Chapter Text
O verão declina mas o resplendor do céu azul-turquesa ainda não. Harry encara de olhos cerrados a limpidez celeste que se estende pelo horizonte adentro. Quase não há nuvens.
Sente o beijar da brisa no rosto. Ela também se embrenha por entre seus cabelos e os desgrenha. Uma de suas mãos está úmida pelo contato gélido com o copo de sorvete. A grama áspera pinica sob as pernas cruzadas em posição flor-de-lótus.
Acima das vozes agudas e infantis, ele abre a boca apenas quando Glenn lhe faz uma pergunta ou comenta algo. A maior parte do tempo é passada num agradável silêncio.
As sensações corpóreas suspendem-no temporariamente da realidade. Por alguns segundos, a brisa, o toque do sorvete e do solo áspero e irregular que estremece quando um veículo pesado atravessa as vias ali perto é tudo o que existe para ele. Seu mundo, por poucos minutos, se resume apenas à sensibilidade de tudo o que é tocado por ele, ou do que nele toca.
O estado meditativo, dissociativo é interrompido pelo chamado de Pearl.
- Mama! Ajuda!
As perninhas da garota aceleram os passos que a trazem para ele. Quando o alcança, ela se joga sobre ele, enlaçando os braços ao redor do seu pescoço com toda a força que possui. A mão livre dele é ágil em não permitir que sua euforia desregrada a desequilibre, tratando de tomá-la no colo.
Os filhos de Glenn, igualmente agitados, também correram até eles, mas apenas o mais novo, Ryan, procurou pelo conforto dele.
Um nervosismo risonho domina as faces das crianças, incluindo a de Pearl.
Denuncia de quem andou aprontando.
- O que foi, meu amor? - Harry quer saber.
- Uma abelha grande queria me pegar!
- Eram duas! - Ryan afirma - Eu vi! Eram desse tamanhão assim! - ele demonstra com as mãos espaçadas no ar.
Um ingênuo e divertido exagero infantil. O tamanho demonstrado jamais fora visto em nenhuma abelha do mundo, Harry supõe. Os adultos não conseguem evitar um risinho.
- Desse tamanhão? - choca-se ele - Meu pai do céu, não era só uma abelha, então, era um monstro… Está vendo, Pearl? Foi por esse motivo que eu disse pra vocês não ficarem muito perto do canteiro. É onde os insetos, os bichinhos moram. Se eles forem incomodados, podem machucar.
- É! E vai doer muito, né? - o mais velho, Dave, pergunta e Harry concorda - Eu avisei, mas eles não quiseram me ouvir…
- Mas, mas - a garotinha retruca - eu só queria ver as florzinhas… e queria pegar uma pra você.
Styles lança para o amigo um olhar de "como eu posso aguentar isso?".
- Meu amor - ele desliza a mão pelo cabelo anelado dela - Eu já fico muito, muito feliz só de saber que você queria me dar uma flor - as palavras fazem-na sorrir. Ele deposita beijos em sua testa e bochecha - Obrigado por isso. Por querer me dar uma flor. E por ser a menina mais preciosa do mundo todo.
Contente, meio tímida, enquanto a mãe inala o aroma do seu cabelo, a garotinha assente e junta seu queixo ao pomo... A quietude de repente se apodera das crianças. Harry leva a colherzinha descartável em direção à boca de Pearl, que a escancara para desfrutar do sorvete.
No entanto, assim como o estado meditativo de Harry, esse também não se estende por muito tempo.
Tão logo Ryan deixa do colo Glenn para brincar com o irmão. A garotinha os observa risonha, a agitação crescendo e exalando de si. Instantes mais tarde ela também deixa o colo de Harry lhe perguntando se ele quer ver o que ela sabe fazer. Ele, animado, diz que adoraria. Ela então começa a saltitar ao redor de si mesmo, as mãozinhas fechadas e apontadas para o céu.
