ele murmurou. “Até de quem não foi convidado.”

 

Ela piscou, ainda um pouco atordoada pelo beijo, mas conseguiu sorrir.

“Quem não foi convidado conseguiu mandar presentes?” ela perguntou, curiosa, enquanto pegava mais um pedaço de chocolate.

 

“Sim, alguns seres inesperados enviaram presentes,” confirmou ele, o tom carregado de um leve desgosto.

 

“Como Lúcifer?” arriscou ela, levantando uma sobrancelha.

Ele assentiu, o rosto impassível, mas os olhos escurecendo por um breve momento. “Entre outros.”

“Vou examiná-lo antes que chegue perto dos pequenos.” Ela riu baixinho. “Você desconfia até de presentes, hein?” “Quando se trata deles, ou de você, eu desconfio de tudo,” retrucou ele.

 

“Bem, vamos aproveitar os doces, então. Antes que  tenhamos que lidar com mais presentes suspeitos,” disse ela, tentando aliviar o clima.

 

Ele inclinou a cabeça, um quase sorriso curvando seus lábios. “Como desejar, meu amor,” ele murmurou.

Enquanto Briely mordiscava outro doce, o sabor açucarado ainda dançando em sua língua, Morpheus inclinou-se ligeiramente para ela.

“Terminaremos a comemoração em breve,” disse, a voz grave e carregada de uma promessa que fez seu estômago se apertar.

 

Ela não discutiu, apenas assentiu, os olhos baixos enquanto mastigava.

Ele se aproximou mais, a presença dele como uma sombra inevitável.

“O que você e Apolo conversaram há pouco?” ele a perguntou.

 

Briely hesitou, sentindo o olhar dele perfurar suas defesas como uma lâmina afiada.

“Não foi nada de mais,” ela  respondeu, tentando soar casual enquanto engolia o doce, mas o tremor em sua voz a traiu.

 

Ele estreitou os olhos, o rosto endurecendo com desconfiança evidente.

Ele sabia que ela estava mentindo, e não fez questão de esconder isso.

Inclinando-se até que seus lábios roçassem a concha de sua orelha, ele sussurrou, “Conversaremos sobre isso mais tarde, minha querida.”

 

Um arrepio frio desceu por sua espinha ao ouvir o tom sombrio e promissor na voz dele.

Ela sabia exatamente que tipo de “conversa” seria.

Tentando ganhar algum terreno, ela murmurou, com o tom nervoso, “Eu dei à luz há poucos dias, você sabe...”

 

Ele não se moveu, mas a mão dele encontrou sua cintura, puxando-a para mais perto com uma força possessiva que a fez prender o fôlego.

“Está tudo bem,”ele  disse,com  o rosto muito perto do dela, os lábios roçando sua pele enquanto falava. “Você pareceu bem feliz em me provocar mais cedo pra conseguir o que queria.” Ele fez uma pausa, o canto da boca se curvando em um sorriso perigoso. “E você não tem mais um corpo humano, lembra? Não precisa mais se preocupar com essas limitações.”

A voz dele  baixou ainda mais, quase um ronronar. “Voce não acha que deveríamos dar mais irmãos aos nossos filhos?”

"Mal posso esperar para dar mais irmãos aos nossos filhos.”

 

O coração dela disparou, um nó de pânico e resistência se formando em seu peito.

“Não quero mais filhos,” ela deixou escapar, os olhos arregalados enquanto o encarava. “Não agora, por favor.”

 

Ele apenas sorriu, um sorriso pequeno e predatório, enquanto a mão em sua cintura apertava ligeiramente.

“Não se preocupe com isso ainda,” murmurou ele.

 

Antes que pudesse responder, a voz de Poseidon cortou o momento. “Filha, os pequenos estão um pouco agitados." "Estão começando a chorar,” ele disse, aproximando-se com Helena e Perseu nos braços, os rostinhos deles contorcidos em desconforto.

 

Ela ficou aliviada pela interrupção, um fôlego momentâneo diante da intensidade de Morpheus.

“Eu vou alimentá-los,” ela falou rapidamente, pegando os bebês com um cuidado gentil. Olhou para Morpheus por um momento, depois para o pai. “Vou me despedir aqui, pai. Preciso descansar um pouco.”

 

Poseidon assentiu, os olhos carregados de uma preocupação que ele não verbalizou.

Ele apenas tocou a testa dela com um gesto afetuoso antes de se afastar.

Morpheus, sem perder tempo, sinalizou para Lucienne, que estava por perto.

“Encerre a festa,” ela a ordenou. A bibliotecária assentiu, movendo-se para organizar o fim da celebração.

 

Ele então guiou Briely para fora do salão, uma mão firme na base de suas costas enquanto caminhavam até o quarto deles.

Os bebês ainda choramingavam, os sons ecoando no silêncio do caminho.

Ela tentava acalmá-los, murmurando docemente enquanto os ninava contra si. 

 

Ao chegar ao quarto, Briely removeu o vestido um pouco com um movimento rápido e se sentou na cama, o torso nu enquanto preparava os seios para amamentar.

Morpheus ficou ao lado dela, os olhos fixos em seu corpo com uma intensidade que a fez sentir-se exposta, vulnerável.

Ele se aproximou, pegando Perseu e ajudando-a a posicionar Helena em um dos seios.

Então, com uma lentidão deliberada, ele roçou os dedos no outro seio.

"Estão ainda maiores do que durante a gravidez,” ele comentou, com um pequeno sorriso curvando seus lábios enquanto a encarava

Ela desviou o olhar, o rosto queimando sob a atenção dele.

“Sim, eu acho que sim,” ela  murmurou, constrangida, focando na filha, tentando ignorar a forma como o toque dele incendiava sua pele.

 

Ele não disse mais nada, apenas se levantou e caminhou até o closet, deixando-a sozinha com Helena.

 

Após amamentar, a filha ela acabou adormecendo rapidamente.

Com cuidado, ela  colocou-a no berço. Morpheus logo se aproximou com Perseu, que estava dormindo nos braços dele também, e o colocou no berço junto com a filha.

Ele ofereceu um robe negro de tecido fino, quase translúcido, a ela.

 

“Para você,” disse ele, estendendo o tecido com um olhar que parecia devorá-la.

 

Ela murmurou um agradecimento baixo antes de se dirigir ao banheiro anexo ao quarto.

"Preciso realmente de um banho." Ela pensou, despindo-se completamente, deixando o vestido anterior no chão, e entrando na banheira ampla.

O vapor subia ao seu redor enquanto a água morna a envolvia.

Fechando os olhos por um instante, relaxando, ela logo ouviu o barulho da porta se abrindo.

 

Morpheus entrou, os olhos negros fixos nela como um predador que encontrou sua presa. Ele não pediu permissão e não hesitou.

Ele Caminhou diretamente até a banheira, o tecido de sua roupa escura roçando as bordas enquanto se ajoelhava ao lado dela.

Antes que pudesse ela. reagir, ele inclinou-se e capturou seus lábios em um beijo feroz.os lábios dele frios e exigentes contra os dela quentes, a língua invadindo imediatamente, explorando com uma fome que a fez arquejar.

 

“Ah, não,” ela protestou, os olhos ainda fechados, empurrando-o com as mãos molhadas, tentando se afastar. “Eu só quero relaxar por um momento.”

"Por que ele sempre faz isso?" "Meu corpo já  está me  traindo, Por que eu não consigo resistir?" Pensa ela  amargamente.

Ele não a deixou escapar.

Seus braços a envolveram, segurando-a firmemente contra a borda da banheira, o corpo dele bloqueando qualquer tentativa de distância, o peito dele pressionando contra o dela, o tecido da roupa dele molhando com o vapor.

“Shhh,” ele  sussurrou contra sua boca, antes de beijá-la novamente, mais fundo, a língua invadindo sem piedade, dominando cada tentativa de resistência.

“Você precisa de mim pra relaxar de verdade,” murmurou ele, os dentes roçando o lábio inferior dela, puxando de leve antes de soltar,fazendo-a gemer baixo.

“Não... eu... ahh,” ela tentou dizer, mas a voz saiu fraca, quase um suspiro.

Sua mão livre deslizou pela pele escorregadia dela sob a água, traçando um caminho lento e provocador ao longo de sua coxa, os dedos roçando a pele sensível até alcançarem sua vagina.

O toque era deliberado, possessivo, enquanto ele acariciava a entrada com uma suavidade cruel que contrastava com a força de seu aperto, os dedos circulando devagar, testando, fazendo-a se contorcer

 

“Eu posso fazer você relaxar, meu coração,” disse ele, a voz rouca, os olhos brilhando com desejo enquanto os dedos continuavam sua exploração, pressionando mais fundo, sentindo a umidade dela crescer. “Você tá tão molhada... não é só a água, é? É pra mim.”murmurou ele com um tom satisfeito e provocador.

Ela se contorceu, o corpo reagindo apesar de sua mente gritar para resistir, um gemido baixo escapando enquanto tentava se concentrar.

"Ahh... Morpheus, para,” gemeu ela, a voz tremida, mas as pernas se abrindo involuntariamente para o toque dele. "Por que eu não consigo parar? eu... quero mais."

Mas era inútil.

“Você começou mais cedo, lembra?” provocou ele, enquanto dois de seus dedos longos e frios deslizavam dentro dela com uma precisão implacável, esticando-a, o polegar roçando o clitóris com círculos lentos.

 

Ela arqueou contra a borda da banheira, um gemido saindo de sua garganta enquanto ele começava a movê-los, explorando-a sem hesitação, o ritmo firme, acelerando aos poucos, a água splashando ao redor. "Ah, meu Deus... por que isso tem que ser tão bom? Ele sabe exatamente onde tocar." "Bastardo."

“Olhe só pra você, meu amor,” murmurou ele, o tom carregado de satisfação enquanto observava cada reação dela, os dedos curvando pra acertar aquele ponto dentro dela que a fazia gemer mais alto.

“Tão pronta pra mim, sempre. Quero ouvir você”acrescentou ele com um tom exigente, mantendo os olhos fixos nos dela.

"Ahh... por favor...” ela implorou as unhas cravando na borda da banheira, o corpo se movendo contra os dedos dele.

“Ahh—” gemeu ela, o prazer que ele arrancava dela a deixando tonta, a mente nublada enquanto seu corpo traía sua vontade, as paredes internas apertando ao redor dos dedos dele.

 

Ele inclinou a cabeça, capturando um de seus seios na boca, a língua circulando o mamilo sensível antes de sugar, o sabor doce do leite materno enchendo sua boca.

Ele gemeu baixo, o som quase animalesco. “Uma iguaria,” disse, levantando o olhar para ela, os olhos brilhando com algo entre desejo e obsessão.

 

“Morpheus,” ela gemeu o nome dele, o corpo tremendo enquanto os dedos dele continuavam seu ataque implacável, agora adicionando um terceiro, esticando-a ainda mais, o ritmo indo devagar e acelerando até que sua mente girasse de prazer e confusão.

“Por favor... eu não aguento,” sussurrou ela, lágrimas de prazer escorrendo pelo rosto. as pernas se abrindo mais, convidando.

“Você aguenta sim,” retrucou ele, a voz rouca contra o seio dela.

“Chame-me de marido,” ordenou ele, a voz rouca contra sua pele, os dedos movendo-se mais rápido desse vez, mais fundo, enquanto o polegar encontrava seu clitóris, pressionando e circulando até que ela não pudesse mais lutar contra a onda que se construía dentro dela.

“Marido... ahh!” gritou ela, o corpo convulsionando enquanto gozava, o prazer a cegando por um momento, a mente nublada enquanto se agarrava à borda da banheira, as unhas arranhando a porcelana, o corpo tremendo com ondas de êxtase.

Ele grunhiu satisfeito, retirando os dedos devagar, lambendo-os enquanto a olhava.

“Boa esposa,” ele murmurou, a voz grave e possessiva.

Ela mal teve tempo de notar quando ele entrou na banheira e a ergueu da água, os braços fortes a puxando para o colo dele.

Só percebeu quando os dedos dele deixaram sua vagina, o vazio momentâneo a fazendo ofegar, até que sentiu algo mais quente, mais duro, pressionando contra sua entrada.

O membro dele cutucava sua carne sensível. Ela estava ofegante, o corpo ainda tremendo do orgasmo, quando ele a segurou pela cintura com uma mão e agarrou sua bunda com a outra, encaixando-a sobre ele.

 

Ela o sentiu por inteiro de uma só vez, o tamanho dele a preenchendo de forma avassaladora, um gemido alto escapando enquanto suas unhas arranhavam as escápulas dele, marcando a pele com linhas vermelhas.

"Morpheus... E demais,” gemeu ela, a voz tremida, mas os quadris se movendo instintivamente.

Ele grunhiu, os olhos escurecendo ainda mais. “Hoje você vai me cavalgar,” disse, enquanto se recostava contra a borda da banheira, as mãos firmes em sua cintura, movendo-a para cima e para baixo sobre ele, o ritmo implacável desde o início.

 

“Mova-se, minha querida,” ele murmurou no ouvido dela, os lábios roçando sua orelha antes de descerem para morder levemente o lobo.

“Quero sentir você me apertando, me engolindo inteiro.''

"Você é minha, e vai me dar tudo o que eu quiser, não é, minha amada esposa?” As palavras sujas, ditas em um tom baixo e sedutor, a faziam corar e tremer, o corpo obedecendo mesmo enquanto sua mente tentava resistir um pouco.

“Sim... Uhh... marido,” gemeu ela, os quadris se movendo mais rápido, o prazer crescendo de novo.

Ele a movia com força, cada estocada profunda e possessiva, os sons de pele contra pele misturando-se ao splash da água que transbordava da banheira.

 

Horas pareceram se passar, o ritmo nunca diminuindo, o prazer e a exaustão se misturando até que ela perdesse a noção de tempo.

Ele gozou dentro dela várias vezes, mais do que ela podia contar, o calor de cada liberação a preenchendo até que sentisse que não poderia conter mais nada.

Mas ele não parou.

A levantou da banheira, a água escorrendo de seus corpos enquanto a levava para outros cantos do banheiro, tomando-a em posições que a deixavam ainda mais vulnerável à sua vontade.

 

Primeiro, ele a pressionou contra o balcão de mármore frio, as costas dela arqueadas enquanto ele a penetrava por trás, uma mão segurando seus quadris e a outra puxando seus cabelos molhados, inclinando sua cabeça para trás para que pudesse beijar e morder seu pescoço.

“Olhe para si mesma,” ele a  ordenou, apontando para o espelho embaçado à frente, onde ela  conseguia distinguir seu reflexo ofegante e submetido.

“Veja como você é perfeita para mim.”

 

Cada estocada era punitiva, o corpo dele colado ao dela, os gemidos dela ecoando no espaço fechado.

“Você sente, não é?” sussurrou ele, a voz rouca contra sua pele. “Sente como seu corpo me quer, como foi feito pra mim.”

“Sim... ” gemeu ela, as lágrimas de prazer escorrendo.

 

Depois, ele a levantou contra a parede do chuveiro, as pernas dela envolvendo sua cintura enquanto ele a segurava, movendo-se dentro dela com uma força que fazia os azulejos tremerem sob suas costas.

A água morna ainda caía sobre eles, misturando-se ao suor e ao calor de seus corpos, enquanto ele sussurrava mais obscenidades contra sua pele.

“Você vai me dar mais filhos, não é?” dizia ele , com a voz carregada de desejo. 

 

Ela só conseguia gritar que sim, a mente nublada, babando enquanto o prazer a dominava.

“Seu corpo foi feito para isso, para mim. Sinta como você me quer, como você se aperta ao meu redor,” continuou ele, cada palavra um golpe contra sua resistência.

 

Por fim, de volta à banheira, ele a colocou de bruços sobre a borda, metade de seu corpo ainda na água enquanto ele se posicionava atrás dela, segurando seus pulsos acima de sua cabeça com uma mão enquanto a outra guiava seu membro de volta para dentro dela.

O ângulo era devastador, cada movimento acertando pontos que a faziam gritar seu nome, o prazer beirando a dor enquanto ele a tomava sem pausa, sem piedade.

“Você é minha rainha, minha esposa” grunhiu ele , com os dentes roçando sua nuca.

“Quer você queira ou não.”

 

“Por favor... Morpheus,” ela implorou, a voz quebrada, sem saber se pedia para ele parar ou continuar.

 

“Marido,” corrigiu ele, o tom firme, enquanto acelerava, os movimentos mais duros, mais exigentes.

“Diga Assim, Quero ouvir você me chamar de marido enquanto gozo dentro de você de novo.”

“Marido... ahh! Marido!” gritou ela, o corpo convulsionando enquanto outro orgasmo a rasgava, o corpo tremendo violentamente, as lágrimas misturando-se à água.

 

Quando finalmente pararam, ela estava exausta, o corpo mole e trêmulo, sentindo-se cheia de uma forma que era tanto física quanto emocionalmente.

Enquanto ele a segurava contra a parede do banheiro, beijando-a com uma fome que parecia nunca saciar, ela viu pequenas linhas brancas de sêmen escorrendo por suas pernas, misturando-se à água que ainda pingava de sua pele.

"Droga... ele conseguiu o que queria. De novo. Só espero que eu não consiga  engravidar agora. Não tão cedo."

"Eu odeio isso... e odeio que uma parte de mim não odeie tanto assim."

Com  cuidado , ele a banhou, as mãos agora gentis enquanto limpavam sua pele, retirando os vestígios de sua união.

Ele pegou o robe negro que trouxera mais cedo, envolvendo-a no tecido macio.

Então, sem dizer uma palavra, ele a levantou no colo e a levou de volta ao quarto.

 

Ele Colocou-a na cama ampla, o colchão afundando sob seu peso enquanto a deitava com cuidado.

Ele se juntou a ela, puxando-a contra seu peito.

Ela estava exausta demais para sequer pensar, e enquanto o sono logo a reivindicava, a última coisa que sentiu foi o batimento constante do coração dele sob sua cabeça.

 

Em seus sonhos, ela sentia constantemente a presença dele, como uma sombra que a perseguia até nos recantos mais profundos de sua mente.

 

 

Notes:

Apolo soltou a fofoca sobre o passado do Morpheus: Calliope (a musa, ex-esposa dele) e o filho deles, Orfeu.

Eu misturei o mito grego e Sandman: aqui Apolo teve um romance breve com Calliope, antes dela escolher Morpheus.

Por ele ter abandonado o filho deles, Calliope abandonou Morpheus e nunca perdoou, como o original.

Chapter 18: Meu Marido Invade Meu Sonho e Deleta Meu Ex

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

 

  

 

 

Ela acordou com a cabeça repousando no peito de Morpheus.

O calor de sua pele contrastava com a frieza  da dele.

O batimento constante sob seu ouvido (se é que podia ser chamado de coração) era tão hipnótico, um ritmo que parecia mais uma ilusão do que algo real.

Mesmo assim, a sensação de desconforto a fez se mexer, ela tentou se soltar devagar dos braços que a envolviam como uma âncora.

 

Ele a segurou com mais força, os braços apertando ao redor dela antes que pudesse se afastar sequer um centímetro.

Seus olhos negros se abriram, fixando-se nos dela com aquela intensidade que sempre a deixava sem ar, como se ele pudesse enxergar cada canto escondido de sua alma.

“Onde vai?” ele a perguntou, a voz grave, quase um ronronar que fez seu estômago se apertar.

"Droga"

“Quero ver os nossos filhos... e me trocar,” respondeu ela, tentando soar mais firme do que se sentia.

"Será que ele vai me deixar ir ?" Ela pensou, sabendo que com ele, nada era exatamente simples.

 

Um sorriso lento curvou os lábios dele, um gesto que era ao mesmo tempo sedutor e perigoso.

Ele se inclinou, capturando a boca dela num beijo que começou suave, quase doce, mas logo se aprofundou, sua língua invadindo sem hesitação, explorando-a com uma fome que parecia nunca se saciar.

Era como se a cada toque dele, ele reclamasse mais um pedaço dela.

 

Antes que ela pudesse reagir, ele rolou sobre ela, o peso de seu corpo a prendendo contra o colchão macio.

O movimento a fez ofegar, o ar escapando de seus pulmões enquanto o calor dele a envolvia.

"Ele não para nunca?" ela  pensou, um misto de desejo e cansaço girando em sua mente.

 

Ofegante, ela conseguiu desviar o rosto, rompendo o beijo.

Rapidamente, ela enterrou a cabeça no peito dele, abraçando-o com força, os dedos cravando em suas costas pálidas.

“Não faça isso... os nossos filhos estão no berço, aqui no quarto,” ela murmurou contra a pele dele, buscando qualquer desculpa para deter seu avanço.

 

“Não se preocupe com isso, meu amor,” disse ele, a voz baixa e tranquilizadora, beijando o topo de sua cabeça com uma ternura que contrastava com a intensidade de seus olhos.

 

Ele a puxou com facilidade, os dois agora sentados na cama, com ela ainda o abraçando, o corpo colado ao dele.

Uma das mãos dele deslizou para os cabelos dela, acariciando as mechas com um toque  gentil, enquanto a outra repousava em sua cintura, firme e possessiva.“Antes de você acordar, levei os pequenos para o quarto que preparei para eles,” ele explicou. “E não se preocupe, Designuei Matthew para vigiá-los enquanto Eles dormem."

"Ele ficou mais do que feliz com a tarefa.”

 

Ela ergueu a cabeça do peito dele, os olhos buscando o berço vazio ao lado da cama, a ausência dos filhos confirmando suas palavras.

Um leve aperto se formou em seu peito  alívio por terem um momento, mas também uma pontada de saudade. "Eles estão bem então se e o Matthew que está com eles."

 

Ele inclinou a cabeça, o olhar fixo nela com um brilho que ela não conseguia decifrar completamente  desejo, posse, ou algo mais profundo?

“Este quarto é todo nosso agora,” ele murmurou, os lábios roçando a têmpora dela, enviando arrepios por sua espinha.

“Vamos terminar o que você começou?”

“Você sente, não é? Como seu corpo já me quer de novo,” sussurrou ele contra a boca dela, os lábios roçando os dela enquanto falava.

"Ele é insaciável," pensou ela, um suspiro interno misturado com resignação e um desejo que ela odiava admitir.

“Estou dolorida,” ela confessou, a mentira saindo fácil de seus lábios, na esperança de que isso o fizesse recuar. "Por favor, Aceite isso."

Mas ela sabia que não funcionaria; a essência dele já havia feito seu trabalho, curando qualquer dor física que ela pudesse sentir.

 

“Então serei extremamente gentil com você, meu coração,” respondeu ele.

Ele inclinou a cabeça, depositando beijos leves e deliberados ao longo do pescoço dela, cada toque enviando pequenos choques de calor por sua pele. “Minha essência em você sempre vai curar qualquer dor que você sinta no momento,” acrescentou.

 

Com cuidado, ele a deitou de volta na cama, o corpo dele pairando sobre o dela como uma sombra inevitável.

Suas mãos a acariciavam suavemente, deslizando pelos ombros, descendo pelos braços e voltando para os quadris, os dedos traçando padrões leves que faziam sua pele arder com uma sensibilidade agridoce.

"Por que meu corpo sempre reage a ele assim?" pensou ela, irritada consigo mesma, mas incapaz de resistir completamente.

 

Dessa vez, ela não tentou detê-lo, com medo de que ele recuasse em sua palavra de gentileza.

Ela Permaneceu quieta, o corpo um pouco tenso, mas submisso sob o toque dele.

Ele sorriu contra a pele dela, claramente percebendo sua rendição, e seus dedos desceram mais, encontrando a umidade entre suas pernas.

"Você Já está pronta pra mim de novo, minha rainha” murmurou ele, a voz carregada de satisfação

Com movimentos lentos e deliberados, ele deslizou dois dedos dentro dela, explorando-a com uma suavidade que contrastava com a intensidade da noite anterior.

Ela não pôde conter o gemido baixo que escapou de seus lábios, o corpo traindo sua mente.

"Droga... Morpheus...” gemeu ela, as pernas se abrindo mais, as mãos apertando os lençóis.

“Isso mesmo,” murmurou ele, a boca ainda roçando seu pescoço enquanto os dedos se moviam em um ritmo constante, entrando e saindo com uma paciência que a deixava à beira da loucura.

“Deixe-me ouvir você.”

"Deixe-me ouvir você, minha rainha.”

Ele ergueu a cabeça, capturando a boca dela em um beijo profundo, a língua dançando com a dela enquanto seus dedos aceleravam momentaneamente, apenas o suficiente para fazê-la se contorcer sob ele.

Ela gemeu contra os lábios dele, o som abafado pelo beijo, e sussurrou entre arfadas, “Marido... por favor.”

"Ahh... sim... assim...” gemeu ela, o corpo arqueando contra a mão dele.

O som parecia inflamá-lo, seus movimentos tornando-se um pouco mais firmes, mas ainda controlados, os dedos curvando-se dentro dela para acertar aquele ponto que a fazia tremer.

“Você quer que eu vá mais rápido, minha amada?” perguntou ele, a voz carregada de desejo. “Diga, e eu farei. Diga que quer mais.”

“Sim... mais rápido... por favor...” respondeu ela, gemendo alto, a palavra escapando antes que pudesse pensar.

 

“Tudo que você quiser, meu amor,” disse ele, um sorriso sombrio em sua voz enquanto obedecia, intensificando o ritmo. os dedos entrando e saindo com mais força, o polegar pressionando o clitóris em círculos rápidos.

