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- Tá, eu preciso que você me escute - Lucas anunciou, se sentando ao lado de Nina e obrigando a prima a olhar pra ele - Você vai perdoar a Ayla por ter quebrado algum girls code porque eu to quebrando um bro code aqui. Mas nem eu aguento mais tanta enrolação.
- Já até sei - ela revirou os olhos
- Não, você não sabe, me escuta, Nina! O Krave gosta de você, ele fala que não entende o que sente, mas eu sei que ele gosta de você.
- Lucas... eu não quero forçar ele...
- E ele não quer forçar você! Nina, a mente do Krave, os sentimentos dele são mais complexos do que você imagina. Eu sei que você acha que tá deixando claro que gosta dele, mas ele ainda acha que você só ta sendo gentil.
Lucas falava com extrema propriedade, sim Nina conhecia Krave a muito tempo, mas os dois meninos se conheciam desde os 4 anos e ele ainda se lembrava do próprio esforço pra mostrar que entendia Krave, que pra ele não importava Krave funcionar na própria órbita ele também era assim.
- Você precisa ser mais incisiva, Nina.
- Mas e se não for isso? Eu também não quero me machucar, Lucas!
- Eu sei! Eu sei, por isso tô quebrando os codes aqui! A Ayla me contou sobre você estar interessada nele de verdade e eu tô aqui pra te dizer o mesmo, porque o Krave já me disse que gosta de você.
- Ele não me ama como você ama a Ayla...
- Porque eu sou Lucas e ele é Krave. Ele não te ama como eu amo a Ayla porque nós somos diferentes e vocês duas são diferentes.
- Quando você ficou tão sábio sobre relacionamentos?! Que eu me lembre, você já teve medo de terminar com a Wanda e namorar com a Ayla.
- Desde que eu quero ver meus amigos felizes.
- E se isso atrapalhar o X da Questão? Eu conversei sobre isso com a Adaguinha, e se a gente namorar e terminar e ai o grupo acabar? Tipo o Paramore.
- Bom, eu e a Ayla também corremos esse risco. Você acha que o X da Questão vai acabar se eu terminar com ela?
- Se você terminar com ela, eu acabo com você - Nina respondeu simplesmente fazendo Lucas arregalar os olhos e soltar um riso nervoso
- E eu não quero terminar com ela, quero fazer dar certo. Esse tem que ser o pensamento de vocês também.
- Quem diria que você consegue falar alguma coisa que presta
- Ah vai se fuder, Nina!
Ela gargalhou ao ouvir o xingamento, Lucas tinha voltado ao normal, mas ainda tinha alugado um triplex na cabeça de Nina que agora juntando os conselhos de Lucas e Ayla, precisava falar com Krave.
Precisava deixar a insegurança de lado. Precisava deixar a pequena Ana Carolina Ito e sua paixonite envergonhada de lado e ter coragem de agir por quando Krave não faria.
Ela entendia a relação difícil que ele tinha com seus sentimentos, sabia que sua compreensão era na verdade rara.
Entender que gostava de Krave tinha sido simples, entender que ele não retribuia também. Assim como tinha sido rápida em perceber que não amava Josué apesar de até gostar dele.
Nina tinha a mesma filosofia de Krave, de ser sincera com seus sentimentos, a única diferença é que era melhor resolvida sobre isso.
Entendia o ponto de Lucas, que precisava ser ela a se confessar primeiro e a confirmação, mesmo que de terceiros, de que Krave gostava dela, fazia bem.
O combate entretanto não era o que ela esperava. Ver Krave se machucar por causa dela não estava em seus planos.
Era pra ser uma missão simples, uma lenda simples de lobisomem numa cidadezinha do interior, deveria ser uma daquelas histórias fracas que ninguém realmente acreditava porque não passava de lenda urbana. Mas quando Krave entrou na frente das garras da criatura, já magra e ferida, para proteger ela, o desespero tomou conta de Nina.
- Não toca nela… - Krave murmurava enquanto desabava de joelhos, o sangue inundando a frente de sua camisa - Não toca nela…
- Krave! - Nina exclamou, trocando de lugar com ele e o passando pra trás, pra perto de Ayla ao mesmo tempo em que Lucas saltava pra cima do lobisomem e o enchia de socos
- Nina… você… bem?
- Eu tô bem, eu tô bem Krave - ela exclamou, se ajoelhando ao lado dele, pela primeira vez em tantas batalhas realmente assustada com a quantidade de sangue que molhava a camisa branca - Ayla, o que eu faço?
- Tira a camisa dele! Estanca o sangue.
- Nina… - Krave começou a murmurar, estendendo a mão na direção de Nina - Eu… eu te…
- Não ouse, Kravênico, se você tentar se declarar pra mim enquanto tá morrendo, eu juro que te mato!
Ele teve a audácia de sorrir em meio à dor, mas Nina não podia suportar aquilo, não podia suportar olhar pra ele e pensar em todo o tempo que tinha perdido enrolando pra se declarar pra ele, e agora podia perdê-lo sem nunca ter conseguido dizer nada do que realmente sentia.
Incapaz de continuar ali, Nina se levantou e pegou o livro de maldições que pegou no museu, seus movimentos eram automáticos e quando lançou uma delas sobre a criatura, ela só se lembrou no último segundo de desejar que não atingisse Lucas. O latim escorria de seus lábios, a maldição que enfraquecia a ameaça saindo com facilidade treinada. E dado a surra que já tinha tomado de Krave e Lucas, o lobisomem foi aos poucos desaparecendo, voltando a forma de homem, com uma página nas mãos trêmulas.
Mesmo assim, Nina ainda não tinha coragem de se virar mais uma vez pra Krave, não quando a camisa manchada dele ainda ocupava sua visão.
- Krave! - Lucas gritou, correndo na direção do melhor amigo
- Eu tô bem - a voz do próprio Kravênico soou - A Ayla é boa…
O alívio que preencheu Nina foi tão intenso que ela sentiu as lágrimas ardendo na visão.
Fazia mais de anos desde a última vez que Nina tinha chorado, se estivesse se lembrando bem, foi quando sua mãe a expulsou de casa, alegando não querer atrair o paranormal, pelo qual Nina era tão fascinada, pra sua vida. É, aquele tinha sido a última vez que ela tinha chorado, mas agora Nina estava falhando em conter os soluços de pânico que lhe escapavam.
- Nina… - Krave murmurou, demonstrando esforço
- Fica quieto, Kravênico - ela exclamou entre as lágrimas - Você acabou de escapar da morte, não vamos testar as habilidades da Ayla
- Então olha pra mim, porque você tá chorando?!
- Vamos deixar eles sozinhos - Ayla se levantou, puxando Lucas e Benício com ela - Eu vou cuidar de vocês dois.
Nina esperou que os três saíssem pra só então olhar pra Krave, agora apoiado em uma parede, o peito ainda cheiro de sangue, com diversas ataduras cruzando o espaço de pele, mas o casaco amarelo o cobria e disfarçava. Ele ainda estava pálido entretanto, nitidamente fraco, mas olhava pra Nina como se ela fosse o próprio sol em sua vida.
- Eu odeio você! - ela murmurou, falhando em segurar as lágrimas de novo, seu rosto devia estar todo machado de onde o rímel tinha escorrido
- Não odeia não… - ele riu, ou tentou entre a dor
- Não pode fazer isso, Krave, eu não… não posso permitir.
- E eu não posso permitir que você se machuque!
- Porque não?! Porque você pode se colocar na frente do perigo e eu tenho que assistir, Kravênico?! Porque você acha que a sua vida é descartável perto da minha?
- Porque eu amo você, Nina! - ele gritou, um crise de tosse o atingindo e fazendo Nina correr pra ampará-lo - Eu amo… você
- Eu também te amo, seu idiota, não quero que você morra por mim porque não quero nem imaginar uma vida sem você, eu não suportaria viver sem você.
Krave teve a audácia de parecer surpreso com a declaração, de forma que fez Nina chorar ainda mais, uma vez aberta a torneira de anos sem chorar, ela não conseguia parar. Era meio poético que fosse Krave no fim das contas a trazer de voltar sentimentos que mesmo alguém bem resolvida como Nina tinha enterrado.
- Por favor… - ela se pegou implorando, segurando o rosto dele entre as mãos - Por favor, não morra por mim… Não é isso que quero de você. Eu quero você comigo pra sempre.
- É sério?
- Nunca falei tão sério em toda a minha vida, Krave.
- A gente… eu posso… te beijar?
Nina soltou um riso fraco, sem acreditar que ele ainda achava que precisava pedir. Ela se aproximou com cuidado, gentil e ainda preocupada com os ferimentos dele, mas não podia evitar a empolgação por estar finalmente beijando o garoto de quem gostava.
Os lábios de Krave tinham gosto de sangue e os dela, de lágrimas, em algum outro momento, Nina teria gostado daquilo, mas no momento, segurava o rosto dele com a maior delicadeza e manteve os movimentos.
- Nunca mais pede pra beijar, você não precisa disso. A resposta sempre vai ser sim pra você.