Uma gargalhada irrompe do fundo de seu espírito e atinge o fundo o espírito de Harry.
Pearl vive sob a graciosidade dos seus três - quase quatro - anos de idade. No alto da cabeça, presilhas coloridas adornam o cabelo castanho-claro que bailam selvagemente no ar. De uma recém-nascida pequenina, ela foi uma bebezinha gordinha e agora é uma menina - ainda bebê, mas crescida - cujos membros se alongam e esticam a cada segundo de vida. Pelo menos é o que Harry acha.
Enquanto suas bochechas perdem massa, as maçãs do rosto se acentuam, assim como o narizinho, as covinhas e o delineado volumoso dos lábios (de mesmo formato dos de Styles). Completamente encantadora. Um colírio para os olhos e para os corações. Mesmo que o machucado em seu joelho esteja a amostra.
É de semanas passadas, mas ainda destaca-se na pele alva. Coisa que não é nada incomum, apesar da vigilância quase perfeita dos pais. Nesta fase, se ela não for colocada numa bola de plástico, machucados como esse serão inevitáveis. Eles já aceitaram isto.
O importante é a constância da alegria que reluz dos seus olhos, rosto e de toda sua aura.
Vê-lá brincar e correr e pular e gargalhar e falar pelos cotovelos sempre causa nos pais um deleite imenso e reconfortante.
Harry Styles sente que quer passar a vida toda não fazendo nada senão observando a filha crescer. Se alimentaria de suas risadas e repousaria nas suas encaradas fixas e profundas. Abriria a boca apenas para responder seus inesgotáveis questionamentos e só se moveria se fosse para acudi-la quando machucada ou quando ela pedisse por carinho.
A felicidade ideal, para ele, tem essa imagem.
Essa seria a sua vida idílica.
Todavia, alheia a esses devaneios, Pearl cai de bunda no chão. Mas isso não é capaz de desfazer seu sorriso. A fileira de dentinhos perfeitamente alinhados permanece exibida, fazendo com que seus brilhantes olhinhos quase desapareçam de tão pequenos que ficam.
- Onde foi que você aprendeu isso? - Harry perguntou, ajudando-a a se reerguer - Me ensina, por favor?! Foi a coisa mais radical, incrível e maravilhosa que eu já vi alguém fazendo.
A garotinha, concordando com o corpo e com as cordas vocais, só mantém a atenção nele pela brevidade daquele instante, pois logo em seguida Ryan está tomando sua mão e chamando-a para ver uma coisa secreta. Ela se anima e o acompanha.
Sempre é um desafio convencê-la a se despedir dos amigos na hora de ir embora.
- Amor - Harry está de cócoras, as mãos agarradas às suas, deslizando carícias em sua pele fina. O queixo dela está mais uma vez colado no próprio pomo e sua boca, inchada num biquinho. Ela se recusa a olhá-lo nos olhos - E o papai? Já pensou nele? Nós nem falamos com ele hoje cedo - Styles tenta soar o mais melodramático que consegue - E ele está sozinho em casa, sentindo nossa falta.
- Liga pra ele pra ele vim aqui então.
- Meu celular descarregou… Vamos voltar pro papai, hum? Semana que vem é a vez dos meninos irem lá em casa. Você vai ver eles de novo, sabe disso.
- Mas vai demorar - lamenta ela.
- Não vai não, bebê. Vai passar rapidinho. E você vai brincar com seus amiguinhos da creche todos os dias até lá. Mas agora está na hora de ir. Vai dar um abraço no Ryan, no Dave e no tio Glenn, tá bom?
Pearl hesita mais um pouco antes de acatar a solicitação. Em contraste com a empolgação de antes, agora seus passos, abraços e palavras soam ressentidas. Atitude esperada.
Sorte que a mágoa nunca perdura por muito tempo. Após se despedir, enquanto caminham na direção oposta das companhias daquela manhã, Styles tem sua mão agarrada pela da filha. De mãos dadas eles seguem até o carro estacionado há alguns metros do outro lado da pista.
