Actions

Work Header

Caos & certeza

Summary:

Tudo estava em ordem. Ele tinha planejado tudo, até os mínimos detalhes, o que significava que sua mente estava em paz.

Naquele fim de semana, ele finalmente pediria Joui em casamento.

Seu colega loirinho ocultista popular, no entanto, disse algo que mudou tudo.

✦

| Dia 12: Joker: Not related AU | Prompt Challenge |

Notes:

tive um pouco de bloqueio criativo nesse, confesso... mas olha ai !! (socorro o titulo parece titulo de msuica sertaneja????????????)

Mas ei, muito obrigado a nic e yilli com headcannons para me dar ideias de como continuar isso e fazer soar natural, vcs não fazem ideia do quanto me ajudaram. eu também me aproveitei muito desse post aqui pra me da ideias.

aproveitem a felicidade (enquanto dura)!!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

—  Não sei como vocês conseguem, sabia?

 

Kaiser parou, se virando ligeiramente para o loiro que estava ocupado lavando os pratos. Dante e Arthur insistiram em ajudar a limpar as coisas depois do jantar que tiveram, mas o músico tinha caído no sono no sofá e só o ocultista estava sendo de alguma ajuda de verdade.

 

Dante observou a expressão vaga no rosto do amigo antes de entregar o prato limpo nas mãos dele para que ele continuasse a tarefa de secar e guardar a louça.

 

— Tipo, vocês são muito diferentes. Você e o Joui.

 

Mesmo depois que a cozinha estava impecavelmente arrumada e seus amigos tinham ido embora, com Dante arrastando um Arthur sonolento e levemente embriagado, aquele comentário permaneceu martelando no seu cérebro até quando ele se deitou na sua cama, pronto para descansar.

 

Joui tinha saído no meio do jantar aquela noite, por que a Ordem tem um péssimo senso de humor e amava interromper reuniões importantes.

 

Aquela em específico era pra ser só um jantar entre amigos que o namorado dele tinha achado uma coisa importante pra fazer e celebrar que estavam oficialmente morando juntos. Oficialmente, pelo menos. Na prática, já fazia alguns meses que a mudança tinha acontecido, mesmo que gradualmente. Depois de tanto tempo de Joui vindo passar a tarde ali, acabou começando a dormir, a trazer sua escova de dentes, deixar mudas de roupas, seu sabonete, a deixar suas cartas de pokémon, organizar suas fitas de filmes antigos junto dos jogos dele, a ajudar nas tarefas, nas compras e estar cada vez mais presente nas refeições do dia. Em algum momento, a única coisa que realmente faltava era ele terminar de trazer suas roupas e “oficializar” o fato que estavam morando juntos — o que para todos os seus amigos estranhamente não pareceu ser nenhuma surpresa.

 

Se revirando na cama, ele viu se passarem quase duas horas inteiras antes que o barulho da porta da frente chamasse sua atenção. Quando depois de alguns minutos, um peso quente e familiar se acomodou do seu lado na cama, Kaiser abriu os olhos um pouco.

 

— Desculpa, eu te acordei?

Ele balançou a cabeça e Joui sorriu, aliviado.

 

— Eu já estava acordado. — ele murmurou, espiando o namorado trocar de roupa. Estava meio suja de sangue em alguns lugares, embora ele não tivesse certeza se era de um monstro ou não — …Foi tranquilo lá fora?

 

— Foi uma missão tranquila. Alguma besteira de limpar um pequeno escritório infestado de monstros na cidade vizinha e recolher um objeto amaldiçoado... 

 

Vestindo uma calça confortável e limpa, o combatente se deitou na cama, deitando a cabeça no ombro do namorado antes de entrelaçar as pernas juntas e soltar um suspiro cansado. 

 

— E tinham que chamar você? Você é muito bonzinho…

 

— Eles não tinham mais ninguém, eu acho… Mas de qualquer forma, você sabe que eu não consigo dizer não pra isso.

 

— Era nosso jantar especial. — Kaiser se virou, ficando de frente com os braços ao redor do japonês — Eu não teria ido.

 

— Eu sei. Ainda bem que só um de nós é assim, né? 

 

Joui sorriu, fechando os olhos enquanto dava de ombros com a constatação óbvia. Kaiser ficou escutando sua respiração se estabilizar e o sono tomar conta do seu corpo, mas sua mente estava ocupada se questionando pela segunda vez naquela noite como ele conseguiu ignorar as diferenças entre eles.

 

━━━━━━━━━━━━

 

Enquanto a semana seguia normalmente, Kaiser se sentia um pouco mais triste a cada dia. Depois de Dante abrir seus olhos para algo que ele nunca tinha se dado ao trabalho de reparar, ele simplesmente não conseguia mais não reparar. Quanto mais tentava não pensar, acabava sendo escravo do seu próprio cérebro e pensando ainda mais naquilo.

