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Fragmentado

Summary:

Após um confronto com James Potter, Severus Snape é vítima de um envenenamento que o deixa à beira do colapso. Enquanto tenta se recuperar, confuso e dolorido, ele acredita que James é seu namorado, porque com certeza se o grifinório não fosse, ele saberia, certo?

Para James, que alega inocência, o desafio é lidar com as suspeitas dos professores e a ameaça de ser transferido, enquanto tenta proteger a si mesmo da confusão que tomou conta da escola. Em meio a mentiras, desconfianças e sentimentos distorcidos, ambos precisam enfrentar a própria mente e decidir o que é real.

Notes:

Nova fic pra vocês 🫶

Capítulo sem revisão. Boa leitura!

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Capítulo 1

Chapter Text

**

 

Severus sentiu os pelos de seu corpo arrepiarem, como ele conseguia ser tão azarado daquela forma?

Ele só queria chegar até a comunal da sonserina, com toda a certeza ele não queria encontrar com Potter e Lily se agarrando no corredor e com certeza ele não queria ser visto pelos idiotas, mas foi exatamente isso que ele conseguiu.

— Vamos embora, James. — Evans tentou puxar o grifinório assim que viu Severus e o sonserino até a agradeceu mentalmente por aquilo, mas é claro que o idiota não o deixaria em paz, mesmo que Severus não tenha parado pra ter qualquer discução com eles. — James!

A voz de Lily saiu mais alta e mesmo sem se virar Snape sabia que Potter estava se aproximando dele, mas ele apenas continuou andando, isso até o bastardo o jogar contra uma parede.

Severus bateu com força nas costas contra a pedra fria, soltando um grunhido abafado. Seus dedos cerraram-se ao redor da varinha escondida dentro do manto, mas ele não a puxou. Não queria dar a Potter a satisfação de começar um duelo no meio do corredor lotado.

— Qual é, Sniv? — James falou baixinho a sua frente, com aquele maldito sorriso vitorioso estampado no rosto. — Vai simplesmente fingir que não viu a gente? Nem mesmo Lily, a sua amiga? Ops, sua ex amiga.

Severus desviou o olhar, forçando a máscara de indiferença que treinou tão bem. Não responder era a melhor forma de sair inteiro dali.

— Me solte agora mesmo Potter. — Eles estavam no último ano, Severus tinha coisas mais importantes pra fazer. — Você não se cansa disso não? Sempre procurando confusão.

— James, chega! — Lily exclamou, mas sua voz soou fraca, sem a firmeza de antes, apenas interrompendo Snape. Ele cerrou ainda mais os punhos.

Potter deu mais um passo pra frente, colando-se mais perto, Severus quase perguntou se o outro não queria se fundir a ele de uma vez.

— Vai realmente querer bancar o puritano? Sabe qual é o seu problema, Snape? — A voz dele se elevou, chamando a atenção de alguns alunos que passavam. — Você nunca vai ser alguém importante. Nunca. Nem aqui, nem em lugar nenhum.

As palavras cortaram mais fundo que qualquer feitiço. Severus sentiu o peito arder, mas não se moveu, não piscou.

— As pessoas se afastam de você porque você mesmo as empurra. — James continuou, impiedoso. — É sempre assim, você envenena tudo ao seu redor e depois age como se fosse vítima.

O silêncio que se seguiu foi pior que o próprio ataque. Severus ousou virar os olhos pra Lily, em busca de alguma centelha de compaixão, mas ela apenas desviou o olhar e, pra piorar, uma risadinha quase inaudível escapou de seus lábios. Exatamente como no lago negro, sua raiva aumentou.

Evans sabia ser rancorosa e era evidente que ela não perdoaria Severus pelo que ele disse, mas perdoaria Potter e todo o resto, porque afinal as brigas e humilhações nunca foram com ela.

Foi nesse instante que mais uma vez Severus sentiu algo se quebrar por dentro. Uma parte dele queria gritar, cuspir todo o ódio de volta, mas ele se obrigou a erguer o queixo.

— Acabou? Você já foi melhor nisso. — Murmurou, em tom gelado. Ele não daria aqueles dois nenhuma satisfação de o ver quebrar.