Carro. E um novo apartamento; maior, com janelas em todos os cômodos, melhor localizado - pelo menos no que diz respeito à tranquilidade e proximidade com boas creches e escolinhas - e que ainda permite a moradia de animais (Harry finalmente conseguiu trazer a velha gata Dusty para o seio de sua família). Quando ele pensa nisso tudo, um frio prazeroso estremece seu estômago.
Apesar do esforço e empenho, as mudanças não foram possíveis quando ele conseguiu um cargo de redator da Northern Life Magazine dois anos atrás. A estabilidade financeira só se transformou em prosperidade quando Tomlinson entrou para o serviço público e passou a integrar o corpo administrativo de um escritório da prefeitura.
Agora que suas horas de trabalho diminuíram um pouco, a família passou a aproveitar mais tempo junto, seja no conforto do apartamento ou não... saindo tanto juntos quanto separados.
Basta uma mensagem pedindo para buscar Pearl na creche e Harry acaba deixando o trabalho e indo direto para o estúdio de Clarisse ou à casa de Niall ou marcando para encontrá-los por aí. Noutras vezes é Louis quem se junta aos colegas da firma para um happy-hour nas sextas, e não muito raramente aceita propostas de reencontrar os ex-colegas do shopping num pub da região.
Obviamente isso pouco agrada Styles. “Quando você sai, eu não digo nada, mas por que você reclama quando é comigo?”, Louis se vê repetindo este argumento algumas vezes. “É porque você não era do tipo que gostava de sair pra socializar” “Mas agora eu sou” “Pois não deveria” “Supere esse ciúmes, benzinho” “Nunca mais fale comigo”.
Mas a chateação sempre se desmancha sem esforços maiores. Louis simplesmente toca Harry, junta o corpo ao dele, tira suas roupas e o exalta e o preenche e o macula e garante que o seu amado é e sempre será o único para si e então tudo termina deliciosamente bem.
Enfim.
Retomando.
Até mesmo a garotinha dá umas saidinhas sem os pais quando Anne ou Gemma, hora ou outra, aparecem para pegá-la. Costumam levar ela a um parque ou à casa de alguém para brincar com a filha ou filho dessa pessoa. Coisa que também não agrada Harry, mas já que Pearl sempre se mostra entusiasmada com os convites, ele se vê incapaz de negar - tenta dissuadi-la, sim, ele admite, mas nunca com êxito.
Leva doze minutos para que mãe e filha cheguem ao apartamento e encontrem o pai jogado no sofá, genuinamente entretido com a programação, a velha gata ao seu lado.
- Papai! - a filha exclama correndo até ele.
O interesse do homem pela TV se torna zero neste instante. Um brilho ensolarado acende em seu semblante. Ele se senta para carregá-la e trazê-la para perto de si. Seu rostinho é beijado devotamente, fervorosamente.
O cacheado se aproxima para afagar a cabeça de Dusty, que ronrona ao contato. O pai pergunta como foi na casa de Glenn, o que eles comeram, se tava gostoso e se foi divertido. Observa ela com um amor escancarado, palpável de tão vívido. Louis desliga-se de tudo que não seja ela. Escuta-a com atenção.
Pearl relata: - Na praça uma abelhona queria me pegar. Não! Eram duas abelhonas grandonas!
- Meu Deus! Que malvadas. Imagina se elas te ferassem? Papai ia brigar muito com elas… E o que você fez para escapar?
- Eu corri!
Harry se introduz na conversa: - Correu pra mama, não foi?
A garotinha assente enfaticamente e prossegue com a narrativa, que acaba tornando-se um pouco fantasiosa demais. O pai transita o olhar entre eles, agora incapaz de manter o foco em apenas um.
Em certo momento, quando o fluxo de palavras da garotinha diminui, ele pergunta: - Reparou no quanto mamãe tá muito bonita hoje?!