“Ahh! Morpheus... eu... eu vou...” gritou ela, o corpo convulsionando enquanto gozava nos dedos dele com um grito abafado, ondas de prazer a atravessando, deixando-a ofegante e trêmula, as pernas tremendo.

 

Ele retirou os dedos lentamente, os olhos fixos nos dela com um brilho de posse pura, e os levou à boca, lambendo-os com um prazer evidente que a fez corar.

 

“Divino,” disse ele, a voz grave, um sorriso sombrio curvando seus lábios.

“Seu sabor é sempre divino, Doce... como o leite dos nossos filhos. Como você. Quero provar você todo dia.”

Ela sentiu o rosto queimar sob o olhar predatório dele, incapaz de desviar os olhos enquanto ele a devorava com aquele simples gesto. "Ele me faz sentir bem assim... Eu odeio isso.'' "Mais ao mesmo tempo eu amo isso''

Sem desviar o olhar, ele alcançou o robe negro que a cobria, desatando o tecido com dedos ágeis e puxando-o para longe, deixando-a completamente nua sob ele.

O ar fresco do quarto roçou sua pele sensível, fazendo-a estremecer enquanto ele se livrava de sua própria roupa, o tecido caindo ao lado da cama, revelando a dureza de seu desejo exposta e pulsante.

 

Ele se posicionou entre as pernas dela, seu membro já pressionando contra a entrada dela, quente e insistente.

“Eu prometi,” disse ele, olhando nos olhos dela com uma intensidade que a prendia no lugar.

“Vou devagar.” Ele se inclinou para beijar a clavícula dela, e então começou a entrar, centímetro por centímetro, o estiramento lento e deliberado fazendo-a ofegar.

"Ele está sendo realmente gentil..." pensou ela.

"Uhh... Assim... por favor...” gemeu ela, as mãos apertando os ombros dele.

“Não é bom assim?” perguntou ele, a voz um murmúrio rouco enquanto observava cada reação dela.

“Sim... ahh... é bom...” respondeu ela, a palavra quase um suspiro, incapaz de negar a sensação que a preenchia.

 

Ele estocava suavemente, cada movimento controlado, mas profundo, preenchendo-a de uma forma que misturava prazer e uma doce dor residual.

Lágrimas de prazer escorreram pelos cantos dos olhos dela, o corpo sobrecarregado pela intensidade lenta.

Enquanto ela entrelaçava as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o mais para perto instintivamente.

 

Seus braços subiram, envolvendo o pescoço dele, os dedos se perdendo nos cabelos escuros enquanto ela tomava a iniciativa e o beijava, os lábios buscando os dele, com uma urgência que não conseguia conter, puxando-o mais para si.

"Eu não deveria querer isso tanto," ela pensou, mas o desejo a dominava.

“Mmm... Morpheus...” gemeu ela contra os lábios dele.

Ele hesitou por uma fração de segundo, os olhos piscando com surpresa diante da ação dela, mas logo um sorriso mental curvou sua mente, uma satisfação sombria tomando conta dele.

“Mmm... assim, minha rainha... me beija como se quisesse me devorar,” grunhiu ele, aprofundando o beijo, a língua invadindo com mais força, reclamando cada canto da boca dela com uma possessividade que a fez gemer.

“Mmm... marido...” gemeu ela, a língua dançando com a dele.

Ele continuava a estocá-la lentamente, os quadris movendo-se em um ritmo quase torturante de tão preciso, cada investida fazendo-a sentir cada detalhe dele dentro dela.

Ela gemeu no ouvido dele, a cabeça caindo contra o ombro dele enquanto o prazer a deixava tonta.

“Marido...” ela  sussurrou, a palavra escapando entre gemidos, carregada de rendição e êxtase.

O som dela o chamando assim sempre acendia algo nele.

“Ahh... mais fundo... por favor...” implorou ela.

"Mais fundo? Assim?” perguntou ele, empurrando devagar até o limite, segurando ali por um segundo antes de recuar e repetir.

“Sim... assim... ahh!” gritou ela, as unhas cravando nas costas dele.

Os olhos dele  foram escurecendo ainda mais enquanto ele mantinha o ritmo, o corpo dela tremendo sob ele.

“Ahh... sim... goza pra mim...” grunhiu ele, os dentes cerrados.

Ela gozou novamente, o orgasmo a atingindo como uma onda, seu interior apertando ao redor dele, extraindo um grunhido baixo da garganta dele.

 

As horas se passaram e ele não parou, as estocadas ainda mais lentas, mas agora mais profundas, prolongando a sensação para ela.

 

“Não consigo mais,” murmurou ela, a voz fraca, os olhos marejados de tanto prazer, a boca entreaberta enquanto um fio de saliva escorria pelo canto dos lábios, o corpo mole sob ele.

"Estou mentalmente exausta, mas ele não vai parar," ela pensou, o desespero misturado ao êxtase.

 

“Você aguenta mais um,” disse ele, a voz rouca, inclinando-se para lamber a lágrima que rolava pelo rosto dela.

" Mais Você  já disse  isso " diz ela chorosa.

“Vamos gozar juntos meu coração. Só mais um pouco, minha querida. Aguente para mim.”

Ele segurou os quadris dela com mais firmeza, mas sem perder a gentileza prometida, os movimentos agora um pouco mais rápidos, o som de pele contra pele enchendo o quarto enquanto ele se aproximava do limite.

 

“Estou vindo,” grunhiu ele, os dentes cerrados enquanto o prazer o tomava, e ele gozou dentro dela, o calor de sua liberação a preenchendo enquanto ela o seguia, o corpo convulsionando com um último orgasmo que a deixou ofegante, os gemidos ecoando no silêncio do quarto.

 

Ela suspirou, o corpo exausto, enquanto ele a puxava para cima de seu peito, ainda dentro dela, o calor de seus corpos misturando-se enquanto ele a segurava contra si.

Uma das mãos dele deslizou para a bochecha dela, o toque surpreendentemente gentil enquanto ele a olhava, os olhos negros brilhando com algo que parecia amor, ou pelo menos a versão dele disso.

 

“Você foi perfeita,” murmurou ele, a voz carregada de satisfação enquanto se inclinava para depositar um beijo suave na testa dela, o gesto contrastando com a intensidade de momentos antes.

"Perfeita para mim, sempre," pensou ele.

 

Ela não respondeu, apenas fechou os olhos, a respiração irregular enquanto tentava se ancorar na sensação do peito dele subindo e descendo sob sua cabeça.

 

"Às vezes sinto que estou me afogando nele," ela pensou, o conflito interno a mantendo em um estado de alerta mesmo na exaustão.

 

Após alguns minutos de silêncio, o quarto permanecia envolto em uma quietude densa, apenas o som da respiração dela, ainda irregular, quebrava o vazio.

 

 

 

Deitada sobre o peito de Morpheus, ela sentia o calor da pele dele contra sua bochecha, o batimento constante como uma âncora em meio ao peso que parecia esmagar seu corpo.

"Esse batimento... parece tão real."

Ele a segurava com firmeza, os braços ao redor dela como uma jaula invisível, mas havia um certo conforto naquela prisão, um paradoxo que ela não conseguia 

Ou não queria, decifrar completamente.

"Por que eu me sinto tão segura e tão presa ao mesmo tempo?" pensou ela.

 

Ele quebrou o silêncio primeiro, a voz grave ecoando suavemente no espaço escuro.

“Quer ficar deitada mais um pouco?” ele a perguntou gentilmente, os dedos deslizando preguiçosamente pelas costas dela, traçando padrões na pele que a faziam estremecer levemente.

 

Ela assentiu, o movimento quase imperceptível contra o peito dele, e murmurou um “Sim” baixo, quase inaudível.

"Não quero me levantar agora," ela admitiu para si mesma.

Ele riu baixo, o som vibrando contra o ouvido dela. "O que tá passando nessa cabecinha, meu amor? Me diga.” 

Ela hesitou.

“Você sabe que pode me contar, perguntar ou pedir qualquer coisa que quiser. Eu sou seu marido. Seu tudo.”

"Seu tudo. Que ironia," pensou Ela "Ele é ... a minha prisão."

Ela ergueu o rosto levemente, olhou nos olhos dele, e decidiu perguntar algo que a intrigava há muito tempo

“Morpheus,”ela  começou, hesitante, “você tem um coração? Um Físico quero dizer”

 

Ele franziu a testa, claramente pego de surpresa pela pergunta peculiar.

“Por que quer saber, meu amor?” ele a  perguntou, curioso, os olhos negros sondando os dela.

 

“Só por curiosidade,” respondeu ela, um leve rubor subindo às bochechas.

“Eu sempre ouço as batidas.”

 

Ele inclinou a cabeça, um leve sorriso curvando seus lábios, embora ainda houvesse um ar de mistério nele.

“Eu não tenho um coração físico como você pensa,” ele explicou.

“Como você sabe, sou uma entidade metafísica, uma personificação antropomórfica de conceitos universais, um ser primordial.”

 

Ela assentiu, já familiarizada com a natureza dele.

“Eu sei,” ela murmurou.

“Então... o que é isso no seu peito?”

 

“Meu corpo é, na verdade, um avatar, uma ‘roupa’, se preferir, que uso para interagir com o mundo físico e com outros seres,” continuou ele, os dedos agora brincando com uma mecha de cabelo dela.

“Por isso, posso simular a biologia humana.”

 

“Então, você sempre teve essa aparência?” perguntou ela, os olhos fixos nele, tentando entender.

 

“É claro, meu amor,” respondeu ele, um brilho divertido nos olhos.

“Embora minha aparência possa variar dependendo de quem me percebe.”

 

“Ah,” disse ela, processando a informação, enquanto ele a puxava mais para perto, o aperto firme, mas reconfortante.

 

“Ele bate por você, o meu coração,” disse ele de repente, pegando a mão dela e guiando-a até seu peito, e então inclinou-a para que seu ouvido repousasse ali.

“Ouça, meu amor, você e o meu coração” ele murmurou, beijando o topo de sua cabeça.

 

Ela ouviu, sentindo o ritmo constante contra sua bochecha, e um leve sorriso escapou de seus lábios.

''Não é real, mas parece tão..." Ela pensou, o gesto simples a envolvendo em um calor que ela não esperava.

 

Seus olhos já pesavam, as pálpebras lutando para não se fecharem completamente.

Morpheus inclinou a cabeça, os lábios curvando-se em um leve sorriso, embora seus olhos negros permanecessem insondáveis, como poços infinitos de escuridão.

“Durma mais um pouco,” disse ele gentilmente.

 

Com um movimento fluido, ele puxou o lençol negro sobre os dois, o tecido macio roçando a pele nua dela enquanto ele a guiava para deitar de lado.

Eles ficaram frente a frente, os rostos a poucos centímetros de distância, o olhar dele fixo no dela como se pudesse prender sua alma ali.

 

Ele a puxou mais para perto, até que suas testas se tocassem, a pele fria dele contrastando com o calor febril que ainda queimava nas bochechas dela.

Seus braços a envolveram completamente, os dedos apertando levemente suas costas, como se temesse que ela pudesse escapar, mesmo naquele momento de vulnerabilidade total.

“Durma, meu amor” sussurrou ele novamente.

 

Ela não resistiu.

Seus olhos se fecharam, o corpo finalmente cedendo ao peso do cansaço, a respiração ficando mais lenta e profunda enquanto mergulhava no sono.

Morpheus a observou por alguns instantes, o rosto impassível, mas os olhos brilhando com algo sombrio, uma mistura de posse e uma obsessão que parecia crescer a cada segundo que passava.

"Você é minha, mesmo em seus sonhos," pensou ele, enquanto a segurava.

 

Ele não entrou  nos sonhos dela e os manipulou dessa vez; ele queria saber o que ela sonharia sem a influência dele.

"Vamos ver o que você sonha quando acha que está livre da minha influência," pensou ele, a curiosidade misturada a um ciúme que já começava a queimar.

Ele esperou até ter certeza de que ela estava completamente adormecida, seu corpo relaxado contra o dele, antes de se mover, os pensamentos girando em torno do que a mente dela poderia revelar sem sua influência e intervenção.

 

 

 


 

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Sua consciência deslizou para dentro do sonho dela com a facilidade de uma sombra atravessando a luz, seus sentidos se ajustando imediatamente ao cenário que se desdobrava diante dele.

'Então é isso que ela sonha quando está sem minha influência?" pensou Morpheus, uma pontada de curiosidade misturada com algo mais sombrio percorrendo sua essência.

Ele queria entender o que habitava a mente dela, quando ele não estava lá para moldá-la. "E se for o que eu temo... Hoje ela vai aprender definitivamente que nem nos sonhos ela escapa de mim."

Ele viu onde ela estava, compreendendo completamente o que via.

Nova York, ou pelo menos uma versão onírica da cidade, pulsante com energia e caos controlado.

As ruas estavam cheias de sons, de vozes e risadas, um mosaico de vida que parecia vibrar ao redor dela.

E lá estava sua esposa, sua amada, seu coração, caminhando com um sorriso nos lábios.

 

A visão fez algo apertar dentro dele, uma sensação que ele não nomearia, mas que queimava como ácido em sua essência.

"Por que ela parece tão... Sorridente e livre sem mim?" Ele questionou-se, a irritação começando a borbulhar.

 

Ao lado dela, havia um homem que era quase um reflexo dela mesma, os mesmos traços, os mesmos olhos, mas com uma energia mais selvagem, mais indomada.

Morpheus soube de imediato quem era: esse deveria ser o Perseu — Percy, o irmão gêmeo dela.

Ele permitiu por ela que um de seus filhos recebesse esse nome, mais apenas para aplacar a saudade que ela sentia do irmão, algo que o irritava profundamente.

"O que eu não faria por ela?" Ele pensou. Era melhor que ela projetasse essa saudade no filho do que ficasse remoendo lembranças de sua antiga família.

Ele só esperava que, com os séculos, ela esquecesse aquelas conexões mortais. E abraçasse completamente seu lugar com ele e seus filhos 

 

A mulher que os acompanhava tinha feições um pouco parecidas com as de sua amada.

"Essa Deve ser a mãe mortal dela," analisou ele, notando como ela parecia ter um lugar permanente na mente e no coração de sua esposa.

Havia outros ao redor, figuras que o deixaram imediatamente um pouco tenso.

"Aquilo é um sátiro?" Ele pensou, um pouco desconfortável.

"Minha esposa, tão perto de uma criatura como essa?" Ele vasculhou o sonho, procurando o pai verdadeiro dela, o Poseidon, mas não o encontrou.

"Onde está ele? Por que não o vejo aqui?"

"Ele não merece estar nos sonhos dela. Nenhum deles merece."

Ao lado dela, também estavam outros que ele não conhecia pessoalmente, apenas por menções que ela fizera.

Esse deveria ser o melhor amigo dela, o filho de Hades.

Ele era Um rapaz de aparência desleixada, com cabelos negros desgrenhados caindo sobre os olhos, pele pálida como se nunca tivesse visto o sol, e um ar de melancolia que parecia envolvê-lo como uma aura.

Ele estava Vestido com uma jaqueta de couro e jeans escuros, "Esse deve ser o Nico," pensou Morpheus, reconhecendo-o como um dos nomes que ela citou  de seu passado quando estavam presos juntos.

 

Havia ainda um ciclope ao lado dela, desajeitado e enorme, com um único olho brilhando de afeto ao olhar para ela.

"E Esse deve ser Tyson, o outro irmão dela," concluiu ele, a presença da criatura o irritando ainda mais.

Ao lado do irmão dela estava Uma jovem de olhos penetrantes e postura determinada também estava ali, os cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, com o olhar afiado como se estivesse sempre pronta para a batalha.

"Essa deve ser a Annabeth, a filha de Atena" deduziu ele, lembrando-se de como sua amada falara dela com respeito.

 

Morpheus os observou com desdém, suas presenças já o incomodando, como se cada figura fosse uma afronta à sua posse sobre ela.

"Ela nunca mais sonhara com eles," ele pensou, amargamente, já se arrependendo de ter deixado a mente de sua amada vagar livremente.

"Eu fui tolo, Deixei ela sonhar livremente, E ela sonhou com eles."

"Não com o seu marido, Não com nossa família."

 

Mas, o que fez sua raiva explodir, uma fúria visceral que distorceu até mesmo o tecido do sonho ao seu redor, foi o jovem que chegou ao lado dela.

 

E Ele a beijou.

"Ele a beijou!" pensou Morpheus, a raiva o consumindo como um incêndio.

"Minha  esposa está sonhando e beijou  outro homem  em seu sonho, um  que não sou eu!" Ele já sabia quem era, era  aquele semideus miserável.

O garoto segurava a mão dela com uma familiaridade que fez os olhos de Morpheus escurecerem como uma tempestade.

Alto, com um sorriso confiante, quase arrogante, ele olhava para ela com algo que Morpheus reconheceu imediatamente: desejo, admiração, talvez até amor.

E ela... Aqui no sonho  retribuía aquele olhar, os dedos entrelaçados com os dele, o corpo relaxado, como se estar ao lado daquele mortal fosse o lugar mais natural do mundo.

 

"Como ela ousa sonhar com ele assim?" Ele pensou, a fúria o cegando.

Aquele semideus miserável, Luke. O nome queimou em sua consciência, cada sílaba alimentando um ciúme tão profundo que o próprio sonho começou a tremer.

 

As ruas de Nova York se distorceram, as cores desvanecendo para tons de cinza, o ar ficando pesado como se uma tempestade estivesse se formando.

 

Morpheus avançou no sonho como uma força da natureza, sua presença imponente e inevitável.

Com um pensamento, ele fez Luke desaparecer.

Não apenas desaparecer — ele o destruiu, a figura do jovem se despedaçando em sombras escuras que se dissolveram no nada, um grito ecoando brevemente antes de ser silenciado.

O caos se instalou no sonho, logo transformando-o em um pesadelo.

As outras figuras começaram a gritar, o pânico tomando conta enquanto o mundo ao redor dela desmoronava em escuridão.

 

Ela o notou então.

Seus olhos se encontraram no meio do pesadelo que ele criara, e ele viu a semi-consciência brilhar neles, o reconhecimento misturado com medo.

Ela sabia que ele estava ali, sabia que isso não era apenas um sonho, mas uma manipulação, uma invasão.

E, ainda assim, havia algo em seu olhar , uma rendição, um entendimento de que não havia como escapar dele, nem mesmo no reino dos sonhos.

 

“Você não pode fugir de mim, minha amada,” murmurou ele, a voz ecoando como um trovão na escuridão do sonho.

“Nem aqui, nem em lugar nenhum.”

 

Ela não respondeu, mas o tremor em seus lábios o fez sentir uma satisfação sombria.

"Ela sabe que me pertence," pensou ele, o poder pulsando em sua essência.

 

Morpheus não se demorou no caos que criara.

Com um gesto de sua vontade, ele moldou o sonho, arrancando-a daquele mundo que ele tanto desprezava e trazendo-a de volta para onde ela pertencia: ao lado dele, no Sonhar.

O cenário mudou, a escuridão dando lugar a um jardim vasto e cheio de flores, uma visão de beleza impossível.

 

 

Flores brilhavam como estrelas no jardim do Sonhar, a grama parecia pulsar com vida própria, e o ar estava carregado de um perfume doce e hipnótico.

Ela se levantou da grama ao seu redor, sentindo um peso nos braços, agora totalmente consciente dentro do sonho moldado por ele.

De pé, ela segurava um bebê em seus braços  uma criança que era a imagem exata de Morpheus, os olhos negros profundos mesmo na tenra idade, cabelos escuros caindo sobre a testa minúscula.

"O que e isso? " pensou ela, a inquietação apertando seu peito.

 

E Visivelmente sob o tecido leve de seu vestido, sua barriga estava inchada, marcando uma gravidez de cerca de cinco meses.

"Eu estou... grávida?" pensou ela. O medo misturado a uma estranha ternura pelo bebê que segurava.

Ela olhou ao redor, procurando por ele, e sua visão recaiu sobre o cenário ao seu redor.

Seus outros filhos, Helena e Perseus, agora com a aparência de crianças de cerca de cinco anos, corriam e riam com uma energia infantil e despreocupada.

Helena, com cabelos negros como os do pai, perseguia o irmão, que também herdara os traços de Morpheus e seus olhos hipnóticos.

“MAMÃE!” gritaram eles, acenando enquanto corriam, com sorrisos travessos estampados no rosto.

"Eles são lindos... mas tão parecidos com ele," pensou ela, o amor materno lutando contra a melancolia.

As risadas deles enchiam o ar, um som que deveria ser reconfortante, mas que, para ela, era uma lembrança constante de que mesmo seus filhos eram parecidos com ele.

 

Seus olhos passearam pelo jardim, pelos filhos, pelo bebê em seus braços, e finalmente pousaram na figura atrás dela.

Morpheus estava lá, como sempre estivera, sua presença inevitável.

Ele se aproximou, os passos silenciosos sobre a grama, e ela viu o rosto dele.

Ele estava furioso, mais do que já estivera, os olhos negros brilhando com uma raiva que parecia consumir até mesmo o tecido do sonho ao seu redor.

O ciúme, a obsessão, a posse — tudo estava estampado em sua expressão, e ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

"Isso não vai acabar bem," pensou ela, preocupada, o coração batendo rápido no peito.

 

Sem dizer nada, ela se aproximou dele, os braços ainda segurando o bebê, e o abraçou.

O gesto foi quase instintivo, como se soubesse que precisava acalmá-lo, que precisava aplacar aquela tempestade antes que se tornasse algo pior.

“Morpheus...” murmurou ela, a voz baixa, quase um sussurro, carregada de uma súplica silenciosa.

 

“Meu coração,” respondeu ele, a voz grave, ainda carregada de tensão, mas com um traço de alívio.

O contato pareceu surtir efeito.

A raiva nos olhos dele se suavizou, embora não desaparecesse completamente, e ele retribuiu o abraço, os braços envolvendo-a com uma força que era tanto protetora quanto possessiva.

O calor do corpo dele contra o dela era quase sufocante, mas havia um alívio nisso, uma segurança distorcida que ela não conseguia evitar sentir.

"Por que eu tenho que me sintir tão segura com ele?" questionou-se ela.

 

“Você está aqui comigo,” murmurou ele, os lábios perto de seu ouvido, a voz carregada de algo que parecia alívio, mas também uma advertência nítida. “É aqui que você pertence. Comigo. Com nossa família.”

 

Ela não respondeu, apenas assentiu contra o peito dele, o bebê ainda aninhado entre eles.

Ele a soltou apenas o suficiente para guiá-la até a grama, sentando-se com ela ao seu lado, o bebê agora no colo dela enquanto ele estendia uma mão para acariciar sua barriga inchada no sonho.

O toque era surpreendentemente gentil, os dedos traçando a curva com uma reverência que contrastava com a fúria de momentos antes.

Ele observava Helena e Perseus correndo à distância, suas risadas ecoando pelo jardim, e então voltou o olhar para ela, os olhos ainda carregados de uma intensidade que a fazia engolir em seco.

 

“Eles são lindos, não são?” perguntou ele,em a voz baixa, um leve sorriso curvando os lábios, embora não chegasse aos olhos. “Nossos filhos. Nossa família. Nada mais importa além disso.”

 

“Sim... eles são,” respondeu ela, com a voz hesitante, os olhos fixos nas crianças, tentando se ancorar na visão delas, no som de suas risadas, em vez de na presença dele ao seu lado. "Se pelo menos tudo fosse diferente.. talvez pudesse me perder nesse momento completamente sem sentir esse peso..." Ela pensou, com o coração apertado.

 

Mas então ele inclinou a cabeça, os lábios roçando a têmpora dela em um beijo suave, quase terno, que enviou um arrepio por sua pele.

 

“Você é minha,” sussurrou ele contra sua pele, cada palavra carregada de uma certeza inabalável. “E eu não permitirei que nada, nem ninguém, tire você de mim."

"Nem mesmo você própria, ainda maís nós seus sonhos.”

 

O peso daquelas palavras a atingiu como um golpe, e ela sentiu o ar ficar mais pesado ao seu redor.Ela sabia que ele nunca a deixaria deixá-lo. 

“Eu sei,” murmurou ela, quase sem som, com os olhos baixos, evitando encará-lo.

"Como eu poderia esquecer?"ela refletiu.

 

“Por que você sonhou com ele?” perguntou ele de repente, a voz cortante, trazendo de volta a raiva que parecia ter sido contida.

"Dessa vez eu deixei sua mente sonhar sem qualquer influência minha, e mesmo assim você sonha com ele." 

"Com eles, e não com a nossa família."

Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, o rosto uma máscara de controle forçado.

“E Por que, meu amor você permitiu que aquele mortal miserável tocasse em você, mesmo que fosse apenas em um sonho?”

 

Ela congelou, o coração disparando.

“Eu... eu não controlo o que sonho, Morpheus,” ela o  respondeu, com a voz trêmula, tentando se defender, embora soubesse que isso só o irritaria mais.

“Não foi de propósito. Você sabe disso.”

 

“Isso Não importa,” retrucou ele, os olhos estreitando-se, a mão em sua barriga se apertando levemente, como se para lembrá-la de quem ela pertencia.

“Seus sonhos são meus para moldar. Seus sonhos e sua  mente são meus domínios.

"E eu não tolerarei nunca mais que outro ocupe o que me pertence."

"Você entende isso?”

 

“Sim,” sussurrou ela, baixando o olhar para o bebê em seu colo, buscando refúgio na presença inocente da criança.