James riu baixo, satisfeito, o bastardo sabia que o tinha atingido, ele deu-lhe um último empurrão antes de voltar pro lado de Lily.

Severus, imóvel, esperou até que ambos se afastassem, até que o corredor voltasse a se esvaziar. Só então, com a respiração falhando no fundo da garganta, empurrou-se pra fora da parede e seguiu adiante, fingindo, pra o mundo e pra si mesmo, que nada daquilo o afetava.

Mas por dentro, cada palavra ainda queimava.

Ele faria os idiotas pagarem por aquilo, Potter o pagaria. Ele faria o idiota beijar o chão que ele pisava.

 

*

 

— Tem certeza que está bem? — Rosier perguntou ao seu lado na mesa da sonserina. O salão estava cheio pro jantar.

— Sim. — Severus murmurou sem dar muita importância pro amigo.

Tinha se passado três dias desde aquele pequeno confronto entre ele e Potter, mas uma parte de si se negava a esquecer aquelas palavras. Ele nem sabia o porquê daquilo o afetar tanto, não é como se ele nunca tivesse ouvido coisas piores sobre ele.

Mas aquilo não era verdade, ele tinha perdido a amizade de Lily, porém tinha conquistado outras também. Ele até se considerava amigo de Burbage e aquilo era um grande feito, a lufana era sempre tão gentil e educada, tão diferente dele, mas mesmo assim eles se tornaram amigos.

E ele também era amigo de pessoas sangue-puro, mesmo ele próprio sendo mestiço.

Até Lucius Malfoy era o seu amigo, mesmo que o loiro já tenha se formado ele nunca deixou Severus pra trás. Então, não, ele não envenenava tudo ao seu redor.

— Severus? — A voz de Regulus chamou sua atenção, olhando pro garoto mais novo ele viu o outro o olhando com preocupação. — Tem certeza que está bem? Você está mais pálido do que o normal, é quase como se fosse desmaiar-

E aquilo pareceu o momento perfeito pro seu próprio corpo o trair, em um momento ele estava bem, mas no momento seguinte seu peito apertou com uma falta de ar que o fez pensar que morreria ali mesmo.

Ele mal registrou a comoção de seus amigos e dos professores.

Foi graças a Evan que ele não caiu de qualquer jeito daquele banco, o garoto o segurou firme, ao longe ele ouviu a voz da madame Pomfrey o chamando. A última lembrança que ele tinha antes de desmaiar, foram os olhos cinzas assustados de Regulus olhando pra ele.

Acordar horas depois na enfermaria foi complicado e dolorido, seu corpo estava doendo, como da vez em que ele caiu da vassoura. Seus pulmões ardiam, cada músculo parecia pesado e a garganta estava seca, como se tivesse engolido pó, e o pior sem dúvidas era o seu estômago.

Severus piscou devagar, o cheiro de ervas queimadas e poções pairava no ar. Antes mesmo que pudesse se mover, uma voz grave e calma o chamou:

— Ah, vejo que finalmente acordou, Severus. — Dumbledore se aproximou da cama, o olhar carregado de uma preocupação que raramente se mostrava, por um segundo Severus até imaginou que estava tendo alucinações. Ao lado, Madame Pomfrey organizava frascos sobre uma bandeja. Snape tentou se sentar, mas foi impedido pela enfermeira.

 

— Não faça esforço. Seu corpo ainda está se recuperando.

— O que... o que aconteceu? — Sua voz saiu fraca, arranhada.

Dumbledore fez um gesto lento com a mão, como se ponderasse as palavras.

— Descobrimos que sua comida estava adulterada com poções.

— Poções? — Severus arregalou os olhos.

— Sim. — O diretor assentiu, sério. — Ainda não sabemos exatamente quantas, nem quais, mas a mistura foi suficiente pra desestabilizar o seu corpo. Felizmente, Poppy conseguiu neutralizar os efeitos antes que se tornassem irreversíveis, mas ainda assim você permanecerá aqui pra observação.

A enfermeira apenas resmungou algo do tipo "felizmente mesmo", sem levantar os olhos.

Severus inspirou fundo, confuso.

— Quem...?