- Uhum. Mama tá sempre bonita. Mais bonita de que todo mundo.
- Tá vendo, papai?! - Harry entona petulância.
- Disso eu sei. Tô falando que hoje tá muito, muito mais.
Após concordar, Pearl afirma que é por causa das roupas idênticas que ela e Harry usam. A menina até mesmo estica a camiseta tie-dye com estampa de unicórnio e o short de algodão lilás soltinho para reforçar seu argumento.
Com sangue borbulhando nas bochechas e aproveitando o desvio de atenção, Harry os deixa e se encaminha para o banheiro no final de um curtíssimo corredor que separa o quarto da filha de um lado e dos pais do outro.
Toma um banho. Após seu término, de frente para o espelho seca o cabelo com uma toalha. De repente descobre que Louis está no quarto deles. Ele fala consigo.
- Sabe o Luke?
Harry franze o cenho - Luke? Que Luke?
- Luke Pattis. Um dos soldados que foi comigo para o Curdistão.
Não muito curioso, mas instigado, o cacheado abandona a toalha no lavabo e abre uma das portas, a do quarto. Fica diante da cama onde Tomlinson está sentado com a costa apoiada na cabeceira. Harry recosta-se no batente da porta e cruza os braços defronte do peito.
- Luke… Não é aquele que liga para você toda semana? Ou este é o outro… hum, o... - ele tenta lembrar o nome.
- Mussafah. São os dois, na verdade. Mas sim, esse mesmo… Ao que parece ele está de licença, ou foi afastado. Não entendi direito. De qualquer maneira, tá na Inglaterra agora. Vai ficar por dois meses.
- Sério? Legal. Ele tá aqui por perto então?
- Não, não. Tá com a família em Manchester.
- Hum. Certo. Foi ele quem te contou isso tudo, foi?
Louis sorri fraco - Sim, meu amor. Acordei hoje de manhã com uma ligação dele. Conversarmos sobre isso.
- E a conversa foi boa?
- Demais - o outro assente veementemente - Estamos com planos de nos encontrarmos qualquer dia desses, antes dele voltar para Mossul.
Harry o fita por alguns instantes sem dizer nada. Depois as sobrancelhas se elevam brevemente, ele suspira e comenta que quer conhecer Luke Pattis.
- Convide-o para jantar aqui, para conhecer sua família.
As sobrancelhas do de olhos azuis espelham o mesmo movimento das dele. O olhar relanceia pelo quarto. A cabeça cai para o lado brevemente.
- Não sei - ele murmura, voltando a fitá-lo - Talvez… Mas acho que esse tipo de encontro não é muito o rolê dele. Luke prefere boates e tal - Louis sustenta o olhar fulminante por um tempo, mas a dissimulação se encerra em risadas.
Harry contorce o rosto numa careta e resmunga: - Rá-rá, engraçadinho.
Então segue para o armário e procura algo para vestir.
- Você que é, docinho - o comentário não o afeta, ele continua revirando as roupas preguiçosamente - Eu estava falando sério - Louis afirma após uma pausa.
- Pode tirar o cavalinho da chuva, Louis, você não vai à boate nenhuma.
Louis ri e diz que não é sobre isso.
- É sobre o que então?
- Sobre você estar incrivelmente lindo hoje. Muito, muito, muito mais do que já é normalmente. O que não é pouco, você sabe… Passou alguma coisa no rosto ou algo assim?
O cacheado murmura que não, ao passo que joga uma camiseta na cama. A roupa cai próxima ao pé do Louis. A busca agora se volta para a gaveta de calcinhas.
- Não mesmo? Sua pele está radiante - a voz lenta, grave e doce faz o rosto de Harry queimar e um sorrisinho se insinuar no canto da boca.
Assim que se aproxima da cama, com uma peça branca nas mãos, ele vê o sorriso estampado nos lábios de Tomlinson e dedos erguidos em sua direção chamando-no para si. Harry sustenta seu olhar por um segundo, como se ponderasse o pedido.