"Ele nunca vai me deixar nem sequer sonhar com eles."

"Nunca vai me deixar escapar, nem por um segundo," ela pensou, o peso de sua posse a sufocando como uma corrente invisível.

 

Ele pareceu sentir a tensão nela, porque seu tom suavizou, embora a intensidade permanecesse.

“Eu não faço isso por crueldade, meu amor,” disse ele, a mão subindo para acariciar seu rosto, forçando-a a encará-lo.

“Faço isso porque não suporto a ideia de perdê-la. Nem para um pensamento, nem para  um sonho que você tiver." 

"Você é tudo para mim.”

 

Ela fechou os olhos por um momento, tentando processar aquelas palavras, o toque dele em sua pele enviando uma onda de calor e medo ao mesmo tempo.

“Eu sei,” repetiu ela, a voz mais fraca agora, como se estivesse se rendendo mais uma vez.

“Eu só... às vezes, eu só queria sonhar com eles, eu sinto tanta falta deles...”

"Eu não posso nem sequer sonhar livremente com eles?"

 

Ele ficou em silêncio por um longo momento, os olhos fixos nela, como se pudesse ler cada pensamento, cada desejo secreto em sua mente.

“Um dia, talvez, eu deixe” disse ele finalmente.

“Mas não agora. Agora, você é minha para proteger, minha para amar, minha para manter."

"E eu não abrirei mão disso.”

 

Antes que ela pudesse o  responder, ela sentiu algo mudar, uma sensação de tontura que indicava que estava acordando.

O jardim do Sonhar começou a desvanecer, as cores se misturando em borrões, as risadas dos filhos se tornando ecos distantes.

O rosto dele foi a última coisa que ela viu antes de abrir os olhos, de volta ao quarto escuro, deitada ao lado dele na cama, o lençol ainda envolvendo seus corpos.

 

Ele a observava, os olhos negros fixos nos dela, um brilho de satisfação misturado com algo mais sombrio, mais perigoso.

Ele aínda estava irritado com o que ela sonhara.

Um sorriso lento curvou seus lábios enquanto ele se inclinava para depositar um beijo leve em sua testa, o gesto carinhoso, mas carregado de um significado que a fez estremecer.

 

“Bom dia, meu coração,” murmurou ele contra sua pele, a voz suave, mas com um tom possessivo que ecoava as palavras de momentos antes no sonho.

“Espero que tenha descansado...”

 

 


 

 

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Um sorriso lento curvou seus lábios enquanto ele perguntava.

“Dormiu bem?”

 

Ela engoliu em seco, sentindo o peso daquele olhar sobre si, como se ele pudesse enxergar além da superfície, direto para os recantos mais escondidos de sua mente.

"Ele ainda está irritado," ela pensou, o coração dando um salto no peito.

Ainda assim, ela assentiu, murmurando um “Sim” baixo, quase hesitante.

Sua respiração estava levemente irregular, o corpo pesado contra o peito dele, mas seus olhos não conseguiram sustentar o contato por muito tempo, desviando para o lençol que os cobria, como se o tecido pudesse oferecer algum tipo de esconderijo.

 

Ele sorriu mais abertamente, um gesto que não alcançou os olhos, a frieza ainda presente neles, e inclinou a cabeça, o tom de voz suavizando, mas carregado de intenção. “E gostou do seu  sonho?”

 

Ela hesitou por um instante, os dedos apertando levemente o tecido sob sua mão, o movimento quase inconsciente enquanto tentava formular uma resposta que não o provocasse.

"O que eu posso dizer?" Ela  refletiu, o estômago se contraindo de nervosismo.

"Ele quer que eu confesse."

Finalmente, ela respondeu, com a voz baixa: “Sonhei com você... e com os nossos filhos.”

Ele riu baixo, o som sem humor.

“Mentira,” sussurrou ele, os dedos apertando levemente a nuca dela.

“Eu vi. Eu vi tudo. Principalmente O beijo."

Ela tremeu, o medo misturado à culpa. “Não foi de propósito... eu não controlo—”

Ele a Interrompeu, a voz cortante. “Sua mente é sua. E você escolheu sonhar com ele. Com eles. Não comigo. Não com nossa família.”

"Ele tá com raiva. E quando ele tá com raiva..." pensou ela, o peito apertado.

“Me desculpa,” sussurrou ela, se aproximando mais, os braços o envolvendo em um abraço apertado, tentando apaziguar.

Os olhos dele brilharam, um lampejo de aprovação cruzando sua expressão, como se aquelas palavras fossem exatamente o que ele queria ouvir.

Mas então ele se inclinou mais para perto, o rosto a poucos centímetros do dela, o calor de sua respiração roçando sua pele.

“Isso me agrada,” ele  murmurou, a voz quase um ronronar.

“Me diga a verdade, você gostou do sonho?” perguntou, o sorriso se alargando de uma forma que fez arrepios percorrerem a espinha dela. “Gostou do beijo dele?"

Havia algo ali, uma ira contida, uma tempestade pronta para explodir, mesmo por trás da fachada de calma.

 

Ela sentiu o coração acelerar, o medo misturando-se com a necessidade desesperada de apaziguá-lo.

 

"Se eu não for cuidadosa, ele vai transformar isso em algo pior," ela pensou, o peito apertado.

Sem pensar muito, ela  inclinou-se para frente, os lábios encontrando os dele em um beijo rápido, quase desesperado, como se pudesse silenciar as perguntas com aquele gesto.

"Morpheus" murmurou ela contra os lábios dele, as mãos tremendo enquanto segurava o rosto dele.

Quando se afastou, sua voz saiu trêmula, mas firme o suficiente para tentar desviar o foco dele “Isso não importa.” " Esse sonho não importa nada"

 

Ele a encarou por um longo momento, os olhos escurecendo ainda mais, a intensidade de seu olhar quase sufocante.

Um som baixo, quase um grunhido de satisfação, escapou de sua garganta, mas havia um brilho perigoso em sua expressão.

Não importa onde você vá, ou quanto tempo demore... eu a encontrarei."

"Até mesmo nos seus sonhos,” disse ele.

Cada palavra carregada de uma certeza inabalável, um aviso que parecia gravado no próprio tecido do Sonhar.

“Você pode sonhar com quem quiser. Mas eu sempre vou estar lá. E eu sempre vou apagar quem não deve estar.”

Ela não respondeu com palavras, apenas se aproximou mais, os braços o envolvendo em um abraço apertado, a cabeça repousando contra o peito dele, buscando algum tipo de refúgio no calor de seu corpo.

"Se eu ficar perto, talvez ele se acalme. Talvez eu consiga evitar o pior," ela pensou, embora soubesse que era uma ilusão frágil.

Ela Sentiu os músculos dele relaxarem sob seu toque, a raiva se dissipando, substituída por uma satisfação palpável.

Ele descansou o queixo sobre a cabeça dela, os dedos deslizando por suas costas em um gesto possessivo, mas momentaneamente calmo.

 

“Você sempre sabe como me acalmar, não é?” murmurou ele, a voz agora mais suave.

“Mas não pense que isso muda o fato de que eu vi tudo que você sonhou. Cada gesto, cada imagem."

"Você não pode esconder nada de mim.”

 

“Eu... não estou tentando esconder,” respondeu ela, a voz abafada contra o peito dele, as mãos tremendo levemente enquanto se agarrava a ele.

"Como  eu poderia esconder algo de alguém que controla até meus sonhos?"ela  refletiu, um peso familiar se instalando em seu peito.

 

“Bom,” retrucou ele, os dedos apertando levemente suas costas, como se para reforçar suas palavras.

“Porque eu não permitirei, Você é minha, e tudo o que há em você me pertence.”

 

Ela apenas assentiu contra ele, não ousando responder, enquanto ele a segurava por mais um momento antes de falar novamente.

“Vamos tomar banho,” ele murmurou após alguns instantes, a voz mais leve agora, quase como se estivesse oferecendo um momento de trégua.

Sem esperar resposta, ele se levantou, puxando-a junto com ele, o lençol deslizando de seus corpos enquanto a guiava em direção ao banheiro anexo ao quarto.

 

A banheira imensa dominava o centro, já cheia de água fumegante, como se o próprio ambiente soubesse das intenções dele antes mesmo de chegarem.

Ele a guiou até a borda, ajudando-a a entrar antes de se juntar a ela, a água envolvendo seus corpos com um calor reconfortante que contrastava com a frieza de sua essência.

 

Ele se sentou atrás dela, puxando-a para que se encostasse em seu peito, as mãos deslizando pelos ombros dela, massageando levemente os músculos ainda tensos.

“Está melhor agora?” perguntou, a voz rouca, os lábios roçando a nuca dela enquanto falava, enviando um tremor por sua coluna.

 

“Sim... um pouco,” respondeu ela, a voz baixa, quase um sussurro, enquanto fechava os olhos por um momento, deixando o calor da água e o toque dele aliviarem a dor persistente em seu corpo.

 

Ele deu um leve sorriso contra a pele dela, as mãos descendo para os braços dela, os dedos traçando padrões na pele molhada.

“Você parece exausta meu coração. Vou tomar conta de você,” disse ele, o que  a fez relaxar, ainda que Minimamente.

 

“Eu... agradeço,” murmurou ela, quase por reflexo, enquanto ele começava a lavar a pele dela.

Ele riu baixo, o som reverberando no espaço fechado. “Você gosta disso, não é? De ser cuidada por mim,” comentou, o tom carregado de uma satisfação quase presunçosa.

 

“É... bom,” admitiu ela, hesitante, sentindo o rosto esquentar sob o olhar que sabia que ele tinha fixo nela, mesmo sem encará-lo.

"Por que eu sempre tenho que me  sintir tão vulnerável com ele? Como se cada palavra que digo fosse uma rendição?" Ela pensou, tentando manter a compostura.

 

“Então deixe-me fazer mais por você,” respondeu ele, inclinando-se para depositar um beijo leve no ombro dela, o toque enviando um calor inesperado por seu corpo.

“Deixe-me ser tudo o que você precisa. Sempre.”

 

Ela não respondeu, apenas assentiu levemente, deixando-o guiar os movimentos enquanto a água os envolvia.

Após o banho, ele a ajudou a sair da banheira, envolvendo-a em uma toalha macia antes de guiá-la de volta ao quarto.

Sem dizer muito, ele se dirigiu ao closet, vestindo-se rapidamente com suas roupas escuras e impecáveis, antes de pegar um vestido para ela, o tecido sedoso e escuro, uma extensão de sua própria essência.

 

Ela pegou o vestido, sentindo o tecido escorrer entre os dedos  e lançou um breve olhar a ele antes de começar a vesti-lo.

 

Ele se aproximou, as mãos ajustando o tecido sobre a pele dela com uma precisão calculada, os dedos roçando-a de forma intencional, marcando a cada toque.

“Você está impecável,” ele murmurou, a voz profunda, enquanto dava um passo atrás para admirá-la.

Seus olhos negros, insondáveis como o vazio do Sonhar, fixaram-se nela com uma intensidade que a fez desviar o olhar.

“Todos sempre saberão a quem você pertence.”

 

“Parece exatamente com as suas roupas,” disse ela, enquanto alisava o tecido sobre os quadris, tentando escapar do peso daquele olhar.

O coração dela batia rápido, como se tentasse fugir do inevitável.

 

Ele curvou os lábios num sorriso lento, inclinando a cabeça de leve.

“Exatamente. E Todos sabem isso.”

Suas palavras carregavam um lembrete implacável de que ela estava irrevogavelmente ligada a ele.

 

Ela não respondeu, apenas sentiu o impacto da declaração enquanto ele a guiava até a penteadeira.

Ela Sentou-se, pegando uma escova para deslizar pelos cabelos ainda úmidos do banho.

Ele tomou assento ao lado dela, o corpo aparentemente relaxado, mas os olhos cravados no reflexo dela no espelho, como se pudesse decifrar cada pensamento que atravessava sua mente.

"Ele está sempre observando. Sempre controlando,'' pensou ela, tentando ignorar o peso daquele olhar.

 

“Você é linda,” disse ele de repente, o que fez suas mãos pararem por um momento.

“Mas isso não é novidade. Você Sempre foi. Desde o momento em que a vi, naquele porão, desde a nossa primeira conversa eu soube  que você seria minha.”

 

Ela engoliu em seco, forçando um leve sorriso enquanto continuava a escovar os cabelos.

“Obrigada,”ela  murmurou, sem saber o que mais dizer.

"Como eu posso responder a isso?" Ela pensou, com o coração apertado.

 

Quando ela  terminou de arrumar os cabelos, deixou a escova de lado e virou-se para ele, os olhos encontrando os dele por um instante antes de vacilarem, tomados por uma hesitação familiar.

As mãos dela ficaram suspensas no ar por um momento, o coração acelerado com a tensão que sempre acompanhava a proximidade dele.

Ainda assim, algo a impulsionou a seguir adiante. Lentamente, seus dedos tocaram o cabelo molhado dele, arrumando uma mecha que caía sobre a testa, o gesto tímido, quase temeroso.

 

Ele inclinou a cabeça de leve, uma faísca de surpresa cruzando sua expressão.

Era raro que ela tomasse a iniciativa, que ousasse tocá-lo sem ser guiada por ele.

Seus olhos se estreitaram por um segundo, mas logo um brilho de pura satisfação tomou conta deles, uma realização que parecia iluminá-lo por dentro.

“Você está me tocando, esposa,” disse ele, a voz grave, quase um ronronar de contentamento.

“Por vontade própria sem querer nada. Isso significa que está se entregando a mim, não é?"

"Que aceita plenamente o lugar ao meu lado.”

 

Ela engoliu em seco, as mãos tremendo por um instante antes de continuarem a ajustar o cabelo dele, evitando encará-lo.

“Eu... só pensei que precisava ajeitar isso,” ela murmurou, a voz tão baixa que mal se fez ouvir.

"Por que eu sempre faço isso ? Por que não consigo me afastar completamente dele?" pensou, o conflito girando em sua mente.

 

Ele soltou uma risada profunda, o som ecoando com uma alegria sombria. “Não finja comigo. Você quer estar perto de mim. E eu farei com que nunca deseje estar em outro lugar.”

Ele capturou a mão dela, levando-a aos lábios para um beijo que parecia tanto uma promessa quanto uma reivindicação, os olhos nunca deixando os dela. “Continue. Toque-me quanto quiser. Estou aqui para você, como você está para mim.”

 

Ela hesitou, mas prosseguiu por mais alguns instantes, os dedos deslizando pelas mechas úmidas antes de finalmente baixarem as mãos.

“Quero ver os nossos filhos,” ela disse, mudando o foco, com um  anseio genuíno, como se a presença dos pequenos pudesse oferecer um momento de alívio da tensão que a sufocava no momento.

 

Ele assentiu de imediato, levantando-se e estendendo a mão.

“Vamos até eles.” Assim que os dedos dela tocaram os dele, uma nuvem de areia escura os envolveu.

O mundo ao redor dissolveu-se num turbilhão, e quando cessou, estavam em outro aposento, um espaço sereno envolto em uma luz suave e etérea, onde dois berços repousavam no centro.

Mathew, vigiava os pequenos.

Ao perceber a chegada deles, inclinou a cabeça em respeito. “Senhor. Senhora.”

 

“Obrigada por cuidar deles, Mathew,” disse ela agradecida, enquanto o corvo batia as asas brevemente antes de se retirar, deixando-os a sós.

 

Ela caminhou em direção aos berços, os passos leves como se temesse romper a quietude.

Seus olhos suavizaram-se ao observar os seus filhos, seus rostos tranquilos envoltos em mantas delicadas.

"Eles são a única coisa que parece... pura. Mesmo sendo parecidos com ele," ela  pensou, um aperto no peito misturando amor e melancolia.

 

Seus dedos roçaram a bochecha de Perseu, a pele era tão macia.

“Nunca vi crianças tão doces e quietas como eles,” ela sussurrou, enquanto os encarava com um amor que parecia consumir cada canto de seu ser.

 

Morpheus aproximou-se, posicionando-se ao lado dela, a mão repousando na curva de suas costas com uma firmeza que a ancorava a ele. “Eles são perfeitos, assim como você,” ele murmurou.

“Meus sonhos mais preciosos, todos aqui, ao meu alcance.” Seus olhos brilharam com uma intensidade possessiva.

Ela o olhou por um instante, captando o peso daquelas palavras, antes de voltar a atenção para os bebês, inclinando-se para depositar um beijo leve na testa de cada um, buscando consolo na presença deles.

“Vocês são tudo pra mim,” sussurrou ela aos pequenos, quase como se estivesse falando consigo mesma.

 

“E eu sou tudo pra vocês,”completou Morpheus, a voz firme, os dedos apertando levemente as costas dela.

“E Nunca se esqueça disso. Somos uma unidade. Uma família, Nada nem ninguém vai nos separar.”

 

Ela apenas assentiu, sem tirar os olhos dos bebês, enquanto o peso da presença dele ao seu lado continuava a lembrá-la de que, mesmo naquele momento de ternura, ela nunca estava verdadeiramente livre.

"Nem nunca vou estar. E o pior é que uma parte de mim... já aceitou isso," ela pensou, enquanto um sorriso triste curvava seus lábios, escondido da vista dele.

 

 

 

 

Fim da Parte Um.

 

 

 

 

 

Notes:

Capítulo final da parte um.

Comentários e elogios são muito bem vindos esteja a vontade pra deixá-los ♥️!

Chapter 19: 🅿🅰🆁🆃🅴 🅳🅾🅸🆂

Notes:

Olá, agradeço a todos que acompanharam, vamos pra parte dois !!!!

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

 

                                 

 

                                             

 

 

 

 

 

Querido diário.

Seis anos já se passaram, desde a festa dos gêmeos Parece impossível que já tenha se passado sete anos desde que eu cheguei Aqui, mas eu me lembro de tudo como se fosse ontem.

 

Como a minha vida virou de cabeça pra baixo...

Eu caí em um novo universo e também acabei ficando presa em um porão decrépito, com um companheiro de cela que definitivamente ficou muito obcecado por mim, eu devia ter levado os avisos a sério e não confiar nos outros facilmente, erro meu...

Até que agora ele não está tão obcecado assim, só as vezes digamos, ele mudou talvez um pouquinho eu diria.

Talvez seja por causa das nossos filhos que o acalmaram, ou talvez seja por causa que eu não o odeio mais? Talvez eu até... goste dele.

Os nossos filhos cresceram muito nesses nesses seis anos e seus aniversários serão muito em breve, a minha pequena Helena e um raio de Sol, sempre correndo por aí, quase deixando o Matthew sem penas.

 

O pai dela a mima demais, às vezes eu brinco que ela gosta mais dele do que de mim. Minha pequena traidora. Mas eu sei que não é verdade, ela só ama os dois do jeitinho dela. 

E o Perseu digamos que ele e um reflexo do pai dele, ele e mais quieto e reservado, E sim eu  posso dizer com certeza que ele e mais apegado a mim do que com o pai, o que e  fofo, Meu menininho quieto que me segue como um patinho, pro divertimento do morpheus.

 

E depois tivemos a Liora, Ela nasceu alguns meses antes dos  dos gêmeos completarem um ano. Ela é a minha cara, E sim !! ela  herdou meus olhos, E a minha aparência finalmente! Finalmente alguém que se parece comigo. Ela é mais calma que a  Helena, mas tem uma teimosia que me lembra muito o meu irmão...

Eu só espero que esse que estou esperando também se pareça comigo.

 

 

 

 


 

“Então deixa eu ver se eu entendi… minha irmã pode ter sido jogada através do tempo de acordo com a Hécate, ou já estar morta. É isso que vocês estão dizendo?”

 

“Se ela estivesse morta, todos nós saberíamos. Infelizmente. E com o temperamento do seu pai desde então… insuportável até para o próprio Zeus, ele já teria mandado Hades devolver a garota.”

 

“A menos que Hades tenha mentido, e ele e a Perséfone tenham decidido ficar com ela.”

 

“Senhor D, não diga algo assim.”

 

“A única coisa que sabemos, Percy, é que ela não está morta.”

 

“E Isso deveria ser reconfortante?”

 

 

 

 

 


 

 

 

 

                                           

 

 

 

"Eu sei que parece loucura, mas... fui eu quem pediu a ele para libertar ela do inferno."

 

 

 

"Vamos nos esconder do papai por um tempinho, tá bom, meus amores?"

"O papai tem que nos achar primeiro?"

"Tem… mas isso vai demorar um pouco."

"Podemos ir ver o vovô?"

"Sim. Podemos ir para onde quisermos."

 

 

 

 

 

"Ela me deixou, Lucienne."

 

 

 

 

 

 

 

PARTE DOIS

 

 

 

Notes:

Vamos ter um Salto temporal de seis anos.

Seus Comentários e elogios são muito bem vindos, esteja a vontade pra deixá-los 💕

Chapter 20: Sete Anos Sem Respostas (Uma Busca que Nunca Acabou)

Notes:

A visão dos personagens separadas por (pov) e também os acontecimentos, lugares e a linha temporal em negrito.

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

 

   

 

 

ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE

 

7 ANOS ATRÁS 

(Pov percy)

 

Já faziam cinco dias.

Cinco longos dias sem nenhum sinal dela desde que a minha irmãzinha, partiu em sua missão.

O Senhor D, como sempre, não dava a mínima pra minha preocupação,dizendo que a missão era simples e que ela voltaria logo proibindo qualquer um de ir atrás dela. (Como se eu fosse obedecer a isso.)

Annabeth e eu tentamos todos os dias  entrar em contato com ela por mensagem de Íris, mas nada.

Era como se algo estivesse bloqueando a conexão. A imagem  tremulava e se dissolvia antes mesmo de podermos ver ou ouvir qualquer coisa. Nada, Nada de respostas.

 

Isso me deixava inquieto. Não, mais que isso. Me deixava apavorado.

Ela sair sozinha em uma missão por ordem do nosso pai já era preocupação suficiente, mas agora, sem nenhum sinal de vida dela, minha cabeça não parava de girar.

E os sonhos... os malditos sonhos de semideuses vinham com mais frequência ultimamente eles não me deixavam em paz.

 

Desde o  primeiro dia que a minha irmã se foi, comecei a ter o mesmo pesadelo ou sonho. Tudo era escuridão.

Um breu tão denso que parecia me sufocar.

Mas, no meio disso, eu ouvia a voz dela.

A voz da minha irmãzinha Naquela escuridão, fraca, chorosa, partindo meu coração.

 

Percy…” ela murmurava, como se estivesse tentando alcançar algo que não conseguia.

 

“Irmã!” eu gritava, desesperado no sonho, tentando encontrar de onde vinha a voz dela.

Brie, onde você tá?”

Eu... tô com medo. Muito medo. Onde eu vim parar?” A voz dela tremia, e cada  cada palavra dela era como um soco no meu peito.

“Não sei o que é esse lugar... Irmão...”

“BRIE!” Eu gritei de novo, mas a escuridão parecia engolir minha voz.Porque eu não conseguia ouvila maís. 

“Onde você está? Irmã, responde!” O chão sob meus pés começava a desmoronar, e então... silêncio. 

 

O sonho terminou, e eu acordei no outro dia ofegante e preocupado.

 

 

Eu me lembro exatamente  que Esse foi o último sonho em que ouvi a voz dela.Desde então,  nos dias seguintes eu só tenho sonhos de escuridão e nenhum sinal dela.

E isso me deixa ainda mais desesperado

 

 

 

“Já se passaram sete dias, Percy,” Grover disse, caminhando ao meu lado pelo acampamento.

“Talvez ela tenha tido alguma complicação. Disse ele esperançoso "Sabe como são essas missões.”“Eu sei, cara, mas complicação nenhuma justifica isso."

"Annabeth e eu tentamos outra mensagens de Íris de novo hoje, maís não conseguimos nada."

"A conexão não se estabelece.” Minha voz saiu mais dura do que eu queria, mas eu não conseguia controlar."É como se… como se ela tivesse simplesmente sumido do mapa."

Grover engoliu em seco."Isso não é nada bom."

Meu peito parecia que ia explodir.

“Se algo aconteceu com ela, Grover... eu não vou ficar aqui parado.”

“Vamos pedir uma equipe de busca,” Grover sugeriu, seus olhos me encarando com solidariedade.

“Já faz uma semana. O Quíron e Senhor D vão ter que ceder. Ela estava indo pro Monte Othrys, né?"

"Então já temos um ponto de partida. Vamos encontrá-la, Percy.”

 

Pavilhão de Jantar  (Naquela Noite)

 

Depois de muita insistência nossa ( minha e da Annabeth) para irmos procurala, Quíron e Senhor D finalmente cederam.

Durante o jantar, eles anunciaram que teriam duas equipes de busca para o dia seguinte.

Outros semideuses, preocupados com a minha irmã, se ofereceram para ajudar.

Annabeth, Grover, Tyson e eu estávamos na primeira equipe. Nico se aproximou de mim enquanto eu pegava minha bandeja de comida.

“Eu quero ir com vocês,” ele disse, com um brilho de determinação nos olhos. “Ela é minha melhor amiga, Percy. Eu não vou ficar  aqui enquanto ela tá por aí, sozinha.”

 

Eu Assenti, apertando o ombro dele. “Tá bem, Nico. Vamos  procurá-la juntos. Enquanto nos sentávamos, Rachel nossa oráculo residente, se aproximou da mesa com uma expressão distante.

Seus olhos brilhavam de um jeito que me dava arrepios,  (era o mesmo olhar que ela tinha antes de soltar uma profecia.)