 

Agora, qualquer coisa era um motivo para questionar o quão compatíveis ele e Joui realmente eram; Joui gostava de comer arroz e feijão separados em pratos menores, Kaiser preferia comer tudo de uma vez. Joui preferia beber água nas refeições, enquanto ele bebia refrigerante em quase todas elas. Kaiser dava pouquíssima importância para como a roupa ficava dobrada dentro da gaveta, mas Joui passava horas se dedicando a manter todas as meias juntas com seus pares e organizar camisetas por ocasião de uso. Kaiser gostava de dormir até às dez, Joui sempre levantava às cinco. O jogo preferido de Kaiser era LoL, que envolvia basicamente ficar sentado sendo xingado e xingando os outros enquanto que Joui amava jogar pokemon go e andar metade da cidade para completar sua pokédex.

 

Aquela tarde, enquanto Joui tinha saído com Liz para comprar toalhas novas para manter a casa com cara de nova, Kaiser se trancou no quarto e abriu a gaveta do seu criado mudo, tirando seu pequeno baú trancado a chaves. Lá dentro, um anel de noivado de prata cravejado com detalhes em paládio repousava despretensiosamente. 

 

Ele tinha comprado há mais ou menos um mês, deixando guardada em segurança — mais por paranoia, já que Joui não era de mexer nas coisas dele — enquanto organizava os detalhes sobre como ia fazer o pedido. Aquele final de semana era de lua cheia o que em seus planos significava que ele ia poder aproveitar a orla da praia vazia a noite depois um jantar no restaurante preferido dos dois que tinha um menu só de sorvetes entre eles para caminhar descalços e finalmente pedi-lo em casamento com toda privacidade que mereciam. 

Seria perfeito, se ele não estivesse relendo tudo que escreveu no post it pra saber o que dizer e odiando completamente.

 

Talvez Joui não se importasse com a lua cheia, talvez comer sorvete de jantar no restaurante de sempre já tivesse perdido a graça. Talvez ele até achasse pedidos de casamento bregas. 

 

Pelo amor de Deus, Kaiser nem tinha certeza se Joui queria se casar. 

 

Kaiser enfiou a caixinha do anel de volta no bolso, frustrado. Tudo isso era inútil.

 

Ele tinha se permitido ignorar o quão incompatíveis eles eram simplesmente por que o amava. 

 

O barulho da porta da frente o tirou dos seus devaneios, o fazendo se levantar antes até da voz do namorado chegar aos seus ouvidos, se apressando para sair do quarto como uma criança prestes a ser pega fazendo coisa errada.

 

— Ei, Kai, cheguei! — Joui anunciou assim que passou pela porta — Cê não sabe o que eu encontrei no sebo do centro hoje.

 

O japonês parou perto do aparador, largando as chaves e tirando os sapatos. Com as mãos livres das sacolas de compras que ele colocou no chão, ele trocou as flores do vaso pelas frescas que trouxe do mercado. Um ramalhete de gardênias brancas encheu o vaso, e Joui sorriu para o arranjo.

 

— Hm, ei, amor. — ele cumprimentou com um beijo rapido, se apressando em buscar as sacolas para o ajudar — O que você aencontrou?

 

— Olha só! — Kaiser observou o namorado tirar uma fita VHS de uma das sacolas, meio amarelada pela idade — É simplesmente uma cópia original de “Killer Klowns from Outer Space”!

 

Kaiser se conteve para não rir, terminando de guardar as toalhas novas em algum lugar para lavar depois antes de usar.

 

— Desculpa, o que? — Kaiser bufou, arqueando uma sobrancelha — Palhaços assassinos… do espaço? Isso realmente existe?

 

— Exatamente! É nosso mais novo filme horrível dos anos 80 pra assistir. 

 

Mesmo incrédulo com o dom estranho do namorado em encontrar coisas duvidosas pra assistir, eles deram risada sobre isso enquanto faziam pipoca e colocavam a fita na tv da sala no reprodutor de VHS que Kaiser tinha garimpado alguns anos atras pra substituir o de Joui que tinha pifado.

 

Os dois se sentaram no tapete, confortavelmente rodeados de almofadas e dividindo a pipoca entre si. Felizmente, Kaiser aproveitou os primeiros trinta minutos do filme terrível sem se preocupar com nada além de comer sua pipoca antes de Joui comesse tudo sozinho.

 

Só depois é que aquela ansiedade voltou com tudo, se lembrando do que carregava no bolso.

 

— Jou, você me ama, certo?

 

Joui franziu a testa, virando o rosto devagar em sua direção. Sua expressão era semelhante à de alguém que tinha acabado de ouvir que vacas eram capazes de voar e vomitar arco-íris.

 

— Estamos juntos há cinco anos, Kaiser.

 

— Esse não é o ponto. — ele resmungou encarando os arabescos do tapete antes de tomar coragem e o olhar nos olhos — Tipo, por que? por que você me ama?