Não vai até ele. Pelo menos não sem antes girar o trinco da porta do quarto e do banheiro. Quando perto dele, os dedos flutuantes atracam-se no cinto do seu roupão e desatam o nó frouxo. Ambos os olhares se fixam neste ato.
- O que vocês conversaram? - Harry questiona.
- Vocês quem? Pearl e eu?
- Não. Você e Luke.
O pano grosso é afastado. A pele clara é exibida sem nenhum pudor. Louis movimenta-se na cama, senta-se na beirada e pousa os pés no chão. Harry fica posicionado entre suas pernas e tem as curvas do corpo percorridas por toques desbravadores.
- Nada demais - murmura Tomlinson depositando beijos em sua barriga.
- O que? - Styles insiste, mas em tom monótono, quase desinteressado, o que claramente não é verdade.
- Um pouco sobre a viagem e como estavam as coisas em Mossul antes dele sair. Também sobre como ele está se sentindo de volta em casa. E um pouco sobre você e Pearl também - a barriga e o tórax são completamente beijados.
Harry joga a calcinha da cama e mergulha as mãos em seu cabelo, desalinhando-o.
- Sobre nós?!
- Uhum. Ele adora vocês.
- Ele nem nos conhece.
- Pessoalmente ainda não. Mas eu falo muito de vocês.
- Fala, é?
- Até demais.
- Então eu acho que deve estar cansado de ouvir sobre nós - termina a frase rindo fraco.
Ambos percebem que os toques, beijos, mordiscos e palavras estão afetando-no.
- De jeito nenhum. Quando eu não digo nada, ele pergunta. Tenho certeza que Luke vai adorar conhecer vocês.
- Então você vai chamar ele pra cá mesmo?
- É claro que vou - Louis nasala uma risada, encontra o olhar alheio e denuncia: - Você ainda não me beijou hoje.
- Beijei sim, antes de sair.
- Mas eu estava dormindo, não valeu.
Seus corpos se juntam ainda mais quando Styles sobe em cima dele. Os joelhos o sustentam enquanto seus mamilos recebem chupadas impiedosas. Em seguida, as pernas flexionam-se, seu corpo desce e os beijos sobem.
Assim que Harry deposita todo seu peso nas coxas dele, sua boca é dominada por um beijo caloroso. Uma língua se esgueira pela abertura de seus lábios e explora com luxúria o interior de sua boca.
Em certo momento o contato malicioso é interrompido, mas a intimidade dos beijos prossegue sendo distribuída pelo seu queixo, mandíbula e lóbulo da orelha, retornando para as bochechas e boca diversas vezes.
O roupão é tirado. E então seus cachos são secados cuidadosamente. Harry abre os olhos quando os beijos se tornam ausentes. Flagra as orbes azuis fixas em si, contemplando sua face. Pela sua expressão, é como se ele estivesse num estado parecido com transe. Isso arranca de Harry um riso. Seu riso faz Louis rir também.
O cacheado arrasta as unhas por sua nuca com delicadeza. Depois puxa seu rosto para beijá-lo mais uma vez. Tomlinson termina de secar seus cachos, desliza o pano por sua costa até que seja deixado de lado. Os dedos de Louis transitam pela costa nua. Causam arrepios. Harry rompe o beijo para abraçá-lo apertado.
- Essas coisinhas me fazem te amar ainda mais, sabia? - ele diz.
- Que coisinhas?
- Muitas coisinhas. Tipo elogiar a cor do meu esmalte toda vez que eu troco, ou perguntar se eu não vou botar o colar quando estou quase saindo sem. E quando eu demoro para escolher uma roupa e você sugere uma. Você também nunca deixa faltar latinhas de Soda na geladeira só porque sabe que eu gosto. E também seca meu cabelo sem mais nem menos... - Harry beija seu ombro e estreita ainda mais o contato de seus corpos - Muitas coisinhas… Você é o homem mais atencioso que eu já conheci.