O pavilhão ficou em silêncio, todos os olhos voltados para ela. Até Senhor D parou de beber seu refrigerante diet para prestar atenção.

 

Rachel abriu a boca, e uma voz ecoou pelo ar:

 

“Uma Irmã perdida

Uma dobra do tempo 

um destino sublime,  Buscai a chave  

Antes que seja tarde demais

 

O silêncio depois da profecia era sufocante. Meu estômago se revirou. "Uma chave" “Uma dobra do tempo?” O que raios isso queria dizer? Olhei para Annabeth, que já estava franzindo a testa, tentando decifrar as palavras.

Todos nós sabíamos que  as profecias e visões nunca eram boas notícias.

 

 

No Dia  seguinte na  Busca. 

 

Saímos do acampamento de madrugada e pegamos o táxi das Irmãs Cinzentas até o Monte Othrys.

O carro fedia a mofo, e as três irmãs, como sempre, discutiam sobre quem segurava o olho. Eu mal conseguia me concentrar nisso. Só pensava onde poderia estar a minha irmãzinha e se ela estava bem .

 

“Você e o irmão dela, não é?” uma das irmãs perguntou, me encarando com o único olho que compartilhavam.

“Sim, Vocês viram a minha irmã" perguntei, inclinando-me para frente, tentando não parecer tão desesperado quanto me sentia.

“Vocês sabem onde ela está?” Annabeth completou. Ela estava tão tensa quanto eu.“Não conseguimos vê-la mais,” disse a segunda irmã, enigmáticamente.

“Nós a levamos até lá, mas...”

 

“O que isso quer dizer?” Nico interrompeu, Ele estava sentado no canto, com os punhos cerrados.

 

“Não a vemos mais. Ele a levou embora,” a terceira irmã respondeu.

 

“Ele quem?” Eu quase gritei, com meu coração disparando. “Quem levou a minha irmã? Onde ela está?”

 

O carro parou bruscamente. Estávamos no pé do Monte Othrys.

As irmãs viraram o rosto para nós, o olho solitário brilhando de forma perturbadora.

“Procurem a Chave do Tempo,” disse a primeira.

“Se a encontrarem, poderão ir até ela.”“Chave do Tempo? O que é isso?” perguntei, mas elas não responderam.

Só nos encararam com aquele olhar antes de nos mandar descer do carro

Descemos do táxi e começamos a caminhar por algumas horas até o topo.Grover olhou ao redor, seu nariz franzindo enquanto farejava o ar. “Quíron disse que deveria ter um templo abandonado de Cronos por perto."

"Vamos nessa direção.”

 

“Nossa irmãzinha tá bem, Percy,” Tyson disse, tentando me animar. Ele tinha um sorriso esperançoso, seu olho  brilhando com confiança..“Ela é forte e corajosa. Quando a encontrarmos, ela vai dar bronca na gente por estarmos tão preocupados.”

Nico bufou, com um leve sorriso no rosto.“É, ela vai dizer que não precisava de babá.”

Revirei os olhos, mas o comentário me arrancou um meio sorriso.Por um segundo, me senti um pouco mais leve.

Mas só por um segundo.

Caminhamos por horas, o sol subindo no céu até chegar ao sopé do monte.

Quando finalmente avistamos o templo, ou o que deveria ser um templo, meu sangue gelou. Não eram apenas ruínas antigas.

O lugar estava... destruído.

Como se um furacão tivesse passado por ali.

Pedras enormes estavam espalhadas, colunas partidas ao meio, e o que restava parecia ter sido reduzido a pó.

 

“O que aconteceu aqui?” Grover murmurou, seus olhos arregalados, mexendo nervosamente nas mãos.

 

“BRI! VOCÊ TÁ AÍ?” gritei, minha voz ecoando no silêncio. Meu coração batia tão forte que parecia que ia explodir ao ver o estado daquele lugar.

“Não quero ser pessimista, mas... ela pode estar embaixo de algum escombro,” Annabeth disse, hesitante, mas seus olhos já avaliavam o terreno como se estivesse planejando cada passo.

 

“Vamos nos separar,” sugeri, tentando manter a calma. “Se acharem qualquer coisa, qualquer pista, gritem. E procurem por essa ‘Chave do Tempo’ que as irmãs mencionaram.”

Todos assentiram e se dispersaram.

Comecei a caminhar por um canto das ruínas, levantando pedras e gritando pelo nome dela. “Brie! Tô aqui, mana! Responde!” Cada pedra que eu movia, cada canto que eu vasculhava, era um golpe de decepção.

Nada. Só poeira, insetos e silêncio.

Meu peito apertava mais a cada segundo. "Não pode ser. Ela não pode estar..." Eu não conseguia nem completar o pensamento.Se algo tivesse acontecido com ela, eu saberia. Eu sentiria. Ela e minha gêmea minha irmã.

Depois de horas procurando, algo brilhou entre os escombros à minha frente.

Meu coração parou.

Era... era o chaveiro dela. Aquele chaveiro idiota  que ela adorava.Ele foi um presente da nossa mãe antes de virmos pela primeira vez pro acampamento.

Ela nunca, jamais, o deixaria para trás.

Corri até ele, pegando o objeto na mão.Meus dedos tremeram enquanto eu o encarava.

“Brie... você não deixaria isso aqui...” murmurei, sentindo um nó na garganta.

 

“GENTE!” O grito de Annabeth cortou o ar. Corri na direção da voz dela, o chaveiro ainda na minha mão.

Quando cheguei, Grover e Nico estavam lá, segurando algo. Era mochila dela.

 

“Essa é a mochila dela,” confirmei, minha voz falhando. Nico assentiu, seu rosto pálido de preocupação.

“Olhem isso aqui,” Annabeth disse, mostrando algo nas mãos. Era uma pequena caixa, entalhada com runas desconhecidas.

O Tyson se aproximou, segurando alguns dracmas na mão grande.

“Achei isso ali perto, mas nada mais.”

“Que caixa é essa?” perguntei, franzindo a testa.

“Parece antiga,” Annabeth murmurou, girando o objeto nas mãos.

Ela abriu a tampa com cuidado, não havia nada dentro dela mais  no fundo da caixa, havia palavras escritas em grego antigo.

“Chronou kai Polykosmou Kleis,” ela leu em voz baixa, sua testa franzida em concentração.

"Chave do Tempo e dos Muitos Mundos" ela traduziu em sua mente 

Tudo fez sentido de repente.

“O que isso significa?” Tyson perguntou, inclinando a cabeça.

“Essa Deve ser a Chave do Tempo que as irmãs mencionaram, maís está vazia” Annabeth respondeu, os olhos brilhando com uma mistura de curiosidade e preocupação.

“E Isso bate com a profecia de Rachel.”

 

Relembrei as palavras da Rachel na minha mente.

"Uma irmã Perdida" "buscai a chave"

Meu estômago revirou.

“Achei o chaveiro dela,” falei, mostrando o objeto na minha mão.“Ela ama esse chaveiro, ela nunca o deixaria aqui.”

 

“Sim, e a mochila tá vazia,” Grover acrescentou, segurando o tecido nas mãos.“Nico e eu a  encontramos embaixo de um escombro.”

 

“Só achei uns dracmas por ali,” Tyson completou, apontando para um canto das ruínas.

“Reviramos tudo, mas não achamos mais nada,” Annabeth disse, frustrada e preocupada.“Nenhum sinal dela.”

“Não,” interrompi, minha voz firme, mas tremendo por dentro.

“Ela tem que estar por aqui. Ou por perto. Ela não sumiria assim. Eu sabia que não deveria ter deixado ela ir sozinha.”

“Percy, tudo bem,” Annabeth disse, colocando a mão no meu ombro, tentando me acalmar.

“Vamos encontrá-la, ok?”

 

“É isso aí,” Grover completou, tentando sorrir.“Se ela não tá aqui, ela deve estar  por perto. A montanha é enorme.”

 

“Vamos voltar pro acampamento,” Annabeth sugeriu, olhando para o céu que começava a escurecer.

“Levamos a caixa. Talvez Quíron saiba o que aconteceu. O objeto que Brie deveria recuperar estava dentro dela. Talvez ela tenha tocado nele.”

“Quíron nos avisou que era perigoso,” Tyson lembrou, preocupado.

“Será que a  Brie fez isso?”

 

“É provável,” Annabeth respondeu, séria. “Vamos. Tá ficando tarde, Precisamos mostrar isso ao Quíron.”

 

De Volta ao Acampamento

 

Annabeth e eu levamos a caixa pro escritório do Senhor D e explicamos tudo o que vimos e encontramos  no local a outra equipe ficou os próximos dias vasculhando o local.

 

Dias depois, fomos chamados à Casa Grande. Quíron e Senhor D nos esperavam, a caixa na mesa do Senhor D, estava aberta e vazia.

 

“Onde exatamente encontraram isso, Peter Johnson?” Senhor D perguntou, entediado sem o menor traço de paciência na voz, girando a caixa nas mãos.

"No templo" respondeu Percy. "Ou no que sobrou dele."

“Ela está vazia.” retruca o senhor D.

"E…?"  Disse.

“Ouvimos mais a fundo sobre o que aconteceu no templo,” Quíron disse, interrompendo embora ele esteja preocupado.

"A caixa voltou vazia, e a Briely desapareceu. Já notificamos o Olimpo, Percy. E seu pai está... Furioso. Esse objeto é realmente muinto perigoso.”

 

“Que notícias vocês tem sobre a minha irmã?” perguntei, meu tom cortante. Não estava com paciência pra enrolação.

 

Senhor D bufou, recostando-se na cadeira com um copo de refrigerante diet na mão.

“Seu pai discutiu feio com Zeus por causa do paradeiro da garota. Aparentemente, Zeus pressionou Poseidon a mandar sua irmã buscar esse objeto de Cronos."

"Agora, que ela desapareceu Poseidon tá jogando a culpa nele pelo desaparecimento da filha.”

 

“Ele o quê?” Minha voz subiu, a raiva queimando no meu peito.

“Se ele sabia que era realmente tão  perigoso esse objeto"

"Por que não foi buscar ele mesmo ?, ao invés de mandar minha irmã ir buscá-lo? e ainda ir  sozinha!!”

“Percy,” Annabeth tentou me interromper, me alertando pra não explodir.

 

“O que mais, Senhor D?” ela perguntou, cruzando os braços.

 

“Zeus tá irritado com o temperamento e a reação do Poseidon,” ele completou, dando de ombros.

“Nada novo no Olimpo.”

Quíron interveio.“O que podemos dizer, de acordo com Hécate, é que sua irmã, Percy, pode ter ativado o objeto.''

"Não sabemos muito sobre ele, só que foi feito por Cronos, embora ele nunca o tenha usado."

"Temos uma teoria forte  de que ele possa manipular o tempo ou algo semelhante a isso ou talvez seja algo mais do que isso.”

 

“De acordo com Hécate, houve uma grande liberação de energia mágica no antigo templo de Cronos,” Quíron continuou.

“E a presença da sua irmã desapareceu junto com essa energia.”

 

“Então deixa eu ver se entendi...” Minha voz estava carregada de fúria e incredulidade.

“Minha irmã pode ter sido jogada através do tempo, de acordo com Hécate. Ou já estar morta. É isso que vocês tão dizendo?”

 

“Se ela estivesse morta, infelizmente todos nós saberíamos,” Senhor D respondeu,  o que me deu vontade de socar a mesa.

"E com o temperamento do seu pai desde então… insuportável até para o próprio Zeus, ele já teria mandado Hades devolver a garota.”

 

“A menos que Hades tenha mentido, e ele e a Perséfone tenham decidido ficar com ela.”  completou ele.

 

“Senhor D, não diga algo assim,” Quíron o repreendeu, franzindo a testa.

“A única coisa que sabemos, Percy, é que ela não está morta.”

 

“E isso deveria ser reconfortante?” retruquei, minha voz gotejando sarcasmo.

Olhei pra Annabeth, baixando o tom, mas sem esconder minha frustração.

“Eles não sabem de nada. Nada que ajude, pelo menos.”

Annabeth apertou meu braço, me lançando um olhar que dizia "se controle".

Mas como eu podia me controlar?

Minha irmã poderia estar perdida, talvez em outro tempo, talvez em outro lugar.

E ninguém parecia ter respostas de verdade sobre o que poderia ter acontecido com ela.

Mais sabe qual era a pior parte de tudo isso? Era como eu iria contar pra nossa mãe, que a bri desapareceu.

 

 

 


 

˖₊˚.༄🌊₊˚.༄ 𓆝 🫧 ⋆ 𓅨 ⋆🫧 𓆞༄₊˚.🌊༄₊˚˖

 


 

 

 

NOVA YORK 

 

(Pov Sally Jackson)

 

Já fazia alguns dias desde que Percy voltou do Acampamento Meio-Sangue com a notícia que me arrancou o chão debaixo dos pés.

Minha garotinha, tinha sumido durante uma missão.

Desaparecido.

Como algo assim podia acontecer ? Eu já vivi o terror de perder ela e o Percy tantas vezes, o que  nenhuma mãe deveria enfrentar.

Mas isso... isso era diferente.

Dessa vez o que eu sentia era completamente diferente.

Era um vazio que eu não conseguia explicar, um buraco no peito que não parava de crescer.

Eu Tentei me agarrar à esperança. Que Ela estava bem, Eu criei a minha filha para ser forte e corajosa, como o irmão dela.

Ela sempre foi determinada, as vezes até teimosa, Isso me acalmava um pouco, saber que ela não desistiria fácil.

Mas não totalmente.

Como uma mãe pode ficar tranquila sem saber onde sua filha está? E Sem saber se ela estava realmente viva?

 

Sentei-me no sofá do nosso apartamento, encarando o vazio da sala.

Paul estava no trabalho, e Percy tinha voltado ao acampamento para continuar buscando respostas.

Mais Eu precisava de algo mais.

Precisava de alguém que pudesse me dizer a verdade, mesmo que doesse.

Então, eu  peguei um prato pequeno, coloquei um pedaço de pão fresco e algumas uvas uma oferenda simples, mas de coração, e murmurei uma prece baixinho.

Não demorou muito.

O ar da sala pareceu mudar, um cheiro sutil de sal e mar invadiu o ambiente, e então ele estava lá, sentado ao meu lado no sofá, como se tivesse surgido do nada.

Seu rosto, sempre tão impassível e distante, e seu olhar estava fixo para frente ele parecia não querer olhar pra mim, o seu rosto continha algo que eu raramente via nele: culpa.

 

“Sally,” ele disse Seus olhos verdes, tão iguais aos do Percy e da  Brie, me encararam com uma intensidade que me fez engolir em seco.

 

“É verdade?” perguntei, minha voz tremendo um pouco apesar de eu tentar soar firme.

“O Percy me disse que... que ela pode ter sido jogada através do tempo. Ou que pode estar... morta. É verdade, Poseidon?”

 

Ele abaixou o olhar por um momento, como se não suportasse me encarar.

“Sim, Sally. É uma possibilidade. E eu sinto muito, De verdade."

"Não esperava que isso acontecesse, Não mesmo.”

 

“Sente muito?” repeti, sentindo um misto de raiva e desespero crescer dentro de mim.

“Você... Você mandou minha filha, a minha garotinha atrás de um objeto perigoso, sabendo o quanto isso poderia custar."

"Como pode dizer que não esperava?”

 

Ele ergueu os olhos, e pela primeira vez vi algo como dor neles.

“Estou tentando tudo ao meu alcance para encontrá-la, Sally."

"Eu juro pra você. Farei de tudo para trazê-la de volta.”

 

Um trovão ecoou ao longe, como se o próprio céu estivesse reagindo às palavras dele.

Poseidon franziu a testa, claramente irritado, mas ignorou o som.

Ele enfiou a mão no bolso de sua camisa havaiana e tirou um pedaço de papel amassado, entregando-o para mim.

 

“Pegue isso,” ele disse. “Pedi um favor a Hécate."

"Ela está trabalhando no que pode ter acontecido naquele templo, no Monte Othrys."

"Eu vou ser sincero com você Sally Pode demorar anos até que ela consiga algo concreto, mas isso é o que ela reuniu até agora.”

 

Peguei o papel com as mãos trêmulas, desdobrando-o devagar.

Havia uma escrita leve, quase desbotada, em grego antigo, junto com um desenho rudimentar de um orbe.Ao redor da imagem, alguns rabiscos apressados diziam algo como “Chave do Tempo”.

Li as palavras em voz alta

Chave do Tempo...”

 

Poseidon assentiu, seu rosto sombrio.“De acordo com a Hécate, é uma forte possibilidade. Que seja isso"

"A nossa filha pode estar presa através do tempo. Ou em algum lugar que não conseguimos alcançar ainda.”

 

“Então é verdade...” murmurei, sentindo as lágrimas queimarem nos cantos dos meus olhos.

“Minha filha está perdida no tempo? Como isso é possível? Como vocês, deuses, podem deixar isso acontecer?”

 

Ele hesitou. E Quando falou, sua voz tinha um tom estranho, quase enigmático.

“Tem mais, Sally. Algo... estranho. EU Tive uma visita das Parcas.”

 

“Das Parcas?” repeti, meu coração disparando. Eu sabia o suficiente sobre o mundo dos deuses para entender que qualquer coisa envolvendo as Parcas era um mau sinal.

“E O que elas disseram?”

 

“Elas foram enigmáticas, como sempre,” ele respondeu. “Mais Disseram pra mim que o fio dela... está solto.”

 

“Solto?” Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, carregada de pânico.

“O que isso significa, Poseidon? O que quer dizer que o fio dela está solto?”

 

“Eu não sei,” ele admitiu, “As Parcas não explicam. Elas só... falam. E nos deixam com mais perguntas do que respostas.”

 

Outro trovão rugiu no céu, mais alto dessa vez, e Poseidon olhou para cima, como se estivesse sendo chamado. “Eu deveria ir,” ele disse, levantando-se “Zeus não está feliz comigo no momento, e eu tenho muito a resolver no Olimpo."

"Mas eu prometo, Sally. Não vou descansar até encontra-la.”

 

Antes que eu pudesse responder, ele desapareceu, deixando apenas um leve cheiro de maresia no ar.

E eu Fiquei ali, sentada no sofá, o papel ainda na minha mão.

Apertando o com força, como se fosse a única conexão que eu tinha com minha filha naquele momento.

E As lágrimas que eu vinha segurando finalmente escaparam, escorrendo pelo meu rosto.

 

“Você tem que estar bem,” sussurrei para mim mesma, minha voz engasgada.

“Por favor, minha menina. Só... volte pra mim. Por favor.”

 

Olhei pela janela do apartamento, vendo a cidade de Nova York continuar sua vida normal, como se nada estivesse errado.

Como se minha filha não estivesse perdida em algum lugar, ou em  algum tempo, onde nem mesmo os deuses ao que parece podiam alcançá-la.

 

 

 

 


 

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(ALGUNS MESES DEPOIS)

 

Alguns meses se passaram desde o desaparecimento dela, o que deixou os outros semideuses Que estavam em sua busca um pouco sem esperança de encontrá-la.

Não foi divulgado para todos o que realmente possa ter acontecido(a teoria de que o objeto a levou pelo tempo).

Só alguns sabiam, como os deuses, e claro, e alguns semideuses mais próximos, mas as buscas não pararam.

 

A Hera ficou um pouco estranha pros outros deuses após o desaparecimento da briely. (talvez seja porque ela planejava sequestrar os gêmeos, mas a garota sumiu primeiro).

(Ou Será por que ela saberia de algo que não está contando?)

 

Alguns deuses, como Apolo, Hermes e Hefesto, se juntaram a Poseidon e Hécate, ajudando discretamente a encontrar alguma resposta para onde e quando ela possa ter ido.

Mas não descobriram nada relevante, nem uma maneira de se comunicar com ela ou de rastreá-la de onde quer que ela esteja no momento.

 

Hécate tentou alguns feitiços de rastreamento a pedido do poseidon, mais não deram muito certo e eles continuam sem resposta.

 

Até que Poseidon conseguiu falar com sua mãe, Reia, em sonhos.

Ela falou sobre o objeto enigmáticamente, confirmando o que eles já suspeitavam.E a partir daí, eles tinham um "caminho" e  encontraram uma maneira, embora fosse um pouco falha, mas era o suficiente.

 

O Percy também procurou algumas fontes de ajuda e respostas.

A Circe foi uma delas e, digamos que ela foi um pouco “pressionada” pelo Percy para dizer se tinha alguma resposta sobre o que pode ter acontecido.

Ela  comentou algo que poderia ajudar.

O que Hécate não tinha pensado em fazer, a Circe deu a ideia de  algo sobre criar uma ligação entre os gêmeos, o que Hécate logo conseguiu realizar com magia.

Esse elo Era parecido com o laço de empatia de Grover e Percy, e só poderia ser desfeito por alguma força maior ou com o consentimento de ambos.

Ou, no pior caso, se algum dos dois morresse.

Essa era uma forma inteligente, e  esperavam  que fosse funcional para tentar tentar se comunicar com a briely, formando um laço de de gêmeos entre si, mais forte, e com isso Percy poderia tentar rastreá-la.

O Percy aceitou tentar a  ideia rapidamente, na verdade ele nem Pensou.

E enquanto isso  a pesquisa sobre o orbe estava em andamento.

 

 


 

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ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE 

 

 

(Pov Percy)

 

Três meses. Já se passaram três meses inteiros desde que minha irmãzinha sumiu.Tentamos de tudo por aqui, mas sem sucesso.

Como é possível que ninguém, e nen mesmo nenhum deus possa saber ou ter respostas de onde ela possa está?” pensei, socando a parede do chalé com frustração.

 

Eu Tomei aquela poção que Hécate preparou dias atrás, na esperança de fortalecer a ligação com minha irmã, talvez conseguir falar com ela nos sonhos ou sentir onde ela estava.

“Por favor, funcione... eu só preciso de um sinal,” murmurei para mim mesmo, encarando o frasco antes de bebê-lo.

 

Mas até agora? Nada. Nem um sussurro na minha mente, nem um sinal. 

E se eu nunca mais a encontrar?” esse pensamento me atormentava, dia após dia.

 

Até que algo mudou.

 

Alguns dias atrás, meu braço ficou roxo do nada.

Eu senti um formigamento estranho, mas foi o suficiente pra me deixar aliviado e apavorado ao mesmo tempo.

Isso significava que Ela tá viva... mas o que aconteceu com ela?” pensei, encarando a marca roxa.

 

Eu estava e claro Aliviado porque isso significava que a minha irmã estava viva, em algum lugar.

Mais eu estava Apavorado porque... bem, como ela poderia estar “bem” se algo ou alguém a machucou? Eu não conseguia parar de imaginar o que tinha causado aquilo.

Um monstro? Um inimigo? Ou algo pior?

“Por favor, Brie, aguente firme,” sussurrei olhando pro meu braço, como se ela pudesse me ouvir.

 

 

A conversa com Hécate antes de eu  tomar a poção, ainda estava na minha mente.

 

 

 

Percy, isso só vai intensificar qualquer ligação que você já tenha com a sua irmã,” ela disse 

“Como gêmeos, vocês podem compartilham algo especial que pode ser explorado. Essa poção só vai... amplificar."

"Você pode tentar se comunicar com ela nos sonhos. Ou pode conseguir sentir às vezes o que ela sente, se for muito forte. Ou se ela se ferir."

"Mas tenha cuidado. Como você sabe Nem tudo o que vem pelo vínculo pode ser fácil de lidar.”

 

“Eu não ligo se não for fácil,” retruquei, pegando o frasco sem hesitar.

“Se isso me ajudar a encontrar minha irmã, eu faço qualquer coisa.”

 

Ela me olhou por um longo momento, como se estivesse pesando minhas palavras, antes de assentir.

“Se a sua irmã foi realmente jogada através do tempo, ela pode estar em perigo, dependendo do ano ou do lugar que ela caiu."

"O passado não foi nada gentil com os semideuses, ainda menos com semideusas,” ela acrescentou gentilmente.

 

“Minha irmã é forte, ela vai ficar bem,” respondi, tentando soar confiante, mas no fundo eu não tinha tanta certeza.

“Ela tem que estar bem,” pensei, apertando o frasco com mais força.

 

Hécate não parecia acreditar totalmente em mim.

“Então beba. E boa sorte, filho de Poseidon,” disse ela, seus olhos fixos nos meus.

 

Tomei a poção de uma vez, sentindo o líquido descer ardendo pela garganta.

“Que isso funcione... por favor,” murmurei mentalmente.

 

 

 

E foi por isso que Dias depois, esse  hematoma roxo no meu braço apareceu.

Saí correndo do chalé, o coração disparado, e mostrei pra Annabeth primeiro.

Ela estava perto da arena, discutindo algo com Clarisse, provavelmente sobre as buscas, mas parou no mesmo instante que viu minha cara.

 

“Percy, o que houve?” perguntou ela, encerrando a conversa com Clarisse, franzindo a testa e se aproximando de mim.

 

Levantei a manga da camisa, discretamente mostrando a marca.

“Olha isso. Apareceu do nada. Annabeth,  é dela. Isso não pode ser meu, com a maldição de Aquiles em vigor."

"Esse machucado é da ligação estabelecida entre nós.” "A  ligação realmente funciona "

 

Seus olhos brilharam com preocupação, mas também com um vislumbre de esperança. Ela tocou meu braço de leve, examinando a marca.