— Já encontramos o responsável. — Dumbledore o interrompeu, firme. — Ele será punido conforme as regras de Hogwarts. Pode descansar quanto a isso.

Severus queria perguntar mais, queria saber o nome, queria saber por quê. Mas a mente parecia enevoada demais pra juntar as peças, ele estava cansado. Então apenas acenou lentamente com a cabeça.

O silêncio se prolongou até que uma preocupação atravessou seu peito ao olhar ao redor e não ver ele ao seu lado. Virou o rosto em direção a Dumbledore e Pomfrey, franzindo a testa.

— E onde está o meu namorado?

Os dois se entreolharam, claramente confusos.

— S-seu namorado? — Repetiu Pomfrey, arqueando as sobrancelhas.

— James, ele é da grifinória. — Severus respondeu como se fosse óbvio, a voz embargada pela ansiedade. — Onde ele está? Por que não está aqui? Ele também está machucado?

O silêncio que se seguiu foi denso. Pomfrey ficou imóvel, como se tivesse esquecido o que fazia. Dumbledore, por sua vez, franziu levemente o cenho, mas o olhar se manteve calmo, embora mais atento.

— Severus... — Começou o diretor, devagar, escolhendo cada palavra com cuidado. — James Potter não é-

— Ele é meu namorado. — Severus o cortou, ríspido, o tom cheio de convicção. — Acho que eu saberia se ele não fosse. Onde ele está?

Por um instante, apenas os sons dos pássaros lá fora ocuparam a enfermaria. Dumbledore manteve-se em silêncio, observando-o como quem encara um quebra-cabeça de muitas peças.

— Ele ficará em observação por tempo indeterminado. — Foi tudo que o diretor disse antes de sair apressado da enfermaria, deixando uma madame Pomfrey confusa e um Severus aflito.

 

*

 

James sentia o estômago revirar enquanto encarava a sala do diretor. O lugar, iluminado por velas altas e repleto de instrumentos mágicos estranhos, sempre lhe parecia imponente, mas agora parecia sufocante.

Já tinha se passado um dia desde aquela bagunça com Snape no salão principal, ele já tinha estado naquela sala na noite anterior e lá estava ele novamente. Ele pensou que apenas sua palavra na noite anterior bastaria ele estava confiante, afinal ele não tinha nada a ver com aquilo.

Dumbledore estava sentado atrás da mesa, com uma expressão grave. McGonagall, de pé ao lado, mantinha os braços cruzados e os lábios apertados em uma linha fina. Slughorn andava de um lado pro outro, murmurando coisas incompreensíveis.

Na mesa, bem à frente de James, repousava sua mochila aberta e dentro dela, uma coleção de frascos de poções que ele nunca tinha visto na vida. A mochila que ele tinha acabado de trazer.

— Não são minhas. — A voz dele saiu firme, mas trêmula na ponta. — Eu não coloquei isso aí.

— Regulus Black afirmou ter visto você olhando muito pro senhor Snape pouco antes dele passar mal. Exatamente como você sempre faz quando vai fazer alguma... brincadeira. — McGonagall falou e pelo seu tom de voz James sabia que a mulher estava com raiva. — E agora encontramos isso na sua posse.

James cerrou os punhos.

— Está dizendo que acredita mais em Black do que em mim?

Slughorn pigarreou.

— Potter, essas são poções perigosas. Algumas delas exigem manipulação avançada... não é coisa que um aluno simplesmente carregue por aí, muito menos um aluno mais novo igual o senhor Black.

James passou a mão pelos cabelos, frustrado.

— Eu não fiz nada disso! — Gritou, a voz ecoando mais alto do que pretendia.

Dumbledore ergueu a mão, pedindo silêncio.

— James. — O tom dele não era de acusação, mas também não era brando. — A situação é delicada. Severus poderia ter morrido. Se você de algo é melhor nos dizer. Agora.

As palavras pesaram ainda mais sobre ele. O coração disparou no peito.

E então, contra a própria vontade, sua mente viajou pra Sirius.

O melhor amigo, que sempre o incentivava a ir mais longe, a não deixar os sonserinos sem resposta. Sirius, que tinha uma criatividade perigosa pra pregar peças. Sirius, que já fez Snape ficar de frente a Moony em uma noite de lua cheia.

Não pode ser ele, James tentou se convencer. A lembrança do olhar ofendido de Sirius quando James perguntou, horas antes, ainda o corroía.

— Não fui eu. — Ele repetiu, agora mais baixo, quase num sussurro. — E se estão pensando que Sirius... não, ele também não faria isso.

McGonagall ergueu uma sobrancelha, surpresa pela menção ao nome do amigo.

— Ninguém falou de Sirius, Potter.

James engoliu em seco, maldizendo a própria língua solta.

O que doía mais, no entanto, não eram os olhares desconfiados dos professores. Era a imagem de Lily, minutos antes, olhando pra ele com uma mistura de incredulidade e decepção. Ela não disse nada, apenas deu um passo pra trás quando viu os frascos saindo de sua mochila, como se estivesse diante de alguém que não conhecia.

Eles não eram exatamente namorados, mas estavam próximos. Próximos o suficiente pra James acreditar que finalmente havia conquistado um espaço no coração dela. E agora, talvez tivesse perdido tudo em um piscar de olhos, por algo ele nem tinha culpa.

— Há algo mais, James. — Dumbledore falou de repente, o tirando de seus pensamentos. — Severus, ao acordar, mostrou-se... confuso. Acredita que você é seu namorado.

James piscou, atônito.

— O quê?

McGonagall pigarreou, desconfortável. Slughorn parecia prestes a cair pra trás.

— Não é incomum, em casos de envenenamento mágico, que a mente crie conexões falsas ou memórias distorcidas. — Dumbledore explicou de uma maneira calma. — O problema é que Severus acredita nisso com firmeza. Pra ele, você é a figura que deve estar ao lado dele nesse momento de recuperação. E ele com certeza usou a palavra namorado, mais de uma vez se não me falha a memória.

James sentiu o estômago despencar.

— Isso é loucura! Eu não tenho nada com Snivellus!

— Ninguém aqui está dizendo o contrário. — O diretor respondeu, mas seus olhos azuis brilharam de um jeito que não deixou James confortável. — O que digo é que, até que ele esteja melhor e sua memória esteja estável, será necessário... corroborar com essa percepção.

— O quê?! — James se levantou, indignado. — Quer que eu finja ser namorado do Snape?!

McGonagall suspirou, ajeitando os óculos.

— Potter, isso pode ajudar Snape a se manter calmo e estável enquanto se recupera.

— Não! — James cortou, o tom alto. — Isso é insano. Eu não vou me prestar a esse papel ridículo! Ninguém acreditaria nisso e por que eu tenho que passar por isso?!

O silêncio se abateu sobre a sala. Foi Dumbledore quem o quebrou, sua voz agora mais fria.

— Entendo a sua resistência, senhor Potter. Mas permita-me lembrá-lo... Hogwarts não é obrigada a mantê-lo aqui. Uma transferência em meio ao último ano certamente atrapalharia seu futuro, as outras escolas bruxas não costumam aceitar alunos que carregam acusações graves sobre envenenamento de colegas.

James congelou, sentindo o golpe da ameaça velada.

— O senhor não pode... — Começou, mas a voz falhou.

— Posso. — Dumbledore interrompeu, impiedoso em sua calma. — E farei, se necessário. Tenho sido muito indulgente com você.

James engoliu em seco, o coração disparado. Pela primeira vez, a ideia de perder Hogwarts, perder o time de quadribol, perder até mesmo a chance com Lily parecia real.

Dumbledore se recostou na cadeira.

— Quando sua mente estiver pronta pra aceitar a verdade, quando decidir contar o que está escondendo, seu castigo terminará. Até lá, Potter, você será pra Severus exatamente aquilo que ele acredita, seu namorado. — O diretor então soltou uma risadinha. — Mas pense pelo lado bom, ao menos não estou te deixando em detenção e nem te expulsando do time de quadribol, isso é bom, não é?

James teve vontade de gritar que não, aquilo não era bom. Não tinha nada de bom naquilo. O jovem grifinório abriu a boca pra protestar, mas se calou. Não havia como vencer aquela batalha agora.

Ele só pensava em uma coisa, se Snape acha que eu sou o namorado dele... isso vai ser um inferno.

 

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