- Não sou. Só gosto de cuidar de você… de vocês.
Styles assente sorrindo e afirma saber disso. Desfaz o abraço para tomar o rosto dele nas mãos, pronuncia que o ama muito e o beija novamente. Gradualmente o interrompe para dizer: - Eu também amo cuidar de você. Amo ver você bem, feliz. Satisfeito. Amo tanto, Lou. Vou cuidar de você agora, tá bom?
Harry sai de cima dele e crava os joelhos no chão. No meio tempo em que a bermuda-moletom é abaixada e o pau semi-rijo é agarrado por dedos firmes, as pupilas enegrecidas de Louis dobraram de tamanho. Os olhos continuam fixos em Harry. Suas orbes emanam os mais ternos e os mais pervertidos sentimentos.
A mão de Tomlinson mergulha nos cachos. Quando os dedos se fecham, repuxam a raiz. Harry o masturba lento, de maneira provocativa, enquanto desliza carícias na parte interna de sua coxa e admira a visão dos seus lábios entreabertos, pálpebras pesadas e cabelo bagunçado.
Sua língua então percorre a extensão do pau latejante, agora duro, encharcando-o de saliva.
- Queria que você pudesse ver o quão maravilhoso você fica desse jeito - Harry declara entre beijos na glande. Depois engole o membro por inteiro, com urgência.
- Não trocaria por nada no mundo a visão que tenho agora - o outro replica.
Harry sabe que eles não podem demorar muito ali, principalmente por estar ouvindo um brinquedo barulhento transitar entre o espaço da sala e cozinha. Embora ele queira muito aproveitar aquele momento com a mesma despreocupação serena que embalou a sua manhã inteira, ele sabe que tem que ser breve e preciso.
Então é só continuar fodendo-o com o fundo de sua garganta e continuar sugando-o desse jeito e continuar estimulando seus testículos, que Louis virá logo, logo. É para este lugar que Harry está o trazendo agora. Para o momento em que seus cachos são puxados com violência e que o azul dos seus olhos e o arco negro de suas pupilas são escondidos pela pálpebras. E então sua cabeça penderá para trás e a cintura buscará assumir o controle dos movimentos. Aí seu abdômen vai tremelicar com pequenos espasmos e, logo então, a explosão de gozo.
E isso não parece tão distante agora
Todavia, as memórias da noite anterior tempestuam em seus pensamentos e reverberam em seu corpo. Harry enfrenta um impasse. Deseja chupá-lo até que ele se desfaça num orgasmo desnorteador - o que para si não é nenhum desafio -, mas também necessita, como nunca antes, senti-lo profundamente o mais depressa possível.
Sua mente está turva, uma completa confusão. O clamor por Louis embriaga seus sentidos. É tão desconcertante e intenso que Harry sente-se perdido na vertigem do seu desejo.
Um ruído molhado e obsceno ecoa pelo quarto no instante em que a boca abandona o pau. Porém, a desatenção ao membro não se prolonga, pois logo uma mão o esmaga numa punheta voraz.
Outro ruído, dessa vez de fora do quarto. Da cozinha. Algo metálico e estridente, talvez uma panela sendo arrastando no chão.
- Merda. Você tirou daqui? - Harry pergunta enquanto desliza a mão livre no chão debaixo da cama - Aqui - exclama ao achar o que procura.
A camisinha é jogada na cama e o pau é lambuzado de lubrificante. Harry retoma o lugar em seu colo e tira a camiseta que o outro ainda usa.
- Harry - o de olhos azuis pronuncia em tom de repreensão e lamentação. O cacheado junta seus lábios enquanto esfrega a glande em sua entrada.
- Shh. Eu estou tão quente, tão pulsante, tão pronto pra você, meu amor. Preciso que você sinta isso. É rapidinho.
Vigilância quase perfeita.
- Porra - é o que Tomlinson consegue responder quando é acolhido pelo interior apertado e delicioso.
Louis masturba Harry e repuxa o cabelo de sua nuca e maltrata seu pescoço com lábios e dentes. O outro cavalga e agarra a parte de trás sua cabeça, obrigando ele a permanecer ali fazendo o que está fazendo. Louis então solta seu cabelo e o impulsiona, os dedos enterrados em sua bunda.
Eles fazem o máximo de silêncio que conseguem, apenas suspirando e ronronando seus nomes, mesmo que a vontade seja de gemer com todas as forças dos seus pulmões. Harry avisa que está chegando. Louis intensifica o ritmo de sua punheta e grunhe para que a camisinha seja colocada. Styles executa a tarefa de maneira confusa e urgente. Não muito depois, o pau do cacheado jorra contra seus abdômen e, logo em seguida, o de olhos azuis suspira languidamente quando se derrama dentro da camisinha.
Eles selam alguns beijinhos antes de se afastarem. Harry limpa-se com a toalha e pede para Louis jogá-la no cesto quando ele se levanta para ir ao banheiro lavar o corpo. Já vestido, o cacheado abandona o quarto e segue para a cozinha.
Ali, ele precisa lidar com uma bagunça que envolve panelas, açúcar, leite derramado, pó de café, biscoitos, brinquedos e uma garotinha imunda.
Ele não sabe se chora ou gargalha da situação. Pearl só o nota ali quando ouve-o questionar o que ela está fazendo. Seu olhar, arregalado, encontra o dele e parece que a mesma dúvida que atingiu ele ecoa nela.
Incerta, ela leva um dedo à boca. Mas logo Pearl levanta do chão e corre para abraçá-lo. Diz que queria fazer um bolo.
Styles não poderia ficar chateado com ela. Sabe que a culpa foi dele e de Louis e da vigilância quase perfeita deles. Sabem muito bem que isso é o que se deve esperar ao deixar uma criancinha desassistida, pelo tempo que for.
Ele a toma no colo - Que bagunça, hein. Você sabe que não é bom fazer isso. Agora vamos ter que limpar tudo e depois você vai tomar banho, certo?
Ela assenta, enlaça seu pescoço num abraço e beija sua bochecha perguntando: - Você tá braba?
- Eu nunca ficaria braba com você, amor. Nunquinha - garante sorrindo e devolvendo-lhe o beijo - Só quero que você me prometa que não vai repetir essa bagunça de novo.
- Tá bom.
Se antes Harry e Louis estavam imersos em seus gélidos sentimentos azulados, agora eles convivem com emoções de todos os espectros de cores possíveis. É mais ou menos isso que Harry pensa enquanto observa Pearl sentada em cima da mesa, rodeando uma vasilha com uma colher de plástico.
Após a gestação, nascimento e através do crescimento dela, Harry e Louis se vêem salvaguardados em um novo mundo, contornados das mais vibrantes colorações.
Tantos tons. Tantos sentimentos.
Ternura e amor talvez sejam os mais fortes. Que sempre vêm acompanhados do zelo e da preocupação. Já a calma não é uma constante, afinal, eles são uma família - mas, felizmente, uma família muito melhor do que a que eles tiveram quando pequenos. Eles são pais e um casal e duas pessoas no início da vida adulta - vida adulta, Styles não tem certeza se eles se enquadram nisso de fato, às vezes parece que sim, às vezes parece que ainda estão longe disso.
Aliás, a harmonia de hoje em dia não é proveniente de sorte, mas sim de sensatez, paciência e vontade de ambas as partes. Os desentendimentos, aborrecimentos e chateações são superados, sempre. E no fim, o que de fato importa é que nunca falta carinho e cuidado. Seja dos pais para com filha. Seja entre eles dois. Seja dela para com eles.
- O papai não vai comer bolo - Pearl declara risonha.