“Isso significa que ela está em algum lugar por aí, Percy. E está viva. Essa é a prova de que ela pode estar realmente no passado,” disse ela, aliviada.

 

Grover, Nico, Tyson e até Clarisse se aproximaram, atraídos pela comoção.

Grover farejava o ar nervosamente, seus olhos arregalados ao ver a marca.

“Isso não parece nada bom, cara. Você tem algo mais? Está sentindo Alguma outra sensação?” perguntou ele, com medo evidente na voz.

 

Clarisse deu um passo à frente, cruzando os braços e encarando meu braço.

“Isso não parece bom, Jackson. E Ela não deve estar tão bem assim, no momento"

"Isso parece ter sido um aperto forte. Talvez uma corda, ou alguém segurou ela com força bruta. Não duvido que ela esteja encrencada agora.”

 

O Tyson, preocupado, inclinou a cabeça.

“Mas se fosse uma corda, não seria nos dois pulsos? Só um tá roxo.”

 

Nico assentiu, seus olhos fixos na marca. “Ele tá certo. Parece mais que algo ou alguém apertou só esse braço. E Com força. Isso não é um bom sinal.”

 

“E Vocês acham que eu não sei disso?” rebati, sentindo a raiva misturada com medo crescer dentro de mim.

“Eu não senti mais nada. Foi  Só isso. O que tá acontecendo com ela? Por que não consigo sentir mais?”

 

Annabeth pôs a mão no meu ombro, tentando me acalmar.

“Não sabemos ainda, Percy. Mas é um começo."

"Vamos falar com Hécate de novo. isso veio pelo vínculo, ela pode ter algo pra nos dizer.”

 

Algumas horas depois, o roxo sumiu.

Como se tivesse sido curado por mágica. Fiquei olhando pro meu braço, incrédulo.

Isso é bom ou ruim? Alguém tá ajudando ela ou...?” pensei.

 

Depois que Quíron notificou pro Olimpo que o vínculo de fato funcionava, não demorou muito pra Hermes aparecer com notícias.

Ele chegou ao acampamento à noite com aquele jeito rápido e casual dele.

Ele me puxou de lado perto do pavilhão de jantar, seus olhos correndo ao redor como se temesse ser ouvido ou descoberto. (Provavelmente por Zeus.)

 

“Ouvi o que aconteceu, Percy,” ele disse, baixando a voz.

“Hécate confirmou. Esse ferimento que apareceu no seu braço? Era da sua irmã. Definitivamente."

"E tem mais... Isso pode ser um pouco preocupante.”

 

“Como o quê?” perguntei.

“Alguém a curou,” respondeu Hermes, sério.

 

“E isso não deveria ser bom?” retruquei, franzindo a testa.

 

“Não de acordo com Hécate, e com a minha opinião e a de outros, digamos,” respondeu Hermes, hesitante.

“Hécate está cuidando e vigiando pessoalmente o vínculo, e uma energia digamos um antiga e estranha passou por ele, curando o ferimento.”

 

“Um deus?” perguntei, tentando entender.

 

“Talvez. Ou algo mais,” respondeu Hermes, evasivo.

“Isso Pode ser bom ou ruim, dependendo da época ou do lugar que sua irmã caiu, e com quem ela possa estar."

"E Existe uma possibilidade de que ela possa estar nas mãos do Cronos. No passado”

 

“Com Cronos?” repeti, incrédulo, sentindo o coração afundar.

“Isso não é nada bom.”

 

“Talvez estejamos errados e ela  esteja com um Primordial, pela energia bem antiga,” acrescentou Hermes.

 

“Isso é ruim. Pior ainda,” murmurei.

Como pode ser pior que isso?” pensei, horrorizado.

 

“Mas também pode ser outro tipo de energia antiga,” completou ele, tentando suavizar.

 

“Antigo como? Tipo, um Titã? Algo pior?” insisti, preocupado.

 

Hermes deu de ombros, desagradavelmente evasivo.

“Não sei, garoto. Só tô passando o recado. Mas fique de olho."

E Qualquer coisa que apareça por esse vínculo... anote e diga pro Quíron tudo."

"Pode ser uma pista. Só podemos presumir no momento que ela possa ter alguém cuidando dela.”

 

Eu senti um alívio momentâneo, ouvindo que alguém estava cuidando da minha irmãzinha, mas também um frio na espinha.

“E se esse ‘alguém’ não for um amigo?”

"Espero que ela não baixe a guarda"

"minha irmã não e exatamente conhecida pelo seu "bom senso" e as vezes ela confia rápido de mais." pensei, enquanto Hermes desaparecia antes que eu pudesse fazer mais perguntas.

 

 

 

(Mal sabia ele que as coisas estavam prestes a piorar. E muito.)

 

 

 

 

Alguns dias depois, algo aconteceu novamente.

 

Eu estava sozinho no chalé quando senti um fio de sangue escorrer pelo canto da minha boca. “O quê...?” murmurei, levando a mão ao rosto.

Alguém claramente tinha mordido a boca da minha irmã.

E em seguida, meu pescoço formigou de um jeito estranho, e uma sensação esquisita me fez parar no lugar.

“O que está acontecendo com você brie?” pensei, sentindo o estômago se retorcer com as possibilidades, e nenhuma delas era boa.

Quem poderia estar fazendo aquilo com ela? E pra piorar, a mordida sumiu um tempo depois.

 

Eu Contei pra Annabeth no dia seguinte, meio escondido, porque... bem, eu não queria admitir o quanto isso estava me assustando pela minha irmã. 

 

“Percy, isso não é normal,” ela disse, franzindo a testa.

“A partir de agora Você precisa contar tudo o que sentir.”

 

“Tá bom, Sabidinha,” murmurei. “Mas não aconteceu mais nada. Ainda. Só isso.”

 

Annabeth não parecia convencida, mas deixou pra lá. Pelo menos por enquanto.

 

 

 

Semanas depois, porém, tudo desandou de vez.

 

 

Eu estava com Grover perto do bosque quando senti um aperto na cintura fantasma.

Meus lábios ficaram vermelhos, meu pescoço formigou de novo, e uma onda de pânico (que eu sabia que não era minha)  me acertou como um tsunami.

Era dela.

Minha irmãzinha estava sentindo um medo tão forte que estava passando para mim, e isso quase me derrubou.

Oque tá acontecendo com você dessa vez ?” pensei, sentindo o peito apertar.

 

Grover parou no mesmo instante, seus olhos arregalados.

“Percy, isso é... esse medo. Não é seu.”

 

“É dela,” respondi, “Grover, tá forte dessa vez. Muito forte.”

 

Não precisei dizer mais nada.

Corremos até a Casa Grande, onde Quíron e até o Senhor D estavam.

Pelo olhar deles, dava pra ver que sabiam que algo estava errado após a minha explicação.

 

E dessa vez eu contei tudo  até o que só Annabeth sabia, sobre o sangue na boca e o formigamento no pescoço.

Depois que eu comentei sobre isso A cara deles só piorou.

 

“Percy,” Quíron disse, enquanto escrevia algo.

“Isso é preocupante. Essas ondas de medo, traição, pânico... Que você está sentindo não é algo que possamos ignorar."

"Vou relatar ao seu pai imediatamente.”

" Talvez algo possa ser feito" 

 

O senhor D, por sua vez, encarou meu braço, onde um novo hematoma estava começando a se formar.

“Ela parece estar em maus lençóis,” disse ele, e dessa vez sem seu tom debochado de sempre.

Ele parecia estar realmente preocupado agora. “E isso não  parece nada bom.”

 

Antes que eu pudesse retrucar, outra onda de pânico me atingiu.

Grover gemeu ao meu lado, claramente sentindo a mesma coisa.

Annabeth segurou meu braço, seus olhos cheios de preocupação.

“Percy, o quão ruim é? O que você tá sentindo agora?”

 

“Nada novo,” murmurei, tentando não deixar o desespero transparecer.

“Mas tá... tá intenso.”

 

Ficamos ali por algumas horas com as emoções da minha irmã indo e vindo.

Eu e Grover ficamos afetados.

Até que eu senti arranhões pela pele.

“Deve estar acontecendo algo com ela. Acho que ela tá fugindo de algo. Ou lutando,” murmurei, sentindo os arranhões como se fossem meus.

 

“Isso pode ser provável,” disse Quíron, trocando um olhar com Senhor D.

A cara de Annabeth não estava nada boa.

 

As emoções da Brie vinham como uma tempestade.

Alternando entre medo, nojo, pânico.

E então... veio o pior.

Um formigamento dentro da minha barriga, sem hematoma algum, apenas uma leve sensação que desapareceu rapidamente, mas que me fez congelar.

Ela tinha sido machucada ali...

“Não... não pode ser,” pensei, horrorizado.

 

E as ondas de emoção dela vieram novamente em sequência: raiva, nojo, medo.

Lágrimas escaparam dos meus olhos sem que eu pudesse controlar, e eu caí de joelhos, com a mão na boca, horrorizado.

“Não. Não era possível. Não podia ser o que eu estava pensando.”

“Percy!” Annabeth me sacudiu, sua voz cheia de urgência.

“Percy, fala comigo! O que aconteceu? Oque você sentiu ? ”

 

Eu não consegui responder.

O Grover estava ao meu lado, estava pálido, parecendo que ia vomitar ou desmaiar a qualquer momento.

Ele tinha sentido o mesmo que eu pelo nosso elo de empatia, e pelos deuses, isso só tornava tudo pior.

 

Quíron se aproximou, seus olhos cheios de compreensão.

“Percy, você não tá sentindo o que estou pensando, está?”

 

Meu silêncio foi a resposta.

Senhor D baixou a lata de Coca que segurava, franzindo a testa de um jeito que eu nunca tinha visto.

A sala ficou pesada, como se todos entendessem a gravidade do que eu estava sentindo.

"PERCY " a Annabeth gritou me sacudindo.

Então, eu não aguentei mais e eu desmaiei.

 

 

Quando acordei no chalé, já era noite.

A sensação ainda me assombrava, como um pesadelo que não ia embora.

“O que eu senti... o desespero da minha irmã... o medo dela vai ficar comigo pra sempre,” pensei, encarando o teto.

 

Annabeth e Grover estavam sentados perto da minha cama, os rostos tensos.

“Não conta pra mais ninguém,” murmurei.

“Nem pro Tyson nem pro Nico. Ninguém pode saber o que a gente tá suspeitando.”

 

Grover assentiu, ainda pálido.

“Tá bom, Percy. Mas... a gente não pode ignorar isso. E se...?”

 

Annabeth segurou minha mão, seus olhos brilhando de preocupação.

“Vamos descobrir o que tá acontecendo com ela, Cabeça de Alga. Eu prometo.”

 

Mas as coisas não pararam por aí.

 

Um tempo depois, enquanto eu estava com Annabeth, um pequeno corte surgiu na minha mão.

Ela viu antes de mim, pegando minha mão com cuidado.

“Isso parece um corte de faca, Percy,” disse ela, franzindo a testa.

“O que você acha que é dessa vez?”

 

Olhei pro corte, e um frio subiu pela espinha.

“Não sei, Sabidinha. Não sei mesmo. O que diabos está acontecendo com a minha irmã?” disse.

Então, o corte se curou sozinho, como se nunca tivesse existido.

“Que droga tá acontecendo?” murmurei, encarando minha mão.

 

De repente, uma queimadura leve surgiu na minha garganta.

Annabeth notou minha expressão.

“Percy, o quão ruim é dessa vez?” perguntou ela, preocupada.

 

Logo eu Senti um calor ardente por dentro, só por um momento, antes que desaparecesse.

“Não é tão ruim,” respondi, mas minha voz não convenceu nem a mim mesmo.

 

A Annabeth não saiu do meu lado naquela noite.

O calor vinha e ia, me deixando inquieto.

Se eu tô me sentindo assim, não consigo imaginar o que a minha irmãzinha está passando,” pensei, apertando os punhos.

 

“Acho que ela deve ter tomado mais ambrosia do que deveria,” Annabeth teorizou, tentando manter a calma.

“Pelo que parece, ela tá queimando por dentro. E tá refletindo em você, mas só um pouco. O vínculo parece estar mais fraco que antes.”

 

A noite inteira foi assim, até que a sensação de queimação simplesmente parou de vez.

Foi como se o link tivesse sido... desligado.

“Por que não sinto mais nada? O que houve?” pensei, sentindo um vazio estranho.

 

 

MANHÃ SEGUINTE  (NA  CASA GRANDE)

 

Senhor D me chamou na Casa Grande pela manhã, após ouvir o que aconteceu ontem à noite.

E, pelo que parecia, ele tinha notícias de Hécate.

E Assim que entrei, ele logo falou.

“Eu tenho más notícias, Jackson,” ele disse diretamente.

“De acordo com Hécate, o vínculo foi rompido ontem. Foi apagado. E isso é estranho, porque ela mesma disse que só poderia ser desfeito se os dois concordassem. E sua irmã, obviamente, não tá aqui.”

 

“Rompido? Como assim, foi rompido?” perguntei, incrédulo.

Isso não faz sentido!

 

Ele me mandou embora antes que eu pudesse perguntar mais.

A própria Hécate me disse que esse vínculo só podia ser desfeito por algo antigo e poderoso.

Ou se ela morresse...

“Não, eu não aceito isso. Não tem como...” murmurei, recusando-me a acreditar naquela possibilidade.

 


 

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Na Casa Grande, Quíron e Dionísio conversavam.

 

“...nenhum deus comum poderia quebrar esse vínculo,” Quíron disse, com a voz tensa.

“Só algo mais antigo e poderoso. Talvez um Primordial. Ou algo próximo disso.”

 

“Então você tá mesmo dizendo que a garota tá com um deus antigo e poderoso no passado?” o Senhor D retrucou, franzindo a testa.

 

“Isso bastante provável,” respondeu Quíron, hesitante. “Ainda mais pelo que o Percy sentiu da última vez pelo vínculo. ” “Temos que ter esperança,” insistiu Quíron, tentando manter a calma.

Mas Senhor D retrucou: “Ou Pelo que Só podemos acreditar ela teve uma morte por alto consumo de ambrosia." "Afinal Tudo indica fortemente pra isso... Que ela foi queimada de dentro pra fora.”

 

“Mais Não sabemos exatamente,” disse Quíron, tentando não tirar conclusões precipitadas. “A alma dela iria para o Submundo,” refletiu Quíron.

 

“No passado? Ou Onde quer que ela esteja?” questionou Senhor D, levantando uma sobrancelha, voltando a beber sua Coca.

Em momentos como esse, eu só queria poder tomar uma garrafa de vinho."

"O mais forte que tivesse

 

“Ainda Estou inclinado a acreditar que ela está viva,” disse Quíron, interrompendo o pensamento de Dionísio. Seus olhos  brilhavam com determinação, como se quisesse agarrar qualquer possibilidade, por mais tênue que fosse.

 

Dionísio bufou, dando mais um longo gole em sua lata de Coca-Cola , antes de responder com  desdém misturado a uma certa amargura.

“Você e eu sabemos exatamente o que o garoto sentiu, atravéz do link. E como já falei, essa seria a melhor opção pra ela, de verdade.” Ele fez uma pausa, encarando o centauro por cima da lata.

“Você sabe exatamente como os deuses são, ou melhor, o que a gente pode fazer. Se ela tá no passado com algum titã ou primordial, ou sei lá o quê, acreditar em uma morte por ambrosia é um final mais misericordioso do que o que poderia estar acontecendo com ela.”

Quíron franziu a testa, suas mãos cruzadas à frente do peito. “Ainda assim, não temos certeza. Enquanto houver dúvida, temos que continuar.”

Dionísio revirou os olhos, “Faz como quiser, casco-velho. Mas não vem chorar depois estou te avisando, isso não vai acabar bem.”

Ele deu outro gole na lata, murmurando algo incompreensível sobre “vinho de verdade” e “acampamento miserável”.

 

 

 

 


 

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Alguns Dias Depois 

 

Alguns dias depois, Hécate retornou  para tentar refazer a ligação Percy, Annabeth, Grover e Quíron observavam em silêncio dessa vez enquanto a deusa não fez uma poção  e sim traçou runas no chão com um bastão de obsidiana.

 

“Vamos lá,” murmurou Percy, apertando o chaveiro da irmã em sua mão, “Por favor... me dá um sinal. Qualquer coisa.”

 

Hécate ergueu o olhar por um momento, seus olhos com um misto de determinação e dúvida.

“Estou fazendo o possível, Mas algo... algo está bloqueando." "É como se ela estivesse...” Ela hesitou, escolhendo as palavras com cuidado.

“Como se não houvesse nada do outro lado.”

 

“Como assim, nada?” Percy avançou “Você quer dizer que ela tá realmente morta? É isso que você tá dizendo?” “Não é o que estou dizendo,” respondeu Hécate, 

“É como se a conexão estivesse selada. Cortada por algo que não consigo alcançar."

"Não é apenas ausência... é proteção. Ou bloqueio. Algo poderoso.”

 

Annabeth segurou o braço de Percy, tentando acalmá-lo.“Isso pode ser um bom sinal, Percy. Se algo ou alguém está  bloqueando, pode significar que ela está viva. Não que ela se foi.”

 

Percy balançou a cabeça, os olhos marejados, mas sua expressão dura.“Ou pode significar que quem tá com ela não quer que a gente a encontre."

"Eu não vou desistir. Nunca.”

 

Após horas de tentativas, Hécate finalmente desistiu.

“Não há nada que eu possa fazer por agora. A teoria da morte por alto consumo de ambrosia... ela se sustenta." "Os sinais do que você sentiu antes, Percy  e depois a queimação  tudo aponta para isso. Mas não é uma certeza absoluta.”

 

Grover, que estava sentado em uma pedra próxima, "Ela está  viva. Ela tem que estar.” ele Murmura.

 

“Ela está viva,” disse Percy, mais para si mesmo do que para os outros, apertando o chaveiro com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos.

“Eu vou encontrar você, irmã. Nem que leve o resto da minha vida.”

 


 

 

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Semanas, Meses... e Nada

 

A pesquisa sobre o orbe continuou, as  informações eram fragmentadas e muitas vezes inúteis.

Semanas se transformaram em meses, Cada pista levava a um beco sem saída. E Cada feitiço de localização falhava.

Percy era visto pelo acampamento carregando o chaveiro de sua irmã para todos os lugares. algo que ela sempre levava consigo.

Agora, estava sempre com ele, pendurado em seu cinto ou no bolso, como um lembrete constante.

Para aqueles que o conheciam muito bem, Percy nunca mais foi o mesmo. Era evidente pra todos que o conheciam bem que ele se culpava pelo desaparecimento de sua gêmea.

O brilho travesso em seus olhos as vezes desaparecia.

Ele até as vezes se jogava em missões perigosas com um desespero silencioso, como se desafiasse os deuses a tirá-lo de sua dor.

Sally, também recusava a ideia de que sua filha estava morta.

Quando a notícia chegou a ela, foi como se o mundo tivesse desabado. Ela passava noites em claro, encarando fotos dos gêmeos, O baque foi imenso para toda a família, e por meses o mar ficou agitado e tempestades surgiam enviando algumas pobres almas pro Hades. Que já estava com dor de cabeça com tudo isso.

E então, meses depois, Percy também desapareceu.

Foi como se o destino estivesse zombando de todos.

Uma busca frenética começou, mas, ao contrário da  sua irmã, ele foi eventualmente encontrado no Acampamento Júpiter, e vivo.

A Briely, por outro lado, permaneceu como uma lembrança, ela foi oficialmente dada como morta pelos deuses e semideuses  (um decreto de Zeus) o que o  Percy rejeitava com cada fibra de seu ser.

 

 

 

E Assim as  Semanas, OS Meses e Anos Se Passaram

 

 

Semanas se transformaram em meses, e meses em anos.

O Acampamento Meio-Sangue continuou a funcionar, novos semideuses chegaram, novos desafios surgiram. A Annabeth também continuou  pesquisas sobre o orbe discretamente, buscando pistas em textos antigos que conseguia encontrar.

 

Os anos se passaram mais a Sally,  nunca perdeu a esperança. Ela mantinha o quarto da sua filha exatamente como estava no dia em que ela desapareceu, como se esperasse que a sua filha poderia voltar a qualquer momento.

 

O Percy, por sua vez, também não importa quantos anos tenham se passado ele nunca desistiu,da ideia de que a sua gêmea estava viva. Ele sempre carregava o chaveiro da sua irmã consigo como uma âncora e uma promessa, um juramento silencioso.

 

 

 

 

 

 

Notes:

Vimos um pouco do que se passou no universo dela nesses Sete anos se passaram desde ela desapareceu.

E como vimos no final ela está oficialmente dada como "morta" pelo Zeus mais e claro que seus familiares e amigos não aceitam a sua “morte oficial.

( Por causa do casamento dela e do sonho, a essência dele nela meio que "cortou" a ligação feita pela Hécate)

O que acharam da ligação criada entre os gêmeos?
E Do ponto de vista do Percy?

Comentários e elogios são super bem-vindos ♥️

Chapter 21: Jantar em família (Desejo Estraga o Jantar)

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

 

   

 

Os anos foram se passando lentamente, e seis anos já se passaram desde então.

Nesse tempo, os gêmeos cresceram muito. Era bastante comum vê-los correndo pelos corredores do Sonhar, suas vozes e risadas ecoando pelas paredes do castelo.

Muitas coisas aconteceram nesses anos, inclusive o nascimento de mais uma irmãzinha, apenas alguns meses mais nova que eles.

E Sim, a pequena Liora foi concebida naquela noite. Ela se parece exatamente com a Briely, herdando também os olhos verdes-mar da mãe.

 

Os gêmeos completaram seis anos há alguns dias, e, como todos os anos, houve uma festa.

A celebração contou com a presença dos gregos, pelo menos dos que escolheram ir.

Os principais e os mais próximos sempre marcavam presença, por assim dizer.

Briely era quem enviava os convites, desde o incidente da primeira festa.

Podia se dizer que ela Não confiava mais nele com isso, por causa  do que ele  havia feito anos atrás na primeira festa. 

 

Uma mudança significativa nesses anos foi a aproximação de Briely com a irmã de Morpheus, a Morte. Ela fazia visitas constantes desde o nascimento dos gêmeos, Quando não estava trabalhando.

 

“Quero fazer parte da vida dos meus sobrinhos, e também ser sua amiga" "meu irmão e um idiota as vezes, mais eu tenho certeza que você já sabe disso” dissera a Morte com um sorriso suave na primeira visita.

Briely acolheu essa amizade inesperada, e Morpheus aprovava. E bem (Não era segredo para ninguém que a Morte era a irmã favorita dele).

Ver vocês duas se dando bem me agrada mais do que imaginei,” confessou ele certa vez, com o tom sério, mas os olhos brilhando com algo que parecia satisfação.

Alguns Dias após a festa de aniversário dos gêmeos, Morpheus decidiu que reconstruiria o Sonhar. Segundo o próprio "O castelo precisa de novas mudanças."

O castelo estava sendo transformado: torres se erguendo, salões sendo decorados, novas salas sendo criadas.

Helena pulava de um lado para o outro, apontando animada, com os olhos brilhando, para os aposentos que estavam sendo formados no orbe de seu pai, que ele segurava na mão.

Dentro do orbe, havia uma réplica perfeita da construção em andamento.

 

“Pai! O meu novo quarto pode ter um novo unicórnio gigante de brinquedo?” “como o meu antigo?" perguntou Helena, quase gritando de empolgação.

 

“Um… unicórnio?” repetiu Morpheus, arqueando uma sobrancelha.

 

“Sim!” exclamou ela, batendo palmas. “Roxo! Tudo roxo! A cama, as cortinas, o chão… tudo!”

 

“Não!” protestou Liora, franzindo o nariz com desgosto. “O quarto tem que ser azul. Azul é melhor.”

“Roxo é melhor!” rebateu Helena, já cruzando os braços, com os olhos estreitos em desafio pra sua irmã.

 

“Azul!” insistiu Liora, batendo o pé no chão.

 

“Meninas,” interveio Briely calmamente, mas com um leve tom de exaustão. “Por favor, sem brigas.”

 

Morpheus olhou para as duas, por um instante, antes de falar, simplesmente: “Terão o que desejarem.” O tom era tão definitivo que parecia a coisa mais óbvia do mundo.

 

Helena abriu um sorriso vitorioso, enquanto Liora também sorria.

 

“Vou criar dois quartos,” declarou ele “Um roxo,” continuou, olhando para Helena, “e um azul,” completou, voltando-se para Liora.

 

Liora inclinou a cabeça, curiosa. “Com estrelas?”

 

“Com estrelas,” confirmou Morpheus, o canto da boca se erguendo de leve.

 

Helena sorriu de orelha a orelha. “E o unicórnio?”

 

Morpheus fez uma pausa mínima, quase imperceptível. “Haverá um unicórnio.”

 

Briely não conseguiu evitar uma risada baixa.

Ela sabia que ele não gostava exatamente do antigo unicórnio de pelúcia da Helena.

Helena havia ganhado um de brinquedo do Desejo no seu aniversário anterior,o que ela gostou e sempre andava com ele por ai  mais ele “misteriosamente” desapareceu dias depois.

E e Claro que havia sido Morpheus que sumiu com ele. 

Briely então abaixou o olhar para Perseu, que estava ao lado dela, a mão firmemente presa à da mãe, observando as suas irmãs discutirem.

“E você, meu amor?” perguntou ela, Ela apertou levemente os dedos dele. “Você quer algo?” ela insistiu, inclinando-se para ele com carinho.