 

Inclinando a cabeça para o lado devagar, o japonês deu um sorrisinho e deitou a cabeça no ombro do programador.

 

— Bem, por onde eu começo? Eu adoro seu jeito. Amo o jeito que você se preocupa com as pessoas, que você se dedica em proteger quem ama, amo suas risadas, amo quando você resmunga dormindo. — ele listou, contando nos dedos enquanto pensava — Ah, eu também amo o quanto você cuida de mim, quando me protege. Amo que confie em mim e me faça confiar em você sem esforço nenhum. Amo o quanto você me faz feliz, assim como eu amo te fazer feliz todos os dias. Sinceramente… Eu amo estar com você, rir dessas merdas de filmes, dos seus jogos difíceis, das piadas bêbadas. 

 

Kaiser abaixou a cabeça tentando esconder o rosto vermelho com o esforço de não chorar, mas joui ergueu seu rosto com carinho.

 

— Minha vida é mais feliz simplesmente porque você está nela, Kai. Meu coração escolheu você, o amor não é exatamente lógico. E eu posso falar a noite toda sobre todas as coisas que eu amo em você, mas você não precisa disso.  Precisa?

 

— Não, não… Só- Merda. — ele esfregou os olhos furiosamente, se virando para não chorar na frente dele. Joui não deu muitas opções, o segurando. — Para com isso, seu idiota. Eu não quero ser visto chorando.

 

— Eu já te vi chorando. Você também já me viu chorando.

 

Kaiser quase riu da confusão na voz do namorado.

 

— Eu sei, mas eu não quero ser visto chorando agora…

 

Joui ficou em silêncio enquanto Kaiser se recompunha, o filme a muito tempo servindo só para preencher o silêncio como um barulho em segundo plano.

 

— Por que isso do nada?

 

— Hã?

 

— Por que você queria saber os motivos para eu amar você?

 

Seu velho hábito de mentir veio à tona, formando uma mentira na ponta da língua, mas ele não a deixou escapar. Já fazia muito tempo que aquilo não funcionava com Joui. Não tinha porque mentir agora, não quando a mão enfiada no bolso da sua jaqueta sentia a caixinha do anel como se ele estivesse segurando uma granada.

 

— Eu… Nós somos muito diferentes. — ele sussurrou, inseguro — Eu não tinha notado isso até Dante me dizer isso

 

— O que aquele ocultista maldito te disse?

 

Kaiser balançou a cabeça, tentando imediatamente acalmar Joui antes que ele se levantasse e fosse pessoalmente chutar o loiro na casa dele.

 

— Foi só um comentário, Joui, se acalma, é que- você não entende. Você não entende. 

 

— O que, Kai? O que eu não entendo?

 

A voz de Joui estava amarga, o tom suplicante enquanto ele o encarava com aqueles olhos brilhantes e infantis.

 

— E… E se eu escolhi não ver nossas diferenças? E se eu ignorei isso, porque sabia que isso ia acabar com a gente? 

 

— Besteira. — o homem mais novo interrompeu, segurando o namorado pelos ombros e o trazendo para perto — Olha, anjo, você não viu nossas diferenças não porque elas não estavam lá. Você não viu porque elas não importam. Elas sempre estiveram lá, se isso não foi nossa ruína até agora, nunca vai ser. 

 

Kaiser se inclinou, as testas dos dois se encostando. Ele engasgou com a vontade de chorar enquanto sua visão ficava borrada com lágrimas não derramadas. E ele sabia que Joui estava igual quando sua voz falhou no final.

 

Apesar disso, não eram lágrimas de tristeza.

 

— Eu te amo, Jou.

 

— Eu sei. — ele sorriu, colocando alguns fios de cabelo atrás da orelha do namorado com um toque reverente — Eu também te amo, Kai.

 

— Mas no momento… Tô te odiando um pouco. — ele tirou a mão do bolso, trazendo a caixinha com o anel — Não consigo pensar em tudo que eu queria te dizer e nem nada saiu como eu tinha planejado mas…

 

Joui piscou, afastando as lágrimas enquanto seu sorriso desaparecia em uma expressão de surpresa e incredulidade apenas por um segundo antes de retornar de novo em um sorriso ainda mais largo.

 

— Kaiser, isso…

 

— Joui, eu realmente quero passar o resto da minha vida ao seu lado. Então, por favor, seja meu marido. Você me daria a honra de se casar comigo?

 

Ele ofereceu o anel com as mãos suadas de nervosismo. Joui riu, estendendo a mão e o ajudando a colocar o anel do dedo antes de parar de se conter e finalmente o beijar. Foi um beijo longo, cheio de desejo, lágrimas e cafunés.

 

Os dois homens rolaram no tapete da sala antes de acabarem abraçados, ofegantes e rindo.

 

— Sim. Eu quero me casar com você, meu Anjo.

 

Kaiser sentiu que podia morrer ali mesmo.

Notes:

joesar nation ergam-se

Series this work belongs to: