Chapter Text
Chanyeol grunhiu, apertando o volante do carro quando sentiu um calafrio percorrendo a espinha. Em seus quarenta e dois anos de vida, todas as vezes em que teve essa sensação era um aviso de que algo aconteceria, seja uma visita surpresa, uma tragédia ou notícia boa. E ele detestava mudanças de planos. Olhou pelo retrovisor, verificando que estava sozinho na estrada, atrás de si apenas o sol fraco de um fim de tarde ameno, refletindo nas montanhas cobertas de neve. Voltou a olhar para frente, ajeitando a postura e focando na direção, passando por uma curva conhecida e perigosa em medidas iguais e que era responsável por surpreender muitos motoristas.
E o alfa deveria ter seguido o próprio caminho, ignorado o puxão que o fez olhar para a beira da estrada e dar de cara com um carro prata moderno, se não foi enganado, um Porsche com a frente destruída por um carvalho centenário. Aquele tipo de carro não era para essa estrada e o motorista pagou por isso, a julgar pelo estado do veículo. Chanyeol atrapalhou a própria regra de não se intrometer nos problemas alheios, não incomodava ninguém para não ser incomodado. Seguiu o próprio caminho na solidão e sem se importar com as lutas do mundo.
Não que fosse covarde — sempre parava para ajudar animais feridos, mas humanos eram demais para lidar — e não poderia fazer muito por aquele motorista a julgar pela situação do carro. Quando chegasse em casa, poderia usar o telefone para ligar para a delegacia da vila, o xerife Nam provavelmente estava de plantão e poderia acionar o Doutor Lee. Com esse pensamento ignorou as batidas do coração acelerado e os seus olhos que insistiam em acompanhar a imagem do carro ficando pequeno no retrovisor. Até que um zumbido estourou nos ouvidos, fazendo a visão ficar turva e a boca seca, o obrigando a frear a caminhonete, o chiado dos pneus aumentando a dor de cabeça repentinamente.
Trincando os dentes, Chanyeol fechou os olhos por um instante. Um pensamento intrusivo crescendo: e se o motorista não estivesse morto, mas apenas ferido? Dependendo do grau dos ferimentos, o tempo que a ajuda levaria para chegar poderia ser fatal. Se fosse outro dia, ele seguiria o próprio caminho sem peso na consciência, porém algo o saudável na direção daquele carro que provavelmente obteve a um riquinho mimado. Bufando, ligou o motor do carro novamente que tinha morrido na freada brusca, estacionado à beira da estrada. Puxando a espingarda que estava disposta ao alcance da mão no banco do passageiro, saltou da caminhonete antiga, as botas gastas batendo contra o asfalto.
Com a corda da arma em um dos ombros, bateu na porta do carro, caminhou despreocupadamente até o local do acidente. Estilhaços de vidro refletiram no asfalto, o obrigando a seguir a trilha até o veículo destruído, cerrando os olhos se moveram da lateral que estava menos danificada e que por sorte era o do motorista, o impacto contra o carro tinha sido predominantemente ao lado do passageiro que parecia vazio. Inclinando-se, Chanyeol percebeu que uma janela estava estilhaçada assim como o vidro do parabrisa, focando o olhar dentro do veículo encontrou um homem desacordado sobre o volante, o rosto virado para o outro lado, coberto pelo balão do air-bag desinflado.
Não consigo distinguir muito sobre a vítima além da cabeleira loira, estalando a língua no céu da boca levou dois dedos até o pescoço pálido, em busca de pulsação e soltou um palavrão quando sentiu o leve pulsar na ponta dedo. Ele estava vivo. Ergueu o corpo, levando as mãos até o quadril, olhando para o céu azul enquanto respirava fundo. Não que ele torcesse pelos desastres alheia, mas agora que tinha verificado que o motorista estava vivo tinha a obrigação de prestar socorro. Se fosse esperar chegar até em casa para chamar ajuda, colocaria ainda mais a vida do desconhecido em risco. O xerife Nam não tinha o maior senso de urgência.
E não adiantaria voltar para a vila com ele, porque a única clínica já estaria fechada e o hospital era longe demais. Puxou o ar com força e por baixo do cheiro da floresta, de borracha queimada dos pneus e de sangue fresco sentiu um aroma de jasmim vindo diretamente do carro, ainda que fosse maculado pela agonia do dono era um perfume doce e característico de um ômega. Grunhindo novamente, Chanyeol passou os dedos pelo cabelo grosso. Não poderia deixar um ômega ferido na estrada, isso iria contra todos os seus poucos princípios. Revirando os olhos, tomando uma decisão.
— Bem feito, idiota! Ninguém mandou dar atenção aos calafrios. — Rosnou as palavras, agarrando a maçaneta do veículo moderno que foram destravadas pelas investidas.
O cheiro de jasmim o atingiu com mais força quando conseguiu uma visão melhor do motorista que estava vestido com roupas caras, sem nem mesmo um casaco protetor para aquele clima, desmaiado sobre o volante. Mais um palavrão escapou quando descobriu que ele estava sem cinto de segurança, seus olhos não capturaram nenhuma fratura exposta ou trauma preocupante e que impossibilitaria a movimentação do corpo. O filho da puta tinha sorte. Sem pensar, se abaixou para enganchar uma das mãos por baixo das pernas flácidas ao mesmo tempo que colocava o braço em volta dos ombros largos. Não foi difícil retirar o corpo do carro, era um ômega de constituição comum, altura mediana e figura esguia.
Quando ficou de pé pode verificar o rosto do desconhecido. O ar escapou dos pulmões e não tinha nada a ver com o peso em seus braços. Pouco se importava com as aparências, mas o ômega tinha um dos rostos mais bonitos que já tinha visto. Apesar da fuligem que cobria a pele pálida e do sangue que escorria do corte da testa, manchando os fios descoloridos, ele ainda parecia um anjo com os fones de ouvidos longos descansando contra as bochechas macias, a boca desenhada, o nariz marcante e o queixo pontudo.
Segurando um rosnado, Chanyeol balançou a cabeça, tentando pensar pelo lado positivo e não se arrepender de quebrar as próprias regras. Estava fazendo uma boa ação, era isso o que importava. Em passos curtos, estava próximo ao caminhonete antigo, com facilidade apoiou o corpo menor em um dos ombros, deixando o ômega suspenso por alguns segundos, sendo seguro por um braço forte contra a parte traseira das coxas, enquanto o alfa abria a porta do lado do passageiro. Protegendo a cabeça dele com uma das mãos, Chanyeol tomou cuidado ao sentá-lo no banco, passando o cinto pelo torso coberto por uma camisa de seda. O pescoço do ômega pendente para o lado, com as mãos grandes e desajeitadas, Chanyeol o segurou pelas bochechas tentando uma posição que não causa ainda mais dor. Sentindo-se caridoso retirar um dos cobertores que havia ali para cobrir o corpo ferido.
Voltando para o lado do motorista, Chanyeol pulou no banco com um bufo nervoso, lançando mais um olhar para o ômega desacordado. Ligando o motor do caminhonete antigo, o alfa tomou mais uma decisão: assim que o ômega acordasse, o levaria para a vila, passando para o xerife a responsabilidade por ele. Não preciso de problemas em sua vida sossegada.
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Quando retomou a consciência, a primeira coisa que Baekhyun sentiu — antes mesmo da dor lancinante em cada parte do corpo — foi o cheiro de petrichor e sândalo. Sentiu-se novamente como o garotinho que seu avô levava para caçar na floresta onde acabava pegando chuva. Estava imerso sem aroma de terra úmida, chuva de verão e frescas. Respirou fundo, um pouco de conforto brotando em meio a dor horripilante que fazia uma careta surgir em seu rosto.
Tomando coragem para verificar onde estava e se ainda estava vivo, Baekhyun segurando um resmungo de dor, aplicação dos braços, passou as mãos pelo topo da própria cabeça, pela rosto, onde sentindo uma espécie de funcional, pelo próprio peito e por fim as coxas. Estava vestido, o que por si só era um ótimo sinal. Pelo menos não estava no necrotério. Mas também seria impossível que uma gaveta de necrotério fosse tão quente, estivesse envolto num cobertor grosso, mas o calor parecia ir além, envolto o ar que respirava. Mexeu os dedos dos pés confirmando que sentiu as pernas e tomou coragem para entreabrir os olhos, surpreendendo-se com o que encontrou.
Piscou os olhos algumas vezes, tentando clarear a visão. Tudo em seu campo de visão segue uma paleta de cores: marrom, preto e branco. O lugar era todo construído em madeira, desde as paredes, até os mesmos móveis. Em sua frente, tinha uma escrivaninha desorganizada com mais itens do que poderia listar com sua mente embaralhada, a cadeira afastada da mesa. Um armário com uma das portas abertas, revelando um ponto de cor no quarto: camisas de flanela que variam do vermelho ao amarelo. Olhando para o próprio corpo, vemos que estava deitado em uma cama grande, obviamente de madeira, e coberto por peles de animais.
Não tinha morrido, apesar de sua última lembrança ser do carro girando na estrada amaldiçoada antes de bater de frente com uma árvore enorme. O seu carro. Fez um biquinho ao imaginar o estado em que um de seus carros favoritos deveria ter ficado. Continuou com a sua inspeção, encontrando um tapete no chão de taco. Aquilo deveria ser um urso enorme.
Seguiu o olhar até encontrar uma porta entreaberta, acompanhou o desenho intrincado no batente até entender que aquele enfeite em cima da porta era a cabeça de um alce empalhado. Com chifres enormes que quase tocavam o teto, a pele marrom engessada e o focinho grande causando pânico. Soltou um grito desesperado, arregalando os olhos e encarando o animal petrificado. O grito nada fez além de aumentar as dores que rasgavam seu corpo, machucando a garganta seca.
Chanyeol estava encerrando suas tarefas matinais, alimentando suas galinhas, quando sua paz foi interrompida por um grito agudo. O seu hóspede tinha acomodação. Fechando a porta do celeiro com pressa, marchou de volta até a cabana, subindo de dois em dois os degraus da varanda. A noite não tinha sido das mais tranquilas, assim que cheguei em casa, antes mesmo de descarregar os seus suprimentos, preciso verificar a situação do ômega. Os seus anos como bombeiro na cidade tinham ensinado o suficiente, então não tiveram dificuldades para limpar os cortes menores e suturar os maiores que estavam na testa, um dos antebraços e na coxa direita. O desconhecido deveria ser grato pois o caco de vidro preso na carne da perna passou a centímetros de atingir a artéria femoral. Não foi possível verificar muito com ele desacordado, mas a respiração estava limpa, os efeitos cardíacos causados e não teve convulsões ou febre durante a madrugada.
O filho da puta era mesmo sortudo, aparentemente tinha escapado de um acidente horrível com alguns cortes, escoriações e hematomas. Chanyeol teve que rasgar as roupas caras, que cobriam o corpo desenhado, mantendo apenas a cueca branca, ignorando completamente a pele de porcelana e as curvas sutis em prol de limpá-lo com um pano e água quente. Era tarde quando tinha o ômega costurado, limpo e vestido com uma de suas camisas deitadas em sua cama. Estava tão cansado e com a mente fervilhando em autocrítica por ter colocado um estranho dentro de casa que apenas se jogou no sofá pequeno da sala caindo em um som pesado.
Ao acordar, as costas reclamaram de mas tinham um mês inteiro de suprimentos para descarregar e tarefas que não esperariam. Depois de um banho frio e de tomar um gole de café puro, o alfa focou em sua rotina, esquecendo completamente que tinha um ômega ferido até ser surpreendido pelo grito de pavor. Em menos de um minuto, Chanyeol estava parado à frente da porta do próprio, tomando fôlego, não queria assustar o quarto ainda mais o ômega. Passando a mão pelos fios de cabelo grossos, depois pelo peito limpando a poeira da camisa — em busca de aprumar a aparência — o alfa bateu com o nó dos dedos na madeira, anunciando sua chegada.
— Ei, posso entrar? — Baekhyun tinha escutado passos pesados logo após cessar o grito e foi escolhido na cama, respirando o cheiro calmante quando a voz grave soou atrás da porta.
Não consegui falar nada, a garganta doía pelo grito exagerado e o coração estava acelerado. Cobriu o corpo todo com a manta pesada, deixando apenas os olhos de fora, espiando a porta balançar mais uma vez com uma batida sutil.
Chanyeol revirou os olhos, prendendo os lábios inferiores entre os dentes, repetiu o gesto três vezes e não teve qualquer resposta. Mas tinha certeza de que o ômega estava acordado, sentindo o cheiro de Jasmim azedar pelo medo. Tentando ser paciente, falou alto:
— Olha, você entra, pode ficar tranquilo que não te machucará. — Empurrando a porta, deu os primeiros passos para invadir o próprio quarto, sussurrando: — Que idiotice, pedir permissão para entrar na minha própria casa.
Baekhyun fechou os olhos com força assim que a porta foi aberta, tendo um vislumbre de pernas longas cobertas por jeans largos e botas marrons. Com certeza um alfa. Tinha sido sequestrado por uma alfa selvagem da floresta e agora seria preso prisioneiro, obrigado a acasalar e a gerar filhotes. Toda a sua vida passou diante de seus olhos, as suas viagens para a Europa, as festas com os amigos e os momentos — até mesmo os caóticos — com a família. Tinha nascido em berço de ouro e criado a pão de ló para não fim se tornar o maridinho de um alfa qualquer. Cerrando os punhos, decidiu que lutaria até o fim, não se curvaria a nenhum homem das cavernas.
Chanyeol bufou quando viu que o ômega estava preso em sua cama, com o rosto completamente coberto, apenas o tufo de cabelo loiro despenteado espreitando. Parando próximo a cama, fechado os olhos, lembrando a si mesmo que deveria ter paciência, sem dúvidas, o ômega deveria estar assustado pelo acidente. Cruzou os braços, limpando a garganta, pensando em como começar aquele discurso.
— Hum, você não precisa se esconder. Sei que está acordado, foi impossível não ouvir o seu grito.
Baekhyun engoliu em seco, não poderia se esconder para sempre debaixo do cobertor pesado. Tomando coragem, prendeu as mãos na barra do tecido, descobrindo lentamente a cabeça. Quando abriu os olhos, não estava preparado para a visão que recebeu. Ergueu o pescoço para encarar melhor o alfa grande que estava parado próximo a cama, com os braços fortes cruzados e uma tentativa de sorriso no rosto. Os lábios cheios estavam esticados em um meio sorriso, fazendo uma covinha aparecer na bochecha, apesar do olhar duro.
Tentando levar a respiração ao cérebro, Baekhyun respirou fundo, sentindo o aroma do alfa que era o mesmo que estava o confortando alguns minutos atrás. Terra molhada e folhas frescas. Piscou os olhos, assimilando a beleza do homem mais velho, a constituição larga, o cabelo escuro e volumoso com alguns fios brancos surgindo na raiz que era quente do rosto pelas mãos grossas e calejadas. O rosto tinha uma sombra de barba por fazer no queixo anguloso, o nariz reto e um vinco entre as sobrancelhas que foi o suficiente para Baekhyun derreter contra o colchão.
— Como está? Sentindo muita dor? — O alfa disse obviamente baixo, tentando ser gentil apesar da expressão sisuda que brigava com uma tentativa de sorriso.
— Ah — Baekhyun começou, abrindo a boca e fechando em seguida, limpando a garganta em busca de palavras. — Sim, um pouco de dor, mas nada insuportável.
— Que bom.
Chanyeol admirou o ômega mergulhado em sua cama, usa uma de suas camisas especiais, usada apenas em situações festivas. Ele era realmente bonito. Como um anjo caído, com o tecido da blusa larga escorrendo por um dos ombros, mostrando um pouco mais da pele de porcelana. O rosto estava claro, inchado e roxo em alguns pontos, mas ele ainda era lindo. Com os lábios secos entreabertos, as sobrancelhas finas franzidas em confusão e os olhos pequenos o observando curiosos.
— Quem é você? — A voz mesmo arranhada ainda era angelical, assim como o dono dela. É acompanhado por um tom de impertinência.
Chanyeol arregalou os olhos com a pergunta, deixando uma risada debochada escapar.
— Eu que deveria fazer essa pergunta, não acha? Sou eu que tenho um desconhecido na minha cama.
Baekhyun ofegou, levando a mão ao peito e sentindo-se repentinamente ofendido por tom sarcástico do alfa.
— Você sabe com quem está falando? — O tom autoritário ganhou força e a risada rouca do alfa soou novamente. — Uma ligação para o meu pai e eu acabo com a sua vida.
— Eu não dou a mínimo para quem você seja ou para o poder do seu papaizinho — respondeu, descruzando os braços e agarrando a ponta da coberta que pendia para fora da cama. — Mas caso te interesse, meu nome é Park Chanyeol, você está na minha casa e eu salvei a sua vida porque uma hora deles você já estaria congelado no seu carro de brinquedo.
Baekhyun arqueou baixinho quando Chanyeol deixou o cobertor, revelando o corpo encolhido no colchão, o peito subindo e descendo pela respiração acelerada, as coxas desnudas e os pés cobertos por meias grossas que fortalecem ao alfa.
— Mas pode ficar despreocupado, meu príncipe, porque o meu plano nunca foi te manter preso no alto da torre. Vamos, você vai levar para a vila mais próxima e o xerife pode te ajudar a entrar em contato com sua família querida. — O alfa segurou um rosnado no final da frase, desviando o olhar do corpo tenso do ômega.
A fala de ironia do alfa e o fim da frase foram suficientes para fazer Baekhyun perceber que estava em desvantagem ali. Mencionar a sua família foi suficiente para o estômago reviver de ansiedade, não poderia imaginar a ocorrência de seu pai quando descobriu que sua tentativa de independência terminou com um acidente trágico. Além disso, tinha sido mal agradecido com o homem desconhecido que fez a espera de salvá-lo, engolindo o seu orgulho ferido, levou a mão direita até o lado esquerdo do corpo e que dói mais, sentando-se na cama com um resmungo de dor.
Erguendo a cabeça, encarou o alfa grande que tinha o olhar fixo na cortina que cobria a janela pequena, ignorando a sua presença. Mordeu os músculos inferiores, os movimentos aumentando a dor em cada um de seus músculos.
- Prazer em conhecê-lo, Chanyeol. — Fez um esforço para subir cortês. A fala foi suficiente para o alfa voltar o olhar raivoso para si, ele se mexeu novamente, dessa vez puxando o cobertor para cobrir as pernas do ômega que estavam fora da cama. — Peço desculpas pela minha abordagem, confesso que fiquei um pouco confuso pelo acidente. Em um momento estou em um cenário de quase morte e no outro acordo na casa de uma alfa desconhecida. Fiquei assustado.
– Certo. — Chanyeol disse, o rosto neutro. Arqueou uma sobrancelha, continuando a mão contínua do ômega.
Suspirando, esticou o braço para apertar a mão delicada do ômega contra a sua. A palma quente e suave, os dedos finos, contrastando com a sua própria grande e grosseira. O contato entre as peles durou pouco, mas foi suficiente para Chanyeol se afastar alguns passos, fugindo do cheiro cativante que envolvia seu quarto.
— Ainda não me disse o seu nome. — Pigarreou, desviando o olhar da figura etérea que rivalizava com o ambiente rústico.
-BaekHyun. Byun Baekhyun — Ele respondeu dando um sorriso curto mostrando os dentes perolados. Chanyeol não tinha dúvidas de que tinha resgatado um anjo. Um anjo mimado. — Se você puder me levar até essa vila, ficarei muito grato. E enviarei uma recompensa assim que chegar em casa.
— Não preciso de nada. — A resposta veio grosseira, fazendo Baekhyun encolher as obrigações financeiras. — Quero dizer, não estou fazendo isso em troca de nada.
Depois de ficar em silêncio por alguns minutos, Chanyeol percebendo a careta de dor que atravessava o rosto do ômega, decidiu tomar uma atitude, indo até a escrivaninha, abrindo a gaveta que guardava seu estoque precário de medicamentos. Pegou um analgésico mais forte, voltando para Baekhyun que tentava disfarçar a dor, agarrou o copo de alumínio que estava com água ao lado da cama.
Baekhyun aceitou o comprimido, tomando toda água do copo. Não sabia que estava com tanta sede, entregou o copo para o alfa e antes que pudesse pedir por mais ele virou as costas saindo do quarto. O ômega passou a mão pelos fios de cabelo, uma careta tomando conta do seu rosto, sentiu a pele grudenta e o cabelo seco. Precisava de um banho. Chanyeol voltou com o copo cheio e fez questão de levar até a última gota para mostrar sua gratidão.
— Obrigado, Chanyeol. — Tentou sorrir, fitando o olhar do alfa que agora estava mais calmo. — Será que posso tomar um banho antes de irmos?
– Sim. Quando terminar, posso dar mais uma olhada em seus danos antes de levá-los para a vila.
Baekhyun acidentalmente, passando a palma da mão pelo tecido grosso em seu colo. Tinha medo de tentar andar e acabar caindo, mas não pisaria ainda mais em seu orgulho e pediria ajuda ao alfa.
— Se eu te carregar até o banheiro, você vai gritar de novo? — Chanyeol brincou com as sobrancelhas erguidas e um sorriso de canto.
— Na verdade, eu vou te agradecer.
Chanyeol acidentalmente, se aproximando do ômega sentado desajeitadamente em sua cama. Se abaixou ao lado dele, passando uma mão pela parte de trás dos joelhos, tomando cuidado com os cortes nas coxas, com o outro braço envolvendo os ombros largos. Sem dificuldade, declarou Baekhyun que envolveu seu pescoço frouxamente, ficando tenso no tempo que gastou para sair do quarto e caminhar até a porta ao lado que era o banheiro.
Atravessou a porta estreita que estava aberta, colocando o ômega sentado na bancada de pedra do banheiro. Baekhyun sibilou ao sentir o contato frio com a pele quente mas disfarçou com um sorriso sem mostrar os dentes. Chanyeol recuou até parar no batente da porta.
— Nesse armário tem toalhas e todos os itens de higiene que você pode precisar — disse, apontando para o armário onde o ômega estava sentado. — Os produtos não são o que o príncipe deve estar acostumado, mas funcionam.
— Está ótimo. — Balançou a cabeça, apertando o tecido que cobria as palmas das mãos. — Se não for pedir muito, pode me emprestar algo para vestir?
— Não tenho nada de marca, mas vou procurar algo quente para você. — Baekhyun estava começando a suspeitar que talvez o deboche fizesse parte do vocabulário do alfa. — Ah, me lembrei. A água demora um pouco para esquentar.
Chanyeol invadiu o espaço novamente, indo até a parte do chuveiro onde o piso era coberto por pedra lisa, abrindo o registro e regulando a água para o ômega. Sem dizer mais nada, saiu pelo banheiro, deixando Baekhyun que começou a se movimentar, erguendo a perna para arrancar as meias grossas. Quando o alfa voltou, encontrou o ômega brincando com a barra da camisa e desviou o olhar.
— Vou deixar as roupas aqui. — Apontou para o suporte ao lado da porta, onde encaixou uma calça jeans menor e uma blusa branca de mangas compridas.
Baekhyun assentiu, respirando fundo o cheiro de petrichor e sândalo que parecia se condensar com o vapor do banheiro, tudo cheirava próprio ao alfa mais velho.
— Se precisar de mim é só gritar. — Chanyeol finalizou com uma piscadela, fechando a porta com um estrondo.
Bufando, Baekhyun pulou da bancada, se virando com o apoio da bancada para verificar a própria aparência no espelho pequeno. Se asssustou quando viu sua pele pálida e seca, alguns hematomas mancharam sua bochecha direita e testa. Puxou o curativo, verificando que o corte na testa tinha pontos assim como o braço e a coxa, o alfa tinha feito mais do que tinha aqui. Abrindo os armários deixe uma toalha branca que parecia nunca ter sido usada, de uma caixinha de madeira deixe uma escova de dentes nova e um sabonete. Levando a barra, até o nariz sentiu o aroma da camomila, não era o seu favorito mas teria que servir. Com um biquinho, concentre-se em terminar o banho mesmo com as dores que o assolaram.
Pensando em como lidaria com a raiva de seu pai, Baekhyun se enfiou debaixo da água morna. Fechou os olhos, refletiu como a vida era engraçada, ele que estava acostumado com luxo agora estava perdido em uma cabana na floresta com um alfa mais velho e que parecia saído de um daqueles romance que lia escondido na adolescência.
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Baekhyun saiu do banheiro se encolhendo de frio e conseguiu analisar melhor a casa de Chanyeol. A cabana foi construída toda em madeira, o piso de taco gasto, com móveis de diversos tipos de madeira e tinha o cheiro que o acordou espalhado por todo o espaço. A porta da entrada estava fechada, as janelas com as cortinas abertas deixando pouca luz do dia invadiu a casa, a paisagem era tomada pelo verde e pelo céu cinzento.
A sala era pequena com um sofá escuro coberto por peles de animais, uma poltrona de couro gasta, um violão antigo apoiado em uma mesa baixa com diversos livros e uma vitrola, por fim uma lareira de pedra que estava apagada. Continuando a inspeção, encontrei a cozinha, dividida da sala por um balcão de madeira rústica. Tinha um fogão pequeno, uma geladeira antiga, armários e uma mesa com cadeiras. Era estranhamente organizado e caseiro, Baekhyun sentia-se confortável, a visão da cozinha era suficiente para o estômago consentimento de fome. Não se lembrava da última vez que tinha comido e um cheiro de pão vinha da cozinha.
Baekhyun parou no meio da sala sem saber o que fazer. Não sabia se voltava para o quarto, o corpo doía e queria ser acolhido pela cama do alfa, suspirou, lembrando-se que especialmente ir embora. Mesmo que tenha ficado algumas horas em casa naquela, senti um conforto que a cirurgia na simplicidade da cabana do alfa que tinha julgado tão mal. Se abraçando, sobressaltou quando a porta se abriu com um estrondo e Chanyeol passou por ela com uma carranca, marcas de expressão surgindo no rosto bonito.
Baekhyun acompanhou com o olhar Chanyeol fechar as janelas que permitiam que o vento frio invadisse a casa. Após trancar todas elas, ele se virou para Baekhyun com os olhos arregalados e os lábios pressionados em uma linha tensa. O ômega recuperou um fio solto da manga da blusa, desviando o olhar do alfa que se colocou na poltrona de couro, sentando-se com as pernas abertas e o mesmo olhar nervoso.
— Aconteceu algo? Já estou pronto para ir. — Começou com a voz baixa, estava com medo de acabar incomodando Chanyeol, mas a verdade é que queria pedir algo para comer.
— Não temos como ir. — Chanyeol disse passando os dedos pelos cabelos volumosos, evidenciando os poucos fios brancos da raiz.
— Mas porquê? Já não estou mais com dor — mentiu, encolhendo os ombros ainda de pé ao lado do sofá cinza.
— Uma tempestade de neve se aproxima. Nessa época do ano sempre temos nevascas, mas esperávamos que houvesse mais tempo antes do início dessa — justificado, batendo os dedos contra a coxa.
Baekhyun arregalou os olhos, tentando assimilar as palavras que deixaram a boca do alfa.
— E se saímos agora? A vila mais próxima é tão longe assim? — Tentou, de resistir de mostrar modos, sentou-se no sofá puxando uma das peles para o colo.
— Sim, a vila fica há mais de uma hora. O seu acidente aconteceu na estrada principal que ligava as vilas às cidades — respondeu, passando a mão pelo rosto. — Se sairmos agora, a primeira neve vai nos alcançar e compreender em mim, aquele caminho durante uma tempestade é sinônimo de morte.
— O que fazemos? — Disse, apertando os dedos contra o tecido que estava em seu colo.
— Uma tempestade deve durar no máximo cinco dias. Mais três até a estrada ser liberada, o que nos dá oito dias trancados. O que vai ser ótimo para sua recuperação. — Chanyeol disse dando de ombros e fingindo indiferença.
Baekhyun mordeu o interior da bochecha, pensando em suas opções. Se não houvesse tempestade e o alfa o levasse para a vila teria que enfrentar a fúria de seus pais em pouco tempo. Mas se esperasse a tempestade passar, e só depois fosse para a casa, a sua mãe acaba convencendo o seu pai que provavelmente esteve esse tempo todo festejando com os amigos, o que não seria nenhuma novidade. Os seus pais conheciam a sua fama e não iriam ficar preocupados se ficassem mais de uma semana sem dar notícia, na verdade, ficariam agradecidos.
— Por mim, tudo bem — anunciado com um sorriso, abrindo o cobertor sobre as pernas em busca de se aquecer.
Foi uma vez que Chanyeol deixou o queixo cair, arregalando os olhos pelo conformismo de Baekhyun. Quando saiu para encerrar suas tarefas, foi fomentado pela mudança de clima, as nuvens que estavam turvas desde o momento em que acordou ficaram ainda mais escuras, baixas e pesadas. O vento que ricocheteia entre as montanhas espalhava o ar frio em todas as direções. Os animais que ficaram na grama correram para dentro do celeiro, para se protegerem. Resignado, o alfa tratou de aprontar comida e água para eles, garantindo que você desfrute de conveniências nas próximas horas.
Guardou a caminhonete na garagem, correndo para casa, lutando contra a temperatura que caía a cada momento. Teve que certamente a vontade de rosnar quando entrou na cabana e deu de cara com Baekhyun, o rosto corado pelo banho e o cheiro fresco de jasmim saindo em ondas poderosas. Se ocupou fechando as janelas e se preparando para contar a situação ao ômega.
— Tem certeza? — questionou, observando ele ajeitar a posição no sofá.
— Juro que a minha presença não vai te incomodar, prometo que fico quietinho — disse juntando as mãos com um sorriso jovial tomando conta do rosto.
Chanyeol assentiu, se levantando para fugir do cheiro de jasmim que fazia sua cabeça girar e instintos adornados por anos acordarem. Além disso, eu primeiro assimilei o fato de que há uma hora atrás Baekhyun tinha uma pose impertinente e agora parecia um filhotinho preso em seu sofá.
— Quer comer ou cuidar dos ferimentos primeiro? — perguntou, caminhando em direção a cozinha.
— Comer — respondeu baixinho encarando as costas largas do alfa que se movimentavam com calma pela cozinha. — Por favor.
Agora que a maior parte do susto tinha passado, Baekhyun sentiu uma pontada de gratidão despontar em meio ao conflito de sentimentos, tinha passado por um acidente mas mesmo assim escapou com a vida. E ainda tinha a sorte de encontrar alguém bom o suficiente para ajudá-lo, deveria mais do que planejado para Chanyeol. Esticou o pescoço tentando espiar o que o alfa preparou na cozinha mas não teve sucesso, por isso se recostou no sofá, fechando os olhos por um instante ao sentir uma dorzinha chata surgir.
Foi acordado algum tempo depois de Chanyeol que tinha uma mão grande em seu ombro, o toque mais leve que uma pluma. A mão do alfa era quente e cuidadosa, balançando sutilmente o corpo menor, com medo de acabar machucando ainda mais Baekhyun.
– Vem cá. — Voltou para a cozinha sem esperar uma resposta do ômega que piscava lentamente.
Baekhyun se declarou com um gemido baixo, arrastando os pés cobertos por meias pelo piso até entrar na cozinha que tinha cheiro de pão fresco e chocolate. O alfa estava de pé enchendo uma caneca com café e indicado com a cabeça a cadeira vazia em sua frente. Mordendo os lábios inferiores, o ômega relaxa a cadeira sentando-se com uma careta de dor.
— Essa nevasca não poderia vir na pior hora. Seria importante que o Doutor Lee desse uma olhada em você. — Baekhyun descobriu imaginando que ele estava se referindo ao médico. — Fiz o que pude, mas o seu acidente foi feio, estava a quanto? 200km/h?
Baekhyun abriu os dedos contra a beirada da mesa, os raios vermelhos ardendo, inclinou a cabeça, relembrando os eventos que antecederam o acidente.
— Duzentos e setenta — murmurou envergonhado.
— Isso explica muita coisa. — Chanyeol arregalou levemente os olhos, empurrando um prato com pão e frutas secas para o ômega, assim como uma caneca que exalava um cheiro delicioso de chocolate. — Imaginei que não fosse o maior fã de café sem açúcar então me arrisquei no chocolate quente.
— Obrigado — Agradeceu, segurando o sorriso que queria surgir no canto dos lábios. Fazia tanto tempo que não tomava chocolate quente.
Baekhyun começou a comer, surpreendendo com o sabor do pão caseiro que tinha uma camada generosa de geleia de amora. Soltou uma risadinha quando engoliu a primeira mordida, como Chanyeol poderia imaginar que aquela era o seu sabor favorito?
— O que houve? — O alfa questionou, arqueando as sobrancelhas sobre a xícara.
— Nada — falou, dando de ombros. Mas Chanyeol manteve a mesma expressão, obrigando Baekhyun a desviar o olhar. — É que eu adoro geleia de amora.
— Ah — ele entreabriu os lábios, observando o ômega passar o dedo pelo prato coletando um pouco da geleia que escorreu e leva até a boca em um gesto fluido. — Tenho algumas amoreiras e acabo fazendo geleia para não desperdiçar as frutas.
— Você quem fez? — Não disfarçou o choque, arregalando os olhos e deixando o queixo cair.
– Sim. — respondeu, pousando a xícara na mesa. — Assim como a maioria das coisas aqui. A loja de conveniência mais próxima fica um pouco distante.
Baekhyun não poderia negar que estava surpreso pelas habilidades do alfa. Estavam em um local isolado, a civilização mais próxima ficou distante e ele poderia se virar sozinho. E ainda ajudar outras pessoas.
— Estamos muito longe de Seokdong? — Arriscou questionou algo que estava em sua mente desde que acordou na cama quente do alfa. A cidade era de onde tinha partido com o seu carro e o seu último ponto de referência.
— Um pouco — declarou, pegando um pedaço do pão e levando até a boca. Mastigou e engoliu, antes de continuar: — Se não me engano, são uns 350 milhas.
Baekhyun engasgou, tossiu levemente e agarrando a caneca com a bebida agora morna deu um gole. Foi impossível não ficar surpreso com o gosto, o maravilhoso o suficiente para distraí-lo da informação de que estava mais longe do que imaginava de casa. Não tinha nem uma hora que estava na estrada quando sofreu o acidente, como poderia estar tão distante.
— Como isso é possível? — Esticou a língua para limpar os lábios superiores. — Saí de Seokdong e aconteceu por quarenta minutos antes de me deparar com aquela curva maldita.
— Você correu muito, Baekhyun, Seokdong é uma cidade mais desenvolvida da região e é cercada por vilas tradicionais que não têm mais do que mil habitantes. Estamos a cerca de sessenta quilômetros de uma delas, um pouco isolado, mas eu gosto.
Baekhyun balançou a cabeça tentando assimilar aquela informação. Onde a sua impulsividade tinha o levado? Em um momento estava em um almoço com os pais e no outro tinha quase acabado com a própria vida. Fechou os olhos por um instante, respirando fundo e tentando não surtar com tudo o que aconteceu em menos de vinte e quatro horas.
— Pelo visto o seu plano não era visitá-la. — Chanyeol afirmou mastigando um damasco seco.
— Não era. Estava com a minha família em Seokdong quando… — Ele interrompeu a própria fala, desviando o olhar antes de continuar: — Enfim, os meus pais não entendem que eu sou um ser humano com vontade própria e que já tenho vinte e cinco anos! Eles querem controle absoluto mesmo que eu sempre tenha feito tudo o que quiser, conforme planejaram a vida do filho perfeito. Ainda assim não é o suficiente.
