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Olhos brilhantes se destacam na escuridão como pequenos pontos de luz, fixos em um silêncio atordoado na névoa da noite. As pupilas cor de ouro se mantinham inexpressivas, ignorando a decadência do beco que se encontra.
Ao longe, próximo a única entrada, vozes vigorosas gritam em meio as conversas e risos. Parece que um pequeno festival acontecia nas proximidades e a singularidade do dialeto local conseguiu despertar a criança de olhos brilhantes de seu torpor.
O idioma que fluía por seus ouvidos sensíveis era familiar, mas ao mesmo tempo desconhecido. Enquanto sua língua nativa parecia mais contida, a língua local era mais rígida e ao mesmo tempo aberta. A entonação se arrasta em agudos ocasionais.
O simples ato de captar algumas palavras familiares confunde seus sentidos entorpecidos. Não é uma surpresa incomum encontrada no dia a dia após a fusão da Coreia com seus países vizinhos, sendo o território menos devastado por monstros sem classificação.
O coreano sempre foi mais proeminente entre a população, mas o mandarim é inconfundível; o que torna bastante óbvio que estava em algum lugar da China, mais especificamente ao sul pelo dialeto local. E se o fato de reconhecer a língua não fosse o suficiente, a palavra yin¹ utilizada entre as vagas ofertas de preços mostrava vagamente a época e local.
China antiga .
Kim Rok Soo concluiu nos poucos segundos em que despertou.
Olhando recentemente para onde seu corpo foi lançado, o coreano sentiu suas pupilas tremerem quando notou suas mãos.
Mãos pequenas, cheias de calos e cicatrizes cobertas por uma camada grossa de sujeira que grudava em seu corpo.
Subindo seu olhar, torcendo seus pulsos finos, ele vê as mangas ásperas de suas roupas deslizando para baixo. A cicatriz que carregava consigo desde que se tornou parte da equipe um continuava ali, provando que ainda era seu corpo. As mãos tocam brevemente sua garganta, os relevos em sua pele também estavam lá.
Deixando as mangas caírem novamente no lugar, Kim Rok Soo olhou passivamente para seus pés descalços. Os calos acumulados eram tão antigos que não faziam diferença na utilização de calçados, a menos que encontrassem algo particularmente afiado em seu caminho.
Suspiro.
Utilizando seus músculos exaustos, Kim Rok Soo tentou se levantar. Uma onda de mal estar cresceu lentamente, mas ele a empurrou de maneira cruel ao forçar seus membros finos a cooperar.
A entrada do beco não estava muito longe, em poucos passos ele alcançaria a praça principal.
Ao redor, pequenas casas o flanqueavam. No entanto, a sua nova estatura fez Kim Rok Soo parecer pequeno perto delas. Para casas antigas, elas são bem firmes, como se fossem feitas com mais do que palha, lama ou qualquer tipo de madeira que deveria estar disponível nesta época; como o bambu.
Ao tocar nas paredes de uma casa próxima, sentindo a textura do material em sua mão, uma possibilidade surgiu na mente de Kim Rok Soo. A ideia provou ser verdadeira assim que alcançou as ruas.
De brocado ao algodão, de humano a não humano, pessoas com roupas variando entre hanfu² e changpao³ caminhavam entre uma grande multidão.
Entre demônios de aparência luxuosa e humanos de olhos gananciosos, dando as boas-vindas aos seus clientes enquanto mostravam alegremente mulheres e crianças presas em jaulas; Kim Rok Soo voltou lentamente para o abraço das sombras no beco.
China antiga.
Demônios.
Comércio de escravos.
O coreano sentindo sua cabeça latejar.
Ele foi jogado em outro mundo. Um mundo de fantasia.
Kim Rok Soo só esperava que não fosse por causa de um certo romance.
Suspiro.