- Não vou!? Mas por quê?
- Você não tá fazendo nada.
- Que absurdo! Eu estou vigiando vocês, vendo se estão fazendo certo e não estão esquecendo de nada. Isso é fazer nada?
- É.
- É mesmo - Harry concorda e passa a vasilha que segura para os braços de Tomlinson - Você ouviu ela. Faça algo ou então não come.
- Ela só estava brincando, né, filha?! Pode continuar. Eu vou estragar, não sei fazer bolo.
- É só mexer assim, ó - Pearl demonstra e o pai, após uma hesitação teatral, imita ela.
- Com cuidado - Harry murmura.
Tarde demais, à propósito.
- Preciso derramar também? - o de olhos azuis pergunta enquanto o cacheado pega um pano de prato para limpar o braço e a perna da garotinha, e também alguns resquícios que pingaram na mesa.
- Tem - Pearl concorda risonha.
- Não se atreva.
A adversão de nada adianta já que, no mesmo instante, por acidente, uma insignificante quantidade líquido vaza para fora da vasilha, resultando num xingamento baixinho de Louis, numa nova repreensão por parte de Harry e numa gargalhada de Pearl.
- Tá vendo, bebê, é isso que dá fazer besteira na frente de criança. Elas repetem - aponta o cacheado em tom de confidência a ela, o que a diverte ainda mais.
Mesmo que ela já esteja limpa, Styles prolonga o contato físico com ela. Afasta uma mecha do cabelo para longe do rosto e alisa suas ondulações. Observa ela imersa em sua alegria simplista.
"Luz da minha vida escapa" da sua boca, uma declaração súbita que surpreende a ele próprio, mas que não surte efeito no centro de sua contemplação. Ela não o ouviu. Mas Louis sim, pois ele sorri e ergue os olhos para fitá-lo. Harry também sorri e pronuncia, sem alterar o tom de voz, que ama ela mais que tudo.
- Como isso é possível? Tanto sentimento caber dentro do peito? - à medida em que fala, a voz embarga de emoção.
Bom, a verdade é que às vezes não cabe. O peito pode ficar tão cheio que transborda... igual como o que Louis acabou deixando acontecer com o bolo.
A sensibilidade que se apossou de Harry neste momento traz lágrimas aos seus olhos. Com o lampejo de preocupação no rosto, Louis inclina-se e beija em seu ombro. O sorriso tranquilizador do cacheado diz que ele está perfeitamente bem, então Tomlinson se acalma. Styles seca os olhos.
- Não sei - Louis comenta - Também não entendo como cabe. Só sei que cabe.
- Às vezes parece que não. Às vezes sinto que vai explodir.
Pearl subitamente desperta do seu próprio mundinho. Quer saber o que vai explodir.
- O coração da mamãe. De tanto amar você. Acho que ele vai soltar confete e purpurina colorida quando isso acontecer.
Pearl se empolga e devaneia um pouco com essa ideia. Depois pergunta a ele se o seu bolo já está bom.
- Deixa eu vê - o cacheado mergulha o dedo dentro da pequena vasilha dela e enfia-o na boca, sentindo o sabor suave da canela misturado à massa crua.
Louis fica enojado - Harry! Por Deus, que nojo.
A repreensão faz o outro repetir o ato, agora a vasilha segurada por Tomlinson. Styles então afirma que ambos estão bons. Se dirige ao armário pegar duas formas, uma pequena e a outra maior.
Enquanto despeja o conteúdo nelas, ouve Pearl enumerar todas as pessoas para quem ela quer dar uma fatia de bolo, que começa com a vovó e segue até a senhora Willow, sua professora. Louis carrega ela nos braços e reclama do fato de que aquelas pessoas não ajudaram e vão ganhar, mas ele teve que trabalhar duro pra isso. Ela dá um sorriso travesso e diz: - é assim mesmo.
Enfim.
Fim.