Baekhyun relatou o vinco que se formou entre as sobrancelhas do alfa que passou a língua pela bochecha antes de se inclinar em direção à mesa, brincando com a alça da caneca.
— Você tem vinte e cinco anos?
— Sim, porque? — Baekhyun rebateu, com as mãos em volta da caneca que esvaziava lentamente.
— Parece mais novo — justificado, pegando mais um damasco do prato.
Baekhyun segurou o sorriso, desviando o olhar da mandíbula marcada do alfa, do pomo de adão subindo e descendo, dos lábios cheios e que deixaram terrivelmente macios. Balançando a cabeça, limpou a garganta, antes de perguntar: — E você?
-UE? — querendo, apontando para o próprio peito. — Tenho quarenta e dois.
— Uau. — Baekhyun fez um biquinho, analisando o rosto do alfa novamente. Ele poderia passar por um dos executivos de seu pai no auge dos trinta. A sua mente trabalhou rapidamente para calcular a diferença de idade. — Dezessete anos.
— O quê? — Chanyeol disse franzindo o cenho novamente. Baekhyun sentiu as pontas dos dedos coçar para acariciar as sobrancelhas rebeldes.
— Temos dezassete anos de diferença de idade. — Foi claro, colocando com cuidado a caneca praticamente vazia sobre a mesa.
— Sim, e o que têm? — Devolva a pergunta, se levantando para colocar o prato limpo do ômega. Baekhyun mordeu os dias pensando em pedir mais, mas foi surpreendido quando o alfa foi até o balcão para cortar mais uma fatia generosa do pão. — Geleia?
— Por favor — pediu com os olhos brilhando.
Chanyeol devolveu o prato cheio, apoiando-se no balcão para esperar uma resposta do ômega que se distraiu se empanturrando de pão com geleia. Deu um sorriso de canto, melancólico, admirando a beleza dele e pensando como a roupa tinha tão bem servida. Pelo menos guardar por tanto tempo serviu a algum propósito.
— Homens mais velhos nunca me chamaram atenção. — Baekhyun respondeu, levantando a cabeça e encarando a expressão serena do alfa se transformar em uma carranca. — Até você.
O alfa soltou uma de suas risadas debochadas para disfarçar a surpresa. Não estava habituado a flertes e recebendo um de Baekhyun foi suficiente para imaginar que ele estava visto com a situação. Ser resgatado por um alfa estranho e acabar isolado em uma cabana, deveria ser uma das fantasias do ômega mimado.
— Você bateu a cabeça forte demais — desconversou.
— Ei, estou dizendo que fiquei surpreso pela sua aparência. Não sou fácil de impressionar — declarado, apontando para si e em seguida balançando o indicador dedo.
— agradecimento pelo elogio, se podemos chamar assim. — O alfa se esquivou novamente, pegando as bonecas sujas e levando até a pia.
Baekhyun deu de ombros, observando o alfa lavar a louça. Talvez ele tenha sofrido alguma sequela no acidente, mas Chanyeol era estranhamente atraente. O corpo forte, a presença esmagadora e o cheiro esplêndido que era suficiente para o ômega se questionar porque não veio para essa região antes? Nenhum alfa nunca havia despertado tanto de seus instintos antes. E passaria mais de uma semana trancado com Chanyeol. Precisaria usar todo o seu autocontrole para não acabar implorando por um misero toque dele.
— Precisa de ajuda? — Eu perguntei, quando finalizou a segunda fatia.
— Não, pode ir descansar. Daqui olhamos um pouco para a situação desses machucados. — O alfa respondeu sem erguer a cabeça.
Encolhendo os ombros, Baekhyun deixou as mangas da camisa que estranhamente o servia bem, decidiu sair da cozinha em passos lentos indo direto para o quarto do alfa. Soltou um arquejo, quando viu o quanto a temperatura caiu tão pouco tempo, Chanyeol não estava brincando sobre a intensidade da tempestade que se aproximava.
Com as bochechas cortadas e sentindo-se um intruso, Baekhyun retira os cobertores para deitar na cama do alfa, se enrolando nos cobertores pesados. Respirou fundo, o cheiro reconfortante invadindo os sentidos. Fechou os olhos apreciando o calor, os aromas e o estômago cheio que eram suficientes para ignorar a dor dos ferimentos. Assim que se recuperar, pensaria melhores nos próximos passos, enquanto já o que a vida tinha apreciado foi fornecido. Um alfa caridoso e rabugento em medidas iguais.
Depois que terminaram as louças, Chanyeol pegou a caixa dos primeiros socorros, batendo levemente na madeira, não recebendo nenhuma resposta, entrou no cômodo para encontrar o ômega enviado no canto da cama, ressonando baixinho. Baekhyun era engraçado, claramente um ômega bem sucedido e de família rica mas que se deslumbrava com pão com geleia.
O alfa teria que ter a vontade de conhecer ainda mais sobre Baekhyun nos próximos dias. Mantinha a decisão de mantê-lo estável até o dia em que levaria para a vila, não poderia continuar se intrometendo nos problemas alheios. Mesmo que envolva um ômega angelical que fez seu coração de pedra acelerar.