 

Perseu ergueu o rosto por um instante, encarou o pai com um olhar sério, depois voltou-se para a mãe. E Sem dizer uma palavra, ele balançou a cabeça negativamente.

 

Briely sorriu, inclinando-se para beijar o topo da cabeça dele. “Tudo bem,” murmurou ela, acariciando seus cabelos.

 

De repente, uma voz ressonante ecoou pelo salão interrompendo o momento,  uma figura azul se formou diante deles: um homem com uma longa túnica e um capuz cobrindo a cabeça.

 

Era o Destino.

 

“Irmãos,” começou a voz grave, reverberando pelo corredor.

“Permaneço na minha galeria e convoco a família para perto de mim. Sou eu, Destino dos Eternos, quem os chama.”

 

“Devemos ir?” perguntou Briely, virando-se para Morpheus, uma ruga de preocupação se formando em sua testa. “Agora? ”

 

“Por suposto que sim,” respondeu ele, parando a reconstrução no orbe com um simples gesto. “Devemos nos preparar para ir.”

“Irmão Sonho, você virá?” perguntou a figura do Destino. “Sua esposa também?”

 

Eu também? Por que?” pensou Briely, surpresa, franzindo o cenho. Mas ela não verbalizou suas dúvidas.

 

“Vamos deixar as crianças com Matthew primeiro,” disse Briely, enquanto Morpheus assentia.

No próximo instante, todos estavam no salão principal, onde Matthew e Lucienne já os  aguardavam.

 

“Vocês precisam ir mesmo?” perguntou Helena, fazendo um biquinho, os olhos grandes e suplicantes.

“Pai?” Ela abraçou as pernas de Morpheus, apertando com força.

 

“Infelizmente, sim,” respondeu Morpheus, com um toque de suavidade que ele reservava para os filhos.Ele se abaixa e passa a mão nos Cabelos dela

“Voltaremos logo,” ele acrescentou, olhando para as três crianças.

“Isso mesmo,” disse Briely, colocando a mão na cabeça de Liora com um sorriso reconfortante. “Não vai demorar.”

“A gente não pode ir?” perguntou Perseu, olhando para a mãe.

 

“Suponho que não,” respondeu ela, agachando-se para ficar no nível dele.

“Mas sabem de uma coisa? Vocês não querem ver os seus novos quartos, meus amores?”

 

“Sim!” gritaram Helena e Liora ao mesmo tempo, batendo palmas, e a tristeza momentânea já foi esquecida.

“Então,” continuou Briely, sorrindo para as duas, “Matthew vai levá-los.”

Morpheus confirmou com um aceno. “Matthew os acompanhará.”

 

Briely assentiu, concordando.

Matthew, assente e responde “Claro, chefe, chefa. Vamos lá, criançada!”

 

“Fique de olho nas suas irmãs,” pediu Briely a Perseu, com o tom sério, mas carinhoso. “Principalmente na Helena,” ela acrescentou, o que o fez dar uma risadinha tímida. Ela beijou o topo da cabeça dele mais uma vez.

 

Matthew saiu voando, com as crianças correndo atrás dele.

Briely fez um gesto discreto para Lucienne, que assentiu, entendendo o pedido para ficar de olho em todos.

“Cuidarei de tudo,” garantiu Lucienne antes de se retirar, deixando o casal a sós no salão.

 

Briely murmurou para Morpheus, franzindo a testa “Não deveríamos vestir outra coisa? Não tem um código de vestimenta pra essa reunião? Eu não quero parecer deslocada.”

Ele a olhou, um brilho de diversão nos olhos. “Eu vou cuidar de tudo.”

Com um movimento da mão, no instante seguinte, ela estava vestida com um vestido preto com detalhes Dourados incrivelmente confortável, como todos os outros que ele já havia feito para ela.

Seu cabelo estava penteado e decorado, e brincos de rubi adornavam suas orelhas como sempre.

Morpheus também estava diferente os seus  cabelos estavam mais longos, as roupas com um ar antiquado, um pouco mais gótico que o normal.

"devo admitir, ele fica bem assim.” pensa ela.

 

“Vamos, minha rainha,” disse ele, oferecendo a mão com um leve sorriso.

 

Ela pegou a mão dele, e no instante seguinte eles estavam no salão do Destino, onde a Morte já os aguardava ao lado do Destino.

 

Morpheus cumprimentou o irmão com um leve aceno de cabeça. “É bom vê-lo, irmão,” disse ele, enquanto Destino assentiu em resposta.

 

“Olá,” acrescentou Briely, com um tom educado.

Morpheus virou-se para a Morte, um brilho nos olhos. “Irmã, estou vendo que está levemente formal. Meus parabéns.”

 

“Não começa,” reclamou a Morte. Briely aproximou-se dela. “Você está incrivelmente bonita,” ela disse com um sorriso no rosto.

 

“Você também está incrível com esse vestido,” retrucou a Morte, abraçando-a com afeto. “É bom vê-la novamente.”

 

“Igualmente,” respondeu Briely, retribuindo o abraço.

 

A Morte inclinou-se para perto, sussurrando com um tom conspiratório: “Meu irmão fez alguma besteira ultimamente?”

 

Briely riu baixinho, divertida, e murmurou de volta: “Ainda não.” Elas se separaram do abraço, mas Briely permaneceu ao lado dela.

 

“Irmã,” interveio Morpheus, com um tom de advertência. (Ele claramente havia ouvido o murmúrio).

 

“Eu não disse nada,” defendeu-se a Morte, erguendo as mãos em rendição, mas com um brilho travesso nos olhos.

 

Morpheus olhou ao redor, analisando o ambiente. “Então, uma reunião de família. A primeira desde que nosso irmão anunciou que estava nos deixando." "Será interessante descobrir por que você nos chamou aqui.”

 

Destino assentiu,“Certamente que sim. Talvez para você mais do que para qualquer um de nós, meu irmão.”

 

“Por quê?” perguntou Morpheus, virando a cabeça para Destino, com  os olhos estreitados em curiosidade.

 

“No momento certo,” respondeu Destino, enigmático como sempre.

“Assim que estivermos todos reunidos.” Ele se afastou, caminhando em direção aos outros quadros que adornavam a galeria.

 

Na sala, havia mais quatro quadros, embora um estivesse coberto por um tecido escuro.

"Aquele deve ser o quadro do Destruição", pensou Briely. A Morte havia lhe contado brevemente sobre ele em uma de suas visitas ao sonhar, o irmão  que  abandonou seu reino e suas responsabilidades a ausência dele parecia pesar no ar entre os irmãos.

 

Briely moveu-se para o lado de Morpheus, que logo pegou sua mão e entrelaçou os dedos com os dela. Em voz baixa, ela o perguntou: “O que é que você fez?”

 

“Nada,” respondeu ele, o tom levemente ofendido, embora mantivesse a compostura. Uma sombra de mágoa passou por seus olhos, mas ele não a demonstrou abertamente.

 

“Tem certeza?” insistiu ela, semicerrando os olhos. “Você matou alguém?”

 

“Não,” retrucou Morpheus, franzindo a testa. “Então, você puniu alguém? Provocou algum desastre?” continuou ela.

 

Ele a encarou, visivelmente irritado com a desconfiança. “Eu não fiz absolutamente nada, meu amor,” ele afirmou. “Certo,” disse ela, ainda não totalmente convencida mas decidindo não perguntar mais.

Morpheus desviou o olhar para a Morte. “Tem mais alguém aqui?”

 

“Tipo Desejo?” respondeu a Morte, com um pequeno sorriso.

 

“Seja civilizado,” murmurou Briely para Morpheus, sabendo da tensão que sempre existia entre ele e Desejo.

Ele tem  uma  aversão por Desejo, E com razão. E não e como se ela gostasse ou confiasse muito nele também. "Ele também me enganou daquela vez com o afrodisíaco.''

Morpheus não respondeu, mas apertou a mão dela de leve, um sinal silencioso de que ele  “tentaria”.

 

Destino logo chamou também por Desejo, e logo ele atravessou sua pintura, emergindo com um ar de autoconfiança.

 

Morte reclamou. “Ei! Por que o seu código de vestimenta não se aplica ao Desejo?”

 

“Código de vestimenta?” debochou Desejo, com um sorriso provocador. "Ele está usando uma túnica"

“Agora, onde está Desespero?”

 

Destino, também chamou por Desespero diante de sua pintura, e ela logo atravessou, pegando a mão de Desejo ao surgir no salão.

“Ele disse por que estamos aqui?” perguntou Desespero.

“Só quando estivermos todos juntos,” explicou Morpheus, com seu tom habitual.

“Tá,” murmurou Desespero.

“Bem, dois de nós ainda não estão aqui,” observou Desespero, olhando ao redor.

“Só falta um irmão,” corrigiu Destino, “Independentemente de onde o outro esteja, ele deixou seus sentimentos sobre o assunto perfeitamente claros.”

 

“Acho que esperava que ele viesse,” admitiu Desespero, baixando o olhar.

“Dizer que mudou de ideia. Sinto falta dele.”

 

Morte assentiu, sua expressão suavizando-se em tristeza. “Todos sentimos sua falta.”

 

Destino parou diante de outra pintura. “Irmã, a mais jovem dos Perpétuos, estou na minha galeria e te invoco.” Ele fez uma pausa, antes de continuar: “Irmã, sua família está à sua espera. Venha.”

 

A pintura diante dele começou a derreter, a tinta escorrendo em direção ao chão como se estivesse viva. De lá emergiu uma figura peculiar, Delírio.

“Olá. Sou eu,” anunciou ela, com um tom que misturava confusão e entusiasmo.

 

“Oi, mana, como você está?” perguntou Morte, com um sorriso gentil.

 

“Bem, ontem eu fiz algumas coisas terrivelmente ruins. Mas hoje eu fiz algumas coisas boas, então, quer dizer... Não sei,” respondeu Delírio.

 

“Olá,” disse Delírio para Briely, que retribuiu com um pequeno aceno e um sorriso.

 

“Agora que estamos todos reunidos, há coisas a discutir,” declarou Destino.

 

O ar ao redor se ondulou, e no instante seguinte, eles estavam em um salão diferente, com uma mesa circular repleta de comida e oito cadeiras dispostas ao redor.

 

“Por favor... fiquem à vontade,” convidou Destino, sentando-se em uma das cadeiras. Todos o seguiram.

Morpheus puxou a cadeira para Briely antes de se sentar ao lado dela; Morte sentou-se ao lado de Destino, com Morpheus do outro lado.

Delírio tomou o assento ao lado de Briely, deixando uma cadeira vazia do seu outro lado e nas outras cadeiras sentaram-se os gêmeos, Desejo e Desespero.

 

“Bem,” começou Morte, pegando um cálice de vinho e erguendo-o para um brinde.

“Devemos brindar às novas boas notícias.” Seu olhar direcionou-se a Morpheus e Briely com um sorriso sugestivo.

 

"Ah... Essa notícia", pensou Briely, sentindo um leve calor subindo às suas bochechas, com toda a atenção nela agora.

 

“São realmente boas notícias, certo?” perguntou Delírio, inclinando a cabeça pra irmã com curiosidade.

 

Morpheus lançou um olhar cortante para sua irmã, que o ignorou completamente.

 

“Isso mesmo,” interveio Desejo, com um sorriso malicioso no rosto.

“Meus parabéns, querida cunhada." "Devo dizer que, muito em breve, nosso querido irmão ao que parece vai superar nossos pais em quantidade de filhos. Não acha, irmã?” Ele olhou para Morte, com um sorriso provocador.

 

“Desejo,” Morte o Advertiu, com um tom firme abaixando o cálice, mas ele apenas deu de ombros, despreocupado.

 

“Meus parabéns,” repetiu Desejo, o tom carregado de ironia.

 

Morpheus franziu a testa, claramente furioso, com a provocação do irmão, Mas não disse nada. Ele Sentiu a mão de Briely entrelaçar-se com a sua sob a mesa, um gesto de apoio, o que o fez apenas lançar um olhar de desagrado para Desejo.

 

“Obrigada pelos parabéns, Desejo,” respondeu Briely calmamente, mantendo a compostura. “Eu me pergunto quem te contou sobre isso.”

 

“Ora, minha querida, isso não é segredo algum. Eu tenho meus métodos,” retrucou Desejo, com um sorriso enigmático.

 

“Certo,” disse ela, sem se deixar abalar.

 

“Verdade?” exclamou Delírio, animada , pegando a mão de Briely e encarando sua barriga com olhos arregalados.

“Dessa vez, eu vou criar algo pra ele ou pra ela! Que tal um peixe de pelúcia que muda de cor conforme o humor? Seria incrível, não acha? Eu posso chamar de ‘Peixinho Sentimental’! Vou fazer logo, a tempo de presentear!”

Briely sorriu, tocada pelo entusiasmo de Delírio. “Não precisa se preocupar com isso,” disse ela, apertando a mão dela com carinho. “Mas obrigada, Delírio."

Elas não haviam tido muito contato ao longo dos anos, apenas uma vez que foi pessoalmente (no dia do casamento) e através de cartas ocasionais o que  geralmente era acompanhadas de presentes de aniversário para as crianças.

Delírio era, de longe, a mais animada e excêntrica dos Perpétuos, mas havia uma ternura em sua loucura que ela achava encantadora.

“Vai demorar bastante ainda pra nascer. Afinal, só tem cinco semanas,” completou ela, sorrindo para Delírio, que retribuiu com um sorriso brilhante.

 

 

Destino interrompeu o burburinho na mesa. “Eu sei que vocês estão se perguntando por que chamei todos vocês aqui.” Todos os olhares se voltaram para ele, a tensão no ambiente agora era quase tangível.

 

“Sim,” respondeu Morpheus, com sua habitual impaciência, com os olhos fixos no irmão.

 

“As três irmãs visitaram meu jardim hoje mais cedo,” continuou Destino, impassível.

 

“As Parcas?” perguntou Briely, franzindo a testa.

 

Destino assentiu. “Em um aspecto. As Mulheres Cinzentas.”

 

“E?” pressionou Morpheus.

Antes que Destino pudesse responder, Delírio chamou a atenção de todos com um tom animado.

“Olhem, pessoal! Eu fiz borboletas!” Pequenas criaturas coloridas flutuavam ao redor dela, trazendo um sorriso breve ao rosto de Morte.

 

Destino retomou, ignorando a interrupção da irmã. “Quanto ao que elas queriam, suas declarações foram, obviamente, oraculares e ambíguas.”

 

“O que elas disseram?” perguntou Morpheus, sem rodeios, sua paciência já esgotada.

 

“Elas disseram que um rei abandonará seu reino. A vida e a morte irão se confrontar e se desgastar. A batalha mais antiga começa mais uma vez,” recitou Destino.

 

"Um rei abandonará seu reino?" pensou Briely um pouco apriensiva, afinal, ela não gostava de profecias. "Um dos Perpétuos? Talvez um deus? É difícil saber."

 

“Bem, isso é apenas um monte de palavras amontoadas,” comentou Delírio, com um tom despreocupado, enquanto uma de suas borboletas pousava em seu dedo.

 

“O que isso significa?” perguntou Desespero, buscando alguma clareza em Destino.

 

“Consultei meu livro,” explicou Destino. “O texto detalhava meu encontro com as Três. E esclareceu que algo importante vai acontecer."

"Um acontecimento que desencadeará uma série de eventos, causando muitas mudanças.”

Seu olhar percorreu os irmãos, detendo-se por um momento em Briely.  “E revoltas,” ele completou, a olhando, mais logo em seguida desviando o olhar.

"Revoltas?" Pensa ela.

 

“Qual... qual é a ocasião?” perguntou Morte, franzindo a testa, claramente intrigada.

 

“Este encontro,” respondeu Destino, gesticulando para a mesa. “Isso é tudo.”

 

“Irmão, que tipo de revolta e mudança?” insistiu Morpheus.

“Eu já revelei tudo o que tinha para revelar,” disse Destino, imperturbável.

“O resto está nas mãos de vocês seis.”

 

"Seis? Isso significa que eu também estou incluída?" pensou Briely.

 

“Mas o que nós temos que fazer?” perguntou Desespero.

 

“Bebam os vinhos, comam as frutas do meu jardim, conversem entre si,” sugeriu Destino, com um tom quase casual.

“Fazia séculos que não nos víamos. Temos muito a discutir.”

 

“Você está dizendo que nos convocou aqui porque é necessário que estejamos aqui neste momento?” questionou Morpheus, estreitando os olhos.

 

“Exatamente,” confirmou Destino.

 

“Isso é uma bobagem,” retrucou Morpheus, sem paciência, levantando-se de sua cadeira.

“Estou reconstruindo meu reino no momento. E Há muito ainda a ser feito. Minha esposa e eu vamos embora agora.”

Ele posicionou-se ao lado da cadeira de Briely, esperando que ela se levantasse para partirem.

 

“Isso ainda não vai acontecer,” declarou Destino, o que fez Morpheus parar.

 

“Estamos—” começou Morpheus, mas Briely o interrompeu, colocando a mão gentilmente em seu braço, capturando toda a sua atenção.

“Por favor,” murmurou ela, os olhos implorando por um pouco de paciência. Ele cedeu, ainda que relutantemente.

 

“Fiquem um pouco conosco,” pediu Morte. “Afinal, O que é um pouco de tempo perdido? Temos todo o tempo do mundo.”

 

Uma tensão desconfortável se formou no ambiente, um silêncio pairando sobre a mesa.

 

Delírio quebrou o momento com uma observação peculiar. “Uma vez perdi algum tempo. Ele está sempre no último lugar onde você procura.”

 

“Sente-se um pouco, meu irmão, e coma conosco,” sugeriu Morte, tentando aliviar a situação.

“Afinal, que mal faz? Podemos conversar e a família pode conhecer um pouco mais a Bri, e ela a nós. O que acha? Aqui, coma uma uva.”

 

“Eu não quero uma uva,” respondeu Morpheus.

 

“Marido, por favor,” disse Briely, já prevendo para onde a conversa poderia ir.

 

“Posso fazer você querer uma,” provocou Desejo, com um sorriso malicioso nos lábios. “Cuidado, irmão,” advertiu Morpheus.

 

“É a minha função, ou não é?” retrucou Desejo, inclinando-se para frente.

“É isso que eu faço. Onde eu toco, vem carência, desejo e amor. As coisas se atraem feito borboletas para uma vela.” Ele manipulou as borboletas criadas por Delírio, direcionando-as para as velas na mesa.

“Não são mariposas,” corrigiu Desespero.

 

“Borboletas,” insistiu Desejo, enquanto as criaturinhas agora se consumiam nas chamas. “Agora elas são suas, irmã,” disse ele a Morte, com um sorriso um pouco cruel.

 

“Sim,” respondeu Morte com um pouco de desprezo, abrindo as mãos para revelar os aspectos das borboletas mortas.

 

"Ah, droga," pensou Briely, sentindo o clima esquentar.

 

Delírio, com uma angústia genuína na voz, protestou, “Mas elas eram minhas. Você não precisava fazer isso, Desejo. Você realmente não precisava.”

 

“Não mesmo,” reforçou Briely, lançando um olhar fulminante para Desejo, que apenas sorriu pra ela ao notar sua irritação.

 

"mas é isso que o Desejo faz,” diz Morpheus.

 

“Ih, vai começar,” debochou Desejo, claramente se divertindo com a situação.

“Interfere. Corrompe. Destrói,” listou Morpheus, cada palavra carregada de rancor.

 

“O Sonho acha conveniente me culpar por seus antigos relacionamentos fracassados,” diz Desejo. “quando, em vez disso ele deveria estar me agradecendo agora por isso.” 

 

“Você quis que eu derramasse sangue da família,” acusou Morpheus, agora completamente furioso.

Briely apertou seu braço de leve, tentando acalmá-lo.

 

“Chega disso, vocês dois,” interrompeu Desespero, exasperada.

“Não deveríamos discutir, não deveríamos brigar. Agora somos só seis.”

 

“A gente nunca brigava com ele aqui,” murmurou Delírio, triste.

 

“Brigávamos, sim,” discordou Desejo.

 

“É. Mas ele teria feito uma... piada sobre o motivo da briga,” acrescentou Desespero, com um traço de nostalgia.

 

Briely desviou o olhar para a cadeira que estava vazia na mesa, "Eles realmente devem sentir muita falta dele. Bem Pelo menos Delírio e Desespero, e a morte" pensou ela.

 

“Vocês nunca se perguntaram onde ele está? Ou se ele está bem, pelo menos?” perguntou Delírio, com um olhar triste.

 

“Ah, o tempo todo,” admitiu Desespero, enquanto Desejo a encarou de forma estranha antes dela se corrigir. “Bom, às vezes.”

 

“Por que nunca tentamos encontrá-lo?” insistiu Delírio.

 

“Porque ele nos pediu explicitamente para não fazermos isso,” respondeu Destino, com uma calma inabalável.

 

“Sim, mas às vezes é exatamente isso que você diz quando quer descobrir se alguém se importa o suficiente para não dar ouvidos,” retrucou Delírio, com uma lógica que surpreendia em sua simplicidade.

 

“Bem, isso quase fez sentido,” zombou Desejo, com um sorriso provocador.

 

“Não zombe de mim, Desejo,” rebateu Delírio, irritada. “Eu sei o que todos vocês pensam de mim. Mas eu sei coisas que nenhum de vocês sabe. Coisas sobre nós. Coisas que nem você sabe!”

 

“Acalme-se, irmã,” pediu Destino, com um tom firme, mas gentil.

 

“Estou calma! Estou calma!” exclamou Delírio, claramente agitada.

 

“Você está bem?” murmurou Briely para ela, preocupada.

Delírio assentiu, ainda um pouco trêmula. Briely sorriu pra ela com ternura, apontando os dedos para a taça de água cristalina à sua frente.

Delírio observou, fascinada, enquanto uma pequena borboleta de água se formava e flutuava em sua direção.

Ela estendeu a palma da mão, e a borboleta pousou ali. “Olá,” disse Delírio, tocando-a com delicadeza.

A figura da borboleta se desfez, deixando uma pequena poça de água em sua mão a fazendo rir.

 

Morte sorriu ao ver a interação entre as duas, enquanto os outros apenas as observavam em silêncio.

 

“Foi isso que você queria dizer quando disse que deveríamos conversar?” perguntou Morpheus a Destino, voltando a questão.

 

“É,” respondeu Destino.

 

“O que temos para discutir?” insistiu Morpheus.

 

“Bom,” começou Desejo, ajeitando-se em sua cadeira e colocando os pés sobre a mesa com uma arrogância casual.

“E a vida de casado? Está indo muito bem, pelo que posso observar, Já que Muito em breve teremos outro sobrinho.”

 

"Já vai começar," pensou Briely, franzindo a testa, sentindo o seu desconforto crescer. Ela entendia completamente porque o morpheus tinha uma antipatia pelo desejo.

 

“Eu tenho uma dúvida,” continuou Desejo, com um tom carregado de malícia.

“Será que seus filhos, os meus queridos sobrinhos, sabem como aconteceu o suposto amor dos seus pais? Será que eles ao menos sabem como tudo isso aconteceu? Será, Sonho?”

 

“Desejo,” Morte o advertiu para ele parar, com um tom cortante,  mas,  e claro que ele a ignorou e Continuou a alfinetar o seu irmão.

 

“Eles ao menos sabem que nasceram após o pai, que eles tanto amam forçar a mãe deles ?” perguntou Desejo, sua voz destilando veneno.

“E Certamente você se lembra como conseguiu isso, não é, irmão?”

 

“Desejo, pare com isso,” pediu Briely, constrangida e com raiva, sentindo o seu sangue ferver com a provocação dele. Os vinhos e a água na mesa logo começaram a transbordar, refletindo sua agitação interna.

 

“Mas por que eu deveria?” retrucou Desejo, claramente se deleitando com o caos que estava causando.

“Eles sabem que seu amado pai foi tão baixo, usando as leis antigas dos gregos, passando pela vontade de sua amada mãe, reivindicando sua virgindade para assim poder se casar com ela, Eles sabem o quão egoísta o pai deles foi... e continua sendo?”

 

“Já te avisei antes, meu irmão,” cuspiu Morpheus, a fúria era evidente em cada palavra, “que você não deve interferir nos meus assuntos, e nem na minha família.”

 

Mas Desejo continuou, implacável. “Então, eles não sabem também que a mãe deles só continua com você pelo bem deles,  e por causa da coleira que você pôs nela?"

"Ou eles sabem disso? Bem,  Eu apostaria que não. Você sempre foi egoísta, afinal."

Então Ele se virou para Briely, com um sorriso cruel.

“Eu tenho uma pequena dúvida. Você os ama realmente, cunhada? Ou só se forçou a fazer isso? Ninguém afinal, a culparia por não amá-los.”

 

“Desejo,” Morte o Advertiu mais uma vez, enquanto Briely apertava o braço de Morpheus com força, lançando um olhar fulminante para Desejo, recusando-se a respondê-lo.

 

“Cuide da sua língua, irmão,” retrucou Morpheus, cuspindo a palavra ‘irmão’ com repulsa.

 

“O que foi, irmão? Está irritado por eu dizer a verdade que ninguém quer falar?” provocou Desejo, com um tom de escárnio. “Ah, querido Sonho, talvez você devesse refletir sobre suas ações.”

 

“O que você disse?” retrucou Morpheus, os olhos flamejando de raiva.

 

“Que você deveria ter vergonha,” respondeu Desejo, elevando a voz. “Considerando a maneira como você se rebaixou, cedendo aos seus instintos mais baixos para torná-la sua esposa.”

 

“Chega disso, vocês dois,” repreendeu Desespero, tentando intervir.

 

Desejo fez uma pausa, apreciando a carranca de seu irmão.

Ele Passou o dedo no vinho que transbordara na mesa, levando-o aos lábios antes de se virar para Briely novamente.

“Ele te contou da sua antiga namorada? Aquela que ele sentenciou ao inferno?”

''Ele tá fazendo isso de propósito." 

“Eu não quero saber,” rebateu Briely, com a voz tensa, enquanto os vinhos transbordavam ainda mais pela mesa.

Ela sentia uma vontade imensa de vomitar, desde que ele começou a falar seu estômago revirando com cada palavra dele.

 

Ela se lembrava muito bem da existência daquela mulher e do tempo que ela já estava presa no inferno. E ela certamente não queria saber da história toda, mas tinha certeza de que Desejo contaria.

 

“Certamente você ainda se lembra de Nada, não é, Sonho?” continuou Desejo, virando-se para o irmão com um olhar provocador.

“A mortal que cometeu o erro fatal de se apaixonar pelo Rei dos Sonhos. E sabe o que ele fez, querida cunhada?"

"É um pouco semelhante ao que ele fez com você, mas ela ao menos teve escolha, não é? Ela não ficaria com ele até que ele se cansasse dela, então, por isso, ele a condenou ao inferno.”

"Pare,” Morte o pede pela terceira vez,  “Para com isso, Desejo, Agora.”

Mas Desejo só sorriu mais largo, como se o pedido dela fosse combustível.

'Eu realmente vou vomitar," pensou Briely, levando as mãos à boca, o rosto ficando levemente pálido.

 

“Já chega!” rugiu Morpheus. E uma  taça de vinho explodiu na mesa de repente, os estilhaços voando enquanto todos os olhos se voltaram para ele e pra ela. Ela tinha explodido a taça de vinho com os seus poderes. 

 

Isso só fez Desejo se deleitar ainda mais. “Mas você jamais interferiria na vida dos mortais,” continuou ele, sarcástico limpando um estilhaço do seus ombro com desdém. “Exceto quando convém, e claro."

“Se você disser mais uma palavra, eu vou...” ameaçou Morpheus, com os punhos cerrados.

 

“Você não fará nada neste lugar, irmão,” Finalmente interveio Destino. “Exceto, talvez, tomar um momento para se recompor.”

"Eu não aguento mais isso, Eu preciso sair daqui"

“Com licença,” disse Briely, levantando-se rapidamente da cadeira, as mãos ainda sobre a boca, enquanto saía correndo do salão.

 

 

 

 


 

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Briely andou rapidamente pelos corredores até chegar ao que parecia ser o lado de fora.

Era um jardim imenso, com labirintos de sebes altas e um ar perfumado por flores desconhecidas.

Seu estômago revirou mais uma vez, e ela se inclinou sobre um trecho de grama próximo, esvaziando-o sem cerimônia.

“Ugh,” ela murmurou, fazendo uma careta enquanto se afastava.

''Bem, ele vai ter que me perdoar por isso,'' pensou, limpando a mão na borda do vestido antes de caminhar até uma fonte próxima.

 

Ela se sentou na borda, mergulhando as mãos para lavar o rosto e a boca, sentindo o fresco da água acalmar seus nervos.

 

Observando os labirintos à sua frente, ela suspirou. "Eu já deveria ter superado tudo isso, mas parece que não."

"Desejo é realmente cruel. ele consegue cutucar exatamente onde dói mais" Ela ficou ali, aproveitando o ar do jardim, sem a menor preocupação de voltar para a mesa com os outros Perpétuos.

"Preciso de um momento longe de todo esse drama famíliar."

"Mas... e se Morpheus vier me buscar?  ele está furioso com Desejo"

"E talvez até  comigo por ter saído correndo"

 

Depôs de alguns minutos, ela ouviu passos  soando sobre o caminho de pedra do jardim. Seu corpo enrijeceu, e ela se virou para ver quem era. Diante dela, Destino se aproximava.

"Ah... a grama dele. Será que ele sabe?'' pensou, sentindo o rosto corar de vergonha.

 

“Oi,” murmurou ela, hesitante. Ele não respondeu de imediato, apenas continuou a observá-la com aqueles olhos que pareciam enxergar além do tempo.

Briely pigarreou, desconfortável sob o olhar dele. “Eu sinto muito sobre a gra—”

 

“Não se preocupe com isso,” interrompeu Destino, a voz grave e calma, como se o incidente fosse irrelevante.

“O jardim já viu piores ofensas.”

 

“Certo,” disse ela, aliviada, mas ainda tensa. Ela mexeu as mãos no colo, sem saber o que dizer pra ele, afinal eles nunca sequer conversaram e a única interação que eles já tiveram foi no casamento (e nem foi uma conversa ele so os parabenizou e se despediu) e  hoje.

“O Morpheus pediu pra você me procurar ou...?”

 

“Meu irmão está ocupado no momento,” respondeu Destino. “Está conversando com nossa irmã.”

 

“Entendi,” ela murmurou, franzindo a testa. "Então foi por isso que ele não veio me procurar aínda, ele deve estar provavelmente com a  Morte."  "O que Será que eles estão conversando? Talvez sobre o que Desejo disse?"

“Então... por que você veio até aqui?” "Quero dizer, não é como se você não pudesse vir aqui — é o seu reino afinal. Você quer dizer alguma coisa ou...?”

 

Destino inclinou a cabeça ligeiramente. “Desejo conversar com você.”

 

“Ok,” disse ela, hesitante ''O que ele poderia querer comigo? " ''Será que é algo sobre o jantar ou talvez sobre o que as Parcas disseram?" "Não sei se quero ouvir mais profecias hoje."

 

“Está tudo bem aí dentro?” perguntou ela. “Com os outros, quero dizer.”

 

“Minha família sempre foi assim,” respondeu Destino, com um leve brilho de algo que poderia ser resignação em seus olhos. “Mas isso não é o motivo da minha vinda até aqui.”

 

Briely engoliu em seco, “Então, o que houve? Por que você quer falar comigo?”

 

“O destino do meu irmão mudou por sua causa,” disse ele, direto. “Agora, ele se entrelaça com o seu.”

 

“Isso é... ruim?” perguntou ela, o coração acelerando. "Mudar o destino de alguém ou melhor de um Perpétuo deve ser algo grave, não é?" "Será que causei algum tipo de desequilíbrio ou algo do tipo?"

 

“Não necessariamente,” respondeu Destino. “Sua presença neste universo provocou mudanças nele. Mudou o caminho que estava traçado para o meu irmão.”

 

“Minha presença aqui nesse universo...” repetiu ela. " Então Ele sabe. E Claro que ele sabe. Ele é Destino."

"Mas o que isso significa? Por que minha presença é tão importante assim?"

Ele continuou “Sua vinda para este mundo não deveria ter acontecido. Nem o seu envolvimento com meu irmão.”

 

“Então você sabe,” disse ela, “É claro que sabe. Você é o Destino. Você Sabe de tudo, não é?” Ela parou, respirando fundo um pouco desconfortável. “Por que vocês  está me dizendo isso agora? 

 

“Não é meu propósito causar medo ou conforto,” retrucou ele, impassível.

“Apenas digo o que é. Você está aqui, e isso alterou as coisas.”

 

“Que reconfortante,” murmurou ela, sarcástica, cruzando os braços.

“E o que eu faço com essa informação?"

 

Destino a encarou por um longo momento antes de responder. “Isso não está nas minhas mãos para responder.

 

Ela hesitou, mordendo o lábio inferior, o coração pesado com uma pergunta que queimava dentro dela há tanto tempo se alguém soubesse seria ele não e?.

“Existe um jeito de eu voltar?” ela o  perguntou,  procurando alguma pista no rosto impassível dele. "Voltar para onde eu vim, pro meu mundo...”

“Não posso lhe dar essa resposta,” disse ele, sem hesitação.

 

“Claro que não pode,” murmurou ela, frustrada, olhando para a água da fonte  "Será que ele realmente não sabe, ou só não quer me contar?"

 

“Você encontrará essa resposta por conta própria,” acrescentou Destino, o  que a irritava.

 

“Como? Onde?” perguntou ela, a esperança misturando-se com impaciência enquanto olhava ao redor, quase instintivamente, como se esperasse que Morpheus aparecesse a qualquer momento e ouvisse a conversa.

"Se ele souber que estou perguntando sobre isso, ou melhor tendo essa conversa ele vai ficar completamente furioso Ou pior."

 

Destino permaneceu em silêncio, e foi aí que ela percebeu que ele não diria mais nada sobre o assunto.

"Claro. Afinal, ele é o irmão do meu marido."

"Ele Não vai me contar nada que realmente me ajude. Mas o que ele quer comigo, então? Só me dizer que eu mudei o destino do irmão dele E pronto ?" pensou ela, franzindo a testa enquanto o encarava.

“Se não vai me ajudar com isso, por que veio até aqui? Só pra me dizer que mudei o destino do Morpheus?”

 

“Às vezes, saber é o primeiro passo,” disse ele, enigmático como sempre. 

“Isso não é resposta,” retrucou ela, cruzando os braços novamente.

 

Destino inclinou a cabeça, como se considerasse as palavras dela, mas antes que pudesse responder, uma voz familiar cortou o ar, firme e possessiva. “Irmão. Esposa.”

 

Briely virou-se rapidamente, vendo Morpheus se aproximar. Destino deu um leve aceno de cabeça na direção do irmão 

"Obrigado" diz ele pra ela. e se afastou sem mais palavras, deixando os dois a sós. O que a fez olhar estranhamente pra ele.

"Mais Pelo que ele está me agradecendo exatamente? "

 

“Ele te disse alguma coisa?” perguntou Morpheus, enquanto seus olhos alternavam entre ela e a figura que se afastava de Destino.

 

“Nada de mais,” respondeu ela, tentando soar casual.

“Eu só... meio que me desculpei por vomitar na grama dele. Só isso.”

Morpheus a encarou por um instante, como se tentasse ler além das palavras dela, mas então um quase sorriso suavizou sua expressão.

Ele se aproximou, estendendo a mão para puxá-la da borda da fonte.

Em um movimento gentil, mas firme, ele a pegou no colo, e ela, instintivamente, entrelaçou os braços ao redor do pescoço dele.

 

“O que houve?” murmurou ela, os olhos buscando os dele enquanto se acomodava em seus braços.

 

“Conversei com minha irmã. Morte,” disse ele um pouco hesitante . “Falamos sobre Nada. E... talvez eu tenha cometido um erro.”

 

"É claro que você só percebe isso depois de 10.000 anos," pensou ela, mas manteve o pensamento para si, mordendo a língua. Em vez disso ela perguntou “Você vai libertá-la?”

 

O olhar dele se fixou no dela, ele claramente estava em conflito em o que fazer. “Não sei se devo.”

 

“Eu acho que você deveria,” respondeu ela gentilmente. "Esse assunto me incomoda há anos. Agora que tenho a chance, talvez eu consiga convencê-lo. É o correto a se fazer. Tenho certeza de que, se eu pedir aqui e agora, ele vai ouvir."

 

“Você ajudou Calliope,” lembrou ela, inclinando a cabeça para enfatizar o ponto.

 

“Foi você que me convenceu a ajudá-la,” disse ele, uma das mãos subindo para acariciar o rosto dela. “Eu não teria feito nada se não fosse por você.”

 

“Sim,” concordou ela, lembrando-se de como, anos atrás, Calliope a  ex-amante de Morpheus, havia lhe pedido ajuda.

Se não fosse pela intervenção de Briely, ele nunca teria libertado Calliope do cativeiro daquele escritor que a mantinha presa.

"Ele ainda guardava rancor dela, mas me ouviu e concordou Após conversámos. Talvez agora..."

 

“Não é justo que Nada ainda esteja lá, marido,” murmurou ela, colocando as mãos no rosto dele, os dedos traçando suavemente sua pele.

“A Morte está certa. Essa mulher não precisa ficar no Inferno por mais tempo. Ouça-me. Eu quero que você a liberte.”

 

“Você realmente quer isso?” perguntou ele, os olhos estreitados. “Sim,” disse ela, sem hesitar. “Liberte Nada. Por mim. Eu desejo que você faça isso, marido.”

 

Morpheus ficou em silêncio por um longo instante, os pensamentos girando enquanto ponderava as palavras dela e, possivelmente, o que Morte havia lhe dito.

Finalmente, ele assentiu, a decisão refletindo-se em seu olhar. “Eu farei isso. Por você, porque você me pediu. Porque eu te amo. Vou liberar Nada, porque minha amada esposa deseja isso.”

 

Briely sentiu um alívio profundo, os olhos suavizando enquanto um pequeno sorriso tocava seus lábios. “Obrigada,” murmurou ela.

 

Ele devolveu um leve sorriso, a expressão endurecida de sempre se suavizando. “Eu faço tudo por você, até corrigir um erro do passado,” sussurrou ele.

 

Ela sorriu de volta, inclinando-se para depositar um selinho em seus lábios. Ele aprofundou o beijo, segurando-a com mais firmeza contra si. “Faço qualquer coisa para ver você feliz,” ele murmurou contra sua boca, antes de se afastarem.

Morpheus inclinou a cabeça, um brilho de determinação nos olhos.

“Vamos voltar para o Sonhar agora. Quero ver nossos filhos também."

"Vou cumprir seu pedido assim que chegarmos,” disse ele, beijando-a mais uma vez.

Briely assentiu, encostando a cabeça no ombro dele enquanto ele a ajustava no seu colo e em seguida ele os teletransporta de volta pro sonhar.

 

 

 

 

 

Notes:

Desejo sendo desejo, sempre sabendo como irritar e cutucar o irmão .

Como já sabemos, o Destino e o único dos irmãos que sabe que a Bri e de outro universo ( Afinal ele e o destino) E que por isso, pela 'existência' dela ali agora, as coisas se alteraram um pouco, Afinal ela não deveria existir ali.

Ele até a agradece por isso Rs. Afinal, Por causa dela o Destino que estava traçado pro seu irmão se modificou.

Chapter 22: Um presente inesperado.

Notes:

Gamefreak733, eu sinto muito (⁠´⁠-⁠﹏⁠-⁠`⁠;⁠) eu tinha dito que conseguiria, até o final do mês passado, mas acabei não conseguindo.

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

 

   

De volta ao Sonhar, assim que chegaram, começaram os preparativos para a viagem ao Inferno. Morfeu voltou-se para Briely com uma expressão solene.

 

"Primeiro, Antes de partir, vou enviar um emissário ao Inferno", explica Morpheus, a ela. "Quem?" perguntou Briely, curiosa  para saber quem ele enviaria, e um pouco preocupada, afinal, era o Inferno.

Ela também tinha absoluta certeza de que Lúcifer ainda guardava ressentimento de Morpheus por tê-lo humilhado publicamente no Inferno anos atrás.

Embora, com ela, fosse o oposto, ou pelo menos era o que ela pensava.

Afinal, Mazikeen, e o lúcifer, por extensão, sempre enviavam presentes todos os anos nos aniversários das crianças, endereçados a ela, e não a Morpheus.

Os presentes chegavam, mesmo sem convite.

Mazikeen tinha, digamos, uma estranha afeição por ela, apesar delas terem tido apenas uma interação.

"E... definitivamente, era um pouco estranho", pensou Briely um tanto desconfortável. "Não, era absolutamente estranho que seus filhos recebessem presentes de Lúcifer (que era o Diabo/Satã) e de Mazikeen, que também era um demônio."

 

Os presentes que recebiam eram guardados em um quarto "seguro", como Morpheus o chamava, embora nem todos fossem perigosos... bem, pelo menos não todos.

No quarto aniversário dos gêmeos, Mazikeen enviou de presente duas facas de prata. Elas eram, é claro, incrivelmente belas, mas perigosas, então, naturalmente, eram guardadas em segurança. (Ela jamais deixaria as crianças brincarem com elas.)

Morpheus responde à pergunta anterior dela. "Caim, Vou pedir a ele que entregue a mensagem a Lúcifer."

 

Briely acenou com a cabeça em sinal de reconhecimento. "Tem certeza disso?", perguntou ela, um pouco preocupada com a possibilidade de Caim ir sozinho para o inferno.“E se Lúcifer resolvesse descontar a raiva no mensageiro?”

 

Eles eram amigos, Na verdade, Ela se dava bem com todos os habitantes do Sonhar. O Caim e Abel ocasionalmente vinham tomar chá com ela, e as crianças aproveitavam e também brincavam com Goldie.

Além disso, ela havia se afeiçoado aos habitantes do Sonhar, sempre os ajudando quando podia. (Ela também era muito mais tolerante do que Morpheus, então eles gostavam bastante dela.) Às vezes, quando havia um pequeno problema no reino que ela pudesse resolver, eles a procuravam primeiro antes de recorrer a Morpheus.

 

"Sim", respondeu Morpheus, percebendo a preocupação dela com Caim, Então Ele a tranquilizou. "Ele ficará bem."

 

Ela acenou com a cabeça novamente. "Então irei ver as crianças", disse ela, apertando as mãos dele.

 

Ele assentiu com a cabeça e apertou as mãos dela de volta. "Já volto. Não vou demorar", ele a promete. "Está bem", ela o respondeu baixinho.

 

Ele lhe deu um beijo rápido antes de se separarem, Ela se dirigiu ao novo quarto das crianças. No corredor, já conseguia ouvir a voz e a risada de Helena.

"Ei, Li, corre mais rápido! " grita  a voz de Helena, dando risada.

Isso a fez sorrir. Ao abrir a porta do quarto de Helena, ela deparou-se com as meninas correndo uma atrás da outra, Mas elas pararam imediatamente ao vê-la .

 

"Mamãe!" gritaram as duas em uníssono, correndo até ela e abraçando suas pernas, quase a fazendo tropeçar.

 

Ela riu, agachando-se até a altura delas, e as abraçou com força. "Minhas meninas", ela fala carinhosamente, apertando-as com fervor.

 

Perseu estava sentado na cama de Helena, desenhando, com Matthew ao seu lado, vigiando-os, já que ele era praticamente o babá deles.

 

"Chefa", Matthew a comprimenta, inclinando a cabeça.

Ela riu quando ele a chamou de "chefa". Ele a chamava assim de vez em quando. Ela o agradece "obrigada por cuidar das crianças."

 

"Claro, é sempre um prazer, chefa", diz Matthew, eriçando as penas.

 

"Mamãe", murmurou Perseu, largando o desenho e vindo abraçá-la também. "Ei, meu amor", Respondeu ela, o abraçando de volta com força.

 

"Onde está o papai?", perguntou Helena, inclinando a cabeça curiosa.

 

"O Papai foi resolver algumas coisas, mas já volta", explicou Briely, acariciando os cabelos de Helena com carinho.

 

Liora também aproveitou a oportunidade para perguntar, "Mãe, Você viu a tia Morte?"

 

"Sim, assim como seus outros tios. Todos estavam no jantar", respondeu Briely sorrindo levemente.

 

"Mamãe, olha!" disse Helena animada, apontando para o bichinho de pelúcia. "Papai fez o unicórnio novo para mim!" Ela exclamou, com os olhos brilhando de empolgação, Ela logo correu para pegá-lo e a  mostrar.

 

"É muito bonito, meu amor", Briely diz com um um sorriso, estendendo a mão pra tocar o unicórnio de leve.

 

"Meu quarto novo é incrível, mãe!" disse Liora empolgada. "Vem, vem!" acrescentou, puxando a mão da mãe em direção à porta.

 

Os quartos deles eram contíguos, e dentro de cada um havia uma porta que os ligava aos quartos adjacentes. O quarto de Helena ficava no meio, dando acesso aos quartos de ambos os irmãos.

 

Ao abrirem a porta, todos entraram no quarto.

 

"Mãe, olha só isso!" disse Liora, apontando para o teto.

As paredes do quarto eram de um verde-azulado, e no teto havia uma pintura de um céu estrelado.

 

"É lindo, meu amor", respondeu Briely, olhando pra cima junto com ela.

 

"E exatamente como você queria?" perguntou Briely, e  Liora assentiu profundamente com a cabeça.

 

"Eu prefiro o meu", disse Helena, com um beiçinho no rosto, fazendo Briely sorrir. "O seu também é muito lindo, querida", respondeu Briely.

 

Matthew concordou com um grunhido e voou para o ombro de Briely. Ela aproveitou a oportunidade para perguntar baixinho pra ele. "Eles te deram algum trabalho?"

 

"Não, Bri", disse Matthew, eriçando as penas novamente. "Eles se comportaram bem, especialmente o príncipe, como sempre."

 

Ela sentiu um leve formigamento na pele e, em seguida, percebeu outra presença no quarto, uma que conhecia muito bem.

 

"Papai!" gritou Helena, correndo em direção à porta e agarrando-se às pernas de Morfeu. Liora e Perseu a seguiram, fazendo o mesmo.

 

"Chefe", cumprimentou Matthew, erguendo uma asa em sinal de respeito.

 

Morfeu acenou com a cabeça para Matthew e voltou sua atenção para as crianças, acariciando-lhes afetuosamente as suas cabeças e respondendo todas às suas perguntas. Ele logo Pegou os três no colo, Liora e Helena em um braço, é Perseu no outro.

"Mamãe disse que a tia Morte estava lá", disse Liora. "Quando ela virá nos visitar?"

 

"Sim, eu também sinto falta dela", acrescentou Helena, agarrando-se ao pescoço dele.

 

"Suponho que ela virá, em breve", respondeu Morpheus beijando a testa de Helena, e depois, fazendo o mesmo com os outros dois.

 

Briely aproximou-se e tirou Perseu dos braços dele. "Está tudo bem?", ela perguntou a ele, em voz baixa e preocupada.

"Sim", confirmou ele passando o polegar de leve na bochecha dela, então ele acrescentou, "Pedi a Lucienne e Mervyn que me encontrassem na biblioteca, Vou informá-los da minha partida."

 

"Partida?" perguntou Matthew, inclinando a cabeça. "Chefe, aconteceu alguma coisa?"

 

"Explicarei tudo na biblioteca", respondeu Morpheus.

 

"Partida?", repetiu Helena com a voz triste. "Você tem que ir embora de novo, papai?"

 

"Sim", disse Morpheus. Vendo seu rosto triste, acrescentou, "Não vou demorar, Não se preocupe."

 

A areia rodopiava ao redor deles, e logo todos estavam na biblioteca. As crianças foram colocadas no chão, e Matthew voou até a mesa onde Mervyn estava.

 

"Meu senhor", cumprimentou Lucienne, curvando-se ligeiramente. "Minha senhora."

 

Briely sorriu para Lucienne e Mervyn.

 

"Meus amores", disse ela, chamando as crianças. "Por que vocês não vão brincar um pouco na biblioteca enquanto conversamos?"

 

Helena fez beicinho e se agarrou à perna do pai. "Não", disse ela teimosamente. "Eu não quero que o papai vá embora."

 

"Sim", concordou Liora, agarrando a outra perna dele. "Papai acabou de voltar e agora tem que ir embora de novo."

 

"Ir embora?", murmurou Lucienne para si mesma um pouco surpresa.

 

"Minhas princesinhas", disse Morpheus, colocando a mão na cabeça delas. "Escutem a mãe de vocês." Ele as pediu com voz suave, mas autoritária.

 

Elas logo o  obedecem , agarraram o irmão e correram para algum canto da biblioteca.

 

Mervyn resmungou baixinho: "Provavelmente terei que consertaram alguma coisa mais tarde, já que eles estão correndo a solta por aí."

 

Isso fez Briely dar uma risadinha discreta, logo cobrindo a boca com a mão.

 

Morpheus aproximou-se da esposa e chamou a atenção dos outros três. "Bem... parece que terei que me despedir de vocês mais uma vez, mesmo que... brevemente."

 

"O quê? Por quê?" perguntou Mervyn com a voz alta de surpresa.

 

"Aonde você vai?" perguntou Matthew, inclinando levemente a cabeça.

 

"Há algum tempo, condenei uma mortal ao Inferno", começou Morpheus a explicar a voz calma mas grave. "Cheguei à conclusão de que talvez tenha agido... impulsivamente, Eu  Pretendo retornar ao Hades e libertá-la."

 

"Lá vai", comenta Mervyn com a voz um tanto resignada balançando a cabeça devagar, e Lucienne fez uma leve careta ao ouvir que ele pretendia retornar ao Inferno.

 

"Chefe, você está brincando, né?" perguntou Matthew um pouco incrédulo. "Bri, isso é sério?"

 

"Positivo", ela o  respondeu confirmando. "Muito sério."

 

"Enquanto eu estiver fora, você responderá à Rainha e a Lucienne", instruiu Morpheus a Matthew.

 

Lucienne soltou um suspiro, visivelmente preocupada, e começou a dizer: "Meu senhor, admiro sua decisão de ir."

 

"Mas você acha isso irresponsável da minha parte?", completou Morpheus por ela, sabendo o que ela pensava.

 

Lucienne suspirou novamente, ajustando os óculos. "Acho prudente perguntar: vale a pena arriscar todo o seu reino para resgatar uma única alma?"

 

Ele ficou em silêncio, pensando por um momento, depois olhou para a esposa de soslaio. "Que tipo de rei eu seria se não arriscasse tudo para corrigir um erro do qual sou responsável?"

 

"Você seria como todos os outros reis que já existiram, Cada um deles", comentou Mervyn com sarcasmo.

 

"Mande outra pessoa. Eu posso ir", insistiu Lucienne. "Não, eu vou", insistiu Matthew.

 

"Isso não seria honroso", disse Morpheus.

 

"Um emissário já foi enviado para ver Lúcifer", explicou Briely.

 

"Já?" perguntou Lucienne, olhando para ela, e depois se virou para Morpheus. "Mas... quem o senhor enviou, meu senhor?"

 

 

 

Enquanto isso, no Inferno, Mazikeen tinha uma lâmina apontada diretamente para a garganta de Caim, que estava ajoelhado no chão.

 

"Tenho uma mensagem para o seu soberano", começou Caim com voz  trêmula mas firme.

 

"Fale apenas quando eu mandar", disse Mazikeen, irritada.

 

Lúcifer interrompeu, aproximando-se deles com calma. "Espere, Mazikeen."

 

Dito isso, Mazikeen retirou a espada do pescoço dele e deu um passo para trás.

"Nós te conhecemos", disse Lúcifer. "Sim, nós te conhecemos há muito tempo. O primeiro homem nascido de mulher. Qual é o seu nome?"

 

"Caim, Vossa Majestade", respondeu ele.

 

"Ah, sim", disse Lúcifer, e então ele o pergunta curioso."E, por que você está aqui, Caim?"

 

"Para entregar uma mensagem", respondeu Caim.

"Então vá em frente", disse Lúcifer fazendo um gesto com a mão.

Dito isso, Caim se levantou, ajeitou os óculos e começou a recitar a mensagem formal. "Das suas trevas, Sonho do Infinito, para Vossa Majestade Infernal, Lúcifer, chamado Estrela da Manhã. 'Saudações, nosso primo mais amado e confiável.''

 

"Não, não a mensagem. Apenas o conteúdo", interrompeu Lúcifer, um tanto impaciente.

 

Caim olhou para baixo e engoliu em seco antes de dizer: "Ele está vindo. Aqui, para a mulher Nada. Ele espera que você lhe dê passagem. Mas, quer você queira ou não, ele virá."

 

"Ah..." disse Lúcifer com a voz baixa e pensativa.

Mazikeen chutou-o e desembainhou a espada novamente, mas Lúcifer a deteve com um gesto de mão. "Lorde Morpheus nos humilhou publicamente durante sua última visita", comentou ele.

 

"Nós juramos então que o destruiríamos", continuou Lúcifer.

 

"Ele te contou isso?" perguntou Lúcifer a Caim.

 

"Ouvi rumores", admitiu Caim.

 

"E agora ele está voltando para o Inferno, com ou sem a minha permissão", refletiu Lúcifer com a voz suave e perigosa.

 

"Sim", confirmou Cain.

 

"Não é maravilhoso?", disse Lúcifer com um leve sorriso perigoso brincando nos lábios.

 

Então, Em segundos, milhares de demônios surgiram na arena.

"Escutem todos vocês", anunciou Lúcifer, voltando-se para eles. "Neste dia, o Senhor Morfeu vem até nós numa tentativa fútil de libertar alguém que já amou do nosso domínio,  Mas ele não irá embora."

 

Lúcifer voltou-se pra Caim, "Diga ao Senhor dos Sonhos que recebemos sua mensagem. Diga-lhe que estaremos esperando por ele. E mais uma coisa: isto é algo exclusivo para a sua rainha."

 

Lúcifer esboçou um pequeno sorriso, trocando um olhar com a mazikeen, quando um envelope se materializou em sua mão. "Você entregará isso a ela, e somente a ela. Não entregue a mais ninguém."

 

Ele entregou o envelope a Caim com um olhar que, essencialmente, o desafiava a desobedecer à sua ordem.

Caim, não querendo confrontá-lo, pegou o envelope e rapidamente o escondeu em suas roupas.

 

"Diga a Morpheus que o Inferno aguarda ansiosamente a sua visita", concluiu Lúcifer.

Então após lúcifer dizer isso, Um círculo de chamas se formou ao redor de Caim, e logo o chão sob seus pés começou a desmoronar, abrindo um buraco. Ele gritou ao cair.

 

 

 

 

 

 

 

 


 

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De volta ao Sonhar, Matthew tentava convencer Morpheus a não ir sozinho. "Eu vou com você", insistiu ele determinado.

 

"Desta vez não. É muito perigoso", explicou Morpheus, agachando-se para falar com ele.

 

"Da última vez que nós três fomos, também foi muito perigoso, e eu fui extremamente prestativo", protestou Matthew, teimosamente.

"Bri, você não concorda?" Ele protestou, virando-se pra Briely em busca de apoio.

 

"Sim", respondeu Briely, assentindo devagar.

 

"E é por isso que preciso que você fique aqui e ajude sua rainha e Lucienne", disse Morpheus.

 

"Vamos precisar disso", acrescentou Lucienne, olhando para Briely, que desviou o olhar dela.

Ela sabia que Lucienne esperava que ela interviesse e pedisse para ele não ir.

 

"Se ela descobrir que fui eu quem o convenceu a ir resgatá-la...", pensou Briely um pouquinho culpada.

 

"E se algo acontecer? Meu senhor, Se você for capturado? Se—" Lucienne começou preocupada.

 

"O que aconteceu da última vez não vai acontecer de novo", interrompeu Morpheus.

 

"Eu sei disso, meu senhor, mas mesmo assim, é muito perigoso", disse Lucienne. Vendo que ele não cederia, ela tentou outra abordagem. Afinal, tinha certeza de que sua rainha poderia fazê-lo reconsiderar.

"Minha senhora, por favor, peça a ele que reconsidere, Essa viagem ao Inferno é uma péssima ideia. ainda mas se considerarmos as suas condições minha senhora." Matthew assentiu vigorosamente em concordância com Lucienne.

 

Briely suspirou e disse a ela: "Eu sei que isso parece loucura, mas... fui eu quem pediu a ele para libertar ela do Inferno."

 

Lucienne olhou para ela, um tanto incrédula. "Você... pediu por isso?" Havia genuíno espanto em sua voz.

 

Matthew grasnou em  voz alta "Você está brincando, né, Bri?"

 

"Vocês dois são loucos", comentou Mervyn secamente.

 

Briely ofereceu-lhe um pequeno sorriso. "Tudo ficará bem. E confio que ele voltará. Não é verdade, marido?" Ela se virou para ele, seus olhos buscando confirmação.

 

Morpheus assentiu levemente, pegando a mão dela na sua e levando-a aos lábios. "Sim, não pretendo ser capturado e ficar longe do meu reino e muito menos da minha família, Eu Tenho um plano."

 

Briely apertou a mão dele de volta. Ela sabia que era perigoso para ele ir ao Inferno sozinho.

A preocupação evidente de Lucienne significava que a situação era realmente grave, Se algo acontecesse, ela seria responsável pelo Sonhar na ausência dele, e isso não seria nada bom.

Mas, ela não tenta pensar nisso, aparentemente, ele tinha um plano, embora ela não soubesse qual era, Mas ele tinha um, então tudo estava bem, certo?

Ela apertou a mão dele novamente de volta, preocupada mas tentando se convencer: “Vai acorrer tudo bem, Ele tem um plano... então tudo certamente vai ficar bem, certo?"

"Vou me despedir agora", anuncia Morpheus, enquanto seu elmo se materializou em sua mão, Ele fez um gesto para Mervyn na direção onde as crianças estavam.

Mervyn foi resmungando em direção as crianças, “Agora eu sou a  babá? Essa é função do passarinho.”

 

Eles se dirigiram para a porta do castelo. Lucienne e Matthew os seguiram atrás.

 

"Mestre, o senhor já vai embora?" perguntou Lucienne.

 

"Não há tempo a perder", respondeu Morpheus.

 

"E, aparentemente, não houve tempo para se preparar", acrescenta Lucienne, franzindo a testa.

 

"Ou então, elaborar um plano decente", comentou Matthew com a voz irônica.

 

"Eu tenho um plano", repetiu Morpheus calmamente.

 

A porta se abriu e Goldie entrou voando. Abel entrou logo atrás, ofegante, logo segurando Goldie nos braços. "Desculpe, meu senhor", disse ele. "Estamos procurando por Caim. O senhor o viu?"

De repente, como se tivesse sido invocado, Caim caiu no corredor, fazendo com que todos se virassem.

 

"Caim! Caim!" disse Abel preocupado, correndo até ele e ajudando-o a se levantar. Goldie choramingou.

 

"Você consegue me ouvir? Sou eu", perguntou,Abel sacudindo-o de leve, muito preocupado.

 

Caim gemeu em resposta.

 

"O que aconteceu com ele, meu senhor?", perguntou Abel, olhando pra Morpheus.

Briely, Morpheus e Lucienne se aproximaram dele.

 

"Você está bem, Caim?", perguntou Briely bastante preocupada com ele, ele tinha acabado de voltar do inferno afinal,  ele assentiu com a cabeça em resposta pra ela que estava bem.

 

"Eles estão esperando por você", contou Caim com a voz trêmula. "Não apenas Lúcifer. Todos eles. Um exército de demônios. Milhões deles. Eles... querem que você venha."

"Não deves ir, meu senhor", concluiu Caim.

 

"Eu imploro que reconsidere, Por favor", suplicou Lucienne.

"Milhares de demônios?" Briely pensou  ao ouvir tudo o que Caim disse. Isso a deixou preocupada e, acima de tudo, com um sentimento de culpa. Ela havia pedido isso. E se algo acontecesse...

 

"Tem certeza de que quer ir mesmo assim?", perguntou ela a ele, pegando a mão dele e apertando-a com força. "Você não precisa ir se for tão perigoso, Não precisa tá bom? Não arrisque."

 

"Eu tenho um plano", repetiu Morpheus calmamente para ela apertando a mão dela de volta.

 

"E, Eu voltarei", disse ele, beijando-lhe na testa. "Eu prometo." Ele acariciou  a barriga dela  com carinho.

 

Então, Ele colocou o seu elmo e caminhou em direção à porta, com um punhado de areia escorregando por entre seus dedos. E Então, ele desapareceu numa nuvem de areia.

 

Os seis encararam a porta por alguns segundos, cada um com uma expressão diferente, mas claramente preocupados. A de Lucienne era a mais evidente.

 

Lucienne pigarreou e disse a todos: "Vou me preparar para o pior, Se algo acontecer, precisamos de um plano."

 

"Eu vou com você", disse Briely. "É tão ruim assim?", perguntou ela, hesitante, a Lucienne.

 

"Sim, minha senhora", confirma Lucienne. "Podemos entrar em guerra com o Inferno."

 

Briely engoliu em seco ao ouvir isso. "E... Isso e definitivamente, é muito, muito ruim", pensou ela.

 

"Eu te ajudo com o que você precisar, Lucienne", oferece Briely.

 

"Não precisa, minha rainha. Posso lidar com tudo por agora", respondeu Lucienne.

"Então, Se precisar de alguma ajuda, por favor me avise", insiste Briely.

 

"Claro, minha rainha, A senhora voltará à biblioteca?", perguntou Lucienne.

 

Briely assentiu com a cabeça. "Sim, Eu vou com você, Aposto que Mervyn está resmungando agora por ter que cuidar das crianças."

 

Lucienne esboçou um pequeno sorriso e acrescentou: "Sim, tenho certeza que sim minha senhora."

 

"Eu também vou com vocês", disse Matthew. "O papel de babá é meu", ele acrescentou em tom brincalhão.

 

Abel acenou em despedida com um aceno de cabeça, e Goldie gorgojelhou. Caim, no entanto, parecia bastante inquieto.

 

Os três caminharam até a biblioteca. Ao chegarem, Lucienne dirigiu-se a uma estante, enquanto Briely e Matthew foram até Mervyn, que resmungava baixinho.

"Finalmente, vocês voltaram", disse Mervyn ao notá-los. "O cargo é seu agora, passarinho", disse ele a Matthew. "O chefe já foi embora?"

 

"Sim", respondeu Briely.

 

"Então, voltarei ao meu trabalho", disse Mervyn, saindo enquanto murmurava algo como, "Só espero que o Sonhar não desmorone."

 

"Mamãe!", chamou Perseu, correndo em sua direção. Helena e Liora estavam se divertindo bastante com Matthew, que parecia estar lhes contando algumas histórias.

Ela o pegou no colo e sentou-se a uma mesa na biblioteca.

 

"O papai... vai voltar, né?" perguntou Perseu abraçando o pescoço dela.

 

"Sim", disse ela, tranquilizando-o, beijando a testa dele.

 

"Não quero que ele fique preso de novo... como vocês ficaram Antes", confessa ele, abraçando-a com mas força.

 

"Ah... então é por isso", pensou ela. Morpheus havia contado como eles "se conheceram" e se casaram quando eles eventualmente perguntaram.

Ela se lembrava bem daquele dia, já fazia dois anos. Primeiro, é claro, eles perguntaram ao seu babá honorário, Matthew, que deu respostas bastante vagas sobre o assunto.

Então, eles decidiram perguntaram diretamente a eles. Eles não sabiam a história toda, é claro, e definitivamente também não sabiam que sua mãe era de outro universo e como ela acabou "casada".

Ela não queria que eles soubessem Nada disso, e Morpheus concordou; afinal, era melhor assim. Eles nem sabiam que sua mãe tinha um irmão gêmeo também, nem que eles tinham outra família em outro universo...

Por mais que ela quisesse contar, de que adiantaria? Ela nunca voltaria para casa.

Mas com esse pensamento a conversa com Destino lhe veio à mente.

 

"Há alguma maneira de eu voltar?", ela perguntou, buscando alguma pista em seu rosto impassível. "Voltar para onde eu vim, para o meu mundo..."

 

"Não posso te dar essa resposta", disse Destino sem hesitar.

 

"Claro que não pode", murmurou ela, frustrada, olhando para a água da fonte. "Ele realmente não sabe, ou simplesmente não quer me contar?"

 

"Você encontrará essa resposta sozinha", acrescentou Destino, o que a irritou.

 

"Então de acordo com ele eu vou descobrir essa resposta sozinha", pensou ela. Se ele estivesse mesmo falando a verdade... mas se fosse, quem sabe quando isso aconteceria? Quando ela encontraria essa resposta? Em cem anos? Em mil? 

 

A biblioteca do Sonhar era um ponto de partida para sua busca. Afinal, havia todos os tipos de livros de lá, (livros da vida, livros imaginados ou sonhados, mas nunca escritos ou publicados, os livros  escritos e publicados do mundo real.)

Ela tinha certeza de que havia livros falando sobre o 'multiverso' lá, e talvez até sobre o seu universo, se ela tivesse sorte, Mas não era como se ela tivesse acesso a esses livros.

Apesar de ela ser a rainha e ele o rei, a palavra dele era absoluta.

Ela não tinha permissão para se aproximar daqueles livros, ou de qualquer coisa minimamente relacionada àqueles assuntos.

Quando ela tentou uma vez ler sobre algo desse tipo na bliblioteca, ele soube imediatamente, ele não ficou bravo surpreendentemente, Mais depôs disso Ele havia ordenado a Lucienne que não deixasse aqueles livros chegarem perto dela.

Ele tinha até uma extensa lista de livros que ela estava proibida de ler. Lucienne estava claramente confusa sobre o porquê de ele proibir aqueles tipos de livros para ela, mas não o questionou a respeito.

Portanto, procurar respostas na biblioteca, É  uma causa perdida, Ela suspirou internamente, resignada.

 

Ela beija a testa de Perseu novamente. E então sussurra, acariciando as costas dele. "Ei, isso não vai acontecer, tá bom? O Papai vai voltar, eu prometo. Você confia nele?"

 

Ele acenou com a cabeça.

 

"Então confie que ele voltará", disse ela, tranquilizando-o.

 

Ela sentiu uma presença estranha na biblioteca. Pelo canto do olho, ela avistou Caim perto de uma estante, parecendo muito, mas muito nervoso.

 

"Ele precisa de alguma coisa?", pensou ela, preocupada. "O que pode ter acontecido? Será que aconteceu alguma coisa?"

 

"Que tal eu ler algo para você e suas irmãs? Hum ? Que tal? Escolha o que quiser", sugeriu ela, sorrindo para o filho.

 

Os olhos dele brilharam ao ouvir a sugestão dela.  Ah... ele era tão fofo. Ele sorriu para ela, e ela sentiu o seu coração derreter com tanta fofura. Como eles tinham feito algo tão fofo assim? 

 

"Você quer?", ela perguntou a ele

"Sim", respondeu ele animadamente.

 

Ela o colocou no chão, mas não sem antes lhe dar um beijo na bochecha. "Então escolha um. Vou cuidar de uma coisa primeiro, mas já volto para ler para vocês, tá bom?"

 

"Está bem, mãe", disse ele, abraçando-a uma última vez e beijando sua barriga, murmurando um "adeus" ao bebê, o que a fez rir e acariciar seus cabelos. Depois, ele foi até suas irmãs, provavelmente pra contar a notícia, para escolherem um livro todos juntos.

 

Voltando sua atenção para Caim, o pobre homem estava até suando. Sim suando,  Ele mexia nervosamente nos óculos, murmurando algo baixinho para si mesmo.

Ele ao que parece, Parecia estar tentando reunir coragem para dizer algo a ela, e bem... não parecia estar funcionando, pra ele, bem... pelo menos não da perspectiva dela.

 

Ela se aproximou devagar, preocupada "Caim", ela o chama.

 

Ele se endireitou como se estivesse com medo de alguma coisa. Caminhando em sua direção, agora muito preocupada, ela o  perguntou "Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?"

"Minha senhora", disse Caim, nervoso.

 

Isso a fez franzir a testa, preocupada. "Aconteceu alguma coisa com Morpheus?", perguntou ela.

 

"Não, minha senhora, não é isso", disse ele.

 

"Não e isso?", pensou ela.

 

"Eu... eu... Eu  não sei se devo lhe contar isso, ou melhor, lhe entregar isso, minha senhora. Se Lorde Morpheus descobrir..." ele começou, muito nervoso e um tanto receoso.

"se o Morpheus descobrir?", pensou ela. "Me entregar, alguma coisa?"

 

"Está tudo bem, nada vai acontecer", ela o assegurou, tentando tranquilizá-lo.

 

"Não", insistiu ele, suando ainda mais. "Se o mestre descobrir..."

 

"Isso realmente Deve ser algo muito sério", pensou ela. "Então,  ele não precisa realmente saber, precisa?", disse ela com leveza para aliviar a tensão dele.

Ele olhou em volta, verificando se alguém estava prestando atenção neles.

 

Ela franziu ainda mais a testa. E... Devia ser algo realmente sério. "Que tal conversarmos em outro lugar então? No meu jardim, se preferir? Ou podemos ir ao escritório do Morpheus. Ou à sala do trono", sugeriu ela.

 

Ele assentiu com a cabeça e disse: "O que a senhora preferir."

A sala do trono era a mais próxima, então eles foram para lá. Ao chegarem, ela fechou as portas atrás deles e eles se sentaram em um dos degraus.

Ela esperou que ele falasse enquanto ele mexia as mãos nervosamente.

 

"Pode me dizer o que você quiser", disse ela. Então acrescentou, num tom mais leve para tranquilizá-lo, "Sou a responsável pelo Sonhar, na ausência do meu marido, então, se houver algum problema, serei eu quem o resolverá."

 

"Não há problema algum, minha senhora", disse Caim. "Eu... Eu Só tenho algo de alguém para você."

 

"Para mim?", disse ela. "Do meu pai? Talvez De algum deus grego? Ou Talvez seja algo dos irmãos do meu marido?",  ela o perguntou, tentando adivinhar.

 

"Não precisa se preocupar, pode me entregar", ela o assegurou.

 

"E que... Não é de nenhum deles, minha senhora", revela Caim, baixando a voz.

 

"Não e de Nenhum deles?", pensou ela, Agora, não tendo ideiam mais nenhuma de quem seja. "Não consigo pensar em mais ninguém."

 

 

"Então, de quem é?", perguntou ela.

 

"De Lúcifer, minha rainha", respondeu Caim. Então ele acrescenta, "Ele me disse que eu deveria entregar isso exclusivamente a você."

 

"Me Entregar alguma coisa?", pensa ela não gostando muito da ideia que o lúcifer tenha mandado algo pra ela, Afinal o morpheus tinha ido pro inferno sem a permissão dele. Coisa boa não era. "O que poderia ser?"

 

"Então me dê, Caim", ela pediu.

 

"Se isso for algo perigoso, minha senhora", disse ele hesitante, "a culpa será minha, eu..."

"Mas você nunca me entregou nada de Lúcifer", ela o respondeu com um pequeno sorriso, de cúmplice.

"E nós também nunca tivemos essa conversa", acrescenta ela. "Você não concorda?" Completa ela, sorrindo pra ele.

 

Ele pareceu realmente um pouco chocado, com isso, mas Ajustou os óculos novamente e, em seguida, tirou um envelope de dentro da roupa.

 

"Uma carta?", ela disse para si mesma. "Porque ele me enviaria um carta? Perai... Parece também haver algo dentro", ela ela pensou, tocando-a. "Sim... definitivamente, há algo dentro."

 

"Obrigada, Caim",  ela o agradece.

 

Com isso Ele se levantou, curvou a cabeça em despedida e saiu rapidamente pela porta.

 

Olhando para a carta, Ela virou o envelope nas mãos, desconfiada, ela hesita  por um momento em abri-la. "O que poderia ser? Algo que e  para ser entregue exclusivamente a mim? Eu realmente Duvido que Lúcifer tenha boas intenções."

"Quer dizer, ele nunca me deu nada 'ruim', mais nós nem tivemos qualquer interação além de uma, E e claro além os  presentes que ele e Mazikeen enviavam nos aniversários das crianças..." Ela mordeu o lábio, pensando.

"Será que, eu Devo esperar Morpheus voltar e mostrar a ele? Mas... ele enviou isso diretamente para mim, quando sabia que o Morpheus não estaria aqui."

 

Apesar da cautela, Sua curiosidade a levou a melhor então ela abrir a carta, com cautela, é claro.

Ao abri-la, ela encontrou uma corrente de prata com Alguns símbolos estranhos escritos nela.

Ela a pegou na mão, examinando-a atentamente. No papel, não havia nada... na verdade, não havia nada escrito, exceto uma pequena frase.

 

"Cabe a você decidir se quer continuar fingindo que ainda está dormindo. A luz do despertar é inevitável, minha querida"

 

Ela leu, a frase franzindo a testa. "O que ele quer dizer com isso? É um enigma ou algo assim?", pensou ela. "Luz do despertar... luz do sol?"

 

Naquele momento, pra sua sorte, a luz do sol da manhã entrava pelos vitrais da janela. "Bem, tentar não vai fazer mal, certo?", pensou ela.

 

Ela colocou a carta sob a luz do sol, e as palavras começaram a se revelar em um tom dourado.

 

"Para a Rainha do Sonhar, um último presente para você, também em nome de Mazikeen.

Foi ideia dela, uma ideia verdadeiramente maravilhosa.

Se você também precisa de algumas férias, Do seu marido, usar este item a ajudará a conseguir isso.

Ele irá, digamos, ocultar completamente sua presença, por um tempo.

Use-o com sabedoria, ou não.

Assinado, Lúcifer."

 

"Você está brincando comigo?", pensou ela surpresa, arregalando os olhos, atônita. "Iss—" Ela não teve tempo de terminar o pensamento, porque a carta logo começou a soltar uma leve  fumaça e então, ela começou  pegar fogo em sua mão.

Ela a largou rapidamente, e a carta caiu no chão, o papel foi queimando rapidamente até que tudo que restasse, fosse apenas cinzas.

Ela olhou para o colar com admiração. "Isso e sério? Eu Não acredito nisso", ela pensou. Mas outra dúvida surgiu em sua mente.

"Por que ele me daria isso? Claro, foi ideia da Mazikeen, como ele disse, mas por quê? Por que o 'Diabo' me daria isso?" 

"Será que é , por que  ele odeia tanto o Morpheus? Suponho que, se ele soubesse que o Lúcifer me deu algo assim, e que eu o usei para escapar daqui, Ele ficaria deveras 'furioso' "ela estremece levemente ao imaginar ele furioso com ela.

"Lúcifer se sentiria bem... realizado?''

" E... Pensando melhor, eu realmente tenho certeza de que ele se sentiria assim."

 

"Mas se eu usasse isso, duraria apenas por um tempo. Mas por quanto tempo? Semanas? Meses? Anos? Ele não especificou..."

"E, só existe um, então se eu o usasse, teria que ir sozinha... meus filhos teriam que ficar. Porque mesmo que eu conseguisse escondê-los também, eles teriam que dormir eventualmente, ao contrário de mim, e então visitariam o Sonhar quando isso acontecesse."

"Eu não teria a menor chance, porque Morpheus os encontraria se isso acontecesse."

 

Ela balançou a cabeça, afastando o pensamento. Não, ela não podia ir embora.  "Mas quem sabe, talvez um dia, né? Nunca se sabe."

Ela Guardou o colar no bolso do vestido e chutou as cinzas da carta tentando disfarçar a bagunça das cinzas, mais não adiantou muito, então antes de sair, ela pede  alguem pra limpar as cinzas dali.

Após isso, ela voltou para a biblioteca para ler a história que havia prometido às crianças.

 

 

Notes:

E.. ela definitivamente não vai contar a ele sobre isso, nem sobre a carta, não mesmo!

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