Actions

Work Header

transformado de madeira à cinzas

Summary:

Alec está deitado na cama. Magnus está ao seu lado. Ele não vai deixa-lo ir.

Mas Alec não faz mais parte dessa Terra, agora.

É hora de dizer adeus.

 

[ AVISO: Isso é uma tradução para pt-br da fanfic "turned from wood to ashes", da(o) QueenyClairey, lembrem-se de checar o original ]

Notes:

Eu traduzi isso especificamente pra uma amiga minha 

Leia o original, em inglês, aqui

 

Twitter do(a) autor(a) é @ClaireyCookey

Work Text:


É difícil de segurar
Em algo tão esvaecido
Ele sabe que está lá
Sólido abaixo

Mas agarra-lo
Toma-lo em suas mãos
É difícil
Sua mente não é o que uma vez foi

Então ele ouve ao invez e tenta se libertar da névoa

O bip constante da máquina dita o ritmo da vida de Alec. E Magnus o abraça, de todo o coração.

Maryse o acha perturbador enquanto ela fala com seu filho. Isabelle diz que ele a amedronta quando ela traz flores novas para o quarto do Alec. Jace fala mais alto para afogar o som e algumas vezes coloca os fones de ouvido mesmo quando segura uma mão pálida na sua.

Mas Magnus ama o som. Ele significa que o amor de sua vida ainda está aqui.

Quando o ritmo parou e eles foram corridos do quarto, jalecos brancos e uniformes azuis aglomerando ao seu redor, ele mesmo quase morreu.

Clary segurou sua mão o tempo todo. Até os bips retornarem.

Agora ele senta ao lado da cama e os assiste. Assiste o coração do Alec enquanto ele tremula fraco em seu peito.

Ele imagina se algum dia irá trocar o som do bip por ouvir voz de seu amado novamente?

E se ele não pode... imagina se vai durar mais que um dia sem o ritmo ao seu lado.

Eles já fizeram todos os testes. Não está claro se Alec ainda está lá dentro. Houveram momentos de grande animação temperados com momentos de dor aguda.

Mas agora Magnus espera. E escuta os bips.

------------------------------------

Fumaça se enrola no seu peito
Cachoeira reverberam por seus membros
A batida de música assola sua cabeça
Seu estômago tem gosto de ácido

Cinzas se moldam juntas
O quebrado volta a ser inteiro
Chamas sobrepujam seu corpo e depois departem
E há o bip nos seus ouvidos

O mesmo bip que ele têm escutado por quase um ano

Quando seus olhos cor-de-avelã se abrem, ele não consegue focar aqui ou ali. Tudo é claro demais. Tudo é alto demais.

Ele sente uma mão segurar a sua, há pontas de dedos em sua face, ouve sons abafados que podem ser palavras meio-esquecidas, de muito tempo atrás. É alto demais. Então ele se foca no bip. O bip que parece interminável. É a linha que segura sua vida. Uma maneira de manter seu controle.

Ele o escuta enquanto seus olhos fecham. Escuta enquanto seus ouvidos param de funcionar... o "eu te amo" murmurado, ecoando nos seus ouvidos.

Ele dorme novamente.

------------------------------

No escuro
Olhos o assistem
Entreabertos
Dourados e brilhantes

Eles iluminam seu caminho e o guiam
Em direção a luz
Eles emanam a sensação de segurança
Então ele segue

Eles emanam a sensação de lar

Quando seus olhos se abrem de novo, a luz é ofuscada. Ao seu lado ele sente uma presença, pesada com derrota. Dedos enrolados nos seus, atropeladamente pintados de verde e marrom. Como seus olhos, ele pensa.

Há um sentimento como amor nesse quarto. Como proteção também. Ele pode não lembrar totalmente. Mas o sentimento... é como voltar para casa.

Ele tenta apertar a mão que segura a sua própria. Mas seus músculos estão enfraquecidos ou os sinais não batem. Então ele deita ali e escuta a respiração firme e o ritmo do bip.

Ele está exausto. Como se ele estivesse se esforçando por tempo demais. Mas ele sabe no seu coração que ele só tem estado dormindo. Dormindo por um tempo, mas ainda assim, apenas dormindo.

Seus olhos não vão continuar abertos.

-------------

Relâmpago percorrendo suas veias
Poder na ponta de seus dedos
Energia crepitante correndo pelo seu corpo
Faíscas dançando na sua língua

Palavras abafadas são bradadas
Claras nos seus ouvidos
O bip é mais alto
Mais pronunciado

Ele está quase inteiro

“Alexander,” A mão na sua está firmemente atada a ele. O quarto está cheio. Ele conta quatro ou cinco depois se concentra de volta no homem ao seu lado.

Ele é lindo. Seu cabelo enrolado ao redor de suas orelhas e caído sobre sua testa. Ele quer toca-lo, sentir a textura e se maravilhar quando for sedosamente macia.

Seu olhar vê tudo. Coisas que ele nunca havia visto antes. Como o glitter na pele caramelada. Pequenas e permanentes manchas de dourado e prata.

Esse é um bom homem. Um homem tocado por um anjo.

Seus olhos devaneiam até a beldade de cabelos negros, lábios franzidos enquanto ela olha de volta.

As enormes asas brancas que se estendem nas suas costas são um testamento de sua força. Ela é poder. Mas ele sabe que é o único que as vê.

O homem de cabelo dourado tem uma tatuagem delineada em sua pele. É reluzente com cobre e o marca como dela, da mulher agarrada a sua mão ao seu lado. Ele vê isso agora. Vê que ainda há mágica neste mundo.

A beldade de cabelo cobre tem uma aura rosa brilhante que torce e dobra, puxando os outros em sua direção para os guiar ou oferecê-los força.

Ao lado dela esta a sua mãe. Ele sabe que ela é sua, porque vê os próprios olhos sorrindo de volta. Ele sabe que ela é sua, porque ele a gravou em seu coração.

Seu sorriso retorcido o diz que ela sabe que ele não é dela por muito mais tempo. Ela é a única que consegue ver.

A escuridão que o cerca. Que consome seu corpo como um banquete.

O homem, seu amor ele sabe, segura sua mão mais firme e pressiona beijos suaves na sua pele.

Todos eles o fitam enquanto ele fita de volta. Mas ninguém quebra o silêncio.

Talvez ele esteja errado.

Talvez todos eles saibam seu destino.

Eles se reúnem ao seu redor, vozes rompem o silêncio, mas tudo que Alec escuta é o bip.

Está acelerando, agora. Correndo em direção ao fim. Ele sabe.

--------------

Os segundos passam
O filme roda
Memórias.
Dentro da sua cabeça está um redemoinho de cores

Olhar perto demais dói
Sabendo que é a última vez
Mas um rosto se sobressai
Pele caramelada
Manchada de glitter

Mais uma olhada

Magnus assiste os olhos de Alec cintilarem ao abrir. Vê o momento de reconhecimento. Magnus engole um punhado de ar e tenta falar. Mas as palavras estão presas.

"Te...amo..." Alec gunhe.

Lágrimas caem livremente e pingam no peito de Alec. O manto de seda escurece abaixo.

Lágrimas do Magnus. Alec já chorou todas as suas, dentro de si.

Lábios macios tocam os seus secos e Alec tem esperança.

Esperança de que é como os contos de fadas que o contavam quando era jovem.

Mas a dor perfurante grita que não.

"Eu te amo, Alexander, para sempre,"

Ele sabe.

Alec tenta olhar por mais tempo. Mas ele está tão cansado agora. Ele foi presenteado com uma última olhada em caramelo dourado e cheio de glitter.

Agora ele está indo. Afundando em negro. O bip desvanece em seus ouvidos.

--------------

Ele é poeira
Ondulando pelo ar
Dispersando acima e além
De suas bochechas manchadas de lágrimas

Nada que ele possa tocar
Presença não vista
Simplesmente pó flutuando
Aterrissando em seus ombros

Enquanto ele se instala,
Ele quer ficar
Mas a vida é uma chama curta
Transformada de madeira à cinzas

Ele teve seu momento ao sol.

Magnus estende uma mão, espalha terra de cima. Solta uma rosa vermelha. Amor eterno.

"Eu amo você Alexander. Agora descanse."